Ataques em Munique

Tiroteio em Munique. Há ao menos três mortos. Parece ser mais de um atirador. Eu já venho cantando esta pedra há algum tempo. Pânico generalizado. Serviços de transporte parados. Comunicações prejudicas.

Vale lembrar que a cidade de Munique entrou para história do terrorismo quando, durante os Jogos Olímpicos de 1972, terroristas tomaram como reféns membros da delegação israelense, que acabaram mortos na tentativa de resgate.

Como diz meu amigo Adriano Barbosa, um país pode ser base, alvo ou palco de ações terroristas… ou os três também. E o terrorismo internacional pode escolher qualquer lugar, inclusive onde menos se espera que ocorram atentados.Assim, é importante estar vigilante. Afinal, depois que a vidraça é quebrada, muito pouco pode ser feito…

 Süddeutsche Zeitung – 22. Juli 2016, 21:04 Uhr Schüsse

Polizei: “Akute Terrorlage” in München – mehrere Tote, Stadt in Ausnahmezustand

  • Bei einer Schießerei im und am Münchner Olympia-Einkaufszentrum sind mindestens sieben Menschen getötet worden, weitere wurden verletzt.
  • Drei Täter mit Langwaffen sind laut Polizei auf der Flucht.
  • “Akute Terrorlage” ausgerufen.
  • Der komplette öffentliche Nahverkehr ist eingestellt.
  • Das Krankenhaus Schwabing bereitet sich auf die Aufnahme von Verletzten vor. Auch im Klinikum Rechts der Isar ist der Katastrophenalarm ausgerufen worden. Offenbar müssen alle Ärzte einrücken.

http://www.sueddeutsche.de/muenchen/schuesse-polizei-akute-terrorlage-in-muenchen-mehrere-tote-stadt-in-ausnahmezustand-1.3091576

Cuidado com o que pede…

Para sair um pouco da temática do Brexit (ih! falei!), segue notícia que me chamou a atenção: a Ministra da Defesa da Alemanha pede aos russos que informem aos ocidentais sobre suas tropas (Uahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha! Desculpem…).

Não sei se a Senhora Ministra falou com Frau Merkel (gosto de Frau Merkel) sobre o assunto antes de fazer a declaração. Só acho que isso pode ser interpretado por Moscou como provocação… E talvez os russos resolvam informar aos alemães que podem se deslocar para Oeste se for da vontade de Berlim (há 25 anos eles estavam lá, né?)… E os poloneses começam a se preocupar…

De toda maneira, quando se trata com Putin, acho que é bom tomar cuidado com o que se pede… Vai que ele resolve atender! Acompanhemos os desdobramentos e vejamos a reação de Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

A Ministra de Defesa alemã, Ursula von der Leyen, com soldados da infantaria depois dos exercícios militares na parte sul da Alemanha, em 23 de março, 2016

Alemanha quer informação sobre o número de tropas russas

Ursula von der Leyen, a ministra da Defesa alemã, pediu que Moscou divulgasse as deslocações e o número de suas tropas.

© SPUTNIK/ ALEKSANDR KRYAZHEV, 26/06/2016

“Seria razoável se a OTAN e a Rússia, no âmbito da OSCE, informassem uma a outra sobre o movimento e o número de suas tropas. Por parte da OTAN, que é uma aliança exclusivamente defensiva, a proposta foi feita há muito tempo”, disse a ministra em uma entrevista ao Bild am Sonntag.

 

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Canhões de Agosto

xadrezComo disse, devo publicar periodicamente uma vez por semana aqui em Frumentarius. E a última semana (a primeira de agosto) foi marcada por algumas efemérides importantes. A primeira delas, no dia 1º de agosto, marca a data em que a Alemanha declarou guerra à Rússia, em 1914, dando início à I Guerra Mundial para os alemães. Esse era um movimento importante no jogo de xadrez da política européia, e vinha na sequência da declaração de guerra do Império Austro-Húngaro à Sérvia (28 de julho), com o bombardeio de Belgrado (no dia seguinte), e a mobilização das tropas russas para socorrer seu aliado eslavo do sul (também no dia 29/07). Com a mobilização russa, a Alemanha apresentou um ultimato a São Petersburgo para que a suspendesse. Diante da recusa do Czar, no dia 1º de agosto, veio a declaração de guerra. Abria-se a frente oriental para os germânicos.

explosao-canhao-belgicaMas os alemães esperavam não ter que combater em dois fronts. Para isso, tinham que neutralizar a França antes que os russos conseguissem efetivamente entrar no conflito. Em 2 de agosto, as tropas do Kaiser entraram em Luxemburgo, e Berlim, em cumprimento ao Plano Schlieffen, solicitou ao Rei da Bélgica (então um país neutro) que autorizasse os alemães a atravessar aquele reino para atacar o território francês. A resposta do soberano belga foi “eu governo uma nação, não uma estrada”. Os alemães, então, invadiram e atravessaram a Bélgica no dia 4 de agosto. No dia anterior, Berlim declarara guerra a Paris.

trenche_wwi (1)Diante da invasão da Bélgica, a Grã-Bretanha, então garante da neutralidade belga, viu-se obrigada a declarar guerra à Alemanha (04/08). Em uma semana, os sinos silenciaram. Seriam substituídos pelos canhões de agosto, que continuariam a troar por longos e penosos quatro anos, com dezenas de milhões de mortos, destruição de campos e cidades, dor, desespero, morte… e o fim de uma era.

A memória daqueles canhões de agosto deve sempre permanecer viva nos corações e mentes dos homens. A carnificina ali começada jamais poderá ser esquecida, sob pena de ser repetida. Afinal, a estupidez humana é infinita.

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Os setenta anos da morte da Besta

hitler-Recorte-de-jornal-com-a-notícia-da-morte-de-HitlerO dia era 30 de abril. O ano, 1945. O local, Berlim, capital de uma nação completamente arrasada. De fato, a cidade em escombros testemunhara a ascensão e queda de um regime e de um país que, em 12 anos, saíra do caos da instabilidade política, econômica e social, tornara-se a nação mais poderosa da Europa, conquistara todo um continente, afrontara as grandes potências da época, matara milhões de seres humanos, tivera seu território invadido, ocupado e destruído, com perdas irreparáveis. E tudo isso, sob motivação da voz inigualável e do discurso de ódio de um homem, ao qual milhões de alemães chamariam de Líder.

Ele era naturalizado alemão (de fato, havia adquirido aquela nacionalidade apenas algumas semanas antes de chegar ao poder). Nascido na Áustria, filho do segundo casamento de um funcionário público de quinto escalão, órfão de pai ainda cedo, muito jovem se viu sozinho, vagando pelas ruas da Viena dos Habsburgos em busca de trabalho e de sucesso. Nada conseguiu em sua terra natal… Atravessou a fronteira e foi viver em Munique, onde permaneceu um excluído artista frustrado, sobrevivendo de bicos e fazendo crescer o ódio em seu coração.

129958-004-C9B8B89DTudo mudou com a Grande Guerra (ah, sempre a Grande Guerra!!!). Ele se alistou no regimento bávaro, e foi combater no front ocidental, lutando pelo Kaiser e pela pátria. Amadureceu muito naqueles quatro anos de terrível guerra, foi ferido em combate algumas vezes, tornou-se cabo, e ganhou a Cruz de Ferro de primeira classe, maior comenda do seu Exército, raramente concedida a não-oficiais. Nos estertores do conflito, sofreu um ataque de gás e caiu enfermo. Foi no hospital que soube da notícia da capitulação alemã. E chorou.

De volta à vida civil, não conseguia emprego. Acabou se infiltrando em um pequeno partido de trabalhadores e outras pessoas insatisfeitas com o resultado da Guerra. Era uma época de disputas ideológicas acirradas, de tentativas de revolução e golpe, de combates nas ruas, de hiperinflação, desemprego e miséria, de frustração pela derrota. Sua agremiação era apenas uma dentre as tantas que a Alemanha de Weimer viu florescer sob discursos radicais de direita e de esquerda. Porém, seria ali, reunido com alguns poucos nas cervejarias da capital bávara, que ele descobriria sua verdadeira vocação: não seria pintor ou arquiteto! Seria um homem público, um político, um líder.

Sob sua orientação direta, o partido ganhou novo nome e uma bandeira. A cruz gramada seria para sempre associada àquele homem, que a inseriu em um círculo branco sob fundo vermelho. Milhões jurariam fidelidade àquele pavilhão e a seu criador, e botas marchariam de norte a sul e de leste a oeste seguindo o símbolo e as idéias de ódio e superioridade racial, em busca do sonho de se tornarem senhores do mundo.

Em 12 anos, o pequeno partido se tornou poderoso e, no dia 30 de janeiro de 1933, o cabo austríaco, líder absoluto e inquestionável do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, seria convidado pelo velho Marechal Hindemburgo, outro herói de guerra, para se tornar o chefe de um novo governo, que levaria ao estabelecimento de um regime que não encontrou precedentes na história e que lançaria seu povo no meríodo mais rico e também mais obscuro até então.

O III Reich deveria durar 1000 anos. Durou apenas 12. Mas foram doze intensos anos, de progresso, desenvolvimento, recuperação do orgulho ferido…mas também de destruição, preconceito, ódio e morte. O que aconteceu naqueles anos tem sido objeto de estudo, reflexão e incompreensão nas últimas sete décadas, dando margem a obras nas mais diversas áreas sobre inexplicáveis 12 anos.

4144912_x720Agora, em 30 de abril de 1945, tudo se tornara ruínas: as idéias, as conquistas, o país. Berlim sobre os escombros, sob o fogo constante e o barulho ensurdecedor da artilharia soviética, e com tropas inimigas conquistando suas ruas, era o símbolo de toda a destruição causada por aquele homem e seus seguidores.

Para ele, tudo estava consumado. Seu projeto de domínio do planeta encontrava-se agora sob os escombros de uma cidade arrasada, de um povo acabado, de um país exaurido. Como último ato daquela tragédia épica, consciente de que sua existência não seria mais cabível no inferno que ele mesmo criara, decidiu abandonar sua gente e tirar a vida. E assim o fez, com tiro na cabeça. Acabava ali o vagabundo que se tornara o homem mais importante de seu tempo.

Em poucos dias, a guerra na Europa também chegou a termo. Mas as marcas deixadas nos 12 anos em que estivera no poder, jamais serão removidas. Sob sua voz forte e seu olhar hipnótico, o mundo foi posto de ponta-cabeça, com o sacrifício de 100 milhões de vidas em seis anos.

Nada mais precisa ser dito sobre ele, que será sempre lembrado como a encarnação do mal. Neste 30 de abril de 2015, celebra-se (e esta é a palavra) os 70 anos de sua morte. E que nunca mais outro como ele caminhe sobre a face da terra!

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O passado alemão de Vladimir

Vladimir Putin in KGB uniformIndubitavelmente, uma das melhores matérias que já reproduzi aqui em Frumentarius. Fundamental, para todos os interessados em Política Externa e Relações Internacionais, bem como em temas relacionados a Segurança e Inteligência, é conhecer a biografia de Vladimir Putin, com destaque para seus anos de KGB e, mais especificamente, para o tempo que passou  na Alemanha Oriental. Como se destaca na própria matéria, o Putin e a Rússia de hoje seriam bem diferentes sem aquele período do atual líder sovié…, digo, russo, entre os alemães.

Interessante observar, ainda, que Putin conhece  bem os alemães, sabe como eles pensam. Mas aí alguém perguntaria: “mas não seriam os alemães orientais que ele conhece bem?”. Respondo lembrando que, antes de tudo,  alemães orientais são alemães… e que Frau Merkel (por quem nutro enorme simpatia) é alemã oriental! De fato, convém assinalar que os dois maiores líderes europeus conhecem bem a realidade e a maneira de pensar de alemães e russos. Assim como Putin conhece os alemães, Frau Merkel conhece os russos, e fala sua língua (tenho minhas dúvidas se algum outro líder ocidental tenha esse conhecimento).

Conversando esses dias com meu grande amigo Túlio Leal (que me encaminhou a matéria e acha que não leio seus e-mails), tentávamos imaginar como seria um encontro entre Putin, Merkel e outros líderes, como Hollande. Merkel fala e alemão, Putin entende e responde em russo – Merkel compreende claramente o que ele quis dizer… Interessante, não?

Enfim, os líderes ocidentais muitas vezes parecem não saber com quem estão lidando quando tratam de Rússia. Exceto Frau Merkel. Frau Merkel conhece a Rússia. Frau Merkel entende Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

Vladimir Putin’s formative German years

Vladimir Putin in Dresden in 2006

It is 5 December 1989 in Dresden, a few weeks after the Berlin Wall has fallen. East German communism is dying on its feet, people power seems irresistible.

Crowds storm the Dresden headquarters of the Stasi, the East German secret police, who suddenly seem helpless.

Then a small group of demonstrators decides to head across the road, to a large house that is the local headquarters of the Soviet secret service, the KGB.

“The guard on the gate immediately rushed back into the house,” recalls one of the group, Siegfried Dannath. But shortly afterwards “an officer emerged – quite small, agitated”.

“He said to our group, ‘Don’t try to force your way into this property. My comrades are armed, and they’re authorised to use their weapons in an emergency.'”

That persuaded the group to withdraw.

But the KGB officer knew how dangerous the situation remained. He described later how he rang the headquarters of a Red Army tank unit to ask for protection.

The answer he received was a devastating, life-changing shock.

“We cannot do anything without orders from Moscow,” the voice at the other end replied. “And Moscow is silent.”

That phrase, “Moscow is silent” has haunted this man ever since. Defiant yet helpless as the 1989 revolution swept over him, he has now himself become “Moscow” – the President of Russia, Vladimir Putin.

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O mais inesperado do mais esperado

mauerAconteceu há exatos 25 anos, mas parece que foi ontem. Naquela noite fria de 9 novembro de 1989, a Alemanha estava dividida, e Berlim era a capital da República Democrática Alemã (RDA), a Alemanha Oriental, baluarte do comunismo fundado em 1949 e país mais desenvolvido do bloco soviético depois da própria União Soviética. A RDA era governada por um regime tão autoritário que os jovens de nem conseguem conceber. Uma ditadura sustentada no terror e na repressão, na qual os cidadãos eram apenas peças da estrutura do Estado, exatamente como os tijolos que compunham o extenso muro que cercava Berlim Ocidental, enclave de resistência capitalista no coração da Alemanha comunista.

Foram quarenta anos de ditadura que inesperadamente começaram a ruir naquele ano de 1989. Com as reformas produzidas por Gorbatchev na União Soviética, o controle da Superpotência sobre seus Estados satélites do Leste Europeu foi se esvaindo e o verão daquele ano testemunhou a abertura e o fim do comunismo nos países do bloco: Polônia, Hungria, Tchecoslováquia… E os ventos de mudança chegavam à RDA.

0,,17747092_303,00Nas semanas que antecederam o dia 9 de novembro, o que se viu foram protestos e passeatas de milhares de pessoas pelas cidades da Alemanha Oriental, com as pessoas desafiando o regime e clamando por mudanças. A partir do verão, outros milhares de alemães orientais atravessavam as fronteiras com os países comunistas que se abriam, para tentar escapar para o mundo livre. As pressões sobre o governo comunista cresciam assustadoramente: ninguém aguentava mais a experiência do “socialismo real” na terra de Goethe.

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Então, o inesperado aconteceu:  ao vivo na TV estatal, Günter Schabowsk, dava uma entrevista falando sobre o processo de abertura das fronteiras que o governo decidira que iria acontecer. E, perguntado de surpresa pelo entrevistador sobre quando isso aconteceria, Schabowsk, sob tensão, titubeou um pouco e disse, “Isso vale, pelo que sei…a partir de agora, impreterivelmente!” (queria de fato dizer que seria o mais brevemente possível).  Foi só o que precisavam ouvir milhares de alemães dos dois lados do muro que acorreram para aquela parede inglória clamando para que as fronteiras fossem liberadas… E o resto foi história. Os guardas de fronteira não conseguiram conter a multidão. Logo o muro estava cercado e marretas o punham abaixo. Emociono-me quando lembro dessa cena. O muro da infâmia, que separava um povo, e no qual muitos pereceram tentando escapar para a liberdade, simplesmente, ruiu, de forma rápida e inesperada. Em menos de um ano, a Alemanha estaria unificada e a RDA seria história. A liberdade triunfava.

queda-do-muro-de-berlimQueria registrar hoje essa lembrança que me é tão marcante. Parabéns aos alemães por essa grande conquista! E que nunca mais possamos testemunhar o retorno do comunismo ao Ocidente!

Seguem imagens muito marcantes daquela noite de 9 de novembro, com o relato dos jornalistas que testemunharam aquele acontecimento.

E um documentário sobre o Muro: