“Por que invadir a Polônia?” já no YouTube

Informo que nossa live do domingo passado (30/08) já está disponível em nosso canal no YouTube (joanisvalbsb). Para acessá-la, clique aqui.

Conhece nosso canal? É só entrar no YouTube e digitar joanisvalbsb (ou clicar aqui). Muito me ajudará se você acessar o canal, curti-lo e se inscrever nele. E, claro, se divulgar também! Agradeço encarecidamente! Abraço!

Quando foram abertas as portas do Inferno…

Já se passaram 81 anos, mas aqueles acontecimentos de 01.09.1939 ainda despertam o interesse de muita gente…

Não é para menos: nas primeiras horas daquele dia quente de verão, os poloneses viram-se diante de dezenas de milhares de soldados, da maior máquina de guerra da História, penetrando as fronteiras de seu país. Começaria um inferno que duraria muitos anos… Começava a II Guerra Mundial.

Por mais aguerridos que fossem os bravos combatentes poloneses, resistir era impossível. E situação agravou-se 17 dias depois, quando os soviéticos atacaram pelo Leste.

Transcorridos 36 dias, a Polônia capitulava. O país desapareceria, sendo partilhado entre as duas potências totalitárias. Anos de terror adviriam, terror contra os poloneses e contra as minorias que ali viviam há séculos em paz (os judeus, por exemplo, 10% da população).

E quando acabasse a guerra, em 1945, seriam mais quatro décadas de dominação soviética… Para desespero de milhões de seres humanos!

Aqueles acontecimentos influenciaram muito mais que a vida dos poloneses. Aqueles acontecimentos dariam início a grandes mudanças para toda a humanidade. E é por isso que, mesmo depois de 81 anos, não podem ser esquecidos…

Neste 01.09, informo que nossa live, realizada no dia 30.08, já está disponível em nosso canal do YouTube (joanisvalbsb). Vá lá, confira e se inscreva no canal! Agradeço também pela divulgação.

Por que invadir a Polônia?

Próximo domingo, 30/08, às 17h, faremos mais uma live em nosso perfil público do Instagram (@joanisvalgoncalves). O tema será a invasão da Polônia e o início da Segunda Guerra Mundial. Estão todos convidados e agradeço pela divulgação. Até lá!

Canhões de Agosto e a Invasão da Polônia…

Alguns dos meus 16 (dezesseis) leitores ficaram chateados porque perderam nossa primeira live no Instagram, que foi sobre o mês de agosto nas duas guerras mundiais. A boa notícia é que vocês não precisam ficar tristes! Consegui disponibilizar a conversa de domingo passado em nosso canal do youtube, que vocês já conhecem!

Então, para acessar a live sobre os Canhões de Agosto, basta clicar aqui. Por favor, inscreva-se no canal e muito me ajuda se também divulgar!

E como notícia boa não vem sozinha (sou um eterno otimista!), já divulgo aqui que teremos mais uma live, no próximo domingo, 30/08, às 17:00 (estou pensando em adotar esse bat-horário e essa bat-data para as lives, que acham?)! O tema será… “Por que invadir a Polônia? Como começar uma guerra mundial…”.

Então, não fique triste como o pessoal aqui da foto! Vá ao canal, veja a live e se inscreva! Ah! E divulgue, por gentileza! Abraço!

Guerra… E depois da Guerra

Voltando a nossas indicações de livros, hoje trato de uma importante referência sobre os turbulentos anos de 1939 a 1945: “Europa na Guerra: 1939-1945, uma vitória nada simples”, de Norman Davies, um dos maiores historiadores britânicos (e olha que o Reino Unido tem uma tradição de excelentes historiadores!).

O que me impressionou na obra é a forma como Davies relata a Guerra, não descrevendo grandes batalhas ou outros importantes acontecimentos, mas tratando daqueles anos terríveis sob uma perspectiva humana. É um olhar do conflito através dos sentimentos de quem o viveu intensamente. Nada mais rico no conflito humano do que a forma como as pessoas o percebem e as decisões por elas tomadas diante das maiores adversidades!

Destaque para as considerações feitas pelo autor sobre a Polônia (Davies é britânico-polonês). Logo no ínico, ele relata a frustração dos soldados poloneses, que lutavam com o V Exército norte-americano (o mesmo ao qual estavam vinculados nossos pracinhas) na Itália, ao perceberem que a guerra havia acabado e que seu país permanecia ocupado (não mais por tropas alemãs, mas pelo temível Exército Vermelho). Afinal, como é que a Grã-Bretanha havia abandonado a Polônia para o deleite de Stálin? Não foram os britânicos que começaram uma guerra com o III Reich exatamente para garantir a integridade polonesa? E agora?

A narrativa sempre me faz lembrar das palavras do meu guia judeu-polonês quando visitei Auschwitz. Conversamos muito, e em um determinado momento ele desabafou: “não sei o que foi pior para nós (poloneses), os soviéticos que nos invadiram duas vezes durante a Segunda Guerra Mundial, ou os ingleses que nos abandonaram no final do conflito…” 

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A Grande Guerra Patriótica

Às vésperas do Dia da Vitória (08/05 aqui no Ocidente, ou 09/05 para os russos e alguns povos das ex-URSS), o mundo celebrará o fim da II Guerra Mundial na Europa de maneira muito distinta daquela das últimas sete décadas. Afinal, eventos públicos estão cancelados ou proibidos pela maior parte do planeta. Eu mesmo pretendia comemorar os 75 anos do fim da Guerra em Londres, celebrando a derrota do nazifascismo na terra de Sua Majestade. Graças a outra coroa (o vírus), fiquei por aqui, em casa… – tudo bem! Será uma história bem diferente para contar para as próximas gerações.

Em comemoração ao Dia da Vitória, tenho feito alguns vídeos com recomendações de livros, que publico em meu canal do YouTube (youtube.com/joanisvalbsb). Quem se interessar pelo tema, por favor vá lá, faça-me uma visita e curta os vídeos! Agradeço muito se puder também se inscrever no canal.

Além dos livros, semana passada gravei uma “live”, intitulada “A Grande Guerra Patriótica: a URSS na II Guerra Mundial”. Foi uma conversa muito interessante (em português) com minha professora de russo, Yulia Mikheeva! Falamos da importância do conflito para os russos, de episódios da guerra e de situações inusitadas. Também respondemos a algumas questões dos participantes. Quem perdeu, perdeu! –  brincadeira, quem perdeu pode acessar o vídeo em nosso canal do Youtube. Vale a pena conferir.

A “live” deu tão certo que pediram mais! Então, hoje, 06/05 (quarta-feira), às 19h, teremos outra live para tratar de batalhas e pessoas na Grande Guerra Patriótica. Quem quiser participar é só procurar o perfil @yucursosdeidiomas no Instagram e entrar na conversa! Começaremos respondendo a algumas perguntas feitas na semana passada!

Então é isso! Nesta época de pandemia, vale conversar um pouco sobre outros temas! Espero meus 16 (dezesseis) leitores daqui a pouco. Abraço!

E, para conhecer nosso canal no Youtube, clique aqui!

Who was defeated in the Great Patriotic war? | The Vineyard of the ...

 

26. Pelo Mundo (23/11/2014)

Navigare necesse; vivere non est necesse!
Pompeu

Faltam 15 dias para que eu complete 40 anos! E, direto das terras ludovicenses, escrevo sobre uma das minhas grandes paixões na vida: viajar! Pouca coisa me dá mais prazer do que sair pelo mundo a conhecer novos lugares, gente de diferentes matizes, culturas peculiares! Viajar é preciso!

Conheço pessoas que não gostam de viajar. Dizem não ter paciência para arrumar mala, sair do conforto do lar, pegar avião… Argumentam que preferem ficar em casa, conhecendo o mundo pela televisão, por meio de um livro ou recorrendo à internet… E tudo é motivo para não viajar: o destino é muito frio ou muito quente; agitado demais ou tremendamente monótono; longe ou muito perto… Não importa, sempre encontrarão um motivo para não fazer as malas e sair batendo perna por aí! Eu não as condeno! Mas comigo é o contrário.

Não sei de onde vem meu interesse por viajar. Talvez de mamãe, que sempre que tem oportunidade se lança ao mundo – bom lembrar que, numa dessas, ela veio para Brasília, conheceu papai, e o restante da história vocês já conhecem. Seu Jacob, por sua vez, é enraizado em casa, prefere o conforto do lar à surpresa de outros lugares… Pode ser de mamãe mesmo! Mas, claro, alguns diriam que tem a ver com o fato de ser eu sagitariano, ou com o mais íntimo de minha personalidade, ou com vidas passadas. Não sei de nada… só sei mesmo é que gosto disso!

Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo, conhecer outras terras, gente diferente, visitar lugares históricos, mergulhar em outras culturas! E queria fazê-lo viajando! Como não tínhamos dinheiro para isso, comecei a aprender pelos livros, revistas, tv, e decidi que me esforçaria para conseguir um emprego que me possibilitasse essas experiências. Pensei em ser comissário de bordo, jornalista, ou em trabalhar em algum organismo internacional… Daí minha opção por Relações Internacionais. Estava convicto de que, como internacionalista, meu mercado de trabalho seria o mundo, e minha profissão me levaria aos mais distantes locais do globo!

Claro que, devido às limitações financeiras, passei todo o curso de Relações Internacionais sem conhecer terras estrangeiras, restringindo-me a viajar algumas poucas vezes pelo Brasil mesmo. Naquela época, passagem de avião era coisa caríssima, carro eu não tinha, e aí ia de ônibus mesmo. Entretanto, por mais que gostasse de rodar pelo Brasil (e continuo adorando fazê-lo, pois nosso País é fantástico e diversificado), queria mesmo era me lançar ao mundo!

Só fui conseguir o que queria quando comecei a trabalhar. Então, a serviço ou nas férias, minha alegria era arrumar as malas e entrar em um avião para conhecer novas terras! E é o que tenho feito nos últimos 15 anos! Entre os lugares que já visitei estão Canadá, Chile e Alemanha (três países muito queridos, com os quais tenho uma relação bem especial, e onde já estive diversas vezes), Suécia (D’us abençoe o Reino da Suécia), Noruega (quando vivi o atentado de Oslo, pois estava em um hotel na rua atrás do local da explosão, no dia do ataque), Finlândia, Estônia (grandes experiências nesses dois países), França e Grã-Bretanha (dispensam qualquer comentário!), Bélgica (chocolate, cerveja, sede da União Europeia e da OTAN, campos de batalha), Portugal (nossas origens, nosso DNA!), Polônia (ah, Cracóvia!), República Tcheca (Praga é única!), Espanha (comprei uma espada em Toledo!), Argentina (alfajores, livrarias e boa gente!), Paraguai (conheci o Lago Azul de Ypacaraí – que de azul nada tinha), Peru (senti-me em casa entre os nativos!), Colômbia (só na fronteira), Falklands (que me desculpem os hermanos, mas é isso mesmo!), e, naturalmente, Estados Unidos (cujo nome já é múltiplo). Detalhe: quando gosto de um lugar, tenho por hábito voltar mais vezes. E a cada nova chegada, novos locais encontro para explorar: assim acontece, entre outros, com o Canadá, com minha querida Alemanha, com a Suécia, a França, e a Grã-Bretanha… Se gosto, volto! Por que não?

No meu Brasil, fico feliz em já ter passado por 21 das 27 capitais, e por outras cidades em pontos distantes. Em minhas atividades profissionais, tive a imensa satisfação de conhecer nossa preciosa Amazônia, visitar pelotões de fronteira, ir a rincões pouco conhecidos deste País continental! E me agrada tanto estar na megalópole paulistana quanto na pequena Clevelândia! O Brasil é lindo, e sua gente maravilhosa!

Indescritível a sensação de chegar em um lugar novo! Visões, sons e odores diferentes, locais a explorar, sabores pitorescos, gente diferente com quem conversar! Boas experiências, más experiências… Aprendizado intensivo, mesmo porque costumo viajar sozinho.

Prefiro viajar sozinho: faço meus horários e meus roteiros, tiro minhas centenas de fotos (sempre com meu tripé), passo o tempo que quiser em um determinado local… E, o melhor de tudo, acabo conhecendo gente fantástica. Nunca estamos sós quando viajamos sozinhos!

Definitivamente, tenho o bicho carpinteiro viajador. Sou econômico no dia-a-dia. Emprego meus recursos em viagens (excelentes investimentos!). Tenho uma malinha pronta em casa, e estou sempre disposto a pegar a estrada (não literalmente, pois não gosto de dirigir, e aprecio mesmo é a sensação de estar nas nuvens). Havendo a oportunidade, viajo!

Inspiro-me em um amigo, Gilberto Guerzoni. Solteiro, sem filhos, bom salário, Guerzoni usa seus 30 dias de férias por ano para rodar o mundo. Já conheceu mais de 150 países, da Groenlândia à Antártica, das florestas do Peru à savana africana, esteve em Galápagos e no Vietnã, na Austrália e em Kosovo, foi mesmo até Chernobyl. Esse é meu amigo, que preenche todas as folhas do passaporte muito rapidamente. Claro que estou longe de alcançar Guerzoni, mas pretendo continuar meus próximos quarenta anos viajando! Navegar é preciso!

Evolução das Grandes Economias do Globo

Sem maiores comentários, compartilho aqui um vídeo sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) das dez maiores Economias do globo, de 1961 a 2017. Interessante como a China sobe de posição na virada do século, alcançando em menos de vinte anos o segundo lugar, mas ainda bem atrás dos Estados Unidos. O Brasil, por sua vez, apresenta-se entre as dez grandes, mas não consegue alçar vôo. Infelizmente, ainda não alcançamos um patamar civilizatório que nos permita, realmente, evoluir para uma nação desenvolvida – isso tem a ver com aspectos culturais, acredito.

Mais interessante ainda é o segundo vídeo, que apresenta as vinte maiores Economias, considerando-se a Paridade do Poder de Compra (PPP), entre 1980 e 2023, com comentários e explicações sobre as mudanças ocorridas. Sob essa perspectiva, a China já ultrapassou os Estados Unidos. Destaque para a Indonésia, que evolui rapidamente no ranking.

Vale muito conferir!

 

 

O início da Guerra, pela ótica dos soldados alemães

Ainda por ocasião dos 80 anos do início da Segunda Guerra Mundial, publico aqui um vídeo que achei bem interessante. Trata da Campanha da Polônia, sob a ótica de soldados alemães. Não darei maiores informações acerca do vídeo (não gosto de “spoilers”), mas registro que, para o jovem soldado que cruzava a fronteira para combater pela Pátria (Vaterland), numa vitoriosa campanha de guerra relâmpago nunca antes vista, a sensação deveria ser extraordinária!

Imagine-se como parte de uma força de combate sem precedentes, atravessando a fronteira “inimiga” e “tratorando” tudo que estivesse à frente, em sucessivas vitórias! Com milhares de Panzers na vanguarda, Stukas com suas sirenes pelo ar, e uma tropa orgulhosa de que estava fazendo História, você seria parte de um dos grandes feitos militares do século! A Blitzkrieg de Guderian estava em ação!

Por favor, não me venha com comentários politicamente corretos, do tipo “Ain! Ele chama guerra de extraordinária!”. Vejo a guerra como algo inerente à natureza humana e, naquela época, ir à guerra era um ato nobre, sentimento do dever, e que envolvia a noção de masculinidade.

Recordo-me de um cartaz inglês da Grande Guerra (1914-1918), em que um garotinho está a brincar no chão da sala, enquanto seu pai senta-se em uma poltrona a ler o jornal. Então o pequeno pergunta, “Papai, onde você estava durante a guerra?”, e fica evidente o constrangimento do homem, que não estivera nos campos de batalha…

Sim! Homens fazem a guerra – e muitos gostam disso!

Talvez muito da debilidade de nossa sociedade pós-moderna se deva ao fato de termos perdido nossa capacidade de ir à guerra. Sabe aquela história de “tempos difíceis fazem homens fortes”? Pois é…

Se não gostou de minhas palavras aqui, paciência. Meus 16 leitores me entenderão…

E foram abertas as portas do Inferno…

Há exatos 80 anos, o mundo começava o mês de setembro com a mais tenebrosa de todas as notícias: às 4h45 (hora de Berlim) de 1º de setembro de 1939, o couraçado Schleswig-Holstein, da Kriegsmarine, abria fogo contra as defesas polonesas na cidade-livre de Dantzig (atual Gdansk), de população germânica desejosa de ser incorporada ao Terceiro Reich. Simultaneamente, e sem declaração formal de guerra, tropas alemãs atravessavam a fronteira, tendo à frente os 2.500 Panzer que varreriam as forças polonesas por onde passassem, abrindo caminho para a infantaria que logo chegaria para ocupar o terreno. Pelo ar, a Luftwaffe se encarregaria dos bombardeios de cidades importantes e da destruição da força aérea inimiga no solo. O conceito de Blitzkrieg, a guerra relâmpago (que teve como idealizador o general Heinz Guderian, um dos mais brilhantes militares de seu tempo,) era posto em prática. Tinha início o maior conflito que os seres humanos jamais vivenciaram. Tinha início a Segunda Guerra Mundial.

Algumas palavras sobre esse começo da Segunda Guerra Mundial… Primeiramente, cabe assinalar que o ataque à Polônia só foi possível, naquelas condições, em razão da “Política do Apaziguamento”, promovida por britânicos e franceses (com apoio da Itália Fascista), e da aliança entre o Terceiro Reich e a União Soviética de Stálin, consubstanciada em 23 de agosto (uma semana antes, portanto), por meio do Pacto Ribbentrop-Molotov. Sem essas duas situações, Hitler não teria ousado dar ensejo ao “Caso Branco” (codinome do plano para invasão e conquista da Polônia). 

Assim, de um lado havia a aquiescência de Lord Chamberlain (que, para ir à Alemanha, pela primeira vez entrara em um avião) e do Primeiro-Ministro francês Daladier (que liderava a coalizão de esquerda a qual governava a França naquela época). Clássica é a cena de Chamberlain que, ao retornar da Conferência de Munique (setembro de 1938), declara a seus concidadãos que “a paz estava salva!” – às custas da Tchecoslováquia, claro, que foi entregue a Hitler por decisão das grandes potências europeias. Veja as imagens a que me refiro:

Do outro lado, estava a aproximação entre os dois gigantes totalitários, a Alemanha nazista e a União Soviética stalinista. Em ambos os países, chegara-se ao ápice do totalitarismo (de direita e de esquerda), e muitos analistas da época acreditavam que o conflito entre as duas ditaduras era iminente, ocorrendo caso Hitler invadisse a última nação que separa o Reich do território soviético: a Polônia. Nesse sentido, defendo que havia mesmo o interesse de Reino Unido e França de que esse passo fosse dado pela Alemanha. Afinal, se a Polônia fosse invadida, certamente as duas Potências totalitárias se digladiariam, e as democracias ocidentais só precisariam assistir “de camarote” e esperar o enfraquecimento de ambas e a derrota, pelo menos, de uma delas…

A habilidade política dos alemães pôs termo às expectativas de Paris e Londres quando, para a surpresa de todos, o Ministro das Relações exteriores da Alemanha, Joachim von Ribbentrop, foi, na última semana de agosto, a Moscou. Lá celebrou, com seu colega soviético, Vyacheslav Molotov, o Tratado de Não Agressão entre a Alemanha e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Na parte secreta daquele Tratado havia um acordo de partilha do território da Polônia entre soviéticos e alemães. Também era assegurado o reparte de outras regiões da Europa Oriental (garantindo-se que a Alemanha não entraria em conflito com a URSS, caso Moscou decidisse “recuperar” territórios que lhe seriam “de direito”, com herança da Rússia Czarista, ou seja, o que então constituía os Estados independentes da Estônia, Letônia e Lituânia, a Finlândia e partes da Romênia, além da própria Polônia). O Pacto Ribbentrop-Molotov selava, assim, o destino de várias nações europeias e, por que não, de toda a humanidade…

Não entrarei em detalhes táticos da invasão, nem de como a Polônia capitulou em menos de seis semanas. Tampouco cuidarei do fato de que, no dia 17 de setembro de 1939, foi a vez dos soviéticos adentrarem o território polonês (para “libertar” aquelas populações que ali viviam de uma invasão fascista que ainda não ocorrera), encontrando-se com seus “camaradas” alemães em Brest-Litovsk (em lembrança do tratado de 1918), onde apertaram as mãos. Tratarei menos ainda do “apoio” (pífio) dado aos poloneses por Reino Unido e França, que declararam guerra ao Reich três dias depois dos primeiros movimentos alemães, mas permaneceram praticamente inertes durante os meses seguintes (até a campanha alemã da primavera de 1940, voltada à Europa Ocidental), e silentes quando Stálin mandou o Exército Vermelho cruzar a fronteira com a Polônia…

Com a invasão de seu território pelos dois lados, e a derrota na campanha de setembro, a Polônia deixou de existir como Estado independente. Aquela nação, gloriosa de sua identidade e de suas tradições, viu-se subjugada, humilhada e forçada a servir aos dois senhores que repartiram o botim, e mostraram ao mundo seu poder. A seguir um documentário sobre o início da guerra.

Na Polônia ocupada pelos soviéticos, rapidamente o NKVD (antecessor do temido KGB) de Laurenti Beria tratou de executar cerca 7.000 civis e 15.000 oficiais poloneses, numa carnificina que teve no massacre de Katyn seu maior símbolo. A intelligentsia do país foi exterminada. Do lado alemão, além de perseguir a intelectualidade polonesa, a sanha nazista se voltou contra os 3,2 milhões de judeus que viviam plenamente integrados àquela sociedade: logo, professores universitários, profissionais liberais, comerciantes, funcionários públicos e trabalhadores das mais distintas áreas foram proibidos de exercer suas funções e obrigados a usar no peito ou no braço a Estrela de Davi. Depois viriam os guetos, os campos de concentração, as câmaras de gás, os crematórios, o extermínio.

 A Segunda Guerra Mundial começou, portanto, oficialmente, com o fim da Polônia como nação independente. Seis anos se passariam até que aquele povo fosse libertado do jugo alemão, para cair sob o controle soviético e o regime comunista. Foram seis anos de dor, sofrimento e morte, oitenta milhões de vidas perdidas, destruição total, perdas materiais e imateriais incalculáveis.

 O mundo realmente seria outro quando a Alemanha assinou a capitulação, em 8 de maio de 1945. A Guerra, que começara com a “questão polonesa”, tomara rumos inimagináveis. Para os poloneses, porém, sempre me lembrarei da história daqueles que, no dia que findaram as hostilidades na Europa, combatiam na Itália junto dos aliados e se desesperaram temendo retornar à pátria e cair nas mãos dos soviéticos, que ainda massacrariam centenas de milhares de poloneses étnicos no imediato pós-guerra. A sensação deveria ser de que os seis anos de guerra teriam sido em vão…

Indubitavelmente, a Polônia foi muito mais uma peça no jogo das grandes potências. Um jogo nocivo e caro, que custou milhões de vidas. Impossível esquecer das palavras de um judeu polonês, que conheci em Auschwitz, e que externou seu ressentimento com os “aliados” de Varsóvia por ocasião da guerra de 1939-1945: “O pior é que a guerra começou para nos libertar dos alemães e de Hitler”, disse ele, “mas nossos ‘salvadores’ acabaram a guerra nos entregando nas mãos dos soviéticos e de Stálin… Quem perdeu nisso tudo?”…

 Em tempo: fui o terceiro estudante de Relações Internacionais no Brasil a produzir uma monografia de final de curso, e isso lá em meados da década de 1990. O tema foi inusitado para aquele momento: “A Política Exterior do III Reich, 1933-1939”. Pretendo um dia trabalhar no arquivo e transformá-lo em livro. Pensei que poderia ser para os setenta anos do início da Guerra, depois para os oitenta… Quem sabe em comemoração aos 75 anos do fim do conflito, ou aos 85 do começo… Uma hora sai!

George e Nicky – razões de família versus imperativos de Estado

Dia desses, quando postei em minhas páginas no Facebook e no Twitter (siga-nos lá!) sobre um livro que tratava das Casas Reais Europeias, a foto da capa causou dúvida aos leitores. Quem era o casal real ali representado? Alguns amigos pensaram que eram Nicolau II e sua esposa Alexandra, os últimos Romanov a governar a Rússia. Surpreenderam-se quando disse que não eram eles… Mas quem seriam então?

A resposta: era uma foto de George V, do Reino Unido, e de sua esposa, Vitória Maria de Teck. “Mas como? Parece tanto com o Czar Nicolau II!”. Não se preocupe, essa confusão é mais comum do que se imagina…

Confundir George V e Nicolau II não é nada de absurdo. Os dois eram primos-irmãos (a mãe de Nicolau era irmã da mãe de George), e realmente se pareciam muito. Ambos os monarcas, assim como suas esposas, eram todos descendentes da Rainha Victoria (como a maioria absoluta dos soberanos europeus, diga-se de passagem).

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De fato, George e Nicky (como o Czar era chamado pelos parentes mais próximos) gostavam de brincar com essa grande semelhança. Não eram raras as vezes em que posavam para fotos vestindo os uniformes um do outro ou propositalmente confundiam aqueles que com eles se encontravam, pregando-se-lhes peças. Note-se que o soberano russo falava inglês sem sotaque e, sobretudo quando jovem, frequentava muito a corte britânica. A Czarina Alexandra (nascida Alice), por sua vez, era uma princesa alemã, mas passara grande parte da infância no Reino Unido, tornando-se muito próxima da avó materna, a Rainha Victoria.

Portanto, os dois soberanos eram bons amigos, desde a infância. Na juventude, conviveram bastante. Uma curiosidade: chegou-se a cogitar que a princesa Alice de Hesse iria se casar com George (o que, se tivesse acontecido, faria dela a futura esposa do Rei da Inglaterra). Entretanto, Alice apaixonou-se perdidamente por outro príncipe, seu primo Nicky, e “enfrentou” a própria avó (que gostou da impetuosidade da neta) e as “razões de Estado” para se casar com o amor de sua vida. Assim, Alice celebrou o matrimônio com Nicky, que se tornou Nicolau II, da Rússia, e ela própria alterou seu nome para Alexandra Feodorovna, vindo a ser a última Czarina. O casal Romanov teve cinco filhos (as Grão-Duquesas Olga, Tatiana, Maria e Anastácia, e o Czarevich Alexei), seu amor perduraria por toda a vida e Nicolau e Alexandra seriam conhecidos como um dos casais mais apaixonados e verdadeiramente unidos entre as famílias aristocráticas de seu tempo.

Voltando a Nicolau e George, os primos, já soberanos da Rússia e do Reino Unido, respectivamente, veriam-se diante de um dos períodos mais trágicos e importantes da História: a I Guerra Mundial. Juntos, estariam à frente de seus Estados contra a Alemanha, na qual reinava seu outro primo, Guilherme II, também neto direto da Rainha Victoria. E a forma como lidaram com a dicotomia “razão de Estado” versus “razões de família” selaria o imbricado futuro de ambos e o destino de suas famílias e de seus tronos.

Não é exagero dizer que a Grande Guerra foi um conflito entre irmãos. Como consequência daqueles anos de morte, sofrimento e destruição, o Império Alemão ruiria, e Guilherme II se exilaria na Holanda, onde ficaria até o fim da vida, na década de 1940. George continuaria soberano do Reino Unido, país vitorioso da I Guerra Mundial, mas cuja decadência das décadas seguintes já dava os primeiros sinais. Quanto a Nicky, seria tragado pelos acontecimentos que o levariam à abdicação e consequente fim da monarquia na Rússia e dos trezentos anos de autocracia dos Romanov. Seu fim e o de sua amada família constituiriam um dos mais trágicos acontecimentos do século que se iniciava.

Após a abdicação, Nicolau Romanov, Alexandra e os filhos ficaram sob custódia do Governo Provisório. Visto como uma ameaça por aqueles que temiam a restauração monárquica, o antigo Soberano de Todas as Rússias tornou-se uma peça importante no tabuleiro político interno e seu destino uma questão de cunho internacional. Sua integridade e a de sua família estariam ameaçadas se permanecessem na Rússia, apesar das garantias do Governo Provisório de que ninguém tocaria no ex-Czar e nos seus. Começaram as negociações para que os Romanov partissem para o exílio, tendo como principal destino o Reino Unido. E aí começa o drama que mostrou a fraqueza de George e sua conduta reprovável, mas também a sua submissão às “razões de Estado” e a preocupação com a preservação da monarquia britânica.

Imediatamente após a abdicação, na primavera de 1917, o Governo Britânico chegou a oferecer asilo para o Czar e sua família. A pedido do Rei George, o Embaixador britânico em Petrogrado, George Buchanan, apresentou formalmente a oferta do Governo de Sua Majestade de abrigo para os Romanov no Reino Unido.

Entretanto, enquanto seguiam as negociações sobre o destino de Nicolau e família, aumentava a pressão do Gabinete de Sua Majestade contra o abrigo aos Romanov em solo britânico – o próprio Lloyd George, Premier do Reino Unido, era contrário a receber o “tirano” Nicolau em seu país de tradição liberal e democrática. A reação negativa da opinião pública crescia a cada dia, e havia argumentos de que a vinda dos Romanov para a Inglaterra poderia por em questão até a própria monarquia britânica.

George teve então que decidir sobre a acolhida de seus primos. Se as razões de sangue faziam-lhe querer ter seus familiares consigo, e garantir-lhes a segurança, os imperativos de Estado (ao menos era o que argumentavam os políticos) o impeliam a voltar atrás na proposta de asilo.

O monarca britânico decidiu. Aquela deve ter sido a mais difícil resolução de sua vida – como o fora a abdicação do primo Nicolau, alguns dias antes. Cedeu ao apelo dos políticos e lavou as mãos quanto ao destino de Nicky e sua família. Londres ordenou a Buchanan que voltasse atrás na oferta de asilo. E assim foi feito.

Tendo seu primo inglês dado-lhe as costas, Nicolau viu sua situação agravada nos meses seguintes. Tornou-se verdadeiro cativo do Governo Provisório. Com o golpe bolchevique de outubro de 1917, a desgraça se abateria definitivamente sobre aquela bela família. Levados como prisioneiros para a Sibéria, transportados às pressas de uma cidade a outra, em condições cada vez mais complexas e difíceis, Nicolau, Alexandra e os filhos enfrentariam seu trágico destino em julho de 1918, massacrados pelos algozes bolcheviques a mando do próprio Lênin. Triste fim para o último Czar.

Sempre me pergunto se a decisão de Nicolau em abdicar foi a mais acertada. Mesmo com sua situação como soberano tremendamente complicada, será que não deveria ter continuado no trono, e sido mais resoluto no trato dos problemas de Estado? Será que deveria ter escutado menos a sua amada Alexandra? Indiscutivelmente, a decisão de abdicar teve como fator preponderante a família: Nicolau sabia que Alexei, com sua hemofilia grave, jamais poderia se tornar o Czar. E acreditava sinceramente que, sem as responsabilidades de um monarca autocrático, poderia se dedicar plenamente a sua família e cuidar de maneira mais efetiva de seu filho doente. Abdicou em favor de seu irmão Mikhail, sem consultá-lo. E Mikhail, ele próprio, não quis o fardo de soberano, o que agravou a crise e provocou a queda da monarquia e o fim da dinastia dos Romanov à frente da Rússia.

George, por sua vez, optou pelos imperativos de Estado – os quais, certamente, também envolviam a preservação do trono. Difícil não associar a decisão abnegada de George V (que também, repito, pode ser entendida como submissão disciplinada e razoável aos interesses de Estado) ao triste destino dos Romanov (sobre o qual também a hesitação de Nicolau, especialmente no contexto de sua abdicação, teve forte influência). Se o Rei tivesse sido mais assertivo com seus ministros, ao menos a Czarina e as crianças poderiam ter sido salvas. Assim, a morte dos primos russos seria realmente indissociável da conduta claudicante do soberano britânico.

Por certo, George nunca se perdoou pelo que aconteceu a Nicolau, Alexandra e sua família. Nunca mais foi o mesmo depois daquilo. E levou para o túmulo a culpa, que, na verdade, era em parte do hesitante Nicky e dos facínoras bolcheviques, cujo ódio e a sofreguidão colocaram a Rússia no caos e conduziram o país a sete décadas de regime autoritário.

A história de George e Nicky é mais um drama entre os grandes dramas relacionados a um mundo romântico que desapareceu com a Guerra de 1914-1918. Passaram-se cem anos, mas essas histórias ainda nos comovem, marcam e emocionam. 

Ataques em Munique

Tiroteio em Munique. Há ao menos três mortos. Parece ser mais de um atirador. Eu já venho cantando esta pedra há algum tempo. Pânico generalizado. Serviços de transporte parados. Comunicações prejudicas.

Vale lembrar que a cidade de Munique entrou para história do terrorismo quando, durante os Jogos Olímpicos de 1972, terroristas tomaram como reféns membros da delegação israelense, que acabaram mortos na tentativa de resgate.

Como diz meu amigo Adriano Barbosa, um país pode ser base, alvo ou palco de ações terroristas… ou os três também. E o terrorismo internacional pode escolher qualquer lugar, inclusive onde menos se espera que ocorram atentados.Assim, é importante estar vigilante. Afinal, depois que a vidraça é quebrada, muito pouco pode ser feito…

 Süddeutsche Zeitung – 22. Juli 2016, 21:04 Uhr Schüsse

Polizei: “Akute Terrorlage” in München – mehrere Tote, Stadt in Ausnahmezustand

  • Bei einer Schießerei im und am Münchner Olympia-Einkaufszentrum sind mindestens sieben Menschen getötet worden, weitere wurden verletzt.
  • Drei Täter mit Langwaffen sind laut Polizei auf der Flucht.
  • “Akute Terrorlage” ausgerufen.
  • Der komplette öffentliche Nahverkehr ist eingestellt.
  • Das Krankenhaus Schwabing bereitet sich auf die Aufnahme von Verletzten vor. Auch im Klinikum Rechts der Isar ist der Katastrophenalarm ausgerufen worden. Offenbar müssen alle Ärzte einrücken.

http://www.sueddeutsche.de/muenchen/schuesse-polizei-akute-terrorlage-in-muenchen-mehrere-tote-stadt-in-ausnahmezustand-1.3091576

Cuidado com o que pede…

Para sair um pouco da temática do Brexit (ih! falei!), segue notícia que me chamou a atenção: a Ministra da Defesa da Alemanha pede aos russos que informem aos ocidentais sobre suas tropas (Uahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha! Desculpem…).

Não sei se a Senhora Ministra falou com Frau Merkel (gosto de Frau Merkel) sobre o assunto antes de fazer a declaração. Só acho que isso pode ser interpretado por Moscou como provocação… E talvez os russos resolvam informar aos alemães que podem se deslocar para Oeste se for da vontade de Berlim (há 25 anos eles estavam lá, né?)… E os poloneses começam a se preocupar…

De toda maneira, quando se trata com Putin, acho que é bom tomar cuidado com o que se pede… Vai que ele resolve atender! Acompanhemos os desdobramentos e vejamos a reação de Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

A Ministra de Defesa alemã, Ursula von der Leyen, com soldados da infantaria depois dos exercícios militares na parte sul da Alemanha, em 23 de março, 2016

Alemanha quer informação sobre o número de tropas russas

Ursula von der Leyen, a ministra da Defesa alemã, pediu que Moscou divulgasse as deslocações e o número de suas tropas.

© SPUTNIK/ ALEKSANDR KRYAZHEV, 26/06/2016

“Seria razoável se a OTAN e a Rússia, no âmbito da OSCE, informassem uma a outra sobre o movimento e o número de suas tropas. Por parte da OTAN, que é uma aliança exclusivamente defensiva, a proposta foi feita há muito tempo”, disse a ministra em uma entrevista ao Bild am Sonntag.

 

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Canhões de Agosto

xadrezComo disse, devo publicar periodicamente uma vez por semana aqui em Frumentarius. E a última semana (a primeira de agosto) foi marcada por algumas efemérides importantes. A primeira delas, no dia 1º de agosto, marca a data em que a Alemanha declarou guerra à Rússia, em 1914, dando início à I Guerra Mundial para os alemães. Esse era um movimento importante no jogo de xadrez da política européia, e vinha na sequência da declaração de guerra do Império Austro-Húngaro à Sérvia (28 de julho), com o bombardeio de Belgrado (no dia seguinte), e a mobilização das tropas russas para socorrer seu aliado eslavo do sul (também no dia 29/07). Com a mobilização russa, a Alemanha apresentou um ultimato a São Petersburgo para que a suspendesse. Diante da recusa do Czar, no dia 1º de agosto, veio a declaração de guerra. Abria-se a frente oriental para os germânicos.

explosao-canhao-belgicaMas os alemães esperavam não ter que combater em dois fronts. Para isso, tinham que neutralizar a França antes que os russos conseguissem efetivamente entrar no conflito. Em 2 de agosto, as tropas do Kaiser entraram em Luxemburgo, e Berlim, em cumprimento ao Plano Schlieffen, solicitou ao Rei da Bélgica (então um país neutro) que autorizasse os alemães a atravessar aquele reino para atacar o território francês. A resposta do soberano belga foi “eu governo uma nação, não uma estrada”. Os alemães, então, invadiram e atravessaram a Bélgica no dia 4 de agosto. No dia anterior, Berlim declarara guerra a Paris.

trenche_wwi (1)Diante da invasão da Bélgica, a Grã-Bretanha, então garante da neutralidade belga, viu-se obrigada a declarar guerra à Alemanha (04/08). Em uma semana, os sinos silenciaram. Seriam substituídos pelos canhões de agosto, que continuariam a troar por longos e penosos quatro anos, com dezenas de milhões de mortos, destruição de campos e cidades, dor, desespero, morte… e o fim de uma era.

A memória daqueles canhões de agosto deve sempre permanecer viva nos corações e mentes dos homens. A carnificina ali começada jamais poderá ser esquecida, sob pena de ser repetida. Afinal, a estupidez humana é infinita.

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Os setenta anos da morte da Besta

hitler-Recorte-de-jornal-com-a-notícia-da-morte-de-HitlerO dia era 30 de abril. O ano, 1945. O local, Berlim, capital de uma nação completamente arrasada. De fato, a cidade em escombros testemunhara a ascensão e queda de um regime e de um país que, em 12 anos, saíra do caos da instabilidade política, econômica e social, tornara-se a nação mais poderosa da Europa, conquistara todo um continente, afrontara as grandes potências da época, matara milhões de seres humanos, tivera seu território invadido, ocupado e destruído, com perdas irreparáveis. E tudo isso, sob motivação da voz inigualável e do discurso de ódio de um homem, ao qual milhões de alemães chamariam de Líder.

Ele era naturalizado alemão (de fato, havia adquirido aquela nacionalidade apenas algumas semanas antes de chegar ao poder). Nascido na Áustria, filho do segundo casamento de um funcionário público de quinto escalão, órfão de pai ainda cedo, muito jovem se viu sozinho, vagando pelas ruas da Viena dos Habsburgos em busca de trabalho e de sucesso. Nada conseguiu em sua terra natal… Atravessou a fronteira e foi viver em Munique, onde permaneceu um excluído artista frustrado, sobrevivendo de bicos e fazendo crescer o ódio em seu coração.

129958-004-C9B8B89DTudo mudou com a Grande Guerra (ah, sempre a Grande Guerra!!!). Ele se alistou no regimento bávaro, e foi combater no front ocidental, lutando pelo Kaiser e pela pátria. Amadureceu muito naqueles quatro anos de terrível guerra, foi ferido em combate algumas vezes, tornou-se cabo, e ganhou a Cruz de Ferro de primeira classe, maior comenda do seu Exército, raramente concedida a não-oficiais. Nos estertores do conflito, sofreu um ataque de gás e caiu enfermo. Foi no hospital que soube da notícia da capitulação alemã. E chorou.

De volta à vida civil, não conseguia emprego. Acabou se infiltrando em um pequeno partido de trabalhadores e outras pessoas insatisfeitas com o resultado da Guerra. Era uma época de disputas ideológicas acirradas, de tentativas de revolução e golpe, de combates nas ruas, de hiperinflação, desemprego e miséria, de frustração pela derrota. Sua agremiação era apenas uma dentre as tantas que a Alemanha de Weimer viu florescer sob discursos radicais de direita e de esquerda. Porém, seria ali, reunido com alguns poucos nas cervejarias da capital bávara, que ele descobriria sua verdadeira vocação: não seria pintor ou arquiteto! Seria um homem público, um político, um líder.

Sob sua orientação direta, o partido ganhou novo nome e uma bandeira. A cruz gramada seria para sempre associada àquele homem, que a inseriu em um círculo branco sob fundo vermelho. Milhões jurariam fidelidade àquele pavilhão e a seu criador, e botas marchariam de norte a sul e de leste a oeste seguindo o símbolo e as idéias de ódio e superioridade racial, em busca do sonho de se tornarem senhores do mundo.

Em 12 anos, o pequeno partido se tornou poderoso e, no dia 30 de janeiro de 1933, o cabo austríaco, líder absoluto e inquestionável do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, seria convidado pelo velho Marechal Hindemburgo, outro herói de guerra, para se tornar o chefe de um novo governo, que levaria ao estabelecimento de um regime que não encontrou precedentes na história e que lançaria seu povo no meríodo mais rico e também mais obscuro até então.

O III Reich deveria durar 1000 anos. Durou apenas 12. Mas foram doze intensos anos, de progresso, desenvolvimento, recuperação do orgulho ferido…mas também de destruição, preconceito, ódio e morte. O que aconteceu naqueles anos tem sido objeto de estudo, reflexão e incompreensão nas últimas sete décadas, dando margem a obras nas mais diversas áreas sobre inexplicáveis 12 anos.

4144912_x720Agora, em 30 de abril de 1945, tudo se tornara ruínas: as idéias, as conquistas, o país. Berlim sobre os escombros, sob o fogo constante e o barulho ensurdecedor da artilharia soviética, e com tropas inimigas conquistando suas ruas, era o símbolo de toda a destruição causada por aquele homem e seus seguidores.

Para ele, tudo estava consumado. Seu projeto de domínio do planeta encontrava-se agora sob os escombros de uma cidade arrasada, de um povo acabado, de um país exaurido. Como último ato daquela tragédia épica, consciente de que sua existência não seria mais cabível no inferno que ele mesmo criara, decidiu abandonar sua gente e tirar a vida. E assim o fez, com tiro na cabeça. Acabava ali o vagabundo que se tornara o homem mais importante de seu tempo.

Em poucos dias, a guerra na Europa também chegou a termo. Mas as marcas deixadas nos 12 anos em que estivera no poder, jamais serão removidas. Sob sua voz forte e seu olhar hipnótico, o mundo foi posto de ponta-cabeça, com o sacrifício de 100 milhões de vidas em seis anos.

Nada mais precisa ser dito sobre ele, que será sempre lembrado como a encarnação do mal. Neste 30 de abril de 2015, celebra-se (e esta é a palavra) os 70 anos de sua morte. E que nunca mais outro como ele caminhe sobre a face da terra!

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O passado alemão de Vladimir

Vladimir Putin in KGB uniformIndubitavelmente, uma das melhores matérias que já reproduzi aqui em Frumentarius. Fundamental, para todos os interessados em Política Externa e Relações Internacionais, bem como em temas relacionados a Segurança e Inteligência, é conhecer a biografia de Vladimir Putin, com destaque para seus anos de KGB e, mais especificamente, para o tempo que passou  na Alemanha Oriental. Como se destaca na própria matéria, o Putin e a Rússia de hoje seriam bem diferentes sem aquele período do atual líder sovié…, digo, russo, entre os alemães.

Interessante observar, ainda, que Putin conhece  bem os alemães, sabe como eles pensam. Mas aí alguém perguntaria: “mas não seriam os alemães orientais que ele conhece bem?”. Respondo lembrando que, antes de tudo,  alemães orientais são alemães… e que Frau Merkel (por quem nutro enorme simpatia) é alemã oriental! De fato, convém assinalar que os dois maiores líderes europeus conhecem bem a realidade e a maneira de pensar de alemães e russos. Assim como Putin conhece os alemães, Frau Merkel conhece os russos, e fala sua língua (tenho minhas dúvidas se algum outro líder ocidental tenha esse conhecimento).

Conversando esses dias com meu grande amigo Túlio Leal (que me encaminhou a matéria e acha que não leio seus e-mails), tentávamos imaginar como seria um encontro entre Putin, Merkel e outros líderes, como Hollande. Merkel fala e alemão, Putin entende e responde em russo – Merkel compreende claramente o que ele quis dizer… Interessante, não?

Enfim, os líderes ocidentais muitas vezes parecem não saber com quem estão lidando quando tratam de Rússia. Exceto Frau Merkel. Frau Merkel conhece a Rússia. Frau Merkel entende Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

Vladimir Putin’s formative German years

Vladimir Putin in Dresden in 2006

It is 5 December 1989 in Dresden, a few weeks after the Berlin Wall has fallen. East German communism is dying on its feet, people power seems irresistible.

Crowds storm the Dresden headquarters of the Stasi, the East German secret police, who suddenly seem helpless.

Then a small group of demonstrators decides to head across the road, to a large house that is the local headquarters of the Soviet secret service, the KGB.

“The guard on the gate immediately rushed back into the house,” recalls one of the group, Siegfried Dannath. But shortly afterwards “an officer emerged – quite small, agitated”.

“He said to our group, ‘Don’t try to force your way into this property. My comrades are armed, and they’re authorised to use their weapons in an emergency.'”

That persuaded the group to withdraw.

But the KGB officer knew how dangerous the situation remained. He described later how he rang the headquarters of a Red Army tank unit to ask for protection.

The answer he received was a devastating, life-changing shock.

“We cannot do anything without orders from Moscow,” the voice at the other end replied. “And Moscow is silent.”

That phrase, “Moscow is silent” has haunted this man ever since. Defiant yet helpless as the 1989 revolution swept over him, he has now himself become “Moscow” – the President of Russia, Vladimir Putin.

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O mais inesperado do mais esperado

mauerAconteceu há exatos 25 anos, mas parece que foi ontem. Naquela noite fria de 9 novembro de 1989, a Alemanha estava dividida, e Berlim era a capital da República Democrática Alemã (RDA), a Alemanha Oriental, baluarte do comunismo fundado em 1949 e país mais desenvolvido do bloco soviético depois da própria União Soviética. A RDA era governada por um regime tão autoritário que os jovens de nem conseguem conceber. Uma ditadura sustentada no terror e na repressão, na qual os cidadãos eram apenas peças da estrutura do Estado, exatamente como os tijolos que compunham o extenso muro que cercava Berlim Ocidental, enclave de resistência capitalista no coração da Alemanha comunista.

Foram quarenta anos de ditadura que inesperadamente começaram a ruir naquele ano de 1989. Com as reformas produzidas por Gorbatchev na União Soviética, o controle da Superpotência sobre seus Estados satélites do Leste Europeu foi se esvaindo e o verão daquele ano testemunhou a abertura e o fim do comunismo nos países do bloco: Polônia, Hungria, Tchecoslováquia… E os ventos de mudança chegavam à RDA.

0,,17747092_303,00Nas semanas que antecederam o dia 9 de novembro, o que se viu foram protestos e passeatas de milhares de pessoas pelas cidades da Alemanha Oriental, com as pessoas desafiando o regime e clamando por mudanças. A partir do verão, outros milhares de alemães orientais atravessavam as fronteiras com os países comunistas que se abriam, para tentar escapar para o mundo livre. As pressões sobre o governo comunista cresciam assustadoramente: ninguém aguentava mais a experiência do “socialismo real” na terra de Goethe.

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Então, o inesperado aconteceu:  ao vivo na TV estatal, Günter Schabowsk, dava uma entrevista falando sobre o processo de abertura das fronteiras que o governo decidira que iria acontecer. E, perguntado de surpresa pelo entrevistador sobre quando isso aconteceria, Schabowsk, sob tensão, titubeou um pouco e disse, “Isso vale, pelo que sei…a partir de agora, impreterivelmente!” (queria de fato dizer que seria o mais brevemente possível).  Foi só o que precisavam ouvir milhares de alemães dos dois lados do muro que acorreram para aquela parede inglória clamando para que as fronteiras fossem liberadas… E o resto foi história. Os guardas de fronteira não conseguiram conter a multidão. Logo o muro estava cercado e marretas o punham abaixo. Emociono-me quando lembro dessa cena. O muro da infâmia, que separava um povo, e no qual muitos pereceram tentando escapar para a liberdade, simplesmente, ruiu, de forma rápida e inesperada. Em menos de um ano, a Alemanha estaria unificada e a RDA seria história. A liberdade triunfava.

queda-do-muro-de-berlimQueria registrar hoje essa lembrança que me é tão marcante. Parabéns aos alemães por essa grande conquista! E que nunca mais possamos testemunhar o retorno do comunismo ao Ocidente!

Seguem imagens muito marcantes daquela noite de 9 de novembro, com o relato dos jornalistas que testemunharam aquele acontecimento.

E um documentário sobre o Muro:

OTAN: agora tudo se resolve! (só que não)

nato_summit_2014_fightersAlguém na OTAN descobriu que a organização é uma aliança militar! Pois é, na cúpula realizada no País de Gales (com direito a show de aviõezinhos sobrevoando palanque e soltando fumaça colorida – quero ver fazer isso nos céus da Estônia, da Polônia ou próximo a Kaliningrado), os líderes decidiram pelo envio de uma “força de ação rápida” para garantir a defesa e a integridade territorial dos países-membros do Leste Europeu contra uma agressão externa (leia-se, da Rússia).

Há quem comemore essa atitude da Aliança Atlântica como um “ato de força que conterá o expansionismo de Moscou” e restabelecerá as boas relações no continente. Afinal, é a OTAN, né? Quem ousar se meter com ela terá uma resposta de 28 nações, com um potencial bélico significativo. Ok, só que não consigo acreditar nessa disposição de endurecer com a Rússia – será que Putin acredita? Será que os próprios líderes da OTAN acreditam?

A iniciativa aprovada hoje mais parece uma tentativa de se dissimular a incapacidade de ação. Entendi dois recados aí. O primeiro, para os países do Leste, particularmente os estados bálticos e a Polônia (sempre a Polônia), é uma mensagem para acalmar os nervos daquela gente (afinal, os líderes dali devem estar à base de Rivotril com o risco de “intervenção humanitária” russa): “Não se preocupem! Estamos juntos! Não vão atacar vocês porque sabem que estão sob nosso guarda-chuva! Acalmem-se!” – só que os poloneses já ouviram isso antes, há exatos 75 anos… e estonianos, letões e lituanos sabem o que são quatro décadas de ocupação russa.

Putin-em-desfile-militar-size-598O segundo recado foi para a Rússia: “A OTAN garantirá a defesa e integridade de seus países-membros! Temos garras (apesar de garras com unhas pintadas há algum tempo)! Não mexa conosco!” Só que o outro lado disso é que… a Ucrânia não é membro da OTAN. Portanto, para meio entendedor, fica claro que a Organização não vai dar passos mais largos do que esses contra o Urso. Seria temerário fazer alguma coisa mais incisiva…

Haveria um terceiro recado, este para a Ucrânia: “Vejam bem, a coisa não está boa para vocês. Damos apoio total a seu pleito… exceto apoio militar. Não esperem que encaremos a Rússia para defender russos (tá, ucranianos… mas vocês não são todos soviéticos?!?!?). E tratem logo de negociar a paz e aceitar os termos de Moscou. Tudo vai ficar bem!”.

nato_summit_2014Enfim, a incapacidade da OTAN para gerenciar essa crise me faz lembrar a habilidade da Liga das Nações nos momentos tensos dos anos 1930. E vai acabar com o mesmo destino: virar uma organização só para sustentar sua própria burocracia e com pouca ou nenhuma influência real no mundo. Não dá para desaparecer como o Pacto de Varsóvia. Será portanto, um morto-vivo errante pela política mundial…

É assim que vejo a crise da Ucrânia. Não há líderes ocidentais que tenham coragem de (juntos ou isoladamente) encarar Putin e conter suas pretensões… a não ser, claro, Frau Merkel. Aprendam com essa mulher. Ela é durona e uma boa interlocutora junto aos russos (que conhece bem). Gosto de Frau Merkel. Mas também gosto de Putin. Putin é KGB.

Otan aprova presença militar contínua no Leste Europeu

Deutsche Welle, 05/09/2014 – Link permanente http://dw.de/p/1D7mQ

Diante da atual ameaça representada pela Rússia, líderes acertam criação de nova força de reação rápida e manutenção de tropas nos países orientais da aliança.

Os líderes da Otan aprovaram nesta sexta-feira (05/09), durante cúpula no País de Gales, a criação de chamada força de reação rápida e a manutenção de uma presença contínua no Leste Europeu, onde alguns países-membros estão preocupados com os movimentos russos na Ucrânia. A nova “ponta de lança”, como também é chamada a força de reação rápida, deverá ser formada por milhares de soldados, prontos para entrar em ação em poucos dias.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que a nova unidade enviará uma mensagem clara para potenciais agressores, como a Rússia. “Se você pensar em atacar um aliado, estará de frente com toda a aliança”, declarou ele durante o encerrameno do encontro de dois dias.

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