Freemasonry in Brazil

On Sunday, 07/26/2020, I gave a lecture on “Freemasonry in Brazil”. It was organized by The Grand Lodge of Georgia.

You can watch the lecture here:

Sou Candango! E amo minha Brasília!

Sim, sou Candango! Candango é como eram chamados os que vieram para construir Brasília. Trabalhadores dos diferentes pontos do Brasil, todos aqui motivados por um sonho, um sonho de Dom Bosco, um sonho de muitos brasileiros, um sonho  que se tornou realidade graças a um garoto pobre do interior de Minas Gerais, que chegou a Presidente e liderou outros milhares de homens e mulheres sonhadores na execução de um grande projeto aqui no Planalto Central!

Sou Candango, e me orgulho disso! Não gosto do termo “brasiliense”, que alguns querem usar por achar “sofisticado”. Sou da primeira geração que nasceu nesta Capital, pela qual sou alucinadamente apaixonado, e, ao construir minha vida, também continuo a construção minha cidade amada. Can-dan-go! Candango tal qual meu pai e minha mãe. Candango como quero que meus filhos sejam!

Brasília não é só concreto (apesar de ser um museu de concreto a céu aberto), longe disso. Brasília não são os políticos que o restante do País manda para cá (até porque, desses, nenhum é realmente daqui). Brasília não é frieza, alienação ou distanciamento. Brasília não é ficção.

Brasília é gente, gente que vive, gente que trabalha, gente que sorri, gente que ama. É gente de diferentes feições e diferentes sotaques, muitos e variados sotaques, ao ponto de ainda termos dúvida sobre o modo característico como falamos. É ausência de identidade? Não, é uma identidade plural a do povo daqui. Brasília é gente, sim! É brava gente brasileira (nascida nesta Capital ou em qualquer outro canto… do mundo)!

Brasília é o céu mais lindo que alguém jamais viu, é verde por toda parte, é resiliência na seca, é festa na chuva! São os ipês, com suas distintas e coloridas floradas! São as cores da natureza, e o sinal da existência de um Criador! São as aves e seus variados sons, na janela aqui de casa, no trabalho ou por onde for!

Brasília é música, é arte por toda parte! É rock, é forró, é brega, é punk! É Orquestra Sinfônica! É Teatro dos Bancários! É artista de rua! É violão e sanfona! São os vários CTGs! É a Casa do Cantador! É música na Igreja, e o Espaço Renato, e o nosso Teatro, que é Nacional, mas que fechou.

Brasília é religião e misticismo. São os vitrais da Dom Bosco e os Anjos da Catedral.  São os cultos em inglês, grego e latim. É a Igreja Batista Central. É a Rosacruz no Planalto. É Maçonaria em toda parte. É Templo da Boa Vontade, Mesquita e Comunhão Espírita. São terreiros e centros, igrejas e templos, com um fim único: render graças ao Grande Arquiteto do Universo e pedir pela humanidade! Tudo isso gantindo uma aura especial, e a diversidade e o sincretismo da cidade!

Brasília é churrasco no domingo, a feijoada na sexta e a pizza no sábado! É o choppinho depois do trabalho. É a carne de sol do Xique-Xique, os naturebas e veganos, e japonês por toda parte. É comida a Kilo (ideia nossa!), é a Galeteria Gaúcha do Lago. Mas é também o arroz do Careca, e (no Sílvio) a pizza de salada . É o macarrão do Ninny, a comida da Tia Zélia, e o self-service do Aspargus.

Brasília são avenidas largas, múltiplas tesourinhas, passagens subterrâneas no Eixão, viadutos que resistem ao descaso, e agulhinhas, total novidade! É a Rodô, com a Viçosa e seu pastel com caldo de cana. É Minhocão na UnB, é Templo da Boa Vontade. É Drive-In, autódromo e kart!

Brasília é virar à esquerda quando se quer ir para a direita, é pegar o baú na W3 e descer o Eixo para a L2! É fazer um balão com tranquilidade e jamais buzinar pela cidade! É morar nas 300, nas 200, estudar nas 700 e ir ao culto ou à missa nas 600. É jantar na Asa Norte, passar no Pontão, ir para balada na Asa Sul e terminar a noite com a pizza da Dom Bosco! É entender o que é um Setor, seja ele Hospitalar, Hoteleiro, Comercial ou de Diversões! É descer para os pilotis, conversar embaixo do bloco, conhecer onde as Quadras são fechadas, ir na farmácia ou na lojinha do amigo na comercial. É saber exatamente o que significa um cobogó. 

Brasília é o Parque, é o Lago, é o Buraco do Tatu! Brasília é o Olhos D’Água da Asa Norte, e a Igrejinha da Asa Sul! É a tradição da Vila Planalto, as mansões das Quadras internas e do Lago, nos Lagos, é a Feira do Guará, o sarapatel, a buchada e o cozidão no Núcleo Bandeirante, onde sei que foi encontrar aquele queijo curado! É o samba do Cruzeiro! É o Periquito e o futebol do Gama, é Praça do Relógio em Taguatinga, é o Setor Bolinha da Ceilândia, é a Festa do Morango de Brazlândia, é o Vale do Amanhecer em Planaltina, são as igrejas, igrejas e mais igrejas e a Quadra Central na minha Sobradinho Serrana ! É a vida além do Plano Piloto, mas também no Plano Piloto!

Brasília, Brasil em latim,  é tudo isso e mais um pouco. Sou eu, e é você, que leu e entendeu. É essa gente maravilhosa de todo Brasil, e é o Brasil todo! Gente desbravadora, que veio para cá, buscou, sofreu, perserverou e venceu!

Brasília é minha casa. Sou Candango, assim como os três milhões que nasceram ou adotaram esse quadradinho com um avião no centro desse Brasilzão. Sim, Candango, do Planalto Central, com muito orgulho e gratidão!

Parabéns, Brasília! Parabéns pelos seus 60 anos!

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Sessentona que eu amo!

Screenshot_20200421-083633_ChromeMinha cidade amada agora é sessentona! Parabéns a Brasília!
Você continua um lugar lindo e maravilhoso para nascer e viver, para trabalhar e criar os filhos, para construir amizades e transformar sonhos em realidade!

Você resiste, minha amada Brasília, como esta cidade fascinante, apesar de todo o mal que lhe fizeram desde 1988! E quanto não lhe fizeram de maldade, de descaso e de escárnio!

Brasília não merece os governantes que teve nas últimas três décadas, pessoas que não eram daqui e não amavam esta terra. Sofremos com invasões, ocupações ilegais (de barracos mais simples a mansões em condomínios que causam enormes impactos ambientais e urbanísticos). Sofremos com a ignorância, a falta de espírito público e a corrupção.

Sofremos com o descaso para com este lugar, que deveria ser sagrado para todos os brasileiros, pois foi fundado para simbolizar um Brasil melhor, mais próspero e desenvolvido, um Brasil unido, forte e soberano!

Como disse o poeta que aqui viveu, “neste país lugar melhor não há”!
Amo Brasília, amo minha terra, amo minha casa!

Parabéns, Brasília! Parabéns,  cidade linda! Parabéns, sessentona  charmosa e viva! Apesar de tudo que lhe fizeram, você continua esse lugar especial no meu coração!

Compartilho aqui um vídeo feito por artistas de Brasília. Ao final, nos créditos, informações para quem queira contribuir ajudando o Lar dos Velhinhos de Sobradinho (conheço a instituição e bom serviço assistencial que fazem ali).

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Max Wolf

12 de abril também é uma data a ser lembrada pelos brasileiros. Há exatos 75 anos, nesta data, no Teatro de Operações da Itália, tombava, aos 33 anos de idade, o Sargento Max Wolf Filho.
Nascido em Rio Negro (PR), de família alemã, Wolf foi voluntário para atravessar o Atlântico e ir combater pela liberdade contra o Eixo. Poderia ter ficado no Brasil com sua família, mas tinha um dever a cumprir.

Entre os pracinhas, o Sargento era reconhecido pela camaradagem e pela bravura, e sua liderança evidenciou-se diversas vezes.
Quis o destino que fosse metralhado pelo inimigo enquanto conduzia uma arriscada patrulha. A Guerra acabaria menos de um mês depois, em 8 de maio.
Wolf deixou um legado de heroísmo e coragem e registrou seu nome na história. Seus restos mortais repousam no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, na cidade do Rio de Janeiro.
Importante que conheçamos nossos verdadeiros heróis.

Por mais terras que eu percorra
Não permita D’us que eu morra
Sem que volte para lá!

#maxwolf
#sargento
#FEB
#pracinhas
#IIGuerra

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O que estou a ler no momento

Aprendendo a usar um software de edição de vídeo… Então por favor não se chateie com o meu vídeo tosco! De toda maneira, publiquei esses dias no meu canal do YouTube (www.YouTube.com/joanisvalbsb) alguns comentários sobre o que estou lendo no momento. É que nas redes sociais as pessoas têm-me perguntado sobre isso!

Vá lá ao canal (pode ir clicando aqui), curta os vídeos, e se inscreva nele para receber as atualizações! Ah! Se quiser divulgar, agradeço! Abraço!

 

40. Gente de Bem (07/12/2014)

Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles gostam.
Platão

Neste último dia que antecede meu aniversário de quarenta anos, gostaria de dedicar a derradeira crônica a algo que me foi muito marcante em 2014: a decisão pela carreira política.

Aqueles que me conhecem desde priscas eras sabem que sempre mantive grande paixão pela política. Apesar de não me engajar diretamente em nenhum partido ou movimento, já muito jovem tinha interesse pela forma como eram conduzidos os caminhos do País. Porém, uma vez que devia trabalhar para vencer na vida, deixei adormecida a vontade de me envolver mais efetivamente com a nobre arte.

Foi apenas agora, com quase 40 anos, e já estabelecido profissionalmente, mais maduro e estabilizado, e diante da situação enlameada em que se encontra o País e da escassez de líderes, de gente comprometida com o interesse público, de gente de bem na Política (não disse que não existe gente séria nesse ramo; disse que estão escassos), decidi que era chegada a hora de arregaçar as mangas, mostrar a cara e tentar fazer alguma coisa pelo futuro de nossos filhos. Candidatei-me a deputado federal, aqui pelo DF.

Como também é do conhecimento de muitos, acabei renunciando, após cerca de um mês de campanha. O que posso dizer sobre os motivos, além do que já assinalei em minha carta aberta de renúncia, é que não aceitei proposta que me foi feita para me desviar dos objetivos. Seu Jacob e Dona Conceição ensinaram-me que valores e princípios não são negociáveis. Por isso, para não começar errado, preferi adiar o projeto político.

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Que fique claro que só adiamos nosso projeto de atuar na esfera política (por um Brasil melhor, mais justo e perfeito)! Como disse meu amigo Leonardo Gadelha (ele próprio da estirpe de bons políticos), uma vez inoculado pelo vírus da Política, não há cura ou antídoto. E, no tempo de campanha e pré-campanha, acabei contaminado por esse bem!

Da experiência deste ano, tirei muito aprendizado. Conheci um pouco dos meandros da política no DF, vi algo do tabuleiro e da maneira como as peças são dispostas. Circulei muito pelo Distrito Federal, e observei o quanto estamos carentes de bons políticos, de gente honrada que esteja disposta a trabalhar pelos outros, e a colocar o interesse público acima do particular. Amadureci. Saí diferente do que era quando entrei.

Mas, indubitavelmente, o melhor desse período foi a possibilidade de conhecer pessoas, reencontrar amigos e reunir um grupo maravilho de cidadãos para discutir sobre os problemas do DF e do Brasil e nos ajudar a tentar mudar nossa terra para melhor. Foi, verdadeiramente, uma experiência gratificante, enriquecedora. Muito bom conseguir reunir gente de bem em torno de uma causa! Muito bom saber que há gente como a gente, mais do que se imagina, interessada em um Brasil mais igualitário, democrático, livre da corrupção e do assistencialismo que mantém milhões sob a égide de grupos com interesses pouco republicanos.

Campanha3Repito que não desistimos dessa caminhada. Apenas seguramos um pouco o passo. Não sei se serei candidato em 2018. Ainda estou sem partido e muito pode acontecer nos próximos anos. Porém, a equipe que nos apoiou continua unida e desejosa de fazer algo, e a ela já se juntaram mais pessoas de bem. Se não for na política partidária, estaremos presentes e prontos, atuando em outras esferas, para contribuir por uma sociedade melhor.

Neste último dia antes de meu aniversário, nesta última crônica dos meus quarenta anos, quero agradecer a todos que me apoiaram, diretamente compondo nossa grande equipe, divulgando nossa candidatura, ou mesmo votando em nós e acreditando em nosso projeto, porque vocês fizeram a diferença! Sinceramente, muito obrigado por confiarem que podemos fazer algo distinto do que está aí, que podemos trabalhar por um Brasil melhor, e com mais gente de bem na política. Meu fraternal abraço a todos que estiveram conosco nessa caminhada!

[Nota: em 2018, decidi não me candidatar. O resultado das urnas, de toda maneira, trouxe uma nova esperança. Oxalá os eleitos em 2018 possam conduzir o País para um novo rumo, combatendo a corrupção, reconstruindo o País e contribuindo para um Brasil melhor!]

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36. Senado (03/12/2014)

SPQR
Iniciais de SENATUS POPULUSQUE ROMANUS
inscritas nos estandartes das legiões

Estava trabalhando muito feliz na ABIN. Agradava-me o emprego, a atividade e o setor onde me encontrava. Porém, algo inusitado aconteceu: fui transferido para um setor tremendamente interessante, mas com um problema – um chefe que começou a me perseguir profissionalmente.

Hoje isso seria chamado de assédio moral. À época, porém, era só um idiota atazanando a vida de outro. Acho que o sujeito se sentiu inseguro em seu cargo e ameaçado pela minha pessoa (apesar de ter a idade para ser meu pai e ser oficial superior da reserva, portanto, com mais de trinta anos de vida profissional). E passou a implicar comigo – e eu não era o primeiro, pois outros colegas já haviam passado por momentos difíceis com aquele chefe e deixado o setor. Vi que a situação começava a prejudicar minha saúde física e mental. Chegava a ter taquicardia do tanto que o homem implicava comigo. Tinha que fazer alguma coisa.

Conto essa história porque ela acabou se mostrando uma excelente oportunidade de aprendizado e crescimento. De tanto o chefe me assediar moralmente, tomei duas decisões: iria sair do setor de que tanto gostava; e não ficaria mais um ano na ABIN. Aquilo foi bom, no final das contas, porque me motivou a dar um passo maior.

Pedi para mudar de setor. Fui para outro, onde me receberam muito bem. Todos os chefes, ao contrário do anterior, eram de carreira, analistas de informações, colegas que virariam amigos. Entretanto, o ex-chefe continuaria me incomodando da pior forma possível: deu-me uma nota baixa na avaliação periódica profissional, o que reduziu meu salário (que já não era muito) em cerca de 20% por seis meses. Tive que recorrer e, felizmente, consegui reverter o processo administrativamente. Mas o estrago fora grande e minha decisão tomada.

A Providência Divina colocou então o concurso do Senado em meu caminho. O cargo: Consultor Legislativo. Era um concurso que ocorria a cada dez anos e, por razões que só os místicos entendem, coincidiu de ser aquele o momento para um novo certame. Número de vagas para minha área (Relações Exteriores e Defesa Nacional): 1 (uma). Ia fazer e tentar obter êxito.

Não tinha muito tempo para estudar para o concurso. Trabalhava na ABIN o dia todo e à noite dava aula na faculdade (fazia 20 horas lá, todas as noites da semana, portanto). Chegava em casa às 23h e aí tirava umas duas horas para tentar cumprir o programa previsto no edital – acho que foi daí que consolidei a prática de dormir muito tarde.

Nos fins de semana, ia à biblioteca da UnB para estudar e tentar apreender o conteúdo de Matemática para o concurso. Aqui faço referência a meu querido amigo Carlos Tomé, à época analista legislativo da Câmara dos Deputados, engenheiro de formação, professor por vocação, que conseguiu me ensinar, da obscura Ciência Pitagórica, o que precisava para o concurso. Devo, de certo modo, minha aprovação ao Tomé. Foi ele o responsável por me fazer entender um pouco a Matemática. Nunca vou esquecer a ajuda do amigo. Sim, sempre aparecem anjos no caminho…

Pouco antes dos exames, tirei alguns dias de férias: concentrei-me totalmente na matéria e fui fazer a prova. No local do certame, encontrei alguns amigos, professores, e também uma gente danada de besta – lembro-me de uma menina comentando na sala que “aquela vaga já era dela, pois estava muito preparada e acabara de chegar de um mestrado na Europa”… outro rapaz virou para o fiscal e disse, com arrogância: “olha, pode entregar as provas que os portões já fecharam e quero fazer logo a minha para ficar em primeiro lugar”. E eu, quieto, fui resolvendo as questões.

Sai o gabarito da primeira fase. Tomé me telefona e vamos conferir os resultados (ele havia feito para a área de Meio Ambiente). Depois de fazer alguns cálculos, Tomé me diz: “olha, acho que você está na segunda fase”… E confere a própria prova: “Eita, véi! Eu também!”. E fomos felizes para a próxima etapa do concurso.

Fazemos as provas escritas. Sai o resultado e Tomé me liga: “Estou com a pontuação do pessoal aqui… vamos ver como você ficou!”. Confere os pontos e me dá a notícia, eufórico: “Velho, você está em primeiro!”. Confere a dele: “Eita! E eu também!”. Enquanto descrevo aqui o episódio, meu peito se enche de emoção e olhos ficam mareados: Caramba! Estava em primeiro lugar no concurso do Senado! Ia mudar de emprego!

O concurso continuou com as provas de títulos. E o resultado final: éramos os primeiros colocados em Relações Exteriores e Defesa Nacional e em Meio Ambiente. Algum tempo depois, tomaríamos posse. E começaria uma nova fase de nossa vida!

O Senado, a Câmara Alta do Parlamento, carrega uma história cujos primórdios estão na Roma antiga. As legiões lutavam pelo Senado e pelo povo de Roma. Em muitos países a Casa revisora do processo legislativo, o Senado é visto como importante para garantir o equilíbrio democrático. No glorioso Império do Brasil, o Senado representava, juntamente com o Imperador, a Tradição, e servia para equilibrar as forças da nação e impedir que os representantes diretos do povo, na Assembleia, abusassem de suas prerrogativas e ameaçassem o regime democrático. Grandes estadistas passaram pelo Senado nestes 180 anos.

Já tenho mais de uma década no Parlamento. Aprendi muito e, como tem que ser, fiz amigos para toda a vida aqui. É uma experiência gratificante poder trabalhar ajudando a escrever as leis que mudarão os destinos do País. Conhece-se muita gente interessante – e muita gente não tão interessante também. Mas o saldo é sempre positivo. Gosto da Casa em que trabalho e me esforço para ali prestar o melhor serviço.

Claro que sinto saudade do Executivo. Deixei grandes amigos na ABIN. Conheci muita gente boa, tinha ótimos colegas e, à exceção daquele único cretino que me perseguiu, excelentes chefes. Saí da Agência de cabeça erguida e deixando as portas abertas… como deve ser.

Agradeço diariamente ao Criador pelo emprego que tenho. Agradeço diariamente pelos amigos verdadeiros que fiz no Senado. E, faltando 5 dias para meu aniversário, deixo a eles meu fraternal abraço! Obrigado mesmo, a cada pessoa do e no Poder Legislativo que caminha comigo nesta jornada!

Em tempo: coloquei uma foto de uma reunião da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, onde estou na bancada com meu estimado Presidente (sempre Presidente) Fernando Collor, outra de minha mesa de trabalho e uma terceira dos queridos amigos da Consultoria Legislativa do Senado.

Senado

 

18. Quando o Brasil foi Grande (15/11/2014)

O Império do Brasil é a associação Política de todos os Cidadãos Brasileiros. Eles formam uma Nação livre, e independente, que não admite com qualquer outra laço algum de união, ou federação, que se oponha à sua Independência.
Constituição do Império do Brasil, art. 1º.

 

GrifoNeste 15 de novembro, data que considero o dia da infâmia, e faltando 23 dias para meu aniversário, gostaria de compartilhar com os amigos algumas de minhas razões de ser monarquista convicto.

Preliminarmente, convém registrar que não estou aqui a fazer proselitismo. Não quero convencer ninguém de que o regime monárquico é a melhor opção (apesar da profunda convicção de que o seja). Só o que desejo é expor minhas razões. Sou monarquista desde que me entendo por gente, e poderei dizer a meus netos que meu primeiro voto foi no parlamentarismo monárquico, por ocasião do plebiscito de 1993. Àquela época votei com convicção e segurança – foi o voto mais valioso e valorizado que já coloquei na urna.

Outra coisa: espero que este texto ajude ao menos a remover alguns preconceitos para com a alternativa monárquica. É irritante as pessoas acharem que somos monarquistas por excentricidade ou anacronismo. Incomoda a crítica a esse modelo quando é feita sem nenhum conhecimento do assunto, sob o único argumento (imbecil, desculpem a honestidade) de que “monarquia é coisa do passado” ou de que “o modelo republicano é mais democrático”. Para esses, já respondo que a maior parte da população de países como o Reino Unido, Japão, Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, Dinamarca (que, junto com Canadá, Austrália e Nova Zelândia constituem democracias modernas e desenvolvidas sob um regime monárquico) não pensa assim. Antes de criticarem a monarquia, as pessoas deveriam se informar mais…

Moeda ImperioMuito bem! Perguntam a razão de eu ser monarquista. Repito, não tenho qualquer interesse personalista na causa monárquica. Só vim a conhecer alguém da Casa Imperial do Brasil este ano de 2014, quando me concedeu a Providência grata oportunidade de encontrar Dom Bertrand de Orléans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, com quem tive uma excelente conversa! Não estou formalmente vinculado a qualquer organização monarquista (o que não significa que não o farei oportunamente). Sou monarquista, primeiro, porque creio que uma boa democracia se desenvolve em regimes parlamentaristas e que, no Parlamentarismo, entendo que o melhor modelo é o monárquico, não o republicano. Repúblicas parlamentaristas são imperfeitas e o Presidente nunca consegue representar a totalidade da nação como o Chefe de Estado deve fazer (vide o recente caso alemão, quando o Presidente teve que renunciar acusado de corrupção).

Ademais, parece-me que o único lugar onde o Presidencialismo realmente deu certo foi nos EUA, onde eles criaram o modelo, e no qual a instituição “presidência” é sagrada. Por aqui pela América Latina, o que se viu foram republiquetas instáveis, com caudilhos lutando pelo poder, golpes de Estado e instabilidade político-institucional marcada por aspirantes vorazes a ditador ou megalômanos que chegavam ao palácio presidencial sem estar realmente preparados para ocupar a posição de primeiro mandatário.

Outra razão pela qual sou monarquista é que acho que à época do Império tínhamos instituições mais sólidas e valores mais consistentes. A figura do monarca ajuda nisso – por mais que pessoalmente ele possa ser cheio de imperfeições (caso contrário, não seria humano), como figura pública é um símbolo nacional, com valores que devem ser exaltados, servindo de exemplo à população. O povo precisa de heróis, o povo precisa de referenciais, e um soberano é muito útil para compor positivamente esse imaginário. Ademais, aquela foi uma época em que o Brasil, com todos os seus problemas de desenvolvimento e atraso social, tinha uma Economia estável, um regime com liberdade de imprensa, grandes estadistas na vida pública, e era respeitado no concerto das nações, isso muito se devendo aos soberanos que aqui reinaram. Foi uma época, realmente, em que o Brasil era grande!

Antes que venham os comentários pacóvios: monarquias são menos suscetíveis à corrupção que repúblicas, a começar pelo próprio Chefe de Estado. Um monarca não precisa roubar do erário. Afinal, se o fizesse, estaria tirando do próprio bolso e não faria o menor sentido degradar um patrimônio que ele iria deixar para seus filhos. E se roubasse, qual seria o sentido? Onde, quando e como gastaria o butim? Presidentes, por outro lado, têm que fazer seu pé de meia, para quando deixarem o poder…

A monarquia, ao contrário do pensam alguns, é muito mais barata que uma República. Saibam que a Presidência de um país como o Brasil gasta muito mais que qualquer Casa Real. E, ainda que as despesas fossem mais altas para manter uma família real (melhor manter uma família permanentemente que várias famílias de presidentes por sucessivos anos), alguém já pensou no custo do presidencialismo em termos de gastos com campanhas eleitorais periódicas? Quanto dinheiro público não é gasto a cada quatro anos somente com as eleições presidenciais?

Não quero, repito, convencer ninguém para minha causa. Escrevi este texto porque quero compartilhar com meus amigos, nestas Crônicas dos meus 40 anos, essa característica político-ideológica que para muitos me é tão marcante. Se você não gostar do que escrevi, paciência, não perca seu tempo tentando desconstruir meu discurso. Escrevo para aqueles que, ao menos, tenham um mínimo de discernimento e sensatez para considerar opiniões divergentes das suas, e que não sejam obtusos a ponto de simplesmente se fechar a qualquer argumento que não tenham facilidade de compreender ou que pensem ser contrário a sua maneira de ver o mundo.

Monarquia é sinônimo de estabilidade. Refiro-me a monarquias constitucionais, que fique bem claro. É instituição moderna (ao contrário do que muitos pensam) e tem aspectos muito positivos.

Este quase quarentão (eita, está chegando) pode afirmar com toda convicção que prefere ser súdito do Império do Brasil a cidadão desta (ou de qualquer outra) república… Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

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Um passeio por Caxias (MA) e a contribuição caxiense à vitória da União na Guerra de Secessão

Em decorrência das primeiras Crônicas dos meus 40 anos, alguns dos meus 16 (dezesseis) leitores ficaram curiosos com relação à cidade de mamãe, a bela Caxias, no Maranhão. 

Uma observação inicial é que foi Caxias do Maranhão a primeira cidade a ostentar esse nome! Assim, quando você vir Duque de Caxias ou Caxias do Sul, saiba que essas cidades foram assim denominadas após Caxias do Maranhão. Diga-se de passagem, Luís Alves de Lima e Silva recebeu os títulos de Marquês, e depois de Duque de Caxias devido a sua atuação na cidade de mamãe por ocasião da Balaiada, um dos conflitos do período da Regência, na primeira metade do século XIX.

A quase bicentenária “Princesa do Sertão” é uma cidade que apaixona pelas suas singularidades e pelo povo hospitaleiro. Para mim, as lembranças da infância me ligam eternamente a Caxias, para onde ia nas férias.

Para apresentar Caxias, segue um vídeo curtinho, produzido em 2017 para comemorar os 194 anos da terra do poeta Gonçalves Dias:

Este aqui, bem amador (mas bacana!), é um passeio por Caxias (MA) com uma coletânea de fotografias:

Por último, um vídeo com curiosidades a respeito dos bairros e ruas de Caxias:

Meu abraço a todos os caxienses!

Em tempo: quando fiz iniciação científica em História Econômica (sim, sempre minha paixão pela História!), ainda no começo da primeira graduação, deparei-me com interessantes informações sobre a exportação de algodão de Caxias para os Estados Unidos, mais especificamente para os Estados da União, durante a guerra civil naquele país. Assim, Caxias teve sua contribuição também para a vitória da União sobre os Confederados!

Resposta do Senhor Presidente da República às acusações que lhe foram feitas pela TV Globo

Não tenho feito qualquer registro sobre política interna aqui em Frumentarius. Porém, no Jornal Nacional dessa terça, 29/10, houve uma matéria que levantava suspeita do envolvimento do Presidente da República no assassinato de uma vereadora do Rio de Janeiro.

Ora, natural que o Supremo Mandatário, ao saber das acusações feitas  pelo meio de comunicação, respondesse de pronto. Assim o fez. E aqui simplesmente reproduzimos a resposta do Presidente.

Vergonhoso como certos setores da imprensa têm feito de tudo para desacreditar este governo, ofender autoridades públicas, criar celeuma, e atrapalhar a recuperação do Brasil. Irritante como, deliberadamente, jornalistas que se dizem “respeitáveis” atuam sem qualquer isenção, movidos pelos interesses mais vis, para produzir um discurso contrário aos interesses nacionais. Sou cidadão que ama esta terra, quero o melhor para o Brasil, minha bandeira jamais será vermelha, e sempre me levantarei contra esses abutres subservientes a ideologias que só trazem desgraça e retrocesso.

Segue a resposta do Senhor Presidente. 

184 Anos da Farroupilha

No dia 20 de setembro os gaúchos comemoram a Revolução Farroupilha. A data refere-se ao início do levante, em 1835, no contexto de um conflito que duraria dez anos. E foi provavelmente o mais importante dos movimentos separatistas do período da Regência, tanto pela duração quanto pelas dimensões do confronto e pelas perdas de ambos os lados. Regência, diga-se de passagem, que já trazia uma prévia de quão nefasta seria a experiência republicana…

Não sou gaúcho, mas admiro a garra daquela gente. E acho interessantíssimo como um acontecimento de quase duzentos anos passados é ainda lembrado e vivamente está presente na memória de todo um povo. Fascinante como celebram um levante que, felizmente, acabou com a derrota dos insurretos. Dificilmente nós que não somos daquelas terras austrais entenderemos o orgulho da “gauchidade” – nem sei se essa palavra existe. Entretanto, os homens e as mulheres do Rio Grande merecem minha reverência e meu aplauso pelo fervor da luta pela causa, pela dignidade na derrota e pela grandeza de permanecerem no glorioso Império do Brasil, mostrando-se diversas vezes entre os mais brasileiros dos brasileiros!

Com os gaúchos permanecendo no Brasil, todos ganhamos muito! De Bento Gonçalves a Eduardo Villas Boas, passando por Érico Veríssimo, Oswaldo Aranha, Lupicínio Rodrigues, Lya Luft e Rubem Berta, a lista de gaúchos entre grandes brasileiros é infinita! Quantas contribuições aquela gente lá do Sul não trouxe a nossa cultura, nossa sociedade, nossa Defesa, nossa indústria, nossa agricultura, nossa unidade e nossa nacionalidade?  A brasilidade não seria a mesma sem a componente gaúcha. Seríamos muito, muito menores sem o Rio Grande.

Concluo dizendo “que bom que o Rio Grande continuou brasileiro!”. Que bom que o Império venceu! Que bom que nosso País continuou unido! Que bom que somos todos um só povo!

Parabéns, gaúchos, homens e mulheres do Rio Grande, pelo seu dia!

Café na Padaria

Como hoje é dia de falar de viagens, atenderei esta semana aos pedidos de alguns de meus 16 (dezesseis) leitores e tratarei um pouco mais sobre o Rio de Janeiro. Prometo que retorno à Rússia na próxima quinta…

Bom, no Rio de Janeiro resolvi fazer uma coisa que seria muito difícil em Brasília – ou ao menos não teria o mesmo charme na minha amada cidade do Planalto Central: fui tomar café em uma tradicional padaria de Copacabana! 

Copacabana tem essa aura de Rio Clássico! Sem dúvida, não há como falar de Rio de Janeiro sem a referência automática a “Côpa-ca-bena”, como diriam os milhões de turistas anglófonos que há décadas passam por aqui. Charmosa, com algum ar decadente, e ao mesmo tempo blasé e se renovando… Essa é Copacabana.

Gosto de andar pelo bairro – sempre atento a eventuais ameaças vindas de nativos, claro -, ver os nomes das ruas em seus cruzamentos, olhar as pessoas indo e vindo apressadas ou contemplativas, admirar os edifícios, com arquitetura dos anos 50 e 60… Acho muito bacana mesmo, um passeio também pelo tempo, retornando a época do rio glamouroso e da praia mais famosa do planeta! Sim, porque sempre que penso no bairro, as imagens que me chegam à mente são em preto-e-branco… Outros tempos, sem dúvida, mas uma memória marcante! E, para registro, achei Copacabana mais tranquila e segura que no passado recente.

Mas vamos ao que interessa! Resolvi não tomar café no hotel e fui explorar o entorno. Por indicação da recepcionista, segui para a “padoca” ali perto. E foi aí que descobri a “Panificação e Confeitaria Tupan”, ou, simplesmente, “Padaria Tupan”, localizada na Av. Nossa Senhora de Copacabana, 1375. Trata-se de uma tradicionalíssima padaria de bairro, com bolos, pães e as mais diversas guloseimas fresquinhas, feitas ali mesmo e para o dia! Como li em um comentário na internet (sim! há comentários sobre a Tupan na internet!), “seu charme é não querer ser uma padaria sofisticada. Eles lá sabem muito bem o que fazem/vendem de bom e do melhor”- descrição excelente!

Outro aspecto bacana da Tupan é a clientela. Perece-se logo de cara que são fregueses tradicionais, clientes que há muitos anos começam seu dia com um desjejum no balcão da padaria ou comprando pães quentinhos ou outros produtos de trigo açucarados para comer em casa! Do trabalhador que chega cedo para fazer uma boquinha antes da lida à senhorinha aposentada que por ali passa para ver quais são as “novidades” (que, por óbvio, ela já conhece há décadas, como o bolinho com doce de leite ou o panetone da casa), a freguesia da Tupan é um caleidoscópio de tipos que revelam um pouco do bairro mais populoso do Brasil… E todo mundo se conhece!

Mas o ponto alto da Tupan é o Seu Antônio de Souza (Seu Souza, como ele gosta de ser chamado), o português (típico, não?), que é o proprietário do estabelecimento  há exatos 59 (cinquenta e nove!) anos! Pois é! Há quase seis décadas Seu Souza toca a padaria, sempre muito atencioso com os clientes e disposto a uma boa conversa!

Assim foi que no balcão pedi, no primeiro dia, um misto quente (que veio no pão francês prensado) e, no dia seguinte, outro misto e depois um pão com ovo! Claro, café com leite para completar o típico pequeno almoço em Copacabana! Experiência rica e por menos de vinte reais, em uma padaria que descobri começou a funcionar em 1927! Excelente! 

Gente boa o Seu Antônio! Ganhei de cortesia uns bolinhos, um pão de sal quentinho e ainda um cafezinho “com cheirinho” (que é uma garapa de uva que ele mistura no café preto). Tudo isso acrescido de uma ótima conversa! Seu Antônio sabe realmente como fidelizar os clientes!

7 Lições de Liderança

Hoje é Dia do Livro em Frumentarius. E aproveito que estamos na semana do batismo de fogo da Força Expedicionária Brasileira (FEB) nos campos de batalha da Itália, para indicar a obra de um valoroso combatente moderno, meu amigo Coronel Ricardo Bezerra, que comandou o Batalhão Brasileiro (BRABAT) na Missão de Paz da Organização das Nações Unidas no Haiti. O livro, Missão Haiti – 7 Lições de Liderança, reúne as experiências de Ricardo em sua missão de seis meses à frente de homens e mulheres em um teatro de operações peculiar, complexo e dinâmico.

Naturalmente, o aprendizado de Ricardo é de grande utilidade em cenários distintos daqueles do Haiti. Os ensinamentos ali reunidos são úteis para líderes nas batalhas do mercado, na motivação das equipes e, ademais, no próprio crescimento pessoal. Tive a oportunidade de conhecer as provas iniciais da obra de Ricardo ainda quando conversávamos do potencial de seu trabalho e dos significativos benefícios que a publicação traria para milhares de afortunados leitores.

Recomendo efusivamente o livro de Ricardo Bezerra, que se mostrou um profissional de altíssimo nível quando atuou como Chefe de Gabinete no Instituto Pandiá Calógeras do Ministério da Defesa. De fato, o Coronel foi fundamental para reestruturação do Instituto, no apoio ao Diretor (como adjunto, conselheiro e amigo), e para motivar a equipe. Interessante que sempre tinha uma boa história que trazia um ensinamento a seus subordinados e superiores.

Onde você pode adquirir Missão Haiti – 7 Lições de Liderança? Bom, as melhores livrarias já o têm disponível – se não o tiverem, não serão as melhores livrarias. E, se quiser um autógrafo do autor, Ricardo fará o lançamento em algumas cidades do Brasil.

Nesse sentido, aproveito para convidar a todos para o lançamento das Missão Haiti – 7 Lições de Liderançaem Brasília! Será amanhã, quarta-feira, 18/09, às 19h, no restaurante Carpe Diem da 104 Sul, em Brasília (DF). Evento imperdível!

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Casa de Rui Barbosa e a inexistência do acaso

Uma vez que as quintas-feiras são dedicadas às minhas aventuras pelo mundo, interromperei a jornada pela Mãe Rússia para contar sobre duas situações inusitadas que me aconteceram há algumas semanas… O lugar: São Sebastião do Rio de Janeiro (acho que era esse o nome antigo da cidade)! 

Estava eu em viagem à capital fluminense para um compromisso de trabalho. Como o evento ocorreria muito cedo, tive que ir no dia anterior. Cheguei a meu hotel ainda por volta das 16:00 e resolvi proceder ao reconhecimento do ambiente operacional nos arredores. Nesse processo, descobri que a Fundação Casa de Rui Barbosa estava a cerca de 700 metros de onde eu me hospedara.

Ora, o que é que um sujeito como eu, hospedado numa excelente localização em Botafogo, vai fazer com seu tempo livre no Rio de Janeiro? Óbvio: conhecer a Casa de Rui Barbosa! 

Preliminarmente, registro que, em minha defesa, não tenho qualquer simpatia pelo senhor Rui Barbosa. Não obstante, por se tratar de um importante ponto turístico do Rio (vai me dizer que você não sabia disso!), decidi conhecer a residência daquele senhor arrogante, que traiu Sua Majestade instigando o golpe republicano, conduta da qual depois se arrependeu (mas aí Inês já estava morta). E lá fui! 

A  Casa de Rui Barbosa é um palacete de meados do a século XIX, erguido em Botafogo, e serviu de morada ao jurista e político republicano entre 1895 e 1923 (quando de sua morte). O excelente estado de conservação, a bela arquitetura neoclássica, a pluralidade de cômodos (bem-divididos e com os móveis e decoração dos tempos de seus famosos moradores) e, principalmente, a biblioteca de 37 mil volumes (bem-cuidada e disposta exatamente como o deixara o metódico baiano em 1923), tudo isso faz da Casa de Rui Barbosa um destino turístico imperdível. Acrescente-se aí os jardins e a “garagem”, na qual se encontram os carros e carruagens usados por Rui. 

Fiquei fascinado pelo lugar. Mais surpreendentes ainda foram as duas situações que vivenciei nesse passeio. Vamos a elas!

Chego ao palacete (vivia bem o Dr. Rui!) e me dirijo à recepção do museu. Lá, uma simpática mocinha me pede para preencher uma pequena tabela com meus dados. Informa então que a entrada é gratuita, mas que eu teria que esperar uns quinze minutinhos, pois a visita é acompanhada de um vigilante. “Tudo bem”, disse eu, e fui fazer hora passeando pelos jardins (excelente programa), onde casais de namorados se encontravam, e crianças pequenas brincavam sob a supervisão de mães, avós e babás – um bucólico oásis de tranquilidade no agitado Rio de Janeiro! 

Na hora da visita, comigo estavam mais três senhoras, todas de fora da Cidade Maravilhosa, com as quais formei o heterogêneo grupo que iria conhecer o museu. E aí veio a grata surpresa! Luciano, o vigilante designado para nos acompanhar, não nos acompanhou! De fato, Luciano nos guiou pela casa-museu, em uma jornada regada de excelentes histórias sobre o lugar e seus moradores do passado. O nosso guia-vigilante sabe muito sobre o local onde trabalha, conta boas anedotas de cada cômodo e fala de Rui Barbosa e família como se fossem conhecidos seus de longa data! – e são mesmo! Luciano também conhecia particularidades da História do Brasil que deixariam meus amigos do Instituto Histórico e Geográfico orgulhosos! Assim, aprendi muito com aquela moço que honrou com louvor a camisa da Casa. Essa foi a primeira surpresa. 

A segunda ocorreu na saída, quando o grupo já se dispersava. A primeira senhora se despediu e foi embora. Quanto às duas outras, antes que partissem, minha curiosidade linguística me impeliu a perguntar de onde eram (sim, gosto de sotaques e de me desafiar a identificar de onde são as pessoas pela forma como elas falam!):

“Por acaso vocês são do Maranhão?”, perguntei finalmente. E elas, com ar surpreso: “Sim! Como descobriu?”. Minha resposta, com sorriso maroto, “pelo sotaque! Vocês são de onde lá?” (Sou curioso). “Somos de São Luís! E você?”, já atentas à conversa. “Sou de Brasília, mas mamãe é de Caxias.”

Os olhos de ambas se arregalaram. Explicaram que nasceram em São Luís, mas a família era de…Caxias! Cresceram na cidade. Falei então da minha família lá. Logo descobrimos que uma delas tinha sido aluna de uma prima minha, e colega de outra! Ou seja, na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, encontrei pessoas que tinham vínculos com a família de minha mãe! Note-se que a população de Caxias é de 118.000 habitantes! Parecíamos velhos amigos a falar de Caxias, de amigos em comum, e de perceções afins. Trocamos contatos.

E foi assim que, na Casa de Rui Barbosa, conheci um grande guia turístico e encontrei novas velhas amigas! Existe acaso? Claro que não! 

Depois fui fazer uma incursão à Livraria da Travessa, onde comprei um livro e tomei um chocolate quente, seguindo para jantar no Matsuda, um restaurante japonês tradicional e típico, onde a comida é excelente e preparada pelo Inácio, um mineiro que sabe tudo da culinária nipônica! No Rio, gosto de jantar no Matsuda! 

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Evolução das Grandes Economias do Globo

Sem maiores comentários, compartilho aqui um vídeo sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) das dez maiores Economias do globo, de 1961 a 2017. Interessante como a China sobe de posição na virada do século, alcançando em menos de vinte anos o segundo lugar, mas ainda bem atrás dos Estados Unidos. O Brasil, por sua vez, apresenta-se entre as dez grandes, mas não consegue alçar vôo. Infelizmente, ainda não alcançamos um patamar civilizatório que nos permita, realmente, evoluir para uma nação desenvolvida – isso tem a ver com aspectos culturais, acredito.

Mais interessante ainda é o segundo vídeo, que apresenta as vinte maiores Economias, considerando-se a Paridade do Poder de Compra (PPP), entre 1980 e 2023, com comentários e explicações sobre as mudanças ocorridas. Sob essa perspectiva, a China já ultrapassou os Estados Unidos. Destaque para a Indonésia, que evolui rapidamente no ranking.

Vale muito conferir!

 

 

A data verdadeira da Independência do Brasil

Hoje, 02/09, é o verdadeiro dia da Independência do Brasil! Foi nesta data, em 1822, que nossa então Princesa Regente, Leopoldina de Habsurgo, assinou o Decreto separando o Brasil de Portugal.
Com o Decreto da Princesa, legítima Chefe de Governo do Reino, o Brasil se separava definitivamente da metrópole portuguesa. Esse Decreto foi enviado, juntamente com uma carta de Leopoldina e outra de José Bonifácio ao Príncipe Dom Pedro, que viria a recebê-los no dia 7 e, às margens do Rio Ipiranga, e, seguindo as recomendações da esposa e do amigo, proclamar a Independência do Brasil.
Nossa gratidão eterna à primeira mulher a governar o Brasil! Leopoldina, austríaca de nascimento, brasileira se coração, tornar-se-ia nossa primeira Imperatriz. Tanto ela quanto o marido amavam verdadeiramente esta terra.
Infelizmente, o compromisso público de nosso primeiro casal imperial jamais foi repetido nesta república fracassada…
D’us salve a Imperatriz de Leopoldina de Habsburgo!
D’us abençoe o Imperador D. Pedro I!
D’us abençoe o Império do Brasil!
Pela restauração!

Em tempo: no mesmo dia, 196 anos depois, o lugar onde Leopoldina assinou o Decreto de Independência foi incendiado. O episódio, conhecido como o Incêndio do Museu Nacional (sim, refiro-me ao Museu Nacional da Quinta da Boa Vista), transformou em cinzas parte importante de nossa Cultura, de nossa Tradição e de nossa História. Não é exagero afirmar que uma parcela de nosso futuro como nação também se foi com o Museu. Ainda não foram punidos os responsáveis por aquela tragédia.

Leopoldina

Maçonaria e Independência

Convido a todos para uma palestra que farei amanhã, intitulada “A Maçonaria e a Independência do Brasil – Construindo uma Nação“. Será às 20h00 desta segunda, 02/09/2019, no Templo Igualdade do Grande Oriente do Brasil (GOB), na 913 Sul (SGAS, Quadra 913, Conjunto H,  Brasília-DF). O evento, que ocorrerá por ocasião da Semana da Pátria, é aberto aos amigos e familiares dos maçons, pois se trata de Sessão Magna Pública. Segue o convite.

Vamos conversar um pouco sobre a influência da Maçonaria no processo de independência do Brasil e na construção de nossa nação. Afinal, os maçons, entre os quais José Bonifácio e o próprio Pedro I, foram decisivos no movimento que culminou no 7 de setembro de 1822.

Aguardo vocês lá! Agradeço a divulgação.

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E-Gonomics

Meus queridos 15 (quinze) leitores (pois é, o número aumentou nos últimos dias! Yes!),

Dando continuidade à reestruração de Fumentarius.com (teremos novidades nas próximas semanas!), resolvi associar alguns links de páginas que considero interessantes – são referenciais em minhas leituras e pesquisas. Assim, inseri há pouco o vínculo para E-Gonomics, o blog de um querido amigo, Luiz Congazaga Coelho Júnior, com informação econômica sobre o Brasil, os EUA e outros mercados. E-Gonomics está em constante atualização, então estou certo de que será uma página útil, em especial para meus alunos e amigos interessados em Economia.

Bom proveito!

(Os links estão na barra lateral quando se acessa o Frumentarius.com pelo computador. Ainda aprendendo como colocar isso para o formato de tablet e celular.)

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Príncipes soldados

Passados 100 anos da Grande Guerra, aquele período continua fascinando a muitos de nós, apesar de uma parcela significativa da população brasileira vergonhosamente não saber nada sobre o conflito. Como eu não sou de desistir de divulgar conhecimento, segue uma publicação que pode agradar os amantes de Clio…

Familia Imperial no Exilio

A Princesa Isabel e o Conde D’Eu com a família no exílio.

Em 2014, O Globo publicou uma matéria sobre os príncipes brasileiros que combateram na I Guerra Mundial. E o jornal destaca:

Pouca gente sabe, por exemplo, que, muito antes de o país enviar equipe médica, embarcações e alguns oficiais apenas na reta final do confronto, dois príncipes brasileiros atuaram na guerra e até morreram em consequência disso. Filhos da Princesa Isabel com o francês Conde D’Eu, os nobres D. Luís Maria e D. Antônio Gastão, netos do ex-imperador D. Pedro II, serviram ao lado do Império Britânico. [Aqui um comentário nosso: não existe “ex-Imperador”, caro jornalista. Uma vez Imperador, sempre Imperador!]

Chama a atenção o fato dos príncipes exilados (em razão do famigerado golpe de 15 de novembro de 1889), filhos do Conde D’Eu (com sangue francês que remonta a antes mesmo da França existir) não terem sido aceitos pela República Francesa (ah, sempre ela!) para combater em suas fileiras contra as Potências Centrais (pelas quais lutavam muitos de seus primos e onde eles mesmos haviam feito serviço militar).

Dom Luís de Orléans e Bragança

Dom Luís de Orléans e Bragança (1878-1920)

Assim, os Príncipes Dom Luís e Dom Antônio Gastão, netos de Dom Pedro II, nascidos no Brasil e, portanto, oriundos da família real brasileira, eram também franceses (descendiam dos reis da França), foram treinados pelos austríacos (também eram Habsburgos, como os Imperadores da Áustria-Hungria) e serviriam na guerra lutando junto com os britânicos. Situação inusitada, não?

O fato é que os príncipes combateram na Grande Guerra, e combateram com galhardia e coragem. Foram reconhecidos pelos seus pares como bravos soldados. E, como outros tantos milhões de jovens de sua geração, sofreriam diretamente os dissabores do conflito: nas trincheiras da França, Dom Luís contrairia uma doença que o levaria à morte logo depois do conflito, em 1920 (pouco antes do centenário da Independência, proclamada por seu bisavô). Já Dom Antônio, reconhecido por sua coragem, teria participado de batalhas aéreas (teria sua paixão pelo avião vindo da proximidade de sua família com o grande Santos Dumont?) e, em 29 de novembro de 1918 (portanto, alguns dias depois do armistício de 11 de novembro), sofreria um acidente de avião e viria a óbito.

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Dom Antônio Gastão de Orléans e Bragança (1881-1918)

Cabe destacar que ambos os príncipes-soldados, que mostraram sua bravura no maior confronto que o mundo já conhecera, morreram longe de sua terra natal. Exilados com o golpe de 1889, foram para o Oriente Eterno sem nunca mais ver o Brasil que tanto amavam… Duas décadas depois, a belíssima Canção do Expedicionário expressaria essa preocupação de todo aquele que combate por sua pátria: “não permita D’us que eu morra sem que volte para lá”.

Essa foi mais uma das histórias da Grande Guerra. Belíssima contribuição de nossos príncipes imperiais à liberdade, contribuição essa que deveria ser digna de respeito e gratidão por todos oa brasileiros.

Importante que saibamos, como brasileiros, que os filhos da (legítima) nobreza  brasileira, que aqueles homens que poderiam simplesmente nada ter feito enquanto milhões combatiam nas trincheiras, foram nobres também em sua decisão de lutar e dar a vida pela causa em que acreditavam. Pergunto-me quais filhos da nossa elite republicana de hoje se prestariam a tão altivo sacrifício…

(E ainda tem gente que me pergunta o porquê de eu ser monarquista…)

Para acessar a reportagem, clique aqui.

Os 195 anos da Constituição

imageDeixei passar uma importante efeméride da última semana de março… No último dia 25, celebramos os 195 da primeira (e única legítima) Constituição do Brasil: a Carta de 1824 do Império do Brasil!

Republicanos que me perdoem, mas a Constituição de 1824 é um primor! Carta liberal e muito avançada para sua época, funda realmente uma nação e, em sua simplicidade e abrangência, garante-se como documento político basilar de um país – talvez por isso tenha sido a mais longeva de nossas Constituições. Foram praticamente sete décadas, com apenas uma emenda – algo impensável para quem, nos dias atuais, acostumou-se com uma Lei fundamental que mais parece periódico, tantas as atualizações que possui…

As críticas e até eventuais comentários jocosos sobre nossa Carta de 1824 só se podem dever à má-fé ou à ignorância. Afinal, trata-se de texto bem escrito, e que cuida dos aspectos elementares de que deve cuidar uma Constituição: os fundamentos políticos do Império, a cidadania, os poderes constituídos, o processo legislativo, a administração e economia das províncias… Tudo encadeado com lógica e clareza. Para quem se interessa pelo assunto, recomendo a leitura da Constituição de 1824 em seu inteiro teor – é linda!

Detalhe importante: enquanto todas as outras constituições que a sucederam “fundam” o Brasil como “a união indissolúvel dos Estados, Distrito Federal” e, mais recentemente, dos “Municípios”, ou seja, de um Brasil formado por entes abstratos, a Carta de 1824 estabelece que o Brasil que constitui de uma associação de pessoas, de gente, de homens livres. Esse aspecto humano do Brasil está logo no art. 1º:

Art. 1. O IMPERIO do Brazil é a associação Politica de todos os Cidadãos Brazileiros. Elles formam uma Nação livre, e independente, que não admitte com qualquer outra laço algum de união, ou federação, que se opponha á sua Independencia.

Há outros aspectos interessantes, sobre os quais já comentei aqui em Frumentarius. Por exemplo, pondo a termo o discurso modernoso de que a Constituição de 1988, a “Carta Cidadã”, é pioneira e inovadora ao tratar de uma série de direitos e garantias individuais, recomendo a leitura do art. 179 da Constituição do Império, que trata da “inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade” e que “é garantida pela Constituição do Imperio”. Comento a esse respeito em A mais legítima das nossas constituições, post que você pode acessar clicando aqui.

Que um dia possamos ter de volta nossa norma fundadora! Assim sairemos desse atoleiro em que os republicanos nos colocaram desde 1889!

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