Unidos contra o Imperialismo

MaduroQuando a gente pensa que já viu de tudo… Na pátria bolivariana, Maduro estabelece o Dia do Antimperialismo na Venezuela! O pior é que as declarações do governo venezuelano são diretamente contra um outro país, os EUA. Certamente, Barack Obama (e muita gente em Washington) está sem dormir desde ontem, graças às declarações do líder venezuelano. Fico aqui imaginando a repercussão, sobretudo na América Latina, se um Presidente norte-americano fizesse declaração semelhante contra alguma nação desta parte do globo… Ainda bem que é o rato que ruge…

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Declarado el 9 de marzo como Día del Antiimperialismo Bolivariano en Venezuela

Publicado el 31 marzo, 2015

Nicolás Maduro, presidente de la República, anunció este martes que a partir del año 2016, cada 9 de marzo se conmemorará el Día del Antiimperialismo Bolivariano en Venezuela, para honrar la posición patriota del pueblo en contra de las acciones injerencistas de Estados Unidos.

“Los libros de historia lo recordarán presidente Obama, como el que pretendió amedrentar un pueblo y lo que hizo fue levantar el espíritu nacionalista, patriótico y Bolivariano de este pueblo”, puntualizó.

Durante la transmisión del programa “Contacto con Maduro” transmitido desde el estado Falcón, el Jefe de Estado destacó que el mes de marzo representó un tiempo de combate. “A Obama se le ocurrió pasar a la historia un 9 de marzo como el primer Jefe de un Imperio que declara a Venezuela como una amenaza”.

Fonte: http://www.rnv.gob.ve/index.php/declarado-el-9-de-marzo-como-dia-del-antiimperialismo-bolivariano-en-venezuela-audio

Chavismo e escassez

venezuela escassezTriste a situação da Venezuela. A crise só aumenta no país sob a (falda de) Administração de Maduro e dos seguidores do chavismo. Escassez de 19 produtos da cesta básica, caos econômico, dificuldades de realizar comércio com o exterior (em um país que importa quase tudo), desemprego, violência, perseguição a adversários políticos, ditadura. Esse é o legado do chavismo. E me preocupa também o fato de que há ainda gente por aqui que defende aquele modelo e que quer coisa parecida para o Brasil. E o pior é que, se gente de bem não se mexer, acabaremos no mesmo caminho sem volta. Fica o alerta.

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Venezuela: Crise de abastecimento de produtos básicos se intensifica

BOGOTÁ  –  A crise de abastecimento se intensifica na Venezuela e atinge hotéis do país. Além disso, as companhias aéreas anunciaram suspensões nas rotas oferecidas para Caracas, alegando falta de pagamento. Dados divulgados pela imprensa venezuelana indicam que atualmente a escassez no país se aproxima de 30% para 19 produtos da cesta básica, especialmente sabonete, papel higiênico, açúcar, café, óleo de cozinha, leite, feijão, farinha e queijo, entre outros.

De acordo com a Federação de Nacional de Hotéis da Venezuela (Fenahoven), os hotéis do país enfrentam dificuldades para suprimento de papel higiênico, sabonetes e detergentes, produtos necessários ao funcionamento diário dos estabelecimentos.

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Um já foi… Qual será o próximo a cair de maduro?

world_01_temp-1385803778-5299b002-620x348 Tudo indica que Yanukovich está fora do jogo político da Ucrânia e que a oposição venceu. Vejo a notícia com ressalvas porque o inesperado pode acontecer naquela bela e rica parte do mundo… Moscou ainda não se manifestou sobre a queda do presidente ucraniano. Se estiver confirmado que foi deposto, podemos estar diante de grandes transformações naquele país, com algumas possibilidades não-necessariamente excludentes: 1) uma aproximação com o Ocidente e com a União Européia e mais liberdade e democracia; 2) um movimento de xeque russo, que pode ser surpreendente; 3) a fragmentação do país.

De toda maneira, parece que um ditador já foi. A milhares de quilômetros que Kiev, outra crise de governabilidade coloca milhares de pessoas contra um regime autoritário: apesar da proximidade com o Brasil, parece que chega menos notícia aqui da Venezuela que da Ucrânia… Será que é porque ali é o companheiro Maduro e o regime autoritário bolivariano (detesto esse termo, e acho que o grande Bolívar também odiaria) que estão na berlinda?

2014-02-16T194828Z-1110150863-GM1EA2H0ABH01-RTRMADP-3-VENEZUELA-PROTESTS-size-598Logo escreverei aqui sobre a Venezuela. A situação ali é muito preocupante também. E gente tem sido presa, tem desaparecido, tem sido ferida e morta. O governo brasileiro mantém seu apoio a Maduro. O Mercosul (quê?) também, apesar da cláusula democrática (ah, sim! haveria uma coisa assim no bloco). Nem vou falar da Unasul…

16fev2014---manifestante-participa-de-protesto-em-altamira-regiao-metropolitana-de-caracas-venezuela-exigindo-a-libertacao-dos-estudantes-presos-em-manifestacoes-anteriores-neste-domingo-16-1392613640A cobertura sobre os efeitos da crise venezuelana por aqui é ínfima. Parece que os brasileiros estamos completamente apáticos diante do que ocorre no país vizinho. Não estamos, ao menos alguns. Esta semana, por exemplo, um grupo de jovens e bravos estudantes fez um protesto diante da Embaixada da Venezuela contra as violações aos direitos humanos e o autoritarismo do regime de Caracas. Perguntei sobre a cobertura da mídia à manifestação. Resposta: inexistente. Meus parabéns ao grupo pela coragem e pelo exercício de um direito fundamental na democracia!

Ucrania4Bom, como estamos na América Latina, há sempre o risco do novo Caracazo acabar antes de qualquer resultado que não seja a contabilização das vítimas que terão caído em vão. Ao menos na Ucrânia, isso parece não ter acontecido. Agora em Kiev é hora de chorar os mortos e sonhar com um futuro de liberdade econômica, política e social. E é tempo de se planejar um país em que o discurso autoritário, as ideologias anacrônicas, a corrupção e a falta de compromisso com a coisa pública não devem prosperar. A lição está dada, em que pese o sangue que foi lamentavelmente derramado pela liberdade. Temos muito que apreender com os ucranianos.

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Pujança Bolivariana

gondolasComo há algum tempo não falo de Venezuela (a coisa ficou muito sem graça depois da morte do tenente-coronel-ditador-reencarnação-de-Simon-Bolívar-libertador-dos-povos-latinomaericanos, apesar dos esforços de Maduro de trazer alegria aos que acompanham aquele país), segue uma matéria sobre os produtos que faltam nas prateleiras venezuelanas.

Bom exemplo da pujança do socialismo moreno!

MercoPress, 10/02/2014

Los diez productos básicos que más escasean en Venezuela

El escenario económico en Venezuela es apremiante y mientras expertos vaticinan que se acerca una fuerte crisis en el país, el gobierno de Nicolás Maduro extrema las medidas para reducir la inflación y garantizar el abastecimiento de productos básicos.

 Con la nueva ley de costos, los negocios tienen hasta este lunes para adaptar los precios a la regulación impuesta por el mandatario. Sin embargo, los empresarios advierten que esto poco servirá para paliar la escasez, que alcanza desde alimentos hasta elementos de higiene, y que obliga a cientos de venezolanos a recorrer diariamente varios supermercados para conseguirlos.

Un artículo confeccionado por el periódicoEl Tiempo de Colombia, país vecino y al que la inflación galopante de Venezuela también ha perjudicado, realizó un listado con los 10 productos que más escasean en el país.

Leche: La producción nacional cubre apenas el 40% del consumo. El resto de la demanda trata de cubrirse con leche en polvo importada. El precio controlado es de 4,5 bolívares por litro.

Harina de arepas: La demanda es de 90.000 toneladas al mes, pero se producen 75.000. Su precio está regulado a 5,9 bolívares el kilo. Con la harina de trigo hay una fuerte caída de la producción y muchas panaderías limitan la venta de pan.

Azúcar: El Gobierno administra 10 de las 16 centrales azucareras de Venezuela, y el déficit del producto es casi del 60 por ciento de la demanda nacional, que se encuentra en alrededor de 1.200.000 toneladas. Continuar lendo

“Votemos por Maduro” (ou “Chavez te lo juro”)

nicolas-maduro_323x216Não vou aqui tecer maiores considerações sobre o próximo presidente eleito da Venezuela (ou alguém acredita que a oposição tem alguma chance de ganhar as eleições do dia 14 de abril???). Primeiro, antes do aviso oficial da morte de Chávez, Nicolás Maduro disse em cadeia nacional que a CIA (a Central de Inteligência Americana) havia “inoculado um câncer em seu líder bolivariano”, como teria feito com outros líderes da América Latina. Depois, com a campanha eleitoral, ameaçou o candidato da oposição dizendo que “a CIA pretendia assassinar Caprilles e culpar o governo bolivariano”. Por último, encarnou o finado tenente-coronel-comediante-ditador-bolivarianista em um passarinho (caso típico de metempsicose chavista – coitado do passarinho!) para dizer que, por meio do bicho (e como grande telepata), falava com o fantasma de Chávez! Dá para falar mais alguma coisa desse grande estadista?

Pobre Venezuela, pobre América Latina. Cada povo tem o governo que merece…

Para o vídeo oficial com o jingle de campanha de Nicolás Maduro, clique aqui. Recomendo! Vale muito mesmo a pena ver! E, se ainda tiver estômago, veja este outro: “Chavez Te Lo Juro“!

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A Venezuela Pós-Chavez e o Brasil

Artigo muito interessante de meu amigo Sean Burges. Foi replicado no site oficial da Presidência dos EUA. Recomendo a leitura a meus alunos de Relações Internacionais.

Apenas uma curiosidade: a data da morte de Chávez (ao menos do anúncio oficial) coincide com a do falecimento de Josef Stálin (5 de março de 1953). O ditador venezuelano teria morrido exatamente 60 anos após a passagem do maior tirano da História moderna e cultuado líder das esquerdas em muitos países.

Post-Chávez Test For Brazil Leadership – Analysis

Hugo Chavez memorial. Photo credit VOA

By  — (March 10, 2013)

By Dr. Sean Burges

Venezuela’s president Hugo Chávez has just died after a prolonged battle with cancer. While his death certainly raises questions about the longevity and sustainability of his Bolivarian revolution, it also stands as a significant test of the democracy promoting credentials of Brazil and the two important regional clubs it runs: the South American political grouping UNASUR and the trade bloc Mercosur. Continuar lendo

Nunca está tão ruim que não possa piorar…

Claro que hoje pretendia escrever sobre a Páscoa, o Papa Francisco (gostei muito dele, antecipo!) e, naturalmente, a comemoração do 31 de março de 1964! Entretanto, a notícia que segue superou qualquer motivo de comentário aqui em Frumentarius: o desenho animado, feito pelo governo venezuelano, retratando a chegada de Hugo Chávez ao céu! Sim! Isso mesmo que você leu! Acho que não precisamos de maiores comentários…

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Para o ver o desenho, clique aqui (retirado do link divulgado pela Voz da Rússia).

Voz da Rússia – 31.03.2013, 18:59, hora de Moscou

Na Venezuela, mostraram desenho animado sobre como Chávez parou ao paraíso (vídeo)

A televisão pública da Venezuela mostrou um desenho animado sobre como o falecido líder nacional, Hugo Chávez, entra no paraíso.

No desenho intitulado “Adeus, comandante!”, Chávez aparece caminhando por um campo verde ao encontro de um grupo de pessoas que o esperam junto de uma cabana. Primeiro, no rosto de Chávez aparece uma expressão de assombro e depois, um sorriso, quando ele avista entre essas pessoas seus herois – Che Guevara, Simon Bolívar, Salvador Allende e outros.

O Legado do Coronel…

Chavez 1Muito bem, morreu Hugo Chávez. Nesses últimos dias, o que mais vimos foram matérias e editoriais ovacionando o finado tenente-coronel ou com um rosário de críticas e ofensas ao líder morto. Isso, associado à histeria coletiva que se presenciou por ocasião do velório, faz dos funerais de Chávez um acontecimento que muito demorará a ser esquecido na América Latina…

Não pretendo criticar nem tecer elogios ao de cujus… Nunca fui nem de longe admirador de Chávez (a não ser do Chávez mexicano, que fique registrado), e, de fato, nunca simpatizei com ele e muito menos com o tal do “bolivarianismo”… O que pretendo aqui é apresentar algumas reflexões sobre o “fenômeno Chávez”… Vamos a elas então!

1) Sem dúvida, Hugo Chávez foi uma das figuras mais marcantes da América Latina nos últimos cem anos. Em termos de carisma junto a seu povo, poderia ser facilmente comparável a Vargas, Fidel e Perón (coincidentemente, três ditadores…). Chávez assumiu o poder na Venezuela prometendo mudanças… e realmente cumpriu a palavra! A Venezuela de hoje é bem diferente daquela de quinze anos passados (não que isso seja bom). E isso, efetivamente, foi obra do tenente-coronel vermelho.

2) Chávez soube, como nenhum outro líder do continente, usar a mídia e o que há de mais moderno em termos de comunicação, para projetar sua influência dentro e fora da Venezuela. Desde o primeiro momento, mostrou-se hábil diante das câmeras… era um comunicador nato. E esse talento para passar sua mensagem logo alcançou o grande canal de comunicação do século XXI: a internet. Não conheço outro governante que tivesse maior capacidade de uso de ferramentas como o twitter ou outras redes sociais. Também teve êxito como nenhum outro (para desespero e inveja de colegas aqui da América do Sul) nas chamadas “frases de efeito”: inesquecível, por exemplo, aquele grito que se tornou a palavra de ordem contra a Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA: “Alca, Alca, Alcarajo!”… De igual projeção foi a cena na Assembleia-Geral ONU, quando comentou o cheiro de enxofre por ocasião da passagem, um pouco antes, do Presidente George W. Bush…

chavez 33) Para a Venezuela, Chávez deixou um país mais violento e vitimado pela corrupção, com uma classe média reduzida e uma população muito dependente do Estado, estagnação política, e uma crise econômica que pode gerar muito caos nos próximos anos. Reafirmo que o tenente-coronel perdeu importantíssima janela de oportunidade, resultante do aumento do preço do petróleo, de levar desenvolvimento a seu país. Infelizmente, a Venezuela continua pobre e seu grande e belo povo vitimado pela incompetência das lideranças… Para piorar, Chávez conseguiu implantar uma ditadura personalista em um dos poucos países da América do Sul com tradição de democracia sem grandes rupturas institucionais. Nesse campo, o legado do regime chavista se assemelha a de muitos outros regimes autoritários, infelizmente.

chavez-afp4) Em termos de política externa, o finado líder venezuelano soube, como ninguém, se firmar como liderança… Extremamente competente em apresentar sua imagem com baluarte das esquerdas no século XXI, líder comprometido com uma ideologia (por ele mesmo concebida) e referência para outros governantes latino-americanos, não seria exagero dizer que Hugo Chávez teve êxito ao se mostrar como sucessor político de Fidel Castro no continente. De fato, em termos reais de projeção de poder, o discípulo superou o mestre. Claro que a posição de Castro como o maior líder do continente nos últimos cem anos dificilmente será questionada, mas Chávez conseguiu fazer o que Fidel nunca alcançou de maneira efetiva: projetar sua influência a outros países e levar seus discípulos e/ou aliados ao poder: Bolívia e Equador são apenas dois exemplos. A influência do venezuelano projetou-se aos mais distantes rincões da América Latina: Honduras, Nicarágua, Bolívia, Equador, Peru, Argentina, Uruguai, Paraguai, Cuba (Sim! A Cuba de seu ídolo!), e até mesmo o Brasil. E, nesse sentido, o comandante bolivariano conseguiu eclipsar a liderança brasileira (ou as pretensões de liderança) no continente. Com a subserviência e inabilidade de nossos sucessivos governos em fazer do Brasil um ator verdadeiramente influente na região, Chávez conseguiu colocar a Venezuela em destaque, com muitas nações do continente começando a gravitar politicamente em torno da potência venezuelana.

Chavez 85) Ainda no que concerne à política externa, Chávez teve êxito também em projetar-se para além do continente americano. Com alianças com os chamados “Estados-pária”, destacadamente Irã e Coréia do Norte, o tenente-coronel conseguiu inserir seu país no chamado “Eixo do Mal”, expressão criada pelo país tido declaradamente como o grande inimigo do bolivarianismo, os EUA, na concepção de Chávez a potência imperialista causadora de todos os males da humanidade (inclusive da doença que o levaria à morte), apesar de nunca ter deixado a posição de principal parceiro comercial. E o paradoxo do antagonismo político e da dependência econômica se estendia ao principal aliado dos EUA na região, a Colômbia, com quem a Venezuela quase chegou (ou ao menos era o que o coronel quis fazer crer) às vias de fato… Ademais, nessa projeção para além do continente, Hugo Chávez aproximou-se de grandes potências interessadas em aumentar sua influência nas Américas, notadamente Rússia e China. Chávez mostrou-se muito habilidoso nessas empreitadas…

Chavez 26) Qual o legado do tenente-coronel, afinal? Para a Venezuela, a manutenção do atraso e um país órfão de seu senhor, no qual os sucessores de Chávez (que não têm a mínima parcela de seu carisma) logo podem enveredar para uma luta fratricida pelo poder… Não creio que a oposição terá competência e habilidade para chegar ao poder, ao menos em um cenário de médio prazo. Ao que parece, a disputa se dará entre os grupos de Maduro (que sai na vantagem por ter sido o Delfim, sucessor escolhido e indicado expressamente pelo grande líder) e de Cabello. Apesar de ser o Delfim, lembro que Maduro tem origem no movimento sindical, enquanto Cabello vem da caserna. E, nos meses vindouros, os militares terão papel de extrema importância na decisão sobre os destinos da Venezuela… Governante nenhum se sustentará sem o apoio dos quartéis. Resta saber quem conquistará a lealdade das Forças Armadas.

Chavez 77) Na América Latina e no mundo, Hugo Chávez também deixa um vazio em termos de liderança regional. Goste-se dele ou não, difícil discordar do fato de que o tenente-coronel de fala eloquente e sorriso simpático marcou um período, que talvez no futuro venham a ser conhecido como “a Era Chávez”. Poucos governantes podem entrar para História como alguém que deixou órfãos entre seus pares de outras nações. Chávez conseguiu fazê-lo. Menos ainda poderão ter seu nome associado a uma ideologia… Por mais incoerentes e sem fundamento que sejam essas ideias, também constarão dos livros escolares do futuro as expressões “bolivarianismo” e “chavismo”, como fenômenos de massa deste início de milênio e que ultrapassaram as fronteiras da Venezuela.

Chavez 6Dificilmente o “chavismo” e o “bolivarianismo” sobreviverão a seu criador. Os ícones dessas duas ideologias agora estão no passado. E o futuro, como sempre acontece quando saem de cenas homens da expressão do tenente-coronel, mostra-se imprevisível, mas com fortes sinais de crise e conflito. Ao menos na Venezuela e entre grupos de esquerda do continente, o luto continuará por mais algum tempo. E quando passar, restará o culto ao homem que, de um ilustre desconhecido dos tempos da caserna, tornou-se a cara de um continente, o guia de um povo, e ícone de uma causa. Chávez morreu! Viva Chávez!

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Somos filhos de Chávez

Aquellos que dicen que peleamos, ven acá Nicolás (Maduro, Vicepresidente), Nicolás Maduro es mi hermano y somos hijos de Chávez”! Essas foram as palavras do Presidente da Assembléia Nacional da Venezuela, Diosdado Cabello, após sua posse como novo Chefe (?) do Poder Legislativo daquele país.

É preciso comentar mais alguma coisa?

Como não resisto, só expresso minha perplexidade com as notícias e as imagens de homens e mulheres da Venezuela quase que em catarse quando se referiam ao líder moribundo. O pior disso tudo é que o Brasil pretende ser o garante dessa transição do “chavismo” para o “chavismo”… Ganha um doce quem souber quem é o enviado especial (que foi diretamente a Cuba) do governo brasileiro para tratar do processo sucessório da Venezuela… Só digo que não é do Itamaraty (afinal, para que precisamos mesmo de Ministério das Relações Exteriores?).

Sim, somos “todos” filhos de Chávez…

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Cabello: Nicolás Maduro es mi hermano y somos hijos de Chávez

Noticierodigital.com – 5 Enero, 2013

El nuevo  presidente de la Asamblea Nacional, Diosdado Cabello, invitó al  vicepresidente Nicolás Maduro a darse un abarazo para demostrarle al  país que son “hermanos”. Esto lo dijo a las afueras de la Asamblea  Nacional luego de la elección de la nueva Junta Directiva. Continuar lendo

O ocaso do ditador

Tudo indica que Hugo Chávez já morreu… “Estável dentro de seu quadro delicado” significa, na linguagem de regimes ditatoriais, que o líder passou desta para uma melhor.

A cúpula do governo venezuelano está em Cuba. Nos bastidores, uma guerra silenciosa pela sucessão do tenente-coronel está em curso… Para os latino-americanos da minha geração, é a primeira vez que vemos de tão próximo um processo sucessório em uma ditadura… Interessante acompanhar os embates e a disputa de poder… O regime ditatorial venezuelano, ao contrário de outros como o chinês, é personalista, sendo difícil dizer como ficará o país (e o governo) após a morte de Chávez. Será que o chavismo se sustenta? Não creio… Quem vem no lugar do coronel? Maduro não é o sucessor natural… e os vários grupos rivais na cúpula chavista já estão organizados para o conflito… Aguardemos.

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Opera Mundi – 03/01/2013 – 16h10 | Marina Terra

Alta cúpula chavista se reúne em Cuba a uma semana da posse na Venezuela

O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, viajou a Havana, onde está o vice-presidente, Nicolás Maduro

Enquanto a Venezuela aguarda novas notícias sobre a saúde do presidente Hugo Chávez, internado em hospital de Havana desde 11 de dezembro de 2012, quando foi submetido a uma quarta cirurgia contra o câncer, membros da alta cúpula chavista viajaram à capital cubana. Falta somente uma semana para a posse de Chávez, reeleito em 7 de outubro, e não se sabe se o presidente terá condições de assumir o quarto mandato. Continuar lendo