33. Atalaia eterna! (30/11/2014)

Em defesa da paz social, do direito da ordem, da lei… sempre, sempre eu serei policial, atalaia eterna eu serei!
Refrão do Hino da Polícia Civil do DF

Todo menino sonha em ser astronauta, jogador de futebol (eu não), piloto, policial… Não pude ser astronauta nem piloto, e não imaginava que um dia viria a me tornar policial. Só que a vida nos prega peças: meu primeiro emprego público efetivo foi exatamente como agente da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF)! E foi uma experiência muito gratificante.

O ano era 1998. Estava desempregado, desesperado. Buscava um concurso para todo e qualquer cargo público que aparecesse. Como disse em outro texto, se houvesse concurso para bailarino do teatro nacional ou para tratador de leões no zoológico faria a inscrição.

Surgiu, então, o edital para concurso de agente de polícia da PCDF. Vi o programa das disciplinas para as provas e percebi que teria chances. Estudei. Não tinha dinheiro para pagar cursinho, tendo que me virar por conta própria. E fui fazer as provas!

Passei na primeira fase, de provas escritas. O segundo passo eram as provas físicas. Aí a situação complicava. Afinal, nunca tive vocação para esportes. Mas a necessidade falava mais alto. E a disciplina imperou.

Uma prova que me preocupava era a corrida de 2.400 metros em 12 minutos (creio que era isso). Nunca havia corrido. Não tinha muito hábito nem de caminhar. Mas, naturalmente, precisava daquele emprego. Procurei meu Mestre D’Armas (estava afastado havia mais de um ano da esgrima) e Evandro me deu boas orientações de como começar a me preparar e ganhar condicionamento físico para correr. Ia fazer o que fosse necessário para superar essa barreira.

Se me perguntassem hoje se fiz aquilo, respondo que sim só porque fui eu mesmo quem fez! Eu, que nunca havia corrido na vida, agora saia duas vezes por dia, pela manhã e à tarde, para correr pelas ruas de Sobradinho por uma hora e meia! E corria! Corria como um louco, pois precisava vencer aquela batalha e alcançar um emprego público. Precisava de condicionamento. Cronometrava o tempo. Eita canseira! Run, Forrest, run!

Chegou o dia da prova física. O local, o Centro Olímpico da UnB. Era como um grande evento! Os candidatos eram chamados em grupo para correr, e lhes acompanhava uma torcida de amigos, familiares, namoradas. Fui como nasci, sozinho.

Chegou minha hora de fazer a prova. Tinha que correr os 2.400 metros em 12 minutos (“bobagem”, diriam alguns! Mas para mim seria impensável alguns meses antes). Se alcançasse a distância antes (o que também não era fácil, pois estava bem no limite durante os treinos), tinha que continuar ao menos caminhando até o final do circuito.

Deram a largada. Corro. Run, Forrest, run! Minha vida passa em ritmo acelerado! Primeira volta, segunda volta, terceira volta… perdi a conta… Tinha um fiscal contando (ainda bem!). Esbaforido. Falta fôlego. “Onde é que fui me meter?”, penso, bravo, comigo: Run, Forrest, run!

Mais uma volta. A língua completamente para fora da boca – vai chegar uns dois minutos na minha frente. O ar fica escasso. Continuo correndo. Não dá para intercalar com paradas para caminhar. As pessoas lá fora gritando e torcendo pelos seus entes queridos. E eu só – melhor assim, a vergonha seria só minha também. Continuo correndo.

Entro na última volta. Olho para o lado. A imagem que presencio fica gravada para sempre em minha mente: um gordinho, bem gordinho mesmo, que vinha correndo e, não sei como, continuava na prova, tropeça. A cena se passa em câmera lenta… vejo o gordinho com uma perna se entrelaçando na outra (nãaaaoooooo!)… o gordinho vai ao chão estabanado. Fica ali deitado, esbaforido, chorando. A prova acabava naquele instante para ele… e o concurso!

Eu continuo no páreo… É a última volta. Só mais um pouco! Run, Forrest, run! Os últimos metros e os derradeiros segundos se aproximam. Olho para o fiscal que me faz um sinal: consegui já os 2.400 metros! Basta agora só terminar o tempo continuando no circuito. Felicidade!

Acabou o tempo! Consegui! Não acreditava! Me dei um caloroso abraço (não tinha quem me abraçasse)! Respirei fundo. Mais uma etapa concluída. Orgulho de mim. Superei um obstáculo quase que intransponível para alguém desacostumado a exercícios físicos. Venci. Viriam o psicotécnico e a investigação sobre vida pregressa – nos quais seria aprovado sem problema. Viva eu!

Logo fui chamado para a Academia de Polícia. Época muito boa. Naqueles anos, a academia ficava em uma área distante, no final da Ceilândia (Finlândia, portanto), uma cidade satélite de Brasília. Mas eu iria onde fosse necessário, claro. Todo dia chegava cedo e ficava até o fim da tarde, quando voltava correndo para a faculdade, que cursava à noite.

O curso foi ótimo. As aulas, bem divertidas: Direito, Primeiros Socorros, Segurança Orgânica, Defesa Pessoal e, o melhor, Adestramento e Tiro! Eita que adorava atirar! Foi paixão à primeira vista com as armas! Gostei mesmo! Era melhor na técnica de saque rápido (na prova final de saque rápido, fiz 99 pontos em 100, contra 97 em tiro de precisão), mas o que importava mesmo era atirar. Realmente, foi inesquecível o tempo de academia.

Excelentes também foram os amigos, entre instrutores e colegas de concurso, que fiz na academia de polícia. Gente boa, de diferentes cantos do Brasil, com perspectivas distintas, mas com o objetivo de se tornar policiais, bons policiais. Minha turma em particular era divertidíssima! Ficamos unidos. Alguns dos amigos da academia tenho até hoje. Seguem fotos daqueles bons tempos!

Indescritível a felicidade quando tomei posse na PCDF. Era servidor público e policial! Meu primeiro emprego público! Salário garantido no fim do mês e um trabalho para lá de interessante. Identifiquei-me muito com a atividade de polícia. E entendo perfeitamente que, ao menos com quem está disposto a fazer uma carreira honesta e decente, a profissão de policial é como um sacerdócio – sem exageros!

Fui designado para a Delegacia do Meio Ambiente (DEMA). “Um lugar bem tranquilo”, diria meu caro leitor! Certamente mais que as delegacias regionais ou que algumas especializadas (como a de Roubos e Furtos ou a de Repressão a Entorpecentes). Certamente. O único problema é que quem investiga grilagem de terras no DF é a DEMA – esse é um grande problema na capital federal e era uma época em que o Governo estava pondo abaixo lotes e cercas em condomínios irregulares (onde depois íamos reunir provas e fazer ronda).

Aprendi bastante na PCDF. Cresci como pessoa e como profissional. Não cabe aqui contar os “causos” da época de polícia… Isso é conversa para um bom bar, com uma boa cerveja e bons amigos. Só digo que para mim foi extremamente importante a passagem por lá.

Só tenho boas lembranças de meus tempos de polícia. Fiquei pouquíssimo tempo porque, logo em seguida, fui chamado para o curso de formação da Agência Brasileira de Inteligência (pois passara nesse concurso também). Mas o período que fiquei ali aprendi muito e, acima de tudo, fiz boas amizades.

Faltam 8 dias para meu aniversário. E hoje lembro dos amigos que fiz na polícia, e de todos os policiais (civis, militares, rodoviários, federais) que combatem com bravura a criminalidade e que trabalham duro, muitas vezes com o sacrifício da vida, pela segurança dos cidadãos, nesta guerra diária em um país onde o policial é desprezado, a vítima é esquecida e o bandido vira herói. Isso me incomoda. Sonho com um Brasil em que o policial seja mais valorizado, e onde ser polícia seja entre as crianças um sonho maior que o de se tornar jogador de futebol…

PCDF

31. Tocada à direita, ponto à esquerda (28/11/2014)

Sans le duel, on ferait de l’escrime tranquillement.
Jules Renard

Dorival Caymmi morreu com 94 anos. As tartarugas, se não forem devoradas por predadores ou vitimadas pela poluição dos oceanos, costumam viver mais de um século. Os atletas, entretanto, antes dos 30 já estão a fazer cirurgia ou em recuperação por alguma lesão fruto de suas atividades. E o coelho, bicho hiperativo, morre com 5 ou 6 anos (anos felizes, de prole numerosa, mas 5 ou 6 apenas). Isso me leva a concluir que esporte é prejudicial à saúde. O corolário é que nunca fui afeito a práticas desportivas.

Houve, porém, um esporte que pratiquei com gosto. Não foi futebol, pois, como já disse, corro em linhas e ângulos retos e meu sentido de autopreservação me impediria de ficar no gol levando bolada, razão pela qual também evitei vôlei, basquete, handball e todas essas práticas violentas que, ainda por cima, exigiam coordenação com uma equipe de pessoas sempre mais competentes que eu e que acabavam irritadas pela minha inabilidade na quadra ou em campo. Sobravam-me, assim, os esportes individuais e de baixa probabilidade de lesão, nos quais só dependeria de mim mesmo: natação, tiro e esgrima!

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Esporte fascinante é a esgrima. Prática aristocrática, elegante e exigente em termos físicos e mentais. De fato, além de carregar tradição, requer habilidade, concentração e preparo físico. Apesar de não ter preparo físico e habilidade, a concentração e a tradição levaram-me a procurar esse belíssimo esporte olímpico.

Eram meados da década de 1990. Não sei como, mas fui parar na Casa do Ceará, onde davam aulas de esgrima. O Mestre D’Armas, Evandro Oliveira, já havia passado pela Academia da Força Aérea, era um sujeito de grande talento e tentava trazer de volta o esporte tradicional, airoso e requintado para a capital federal. Além disso, Evandro era um sujeito de boa conversa e foi muito receptivo. Resultado: cheguei e fiquei.

Com poucos recursos, nosso grupo de esgrima se divertia bastante. Praticamente não tínhamos sala d’armas na Casa do Ceará. Montávamos as pistas e dividíamos o espaço com o pessoal da capoeira, que também praticava Jiu-Jitsu, e que chegava depois e devia achar no mínimo estranho aquele bando de malucos de branco batendo lâminas… Nosso tempo ia até eles precisarem do espaço para começar a aula. Éramos pontuais e disciplinados. E, claro, não era de bom alvitre contrariar o pessoal da capoeira, que também praticava Jiu-Jitsu.

O grupo da esgrima era bacana. Éramos poucos, mas nos divertíamos muito! Em média, tínhamos a mesma idade e gostávamos dos mesmos assuntos além da nobre arte. Alguns tinham um quê de “nerdismo” acima da média. Mas estava valendo! A maioria de nós não se preocupava em ganhar competições, tampouco em se profissionalizar. Queríamos nos divertir e jogar esgrima. Claro, grandes amizades também dali sairiam, algumas que perduram duas décadas depois.

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Não fiquei muito tempo na esgrima. Tive que me afastar por alguns meses, e acabei não voltando a praticar. O pessoal se mudou para a AABB, com uma boa sala d’armas, e depois tomou outros rumos. Evandro, merecidamente, alçou novos voos. Sua disciplina e extrema competência o levariam à posição de técnico de nossa seleção brasileira, o que nos orgulha a todos.

Também fazíamos bons churrascos, porque ninguém é de ferro. Seguem fotos do churrasco de 1997, em comemoração a nosso brassard amarelo. Foi na casa do Evandro. Sempre boas festas!

A 10 dias de meu aniversário, tomo consciência de que preciso praticar algum esporte por questão de saúde – é isso ou a morte lenta. Os coletivos estão fora de cogitação. Lutas, bem, não gosto de apanhar. Sobram a natação (está em meu planos), o tiro (que já pratiquei, mas que acaba sendo um pouco complicado neste país onde não deixam os cidadãos andarem armados, para a alegria dos vagabundos), e minha querida esgrima! Opa! Taí uma boa idéia!

Continuo fascinado pela esgrima. Continuo com bons amigos daqueles tempos. E tenho esperança de voltar a jogar – claro que apenas por diversão e para melhorar a saúde. Quem sabe em 2015, com 40 anos.

[Em tempo: em 2019, Evandro mudou-se com a família para os Estados Unidos, onde prepara novas gerações para o tradicional esporte. Eu, bem, ainda não voltei a praticar esgrima…]

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30. Direito e Ceub (27/11/2014)

A justiça sem a força é impotente, a força sem justiça é tirana.
Blaise Pascal

Concluí o curso de Relações Internacionais sem grandes perspectivas profissionais. Apesar de tremendamente interessante pelo currículo e excelente para a formação humanística, em termos práticos, Relações Internacionais se revelaria um grande fiasco. E lá estava eu, com 20 anos, um impoluto diploma por uma das melhores universidades do País e… desempregado! Não seria simples sair das estatísticas com um título de bacharel em algo pouco conhecido no Brasil. Tinha que fazer alguma coisa.

Em meu penúltimo semestre na UnB, talvez já instintivamente percebendo as dificuldades que adviriam nos próximos anos, resolvi prestar vestibular para Direito naquela que era considerada a melhor faculdade particular do DF: o então Centro de Ensino Unificado de Brasília (CEUB). Não estava muito convicto de que gostaria de ser advogado, mas meu pai insistiu e fui fazer as provas. Fiz o vestibular e esqueci completamente do episódio – estava mais preocupado em concluir meu bacharelado em Rel (como nós na UnB chamamos Relações Internacionais).

Havia esquecido completamente do vestibular do CEUB. Afinal, não estudara para as provas e não pensava na carreira jurídica… Então, fizera os exames admissionais por fazer. Mas a boa surpresa chegaria de forma inusitada…

Estava em casa e um colega me telefonou. “Parabéns, cara!”, disse ele, “você passou para Direito!”. Ele vira meu nome na lista dos aprovados e perguntava se eu não iria fazer a matrícula, pois o prazo estava se encerrando. Naquela época não havia internet como hoje (estou falando de 1994!) e a divulgação dos resultados dava-se pelo jornal ou nas listas afixadas na faculdade – foi onde meu colega viu meu nome. Nesse sentido, uma vez que “Joanisval” não encontra homônimos no mundo civilizado, só poderia ser eu mesmo! E fiz a matrícula.

Não consegui aproveitar muito bem meu curso de Direito. Como já trazia algumas disciplinas da UnB, minha grade curricular no Ceub era sempre complicada… Estava usualmente em dois ou três semestres ao mesmo tempo. Ademais, tive que suspender o curso algumas vezes, pois não tinha dinheiro para pagar, ou estava concluindo meu Mestrado, ou com problemas pessoais. Enfim, levei cerca de 8 anos para concluir o curso de Direito, passei por três currículos distintos e nunca estive plenamente inserido em um semestre específico, com uma turma própria. Isso acabou sendo valioso, pois conheci muita gente na trajetória, e boas amizades foram ali moldadas – muitas da quais perduram até hoje.

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Mas foi no segundo semestre de 1996 que, retornando aos estudos, encontraria a “turma” que acabaria adotando como minha. O pessoal estava, creio, no quarto semestre. Gente muito simpática e aberta aos “novatos” que apareciam. Logo fiz amizades. Com eles seguiria mais ou menos até o fim do curso (que acabariam cerca de um ano e meio antes de mim) e faríamos juntos muitas disciplinas. Essa boa gente acabaria marcando minha vida – dali saíram meus grandes amigos do curso de Direito e aquela com quem viria a me casar e ser a mãe de meus filhos. Pois é! Conheci minha esposa na faculdade e cursamos Direito juntos. Isso por si já seria mais que suficiente para justificar minha passagem pelo Ceub, né?

Concluí o curso de Direito no final de 2001. Recuperando as memórias e refletindo sobre a segunda graduação, posso asseverar, sem qualquer sombra de dúvida, que a melhor coisa que fiz foi cursar Direito, e no Ceub!

Costumo recomendar Direito a todo mundo, inclusive como segunda graduação. Direito nos dá base sólida para a vida em sociedade e, apesar das dificuldades inerentes às carreiras jurídicas, é um curso que tem excelentes perspectivas profissionais. Pelo menos comigo foi assim. Graças ao Direito, tive a preparação necessária, por exemplo, para conseguir ser aprovado nos concursos que me levaram ao serviço público. E, associando os conhecimentos jurídicos à capacidade reflexiva e conhecimentos oriundos de Relações Internacionais, consegui, finalmente, boa formação acadêmica e prática. Devo, enfim, parte importante de meu êxito profissional ao curso de Direito.

Não me considero um profundo conhecedor das Ciências Jurídicas, pelo contrário. Como meu curso foi muito esparso, não aproveitei tanto as disciplinas e o conhecimento extremamente bem transmitido pelos meus mestres – muitos dos quais se tornaram grandes amigos! De Direito Civil, entendo pouco, pois meu Código ainda é o de 1916. Já sobre Direito Comercial, apesar das excelentes aulas do amigo Marcus Palomo, sei muito pouco. Com Trabalho e Previdenciário nunca tive muita afinidade. Processo Civil era extremamente complexo, e irritavam-me os recursos de natureza absolutamente protelatória – entretanto, gostava da parte prática e estratégica de processo civil e trabalhista. Tributário sempre foi bom para ganhar dinheiro, mas exige conhecimentos muito específicos, restritos a iniciados.

Gostava mesmo era de Direito Público. Penal e Processo Penal atraíam-me e cheguei mesmo a advogar um pouco nessa área – o problema era a clientela… Mas a afinidade mesmo foi por Direito Constitucional e Administrativo. A paixão, naturalmente, pelo Direito Internacional! E foi por aí que segui carreira, vindo mesmo a, como muita honra, lecionar na área…

Devo muito a meu curso de Direito e tenho um carinho extremo com o CEUB, hoje Uniceub. Se a UnB é minha Alma Mater, o Ceub é uma instituição constante em minha vida: é a faculdade onde meus pais estudaram, onde estudei, conheci a mãe de meus filhos, e onde me tornaria professor. Já ia ao Ceub quando criança, acompanhando papai às aulas de Direito. Adoro o lugar, que tem uma vibração distinta daquela da UnB (não melhor ou pior, distinta). Passei bons anos naqueles prédios e ali vivi grandes experiências. Fiz muitos amigos entre colegas, professores e alunos. O Ceub é, portanto, parte de mim.

Faltando 11 dias para meu aniversário, resolvi escrever sobre o Ceub (desculpem os mais novos, mas continuarei chamando o Uniceub de Ceub). Afinal, se parar para calcular, destes últimos 40 anos, ao menos metade deles estive no Ceub, na condição de aluno ou professor. Minhas primeiras aulas de Direito foram lá quando, repito, ainda criança ia acompanhar meu pai que ali estudava. Ali, meu primeiro professor de Direito foi o caríssimo [e saudoso] Antônio Guimarães Neto, a quem dedico uma parte especial desta crônica. Lembro das aulas de Direito Penal com o Professor Guimarães, as quais eu, uma criança de 8, 10 anos, assistia atento. Teria a felicidade de ser aluno do Professor Guimarães quando eu próprio cursava Direito, ocasião em que percebi que, mais do que nos ensinar sobre as Ciências Criminais, Guimarães nos orientava e nos formava como juristas, inclusive com sábios conselhos até de como se portar perante clientes, autoridades, pares e sociedade. Lições assimiladas e que permanecem vivas. Por coincidência, e sob aquela perspectiva de que a Providência sempre coloca pessoas fundamentais em nosso caminho, foi por intermédio do Professor Guimarães que comecei a lecionar no Ceub. Sim! Ele me convidou e me deu essa grande honra e satisfação! Ser-lhe-ei eternamente grato pela oportunidade!

Não tenho qualquer inclinação para poesia. Se tivesse e fosse possível fazer uma ode a uma instituição, o Ceub certamente estaria entre minhas escolhas. Difícil explicar o carinho que sinto por aquela casa. Só sei que é imenso. E hoje, cada vez que entro nas salas de aula do Bloco III do Ceub, é indescritível a satisfação e a emoção! Sim, porque cada aula ministrada é uma experiência única, geralmente de “recarga da bateria” após um dia de trabalho. E no Ceub essa sensação é ainda melhor! Afinal, leciono na instituição em que me graduei! E sigo com a missão de tentar transmitir, da melhor maneira possível, o conhecimento que tão bem me foi passado pelos mestres ali naqueles bancos. É muito bom ser docente do Ceub e fazer parte dessa cadeia de transmissão do saber jurídico, em que me preocupo não em formar “operadores do Direito” (termo que detesto), mas juristas.

Gosto de lecionar. Gosto do Ceub. Gosto de lecionar no Ceub. E encerro o texto de hoje agradecendo muito a todos que passaram pelo meu caminho ali naquela instituição tão querida! Minha gratidão a pessoas como Guimarães, Marcus Palomo, Rossini Corrêa, Any Ávila, Paulo Thompson, Sílvio Cirilo, Stefânia Viveiros, Flávio Salles, Túlio Arantes, Tarcísio de Carvalho Neto, Ademar Vasconcelos, e tantos outros que me ensinaram sobre o Direito. Minha gratidão a todos os meus alunos, pois com vocês nós aprendemos. Agradeço, ainda, a meus colegas e amigos que estiveram comigo durante os 8 anos e graduação e aqueles com quem hoje tenho a honra de partilhar a sala dos professores, a secretaria, o campus do Ceub. Enfim, meu muito obrigado aos mestres, aos alunos, aos colegas e aos amigos! E vamos adiante!

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Campanha do Brinquedo 2014

No primeiro dia de 2015, gostaria de agradecer a todos os bons de coração que contribuíram com nossa Campanha do Brinquedo. Em pouquíssimo tempo, reunimos gente de bem das mais distintas idades e profissões, que colaboram doando brinquedos, empacotando presentes e, ainda, participando da distribuição em orfanatos e casas de cuidado aqui no DF. Como resultado, cerca de duzentos presentes reunidos e dezenas de crianças e adolescentes que nos brindaram com sorrisos de gratidão. Fiz uma colagem da distribuição e posto aqui, atento para não expor nenhuma criança.

Aos que doaram amor e trabalho nessa campanha, nosso muito obrigado! Especial agradecimento aos queridos duendes que se reuniram para buscar os brinquedos nas casas dos doadores, empacotar os presentes, e que puderam dedicar uma manhã de domingo para ir conosco entregá-los às crianças. Teremos outras oportunidades de ajudar ao próximo no ano que se inicia. 

Desejo a todos um 2015 de muita paz, saúde e prosperidade!

Feliz Ano Novo!

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Campanha do Brinquedo

Olá a todos! Peço desculpas a meus 9 (nove) leitores, pois fiquei quase dois meses praticamente sem me manifestar aqui em Frumentarius. Mas agora estou de volta!

E, para marcar nosso retorno, já começo com uma proposta para os leitores de Brasília… uma ação-beneficente-relâmpago. Explico: até 22/12, estarei, com um grupo de amigos, arrecadando brinquedos para doar no Natal a crianças carentes. Lembro como é ruim para qualquer criança chegar ao Natal vendo tanta propaganda de outras crianças felizes com brinquedos enquanto não se tem nem um abraço ou um sorriso e muito menos algo com o que brincar.

Peço a colaboração de todos os meus leitores. Um brinquedo simples tem como retribuição o sorriso de uma criança. E o sorriso de uma criança não tem preço!

Quem quiser ajudar entre em contato comigo pelo joanisval@gmail.com ou, melhor ainda, pela minha página no Facebook (que você pode acessar clicando ao lado, no canto superior aqui da página, ou simplesmente aqui – mande uma mensagem por inbox e combinamos de buscar o brinquedo).

E então, vamos fazer uma criança sorrir? Conto com vocês!

Abraço!

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Eleições 2014

_IA_9727Meus caros amigos, leitores e eleitores,

Neste pleito de 5 de outubro, gostaria de lembrar que não sou mais candidato a deputado federal, tendo renunciado à candidatura no final de julho, pelas razões apresentadas à época. Agradeço novamente a todos os que apoiaram nossa campanha, acreditaram em nós, e que confiaram em nossas propostas. Tenham certeza de que apenas adiamos o projeto de contribuir diretamente para um DF e um Brasil com mais gente de bem na política.

Reitero que continuo acompanhando de perto a política do DF e do Brasil. Afinal, cidadania envolve atenção à maneira como será conduzida a política e a fiscalização e o controle de nossos representantes no Legislativo e do Executivo. Nesse sentido, gostaria de pedir a todos que acompanham Frumentarius que encarem o dia de amanhã como uma grande oportunidade para fazer do Brasil um país melhor.

Votemos com consciência para nossos deputados estaduais/distritais, deputados federais, senadores, governadores e, acima de tudo, presidente. Busquemos pessoas de bem (porque sim, há pessoas de bem), gente disposta a trabalhar pelo bem comum e não por interesses particulares. Tenhamos realmente representantes no Parlamento e no Executivo. O Brasil precisa de mais gente de bem na política.

Particularmente, acredito que precisamos de mudança e renovação. Estamos cansados dos que aí se encontram, da pilhagem do Estado, e da deterioração dos valores de nossa sociedade. A palavra chave é mudança. E é nessa linha que seguirei, e digitarei os números de meus candidatos amanhã.

Vamos adiante! Não deixemos que a voz das ruas de 2013 tenham sido em vão. Fiquemos atentos ao fato de que o Brasil precisará de gente competente e preparada para conduzir o País nos anos de crise que virão. A responsabilidade é de cada um de nós.

Que a Providência possa iluminar os corações e mentes dos 150 milhões de brasileiros que irão amanhã às urnas. E que possamos ter um Brasil mais democrático, livre, verde e amarelo, justo e perfeito! D’us abençoe o Brasil e seu povo!

Votarei pela mudança

brasil-olhoPara mim é muito desconfortável votar para presidente. Afinal, não acredito neste modelo presidencialista falacioso e ilusório. Entretanto, neste domingo votarei para presidente. Tenho que fazê-lo. E o farei com um profundo desejo de mudança e consciente de que se continuarmos com o (des)governo que aí está, o Brasil entrará em colapso.

Votarei contra a manutenção no poder do grupo que aí está. Doze anos são mais que suficientes.  Levaremos muito tempo para tentar sanar os danos causados por essa organização ao País: inflação sem controle, endividamento, grandes obras no exterior às custas da falta de investimento interno, dilapidação do patrimônio público, corrupção, enfraquecimento de empresas que eram motivo de orgulho para todos os brasileiros, aparelhamento do Estado, destruição da meritocracia, difusão de um discurso de ódio racial e de embate social… Isso só para lembrar alguns dos aspectos marcantes do período. Fatos, contra os quais não há argumentos. Por isso votarei pela mudança.

Houve ganhos sociais no período? Certamente. Importante a quantidade de brasileiros que saíram da miséria e as oportunidades criadas para os menos favorecidos. Entretanto, isso se deu às custas de uma dívida avassaladora, da Economia em frangalhos, da classe média desprestigiada e do setor produtivo enfraquecido. Não coaduno com essa idéia de sacrificar a classe média e aqueles que empreendem e produzem sob o argumento de que se está a socializar a riqueza. Por isso votarei pela mudança.

O legado do grupo que tem estado  por doze anos à frente do Brasil é mais nefasto ainda no campo das idéias e dos valores (ou da falta deles). Estou cansado deste discurso paternalista, assistencialista, fraudulento e autoritário. Estou cansado de um governo que tenta mudar a História, que transforma mentiras em verdades, e que quer impor como devo pensar e agir. Inadmissível a desonestidade intelectual e a falta de moral do discurso oficial. Por isso votarei pela mudança.

Esses últimos doze anos foram de intensa pilhagem dos cofres públicos, de mensalões, de petrolões, de maracutaias institucionalizadas das mais diversas. Estou cansado de um governo que acoberta criminosos comuns como se heróis fossem simplesmente porque pertencem ao partido. Inconcebível que haja quem ainda insista em defender os quadrilheiros que caíram como abutres na estrutura do Estado e começaram a dilapidá-la, pousando de arautos da ética. Por isso votarei pela mudança.

Com o enraizamento no poder do grupo que aí está, os ventos do autoritarismo têm chegado. São perseguições políticas, patrulhamento ideológico, invenção de mentiras contra opositores e, na modernidade, a terrível e famigerada “militância ativa virtual” (MAV) – milhares de pessoas pagas em esquemas que envolvem dinheiro público para, protegidas pelo anonimato do ambiente virtual, monitorar e atacar (com os métodos mais desprezíveis) quaisquer tentativas de crítica ao establishment. Nada muito diferente do que se fazia e se faz nos mais autoritários dos regimes… Estou cansado desse patrulhamento ideológico e desse discurso autoritário. Por isso votarei por mudança.

Se não tivermos mudança, o Brasil entrará em colapso. A situação tornou-se insustentável, simples assim. O próximo ano será um grande desafio para qualquer um que assumir a cadeira presidencial, e tenho convicção de que o grupo que aí está não terá capacidade de gerenciar a crise (para a qual ele muito contribuiu). Também não acredito em qualquer alternativa de cunho “socialista” para o Brasil. Acredito em trabalho, espírito empreendedor, e liberdade para produzir riqueza. Por isso votarei pela mudança.

Enfim, amanhã votarei pela mudança. Não quero e não vou desistir do Brasil. Minhas orações hoje serão para que a Providência ilumine os quase 150 milhões de brasileiros neste 5 de outubro. Que amanhã seja o primeiro dia de grandes transformações. E que o Brasil possa ter um governo que se preocupe com o interesse público e não com ideologias, com interesses partidários e muito menos com benefícios pessoais às custas da res publica. Quero meu Brasil de volta! Quero mudança! Quero que saia o vermelho e volte o verde e o amarelo!

Brasil acima de tudo! Viva o povo brasileiro! Por um País mais ético, livre, democrático, justo e perfeito!

Brazil Confederations Cup Protests

Asfalto molhado, atenção redobrada em Brasília

Serviço de utilidade pública de Frumentarius. Hoje o céu desabou em Brasília, dando início à estação das chuvas na capital brasileira. E, como temos muitos amigos e leitores que chegaram há pouco a nossa amada cidade e não conhecem cenário diferente daquele da seca, gostaríamos de alertar para outra particularidade desta terra: com as primeiras chuvas, o asfalto de Brasília adquire uma composição semelhante a sabão (isso que você leu). Não trarei as explicações físico-químicas para o fenômeno. Mas o que desejo é alertar nossos motoristas (os brasilienses e os recém-chegados à cidade) para que redobrem a atenção ao dirigir por aqui com as chuvas.

Só quem é de Brasília sabe realmente como o asfalto com óleo de meses em reação com a água faz as nossas pistas perigosas. Dirija com atenção, mantenha distância do carro da frente. Nosso asfalto é realmente diferente, acredite!

Outra coisa: há sempre a possibilidade de que os bueiros fiquem entupidos e os alagamentos ocorram, principalmente nas nossas “tesourinhas”. O conselho, nesse caso, é: quando começar o pé d’água, pare o carro em um lugar seguro e espere – costuma passar rápido e depois só garoar. Nunca, em hipótese alguma, entre em uma tesourinha que começa a alagar – você pode ter uma péssima experiência. E, se a água chegar à janela do seu carro (não é brincadeira, isso pode acontecer), deixe o veículo e vá embora (nadando), pois é melhor perder o carro que a vida.

Para ilustrar o que é Brasília com chuva, segue o vídeo do herói Leônidas, o surfista do Planalto, um ícone de nossa terra!

Renúncia e Desfiliação

Estimados amigos e cidadãos do DF,

 Na data de hoje, 25 de julho, protocolei, junto ao TRE, minha renúncia à candidatura de deputado federal pelo Partido Progressista do Distrito Federal. Solicitei, ainda, o cancelamento de minha filiação ao Partido.

A missão de trabalhar por mais gente de bem na política envolve, precipuamente, a certeza de que se segue em um caminho certo, ainda que muitas vezes tortuoso, em defesa do bem comum e de valores que garantam uma sociedade cada vez mais justa e perfeita.

Nossa decisão de deixar o pleito de 2014 de forma alguma significa a renúncia ao projeto de um DF e de um Brasil com mais pessoas de bem envolvidas na nobre tarefa de serem os primeiros servidores do povo. Nosso trabalho continua, e acompanharemos bem de perto o processo eleitoral no DF e em nosso País, estando prontos a cobrar, daqueles que eleitos forem, suas promessas e seu trabalho honesto pelo bem comum.

Agradeço imensamente a nossa equipe de voluntários, um grupo coeso, qualificado e comprometido com as ideias que defendemos e com o ideal de fazer uma nova política. Agradeço, também, a todos os nossos apoiadores desta campanha (que, felizmente, somam milhares), que aderiram a nossa proposta e a corroboraram. Tenham certeza de que este apoio nunca será esquecido e que é o grande estímulo para a continuação de nosso projeto, ainda que sob outras matizes.

Nossa gratidão, ademais, à mui estimada Senadora Ana Amélia, pelo apoio e pela orientação e que, estamos seguros, entenderá nossa decisão. Oxalá possa a nossa Senadora assumir, no dia 1º de janeiro de 2015, o governo do Rio Grande, pelo bem daquele Estado e de seu povo. Nosso apoio incondicional a Sua Excelência, desejando sucesso em sua nobre missão.

Agradeço, ainda, a todos os membros do PP no DF e em âmbito nacional que nos apoiaram em nossa caminhada.

Nossa gratidão também à amada família, que aceitou abnegada nossa candidatura, e nos apoiou neste projeto, mesmo ciente de que a campanha exigiria parte de nossos momentos juntos, e sacrifícios em prol de uma causa maior, o bem da comunidade, a construção de um futuro melhor para nosso povo e nossa terra.

Finalmente, nossa gratidão a Deus, pois sem Ele, nada existe.

É hora de nos retirarmos do processo eleitoral. Estamos convictos de que esta saída é apenas temporária, para reagrupar as forças e nos prepararmos, mais adequadamente, para o bom combate. Para lutar o bom combate é fundamental que nossa espada sejam os objetivos maiores e nosso escudo os valores que defendemos.

Seguimos adiante, com conhecimento, coragem e transparência. Nossos esforços manter-se-ão altivos, em defesa de mais gente de bem na Política! Avante!

 Brasília, 25 de julho de 2014.

 Joanisval Gonçalves

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