Explosões Nucleares

Como a semana começou com minhas preocupações infantis com o fim do mundo por meio de uma hecatombe nuclear, resolvi publicar aqui a referência a um site muito interessante, que simula explosões nucleares em qualquer parte do globo! (Isso mesmo que você leu!)

O site funciona assim: você digita o nome do local que queira mandar pelos ares e define a potência do explosivo – há opções pré-configuradas, como as de Fat Man e Little Boy, as duas bombas lançadas sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial, e também da Tsar, a mais poderosa bomba nuclear já criada.

Perimetro de explosao nuclear simulada

Além das configurações básicas para a detonação, é possível simular a expansão radioativa baseada na direção do vento, número de fatalidades e muito mais. E quando estiver conforme você escolheu, basta clicar no botão vermelho e ver os impactos de uma explosão atômica. Eu testei com algumas cidades brasileiras…

Para acessar o site, clique aqui. Mas não se empolgue, por favor!

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O Dia Seguinte

Saudações, meus caros 16 (dezesseis) leitores! Sei que estavam com saudade (eu também estava), mas as últimas duas semanas foram muito agitadas e não consegui publicar nada. Espero que voltemos a nossa programação normal.

Comecemos a semana falando de algo que marcou muitos de minha geração: a possibilidade de uma hecatombe nuclear que poria fim à humanidade! Sim, aqueles que nascemos nos anos setenta ainda viveram a infância com a real ameaça de serem pulverizados em meio a uma guerra da era do átomo!

Os tempos eram complexos. O mundo era dividido entre as duas superpotências, os Estados Unidos e a União Soviética, que dispunham de arsenais com capacidade de destruir o planeta dezenas de vezes… A chamada Guerra Fria poderia esquentar e não sobraria ninguém para contar a história… Eu tinha medo disso quando era moleque.

Aí você deve estar pensando “Como é que um abestado desses, morando no Brasil, poderia pensar em morrer em meio a um conflito nuclear? Tem que ser muito pateta mesmo!”… Por óbvio, praticamente ninguém aqui em Pindorama se preocupava com isso – até porque as pessoas tinham outras coisas para fazer na vida atribulada do Brasil dos anos oitenta…

Mas eu me preocupava! Fazer o quê? E às vezes me pegava deitado na grama, olhando o belo céu azul do Planalto Central e imaginando mísseis intercontinentais cruzando o firmamento e anunciando o fim da minha existência – ok, dificilmente mísseis intercontinentais passariam por aqui, mas eu não sabia disso. Tinha  total consciência de que, mesmo o conflito entre as superpotências e seus mísseis com ogivas destruitoras acontecendo no distante Hemisfério Norte, o holocausto nuclear alcançaria a todos nós aqui ao sul do Equador! Afinal, viriam a radiação e o inverno nuclear! – sim, eu, um garoto de dez, doze anos, me preocupava com essas coisas!

Felizmente, o pior não aconteceu. As superpotências nunca entraram em confronto direto. Os mísseis nunca foram disparados. A Destruição Mútua Assegurada (MAD) garantiu que nem Washington nem Moscou se aventurassem em uma empreitada suicida…

Os anos noventa vieram… O Muro caiu. A União Soviética colapsou. O Ocidente venceu! A www chegou… E eu sobrevivi! (Eu e os outros 7 bilhões de seres humanos que, escapando do apocalipse nuclear, tivemos a oportunidade de continuar destruindo o planeta de maneira mais lenta…)

As lembranças daqueles tempos sombrios ficaram, entretanto, guardadas n’algumas daquelas caixinhas empoeiradas em um canto esquecido da memória. Quando em vez elas aparecem, só para dizer que ainda existem! Nesse sentido, recomendo à geração que não viveu aqueles anos do final da Guerra Fria, que veja o filme “O Dia Seguinte”, clássico sobre o holocausto nuclear que deixou muita gente (eu inclusive) assustada naquela época e esperando a hora final, quando só seríamos poeira e cinzas… As baratas, claro, sobreviveriam!

Segue o link para o filme (esse negócio de internet e youtube é fantástico!):

E se você quiser entrar mesmo no clima dos anos oitenta, taí a versão dublada:

Aproveite! (Antes que o mundo acabe!)

Batismo de Fogo: 75 anos

Foi em um dia 16/09. O ano, 1944. O lugar, Península Itálica, onde a maioria daqueles que ali estavam sob o signo da Cobra Fumando dificilmente imaginariam onde e como seria alguns meses antes. Tinha início a parte quente da epopeia de bravos guerreiros que vinham “das selvas, dos cafezais, da boa terra do coco”…

Sim! A FEB estava na Itália! Vargas decidira-se por enviar a 1a Divisão de Infantaria Expedicionária (DIE) para fazer parte do V Exército dos Estados Unidos no território italiano. Do outro lado, separados pela “Linha Gótica” (que ia do mar Adriático, no leste, ao mar Tirreno, no oeste),  os (temíveis) alemães, inclusive as Waffen SS, força combatente de elite, que um pracinha uma vez me disse que eram por eles apelidadas de “diarreia” (“pois”, contou-me, “toda vez que a gente via aqueles capacetes da SS, passava por aquela crise intestinal…”).

E naquele 16 de setembro, o 6o Regimento de Infantaria efetuou seu primeiro disparo, inciando uma campanha de duzentos e trinta e nove dias ininterruptos de combate. Nossos pracinhas lutaram bravamente, e das 44 divisões dos Estados Unidos que combateram na Europa e no Norte da África entre novembro de 1942 e maio 1945, apenas doze combateram ininterruptamente por mais dias que a divisão brasileira.

“Nossa vitória final” deixaria um saldo de quatrocentos e cinquenta e quatro mortos, dois mil e sessenta e quatro feridos, e trinta e cinco brasileiros aprisionados. As marcas daqueles heróis que cruzaram o Atlântico ficariam até hoje no solo da Itália e, sobretudo, no coração de milhares de italianos, que aprenderam a respeitar e a admirar aquela gente diferente, mas tão semelhante. A cobra fumou e provamos que não deixávamos nada a desejar diante dos mais valorosos exércitos que lutaram na Segunda Guerra Mundial.

Neste aniversário de 75 anos do batismo de fogo da FEB, nossa homenagem àqueles homens e mulheres que viveram, lutaram e deram o que tinham de mais importante para “a glória do meu Brasil”.

Viva a Força Expedicionária Brasileira! Viva nossos pracinhas!

Segue um filme imperdível sobre o batismo de fogo do 11RI, que sofreu seu batismo de fogo em dezembro de 1944. Vale muito a pena!

Casa de Rui Barbosa e a inexistência do acaso

Uma vez que as quintas-feiras são dedicadas às minhas aventuras pelo mundo, interromperei a jornada pela Mãe Rússia para contar sobre duas situações inusitadas que me aconteceram há algumas semanas… O lugar: São Sebastião do Rio de Janeiro (acho que era esse o nome antigo da cidade)! 

Estava eu em viagem à capital fluminense para um compromisso de trabalho. Como o evento ocorreria muito cedo, tive que ir no dia anterior. Cheguei a meu hotel ainda por volta das 16:00 e resolvi proceder ao reconhecimento do ambiente operacional nos arredores. Nesse processo, descobri que a Fundação Casa de Rui Barbosa estava a cerca de 700 metros de onde eu me hospedara.

Ora, o que é que um sujeito como eu, hospedado numa excelente localização em Botafogo, vai fazer com seu tempo livre no Rio de Janeiro? Óbvio: conhecer a Casa de Rui Barbosa! 

Preliminarmente, registro que, em minha defesa, não tenho qualquer simpatia pelo senhor Rui Barbosa. Não obstante, por se tratar de um importante ponto turístico do Rio (vai me dizer que você não sabia disso!), decidi conhecer a residência daquele senhor arrogante, que traiu Sua Majestade instigando o golpe republicano, conduta da qual depois se arrependeu (mas aí Inês já estava morta). E lá fui! 

A  Casa de Rui Barbosa é um palacete de meados do a século XIX, erguido em Botafogo, e serviu de morada ao jurista e político republicano entre 1895 e 1923 (quando de sua morte). O excelente estado de conservação, a bela arquitetura neoclássica, a pluralidade de cômodos (bem-divididos e com os móveis e decoração dos tempos de seus famosos moradores) e, principalmente, a biblioteca de 37 mil volumes (bem-cuidada e disposta exatamente como o deixara o metódico baiano em 1923), tudo isso faz da Casa de Rui Barbosa um destino turístico imperdível. Acrescente-se aí os jardins e a “garagem”, na qual se encontram os carros e carruagens usados por Rui. 

Fiquei fascinado pelo lugar. Mais surpreendentes ainda foram as duas situações que vivenciei nesse passeio. Vamos a elas!

Chego ao palacete (vivia bem o Dr. Rui!) e me dirijo à recepção do museu. Lá, uma simpática mocinha me pede para preencher uma pequena tabela com meus dados. Informa então que a entrada é gratuita, mas que eu teria que esperar uns quinze minutinhos, pois a visita é acompanhada de um vigilante. “Tudo bem”, disse eu, e fui fazer hora passeando pelos jardins (excelente programa), onde casais de namorados se encontravam, e crianças pequenas brincavam sob a supervisão de mães, avós e babás – um bucólico oásis de tranquilidade no agitado Rio de Janeiro! 

Na hora da visita, comigo estavam mais três senhoras, todas de fora da Cidade Maravilhosa, com as quais formei o heterogêneo grupo que iria conhecer o museu. E aí veio a grata surpresa! Luciano, o vigilante designado para nos acompanhar, não nos acompanhou! De fato, Luciano nos guiou pela casa-museu, em uma jornada regada de excelentes histórias sobre o lugar e seus moradores do passado. O nosso guia-vigilante sabe muito sobre o local onde trabalha, conta boas anedotas de cada cômodo e fala de Rui Barbosa e família como se fossem conhecidos seus de longa data! – e são mesmo! Luciano também conhecia particularidades da História do Brasil que deixariam meus amigos do Instituto Histórico e Geográfico orgulhosos! Assim, aprendi muito com aquela moço que honrou com louvor a camisa da Casa. Essa foi a primeira surpresa. 

A segunda ocorreu na saída, quando o grupo já se dispersava. A primeira senhora se despediu e foi embora. Quanto às duas outras, antes que partissem, minha curiosidade linguística me impeliu a perguntar de onde eram (sim, gosto de sotaques e de me desafiar a identificar de onde são as pessoas pela forma como elas falam!):

“Por acaso vocês são do Maranhão?”, perguntei finalmente. E elas, com ar surpreso: “Sim! Como descobriu?”. Minha resposta, com sorriso maroto, “pelo sotaque! Vocês são de onde lá?” (Sou curioso). “Somos de São Luís! E você?”, já atentas à conversa. “Sou de Brasília, mas mamãe é de Caxias.”

Os olhos de ambas se arregalaram. Explicaram que nasceram em São Luís, mas a família era de…Caxias! Cresceram na cidade. Falei então da minha família lá. Logo descobrimos que uma delas tinha sido aluna de uma prima minha, e colega de outra! Ou seja, na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, encontrei pessoas que tinham vínculos com a família de minha mãe! Note-se que a população de Caxias é de 118.000 habitantes! Parecíamos velhos amigos a falar de Caxias, de amigos em comum, e de perceções afins. Trocamos contatos.

E foi assim que, na Casa de Rui Barbosa, conheci um grande guia turístico e encontrei novas velhas amigas! Existe acaso? Claro que não! 

Depois fui fazer uma incursão à Livraria da Travessa, onde comprei um livro e tomei um chocolate quente, seguindo para jantar no Matsuda, um restaurante japonês tradicional e típico, onde a comida é excelente e preparada pelo Inácio, um mineiro que sabe tudo da culinária nipônica! No Rio, gosto de jantar no Matsuda! 

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Artilharia e Cultura (Operação Outubro Vermelho)

Ainda sem os demais integrantes do grupo, Adriana, Gustavo e eu seguimos a explorar a bela São Petersburgo. Aquele seria um dia cheio e muito andaríamos, daí a importância de começar nossa jornada com um lauto café da manhã – obrigado, Pai, pelo excelente desjejum no restaurante do hotel!

Já de posse de nossos bilhetes de metrô, fomos explorar a cidade de Pedro. A circulação é simples, e se torna mais fácil quando se tem um smartphone com internet. E seguimos a apreciar os monumentos e belos edifícios da antiga capital, e a andar pelas ruas que contavam muitas histórias, enquanto ríamos, tirávamos belas fotos e imaginávamos quanta gente interessante não teria feito aqueles caminhos pelos quais passávamos!

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São Petersburgo, repito, tem inúmeras atrações, de suntuosos monumentos a grandes museus, representando diferentes épocas da história da Rússia, seja o tempo dos czares, sejam os nefastos anos do comunismo. Naturalmente, como não somos turistas comuns, elegemos um museu que é imperdível para quem se interessa por assuntos militares e pela história das guerras: o Museu Militar e Histórico de Artilharia, Engenharia Militar e Tropas de Comunicação – Военно-исторический музей артиллерии, инженерных войск и войск связи (esse é o nome completo do lugar) ou, simplesmente, Museu da Artilharia de São Petersburgo!

Fundado por Pedro I, o Grande, em 1703 já como um Arsenal (depósito de armas), o museu se localiza em uma antiga fundição, no centro histórico da cidade (no número 7, em Aleksandrovsky Park), separado da Fortaleza de São Pedro e São Paulo por um canal. As estações de metrô mais próximas são as de Gorkovskaya e Sportivnaya. Desça em qualquer delas e aproveite uns dez minutos de caminhada!

Quando o visitante chega ao museu, já se depara, logo de cara, com o jardim, no qual estão dezenas de blindados, lançadores de mísseis, canhões de distintos calibres e uma diversidade de veículos militares. Isso é só o prenúncio dos 850.000 objetos que estão ali expostos, em diversas coleções, nas 13 salas que abrangem uma área de 17 mil metros quadrados. Gustavo logo fez amizade com um soldado russo e lá fomos nós tirar foto numa peça (ou canhão, para os leigos) – a propósito, meu amigo paulista tem uma grande capacidade de socialização, o que nos ajudava muito com os locais!

Entre as exposições, você encontrará armas de fogo e brancas, petrechos, munição, os mais distintos equipamentos militares e de engenharia de diversas épocas, material de comunicações, bandeiras, uniformes, pinturas e mapas, condecorações e peças que contam a história da artilharia entre os séculos XIV e XXI (inclusive com uma sala dedicada aos arsenais soviéticos e à Guerra Fria). Quando lá estivemos, havia uma exposição especial sobre os eventos de outro de 1917, com muitas fotos de época – e foi possível perceber como estava frio por ocasião do golpe bolchevique e das semanas que se seguiram ao fim do Governo Provisório (nem de longe uma temperatura tão agradável quanto a que vivenciamos cem anos depois).

Prepare-se para passar algumas horas ali dentro, imerso naquele parque de diversões dos apreciadores da engenhosidade militar e do talento humano para forjar armas! Dos canhões de Pedro I aos troféus conquistados de turcos, franceses e alemães ao longo de mais de 200 anos, passando pelos lançadores de foguete Katiusha, usados durante a II Guerra Mundial (os famosos órgãos de Stálin), tenho certeza de que você esquecerá do tempo no Museu da Artilharia. Há ainda uma exposição muito bacana sobre um certo Mikhail Kalashnikov, criador do fuzil mais famoso da história, o AK-47. E, antes de ir embora, lembre-se de dar um pulo na “lojinha” (não vai se arrepender)!

Passamos os três momentos agradabilíssimos no Museu da Artilharia, lugar imperdível da Capital do Norte. Terminamos o dia voltando a pé para o hotel, pelo centro histórico, aproveitando uma noite bonita e a temperatura de 3º (três graus) por sobre as pontes que cruzam os canais daquela cidade fascinante, fruto do sonho de um homem que quis levar a Rússia ao Ocidente! 

Em tempo: quanto é a entrada para o Museu? A inteira era de 400 rublos (uns 25 reais no câmbio de agosto de 2019). Vale muito a pena!

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O início da Guerra, pela ótica dos soldados alemães

Ainda por ocasião dos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial, publico aqui um vídeo que achei bem interessante. Trata da Campanha da Polônia, sob a ótica de soldados alemães. Não darei maiores informações acerca do vídeo (não gosto de “spoilers”), mas registro que, para o jovem soldado que cruzava a fronteira para combater pela Pátria (Vaterland), numa vitoriosa campanha de guerra relâmpago nunca antes vista, a sensação deveria ser extraordinária!

Imagine-se como parte de uma força de combate sem precedentes, atravessando a fronteira “inimiga” e “tratorando” tudo que estivesse à frente, em sucessivas vitórias! Com milhares de Panzers na vanguarda, Stukas com suas sirenes pelo ar, e uma tropa orgulhosa de que estava fazendo História, você seria parte de um dos grandes feitos militares do século! A Blitzkrieg de Guderian estava em ação!

Por favor, não me venha com comentários politicamente corretos, do tipo “Ain! Ele chama guerra de extraordinária!”. Vejo a guerra como algo inerente à natureza humana e, naquela época, ir à guerra era um ato nobre, sentimento do dever, e que envolvia a noção de masculinidade.

Recordo-me de um cartaz inglês da Grande Guerra (1914-1918), em que um garotinho está a brincar no chão da sala, enquanto seu pai senta-se em uma poltrona a ler o jornal. Então o pequeno pergunta, “Papai, onde você estava durante a guerra?”, e fica evidente o constrangimento do homem, que não estivera nos campos de batalha…

Sim! Homens fazem a guerra – e muitos gostam disso!

Talvez muito da debilidade de nossa sociedade pós-moderna se deva ao fato de termos perdido nossa capacidade de ir à guerra. Sabe aquela história de “tempos difíceis fazem homens fortes”? Pois é…

Se não gostou de minhas palavras aqui, paciência. Meus 16 leitores me entenderão…