Terça, dia do livro!

Muito bem, meus queridos 16 leitores! Como havia prometido, as terças-feiras serão consagradas a uma de minhas grandes paixões – e que, tenho certeza, é também a de 11 em cada 10 seguidores de Frumentarius: os livros!

Assim, a ideia é a cada terça publicar algo sobre livros, por exemplo, comentários referentes a alguma obra que esteja lendo, bem como alguma matéria de interesse de apreciadores dessa maravilhosa peça provocadora da imaginação e geradora de emoções! Nesse sentido, impressionante o quanto repercutiu nosso desabafo, “Livro, um péssimo negócio!“, que alcançou mais de 4 mil visualizações em três dias! (Para alguém que não tem maiores pretensões que as de poder compartilhar com os amigos suas reflexões sobre um pouco de tudo, o alcance realmente superou quaisquer expectativas.)

Pois muito bem! Fique sabendo que toda terça teremos pelo menos um post sobre livros. Espero que goste!

Como “prólogo” dessa nova categoria de publicações de Frumentarius, quero compartilhar com vocês um vídeo sobre meu cantinho, meu lugar sagrado, onde reúno meus livros e posso relaxar e me dedicar à leitura e à reflexão. Conheçam a minha biblioteca! Abraço!

PS: Consultas no local, mediante agendamento prévio e acompanhadas do bibliotecário!

Leningrado, Dia 1 (Operação Outubro Vermelho) – Bônus

Estou aprendendo a editar vídeos. Assim, resolvi fazer este ensaio com um piloto sobre o primeiro dia na capital da Rússia Imperial, São Petersburgo. Fica como bônus pelo atraso na publicação desta quinta, hehehe. Ainda há falhas na edição, mas, repito, estou aprendendo – e, como digo a meus filhos, é errando que se aprende! Espero que gostem!

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Operação Outubro Vermelho – A decisão de avançar!

Sempre quis conhecer a Rússia (grande novidade para quem é um apaixonado pelas relações internacionais!). Afinal, o maior país do mundo, história, cultura, caleidoscópio de povos fascinantes… Uma potência nuclear e uma nação que viveu incomensuráveis transformações em cem anos… Além disso, oportunidade para treinar meu russo (comecei a estudar o idioma nos anos 1990, na Embaixada da Federação da Rússia em Brasília, apesar de ter esquecido tudo), e, para completar, terra de Putin (gosto de Putin; Putin é KGB). Assim, se havia um país que estava na minha lista de destinos, esse seria a Rússia.

20171102_152829Minha ideia de visitar a Rússia ganhara força em 2015, por ocasião dos 70 anos do final da Segunda Guerra Mundial (ou, como dizem os russos, da “Grande Guerra Patriótica”). Havia preparado todo um planejamento para estar em Moscou em 9 de maio, data da assinatura da rendição incondicional alemã, em Berlim, 1945 (haviam assinado a rendição em 7 de maio, em Reims, França, mas sem a presença soviética, e então Stálin fez uma singela interferência para que outro documento fosse firmado para ter efeito a partir das 23:00 de 08/05, na Capital do Reich, e já 09/05 em Moscou). Meu objetivo, portanto, era vivenciar o clima de Moscou durante os festejos do Dia da Vitória. Iria também a São Petersburgo (Leningrado), a Kursk (onde se deu a maior batalha de tanques da história), e a Volgagrado (a antiga Stalingrado)…

Por razões alheias à minha vontade, essa primeira incursão em solo soviét…, digo, russo, foi abortada – meu 8 de maio de 2015 foi em Brasília, participando de uma cerimônia de última hora no Palácio do Planalto, e na qual a impressão que se tinha é que a então presidente da república estava tremendamente desconfortável com o evento… Mas a vontade de viajar para o país dos Romanov só aumentava, e eu já tinha feito contato com o Sérgio Delduque, da Tchayka (já falei dele por aqui), e tinha a expectativa de organizar uma viagem à terra de Tolstoi num futuro próximo…

Passou um ano, acabou o (des)governo Dilma (amém!), um segundo ano, e, em 2017, recebi um e-mail de Sérgio informando que eles estavam a organizar uma excursão especial à Rússia, por ocasião do centenário da (famigerada) revolução de outubro de 1917 (o “famigerada” é por minha conta, pois Sérgio, profissional elegante e isento que é, nunca usaria esse termo – mas, como a história é minha, eu conto como quiser, né?). O momento seria interessantíssimo, pois o país vivia um clima de revisão do passado soviético, preparava-se para as eleições presidenciais do ano seguinte (que fariam com que Putin se tornasse o governante com mais tempo no poder desde os czares) e, de quebra, vivia a fase preparatória para a Copa do Mundo de Futebol de 2018! Essa eu não perderia!

20171106_193039Foi questão de alguns dias para acertar tudo com a Tchayka… A única reticência é que eu iria em um grupo (o que para mim é estranho, pois costumo viajar sozinho), com pessoas completamente desconhecidas. Que tipo de gente se interessaria em ir à Rússia por ocasião do centenário da (nefasta) Revolução Bolchevique? Será que eu, conservador na política, liberal na economia, monarquista convicto, acabaria muito destoante do grupo? Resolvi então consultar alguns amigos para ver se alguém se interessava – aqui de Brasília, o silêncio foi absoluto.

Se o pessoal de Brasília não pôde me acompanhar, quão grata não foi a surpresa quando um casal amigo de Santos resolveu me acompanhar nessa empreitada! Gustavo e Adriana são dois queridos amigos que fiz quando viajamos juntos para a Normandia, em junho de 2014 (certamente serão dedicados vários posts aqui à viagem à Normandia, mas o que ficou de mais marcante daquele passeio foram os amigos que fiz, um grupo fantástico e singular, com quem convivo até hoje!). E, conforme veremos nas publicações seguintes, esses dois companheiros de viagem foram responsáveis por vários momentos inesquecíveis naquele fascinante país – certamente não teria sido a mesma coisa sem eles!

Muito bem! Passagem comprada, pacote ajustado com alguns dias a mais em São Petersburgo (antes do grupo chegar) e em Moscou (depois que acabasse a programação proposta pela Tchayka), inclusive com a companhia de Adriana e Gustavo, agora era começar os meus preparativos… Sim, porque, para ir para a Rússia, ainda mais pela primeira vez, eu teria que me preparar! Nó próximo post, tratarei desses preparativos…

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Pelo mundo… Um pouco de tudo…

Meus queridos 16 leitores, neste domingo, 04/08/2019, começo um projeto novo aqui em Frumentarius: atendendo a pedidos, passarei a contar sobre as minhas viagens pelo mundo… A ideia é, a cada semana, narrar um pouquinho sobre as aventuras deste viajante em destinos pouco conhecidos, ou muito conhecidos, mas com programas que fujam dos roteiros turísticos comuns. Não esperem lugares turísticos tradiconais (a não ser que haja uma boa anedota relacionada), tampouco roteiros de compras (salvo de livrarias ou lojas de militaria), e muito menos de gastronomia (com exceções, como um bom local onde você possa experimentar carne de urso ou um guisado georgiano).

IMG_20190707_175436_117Nossas narrativas envolverão História, gente e guerra. Sempre gostei de visitar campos de batalha, museus ou sítios onde grandes decisões foram tomadas, e, claro, cemitérios militares (para render tributo aos que tombaram no cumprimento de nobres missões)… E é sobre isso que serão as publicações em sua maioria.

Assim, começaremos pela Rússia, onde estive em outubro/novembro de 17 (2017), passaremos pela Alemanha, pelos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial, pelas praias da Normandia. A cada semana, a princípio nas quintas-ferias (por que quintas-feiras? Porque escolhi as quintas aleatoriamente, uai!), publicarei um post comentando um episódio de alguma viagem, com imagens, algumas vezes, vídeos (espero aperfeiçoar minha capacidade de edição das imagens).

Cada viagem terá um nome específico, e os posts serão agrupados na categoria “Viagens” e na subcategoria referente ao destino. Portanto, a da Rússia’17 será chamada “Operação Outubro Vermelho”, e todos os posts relacionados estarão nessa categoria. Naturalmente, não esgotaremos um tema para entrar em outro e, com o passar das semanas, você pode ser surpreendido com uma história sobre a “Operação Outubro Vermelho” e, na outra, com comentários referentes à “Guerra do Fim do Mundo” ou à “Operação Overlord” (no momento certo, informarei sobre a que viagens se referem esses nomes).

Aí você me pergunta, “e o que é que eu tenho com isso?”. Bom, pode ser que você, entre os 16 leitores, seja um dos dois ou três que apreciarão os “causos” que contarei por aqui! Espero que goste e que as dicas que darei possam ser úteis a suas próprias viagens, sem maiores pretensões…

Amanhã começaremos, então, a Operação Outubro Vermelho! Até lá!

Livro, um péssimo negócio!

Ao chegar hoje ao shopping para minha habitual programação das tardes de sábado, deparei-me com um cenário triste e uma situação inesperada: uma parede de madeira dividia a Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, restringindo seu espaço a apenas um terço do original… No tapume bege, a mensagem de que estavam em obras e que ali seriam as futuras instalações de uma papelaria conhecida aqui de Brasília.

20190727_152105Sensação das piores para todos os apaixonados por livros e que tinham na Cultura um oásis para matar a sede de conhecimento nos finais de semana, encontrar os amigos entre as prateleiras e tomar um chocolate no Café ali dentro! Sentimento de perda, não só de espaço, mas uma parcela de momentos inesquecíveis… Frustração ao ver os livros, em menor quantidade, distribuídos quase que aleatoriamente em estantes que sobravam, e para as quais os (poucos) vendedores acorriam com um ar de desencanto, meio que tentando reposicionar títulos que não sabiam se realmente deveriam estar ali. “Desencanto” talvez seja a melhor definição daquele cenário.

Olho para o lado e vejo minha filha com lágrima nos olhos… Ela cresceu indo àquela livraria, brincava na seção infantil, entretia-se com as apresentações culturais, passava horas envolvida com as histórias de quem sabia fazer sonhar… Ali certamente seu gosto pela leitura era ninado em um ambiente saudável e acolhedor. Ali ela participou de lançamentos de obras infantis, infanto-juvenis e até de autoria de seu pai, com lembranças, repito, que jamais serão apagadas. E agora, aquela menina vislumbrava o começo do fim, e seu espaço sendo diminuído, perguntando-se se seria a modernidade que estaria a nos afastar daquele companheiro de toda a vida, e que se popularizou a partir do momento em que Gutemberg nos trouxe a imprensa…

Talvez quem viva com livros entenda esse sentimento de frustração. No Brasil, as grandes livrarias entraram em crise nos últimos anos, com a FNAC fechando e sendo comprada pela Cultura, esta, por sua vez, em recuperação judicial, e em grave risco de bancarrota, assim como acontece com a Saraiva, com diversas unidades tendo que cerrar suas portas, e grupos de livreiros tradicionais deixando dívidas de milhões para as editoras e demais credores. Isso tudo levaria muita gente a afirmar que, “definitivamente, o livro é um péssimo negócio, sobretudo no Brasil”.

Não sou conhecedor do mercado editorial, muito menos do negócio dos livreiros. Na condição de autor, o elo mais fraco nisso tudo depois do próprio leitor, percebi, porém, situações que contribuíram para nos colocar na pior crise que o setor que edita e comercializa livros tem enfrentado em toda sua história. De forma alguma farei qualquer análise técnica do problema, mas apresentarei algumas reflexões fruto da observação de quem escreve, adquire constantemente, e é apaixonado por livros.

Um primeiro ponto a ser considerado no “negócio” dos livros é como são distribuídos os valores pagos quando você compra uma obra. Do preço de capa, entre 5% e 10% vão para o autor (normalmente, não se passa disso), que terá sorte se as editoras realmente pagarem esses direitos autorais (do meu primeiro livro, Tribunal de Nuremberg, recebi um imenso calote da Editora Renovar, que nunca me pagou os direitos referentes à segunda edição, em um total descaso com quem gerou a obra – essa falta de profissionalismo para com os autores talvez tenha contribuído para a falência daquela editora). Assim, o autor dificilmente receberá mais de 10% do preço de capa (definitivamente, são raríssimos os autores que vivem de suas publicações no País).

Se entre 5% e 10% é destinado ao autor, a editora fica com cerca de 40 a 50% do preço de capa, parcela para cobrir os custos de produção, distribuição e impostos e, claro, o lucro do editor – é disso que ele e a empresa vivem. Assim, quem se dedica ao negócio de publicar livros e, normalmente, arca com os riscos do negócio (há editoras que dividem com o autor esses riscos da publicação), terá entre 40 e 50% do preço de capa. E os outros 40 a 50%? Bom, esses vão para os livreiros.

Sim, entre 40 e 50% do preço de capa de um livro fica para a livraria – com isso ela paga suas despesas e tem seu lucro. E é com essa margem que ela pode lidar para, por exemplo, fazer promoções e dar descontos. Aqui cabe um detalhe importante: geralmente, os livros são vendidos pelas livrarias por consignação, ou seja, as livrarias recebem as obras e só “pagam” às editoras depois que venderem. Quando, em ocasiões mais raras, os livreiros pagam antecipadamente parte dos títulos que adquirem, fazem-no com cláusulas contratuais que lhes permitam devolver os livros não vendidos depois de um certo tempo, e receber o dinheiro de volta – em espécie, ou em forma de crédito junto à editora. E assim, em linhas gerais, funciona a distribuição dos valores arrecadados com a comercialização de livros, abocanhando as livrarias uma parcela significativa deles!

20181123114426_1200_675_-_livraria_saraivaAinda que os editores reclamem e digam que os vendedores de livros ficam com a maior parte do lucro, sempre foi assim… E, nessa relação muitas vezes complicada com as editoras, pequenas livrarias viraram grandes redes, fizeram investimentos, engoliram livreiros menores, fizeram contratos leoninos com as editoras (que, muitas vezes, reproduziam esse comportamento com os autores), começaram a “diversificar o negócio”, perderam a mão, não abriam mão dos lucros significativos, e começaram a levar tombos, deixar de vender, deixar de pagar os fornecedores, ver suas dívidas crescerem, fechar as portas e tomar consciência de que a crise era uma evidência de que o livro era “um péssimo negócio”!

Nos últimos anos, as perdas foram significativas para muitos que tinham livros como negócio. Entre 2012 e 2019, o número de livrarias no Brasil (que sempre foi reduzido) teria despencado de cerca de 3.500 para 2.500… Rui Campos, proprietário da Livraria da Travessa, teceu algumas interessantes considerações sobre a situação do mercado editorial do Brasil nos últimos anos, em entrevista publicada pela Deutsche Welle, em 31/01/2019:

“Ao mergulharmos na crise sem precedentes que o Brasil enfrentou nos últimos anos, as nossas principais redes revelaram as estratégias equivocadas em que se envolveram. Encontrando financiamento fácil característico dos anos Dilma, usaram e abusaram de busca desenfreada por aumento de faturamento visando ‘abertura de capital’, sem nenhuma preocupação com margens e resultados. (…) Conduziram uma abertura acelerada de megalojas, enxugamento de quadros com a demissão dos livreiros históricos e um forte investimento em livros eletrônicos e em e-readers para leitura de e-books que não performaram nem perto do que se apregoava. Sendo as livrarias criadoras de demanda, nunca essa demanda será totalmente atendida por outras livrarias. Muito irá se perder com consequências ruins para nossas editoras e para o mercado livreiro”. ( – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/deutschewelle/2019/01/31/as-livrarias-estao-desaparecendo-do-brasil.htm)

“Tudo bem”, você vai dizer, “sempre lemos pouco em relação ao restante do continente, vivemos o período de maior crise econômica de nossa história, e os livros tradicionais estariam perdendo espaço para novas opções tecnológicas como e-books e audiobooks” (usei o gerúndio e escrevo os nomes em inglês porque o pessoal acha mais chique e modernoso usar a língua e o estilo dos gringos, mesmo que os autores sejam Machado de Assis – que nunca leu um e-book – ou Eça de Queiroz – o qual, consta, detestava audiobooks). Só que a verdade não é bem essa…

Pesquisas assinalam que o número de leitores tem aumentado, bem como a venda de livros – sempre que se tem uma bienal esse fato é ressaltado, não? E enquanto e Saraiva e Cultura quase colapsaram, redes como a Martins Fontes, a Leitura (tenho minhas reservas com relação à Leitura) e a Livraria da Travessa cresceram e ocupam mais espaço. Reproduzo aqui um trecho de matéria de O Estado de São Paulo, de 27/12/2018, que trata dessa situação:

Um cenário desolador, que coloca em xeque o modelo de negócio e faz pensar em alternativas para o futuro, mas que tem boas notícias também. A Martins Fontes Paulista, focada em livro, registrou até a véspera do Natal crescimento de 56% no faturamento em relação ao mesmo período de 2017. Alexandre Martins Fontes, que sempre teve a Cultura do Conjunto Nacional como modelo, diz que “uma livraria física deve oferecer tudo aquilo que uma livraria virtual não oferece: atendimento personalizado, ambiente aconchegante, eventos culturais, café, etc.”. A Travessa, do Rio, chega a SP e a Lisboa em 2019. E a Leitura se espalha pelo interior do Brasil, aeroportos e rodoviárias. (Para a matéria completa, vide: https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,a-crise-do-mercado-editorial-brasileiro-em-cinco-perguntas,70002658690)

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Voltamos, assim, ao ponto inicial de minhas elucubrações: como a Saraiva e, sobretudo, a Cultura, chegaram a essa situação? Usando as palavras do passageiro perdido, dirigidas o motorista do ônibus, “a que ponto chegamos” para eu entrar na Livraria que se tornou um dos pontos de referência na Capital do Brasil e ver aquele cenário apocalíptico (ao menos para quem ama livros)?

Sinceramente, essas duas grandes corporações editoriais entraram em colapso quando mudaram a sua percepção do comércio dos livros e contrataram “especialistas” para promover uma “reengenharia” em seu “negócio”. Sim, tanto Saraiva quanto Cultura se afastaram das origens, arranjaram “CEOs” e “businessmen” para substituir “donos”, “gerentes” e “diretores” e começaram a conduzir-se como se livros, redes de fast-food e bancos fossem o mesmo tipo de negócio, ou negócios a serem tocados do mesmo jeito: estratégias de vanguarda aplicadas no setor financeiro poderiam ser aplicadas para as livrarias? Por que não? E leitores nada mais seriam que clientes, com “meu negócio preocupado em racionalizar os gastos, aumentar a eficiência, reduzir a despesa e aumentar os lucros?” Claro! “Por que não vender computadores, TVs e DVDs aproveitando o espaço das livrarias?” E “para que eu preciso de vendedores que conheçam e gostem de livros se posso pagar menos para alguém que saiba operar um sistema e verificar no computador que o livro de Joanisval e Marcus Reis, Terrorismo: conhecimento e combate está na seção de Literatura, subseção Terror, ou está esgotado – já que no meu sistema diz que não consta na loja?” Esse mesmo vendedor, diga-se de passagem, vai procurar O Banquete, de Platão, na seção de Culinária – e pode até ser que encontre!

Saraiva e Cultura deixaram de ser livrarias, de contratar livreiros, e passaram a tocar o “negócio de livros”, mais um “negócio”… Esqueceram que o “consumidor” de um livro é, na verdade, um “leitor”. Parecem não saber que quem vai em busca de um livro na livraria está à procura de uma experiência…

Quem lê exerce uma atividade prazerosa desde o momento que chega à livraria (não à “megastore”) para passear pelas estantes, correr os olhos a brilhar sobre as prateleiras, pegar um, dois, três livros, sentar em uma poltrona para passar a outro estado de consciência enquanto viaja nas reflexões de outra pessoa, reflexões essas que se tornam suas a cada página “degustada”. Quem vai a uma livraria quer deixar de lado as preocupações quotidianas, quer fugir, ainda que por alguns minutos, para um universo em que possa, por si só, descobrir algo novo, viver outras realidades. Apenas quem ama livros sabe o prazer que um texto bem escrito proporciona e a importância de uma boa livraria para a saúde mental do ser humano.

Sim, faz toda a diferença chegar a uma livraria como era a Livraria Cultura do Shopping Iguatemi de Brasília! Dezenas de estantes, livros dos mais distintos gêneros, cheiro de livro novo, poltronas para se recostar e apreciar um bom título (que acabaria sendo adquirido), mas não sem antes tirar um cochilo de poucos segundos, porém de imenso potencial revitalizador. Um café no “Café” completa o passeio à livraria que, se há desconto, ainda que simbólico para aqueles que são “fiéis” (sim, porque senão o leitor pode viver tudo isso e buscar a obra mais em conta pela internet – desconto é algo psicológico!), certamente verá o leitor indo embora com a sacolinha e ao menos um livro nela – para voltar na outra semana em busca de mais!

O livro foi, indubitavelmente, uma das maiores criações da humanidade. Portanto, o livro e a humanidade são indissociáveis. Muito difícil vender livros sem gostar de livros. Daí a importância do “livreiro”. As grandes redes sacrificaram seus livreiros. E ao matarem os livreiros que ali estavam, selaram sua própria sorte. A única chance, portanto, é sair do “negócio dos livros” e voltar ao “ofício dos livreiros”.

Para concluir com uma centelha de esperança, se a frustração foi imensa hoje na Cultura, a alegria foi grande diante de um episódio que aconteceu comigo no início da semana: ao entrar na Saraiva do Brasília Shopping, aqui na minha cidade, percebi que a loja estava diferente, com um ambiente mais agradável. Alguma coisa parecia estar mudando ali. Acabei encontrando três livros e fui ao caixa para levá-los (sim, não os comprei pela internet, pois tenho desconto na Saraiva). Qual não foi minha surpresa quando me deparei, trabalhando naquela loja, com o Chiquinho, amigo de longa data, e um dos últimos livreiros aqui do Distrito Federal! Chiquinho dedicou toda sua vida aos livros, é um Livreiro com “L” maiúsculo, alguém que diz com muito orgulho que “saiu da roça para trabalhar na livraria e nunca mais pensou em outra profissão!”. Estava explicado o porquê daquele ambiente diferente, renovado. A livraria agora dispunha de alguém que ama livros, ama falar de livros, ama ser livreiro!

Espero, verdadeiramente, que a Saraiva continue a recuperar-se (e que traga mais Chiquinhos para seus quadros), e que a Cultura retome seu rumo e volte às origens. E as origens da Livraria Cultura dão, por si, uma boa história, uma boa história de dificuldades, desafios e superação, uma história de imigrantes judeus que amavam livros e que viram no comércio dos livros sua profissão.

Livro só será um péssimo negócio se for só “um negócio”. Cada livro é uma peça única, feita por alguém para outra pessoa. Cada livro é uma expressão de nossa cultura, a materialização de nosso pensamento e, sobretudo, em cada livro está uma parcela da humanidade. E, a esse respeito, o encontro com Chiquinho na Saraiva e a experiência nefasta na Cultura, ambas na mesma semana, fizeram-me lembrar as palavras de Charles Chaplin: “Homens, não sois máquina! Homens é o que sois!”.

Seguem os links para as matérias citadas, com informações sobre o mercado editorial brasileiro:

A crise do mercado editorial brasileiro em cinco perguntas

As livrarias estão desaparecendo do Brasil

Sim, chegamos lá!

Duas frases são marcantes para mim desde que me lembro de ter consciência do mundo: “A Águia pousou!” e “Um pequeno passo para um homem, mas um grande passo para a humanidade!”. Ambas foram ditas com alguns minutos de diferença e no mesmo contexto. Ambas foram bem pensadas para serem ditas. Ambas representam a maior empreitada conduzida pela raça humana em sua singela existência… Simbolizam também uma grande conquista, o trabalho direto de 400 mil pessoas, como disse Mike Collins (um dos três astronautas da Apollo 11), de engenheiros àqueles homens e mulheres que costuraram os trajes espaciais. Essas duas frases foram ditas por ocasião da chegada da Apollo 11 à Lua.

Aconteceu há exatos cinqüenta anos, em um dia 20 de julho de 1969… Entretanto, ainda hoje, eu, que nem era nascido então, emociono-me ao ouvir a narração de Collins sobre o evento e ao ver as imagens. Com a Águia, bilhões de seres humanos pousaram naquele corpo celeste que sempre foi objeto de curiosidade, de adoração, de iluminação, aquele astro que preenchia a imaginação do homem primitivo, era a referência a sacerdotes e fiéis de distintas religiões, inspiração para poetas e para os amantes. E isso, repito, desde sempre, unindo pessoas em distintos pontos da Terra e de diferentes tempos, mas que toda noite a viam, lá no céu, majestosa e imponente. A Águia pousou! Todos alunissamos com Neil e Buzz.

Sim, o pequeno passo de Neil Armstrong foi um grande passo para toda a humanidade. Pisamos em solo lunar! Alcançamos o objetivo tão almejado desde o início dos tempos, dos nossos tempos. E caminhamos com Neil e com Buzz Aldrin, e os vimos saltar naquela terra (?) de gravidade diferente e, como faria qualquer ser humano, brincar naquele novo mundo! E nunca mais seríamos os mesmos depois daquilo.

Não tratarei aqui das grandes conquistas e dos avanços tecnológicos oriundos do programa espacial que levou aqueles três astronautas da Apollo 11 à Lua. Tampouco farei refência aos inúmeros objetos que temos conosco e que são resultado daquela empreitada. Nada direi sobre o esforço hercúleo de milhares de pessoas para colocar aqueles desbravadores no espaço, nem que os computadores que usavam à epóca tinham capacidade menor que a dos nossos smartphones do dia-a-dia…

O que desejo registrar aqui é apenas minha reverência àqueles que fizeram acontecer, que lá chegaram, e que deixaram um legado maravilhoso de Ciência e humanismo para as gerações que os sucederam! Obrigado, Neil, Buzz, Mike! Obrigado, a todos os envolvidos no Programa Apollo! Obrigado aos que os antecederam! Obrigado por nos fazerem ver a Lua, e a Terra, sob outra perspectiva! Obrigado por fazer este garoto, homem feito, ter seus olhos lacrimejados quando vê as imagens, ouve as histórias e vive, cinquenta anos depois, aqueles momentos! E parabéns, neste 20 de julho, por terem chegado lá, e por nos terem levado com vocês!

Nota: para a narração de Mike Collins sobre aquele episódio, vide: https://youtu.be/uzbquKCqEQY.

 

 

Não se esqueça do meu blindado!

Estamos em abril, mas já quero aproveitar para ajudar os amigos que desejem me presentar no meu aniversário (8 de dezembro, anote aí!) ou no Natal (25 de dezembro, para quem não sabe!): já escolhi o que quero, e é simples de conseguir!

Quero um tanque de guerra russo, tudo bem? Existe na terra de Putin (gosto de Putin! Putin é KGB) uma “Associação de Veículos para Todos os Terrenos”, por meio da qual se pode adquirir veículos militares (como um tanque!). Para o site da Associação, clique aqui (está em russo, tudo bem?).

T-34 – coisa munita!

Assim, com quaisquer 200 mil dólares você pode adquirir um belíssimo T-34, o mais famoso blindado soviético da II Guerra Mundial (ou, se quiser usar o termo russo, da Grande Guerra Patriótica)!

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A descrição no site do T-34 é muito bacana, mais ou menos assim:

Modelo lendário T-34: características e vantagens de um tanque médio. O modelo T-34 pode ser chamado de lenda – é o tanque mais massivo da Segunda Guerra Mundial, que desempenhou um papel crucial em muitas batalhas. Ele começou a produção em massa em 1940, e até meados de 1944 foi o principal tanque do Exército Vermelho. Ao longo da história, a URSS produziu mais de 80 mil desses tanques, alguns dos quais chegaram aos nossos tempos. O tanque modelo T-34 é de interesse para colecionadores e amantes de veículos blindados históricos. Se desejar, você pode obter um carro lendário em boas condições: em movimento, customizado, mas tendo passado por um processo de desmilitarização.

Caso você, meu caro leitor e amigo, queira me presentear com alguns veículos mais modernos (se puder escolher, prefiro o T-34, que já foi muito testado inclusive contra Panzer), pode escolher um T-72 ou um T-80, ao precinho camarada – entendeu o trocadilho? – de 350 a 500 mil dólares! O que são alguns mil dólares para fazer o Joanisval feliz?

20171111_160001Faço um pequeno alerta: não compre munição! Os módulos de munição são removidos de todos esses blindados, de modo que o canhão de 125 mm não vai funcionar (o que, realmente, é uma pena!)… Tudo bem, cavalo dado…

Finalmente, e como sou boa pessoa, posso até arcar com o frete do bichinho! Só não me mande pelo correio porque ele pode desaparecer no caminho (como a grande maioria das encomendas que a gente ainda insiste em mandar!).

Então, quer fazer este ser humano feliz? Não se esqueça do meu blindado!

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