Big Brother e democracia

Pode o Estado acessar dados e comunicações pessoais do cidadão para protegê-lo? Direitos fundamentais podem ser mitigados sob o imperativo da segurança? Escrevi sobre isso hoje na Folha de São Paulo.

Para o artigo na Folha, clique aqui.

E, a seguir uma versão um pouco mais completa do artigo…

big brother

BIG BROTHER E DEMOCRACIA

Joanisval Gonçalves

Quando, em 1949, George Orwell escreveu o romance “1984”, tratou de uma sociedade futurística, na qual o Estado controlava os cidadãos de maneira absoluta, vigiando-os no mais íntimo de sua privacidade, conhecendo suas ações mais particulares e determinando sua maneira de pensar. A obra de Orwell, que se tornou um clássico, retratava com maestria um Estado onipresente, controlador e repressor, representado pela figura do Big Brother, o Grande Irmão, que tudo via e tudo sabia. Entretanto, “1984” tratava de um regime totalitário. No século 21, porém, o Grande Irmão chegou às democracias.

Nas últimas semanas, com a revelação de que o governo dos Estados Unidos estaria reunindo dados a partir de interceptações telefônicas e acessos irregulares a mensagens e contas na internet de milhões de pessoas, o tema do Estado controlador do cidadão voltou à tona. Pode o Estado, sob o imperativo da segurança, violar a intimidade do indivíduo? E o direito de o cidadão ter suas informações pessoais e comunicações preservadas é absoluto? Essa é uma discussão complexa, sobretudo por vivermos uma época em que o mundo digital está cada vez mais presente e a segurança da sociedade se vê diante de ameaças como o terrorismo. Na era da informação e da insegurança, teremos que nos submeter ao Big Brother para nos proteger? Continuar lendo

O Dragão e a Águia

Depois do anúncio pelos EUA de suas novas orientações para a Defesa, com a expressa preocupação com o Império do Meio, Pequim resolveu dar um recado de prudência a seu maior parceiro comercial e principal adversário na disputa pela hegemonia global…

Potência é assim… manifesta-se sempre que vê seus interesses ameaçados. E se manifesta da maneira como fizeram os chineses porque pode, porque é potência. Fica a lição de política externa para quem pretenda ocupar um lugar entre as lideranças globais, mas prefere não se pronunciar sobre qualquer coisa…

China warns U.S. to be “careful” in military refocus

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Reuters, 09JAN2012 – 1:17pm EST

By Chris Buckley

BEIJING (Reuters) – China’s Ministry of Defence warned the United States on Monday to be “careful in its words and actions” after announcing a defence rethink that stresses responding to China’s rise by shoring up U.S. alliances and bases across Asia.

The statement from the ministry spokesman Geng Yansheng was Beijing’s fullest reaction so far to the new U.S. strategy unveiled last week. It echoed the mix of wariness and outward restraint that has marked China’s response to the Obama administration’s “pivot” to Asia since late last year. Continuar lendo