Minicurso Online “Introdução à Atividade de Inteligência”

Olá, pessoal!
Informo que esta é a última semana para se conseguir o desconto na inscrição para o nosso minicurso online “Introdução à Atividade de Inteligência”, que será nos dias 9 e 16 de setembro, às 20:00, completamente online!
Maiores informações e inscrições em https://linktr.ee/joanisval.
Aguardo vocês no dia 09/09, para conversamos sobre a segunda profissão mais antiga do mundo!
Abraço forte!

Introdução à Atividade de Inteligência – Minicurso Online

Saudações!

É com imensa satisfação que convido para nosso quarto minicurso online de 2021:
“Introdução à Atividade de Inteligência”.
O curso será nas quintas-feiras, 9 e 16 de setembro, das 20h às 22h.
A inscrição pode ser feita pelo formulário

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSd-HQikda-sSJACKKsGDKoYT_J2Q6WOQrvyYjRPC1yOEVISMg/viewform

Ou pelo link no https://linktr.ee/joanisval

Teremos oportunidade de conversar sobre esse assunto interessantíssimo, com o qual trabalho há mais de 20 anos! Trataremos de conceitos, princípios norteadores, funções, fontes e meios de obtenção de dados.
Nosso curso se destina a todos os curiosos e interessados na atividade de Inteligência e será muito útil também para quem se prepara para concursos como o da Agência Brasileira de Inteligência.
Descontos para ex-alunos do Minicurso, militares, profissionais de segurança pública e inteligência e pessoas de instituições parceiras.

Aguardo vocês e agradeço pela divulgação!
Abraço!

Joanisval

A Guerra que Mudou o Mundo

Olá, pessoal!

É com imensa satisfação que informo que já estão abertas as inscrições para nosso novo Minicurso Online!

A Guerra que mudou o Mundo: Conversando sobre a I Guerra Mundial“.
Será nos dias 14 e 21 de junho (segundas-feiras), às 20:00.
Aberto a todos que se interessem por História, guerras, Relações Internacionais e que queiram entender um pouco mais sobre o mundo atual, resultado direto do conflito de 1914-1918.

Inscrições e informações em www.linktr.ee/joanisval!

Aguardo vocês! Convidem os amigos!
Abraço!

Minicurso História da Espionagem

Meus caríssimos leitores, vocês pediram e será feito!

É com satisfação que informo que estão abertas as inscrições para o nosso novo minicurso online de 2021: “História da Espionagem, Parte I: da Antiguidade à I Guerra Mundial”, que será nos dias 5 e 12 de abril, das 20:00 às 22:00, completamente online!

Em dois encontros, trataremos da História da Inteligência, dos faraós (de fato, antes disso) até a Grande Guerra (1914-1918). Conversaremos sobre a organização e o funcionamento de serviços secretos nos últimos três mil anos, e sobre a importância do recurso aos espiões, na guerra e na paz. O curso destina-se a todos os interessados em assuntos de Inteligência, Segurança e História, e não tem pré-requisito.

Para se inscrever, clique aqui!

Então, inscreva-se, divulgue e convite os amigos! Descontos para ex-alunos dos minicursos, militares e para profissionais de segurança e inteligência.

Até lá!

Natal, Natal…

Tenho publicado pouco aqui. As novas configurações do WordPress para edição ficaram péssimas para mim. Entretanto, como é véspera de Natal, escrevo para desejar a todos, em especial aos meus 16 (dezesseis) leitores, um Natal pleno de paz, harmonia e felicidade! E que 2021 seja um ano de prosperidade, muita saúde e grandes realizações!

Aproveito para lembrar que, há 106 anos, os conflitos nas trincheiras da frente oriental na I Guerra Mundial foram suspensos, de maneira inacreditável e imprevisível, quando os soldados, dos dois lados da terra de ninguém, resolveram simplesmente parar de lutar e saíram para celebrar o Natal e se confraternizar naquela data tão importante para a Cristandade. Nenhum tiro foi disparado. Ninguém morreu naqueles dias por uma ação do inimigo. Homens de exércitos distintos e adversários cantaram músicas de Natal, compartilharam a ração, mostraram fotos de seus familares uns aos outros e até jogaram futebol onde, até algum tempo antes, caíam bombas do inimigo! Vale muito conhecer sobre a trégua de Natal de 1914!

Quase trinta anos depois, no frio das ravinas de Stalingrado, sob fogo dos ataques soviéticos, um oficial alemão, com um pedaço de carvão produziu um belo e marcante quadro no verso de um velho mapa capturado do inimigo: a “Madonna de Stalingrado”. Esse quadro marcou muito os mais de 1 milhão de alemães que estavam naquelas terríveis condições, cercados pelo inimigo, longe de casa e de suas famílias, e esperando o pior…

Não conheço outra efémeride que consiga despertar tantos sentimentos tão positivos em um significativo número de pessoas e em situações das mais inusitadas! O aniversário de Nosso Senhor Jesus Cristo é a data máxima da Cristandade, a data do nascimento do Grande Reparador! Talvez seja difícil aos que não são cristãos entender isso, mas eis a magia da Religião do Amor! Calam-se as armas, cessa a luta, para que seja celebrado o nascimento do Cristo!

Boas Festas!

Em tempo: a live da semana que faço pelo meu perfil do Instagram (@joanisvalgoncalves) foi sobre guerra no inverno. Ali trato um pouco do Natal de 1914 e da Madonna de Stalingrado. Está disponível, assim como todas as outras lives, em nosso canal no YouTube (joanisvalbsb): www.youtube.com/joanisvalbsb. Vá lá, confira, curta, inscreva-se no canal e agradeço imensamente se puder divulgar compartilhando os vídeos!

O Patriarca

Se ele tivesse vivido nos Estados Unidos, já teria sido tema de minissérie, filme épico e até seriado com várias temporadas. José Bonifácio de Andrada e Silva foi um sujeito extraordinário, e uma das figuras mais marcantes de sua época. Cientista, estadista, soldado, poeta, nascido em Santos, em 1763, Bonifácio veio de uma família portuguesa abastada, estudou na Europa e, no Velho Mundo, tornou-se funcionário renomado do Estado, cientista reconhecido internacionalmente e professor na respeitada Universidade de Coimbra (que criou uma cátedra em Metalurgia para ele).

Sim, o naturalista José Bonifácio é um cientista de escol da Época dos Luzes. Em suas pesquisas, descobriu quatro minerais (quatro!), incluindo a petalita, que mais tarde permitiria a descoberta do elemento lítio, e a andradita, batizada em sua homenagem. Dedicou-se à mineralogia, percorrendo a Europa, em projeto financiado pela Coroa portuguesa, para adquirir, “por meio de viagens literárias e explorações filosóficas, os conhecimentos mais perfeitos de mineralogia e mais partes da filosofia e história natural”. Conheceu grandes homens das Ciências, como Lavoisier, Chaptal e Jussieu.

O brilhantismo como cientista só seria superado por seu talento como homem de Estado. Estava em Paris nos primeiros anos da famigerada Revolução Francesa (e viu que aquilo não era bom). De volta a Portugal, continuou no serviço público, ocupando cargos importantes no Reino. E quando seu país foi invadido pelas forças de Napoleão, alistou-se no Exército, e criou o Corpo de Voluntários Acadêmicos para combater os franceses.

Em 1819 retornou ao Brasil, e logo se tornou próximo do Príncipe Dom Pedro. Seria seu mais fiel conselheiro, e, nessa condição, um dos artífices da Independência. Era amigo próximo também da Princesa e futura Imperatriz Leopoldina, que via nele uma figura paterna e, ao mesmo tempo, um intelectual de alto nível com quem a Arquiduquesa da Ástria, ela própria um mulher de grande inteligência e conhecimento, podia conversar em pé de igualdade. Era dele uma das cartas que chegaram a Pedro no 7 de setembro de 1822, recomendando o rompimento dos laços com Portugal (ainda que Bonifácio, a princípio, não fosse simpatizante dessa separação).

No Brasil independente, foi importante Ministro do Império, ocupando a Pasta do Interior e dos Negócios Estrangeiros. Com isso, contribuiu sobremaneira para a construção no novo Estado que surgia.

De fato, devemos muito a José Bonifácio o projeto nação que se estabeleceu por ocasião da independência. Da concepção de “império” a aspectos essenciais da nacionalidade, e, ainda, da organização do Estado, tudo isso teve a participação daquele que se tornaria o Patrono de nossa Independência.

Foi constituinte em 1823, e sua atuação naquela Assembleia acabou levando-o a entrar em atrito com o Imperador. Assim, com a dissolução do corpo constituinte, Bonifácio cairia em desgraça junto a Dom Pedro, e seria exilado na França, entre 1823 e 1829.

De tão valoroso que era, José Bonifácio viria a reatar com o Imperador. E o vínculo dos dois mostrou-se tão efetivo que, ao abdicar em 1831, Dom Pedro escolheu Bonifácio para ser o tutor de seu filho e herdeiro, o menino que o monarca deixava como tesouro mais precioso aos brasileiros ao partir para o exílio. Assim, Dom Pedro II teria em Bonifácio uma referência paterna. Com a Regência Trina Permanente, foi destituído de seu cargo de tutor do futuro Imperador e acusado de conspirar pelo retorno de Dom Pedro I. Terminaria seus dias afastado da vida pública, vindo a falecer na Ilha de Paquetá, em 1838.

O Patriarca da Independência, primeiro Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, foi um homem livre e de bons costumes, uma referência de integridade, coragem e zelo pela coisa pública. Seu apreço pelo Brasil e sua preocupação em tornar o País uma grande nação deveriam ser de todos conhecidos, e sua memória reverenciada. Oxalá tivéssemos mais homens públicos como José Bonifácio!

Aproveito para deixar a indicação de mais um livro, rico opúsculo da Professora Therezinha de Castro, que escreve sobre José Bonifácio e a unidade nacional. Aprendi muito com essa obra, não só sobre o Patriarca, mas sobre o Brasil em seus primeiros anos.

Soldados, Sacerdotes e Maçons – Live pelo Instagram

No próximo domingo, 06/09, às 17:00, faremos mais uma live através de nosso perfil público no Instagram (@joanisvalgoncalves), intitulada “Soldados, Sacerdotes e Maçons: Fatos e Mitos da Independência do Brasil“. O tema é em comemoração à semana da pátria.

Assim, conversaremos sobre episódios interessantes de nossa História por ocasião do processo de independência, como a participação da Maçonaria, a condição de Reino do Brasil (e não de colônia), as demandas de Portugal e o papel fundamental da Princesa Leopoldina de Habsburgo, nossa futura Imperatriz, naquele momento fundacional da nação brasileira.

Reitero que a live será feita pelo Instagram e ficará disponível no IGTV do Perfil. Também a disponibilizaremos em nosso canal no YouTube (joanisvalbsb). Conhecem nosso canal no Youtube? Pois serão ali muito bem-vindos! Peço que se inscrevam no canal, curtam os vídeos, compartilhem com os amigos e me ajudem a divilgá-lo. Quando chegarmos a mil inscritos em nosso canal no YouTube, faremos algumas promoções e sorteios de livros.

Aguardo vocês lá! Por favor, agradeço pela divulgação. Para nosso perfil no Instagram, clique aqui. E para nosso canal no YouTube, clique aqui.

Nosso Primeiro Imperador

Continuo a indicar livros por aqui e pelo meu perfil do Instagram. E aproveitando a semana da pátria, minha recomendação de hoje é uma excelente biografia de nosso primeiro Imperador: “Dom Pedro, a história não contada”, de Paulo Rezzutti.

Com um texto claro e leve, Rezzutti conta a vida daquele que é, indubitavelmente, um dos grandes homens de nossa História. E derruba muitas inverdades sobre Sua Majestade, concebidas por seus detratores, alimentadas pelo regime republicano e que encontraram campo fértil na ignorância de um povo que pouco conhece de seu passado e nenhum valor atribui a seus verdadeiros heróis.

Dom Pedro I do Brasil (Dom Pedro IV, de Portugal) é uma figura fascinante. Nascido na Europa, criado na América, amava o Brasil acima de tudo, lutou por nossa emancipação, condenou a escravidão (foram dele e de José Bonifácio os primeiros escritos por aqui a criticar a perversa prática), mostrou-se liberal diante de um mundo absolutista. Governou este País com o pulso firme que era necessário para estabelecer esta jovem nação, e essa firmeza produziu grandes inimigos, que acabaram por obrigar o monarca a abdicar e deixar a terra e a gente que amava.

De toda maneira, ao partir, Dom Pedro I aqui nos deixou seu maior tesouro: aquele garotinho, órfão de mãe, que se tornaria o maior estadista de nossa História. E, com isso, demonstrava mais uma vez o quanto seu coração (que hoje está no Porto), era brasileiro. Sim, porque Dom Pedro e sua esposa austríaca, Dona Leopoldina de Habsburgo, eram mais brasileiros que a absoluta maioria dos governantes que os sucederam no período republicano.

Ele próprio, Pedro I, foi um grande estadista (nos limites dos poucos anos de experiência que consegiu reunir). Apesar de muito jovem, proclamou nossa independência, organizou e uniu vários “Brasis” em um único Estado, outorgou-nos a Constituição mais legítima e duradoura. Impetuoso, galanteador, obstinado, seu legado entendeu-se pelas gerações seguintes. E tudo isso alcançado em pouco mais de três décadas de vida!

Tenho muita admiração por Dom Pedro I, e o livro de Rezzuti contribuiu para que ela aumentasse mais ainda. Precisamos conhecer mais sobre nosso primeiro monarca, cujo título que mais amou foi o de “Defensor Perpétuo do Brasil”.

Por que invadir a Polônia?

Próximo domingo, 30/08, às 17h, faremos mais uma live em nosso perfil público do Instagram (@joanisvalgoncalves). O tema será a invasão da Polônia e o início da Segunda Guerra Mundial. Estão todos convidados e agradeço pela divulgação. Até lá!

Canhões de Agosto e a Invasão da Polônia…

Alguns dos meus 16 (dezesseis) leitores ficaram chateados porque perderam nossa primeira live no Instagram, que foi sobre o mês de agosto nas duas guerras mundiais. A boa notícia é que vocês não precisam ficar tristes! Consegui disponibilizar a conversa de domingo passado em nosso canal do youtube, que vocês já conhecem!

Então, para acessar a live sobre os Canhões de Agosto, basta clicar aqui. Por favor, inscreva-se no canal e muito me ajuda se também divulgar!

E como notícia boa não vem sozinha (sou um eterno otimista!), já divulgo aqui que teremos mais uma live, no próximo domingo, 30/08, às 17:00 (estou pensando em adotar esse bat-horário e essa bat-data para as lives, que acham?)! O tema será… “Por que invadir a Polônia? Como começar uma guerra mundial…”.

Então, não fique triste como o pessoal aqui da foto! Vá ao canal, veja a live e se inscreva! Ah! E divulgue, por gentileza! Abraço!

Intelligentia, quo vadis?

Na semana em que se discutiu o papel da Inteligência no estado democrático de direito e que o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronunciou sobre os poderes da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) em suas atividades, acho por bem trazer algumas reflexões aqui sobre o tema, e tornar disponível artigo que escrevi, com os amigos Marcus Reis e Ricardo Esteves, sobre a Inteligência no Governo Jair Bolsonaro.

Trata-se de ensaio que produzimos no final de 2018 e que atualizamos em maio último, resultado de mais de duas décadas de experiência trabalhando com o assunto. São percepções pessoais de como se encontra a Inteligência no Brasil, e do que pode ser feito para aperfeiçoá-la, de modo que nossos serviços secretos possam realizar seu nobre trabalho de maneira cada vez mais efetiva, em prol do Estado e da sociedade.

Para falar de Inteligência (vejam que parei de usar o termo “atividade de inteligência” nesse sentido), é importante ter em mente que todas as democracias do mundo dispõem de serviços de inteligência, cuja atividade é de grande relevância na proteção do Estado, das instituições democráticas e da própria sociedade. Inteligência, ademais, relaciona-se a produtos, processos (atividades) e organizações voltados ao assessoramento do processo decisório nos mais distintos níveis.

A verdade é que por aqui, neste grande País do Hemisfério Sul, ainda se conhece pouco sobre Inteligência, inclusive nas instâncias superiores de tomada de decisão. A doutrina é escassa, e o amadorismo na atividade impera (esta é minha percepção pessoal, repito). Destaco, por exemplo, a preocupante confusão entre inteligência e investigação, que observamos ser, infelizmente, generalizada. Falta clareza, ademais, sobre o papel de cada ente da comunidade de inteligência, seu mandato e sobre como suas relações devem ser desenvolvidas. Carecemos, enfim, de uma “Cultura de Inteligência” (algo que digo há muitos anos).  

No Brasil, portanto, ainda temos muito que evoluir na área de Inteligência. Registro que passos significativos foram dados desde o Governo do Presidente Michel Temer, com o trabalho meritório do General Sérgio Etchegoyen. Entretanto, reformas precisam ser conduzidas no Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), no seu órgão central (a ABIN), e mesmo na legislação e nos mecanismos de controle. É sobre isso que tratamos em nosso ensaio.

Feita esta breve introdução, compartilho aqui o documento INTELIGENCIA NO GOVERNO BOLSONARO (também o coloquei no Espaço Acadêmico aqui no site). Quem quiser citá-lo, pode fazê-lo da seguinte maneira:

Gonçalves, Joanisval Brito; Esteves, Ricardo Zonato & Reis, Marcus Vinicius. “Brasil, 2020 – A Inteligência no Governo Jair Bolsonaro: o Imperativo da Mudança”. Brasília, maio de 2020, in: Frumentarius.com (https://joanisval.com/2020/08/14/intelligentia-quo-vadis/).

E sintam-se à vontade, meus 16 (dezesseis) leitores, para compartilhar!

 

Ascensão e Queda das Grandes Potências, Maurits Escher, e um Grande Mestre!

“Mas hoje não é dia do livro!”… “Dia do livro é terça!”… “Como assim, livro hoje?”… Meus 16 (dezesseis) leitores devem estar-se perguntando por que eu publicaria uma recomendação de livro numa quarta-feira! Se bem que, se são meus 16 (dezesseis) leitores, já me conhecem suficientemente e sabem que “publicações inopinadas” podem ocorrer, hehehe. Assim, vamos lá a mais uma indicação!

O livro de hoje é um clássico das Relações Internacionais! Meu primeiro contato com a obra foi há quase trinta anos, quando iniciava meu curso de Relações Internacionais, em um mundo do imediato pós-Guerra Fria, em que a URSS tinha acabado de desaparecer, os Estados Unidos da América (EUA) mostravam-se vencedores e a Ordem Internacional entrava no caos que marcaria a década de 1990! E foi assim que comecei a entender um pouco do funcionamento desse tabuleiro onde os atores internacionais realizam o jogo do poder…

Escrito pelo historiador britânico Paul Kennedy em 1987, Ascensão e Queda (permitam-me a intimidade que só é possível pelos anos de convivência e aprendizado) rapidamente se tornou um clássico para todos os que labutam nas Relações Internacionais. A obra se destaca pela análise aprofundada de aspectos políticos, econômicos, sociais e institucionais que permitem a clara compreensão de como as chamadas “Grandes Potências” surgem, crescem e se tornam influentes, disputam a hegemonia e buscam tornar-se o hegemon no sistema internacional… O assunto é fascinante, pois auxilia muito na compreensão do mundo de ontem e de hoje, e na projeção do que pode vir a ser o sistema internacional do porvir…

Paul Kennedy nos leva, sempre com muitos dados estatísticos, a um passeio por 500 anos de História, das disputas entre Portugal e Espanha pela hegemonia global durante as Grandes Navegações à rivalidade entre EUA e União Soviética, que culminaria no colapso da última! A narrativa é tremendamente agradável, assim como deve ser o produto do trabalho do verdadeiro historiador… E aquele que se inicia nesse surpreendente admirável mundo novo logo começa a compreender um pouco mais sobre a dinâmica da política internacional.

Sempre recomendei Ascensão e Queda a meus alunos. De fato, a leitura de clássicos como Morgenthau, Wright e Aron, é essencial para desenvolver a capacidade analítica de qualquer profissional de Relações Internacionais. Sim, porque o que os internacionalistas fazemos é tentar entender e explicar o mundo, sem achismos, mas com método e fundamentação. Tudo mais, repito, é opinião, e não análise…

E por falar em análise, vou compartilhar com meus leitores, pela primeira vez, uma informação que me foi transmitida na minha primeira aula, do meu primeiro dia no curso de Relações Internacionais… A disciplina, “Introdução ao Estudo das Relações Internacionais (IERI)”. O professor, uma das minhas grandes referências na área, indiscutivelmente o principal responsável pela minha decisão de seguir essa carreira tão especial, meu querido Mestre e amigo Eiiti Sato! 

Sato entra na sala de aula e começa a nos brindar com sua simpatia, bom humor e conhecimento. E, mais para o fim da aula, distribui-nos, naquela época em que não tínhamos Powerpoint, worldwideweb, tampouco telefones celulares (não me refiro a smartphones, trato mesmo de “telefones celulares”), uma folha de papel com algumas imagens, que compartilho a seguir…

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Aí tive meu primeiro contato com o artista holandês Maurits Cornelis Escher! Algumas de suas obras Sato nos mostrou. Essas imagens me marcariam a partir de então! “Peço que se atenha um pouco a elas”, disse nosso querido professor àquele grupo de calouros de “Rel” (que é como chamamos o curso de Relações Internacionais aqui na Universidade de Brasília, o primeiro e único durante duas décadas)…

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Depois de alguns instantes, Sato olha para nós, dá um sorriso de canto de boca, e diz: “Essas são as Relações Internacionais. Com esses quadros vocês começam a ter uma primeira percepção do sistema internacional!”. Estava encerrada a aula (justiça seja feita, cumprido o tempo regulamentar de aula, pois antes disso o Mestre se apresentara, falara do curso e dirimira nossas dúvidas – não me lembro, durante todo o semestre, do Professor faltando à aula, chegando atrasado ou mesmo terminando a classe mais cedo… isso também foi importante referência para minha vida como docente, anos depois).

Nunca me esqueci dessa primeira aula! Ali tive certeza de que minha vida profissional seria no campo das Relações Internacionais! Sato e Escher, e os clássicos como Paul Kennedy, fizeram-me “pegar gosto” pela análise de como o mundo funciona. E nunca mais deixaria de olhar o sistema internacional com muito carinho, interesse e como meu grande objeto de estudo!

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Fotos e Guerra

Terça-feira, dia do livro.

Aqueles que me conhecem sabem que entre minhas grandes paixões estão a leitura, a fotografia e a polemologia. Afinal, por meio dos livros, das fotos e das guerras, o ser humano consegue expressar o que há de mais profundo em sua natureza, o que o aproxima da beleza da divindade, mas também da escuridão de sua sordidez de ser imperfeito. De toda maneira, tudo é aprendizado.

Voltando a livros, fotos e guerras, hoje destaco uma obra que me é muito cara, pois retrata a vida daqueles que combateram na Grande Guerra (como é também chamada a I Guerra Mundial). São imagens de dor, tristeza, bravura, indignação, medo, angústia, fé, esperança, obstinação, fraternidade, alegria, alívio, conforto, raiva, introspecção, tudo isso junto e misturado. São sensações e sentimentos que preencheram os corações de milhões de homens que, há pouco mais de cem anos, estiveram envolvidos em um conflito sobre o qual, no final das contas, pouco sabiam, e nada entendiam.

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Acho realmente fascinante como a história dessas pessoas foi eternizada por meio da fotografia. Perguntas que sempre me vêm à mente quando vejo uma foto dessas: Quem terá sido essa pessoa? Como era na vida civil? Tinha família? O que achava daquilo tudo? Será que conseguiu sobreviver à Guerra?

Especificamente sobre a cena retratada na foto, fico a imaginar o contexto em que se deu, em uma época em que a fotografia ainda engatinhava, em que “selfie” era algo inconcebível e que cada clique era um precioso registro de arte e de história! Naqueles idos do começo do século passado, já fascinava a invenção do francês Joseph Nicéphore Niépce, que ocorrera então há menos de cem anos, tanto quanto ainda fascina bilhões de pessoas pelo globo! Sim, porque, seja uma clássica imagem do homem comum ou dos reis e imperadores do século XIX, seja uma “selfie” dos dias de hoje (muitas vezes tirada em lugar inusitado como um banheiro, sem qualquer pendor estético e com gosto indiscutivelmente duvidoso), a verdade é que a fotografia toca a alma do ser humano, e o faz se sentir um pouco divino, ao registrar aquele momento e congelar o tempo para todo o sempre!

 “The Faces of World War I”, de Max Arthur. Fica a recomendação do dia.

 

Freemasonry in Brazil

On Sunday, 07/26/2020, I gave a lecture on “Freemasonry in Brazil”. It was organized by The Grand Lodge of Georgia.

You can watch the lecture here:

Distante, mas presente

Depois da publicação sobre o primeiro teste nuclear da história, alguns dos meus fiéis 16 (dezesseis) leitores me perguntaram o porquê de ter parado com as publicações aqui em Frumentarius. Para não lhes deixar sem resposta, explico: mesmo com essa pandemia (e talvez em função dela), a vida tem estado muito corrida (trabalho, estudo, casa…). Com isso, faltou-me tempo para cá.

Sensibilizado com as mensagens, tentarei retomar as atividades aqui também. Vou (re)começar publicando algumas recomendações de livros, conforme já tenho feito na minha página pública no Instagram (não conhece minha página pública no Instagram? pois está perdendo temp… Clique aqui – ou a visite pelo ícone à esquerda na tela – e me siga lá). Espero fazer jus ao carinho de meus leitores. Abraço!

PS: Aquela notícia da morte de Bob Filho, que acabou se mostranto uma grande falácia, deixou-me muito abalado… Por isso não comentei aqui… Afinal, começamos, há muitos anos, Frumentarius com o Chico Cézar norte-coreano e seu herdeiro gorducho, o Bob Filho…

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A Grande Guerra Patriótica

Às vésperas do Dia da Vitória (08/05 aqui no Ocidente, ou 09/05 para os russos e alguns povos das ex-URSS), o mundo celebrará o fim da II Guerra Mundial na Europa de maneira muito distinta daquela das últimas sete décadas. Afinal, eventos públicos estão cancelados ou proibidos pela maior parte do planeta. Eu mesmo pretendia comemorar os 75 anos do fim da Guerra em Londres, celebrando a derrota do nazifascismo na terra de Sua Majestade. Graças a outra coroa (o vírus), fiquei por aqui, em casa… – tudo bem! Será uma história bem diferente para contar para as próximas gerações.

Em comemoração ao Dia da Vitória, tenho feito alguns vídeos com recomendações de livros, que publico em meu canal do YouTube (youtube.com/joanisvalbsb). Quem se interessar pelo tema, por favor vá lá, faça-me uma visita e curta os vídeos! Agradeço muito se puder também se inscrever no canal.

Além dos livros, semana passada gravei uma “live”, intitulada “A Grande Guerra Patriótica: a URSS na II Guerra Mundial”. Foi uma conversa muito interessante (em português) com minha professora de russo, Yulia Mikheeva! Falamos da importância do conflito para os russos, de episódios da guerra e de situações inusitadas. Também respondemos a algumas questões dos participantes. Quem perdeu, perdeu! –  brincadeira, quem perdeu pode acessar o vídeo em nosso canal do Youtube. Vale a pena conferir.

A “live” deu tão certo que pediram mais! Então, hoje, 06/05 (quarta-feira), às 19h, teremos outra live para tratar de batalhas e pessoas na Grande Guerra Patriótica. Quem quiser participar é só procurar o perfil @yucursosdeidiomas no Instagram e entrar na conversa! Começaremos respondendo a algumas perguntas feitas na semana passada!

Então é isso! Nesta época de pandemia, vale conversar um pouco sobre outros temas! Espero meus 16 (dezesseis) leitores daqui a pouco. Abraço!

E, para conhecer nosso canal no Youtube, clique aqui!

Who was defeated in the Great Patriotic war? | The Vineyard of the ...

 

Sou Candango! E amo minha Brasília!

Sim, sou Candango! Candango é como eram chamados os que vieram para construir Brasília. Trabalhadores dos diferentes pontos do Brasil, todos aqui motivados por um sonho, um sonho de Dom Bosco, um sonho de muitos brasileiros, um sonho  que se tornou realidade graças a um garoto pobre do interior de Minas Gerais, que chegou a Presidente e liderou outros milhares de homens e mulheres sonhadores na execução de um grande projeto aqui no Planalto Central!

Sou Candango, e me orgulho disso! Não gosto do termo “brasiliense”, que alguns querem usar por achar “sofisticado”. Sou da primeira geração que nasceu nesta Capital, pela qual sou alucinadamente apaixonado, e, ao construir minha vida, também continuo a construção minha cidade amada. Can-dan-go! Candango tal qual meu pai e minha mãe. Candango como quero que meus filhos sejam!

Brasília não é só concreto (apesar de ser um museu de concreto a céu aberto), longe disso. Brasília não são os políticos que o restante do País manda para cá (até porque, desses, nenhum é realmente daqui). Brasília não é frieza, alienação ou distanciamento. Brasília não é ficção.

Brasília é gente, gente que vive, gente que trabalha, gente que sorri, gente que ama. É gente de diferentes feições e diferentes sotaques, muitos e variados sotaques, ao ponto de ainda termos dúvida sobre o modo característico como falamos. É ausência de identidade? Não, é uma identidade plural a do povo daqui. Brasília é gente, sim! É brava gente brasileira (nascida nesta Capital ou em qualquer outro canto… do mundo)!

Brasília é o céu mais lindo que alguém jamais viu, é verde por toda parte, é resiliência na seca, é festa na chuva! São os ipês, com suas distintas e coloridas floradas! São as cores da natureza, e o sinal da existência de um Criador! São as aves e seus variados sons, na janela aqui de casa, no trabalho ou por onde for!

Brasília é música, é arte por toda parte! É rock, é forró, é brega, é punk! É Orquestra Sinfônica! É Teatro dos Bancários! É artista de rua! É violão e sanfona! São os vários CTGs! É a Casa do Cantador! É música na Igreja, e o Espaço Renato, e o nosso Teatro, que é Nacional, mas que fechou.

Brasília é religião e misticismo. São os vitrais da Dom Bosco e os Anjos da Catedral.  São os cultos em inglês, grego e latim. É a Igreja Batista Central. É a Rosacruz no Planalto. É Maçonaria em toda parte. É Templo da Boa Vontade, Mesquita e Comunhão Espírita. São terreiros e centros, igrejas e templos, com um fim único: render graças ao Grande Arquiteto do Universo e pedir pela humanidade! Tudo isso gantindo uma aura especial, e a diversidade e o sincretismo da cidade!

Brasília é churrasco no domingo, a feijoada na sexta e a pizza no sábado! É o choppinho depois do trabalho. É a carne de sol do Xique-Xique, os naturebas e veganos, e japonês por toda parte. É comida a Kilo (ideia nossa!), é a Galeteria Gaúcha do Lago. Mas é também o arroz do Careca, e (no Sílvio) a pizza de salada . É o macarrão do Ninny, a comida da Tia Zélia, e o self-service do Aspargus.

Brasília são avenidas largas, múltiplas tesourinhas, passagens subterrâneas no Eixão, viadutos que resistem ao descaso, e agulhinhas, total novidade! É a Rodô, com a Viçosa e seu pastel com caldo de cana. É Minhocão na UnB, é Templo da Boa Vontade. É Drive-In, autódromo e kart!

Brasília é virar à esquerda quando se quer ir para a direita, é pegar o baú na W3 e descer o Eixo para a L2! É fazer um balão com tranquilidade e jamais buzinar pela cidade! É morar nas 300, nas 200, estudar nas 700 e ir ao culto ou à missa nas 600. É jantar na Asa Norte, passar no Pontão, ir para balada na Asa Sul e terminar a noite com a pizza da Dom Bosco! É entender o que é um Setor, seja ele Hospitalar, Hoteleiro, Comercial ou de Diversões! É descer para os pilotis, conversar embaixo do bloco, conhecer onde as Quadras são fechadas, ir na farmácia ou na lojinha do amigo na comercial. É saber exatamente o que significa um cobogó. 

Brasília é o Parque, é o Lago, é o Buraco do Tatu! Brasília é o Olhos D’Água da Asa Norte, e a Igrejinha da Asa Sul! É a tradição da Vila Planalto, as mansões das Quadras internas e do Lago, nos Lagos, é a Feira do Guará, o sarapatel, a buchada e o cozidão no Núcleo Bandeirante, onde sei que foi encontrar aquele queijo curado! É o samba do Cruzeiro! É o Periquito e o futebol do Gama, é Praça do Relógio em Taguatinga, é o Setor Bolinha da Ceilândia, é a Festa do Morango de Brazlândia, é o Vale do Amanhecer em Planaltina, são as igrejas, igrejas e mais igrejas e a Quadra Central na minha Sobradinho Serrana ! É a vida além do Plano Piloto, mas também no Plano Piloto!

Brasília, Brasil em latim,  é tudo isso e mais um pouco. Sou eu, e é você, que leu e entendeu. É essa gente maravilhosa de todo Brasil, e é o Brasil todo! Gente desbravadora, que veio para cá, buscou, sofreu, perserverou e venceu!

Brasília é minha casa. Sou Candango, assim como os três milhões que nasceram ou adotaram esse quadradinho com um avião no centro desse Brasilzão. Sim, Candango, do Planalto Central, com muito orgulho e gratidão!

Parabéns, Brasília! Parabéns pelos seus 60 anos!

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Sessentona que eu amo!

Screenshot_20200421-083633_ChromeMinha cidade amada agora é sessentona! Parabéns a Brasília!
Você continua um lugar lindo e maravilhoso para nascer e viver, para trabalhar e criar os filhos, para construir amizades e transformar sonhos em realidade!

Você resiste, minha amada Brasília, como esta cidade fascinante, apesar de todo o mal que lhe fizeram desde 1988! E quanto não lhe fizeram de maldade, de descaso e de escárnio!

Brasília não merece os governantes que teve nas últimas três décadas, pessoas que não eram daqui e não amavam esta terra. Sofremos com invasões, ocupações ilegais (de barracos mais simples a mansões em condomínios que causam enormes impactos ambientais e urbanísticos). Sofremos com a ignorância, a falta de espírito público e a corrupção.

Sofremos com o descaso para com este lugar, que deveria ser sagrado para todos os brasileiros, pois foi fundado para simbolizar um Brasil melhor, mais próspero e desenvolvido, um Brasil unido, forte e soberano!

Como disse o poeta que aqui viveu, “neste país lugar melhor não há”!
Amo Brasília, amo minha terra, amo minha casa!

Parabéns, Brasília! Parabéns,  cidade linda! Parabéns, sessentona  charmosa e viva! Apesar de tudo que lhe fizeram, você continua esse lugar especial no meu coração!

Compartilho aqui um vídeo feito por artistas de Brasília. Ao final, nos créditos, informações para quem queira contribuir ajudando o Lar dos Velhinhos de Sobradinho (conheço a instituição e bom serviço assistencial que fazem ali).

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Uma Grande Oportunidade!

Devido a esse período de isolamento, verdadeira purga, que se seguiu durante a Quaresma, talvez pela primeira vez em muitas décadas, os ocidentais se apercebam do verdadeiro sentido da Páscoa.
Não são ovos ou outros enfeites de chocolate, não são grandes promoções no comércio, não é nem mesmo aquele almoço lauto seguido de fotos no Instagram…
Ao menos para nós de tradição cristã, Páscoa é renascimento, é a celebração da Ressurreição daquele que é o Homem-Deus, o Grande Reparador, e cujo legado de 2000 anos é de amor incondicional e de serviço ao próximo.
Para nós, cristãos, foi dada a oportunidade de uma Páscoa diferente, aparentemente mais simples, porém mais verdadeira, uma oportunidade para pensarmos naquilo e, sobretudo, naqueles que realmente importam.
Que a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja marcada em nossos corações e que busquemos sempre imitá-lo, para, algum dia, alcançar a Reintegração e chegar à Jerusalém Celeste, vivendo para a Eternidade em Seu Reino que não é deste mundo.
Uma Feliz Páscoa a todos!
Joanisval