Frio e Solidão

poustozersk468Matéria da Gazeta Russa sobre uma cidade daquele país, localizada no Ártico e fundada um anos antes do descobrimento do Brasil, mas que acabou abandonada no século XX. Interessante como o homem consegue chegar a lugares inóspitos e ali se estabelecer para, algum tempo depois, ver tudo se esvair não pela força da natureza, mas pelo retrocesso econômico. Sim, a vida é efêmera! Achei curioso!

Cidade fantasma no Ártico atrai visitantes por sua história

2/01/2014 Semion Kvachá, especial para a Gazeta Russa

Pustozersk foi fundada em 1499 por ordem do Grão-Duque Ivan III para consolidar a presença do Ducado de Moscou nas recém-conquistadas terras de Nóvgorod e garantir a segurança da circulação de pessoas e mercadorias pela rota comercial ártica, uma vez que os outros caminhos para a Sibéria eram controlados pelos tártaros.

Fundada no final do século 15, a cidade ártica russa de Pustozersk foi completamente abandonada em meados do século 20. Ao local só se chega de barco ou de bicicleta no verão, sempre curto, e de moto de neve no inverno, muito longo. Mesmo assim, o local é digno de visita.

Narian-Mar é a capital da Região Autônoma de Nenents, uma unidade transpolar da Federação Russa. A região é coberta pela tundra (um tipo de vegetação rasteira típica de regiões polares), rica em petróleo e tem cerca de 40 mil habitantes, dos quais cerca de 7.000 de origem nenets (povo autóctone nômade). Desses, cerca de 1.000 vivem na tundra sustentados por rebanhos de rena, acampando em tendas construídas com varas e peles de animais. Os nenets preferem contornar Pustozersk. Não gostam do local.

A cidade foi abandonada há 50 anos. A última moradora deixou o local no início dos anos 1960. Desmontou sua casa de madeira para transportá-la rio abaixo e remontá-la na aldeia de Ustie. Como resultado, a cidade foi retirada da lista de aglomerados populacionais e teve sua história de quase 500 anos acabada. Continuar lendo

Feliz Ano Novo!!!

ano novo1Sempre me fascinou a celebração do “Ano Novo”. Não que eu já tenha alguma vez na vida feito isso fora de casa. Prefiro “virar o ano” quieto, absorto meus pensamentos e orações, e bem longe de praias apinhadas de gente, festas maravilhosas com muito champanhe e fogos que deslumbram. De forma alguma condeno os outros bilhões de seres humanos que se reúnem para animadamente comemorar o ano que se inicia, muito pelo contrário! É graças a esses bilhões de pessoas que se produz a magia do Ano Novo!

Se fôssemos racionalizar, uma virada de ano não significa absolutamente nada de maneira concreta. O sol continua nascendo em seu ciclo natural, o dia permanece com 24 horas, os minutos se sucedem como sempre, a vida segue passando… 1º de janeiro não tem nenhuma diferença de 31 de dezembro ou de 12 de outubro. Afinal, essa “passagem de ano”, assim como o tempo, de fato, são meras convenções humanas.

linda-rosa-vermelha_thumb[1]A planta que cresce, o peixe que nada e borboleta voando não estão nem aí para o Ano Novo. Muitos pensadores já trataram dessa inexistência do tempo ou de suas particularidades, e eu, sinceramente, não tenho suficiente maestria e tampouco ousadia para tentar acrescentar algo a essas reflexões. A única coisa que registro é que, na verdade, só o presente existe. O homem, porém, usando de sua fascinante imaginação, concebeu um passado para se lembrar e aprender, e um futuro para vislumbrar seu destino sobre a face da terra! É exatamente a concepção tão humana do tempo que faz com que nos diferenciemos de animais e plantas e possamos moldar um mundo ao nosso redor! A consciência do tempo foi um grande presente dos deuses!

Mas, que faz do Ano Novo esse momento tão marcante na vida das pessoas? Depois de muito refletir a respeito, alguma resposta já começa a se formar… A magia do Ano Novo surge nos corações e mentes das pessoas. Afinal, o mundo inteiro (inclusive aqueles que adotam outros calendários diferentes do nosso) acredita que um ciclo se encerra no dia 31 de dezembro, e que com o 1º de janeiro uma nova fase da vida começa. Simples (e fascinantes!) convenções humanas!!! E o inconsciente coletivo gera uma energia superior a qualquer arma já criada! É uma energia que se pudesse ser canalizada, mudaria o mundo!

reveillon-copacabana-2011-2Sempre me fascinou a celebração do “Ano Novo”. Bilhões a confraternizar-se, estranhos se dando as mãos, gente se abraçando… Pensamentos de paz, harmonia, prosperidade, saúde… Uma alegria contagiante nos mais distantes pontos do planeta! E, acima de tudo, um sentimento de esperança e desejo por algo melhor que se propaga pelos quatro cantos! Tudo isso na virada do ano!

A virada do ano também é importante para se fazer uma retrospectiva do ciclo que termina! As pessoas costumam avaliar o que fizeram, o que foi feito com elas, coisas boas e outras nem tanto… Até o mais facínora dos criminosos se pega refletindo sobre o que fez no ano que acaba… Pode até de nada se arrepender, mas pensou a respeito. Isso é magico, não?

Naturalmente, além do balanço do ano que passou, muita gente faz seus planos e promessas para o ciclo que se inicia! Do regime que vai começar no dia 02/01 à decisão de mudar completamente de vida, todo mundo faz promessas para o novo ano! Isso é bom, ainda que nem todas as metas sejam alcançadas! E o melhor é que, se o prometido não for cumprido, você terá um novo ciclo, 365 dias depois, para tentar cumpri-lo!

fraternidadeSempre me fascinou a celebração do “Ano Novo”. E nesse momento singular, quando o mundo todo comemora o novo ciclo, é importante que se aproveite o turbilhão de energia positiva gerada e circulando pelo planeta para se buscar a única maneira de se alcançar tudo aquilo que tanto se almeja no Ano Novo: a transformação de si próprio! Qualquer grande mudança no ser humano começará indubitavelmente por uma mudança interior! E a partir da mudança interna, o homem poderá mudar o meio em que se encontra.

Também é conveniente aproveitar para se pensar naqueles que nos cercam, os próximos e os não tão próximos. Afinal, enquanto bilhões comemoram, outros tantos ainda subsistem no sofrimento, sofrimento esse causado por infortúnios dos mais diversos: materiais, espirituais, psicológicos, financeiros, afetivos… E a verdade é que, enquanto houver um ser humano sofrendo, a humanidade inteira permanecerá doente.

Se você se pergunta o que tem a ver com o sofrimento do outro, respondo logo que pode não ter nada com a causa. Mas saiba que, de alguma maneira, tem todas as condições de buscar contribuir ao menos para amenizar a dor. São tantas as formas de ajudar o próximo! Um simples “bom dia!”, um sorriso ou um ombro amigo podem operar milagres! Você pode também se envolver em algum trabalho social, ou mesmo encontrar a sua própria maneira de ajudar. Coloque como meta ajudar uma pessoa, apenas uma pessoa, em 2014. E, se ao final do ano, essa meta tiver sido alcançada, você terá trazido, tenha certeza, um grande benefício para a humanidade!

solidariedadeSempre me fascinou a celebração do “Ano Novo”. E, nesse momento tão peculiar, aqui do recesso do meu lar, gostaria de desejar a todos os meus 8 (oito) leitores um 2014 pleno de paz, saúde, alegria, prosperidade, realizações! Que seus desejos sejam atendidos e seus sonhos sejam alcançados!

E agradecendo a todos que acompanham nossas reflexões, deixo como mensagem de Ano Novo de Frumentarius, as palavras de um dos maiores homens que já passaram por esta terra, e que os católicos consideram santo, mas cujos ensinamentos e o exemplo de vida estão acima de qualquer religião, de qualquer fé! Refiro-me a São Francisco de Assis, autor de uma oração que se tornou mantra para todos os homens e mulheres de boa vontade, e que transcrevo para meus leitores e amigos:

Senhor,

Fazei de mim o instrumento de Vossa paz
Onde houver ódio
Que eu leve o amor
Onde houver ofensa
Que eu leve o perdão
Onde houver discórdia
Que eu leve a união
Onde houver dúvida
Que eu leve a fé
Onde houver erro
Que eu leve a verdade
Onde houver desespero
Que eu leve a esperança
Onde houver tristeza
Que eu leve alegria
Onde houver trevas
Que eu leve a luz!

Mestre,
Fazei com que eu procure mais
Consolar, que ser consolado
Compreender, que ser compreendido
Amar, que ser amado
Pois é dando que se recebe
É perdoando que se é perdoado
E é morrendo que se vive para vida eterna.

Feliz 2014! Luz! Vida! Amor!
Paz Profunda!

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E o Leão continua mordendo…

LEAONada justifica a pesadíssima carga tributária no Brasil. Não costumo comentar assuntos internos, meus 8 leitores bem sabem disso. Porém, quando lembro que trabalho cerca de seis meses por ano (ou mais) apenas para pagar impostos, os quais, por sua vez, vão ser pessimamente empregados pelo Governo, quando não desviados para corrupção ou simplesmente perdidos em gastos desnecessários (como campanhas publicitárias ou propaganda eleitoral de partileco), aí me revolto. E o pior é saber que arrecadação aumentará no próximo ano porque certas pessoas precisarão financiar certas campanhas. A palavra de hoje é: indignação. Acorda, Brasil!

Nova tabela do IR aumenta cobrança de impostos sobre salários

Faixas de cobrança serão novamente corrigidas abaixo da inflação, fazendo com que o Fisco chegue ao bolso de cada vez mais brasileiros

25 de dezembro de 2013 | 12h 41
Bianca Pinto Lima e Mário Braga – Estadão e Agência Estado

SÃO PAULO – Pelo 18º ano seguido, a tabela do Imposto de Renda (IR) será corrigida abaixo da inflação em 2014. A defasagem, que deverá fechar esse ano próxima de 66%, faz com que o Fisco chegue ao bolso de cada vez mais brasileiros, consumindo os seus novos rendimentos. Essa discrepância ainda se soma ao aumento do salário mínimo, também superior à correção da tabela. No próximo ano, o mínimo será elevado para R$ 724, uma alta de 6,78% ante os R$ 678 atuais.

A tendência pode ser observada desde 1996, quando houve o congelamento da tabela do IR, que durou até 2001. Nos anos seguinte, todos os reajustes que ocorreram foram inferiores ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Continuar lendo

O Natal de 1914

665321045O ano de 1914 foi, certamente, um dos mais marcantes do século XX. Afinal, para alguns, foi ali que o breve e intenso século começou, com o desencadeamento, no verão, da Grande Guerra.

A I Guerra Mundial fascina por suas peculiaridades. Toda guerra as tem, é certo, mas o conflito iniciado em 1914 esteve no cerne de grandes mudanças na história da humanidade, dividindo não só homens e nações, mas também mundos e eras. O mundo que começou a guerra era completamente distinto do que a viu acabar…

Ainda sobre as peculiaridades, nos campos de batalha e nas trincheiras da Europa, foram testemunhados eventos incríveis, os quais nem mesmo os maiores romancistas poderiam conceber. Um deles ocorreu no Natal de 1914. Sempre comento a respeito nessa época aqui em Frumentarius. E comentarei novamente.

La-trève-de-noël-1914Em breves palavras, naquela noite fria de Natal nas trincheiras do front ocidental, milhares de homens simplesmente suspenderam a carnificina e saíram para confraternizar com o “inimigo”. Não foi nem uma ordem de superiores, talvez uma ordem Superior.

Então, em meio a canções de Natal, combatentes de ambos os lados se encontraram, deram as mãos, abraçaram-se. Houve até troca de presentes. E a guerra, o ódio e as diferenças foram esquecidos, ao menos por algumas horas. O que imperava era o Espírito de Natal, e um sentimento inexplicável de fraternidade preencheu os corações daqueles homens que ali estavam para matar ou ferir seus semelhantes. 

1914As confraternizações aconteceram simultaneamente ao longo de todo o front ocidental. Nunca se vira nada parecido, nem se veria novamente.

Algum tempo depois, os combates foram retomados. E as autoridades militares se encarregariam de não permitir um novo evento como aquele (que quase acabou com a guerra) ocorresse novamente nos fatídicos anos que se seguiram de carnificina.

O Natal de 1914, nas trincheiras da Europa, deixou a lição de que a humanidade pode ser uma só, que diferenças podem ser postas de lado, e que a paz e a fraternidade podem reinar no coração dos justos. Não é esse o Espírito de Natal?!?

Boas Festas! Lembremos sempre de que milagres podem acontecer e que ainda há esperança para a humanidade.

Feliz Natal!
Merry Christmas!
Feliz Navidad!
Joyeux Noël!
Fröhliche Weinachten!
Buon Natale!

Segue um artigo sobre o Natal de 2014.

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Noite feliz na terra de ninguém: Natal de 1914

No Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, soldados ingleses e alemães deixaram as trincheiras e fizeram uma trégua. Durante seis dias, eles enterraram seus mortos, trocaram presentes e jogaram futebol

Bruno Leuzinger | 01/03/2004 00h00
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/noite-feliz-terra-ninguem-natal-1914-433575.shtml

Finalmente parou de chover. A noite está clara, com céu limpo, estrelado, como os soldados não viam há muito tempo. Ao contrário da chuva, porém, o frio segue sem dar trégua. Normal nesta época do ano. O que não seria normal em outros anos é o fedor no ar. Cheiro de morte, que invade as narinas e mexe com a cabeça dos vivos – alemães e britânicos, inimigos separados por 80, 100 metros no máximo. Entre eles está a “terra de ninguém”, assim chamada porque não se sobreviveria ali muito tempo. Cadáveres de combatentes de ambos os lados compõem a paisagem com cercas de arame farpado, troncos de árvores calcinadas e crateras abertas pelas explosões de granadas. O barulho delas é ensurdecedor, mas no momento não se ouve nada. Nenhuma explosão, nenhum tiro. Nenhum recruta agonizante gritando por socorro ou chamando pela mãe. Nada. Continuar lendo

Dicas de segurança na Rússia

russasMais uma interessante artigo extraído da Gazeta Russa, com dicas para aqueles que tiverem receio de circular por aquele grande país. Naturalmente, Moscou e São Peterburgo são duas grandes cidades, e há que se ficar atento para o que os amigos portugueses chamariam de “gatunos”. Mas não é assim em qualquer cidade grande pelo planeta?

Ademais, os brasileiros em geral costumam estar mais preparados para a violência e a criminalidade urbana (por que será?). Então, recomendo a quem tiver condições viajar para aquele fascinante país. Eu ainda não conheço, mas está na minha lista. E o idioma? Certamente esse pode ser o maior problema. Você tem duas alternativas: viajar com a cara e a coragem e conseguir um intérprete por lá; ou aprender o básico da língua mais difícil que já estudei e encarar a viagem!

Russo não é uma língua fácil, não mesmo. Mas é uma língua que seduz por ser desafiadora! Aos estudantes de Relações Internacionais, recomendo que aprendam o russo! E um novo mundo se abrirá! Eu não me arrependo…

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Dicas para se sentir seguro na Rússia

19/12/2013 Ajai Kamalakaran, Gazeta Russa

Apesar de a maioria das cidades russas ser tranquila para os padrões internacionais, cautela nunca é demais. Eis aqui alguns conselhos de um correspondente da Gazeta Russa para quem for se aventurar pelo maior país do mundo.

Dicas para se sentir seguro na Rússia

Postura firme e boa lábia são características preciosas para os visitantes na Rússia Foto: ITAR-TASS

Um dos medos mais comuns entre os visitantes estrangeiros na Rússia é a violência nas ruas. Felizmente, a maioria das pessoas deixaram de associar o país com máfia e já não acreditam mais que poderiam ser vítimas de uma bala perdida em meio a trocas de tiros. Mesmo assim, os estereótipos sobre violência decorrente de xenofobia e vandalismo persistem. Quem visitou Moscou nos últimos anos pôde facilmente perceber que a capital russa é, de um modo geral, um lugar seguro, a menos que se esteja bêbado às 3 da manhã, perambulando em alguma zona periférica da cidade.

Quanto ao resto do país, é difícil classificar uma cidade como segura ou não, pois as condições locais variam muito. Um conhecido meu comparou Khabarovsk e Vladivostok com Moscou e São Petersburgo, respectivamente, e disse que as duas cidades à beira-mar tendem a ser menos seguras do que as duas principais cidades russas. Outras pessoas jamais encontraram problemas em qualquer um dos quatro lugares, embora estivessem inclinadas a concordar com a avaliação anterior. Mesmo na Rússia Central, algumas cidades são apenas melhor administradas do que as demais e, por conseguinte, acabam sendo mais seguras. Continuar lendo

Descanse em paz, Reginaldo!

reginaldo 1Muito bem! Meus oito leitores sabem que a temática em Frumentarius costuma ser sobre Política Externa, Relações Internacionais, Defesa e Segurança, Inteligência… Entretanto, lembro que este é um espaço para compartilhar (com aqueles que tenham paciência, coração puro e mente aberta para nos ler) reflexões sobre “um pouco de tudo”.  Assim, gostaria de prestar minha sincera homenagem a um grande brasileiro que há pouco passou pela transição: o cantor e compositor Reginaldo Rossi.

Não preciso de muitas palavras para me referir a Reginaldo. Afinal, nas últimas décadas, ele e suas músicas tornaram-se conhecidos de todos os brasileiros! Ricos ou pobres, intelectuais ou iletrados, homens e mulheres das mais distintas origens e classes sociais, todos ouviam e cantavam suas músicas (ainda que alguns mequetrefes não o quisessem admitir)! Quem nunca entoou, de forma mais ou menos afinada, “garçom, eu aqui, nessa mesa de bar…!” (tenho certeza que você leu essas últimas palavras no tom da música)?!?!?! Quem nunca curtiu momentos mais ou menos agradáveis, sozinho ou acompanhado dos amigos ou de amores, as canções de Reginaldo Rossi?!? Quem nunca riu com as letras que diziam aquilo que todos queriam dizer?!?!

Reginaldo-Rossi_ACRIMA20131220_0010_15Sim, esse homem fez história e marcou, definitivamente, a cultura brasileira. Chamado, e se reconhecendo, “brega”, conseguia exprimir com maestria os sentimentos da pessoa comum, dos apaixonados, e daqueles que sofriam por um amor não correspondido, pelo fim de uma relação, ou por um coração partido! Compositor genial e intérprete singular, o cantor recifense que estudara engenharia alcançava a alma de todo um povo com suas letras profundas, mas claras aos corações mais simples! Nesse sentido, era ele mesmo quem afirmava que cantava para o povo, nas palavras que o povo compreenderia!

Nunca haverá outro Reginaldo Rossi, isso é fato. Morre o homem, mas seu legado permanece. Muitas gerações ainda ouvirão, cantarão e se emocionarão com as músicas daquele que ficará eternizado como “o Rei do Brega”!

Descanse em paz, Reginaldo!

Para um link com um show completo de Reginaldo Rossi, clique aqui.

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Sorriso russo

A Rússia é um país fascinante e mais ainda é seu povo (de fato, a miríade de povos que compõem aquela Federação). Segue interessante artigo, extraído da Gazeta Russa, sobre a maneira como os russos se comunicam por meio do sorriso (sim, isso mesmo!). Não sei até que ponto se pode generalizar tanto, mas é uma matéria que vale a pena ser lida por todos aqueles que desejem conhecer mais aquele grande país!

10 razões para sorrir (ou não) na Rússia

29/11/2013 Iossif Stérnin, especial para Gazeta Russa

Sorriso desempenha funções distintas do que se vê em outros países. Na opinião dos estrangeiros, os russos são sombrios, carrancudos e sorriem pouco. No entanto, a ausência de sorrisos não significa antipatia.

10 razões para sorrir (ou não) na Rússia
De um modo geral, a cultura comunicativa russa tem como pontos fortes a sinceridade e abertura Foto: Shutterstock

Não dá para negar que na Rússia há muita gente de cara fechada. Este é um dos traços nacionais mais marcantes do comportamento não verbal e da comunicação. Isso faz com que o sorriso assuma outros significados, além da expressão de alegria comum em outros lugares do mundo. De um modo geral, a cultura comunicativa russa tem como pontos fortes a sinceridade e abertura. Durante séculos, a vida cotidiana dos russos foi preenchida por uma difícil luta pela sobrevivência, e a preocupação constante foi fixada no inconsciente coletivo, passando a fazer parte do comportamento habitual.Saiba como identificar os sinais por trás de um sorriso russo e evite aborrecimentos desnecessários.

1. Sorriso contido
Na maior parte das vezes, os russos mexem os lábios, mostrando ligeiramente apenas os dentes superiores. Mostrar os dentes superiores e inferiores é considerado “vulgar” e recebe o apelido de sorriso “arreganhado” ou “de cavalo”.

2. Simpatia, só que não
Na comunicação entre os russos, o sorriso nem sempre é sinal de cortesia. Quando o sorriso é constante, é rotulado de hipocrisia ou disfarce. Continuar lendo

Lições de Estalinismo

???????????Obviamente que em nosso retorno não poderia deixar de tecer considerações acerca de meu caríssimo Bob Filho, sucessor de Chico Cézar, e seu parque de diversões em forma de Estado!

A Coréia do Norte é, indubitavelmente, um país fascinante (e não, não estou sendo irônico!)! Trata-se do último lugar do planeta onde se pode vivenciar a experiência estalinista. Da organização do Estado e da sociedade até as práticas de disciplina e culto ao líder, naquele interessante país milhões de pessoas vivem em outra realidade, a maioria delas completamente alheias ao que se passa no mundo exterior. Daí situações como a alteração nos resultados de jogos de futebol em que a seleção norte-coreana torna-se vencedora, a propagação de verdades como a de que o inventor do tablet foi o Grande Líder (apesar de maioria esmagadora da população não ter a mínima idéia do que seja um tablet) e, o lado mais nefasto, as execuções de “opositores” e os expurgos.

jang_song-thaekE, por falar em expurgo, a notícia mais recente foi da execução de Jang Song-thaek, tio de Bob Filho, e uma das principais autoridades do regime de Pyongyang. Além da execução, no melhor estilo da União Soviética de Joseph Stálin, o tio de Bob Filho foi “apagado” dos registros da Coréia do Norte – nunca existiu. O Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética gostava disso. Fazia seus opositores desaparecerem não só da vida mas também da lembrança das pessoas e da própria História do país. Expurgo sofisticado!

Jang-Song-Thaek-2909639O acontecimento revela uma rachadura na estrutura do regime. A maneira como o Pequeno Grande Líder reagiu, entretanto, é sinal de que sabem lidar com o problema – ainda que por métodos inaceitáveis para qualquer espírito democrático (o que não é uma preocupação de Pyongyang). Pode-se acusar o rapaz de tudo, menos de inabilidade no trato com os opositores (claro que, novamente, sob o reprovável método das ditaduras). Stálin fez escola, Mao o copiou, Saddam idem. E, Bob Filho, no melhor estilo de líder de regime ditatorial, seguiu a cartilha.

Sem dúvida, laboratório vivo para qualquer cientista político é a Coréia do Norte! É o último baluarte do totalitarismo no planeta. Infelizmente, como todas essas experiências de engenharia social sob orientação ideológica tão cultuadas por intelectuais aqui no Ocidente, tem gente sendo oprimida, sofrendo e morrendo ali, de verdade. Mas, sinceramente, adoraria ir à Coréia do Norte para conhecer o funcionamento daquele admirável mundo novo! Iria apenas para visitar, claro.

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VEJA

Internacional – 16 de Dezembro de 2013 –Coreia do Norte

Norte-coreanos juram lealdade após execução de tio de Kim Jong-un

Pyongyang organizou parada militar que envolveu dezenas de milhares de soldados para mostrar fidelidade das tropas ao ditador

Parada Militar no segundo aniversário da morte do ex-ditador Kim Jong Il, na Coreia do Norte
Parada militar na Coreia do Norte (Reuters)
 

Dezenas de milhares de soldados norte-coreanos mostraram nesta segunda-feira em Pyongyang sua lealdade a Kim Jong-un em um ato para reforçar a unidade em torno do ditador, dias depois da execução de seu tio Jang Song-thaek, acusado de traição. Os soldados carregavam uma faixa vermelha com letras brancas em coreano com o lema: “’Mantemos em alta estima o camarada Kim Jong-un como o único centro da unidade e da liderança”, segundo as fotografias publicadas pela agência estatal do regime, KCNA.

A concentração, que aconteceu em frente ao Palácio de Kumsusan, é um ato aparentemente destinado a proteger o líder e fortalecer a unidade do exército, um dos pilares do regime. O ato ocorre uma semana depois que o governo da Coreia do Norte executou Jang Song-thaek, ex-número dois do país e tio do ditador Kim Jong-un. De acordo com a imprensa estatal, Jang foi executado por vários crimes, entre eles tramar uma conspiração contra seu sobrinho. O meio de comunicação estatal também destacou que o tio do líder tinha criado uma facção política que discordava da linha majoritária do regime. Continuar lendo

Finalmente!

Depois de mais de um mês em estado latente (só justificável pelo excesso de trabalho que tomava todo nosso tempo e esforço mental), retomamos os comentários em Frumentarius. E nosso retorno se dá com observações sobre um evento histórico para a Força Aérea Brasileira e a Defesa Nacional do Brasil: a escolha do novo caça brasileiro de superioridade aérea!

Foram cerca de duas décadas de um processo cheio de altos e baixos para que se chegasse à opção de ontem. Tempo demais, diga-se de passagem. A escolha é muito bem-vinda, mas peca pela demora… Nossas atuais aeronaves de superioridade aérea, os Mirage 2000-C, tornar-se-ão inoperantes agora em 31 dezembro, serão desativados. O projeto do Gripen-NG ainda levará alguns anos… Nesse ínterim, o Brasil terá que se virar com os F-5EM…

Os brasileiros estamos acostumados a novelas, ou seja, histórias contadas em capítulos que se propagam ao longo de muito tempo. Decisões rápidas e  oportunas não costumam ser bem vistas em nossa cultura do “deixa para depois”…. E, nesse caso específico, a novela só está na metade…

Certamente, sob o aspecto técnico, o Gripen NG é uma boa opção (assim como também o eram seus concorrentes). O desenvolvimento do projeto em parceria com a indústria nacional trará excelentes dividendos para o País em termos de tecnologia e fomento à produção nacional no campo da Defesa – o que, naturalmente, converterá em benefícios para nossa já muito qualificada indústria aeronáutica. O caso do AMX é notório exemplo.

Ademais, tem-se uma oferta que, de acordo com a nota produzida pela Aeronáutica, que transcrevemos a seguir, engloba “o fornecimento de 36 (trinta e seis) aeronaves, logística inicial, treinamento, simuladores de voo e projetos de transferência de tecnologia e cooperação industrial”. Tecnicamente, o resultado é, portanto, positivo.

Em termos políticos, a Presidente parece ter acertado, uma vez que escapou de uma “saia justa” que seria um acordo com os Estados Unidos em um momento de tensão nas relações bilaterais ou uma parceria com a França para aquisição de aeronaves que, em razão do alto custo, poderia provocar críticas domésticas. Ademais, ao contrário dos estadunidenses e franceses, aliados tradicionais, mas com interesses diretos na América do Sul, a Suécia está distante de qualquer disputa geopolítica na região.

Não cansarei os meus 8 (oito) leitores com tecnicismos. O mais importante disso tudo é que a decisão foi tomada. Agora é por as mãos na massa e, independentemente de qual seja o próximo governo a partir de 2015, desenvolver o projeto para aumentar nossa capacidade defensiva.

Parabéns à Força Aérea Brasileira! Parabéns, Brasil!

Segue a Nota da Aeronáutica sobre o acontecimento.

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18/12/2013 – 18h54

NOTA OFICIAL – Governo Federal seleciona novos caças para a FAB

 18 de dezembro de 2013.

Um dia histórico para a Força Aérea Brasileira.

Por meio do Programa F-X2, o Governo brasileiro confirmou a aquisição do avião militar supersônico GRIPEN-NG, caça de última geração que atenderá às necessidades operacionais da FAB para os próximos 30 anos e que faz parte do Programa de Articulação e Equipamento da Defesa, da Estratégia Nacional de Defesa, com vistas à defesa da Pátria. Continuar lendo

De volta…

Depois de cerca de dois meses inativo aqui no site (exatamente devido aos inúmeros compromissos do mundo real), estamos de volta para comentar sobre “um pouco de tudo”! Sei que não é positivo ficar tanto tempo sem escrever em Frumentarius, e que isso provoca redução no número de leitores [não tenho como calcular, mas talvez se tenha reduzido pela metade… de toda maneira, ainda se mantêm 4 ou 5 de nossos caríssimos e fiéis leitores! (+ a NSA e o Obama)]…

Vamos ver se consigo retomar o ritmo de outrora! Afinal, o mundo continua interessante de ser comentado! Em termos internacionais, voltaremos a tratar da Síria (pois é, ainda está lá, sabiam?), da Venezuela surreal, das relações entre grandes potências, como a Mãe Rússia e seu Czar (gosto do Putin; Putin é KGB), das desventuras de seu colega menos poderoso (hehehehe) em tentar justificar a espionagem contra outros líderes mundiais, e os problemas dos BRICS…

Apesar de não tratar de política interna, também pretendo trazer alguns comentários sobre a maneira como Pindorama é impulsionado para o fundo do poço (Gramsci explica) e, expressamente, sobre o descaso com que nossa Defesa, nossa Segurança e, sobretudo, nossa Inteligência são tratadas por aqueles que deveriam gerir a coisa pública.

E, claro, retomaremos nossos posts sobre assuntos tremendamente interessantes e positivos, como a causa monárquica, as descobertas da ciência e a História mundial e do Brasil. 

Agradecendo novamente a minha querida mamãe (que me garantiu, provavelmente, 80% dos cerca de 150 acessos diários nesses meses parado) e ao conjunto dos meus queridos 6 leitores, retomo as atividades de Frumentarius! Avante!

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El viaje de la Presidenta

Noticia acerca de la decisión de nuestra Presidenta, Dilma Rousseff, de cancelar el viaje a los Estados Unidos, con mis comentarios acerca de lo que considero más un gran error de la política externa brasileña…

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El Colombiano – Internacional | Publicado el 18 de septiembre de 2013

Desplante de Rousseff es un acto político

La decisión de congelar el viaje a E.U. es un duro golpe para las relaciones entre las dos mayores economías de América.

Este año el presidente Barack Obama no brindará con un aliado en una cena de Estado en la Casa Blanca. La única cita de esta envergadura que estaba planeada para el 2013 fue pospuesta por la invitada de honor y presidenta de Brasil, Dilma Rousseff, en un histórico desplante que marca el momento más difícil en la relación entre las dos mayores potencias políticas y económicas del hemisferio en años.

Las razones de la presidenta son contundentes: según ella, Washington no ofreció respuestas satisfactorias a informaciones de la prensa que revelaron que la Agencia de Seguridad Nacional (NSA) espió a ciudadanos brasileños, incluyendo a la mandataria. 

“Las prácticas ilegales de interceptación de las comunicaciones y datos de ciudadanos, empresas y miembros del Gobierno brasileño constituyen un hecho grave, que atenta contra la soberanía nacional y los derechos individuales, y es incompatible con la convivencia democrática entre países amigos”, dice la líder en el comunicado oficial. 

El documento también sostiene que “en ausencia de una investigación de lo ocurrido, con las correspondientes explicaciones y compromiso de cesar la interceptación, no están dadas las condiciones para la realización de la visita”, prevista para el 23 de octubre.

La decisión de Rousseff se suma a las secuelas internacionales que han dejado en Obama las revelaciones de los programas de espionaje y que también le han costado, hasta hoy, persecuciones intensas en Europa, donde son celosos de la privacidad. 

Y es que documentos secretos filtrados por el exanalista estadounidense de inteligencia Edward Snowden también mostraron que la NSA intervino la red informática de la petrolera estatal brasileña Petrobras y que recabó datos de millones de correos electrónicos y llamadas telefónicas hechas en Brasil, un importante nodo de conexiones de fibra óptica trasatlánticas. Las revelaciones se suman a un añejo recelo en el país sudamericano sobre el gobierno estadounidense. 

Después de conocer el descontento de la presidenta Rousseff, la Casa Blanca señaló que Obama “entiende y lamenta” la decisión brasileña y que ordenó una investigación sobre las acciones de los aparatos de inteligencia, la cual tomará varios meses para ser concluida. 

El texto divulgado por el gobierno estadounidense plantea que Obama espera recibir a Rousseff en una fecha que sería decidida en forma conjunta y que otros mecanismos de cooperación continuarán, como los diálogos bilaterales sobre política, energía y defensa. 

Aunque analistas brasileños consideraron que dejar la visita en pie, sin llegar a cancelarla, le da a Rousseff la oportunidad de mantener abierto el diálogo con Estados Unidos y discutir con Obama las preocupaciones por el espionaje, Joanisval Brito Goncalves, asesor del Senado en asuntos internacionales, afirmó que lo más conveniente es que Rousseff haga la visita.

“Hace 20 años no tenemos un jefe de Estado en Estados Unidos para una visita como esa, es el momento para fortalecer el diálogo, no para cerrar las puertas”, dijo el analista.

Una visita de Estado es la mayor acogida diplomática que un líder extranjero puede recibir en Washington, con más categoría que una visita oficial común. La de Rousseff era la única prevista por Obama este año, la primera de un presidente brasileño en casi dos décadas. 

En lo que lleva en la Presidencia, Obama ha ofrecido seis cenas de Estado: a la India en 2009, a México en 2010, a China, Alemania y Corea del Sur en 2011 y a Gran Bretaña el año pasado. Con estos antecedentes, Brito Goncalves dijo a The Associated Press que Brasil “no puede enterrar la cabeza en la arena” y evitar el contacto con Estados Unidos. Continuar lendo

Manifesto Brasil 2022

Meus caros,

Manifesto_folha1É com imensa satisfação que informo a meus queridos leitores que, neste dia da Independência do Brasil, é lançado o Manifesto Brasil 2022.

Esse documento é o produto de meses de reflexão e debate sobre os problemas brasileiros e o futuro que queremos para o Brasil e seu povo. De fato, o Manifesto faz um diagnóstico da situação geral do País hoje e propõe alternativas que possam elevar o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento, civilização e independência no bicentenário de sua Emancipação (7 de setembro de 2022).

ideia do Manifesto teve início há exatos nove meses, quando três amigos reunidos em um almoço, chegaram à conclusão que algo precisava ser feito para retirar o Brasil dessa rota em direção ao caos, à violência e ao atraso. Ao externarem seu pensamento, descobriram que muitos pensavam como eles. Perceberam, ainda, que sua geração, a dos nascidos entre meados dos anos sessenta e meados dos anos oitenta do século XX ainda não deixara qualquer contribuição ao progresso do País.

Assim, decidiram os três amigos começar a pensar em como poderiam contribuir para um Brasil melhor. E, após muitas reflexões e debates, chegaram à produção do Manifesto.

Certamente, o Manifesto Brasil 2022 é apenas um primeiro passo. Mas deve ser o documento propulsor de um movimento por mudanças no Brasil nos mais distintos campos. Os autores se inspiraram no Manifesto Antropofágico de 1922 que, no centenário da Independência, deu início a um processo de transformações cultura e nas idéias brasileiras.

Convido-os a conhecer o Manifesto. Vocês podem baixar seu texto integral em pdf aqui. Podem, ainda, acessar o sítio na internet dedicado ao documento: www.manifestobrasil2022.org. Podem difundi-lo, debatê-lo, criticá-lo, propor novas reflexões e, se concordarem com ele, juntar-se a seus idealizadores no movimento por um Brasil melhor em 2022.

Inaceitável é ficarmos inertes. Inaceitável é sermos meros expectadores enquanto o Brasil mergulha no caos, na violência e no atraso. Ou fazemos alguma coisa, ou as futuras gerações não nos perdoarão pelo legado que deixamos.

Vamos, então! Neste 7 de setembro de 2013, vamos dar o passo inicial rumo a uma nova Independência!

Viva o Brasil! Viva o Povo Brasileiro! Avante!

Manifesto Web

Apocalipse Now… in Syria

assad_obamaMuita gente tem-me perguntado sobre a crise na Síria e a provável intervenção estadunidense no país do Oriente Médio. Desde que começou o Levante (como sempre chamei a tal da “Primavera Árabe”), há dois anos, tenho dito que a Síria é muito distinta dos demais Estados que passaram pelas revoltas populares, seja a Líbia de Kadafi, seja o Egito de Mubarack… Tanto por sua posição geográfica, quanto pelas características do regime e de seu líder, ou ainda pelos seus estreitos vínculos com grandes potências como Rússia e China e aliados como o Irã e o Hesbollah, o caso sírio é bem mais complexo do que muitos “experts” têm dito.

Assad_quadroNestes dois anos tenho assinalado que Bashar Hafez-al-Assad não é um simples ditadorzinho de país em desenvolvimento, e que dificilmente deixaria a Presidência da Síria pelas manifestações da oposição. Assad estaria mais para déspota esclarecido.  Seu pai assumiu o poder na Síria quanto ele tinha cinco anos de idade – natural que desde cedo já houvesse a possibilidade de ser preparado para uma sucessão. Estudou em Londres, conhece o Ocidente, e muito distante está de um líder beduíno que ocupa o palácio de dia e à noite vai para sua tenda, ou de um coronel que herda o poder de outros coronéis. É, verdadeiramente, uma liderança em seu país e conta com apoio de parte da população.

Ademais, contra Assad se rebelaram grupos distintos, inclusive alguns associados à Al-Qaeda. Ou seja, ele é, ao menos, a opção conhecida no governo do país. Difícil identificar quem poderia assumir o poder em seu lugar ou mesmo se os rebeldes não continuariam a luta fratricida, permanecendo a instabilidade.

assad putin Também desde cedo assinalo que qualquer investida militar contra a Síria teria que contar com a aquiescência de Moscou. O país é área de influência russa – vale lembra que a maior base naval russa em águas quentes é na Síria – e está muito próximo do território da antiga União Soviética para que Putin deixe de acompanhar muito de perto e com grande interesse os acontecimentos e muito menos uma ação militar ocidental. Tenho comentado, ainda, que Assad cairá quando perder o apoio de Moscou.

Falando ainda da Rússia, interessante tem sido a orientação do Kremlin na crise. Sempre manteve o apoio a Damasco, apoio esse que se evidenciou nas últimas declarações sobre os ataques com armas químicas e nas intervenções no Conselho de Segurança da ONU. Nesse ponto, conta com o apoio de Pequim que, no mínimo, não tem interesse em ver aumentada a influência ocidental na região.

Note-se, além disso, que a relação entre Washington e Moscou tem-se mostrado mais tensa nos últimos meses. Algumas vezes se falou sobre uma nova Guerra Fria (ao menos em certos discursos do Governo russo isso foi expressado). O caso Snowden contribuiu para o aumento da tensão, inclusive com o cancelamento de reuniões de cúpula entre Obama e Putin. Os russos aumentaram a presença na Síria e continuam fornecendo armas a Assad. O recado de Moscou, claro desde sempre, mas somente agora percebido por muitos “especialistas” é: “não brinquem no meu quintal sem me consultar”.

syria protest1Entretanto, apesar dos avisos, Obama parece particularmente interessado em uma ação militar contra a Síria e em tirar Assad do poder – ou isso, ou tem-se aí um grande blefe por parte de Washington! E o pior é que encontra resistência em casa, e também entre seus aliados tradicionais. David Cameron, por exemplo, já retrocedeu na ideia de tomar parte diretamente na intervenção na Síria. Até mesmo Israel não se mostra entusiasmado com os tambores de guerra – claro! além do primeiro alvo de contra-ataques, os israelenses já conhecem (e bem) o atual governo Sírio e seu líder, e temem quem poderia sucedê-lo (no Egito, como também já havia assinalado aqui neste site, a experiência não foi das mais felizes).

Bom, alguns diriam, a intervenção militar conta com o apoio de Hollande… Do social-democrata Hollande? Do líder forte e altivo Hollande? Alguém pode me dizer quantas guerras a França venceu nos últimos 150 anos?

Mas, e se os EUA, contrariando seus principais aliados, desafiando Moscou e Pequim, e provocando Teerã, resolverem atacar a Síria? Bom, um conflito tradicional, como na invasão do Iraque, acho improvável. O país sofrerá ataques aéreos e aumentar-se-á o apoio aos rebeldes, mas não acho que Obama arriscaria mandar soldados estadunidenses para este novo teatro de operações. Se, contra todas as expectativas, assim o fizer, pode correr o risco de encarar o que dois democratas que o antecederam tiveram que enfrentar quando decidiram por incursões militares na Ásia – a total surpresa e o desgaste com um conflito prolongado. Falo de Truman na Coréia e Lindon Johnson no Vietnã.

Uma característica da guerra – e qualquer polemólogo iniciante sabe disso – é que se conhece muito bem como ela começa, mas como terminará é sempre uma incógnita. No caso da Síria, se os russos mantiverem o apoio a Assad, o conflito pode se prorrogar… E, havendo a intervenção por terra, será que poderia ocorrer uma nova Coréia (com soldados iranianos e libaneses combatendo ao lado dos sírios) ou um novo Vietnã? Interrompo aqui minhas reflexões para pensar um pouco mais…

Diante de todo esse cenário, a única certeza é que uma intervenção militar estadunidense na Síria será a pior das possibilidades. Mas Obama deve saber disso. Truman e Lindon Johnson também deviam sabê-lo, não?

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Em férias…

Em férias… assim que possível atualizo Frumentarius… tenho muita coisa a comentar, datas importantes, questionamentos ao governo Dilma, crise no Brasil (ah, passou?), conflitos pelo mundo… Alguns dos meus 8 fervorosos leitores já me cobraram atualizar o site! Sim! Estou em débito! Mas tenham fé que volto em breve! Abraço!

Não são mais vinte centavos…

protesto_maracana_vicenteseda-14É impressionante como, depois de dias de protestos, uma parte da mídia, sobretudo a televisiva (e em canais de notícia de grande envergadura), insiste em associar as manifestações por todo o Brasil ao aumento de alguns centavos nas tarifas de transporte em certas cidades. A única explicação para isso é a má-fé desses meios e a tentativa, ineficaz, de desviar o foco dos acontecimentos.

As pessoas não estão nas ruas de todo o Brasil pelos vinte centavos. É fato que o movimento não tem um foco claro e, muitas vezes, perde-se em reivindicações confusas e difusas, como é o caso das críticas à PEC 37. Pergunte a qualquer um nas ruas o que significa a PEC 37 e a grande maioria dos manifestantes demonstrará total ignorância sobre o assunto.

contra a corrupcaoPor que as pessoas estão nas ruas então? O que motivou cem mil pessoas a seguirem pela Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, e outras dezenas de milhares em diversas cidades do País gritando palavras de ordem? A motivação é evidente: chama-se insatisfação.

O brasileiro está insatisfeito com a situação atual do País, descontente com a maneira como os dirigentes têm conduzido os assuntos públicos. O grito nas ruas é um protesto contra o estado em que se deixou o Brasil: sem saúde, sem educação, sem segurança; investimentos em estádios de futebol, gastos com os caprichos de poucos, enquanto falta dinheiro para hospitais e escolas; a inflação que retorna e a coisa pública que é vilipendiada. Os brasileiros não aguentam mais essa carga tributária exorbitante sem qualquer contraprestação por parte do Estado. O descontentamento alcança o clientelismo, a corrupção e o assistencialismo que só aumentaram nos últimos anos. Lembro de um cartaz genial que dizia que “tem tanta coisa errada que nem cabe um cartaz”.

cartaz coisa errada

Ninguém aguenta mais o Brasil como está. As pessoas de bem estão cansadas… Certamente, a classe política e os dirigentes da nação têm grande responsabilidade sobre isso. As ruas clamam por mudanças, pois chegamos ao nosso limite. 

Movimento reúne manifestantes contra tarifas no Rio

O protesto do povo nas ruas e a resposta autoritária… Em Berlim, há 60 anos.

berlin_17june1953Os acontecimentos dos últimos dias por todo o Brasil e os protestos de ontem, 15 de junho de 2013, têm-me levado a algumas reflexões, as quais pretendo partilhar com meus leitores nos próximos dias. Pensando sobre o levante nas ruas de Brasília, com protestos, em sua maioria pacíficos, sendo reprimidos pelas autoridades públicas, lembrei de algo que aconteceu em Berlim, exatamente no dia 16 de junho de 1953 (portanto, há exatos sessenta anos).

Berlim 1953_2Sim, foi naquele 16 de junho, na Berlim do imediato pós-Guerra, ocupada pelas potências aliadas, que, no setor soviético, o mundo viu uma multidão de 2.000 pessoas se dirigindo à sede do Governo da Alemanha Oriental, para protestar contra o regime e as condições de trabalho impostas à população sob o Estado comunista. Cartazes, palavras de ordem e uma grande insatisfação entre trabalhadores e demais cidadãos… logo o movimento conclamou o povo a se levantar e sua revolta contagiou milhares de alemães, que ansiavam por mais liberdade, melhores condições de vida e democracia… Uma greve geral foi marcada para o dia seguinte. Naquela época não havia internet nem redes sociais, mas a notícia conseguiu espalhar-se de tal maneira que, em 17 de junho, milhares de pessoas foram às ruas protestar em diversas cidades e vilas alemãs.

Em Berlim, por volta das 9:00 do dia 17/06, 25 mil pessoas já se aglomeravam em frente à sede do Governo da República Democrática Alemã (RDA). Outras milhares seguiam rumo ao centro da cidade para se juntar aos manifestantes. E os protestos, que haviam se iniciado em reação a um aumento na carga de trabalho do pessoal da construção civil (como seria o aumento nos preços das passagens de ônibus nas cidades de outro país sessenta anos depois), em pouco tempo assumiram conotação política. O levante agora era contra o regime comunista ali estabelecido sob a égide dos soviéticos. “Morte ao comunismo!” e “Abaixo o regime autoritário!”, eram palavras de ordem. Isso o Governo não poderia tolerar.

Berlim 1953A decisão das autoridades da RDA foi de usar a força para conter o levante. E solicitaram ajuda de seus “aliados” soviéticos. Em pouco tempo, o distrito governamental de Berlim já estava cercado por 20 mil soldados do Exército Vermelho e cerca de 8 mil policiais militares alemães. Para dispersar a multidão, as forças do Governo usaram blindados, cães e atiraram contra os manifestantes. Não havia bombas de efeito moral ou balas de borracha. A munição era real. E a multidão realmente foi dispersada. Isso custou mais de 500 vidas entre os manifestantes (na estimativa mais modesta). E pôs fim ao sonho de liberdade naquele país.

Depois das manifestações de junho de 1953, o regime endureceu. O governo buscou razões para o estabelecimento de uma ditadura da pior espécie sob um modelo que alcançava o totalitarismo. Milhares foram presos, torturados, executados sob o argumento da garantia da ordem. A fuga para o Oeste intensificou-se. Até a construção do Muro de Berlim, em agosto de 1961, mais de 3 milhões de alemães orientais (de um total de 19 milhões de pessoas) fugiriam para a Alemanha Ocidental. E o terror estatal perduraria até 1990, quando se dissolveu em suas próprias contradições.

Para os alemães, o dia de 17 de junho de 1953 é uma data marcante. Durante anos, o 17 de junho foi celebrado como o Dia da Unidade Alemã (alterado para o 3 de outubro, data oficial da reunificação em 1990). E será sempre lembrado como a ocasião em que um protesto algumas dezenas de trabalhadores tornou-se um levante das massas pela democracia e pela mudança, levante duramente reprimido por um regime que se dizia representar os trabalhadores.

No ano da Alemanha no Brasil, difícil não comparar os acontecimentos de 1953 com os eventos de 2013 por aqui. Preocupa como tem sido e será a reação do governo que também se diz representar os trabalhadores. A democracia é uma planta muito frágil e precisa ser cuidada. A solução autoritária pode ser muito sedutora…

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Big Brother e democracia

Pode o Estado acessar dados e comunicações pessoais do cidadão para protegê-lo? Direitos fundamentais podem ser mitigados sob o imperativo da segurança? Escrevi sobre isso hoje na Folha de São Paulo.

Para o artigo na Folha, clique aqui.

E, a seguir uma versão um pouco mais completa do artigo…

big brother

BIG BROTHER E DEMOCRACIA

Joanisval Gonçalves

Quando, em 1949, George Orwell escreveu o romance “1984”, tratou de uma sociedade futurística, na qual o Estado controlava os cidadãos de maneira absoluta, vigiando-os no mais íntimo de sua privacidade, conhecendo suas ações mais particulares e determinando sua maneira de pensar. A obra de Orwell, que se tornou um clássico, retratava com maestria um Estado onipresente, controlador e repressor, representado pela figura do Big Brother, o Grande Irmão, que tudo via e tudo sabia. Entretanto, “1984” tratava de um regime totalitário. No século 21, porém, o Grande Irmão chegou às democracias.

Nas últimas semanas, com a revelação de que o governo dos Estados Unidos estaria reunindo dados a partir de interceptações telefônicas e acessos irregulares a mensagens e contas na internet de milhões de pessoas, o tema do Estado controlador do cidadão voltou à tona. Pode o Estado, sob o imperativo da segurança, violar a intimidade do indivíduo? E o direito de o cidadão ter suas informações pessoais e comunicações preservadas é absoluto? Essa é uma discussão complexa, sobretudo por vivermos uma época em que o mundo digital está cada vez mais presente e a segurança da sociedade se vê diante de ameaças como o terrorismo. Na era da informação e da insegurança, teremos que nos submeter ao Big Brother para nos proteger? Continuar lendo

Kenneth Waltz, 1924-2013

Tive a honra de conhecê-lo e trocar com ele algumas rápidas palavras. Foi após uma cerimônia, promovida pela International Studies Association, na qual se celebrava um dos grandes pensadores das Relações Internacionais do século XX. No evento, dezenas de homens e mulheres que viam em Waltz mais que uma pessoa: diante de nós estava uma instituição, um conjunto de idéias que expressava com acuidade a maneira como percebíamos o mundo. E era geral a satisfação de ver quantos discípulos tinha aquele mestre, que tão bem pensou sobre o Homem, o Estado e a Guerra

Kenneth Waltz foi um ícone para os estudiosos da política internacional. Representou como ninguém a escola que tinha nele seu fundador, a do Neorealismo nas Relações Internacionais. Suas obras tornaram-se clássicos e leitura obrigatória para qualquer um que quisesse compreender a dinâmica das relações entre os atores no sistema internacional. Como clássicos, permanecem atuais.

O intelectual que conquistou milhares com sua explicação sobre a dinâmica sistêmica das relações internacionais concebeu um arcabouço teórico de difícil refutação e de inegável respeito até mesmo por parte daqueles que dele discordava. Estava, assim, confortavelmente entre grandes como Hans Morgenthau, Raymond Aron, Edward Hallet Carr, Martin Wight,  seus precursores. E, mais importante, assim como aqueles, deixou um legado que seguirá ainda por muitos anos.

O que me resta a dizer sobre Waltz é que o mundo fica mais confuso e muitos ficamos tristes sem ele. Entretanto, desejo que descanse entre os próceres das Relações Internacionais, com a certeza de que sua memória permanece.

Sempre poderei dizer que estive com ele. Infelizmente, em uma mistura de nervosismo e timidez, deixei naquela ocasião singular de pedir uma foto com o mestre. Disso me arrependo. Esta aí uma lição que aprendi e um erro que não mais cometerei.

Descanse em paz, Professor Waltz.

Foreign Policy. Posted By Stephen M. Walt  Monday, May 13, 2013 – 4:52 PM 

I learned this morning that Kenneth N. Waltz, who was arguably the preeminent theorist of international relations of the postwar period, had passed away at the age of 88. Ken was the author of several enduring classics of the field, including Man, the State, and War (1959), Foreign Policy and Democratic Politics (1967),  and Theory of International Politics (1979).   His 1980 Adelphi Paper on nuclear proliferation (“The Spread of Nuclear Weapons: More May Be Better”), was also a classic, albeit a controversial one. One of his lesser achievements was chairing my dissertation committee, and he was a source of inspiration throughout my career. Continuar lendo

Batalhas campais…

Depois de vinte dias com o site parado (compreendam, meus queridos oito leitores, que a correria tem sido grande nos últimos dias), segue artigo muito interessante, encaminhado pelo meu caríssimo amigo Alexandre A. Rocha, sobre as mudanças nas práticas de guerra no século XIX, com análise a partir de uma batalha da Guerra Civil americana.  É muito ilustrativo para quem se interessa pelas mudanças na guerra ao longo do século XIX e pelas diferenças entre os conflitos pré-napoleônicos e aqueles sob a égide da Revolução Industrial e com o envolvimento da sociedade.

Destaco a percepção do autor sobre a pouca efetividade das batalhas campais para a guerra moderna. E lembro, ainda, que este ano a batalha de Gettysburg completa 150 anos… Recomendo leitura!

battle-chancellorsville

Winning the Field, but Not the War

NY Times – May 3, 2013, 8:58 pm

By JAMES Q. WHITMAN
 

One hundred and fifty years ago this week, more than 133,000 Union soldiers squared off against more than 60,000 Confederates in the Battle of Chancellorsville. Though the battle swung back and forth for several days, it ended with a decisive Southern victory. And yet the war ground on, for another two years. The war only ended when the devastation spilled off the battlefield, as Sherman and his army took the conflict to the farmland and cities of the South.

It is important to understand the change this pattern marked in military history. Victory in pitched battle was not enough to end the Civil War — and that was an ominous sign for the wars of the future. Pitched battles like Chancellorsville or Gettysburg are terrifying events for the soldiers who participate in them. But for society at large they are a blessing: they confine the horror of war to a single field, ideally for a single day. Strange though it may sound, a pitched battle functions as a kind of orderly legal procedure. It is a formal trial by combat, and when it works, it puts a quick and tidy end to conflict. The verdict of battle settles a war before it spins out of control. Continuar lendo

Maduro Eleito

Maduro eleito Presidente da Venezuela com apenas 50,76% dos votos. Amanhã comento, mas já antecipo que a vitória foi muito muito apertada…