18. Quando o Brasil foi Grande (15/11/2014)

O Império do Brasil é a associação Política de todos os Cidadãos Brasileiros. Eles formam uma Nação livre, e independente, que não admite com qualquer outra laço algum de união, ou federação, que se oponha à sua Independência.
Constituição do Império do Brasil, art. 1º.

 

GrifoNeste 15 de novembro, data que considero o dia da infâmia, e faltando 23 dias para meu aniversário, gostaria de compartilhar com os amigos algumas de minhas razões de ser monarquista convicto.

Preliminarmente, convém registrar que não estou aqui a fazer proselitismo. Não quero convencer ninguém de que o regime monárquico é a melhor opção (apesar da profunda convicção de que o seja). Só o que desejo é expor minhas razões. Sou monarquista desde que me entendo por gente, e poderei dizer a meus netos que meu primeiro voto foi no parlamentarismo monárquico, por ocasião do plebiscito de 1993. Àquela época votei com convicção e segurança – foi o voto mais valioso e valorizado que já coloquei na urna.

Outra coisa: espero que este texto ajude ao menos a remover alguns preconceitos para com a alternativa monárquica. É irritante as pessoas acharem que somos monarquistas por excentricidade ou anacronismo. Incomoda a crítica a esse modelo quando é feita sem nenhum conhecimento do assunto, sob o único argumento (imbecil, desculpem a honestidade) de que “monarquia é coisa do passado” ou de que “o modelo republicano é mais democrático”. Para esses, já respondo que a maior parte da população de países como o Reino Unido, Japão, Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, Dinamarca (que, junto com Canadá, Austrália e Nova Zelândia constituem democracias modernas e desenvolvidas sob um regime monárquico) não pensa assim. Antes de criticarem a monarquia, as pessoas deveriam se informar mais…

Moeda ImperioMuito bem! Perguntam a razão de eu ser monarquista. Repito, não tenho qualquer interesse personalista na causa monárquica. Só vim a conhecer alguém da Casa Imperial do Brasil este ano de 2014, quando me concedeu a Providência grata oportunidade de encontrar Dom Bertrand de Orléans e Bragança, Príncipe Imperial do Brasil, com quem tive uma excelente conversa! Não estou formalmente vinculado a qualquer organização monarquista (o que não significa que não o farei oportunamente). Sou monarquista, primeiro, porque creio que uma boa democracia se desenvolve em regimes parlamentaristas e que, no Parlamentarismo, entendo que o melhor modelo é o monárquico, não o republicano. Repúblicas parlamentaristas são imperfeitas e o Presidente nunca consegue representar a totalidade da nação como o Chefe de Estado deve fazer (vide o recente caso alemão, quando o Presidente teve que renunciar acusado de corrupção).

Ademais, parece-me que o único lugar onde o Presidencialismo realmente deu certo foi nos EUA, onde eles criaram o modelo, e no qual a instituição “presidência” é sagrada. Por aqui pela América Latina, o que se viu foram republiquetas instáveis, com caudilhos lutando pelo poder, golpes de Estado e instabilidade político-institucional marcada por aspirantes vorazes a ditador ou megalômanos que chegavam ao palácio presidencial sem estar realmente preparados para ocupar a posição de primeiro mandatário.

Outra razão pela qual sou monarquista é que acho que à época do Império tínhamos instituições mais sólidas e valores mais consistentes. A figura do monarca ajuda nisso – por mais que pessoalmente ele possa ser cheio de imperfeições (caso contrário, não seria humano), como figura pública é um símbolo nacional, com valores que devem ser exaltados, servindo de exemplo à população. O povo precisa de heróis, o povo precisa de referenciais, e um soberano é muito útil para compor positivamente esse imaginário. Ademais, aquela foi uma época em que o Brasil, com todos os seus problemas de desenvolvimento e atraso social, tinha uma Economia estável, um regime com liberdade de imprensa, grandes estadistas na vida pública, e era respeitado no concerto das nações, isso muito se devendo aos soberanos que aqui reinaram. Foi uma época, realmente, em que o Brasil era grande!

Antes que venham os comentários pacóvios: monarquias são menos suscetíveis à corrupção que repúblicas, a começar pelo próprio Chefe de Estado. Um monarca não precisa roubar do erário. Afinal, se o fizesse, estaria tirando do próprio bolso e não faria o menor sentido degradar um patrimônio que ele iria deixar para seus filhos. E se roubasse, qual seria o sentido? Onde, quando e como gastaria o butim? Presidentes, por outro lado, têm que fazer seu pé de meia, para quando deixarem o poder…

A monarquia, ao contrário do pensam alguns, é muito mais barata que uma República. Saibam que a Presidência de um país como o Brasil gasta muito mais que qualquer Casa Real. E, ainda que as despesas fossem mais altas para manter uma família real (melhor manter uma família permanentemente que várias famílias de presidentes por sucessivos anos), alguém já pensou no custo do presidencialismo em termos de gastos com campanhas eleitorais periódicas? Quanto dinheiro público não é gasto a cada quatro anos somente com as eleições presidenciais?

Não quero, repito, convencer ninguém para minha causa. Escrevi este texto porque quero compartilhar com meus amigos, nestas Crônicas dos meus 40 anos, essa característica político-ideológica que para muitos me é tão marcante. Se você não gostar do que escrevi, paciência, não perca seu tempo tentando desconstruir meu discurso. Escrevo para aqueles que, ao menos, tenham um mínimo de discernimento e sensatez para considerar opiniões divergentes das suas, e que não sejam obtusos a ponto de simplesmente se fechar a qualquer argumento que não tenham facilidade de compreender ou que pensem ser contrário a sua maneira de ver o mundo.

Monarquia é sinônimo de estabilidade. Refiro-me a monarquias constitucionais, que fique bem claro. É instituição moderna (ao contrário do que muitos pensam) e tem aspectos muito positivos.

Este quase quarentão (eita, está chegando) pode afirmar com toda convicção que prefere ser súdito do Império do Brasil a cidadão desta (ou de qualquer outra) república… Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

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16. Mães (13/11/2014)

MÃE…
São três letras apenas,
As desse nome bendito:
Três letrinhas, nada mais…
E nelas cabe o infinito
E palavra tão pequena
Confessam mesmo os ateus
És do tamanho do céu
E apenas menor do que Deus!

Mário Quintana

Há pessoas no mundo que nascem órfãs. Outras têm o privilégio de ter mais de uma mãe. Eu, felizmente, estou no segundo grupo. A 25 dias de comemorar minhas quatro décadas neste mundo, gostaria de apresentar a pessoa que me criou, que cuidou de mim enquanto minha mãe trabalha o dia inteiro e estudava à noite: a Rosa.

Roseni Alves da Silva é seu nome, mas todos a conhecem como Rosa. Maranhense, veio ainda mocinha para ajudar mamãe aqui em Brasília, em especial na criação de seu pequeno rebento (eu!). E fez um ótimo trabalho!

Incorporada rapidamente à família, Rosa cuidava de mim como de um filho. Conhecia os remédios e os telefones dos médicos (e me levava ao consultório, se necessário), fazia minha comida (cozinheira de mão cheia!), e me tratava com todo carinho e atenção!

Rosa era como uma segunda mãe para mim. Quantas vezes não comemorei meu aniversário com um bolinho caseiro, desses de caixa, feito por ela (com uns palitos de fósforo que serviam de vela)!?!? Quantas vezes, quando me machucava, era ela que me pegava nos braços, acalmava-me e passava remédio nos meus ferimentos? Quantas vezes ela não me levou para passear?

Rosa chegou menina lá em casa, cresceu, apaixonou-se, casou. Não foi feliz no casamento, mas teve quatro filhos, dos quais o único menino, o segundo filho, Eduardo, seria criado junto conosco, sendo afilhado de meus pais. Apesar de um período complicado na adolescência, Eduardo amadureceu, endireitou-se, entrou para a faculdade, formou-se, já concluiu Mestrado em Educação e hoje é professor. Por certo é motivo muito orgulho a sua mãe!

Devo muito a Rosa. E agradeço a ela publicamente no dia de hoje. Fica minha homenagem a todas aquelas pessoas que cuidam de nossa casa e de nossos filhos como se fossem delas! Vocês são tremendamente importantes!

Taí uma foto antiga, na qual eu, jovem de tudo, estou entre Dona Conceição e a Rosa. Só para registro: minha mãe preta não mudou nada todos esses anos!

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A história dos vencidos

Como ontem foi a celebração dos 101 do Armistício de 1918, e hoje é nosso dia do livro aqui em Frumentarius, indico uma obra excelente que li faz pouco: The Vanquished, de Robert Gerwarth (New York: FSG Books, 2016). Muito bem escrito e com uma profusão de histórias, o livro narra como ficou a Europa (e sua gente) no imediato pós-guerra. A pergunta central do autor é: “Que razões fizeram com que a I Guerra Mundial continuasse mesmo após seu término oficial?”

Pouca gente se dá conta disso, mas as guerras continuam mesmo depois do fim oficial das hostilidades. No que concerne à Grande Guerra, mais alguns milhões de seres humanos morreram ou tiveram sua vida destruída após o 11/11/1918. Vale lembrar que a Guerra continuou na Europa Oriental e no Oriente Próximo, com conflitos localizados e guerras civis, das quais a principal referência foi a Guerra Civil Russa. O massacre continuou, portanto, pela década de 1920 adentro. 

Tenho-me interessado pela história do imediato pós-guerra, seja no final da Grande Guerra, seja no período que imediatamente se seguiu ao 8 de maio de 1945. Recomendo muito o livro. 

Vanquished

Convite – Posse na Academia de Letras

É com imensa satisfação que convido meus leitores e amigos para nossa posse na Cadeira de nº 30, que tem por Patrono José Bonifácio, da Academia de Letras do Brasil/Distrito Federal (ALB-DF). 

O evento será nesta terça, dia 12 de novembro de 2019, às 18:00, no Parlamundi da LBV (SGAS Quadra 915 Lote 75/76, Auditório Tom Jobim, Brasília-DF). Será uma honra encontrar os amigos!

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Nunca serão esquecidos!

A noite de 11/11 já chegou, mas ainda há tempo de registrar aqui a importância desta data. Afinal, foi às 11:00 do dia 11 de novembro (11/11) de 1918 que entrou em vigor o armistício que pôs termo à I Guerra Mundial. Após quatro anos de conflito, a Grande Guerra já havia ceifado mais de 10 milhões de vidas, com toda uma geração sacrificada nas trincheiras da Europa, nas florestas da África, nos mares do globo.

Como já o sabem meus leitores, meu interesse pelo fenômeno da guerra é significativo, remontando a mais tenra infância. E, dentre todos os grandes conflitos humanos, a I Guerra Mundial é, indiscutivelmente, um dos mais marcantes, seja pelo romantismo que a caracterizou, pelos efeitos que causou (que nos influenciam até nossos dias), seja pela memória daqueles que lutaram e morreram no maior conflito que até então a humanidade conhecera.

Não tenho qualquer expectativa de fazer entender meus sentimentos com relação àquele conflito tão distante no tempo e no espaço. Afinal, são meus sentimentos, moldados não sei onde nem de que maneira. O que posso dizer é que hoje minhas preces serão para aquela geração que viveu a Grande Guerra. Meu respeito é por aqueles jovens que saíram de suas casas para combater pela pátria, mesmo sem saber direito contra quem e por quais razões matar ou morrer. Minha deferência para com tudo que significou aquele conflito, o qual para sempre mudou a História da humanidade.

E aquela gente sempre será lembrada! E seus feitos e suas histórias ainda ecoarão por muitas gerações! Que essa memória permaneça viva em nossas mentes e em nossos corações!

Remembrance-Sunday

Para quem tiver interesse em mais posts sobre a Grande Guerra ou sobre o Armistício de 11/11/1918, é só procurar aqui nas categorias Guerra e I Guerra Mundial. Pode procurar, ainda, digitando palavras como “Armistício”, “Flandres” e “Grande Guerra”.

9. Rir é o melhor remédio! (06/11/2014)

As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu, porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!

Antoine de Saint-Exupéry

 

20141101_194349-1.jpgSempre fui uma criança sorridente (dizem). Lembrem que sou o filho da senhora que teve o bebê sorrindo (vide capítulo anterior)!!!

Existem duas maneiras de se encarar a vida. A primeira delas é reclamando de tudo, rosto emburrado, apiedando-se de si e lidando com as crises e problemas quotidianos como se fossem uma batalha constante pela sobrevivência. E a segunda, a que adoto, é encarando as adversidades como uma oportunidade de crescimento e aprendizado, respirando fundo diante dos obstáculos no caminho… e sorrindo!

Rir faz bem! Melhora o corpo e o espírito! Ninguém paga nada por sorrir. E um sorriso pode abrir portas… ou ao menos facilitar a abertura delas!

Coisa interessante sobre o sorriso é que ele é contagiante. Experimente chegar em um lugar, como o trabalho, sorrindo. Não tenha medo de parecer bobo. Você vai perceber que pode transformar as pessoas com um sorriso! E, se não adiantar com o outro, se não receber um sorriso em troca, saiba que o problema é… do outro! Tenha certeza que ao menos você próprio está melhor! E siga a vida sorrindo!

Faltando 32 dias para meu aniversário, já começo a distribuir sorrisos de presente. E, assim como o abraço e a alegria, quanto mais você distribui mais você tem! Um bom e sorridente dia a todos!

Sorrindo

7. Esportes? Desculpe, não é aqui não… (04/11/2014)

Les sports ont fait fleurir toutes les qualités qui servent a la guerre : insouciance, belle-humeur, accoutumance à l’imprévu, notion exacte de l’effort à faire sans dépenser des forces inutiles.
Pierre de Coubertin

Nunca fui muito afeito a esportes… de fato, não tenho o menor jeito para atividades desportivas, tampouco para exercícios físicos de repetição, e muito menos paciência para academias com gente cultuando o corpo ao passo que o cérebro desfalece à míngua (há exceções, claro!)… Esportes coletivos, nem pensar! Afinal, se já tenho dificuldade de me coordenar os movimentos sozinho, ainda mais com uma equipe correndo atrás de uma bola ou dando pancada nela!

Definitivamente, estou fora de esportes coletivos. Futebol nunca me atraiu: corro em linhas e ângulos retos. Aí você diria “fique no gol, então!”, ao que logo respondo que meu instinto de autopreservação me impede de permanecer estanque sob uma pequena trave como alvo de boladas… Não, de jeito nenhum…

E, por falar em instinto de autopreservação, foi ele que evitou que eu praticasse esportes como futebol, vôlei, basquete, ou qualquer outro que pudesse culminar em escoriações ou ossos quebrados (nunca coloquei um gesso na vida!). Violento demais para mim esse tipo de atividade. Por isso, sempre preferi esgrima e tiro…

Artes marciais? Nem pensar! Mas aí é por causa de um trauma de infância. Quando tinha uns cinco ou seis anos, meus pais me colocaram na aula de judô. “Ótimo!”, dirá você, “excelente idade para começar!”. O problema é que me colocaram no final do ano na academia de judô e numa turma de garotos maiores/mais velhos. Chego e vejo a molecada praticando aulas de rolamento que haviam sido treinadas durante o ano inteiro, golpes com nomes que para mim eram japonês, e a turma com sangue na boca se preparando para o exame de faixa! E eu, o menor, mais novo, e sem nenhuma experiência em defesa pessoal… Prevaleceram a razão e, novamente, meu instinto de autopreservação: fiquei umas duas semanas só e nunca mais voltei… A experiência foi tão marcante que decidi que, diante da seleção natural, não seria por meio da força física que conseguiria vencer! Fui malhar o cérebro.

Conheço muita gente que tem uma disposição inacreditável! A pessoa acorda às cinco da manhã, toma uma vitamina e vai toda sorridente para a academia “malhar para começar bem o dia!” Aí, depois de uma hora “pegando ferro”, está continua toda disposição para a lida. Isso para mim é absolutamente inconcebível! Pertenço à parcela da humanidade conhecida como “notívagos”, durmo geralmente às 2h da madrugada (feliz da vida!), e tenho grandes dificuldades de acordar cedo. De fato, acho que esse negócio de acordar de madrugada para malhar não é de D’us não. Esse pessoal só pode ter pacto com o Capiroto!

Esporte é tão importante para mim que tenho que confessar que não me lembro de ter aberto alguma vez o caderno de esportes em um jornal… Tampouco fiquei mais que alguns segundos diante de um desses canais de esporte da TV a cabo… Houve, somente, duas exceções ao referido comportamento: na última Copa, quando acompanhava o futebol da seleção canarinho (a dos 7×1) com meu filho João (por causa dele, naturalmente), e comentava os jogos nas redes sociais; e ano passado, quando, na Europa, assisti algumas vezes ao mundial de esgrima – esse sim um esporte que aprecio!

O menino e a bolaTá bom! Não sou “completamente avesso” a práticas desportivas. Gosto de caminhar (correr não) e de nadar (preciso voltar a fazer isso). Também já pratiquei tiro (ué, é esporte sim!) e, o esporte que realmente aprecio, esgrima (dedicarei a ela uma das crônicas de meus 40 anos)! Esgrima me fascina e já ensaio há algum tempo voltar à pista. Quem sabe depois dos 40!

Neste 34º dia que antecede as comemorações das minhas 

quarenta primaveras, resolvi partilhar com meus amigos o apreço que tenho por esportes (nada contra os esportes em si, o problema é comigo, estou ciente!) e postar aqui um retrato do início de minha vida quando, já dando meus primeiros passos, demonstrava completa habilidade para atividades físicas e familiaridade com a bola…

5. A Importância e o Significado do Nome (02/11/2014)

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
João 1:01

Não existe nada mais indicador da individualidade do ser humano que seu nome. Graças ao nome, a pessoa deixa de ser um “não ser” e passa à condição de “alguém” (ok, estou filosofando, e nunca fui bom nisso). Nosso nome não define só quem nós somos, mas como somos percebidos e nos fazemos perceber em uma comunidade.

O nome também é revelador, muitas vezes, de ideias defendidas pelos pais, de pessoas por eles admiradas ou mesmo de momentos ou lugares importantes para os genitores. Napoleão, César, Pedro, Apolinário, Cícero, Alexandre, Victoria, Catarina, Maria de Jesus, Brasília… O problema é quando a criança acaba sendo vítima do devaneio dos pais… Quem nunca procurou na internet uma relação de nomes esquisitos? (Se você nunca fez isso, tenho certeza de que está fazendo agora! – Peraí! Termine de ler meu texto!).

Nomes estranhos pululam nos cartórios, registros do INSS e cadastros bancários aqui em Pindorama. Lembro, por exemplo, do ex-Diretor-Geral da Polícia Civil de Goiás, já falecido, o Dr. Hitler Mussolini (sim, existiu, e, mesmo sem conhecê-lo, tenho certeza de que não deveria ser muito agradável vê-lo com raiva). Mas há, também, o Amado Amoroso, o Antônio Manso Pacífico de Oliveira Sossegado, o Arquiteclínio Petrocoquínio de Andrade, o Brasil Washington C. A. Júnior, o Chevrolet da Silva Ford, o Disney Chaplin Milhomem de Souza, a Izabel Rainha de Portugal, a Magnésia Bisurada do Patrocínio, a Maria Felicidade, o Último Vaqueiro, e, naturalmente, a Madeinusa (que certamente não foi feita nos Estados Unidos), o Bráulio Pinto Grande, e a senhora Ava Gina (em homenagem a Ava Gardner e Gina Lolobrigida) – todos nomes reais. Os pais têm a ideia que parece brilhante e sobra à pobre criatura carregar pelo resto da vida a escolha inglória.

Não conheço povo mais criativo para botar nome em filho que o brasileiro. Escolha usual costuma ser o de alguma personalidade estrangeira (claro que, muitas vezes, transcrito para nosso vernáculo com primor que deixaria os imortais da Academia Brasileira de Letras abismados): Maicon Jakisson, Uóshiton Rusevelte e Valdisney (em homenagem ao astro pop, aos presidentes dos EUA, e ao criador do Mickey, respectivamente)… Entre os casos que podem ser encontrados nos cadastros diversos deste Brasil estão: Anjo Gabriel Rodrigues Santos, Charles Chaplin Ribeiro, Elvis Presley da Silva, Hericlapiton (sim, isso que você leu) da Silva, Ludwig van Beethoven Silva, Marili Monrói (esse é horrível), Marlon Brando Benedito da Silva, Sherlock Holmes da Silva, Bill Clinton de Souza… Estou absolutamente seguro de que o funcionário do cartório era um gaiato…

Lá no meu Nordeste, é comum também se juntar o nome do pai com o da mãe, com consequências, geralmente, fatais: Valdirene, Marivaldo, Marcélio, Vanderly, Josecleide, Ivanildes, Marivan, Marinelson… todo mundo conhece um desses… E essa é sempre uma pergunta que me é feita sobre o nome que carrego! Primeira informação mais que relevante: Joanisval não é junção de nome do meu pai com o da minha mãe!!!

Há, ainda, os que foram na onda dos movimentos “nova era” e botaram nomes esotéricos (sei…) nos rebentos. Veio-me à mente a prole de Pepeu Gomes e Baby Consuelo (ou Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade, que mudou seu nome artístico para Baby do Brasil): Riroca (que viria a trocar seu nome para Sarah Sheeva – ajudou muito! Mas temos de convir que Riroca sofreu muito no colégio), Zabelê, Nana Shara, Pedro Baby, Krishna Baby, e Kriptus Baby. Preciso dizer mais alguma coisa?

Com os avanços da medicina, hoje já se sabe muito cedo o sexo do bebê. Isso é bom, pois dá tempo aos pais para meditar e fazer uma escolha refletida e razoável (nem sempre). Há, porém, os tradicionalistas, que preferem esperar a criança nascer para olhar para ela e lhe dar o nome. O problema é quando demoram a escolher. Tenho um amigo muito querido que passou nove dias para decidir que nome daria a seu terceiro filho… nove dias depois que o menino nasceu! E a questão só foi resolvida quando a esposa dele decidiu ir ao tabelião e, unilateralmente, registrar o menino. Quando fiquei sabendo da história, não consegui deixar de pensar no romance magistral de Graciliano Ramos, “Vidas Secas”, no qual só tinham nome o personagem principal da obra (Fabiano), e sua cachorra (Baleia). No sentido contrário, há aqueles que querem escolher logo o nome do pequeno(a), antes mesmo de saber o sexo! (“Ah, esse negócio de sexo ele resolve quando crescer!” – dizia um amigo comediante). Como fazer? Os portugueses têm uma boa solução para o problema: “Dá-lhe o nome de João Maria, ou Maria João! Resolvido, ora pois!” Claro que, no Brasil, se não souber o sexo da criança, pode-se recorrer a um nome neutro, indígena geralmente: Guaraci, Iraci, Jaci, Juraci… todos nomes que nos levam ao desespero ao fazer uma primeira ligação telefônica para essas pessoas!

Muito bem! Poderia passar horas divagando sobre o tema. Tenham certeza de que já fiz isso – e sem qualquer ajuda de terapia! Mas vou poupá-los desse sofrimento. Vamos, então, à explicação para meu nome! Reitero que não se trata de junção dos nomes de meus pais.

Antes, porém, breve explicação sobre os motivos alegados por Seu Jacob (sim, porque Dona Conceição não teve culpa alguma, estava de resguardo em casa) para escolher chamar o filho de Joanisval (e quando termino de escrever, aparece a marquinha vermelha embaixo de meu nome – obrigado, Dicionário do Word)! Papai alega que, simplesmente, queria evitar “problema com homônimos” para o filho! Muito bem, pai! Evitou sim! Mas, em compensação, criou um trauma na criança ainda não resolvido: ninguém fala (tampouco escreve!) meu nome corretamente! Jonisval, Jonisvaldo, Joanisvaldo, Josivaldo (por que as pessoas insistem em acrescentar um “do” ao final de meu nome!?!?!?), Jonesval, Joanesval, ou, como diz a Dona Rosa que trabalha aqui comigo há alguns anos, “Seu Lourisval” – sim, em casa sou o “Seu Lourisval”… De toda maneira, justiça seja feita, problema com homônimos nunca tive…

Então, vocês devem estar se perguntando, de onde veio esse nome? Qual o seu significado? Respondo agora: quando indagado por pessoas com quem não tenho grande intimidade, digo que meu nome vem do sânscrito antigo e significa “aquele que foi iluminado pelos gloriosos raios do Sol ao nascer”… se fizer cara de sério, geralmente cola…

Mas vamos à verdade (que rufem os tambores!), muito mais simples (como toda verdade) do que os mais imaginativos poderiam conceber! Meu pai, em sua sábia simplicidade sertaneja, vê os filhos como seres que são “derivados” seus! Sim, sou uma derivação de meu pai (o que não deixa de ter lógica). Daí, como seu primeiro nome é João, resolveu “derivar” de João o Joanisval!!!! Não disse que era simples!?! Cai o véu deste mistério! (Claro que esta é a explicação exotérica… sobre a esotérica não tratarei aqui).

Nunca vi seu João Jacob com um copo de cerveja na mão. Nunca o vi nem perto de um estado mais etílico. Entretanto, tenho muita convicção de que meu pai resolveu tomar umazinha para celebrar o meu nascimento… e aí me registrou com esse nome! Brincadeira. Hoje vejo que meu nome é como uma marca, e graças a ele sou facilmente identificável e conhecido. Obrigado por isso, papai! Mesmo!

E, para provar que não tenho ressentimentos, e que, apesar do nome, era um bebê bonitinho, publico uma de minhas primeiras fotos, sorridente como sempre, e outra no colo de Seu Jacob, o autor da façanha de me dar este nome! E faço tudo isso no 36º dia que antecede meu aniversário de 40 anos!

Nome

Um passeio por Caxias (MA) e a contribuição caxiense à vitória da União na Guerra de Secessão

Em decorrência das primeiras Crônicas dos meus 40 anos, alguns dos meus 16 (dezesseis) leitores ficaram curiosos com relação à cidade de mamãe, a bela Caxias, no Maranhão. 

Uma observação inicial é que foi Caxias do Maranhão a primeira cidade a ostentar esse nome! Assim, quando você vir Duque de Caxias ou Caxias do Sul, saiba que essas cidades foram assim denominadas após Caxias do Maranhão. Diga-se de passagem, Luís Alves de Lima e Silva recebeu os títulos de Marquês, e depois de Duque de Caxias devido a sua atuação na cidade de mamãe por ocasião da Balaiada, um dos conflitos do período da Regência, na primeira metade do século XIX.

A quase bicentenária “Princesa do Sertão” é uma cidade que apaixona pelas suas singularidades e pelo povo hospitaleiro. Para mim, as lembranças da infância me ligam eternamente a Caxias, para onde ia nas férias.

Para apresentar Caxias, segue um vídeo curtinho, produzido em 2017 para comemorar os 194 anos da terra do poeta Gonçalves Dias:

Este aqui, bem amador (mas bacana!), é um passeio por Caxias (MA) com uma coletânea de fotografias:

Por último, um vídeo com curiosidades a respeito dos bairros e ruas de Caxias:

Meu abraço a todos os caxienses!

Em tempo: quando fiz iniciação científica em História Econômica (sim, sempre minha paixão pela História!), ainda no começo da primeira graduação, deparei-me com interessantes informações sobre a exportação de algodão de Caxias para os Estados Unidos, mais especificamente para os Estados da União, durante a guerra civil naquele país. Assim, Caxias teve sua contribuição também para a vitória da União sobre os Confederados!

3. Mamãe e a herança maranhense (31/10/2014)

Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães.
Ditado Judaico

Hoje, faltando 38 dias para minha celebração natalícia, contarei um pouco da história da mulher que me botou no mundo: Dona Conceição. Aqueles que conhecem mamãe logo identificam que herdei dela o bom humor, a maneira tranquila de encarar os problemas e, no campo profissional, a paixão pela docência. Sim! Mamãe sempre foi meu exemplo de professor.

Dona Conceição nasceu na cidade de Caxias do Maranhão, lugar que deu o título ao Duque, e terra do grande poeta Gonçalves Dias (o da terra com palmeiras onde canta o sabiá)! É a sétima de uma família de oito filhos (seis homens e duas mulheres), tendo durante muito tempo mantido a hegemonia de caçula até a chegada de meu tio Orlando. Vovô, funcionário dos correios, e vovó, dona de casa, conheci pouco, mas deles guardo ótimas lembranças (falarei de meus avós em publicação futura).

A família de mamãe era humilde, mas dos oito filhos saíram um padre, um médico e um juiz, além de um diretor dos correios em Caxias, uma funcionária daquela instituição, um diretor do banco do Brasil, e um professor. E minha mãezinha foi normalista e seguiu carreira como professora e diretora de escola em sua cidade natal, e depois professora da antiga Fundação Educacional em Brasília. Também dava duro em sala de aula de manhã e à tarde e ia à noite para faculdade. Essa é uma lembrança muito viva: papai e mamãe indo juntos para a faculdade, pegando ônibus de Sobradinho para estudar no Plano Piloto e voltando tarde, meia-noite (quando os filhos já dormiam, o que fazia com que visse meus pais às vezes só mesmo no fim-de-semana). Acho que a perseverança e a obstinação ficaram gravados na memória e no coração daquele garotinho e forjariam o homem que sou hoje…

Outra lembrança de mamãe é sempre o sorriso. De um rosto todo o tempo alegre a gargalhadas gostosas, Dona Conceição costuma encarar as adversidades com bom humor. E, a meu ver, mostrou-se guerreira ao deixar a casa de meus avós no interior do Maranhão para vir construir a vida com o marido aqui na Brasília do início dos anos setenta! Certamente foi difícil, mas ela também venceu.

Na condição de professor, acabo replicando a maneira de mamãe de lecionar. Fui seu aluno no ginásio e com ela percebi o quanto pode ser divertida e gratificante a sala de aula. Sim, porque não se leciona pelo salário (infelizmente, este país ainda não reconhece a mais importante das profissões, junto com a de agricultor e de empregada doméstica – e não estou brincando). A docência, ao menos como aprendi com mamãe, relaciona-se a um desejo intenso de aprender (porque são nossos alunos que mais nos ensinam) e de contribuir para a formação de outras pessoas! E essa alegria de ver um conhecimento transmitido bem assimilado não tem preço!

Ah! Também herdei de Dona Conceição a paixão por viajar e rodar o mundo. Gosto demais de viajar… mas minha mãe tem o bicho carpinteiro! Está sempre juntando suas economias para passear pelo Brasil e, de uns tempos para cá, pelo globo! Gosta de viagens com o pessoal da Igreja e vai para lugares de peregrinação católica (de Aparecida de Goiás ao Santuário de Lourdes, na França!). Divertido ouvir as aventuras de mamãe em seus giros pelo planeta!

Os rosacruzes sabem que nada acontece por acaso. Apenas a título de curiosidade, nasci no dia de Nossa Senhora da Conceição, sendo filho de uma Conceição de Maria! Detalhe: fui batizado e fiz minha primeira comunhão na Igreja Matriz de Caxias, a Igreja de Nossa Senhora da “Conceição”, onde meus pais se casaram! Talvez daí venha minha devoção a Nossa Senhora. Haja Conceição de Maria em minha vida!

A propósito, como ainda não tive tempo de encontrar fotos da infância, publico hoje algumas de Caxias, cidade de onde trago boas recordações das férias da infância. Além da Igreja Matriz (datada de 1735), onde fui batizado e fiz minha primeira comunhão, há imagens do Morro do Alecrim, lugar da Balaiada, e do busto do Duque, na praça onde restam canhões e ruínas do conflito. Minha infância não seria a mesma sem Caxias, que também mora no meu coração!

Caxias