“Por que invadir a Polônia?” já no YouTube

Informo que nossa live do domingo passado (30/08) já está disponível em nosso canal no YouTube (joanisvalbsb). Para acessá-la, clique aqui.

Conhece nosso canal? É só entrar no YouTube e digitar joanisvalbsb (ou clicar aqui). Muito me ajudará se você acessar o canal, curti-lo e se inscrever nele. E, claro, se divulgar também! Agradeço encarecidamente! Abraço!

Quando foram abertas as portas do Inferno…

Já se passaram 81 anos, mas aqueles acontecimentos de 01.09.1939 ainda despertam o interesse de muita gente…

Não é para menos: nas primeiras horas daquele dia quente de verão, os poloneses viram-se diante de dezenas de milhares de soldados, da maior máquina de guerra da História, penetrando as fronteiras de seu país. Começaria um inferno que duraria muitos anos… Começava a II Guerra Mundial.

Por mais aguerridos que fossem os bravos combatentes poloneses, resistir era impossível. E situação agravou-se 17 dias depois, quando os soviéticos atacaram pelo Leste.

Transcorridos 36 dias, a Polônia capitulava. O país desapareceria, sendo partilhado entre as duas potências totalitárias. Anos de terror adviriam, terror contra os poloneses e contra as minorias que ali viviam há séculos em paz (os judeus, por exemplo, 10% da população).

E quando acabasse a guerra, em 1945, seriam mais quatro décadas de dominação soviética… Para desespero de milhões de seres humanos!

Aqueles acontecimentos influenciaram muito mais que a vida dos poloneses. Aqueles acontecimentos dariam início a grandes mudanças para toda a humanidade. E é por isso que, mesmo depois de 81 anos, não podem ser esquecidos…

Neste 01.09, informo que nossa live, realizada no dia 30.08, já está disponível em nosso canal do YouTube (joanisvalbsb). Vá lá, confira e se inscreva no canal! Agradeço também pela divulgação.

Por que invadir a Polônia?

Próximo domingo, 30/08, às 17h, faremos mais uma live em nosso perfil público do Instagram (@joanisvalgoncalves). O tema será a invasão da Polônia e o início da Segunda Guerra Mundial. Estão todos convidados e agradeço pela divulgação. Até lá!

Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros…

Neste 17.08.2020, são comemorados os 75 anos do lançamento de “A Revolução dos Bichos” (Animal Farm), obra magistral de George Orwell.

O livro dispensaria qualquer apresentação, mas vale fazer alguns comentários, sobretudo para aqueles das novas gerações que, porventura, nunca tenham ouvido falar desse libelo contra o totalitarismo.

Em “A Revolução dos Bichos”, Orwell narra como ideias revolucionárias são difundidas entre os animais de uma granja, que acabam se unindo para “derrubar” o proprietário, expulsá-lo e transformar a quinta em uma “república”, governada pelos bichos sublevados. Na nova comunidade, normas e princípios são estabelecidos para que seus membros vivam na mais absoluta igualdade… Afinal, “o Homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre”. Ou também “basta que nos livremos do Homem para que o produto de nosso trabalho seja só nosso”. E, ainda, “o que quer que ande sobre duas pernas é inimigo, o que quer que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo”.

O lema mais marcante é “todos os animais são iguais”. Só que, como já seria de se esperar, logo a realidade cobra seu preço, e um determinado grupo de animais da granja, os porcos, usam sua inteligência para chegar ao poder e subjugar os demais. Estabelecem um aparato repressor, controlar a produção (que acaba sendo comercializada com o inimigo humano), e seguem constantemente a manipular a narrativa sobre a derrubada proprietário e senhor do lugar, o estabelecimento da granja dos bichos e as normas originais… Em algum tempo, as regras mudam subrepticiamente… Os porcos conseguem uma série de privilégios, execuções de opositores do regime ocorrem, e a sociedade dos bichos é dividida em classes… Assim, “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros”. O desfecho é fascinante!

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Escrito como uma denúncia contra o que Orwell entendia como “a deturpação do socialismo”, “A Revolução dos Bichos” é uma brilhante analogia à União Soviética, da tomada do poder pelos bolcheviques ao terror stalinista (inclusive com o controle das mentes da população, os expurgos e a alteração da História). Note-se que, quando é lançado o livro, o mundo vivia o término imediato da II Guerra Mundial, o território europeu encontrava-se sob ocupação por 7 milhões de soldados do Exército Vermelho e o facínora Joseph Stálin estava no auge de seu poder. O Estado proletário dos sonhos de Orwell e de tantos outros socialistas não passava de uma utopia, e totalitarismo aterrorizava milhões de seres humanos sob o signo da foice e do martelo.

Não por acaso, “A Revolução dos Bichos” ficou proibida em todo o bloco socialista. Ainda hoje, o livro permanece na ilegalidade (no todo ou em parte) em alguns países. O autor ali é exitoso ao mostrar como as ideias comunistas não passam de ilusões e que, independentemente de qual seja a sociedade, haverá sempre dominadores e dominados.

A lição de “A Revolução dos Bichos” permanece, assim, atualíssima. Em uma época da pós-verdade, da ditadura do politicamente correto, e da manipulação da narrativa, a história de como os porcos, liderados pelo cachaço Napoleão (a representação do próprio Stálin), tornaram-se os senhores da granja e piores que o opressor humano, deveria servir de alerta aos milhões que bravejam contra o sistema que não compreendem e contra a ordem estabelecida, onde uma adolescente manipulada vira ícone do discurso por mudança, e é usada, com êxito, para formar a opinião de milhões de tolos iludidos…

Ascensão e Queda das Grandes Potências, Maurits Escher, e um Grande Mestre!

“Mas hoje não é dia do livro!”… “Dia do livro é terça!”… “Como assim, livro hoje?”… Meus 16 (dezesseis) leitores devem estar-se perguntando por que eu publicaria uma recomendação de livro numa quarta-feira! Se bem que, se são meus 16 (dezesseis) leitores, já me conhecem suficientemente e sabem que “publicações inopinadas” podem ocorrer, hehehe. Assim, vamos lá a mais uma indicação!

O livro de hoje é um clássico das Relações Internacionais! Meu primeiro contato com a obra foi há quase trinta anos, quando iniciava meu curso de Relações Internacionais, em um mundo do imediato pós-Guerra Fria, em que a URSS tinha acabado de desaparecer, os Estados Unidos da América (EUA) mostravam-se vencedores e a Ordem Internacional entrava no caos que marcaria a década de 1990! E foi assim que comecei a entender um pouco do funcionamento desse tabuleiro onde os atores internacionais realizam o jogo do poder…

Escrito pelo historiador britânico Paul Kennedy em 1987, Ascensão e Queda (permitam-me a intimidade que só é possível pelos anos de convivência e aprendizado) rapidamente se tornou um clássico para todos os que labutam nas Relações Internacionais. A obra se destaca pela análise aprofundada de aspectos políticos, econômicos, sociais e institucionais que permitem a clara compreensão de como as chamadas “Grandes Potências” surgem, crescem e se tornam influentes, disputam a hegemonia e buscam tornar-se o hegemon no sistema internacional… O assunto é fascinante, pois auxilia muito na compreensão do mundo de ontem e de hoje, e na projeção do que pode vir a ser o sistema internacional do porvir…

Paul Kennedy nos leva, sempre com muitos dados estatísticos, a um passeio por 500 anos de História, das disputas entre Portugal e Espanha pela hegemonia global durante as Grandes Navegações à rivalidade entre EUA e União Soviética, que culminaria no colapso da última! A narrativa é tremendamente agradável, assim como deve ser o produto do trabalho do verdadeiro historiador… E aquele que se inicia nesse surpreendente admirável mundo novo logo começa a compreender um pouco mais sobre a dinâmica da política internacional.

Sempre recomendei Ascensão e Queda a meus alunos. De fato, a leitura de clássicos como Morgenthau, Wright e Aron, é essencial para desenvolver a capacidade analítica de qualquer profissional de Relações Internacionais. Sim, porque o que os internacionalistas fazemos é tentar entender e explicar o mundo, sem achismos, mas com método e fundamentação. Tudo mais, repito, é opinião, e não análise…

E por falar em análise, vou compartilhar com meus leitores, pela primeira vez, uma informação que me foi transmitida na minha primeira aula, do meu primeiro dia no curso de Relações Internacionais… A disciplina, “Introdução ao Estudo das Relações Internacionais (IERI)”. O professor, uma das minhas grandes referências na área, indiscutivelmente o principal responsável pela minha decisão de seguir essa carreira tão especial, meu querido Mestre e amigo Eiiti Sato! 

Sato entra na sala de aula e começa a nos brindar com sua simpatia, bom humor e conhecimento. E, mais para o fim da aula, distribui-nos, naquela época em que não tínhamos Powerpoint, worldwideweb, tampouco telefones celulares (não me refiro a smartphones, trato mesmo de “telefones celulares”), uma folha de papel com algumas imagens, que compartilho a seguir…

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Aí tive meu primeiro contato com o artista holandês Maurits Cornelis Escher! Algumas de suas obras Sato nos mostrou. Essas imagens me marcariam a partir de então! “Peço que se atenha um pouco a elas”, disse nosso querido professor àquele grupo de calouros de “Rel” (que é como chamamos o curso de Relações Internacionais aqui na Universidade de Brasília, o primeiro e único durante duas décadas)…

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Depois de alguns instantes, Sato olha para nós, dá um sorriso de canto de boca, e diz: “Essas são as Relações Internacionais. Com esses quadros vocês começam a ter uma primeira percepção do sistema internacional!”. Estava encerrada a aula (justiça seja feita, cumprido o tempo regulamentar de aula, pois antes disso o Mestre se apresentara, falara do curso e dirimira nossas dúvidas – não me lembro, durante todo o semestre, do Professor faltando à aula, chegando atrasado ou mesmo terminando a classe mais cedo… isso também foi importante referência para minha vida como docente, anos depois).

Nunca me esqueci dessa primeira aula! Ali tive certeza de que minha vida profissional seria no campo das Relações Internacionais! Sato e Escher, e os clássicos como Paul Kennedy, fizeram-me “pegar gosto” pela análise de como o mundo funciona. E nunca mais deixaria de olhar o sistema internacional com muito carinho, interesse e como meu grande objeto de estudo!

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Guerra… E depois da Guerra

Voltando a nossas indicações de livros, hoje trato de uma importante referência sobre os turbulentos anos de 1939 a 1945: “Europa na Guerra: 1939-1945, uma vitória nada simples”, de Norman Davies, um dos maiores historiadores britânicos (e olha que o Reino Unido tem uma tradição de excelentes historiadores!).

O que me impressionou na obra é a forma como Davies relata a Guerra, não descrevendo grandes batalhas ou outros importantes acontecimentos, mas tratando daqueles anos terríveis sob uma perspectiva humana. É um olhar do conflito através dos sentimentos de quem o viveu intensamente. Nada mais rico no conflito humano do que a forma como as pessoas o percebem e as decisões por elas tomadas diante das maiores adversidades!

Destaque para as considerações feitas pelo autor sobre a Polônia (Davies é britânico-polonês). Logo no ínico, ele relata a frustração dos soldados poloneses, que lutavam com o V Exército norte-americano (o mesmo ao qual estavam vinculados nossos pracinhas) na Itália, ao perceberem que a guerra havia acabado e que seu país permanecia ocupado (não mais por tropas alemãs, mas pelo temível Exército Vermelho). Afinal, como é que a Grã-Bretanha havia abandonado a Polônia para o deleite de Stálin? Não foram os britânicos que começaram uma guerra com o III Reich exatamente para garantir a integridade polonesa? E agora?

A narrativa sempre me faz lembrar das palavras do meu guia judeu-polonês quando visitei Auschwitz. Conversamos muito, e em um determinado momento ele desabafou: “não sei o que foi pior para nós (poloneses), os soviéticos que nos invadiram duas vezes durante a Segunda Guerra Mundial, ou os ingleses que nos abandonaram no final do conflito…” 

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Um triste episódio…

Vamos a mais uma indicação de livro? Ainda sobre a família imperial russa…

[“Tá”, você deve estar se perguntando, “outro livro na terça? O sujeito passa dias sem publicar e agora me manda duas indicações no mesmo dia!?!” É isso mesmo. E sabe por quê? Porque eu quero. Meu site, minhas regras. A regra geral é que “toda terça haverá indicação de um livro” (pelo menos). Nada impede, portanto, que eu indique mais de um livro na terça, ou trate de livros em outros dias da semana… É só me acompanhar por aqui e aguardar as novidades…]

img_20200717_091135_872Indico hoje “Os últimos dias dos Romanov“, de Helen Rappaport, outra profunda conhecedora do último Czar da Rússia e de sua família. A obra trata, especificamente, dos 14 dias finais da vida de Nicolau II, de sua esposa Alexandra e dos filhos (Olga, Tatiana, Maria, Anastácia e ALexei), na residência de Ipatiev, em Ekaterimburg.

Li “Os últimos dias dos Romanov” há uns 15 anos, quando estava de férias no Rio Janeiro, nos chuvosos dias de Verão da capital fluminense. A narrativa é muito envolvente, e o leitor certamente terá dificuldade de interromper a leitura até chegar ao desfecho, o terrível massacre de 17 de julho de 1918.

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A descrição de como os Romanov foram executados é marcante. Só quem conhece essa história sabe o quanto sofreu aquela família, em uma execução desnecessária, pois Nicolau, que abdicara, estava fora da vida pública, deixando o poder de forma pacífica para se dedicar ao que tinha de mais precioso (muito mais precioso para ele que os 22 milhões de km2 de rico território, os 150 milhões de russos e o poder autocrático): sua família.

A decisão de assassinar o Czar, Alexandra, suas belas filhas e o pequeno e doente Alexei, foi ordenada pelo nefasto Lênin, e motivada por ódio, ressentimento, inveja e vingança. É de todo sórdida. E o trecho final da descrição do livro na contracapa resume bem significado daquele massacre:

“Seu assassinato, o início de uma orgia de terror e represálias sangrentas que caracterizaria a guerra civil russa.”

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De volta com o “Dia do Livro”

Atendendo ao clamor dos meus 16 (dezesseis) leitores, retorno aos poucos a publicar em Frumentarius. Volto, inclusive, com o “Dia do Livro” (as terças em que sempre indico livros dos mais distintos temas – sem receber “jabás” das editoras ou dos autores). Observo que já tenho feito, no meu perfil público no Instagram, cometários sobre quase quarenta livros. Farei isso aqui também para os meus leitores que não acessam o aplicativo (mas, se voce quiser acessar o meu perfil no Instagram, e me seguir por lá, agradeço muito!).

Para (re)começar, destaco que no último dia 17, relembramos a trágica morte do Czar Nicolau II e sua família (e seu médico, e dois criados), brutalmente assassinados pelos bolcheviques dos Urais, a mando do canalha Vladimir Ilyich Ulianov, que passou para a história com a alcunha de Lênin. Assim, para relembrar aquela família vítima do terror comunista, publicarei, nos próximos dias, indicações, com comentários, de livros sobre a Rússia e sobre os Romanov, e também acerca da União Soviética.

O primeiro livro que gostaria de indicar é “Os Romanov – o fim da Dinastia“, de Robert Massie.  A obra, resultante de pesquisa aprofundada, narra não só os derradeiros dias do último Czar da Rússia, mas também todo o processo pelo qual os corpos da família foram encontrados, exumados e analisados, oito décadas depois da carnificina.

Respostas são dadas, por exemplo, ao destino de Alexei e da princesa Anastácia… Teriam eles escapado? Seria a lenda de Anastácia verdadeira? Como a ciência respondeu a essa pergunta, contando com a ajuda até da família real britânica?

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O massacre dos Romanov foi um dos mais tristes episódios do século XX, e que, simbolicamente, marcou o início do massacre de milhões de seres humanos, sob o pretexto da luta de classes.

Sempre me interessei pelos Romanov. Sempre repudiei o bolchevismo e a forma como os canalhas a mando de Lênin trataram aquela família.

Com Nicolau II e seus descendentes, morria uma parte da Rússia. O destino do Czar seria compartilhado por muita gente da nobreza, da aristocracia, da burguesia, do campesinato e de quaisquer grupos que fossem considerados “inimigos de classe”.
A tragédia familiar tornou-se nacional e depois alcançou os mais distantes rincões do planeta. Que nunca mais isso volte a acontecer.

A Terra é Azul!

12 de abril de 1961. Primeiro homem no espaço. A façanha foi alcançada pelos soviéticos, que colocaram em órbita o cosmonauta Yuri Gagarin.
Gagarin parecia ser um sujeito simples e de bom coração. Sua simpatia era contagiante. É dele a frase de que “a Terra é azul”. Infelizmente, morreria em 1968, aos 34 anos, de um acidente de avião (torna-se piloto de testes de aeronaves militares).
Desde 1962, essa data é o “Dia do Cosmonauta” na Rússia.
Muito bacana o termo “cosmonauta” – prefiro a astronauta.
E seguia a Guerra Fria…
#Gagarin
#cosmonauta
#homemnoespaço

O que estou a ler no momento

Aprendendo a usar um software de edição de vídeo… Então por favor não se chateie com o meu vídeo tosco! De toda maneira, publiquei esses dias no meu canal do YouTube (www.YouTube.com/joanisvalbsb) alguns comentários sobre o que estou lendo no momento. É que nas redes sociais as pessoas têm-me perguntado sobre isso!

Vá lá ao canal (pode ir clicando aqui), curta os vídeos, e se inscreva nele para receber as atualizações! Ah! Se quiser divulgar, agradeço! Abraço!

 

O Metrô de Moscou

20171105_212917Pense em um imenso palácio subterrâneo. Salas das mais distintas temáticas, com obras de artes que fazem o visitante, por mais rápido que por elas passe, surpreender-se com a beleza ali retrada – e com a história e a cultura de um povo! Mosaicos, pinturas, vitrais. Tudo isso pelo preço de um bilhete de metrô!

Continuando nossa Operação Outubro Vermelho, a publicação de hoje se refere ao metrô de Moscou. Sim, isso mesmo que você leu! A capital russa dispõe de um sistema de transporte subterrâno de 346 quilômetros de extensão, distribuído por 12 linhas e 206 estações. Por ele circulam dez milhões de pessoas diariamente.

E o que tem o metrô de Moscou de tão especial para merecer uma publicação? Chamado de “Palácio Subterrâno” por Stálin, o metrô da capital, cuja construção foi iniciada na década de 1930, deveria levar arte ao povo que por ali circulava. Daí que cada estação teria uma temática própria, sendo preenchida por mosaicos, pinturas e até estátuas que despertassem no homem soviético a percepção do belo e o amor ao regime.

Vale muito a pena conhecer o metrô de Moscou, passear por suas estações! Faz-se mesmo um mergulho no tempo e, muitas vezes, andando por elas a gente pensa que está de volta à União Soviética.

Em nosso canal do Youtube (www.youtube.com/joanisvalbsb) fiz um vídeo mostrando um pouco do Metrô de Moscou. Vá lá conferir, curta o vídeo e se inscreva no canal. Para acessá-lo diretamente, clique aqui.

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26. Pelo Mundo (23/11/2014)

Navigare necesse; vivere non est necesse!
Pompeu

Faltam 15 dias para que eu complete 40 anos! E, direto das terras ludovicenses, escrevo sobre uma das minhas grandes paixões na vida: viajar! Pouca coisa me dá mais prazer do que sair pelo mundo a conhecer novos lugares, gente de diferentes matizes, culturas peculiares! Viajar é preciso!

Conheço pessoas que não gostam de viajar. Dizem não ter paciência para arrumar mala, sair do conforto do lar, pegar avião… Argumentam que preferem ficar em casa, conhecendo o mundo pela televisão, por meio de um livro ou recorrendo à internet… E tudo é motivo para não viajar: o destino é muito frio ou muito quente; agitado demais ou tremendamente monótono; longe ou muito perto… Não importa, sempre encontrarão um motivo para não fazer as malas e sair batendo perna por aí! Eu não as condeno! Mas comigo é o contrário.

Não sei de onde vem meu interesse por viajar. Talvez de mamãe, que sempre que tem oportunidade se lança ao mundo – bom lembrar que, numa dessas, ela veio para Brasília, conheceu papai, e o restante da história vocês já conhecem. Seu Jacob, por sua vez, é enraizado em casa, prefere o conforto do lar à surpresa de outros lugares… Pode ser de mamãe mesmo! Mas, claro, alguns diriam que tem a ver com o fato de ser eu sagitariano, ou com o mais íntimo de minha personalidade, ou com vidas passadas. Não sei de nada… só sei mesmo é que gosto disso!

Quando criança, sonhava em viajar pelo mundo, conhecer outras terras, gente diferente, visitar lugares históricos, mergulhar em outras culturas! E queria fazê-lo viajando! Como não tínhamos dinheiro para isso, comecei a aprender pelos livros, revistas, tv, e decidi que me esforçaria para conseguir um emprego que me possibilitasse essas experiências. Pensei em ser comissário de bordo, jornalista, ou em trabalhar em algum organismo internacional… Daí minha opção por Relações Internacionais. Estava convicto de que, como internacionalista, meu mercado de trabalho seria o mundo, e minha profissão me levaria aos mais distantes locais do globo!

Claro que, devido às limitações financeiras, passei todo o curso de Relações Internacionais sem conhecer terras estrangeiras, restringindo-me a viajar algumas poucas vezes pelo Brasil mesmo. Naquela época, passagem de avião era coisa caríssima, carro eu não tinha, e aí ia de ônibus mesmo. Entretanto, por mais que gostasse de rodar pelo Brasil (e continuo adorando fazê-lo, pois nosso País é fantástico e diversificado), queria mesmo era me lançar ao mundo!

Só fui conseguir o que queria quando comecei a trabalhar. Então, a serviço ou nas férias, minha alegria era arrumar as malas e entrar em um avião para conhecer novas terras! E é o que tenho feito nos últimos 15 anos! Entre os lugares que já visitei estão Canadá, Chile e Alemanha (três países muito queridos, com os quais tenho uma relação bem especial, e onde já estive diversas vezes), Suécia (D’us abençoe o Reino da Suécia), Noruega (quando vivi o atentado de Oslo, pois estava em um hotel na rua atrás do local da explosão, no dia do ataque), Finlândia, Estônia (grandes experiências nesses dois países), França e Grã-Bretanha (dispensam qualquer comentário!), Bélgica (chocolate, cerveja, sede da União Europeia e da OTAN, campos de batalha), Portugal (nossas origens, nosso DNA!), Polônia (ah, Cracóvia!), República Tcheca (Praga é única!), Espanha (comprei uma espada em Toledo!), Argentina (alfajores, livrarias e boa gente!), Paraguai (conheci o Lago Azul de Ypacaraí – que de azul nada tinha), Peru (senti-me em casa entre os nativos!), Colômbia (só na fronteira), Falklands (que me desculpem os hermanos, mas é isso mesmo!), e, naturalmente, Estados Unidos (cujo nome já é múltiplo). Detalhe: quando gosto de um lugar, tenho por hábito voltar mais vezes. E a cada nova chegada, novos locais encontro para explorar: assim acontece, entre outros, com o Canadá, com minha querida Alemanha, com a Suécia, a França, e a Grã-Bretanha… Se gosto, volto! Por que não?

No meu Brasil, fico feliz em já ter passado por 21 das 27 capitais, e por outras cidades em pontos distantes. Em minhas atividades profissionais, tive a imensa satisfação de conhecer nossa preciosa Amazônia, visitar pelotões de fronteira, ir a rincões pouco conhecidos deste País continental! E me agrada tanto estar na megalópole paulistana quanto na pequena Clevelândia! O Brasil é lindo, e sua gente maravilhosa!

Indescritível a sensação de chegar em um lugar novo! Visões, sons e odores diferentes, locais a explorar, sabores pitorescos, gente diferente com quem conversar! Boas experiências, más experiências… Aprendizado intensivo, mesmo porque costumo viajar sozinho.

Prefiro viajar sozinho: faço meus horários e meus roteiros, tiro minhas centenas de fotos (sempre com meu tripé), passo o tempo que quiser em um determinado local… E, o melhor de tudo, acabo conhecendo gente fantástica. Nunca estamos sós quando viajamos sozinhos!

Definitivamente, tenho o bicho carpinteiro viajador. Sou econômico no dia-a-dia. Emprego meus recursos em viagens (excelentes investimentos!). Tenho uma malinha pronta em casa, e estou sempre disposto a pegar a estrada (não literalmente, pois não gosto de dirigir, e aprecio mesmo é a sensação de estar nas nuvens). Havendo a oportunidade, viajo!

Inspiro-me em um amigo, Gilberto Guerzoni. Solteiro, sem filhos, bom salário, Guerzoni usa seus 30 dias de férias por ano para rodar o mundo. Já conheceu mais de 150 países, da Groenlândia à Antártica, das florestas do Peru à savana africana, esteve em Galápagos e no Vietnã, na Austrália e em Kosovo, foi mesmo até Chernobyl. Esse é meu amigo, que preenche todas as folhas do passaporte muito rapidamente. Claro que estou longe de alcançar Guerzoni, mas pretendo continuar meus próximos quarenta anos viajando! Navegar é preciso!

A história dos vencidos

Como ontem foi a celebração dos 101 do Armistício de 1918, e hoje é nosso dia do livro aqui em Frumentarius, indico uma obra excelente que li faz pouco: The Vanquished, de Robert Gerwarth (New York: FSG Books, 2016). Muito bem escrito e com uma profusão de histórias, o livro narra como ficou a Europa (e sua gente) no imediato pós-guerra. A pergunta central do autor é: “Que razões fizeram com que a I Guerra Mundial continuasse mesmo após seu término oficial?”

Pouca gente se dá conta disso, mas as guerras continuam mesmo depois do fim oficial das hostilidades. No que concerne à Grande Guerra, mais alguns milhões de seres humanos morreram ou tiveram sua vida destruída após o 11/11/1918. Vale lembrar que a Guerra continuou na Europa Oriental e no Oriente Próximo, com conflitos localizados e guerras civis, das quais a principal referência foi a Guerra Civil Russa. O massacre continuou, portanto, pela década de 1920 adentro. 

Tenho-me interessado pela história do imediato pós-guerra, seja no final da Grande Guerra, seja no período que imediatamente se seguiu ao 8 de maio de 1945. Recomendo muito o livro. 

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Operação Outubro Vermelho: Festa da Luz

Indubitavelmente, um dos momentos mais marcantes de nossa viagem à Rússia ocorreu às vésperas de deixarmos São Petersburgo. Fiquei sabendo que à noite haveria, no centro da cidade, defronte o Hermitage (e usando a fachada do Palácio), o que se chamou de “Festa da Luz”, um grande evento criado na Era Putin para celebrar “a unidade nacional do povo russo” – claro que se trata da substituição, na antiga capital imperial, das comemorações do nefasto golpe de outubro de 1917.

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O povo precisa cultuar seu passado, lembrar de seus heróis. E, cem anos decorridos da tragédia do levante bolchevique de 1917, natural que o espírito russo quisesse celebrar alguma coisa! Assim, já que festa deveria haver, testemunhamos um belíssimo espetáculo de som e imagens, luzes na praça central de Petrogrado, e a história daquele país sendo recontada!

O espetáculo, que durava uns vinte minutos, contava a história de amor de Nicolau e Alexandra, falava dos últimos dias do Império, da Grande Guerra e da crise interna e, finalmente, dos nefastos bolcheviques e de sua tomada do poder, com consequente período de ódio, rancor, violência e miséria que se abateu sobre a Rússia. Claro que concluí trazendo esperança, e assinalando que, cem anos após os acontecimentos de 1917, uma nova Rússia erguia-se, forte, próspera e unida! Não há como não se emocionar.

E ali estávamos nós, Gustavo, Adriana e eu, presenciando um espetáculo incrível, em meio a milhares de pessoas que se aglomeravam a celebrar, mas sem qualquer violência ou episódios que nos preocupassem. Sim, os russos lá estavam para festejar, e assim o fizeram! E que povo animado! Em Moscou, veríamos um pouco mais sobre essa gente alegre e confiante, que nada tem de fria!

E assim chegávamos a nossa última noite daquele passeio pela belíssima São Petersburgo/Petrogrado/Leningrado/São Petersburgo, que ficará para sempre em nossos corações!

Segue um vídeo que fiz da Festa da Luz!

O Dia Seguinte

Saudações, meus caros 16 (dezesseis) leitores! Sei que estavam com saudade (eu também estava), mas as últimas duas semanas foram muito agitadas e não consegui publicar nada. Espero que voltemos a nossa programação normal.

Comecemos a semana falando de algo que marcou muitos de minha geração: a possibilidade de uma hecatombe nuclear que poria fim à humanidade! Sim, aqueles que nascemos nos anos setenta ainda viveram a infância com a real ameaça de serem pulverizados em meio a uma guerra da era do átomo!

Os tempos eram complexos. O mundo era dividido entre as duas superpotências, os Estados Unidos e a União Soviética, que dispunham de arsenais com capacidade de destruir o planeta dezenas de vezes… A chamada Guerra Fria poderia esquentar e não sobraria ninguém para contar a história… Eu tinha medo disso quando era moleque.

Aí você deve estar pensando “Como é que um abestado desses, morando no Brasil, poderia pensar em morrer em meio a um conflito nuclear? Tem que ser muito pateta mesmo!”… Por óbvio, praticamente ninguém aqui em Pindorama se preocupava com isso – até porque as pessoas tinham outras coisas para fazer na vida atribulada do Brasil dos anos oitenta…

Mas eu me preocupava! Fazer o quê? E às vezes me pegava deitado na grama, olhando o belo céu azul do Planalto Central e imaginando mísseis intercontinentais cruzando o firmamento e anunciando o fim da minha existência – ok, dificilmente mísseis intercontinentais passariam por aqui, mas eu não sabia disso. Tinha  total consciência de que, mesmo o conflito entre as superpotências e seus mísseis com ogivas destruitoras acontecendo no distante Hemisfério Norte, o holocausto nuclear alcançaria a todos nós aqui ao sul do Equador! Afinal, viriam a radiação e o inverno nuclear! – sim, eu, um garoto de dez, doze anos, me preocupava com essas coisas!

Felizmente, o pior não aconteceu. As superpotências nunca entraram em confronto direto. Os mísseis nunca foram disparados. A Destruição Mútua Assegurada (MAD) garantiu que nem Washington nem Moscou se aventurassem em uma empreitada suicida…

Os anos noventa vieram… O Muro caiu. A União Soviética colapsou. O Ocidente venceu! A www chegou… E eu sobrevivi! (Eu e os outros 7 bilhões de seres humanos que, escapando do apocalipse nuclear, tivemos a oportunidade de continuar destruindo o planeta de maneira mais lenta…)

As lembranças daqueles tempos sombrios ficaram, entretanto, guardadas n’algumas daquelas caixinhas empoeiradas em um canto esquecido da memória. Quando em vez elas aparecem, só para dizer que ainda existem! Nesse sentido, recomendo à geração que não viveu aqueles anos do final da Guerra Fria, que veja o filme “O Dia Seguinte”, clássico sobre o holocausto nuclear que deixou muita gente (eu inclusive) assustada naquela época e esperando a hora final, quando só seríamos poeira e cinzas… As baratas, claro, sobreviveriam!

Segue o link para o filme (esse negócio de internet e youtube é fantástico!):

E se você quiser entrar mesmo no clima dos anos oitenta, taí a versão dublada:

Aproveite! (Antes que o mundo acabe!)

Evolução das Grandes Economias do Globo

Sem maiores comentários, compartilho aqui um vídeo sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) das dez maiores Economias do globo, de 1961 a 2017. Interessante como a China sobe de posição na virada do século, alcançando em menos de vinte anos o segundo lugar, mas ainda bem atrás dos Estados Unidos. O Brasil, por sua vez, apresenta-se entre as dez grandes, mas não consegue alçar vôo. Infelizmente, ainda não alcançamos um patamar civilizatório que nos permita, realmente, evoluir para uma nação desenvolvida – isso tem a ver com aspectos culturais, acredito.

Mais interessante ainda é o segundo vídeo, que apresenta as vinte maiores Economias, considerando-se a Paridade do Poder de Compra (PPP), entre 1980 e 2023, com comentários e explicações sobre as mudanças ocorridas. Sob essa perspectiva, a China já ultrapassou os Estados Unidos. Destaque para a Indonésia, que evolui rapidamente no ranking.

Vale muito conferir!

 

 

Artilharia e Cultura (Operação Outubro Vermelho)

Ainda sem os demais integrantes do grupo, Adriana, Gustavo e eu seguimos a explorar a bela São Petersburgo. Aquele seria um dia cheio e muito andaríamos, daí a importância de começar nossa jornada com um lauto café da manhã – obrigado, Pai, pelo excelente desjejum no restaurante do hotel!

Já de posse de nossos bilhetes de metrô, fomos explorar a cidade de Pedro. A circulação é simples, e se torna mais fácil quando se tem um smartphone com internet. E seguimos a apreciar os monumentos e belos edifícios da antiga capital, e a andar pelas ruas que contavam muitas histórias, enquanto ríamos, tirávamos belas fotos e imaginávamos quanta gente interessante não teria feito aqueles caminhos pelos quais passávamos!

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São Petersburgo, repito, tem inúmeras atrações, de suntuosos monumentos a grandes museus, representando diferentes épocas da história da Rússia, seja o tempo dos czares, sejam os nefastos anos do comunismo. Naturalmente, como não somos turistas comuns, elegemos um museu que é imperdível para quem se interessa por assuntos militares e pela história das guerras: o Museu Militar e Histórico de Artilharia, Engenharia Militar e Tropas de Comunicação – Военно-исторический музей артиллерии, инженерных войск и войск связи (esse é o nome completo do lugar) ou, simplesmente, Museu da Artilharia de São Petersburgo!

Fundado por Pedro I, o Grande, em 1703 já como um Arsenal (depósito de armas), o museu se localiza em uma antiga fundição, no centro histórico da cidade (no número 7, em Aleksandrovsky Park), separado da Fortaleza de São Pedro e São Paulo por um canal. As estações de metrô mais próximas são as de Gorkovskaya e Sportivnaya. Desça em qualquer delas e aproveite uns dez minutos de caminhada!

Quando o visitante chega ao museu, já se depara, logo de cara, com o jardim, no qual estão dezenas de blindados, lançadores de mísseis, canhões de distintos calibres e uma diversidade de veículos militares. Isso é só o prenúncio dos 850.000 objetos que estão ali expostos, em diversas coleções, nas 13 salas que abrangem uma área de 17 mil metros quadrados. Gustavo logo fez amizade com um soldado russo e lá fomos nós tirar foto numa peça (ou canhão, para os leigos) – a propósito, meu amigo paulista tem uma grande capacidade de socialização, o que nos ajudava muito com os locais!

Entre as exposições, você encontrará armas de fogo e brancas, petrechos, munição, os mais distintos equipamentos militares e de engenharia de diversas épocas, material de comunicações, bandeiras, uniformes, pinturas e mapas, condecorações e peças que contam a história da artilharia entre os séculos XIV e XXI (inclusive com uma sala dedicada aos arsenais soviéticos e à Guerra Fria). Quando lá estivemos, havia uma exposição especial sobre os eventos de outro de 1917, com muitas fotos de época – e foi possível perceber como estava frio por ocasião do golpe bolchevique e das semanas que se seguiram ao fim do Governo Provisório (nem de longe uma temperatura tão agradável quanto a que vivenciamos cem anos depois).

Prepare-se para passar algumas horas ali dentro, imerso naquele parque de diversões dos apreciadores da engenhosidade militar e do talento humano para forjar armas! Dos canhões de Pedro I aos troféus conquistados de turcos, franceses e alemães ao longo de mais de 200 anos, passando pelos lançadores de foguete Katiusha, usados durante a II Guerra Mundial (os famosos órgãos de Stálin), tenho certeza de que você esquecerá do tempo no Museu da Artilharia. Há ainda uma exposição muito bacana sobre um certo Mikhail Kalashnikov, criador do fuzil mais famoso da história, o AK-47. E, antes de ir embora, lembre-se de dar um pulo na “lojinha” (não vai se arrepender)!

Passamos os três momentos agradabilíssimos no Museu da Artilharia, lugar imperdível da Capital do Norte. Terminamos o dia voltando a pé para o hotel, pelo centro histórico, aproveitando uma noite bonita e a temperatura de 3º (três graus) por sobre as pontes que cruzam os canais daquela cidade fascinante, fruto do sonho de um homem que quis levar a Rússia ao Ocidente! 

Em tempo: quanto é a entrada para o Museu? A inteira era de 400 rublos (uns 25 reais no câmbio de agosto de 2019). Vale muito a pena!

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E foram abertas as portas do Inferno…

Há exatos 80 anos, o mundo começava o mês de setembro com a mais tenebrosa de todas as notícias: às 4h45 (hora de Berlim) de 1º de setembro de 1939, o couraçado Schleswig-Holstein, da Kriegsmarine, abria fogo contra as defesas polonesas na cidade-livre de Dantzig (atual Gdansk), de população germânica desejosa de ser incorporada ao Terceiro Reich. Simultaneamente, e sem declaração formal de guerra, tropas alemãs atravessavam a fronteira, tendo à frente os 2.500 Panzer que varreriam as forças polonesas por onde passassem, abrindo caminho para a infantaria que logo chegaria para ocupar o terreno. Pelo ar, a Luftwaffe se encarregaria dos bombardeios de cidades importantes e da destruição da força aérea inimiga no solo. O conceito de Blitzkrieg, a guerra relâmpago (que teve como idealizador o general Heinz Guderian, um dos mais brilhantes militares de seu tempo,) era posto em prática. Tinha início o maior conflito que os seres humanos jamais vivenciaram. Tinha início a Segunda Guerra Mundial.

Algumas palavras sobre esse começo da Segunda Guerra Mundial… Primeiramente, cabe assinalar que o ataque à Polônia só foi possível, naquelas condições, em razão da “Política do Apaziguamento”, promovida por britânicos e franceses (com apoio da Itália Fascista), e da aliança entre o Terceiro Reich e a União Soviética de Stálin, consubstanciada em 23 de agosto (uma semana antes, portanto), por meio do Pacto Ribbentrop-Molotov. Sem essas duas situações, Hitler não teria ousado dar ensejo ao “Caso Branco” (codinome do plano para invasão e conquista da Polônia). 

Assim, de um lado havia a aquiescência de Lord Chamberlain (que, para ir à Alemanha, pela primeira vez entrara em um avião) e do Primeiro-Ministro francês Daladier (que liderava a coalizão de esquerda a qual governava a França naquela época). Clássica é a cena de Chamberlain que, ao retornar da Conferência de Munique (setembro de 1938), declara a seus concidadãos que “a paz estava salva!” – às custas da Tchecoslováquia, claro, que foi entregue a Hitler por decisão das grandes potências europeias. Veja as imagens a que me refiro:

Do outro lado, estava a aproximação entre os dois gigantes totalitários, a Alemanha nazista e a União Soviética stalinista. Em ambos os países, chegara-se ao ápice do totalitarismo (de direita e de esquerda), e muitos analistas da época acreditavam que o conflito entre as duas ditaduras era iminente, ocorrendo caso Hitler invadisse a última nação que separa o Reich do território soviético: a Polônia. Nesse sentido, defendo que havia mesmo o interesse de Reino Unido e França de que esse passo fosse dado pela Alemanha. Afinal, se a Polônia fosse invadida, certamente as duas Potências totalitárias se digladiariam, e as democracias ocidentais só precisariam assistir “de camarote” e esperar o enfraquecimento de ambas e a derrota, pelo menos, de uma delas…

A habilidade política dos alemães pôs termo às expectativas de Paris e Londres quando, para a surpresa de todos, o Ministro das Relações exteriores da Alemanha, Joachim von Ribbentrop, foi, na última semana de agosto, a Moscou. Lá celebrou, com seu colega soviético, Vyacheslav Molotov, o Tratado de Não Agressão entre a Alemanha e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Na parte secreta daquele Tratado havia um acordo de partilha do território da Polônia entre soviéticos e alemães. Também era assegurado o reparte de outras regiões da Europa Oriental (garantindo-se que a Alemanha não entraria em conflito com a URSS, caso Moscou decidisse “recuperar” territórios que lhe seriam “de direito”, com herança da Rússia Czarista, ou seja, o que então constituía os Estados independentes da Estônia, Letônia e Lituânia, a Finlândia e partes da Romênia, além da própria Polônia). O Pacto Ribbentrop-Molotov selava, assim, o destino de várias nações europeias e, por que não, de toda a humanidade…

Não entrarei em detalhes táticos da invasão, nem de como a Polônia capitulou em menos de seis semanas. Tampouco cuidarei do fato de que, no dia 17 de setembro de 1939, foi a vez dos soviéticos adentrarem o território polonês (para “libertar” aquelas populações que ali viviam de uma invasão fascista que ainda não ocorrera), encontrando-se com seus “camaradas” alemães em Brest-Litovsk (em lembrança do tratado de 1918), onde apertaram as mãos. Tratarei menos ainda do “apoio” (pífio) dado aos poloneses por Reino Unido e França, que declararam guerra ao Reich três dias depois dos primeiros movimentos alemães, mas permaneceram praticamente inertes durante os meses seguintes (até a campanha alemã da primavera de 1940, voltada à Europa Ocidental), e silentes quando Stálin mandou o Exército Vermelho cruzar a fronteira com a Polônia…

Com a invasão de seu território pelos dois lados, e a derrota na campanha de setembro, a Polônia deixou de existir como Estado independente. Aquela nação, gloriosa de sua identidade e de suas tradições, viu-se subjugada, humilhada e forçada a servir aos dois senhores que repartiram o botim, e mostraram ao mundo seu poder. A seguir um documentário sobre o início da guerra.

Na Polônia ocupada pelos soviéticos, rapidamente o NKVD (antecessor do temido KGB) de Laurenti Beria tratou de executar cerca 7.000 civis e 15.000 oficiais poloneses, numa carnificina que teve no massacre de Katyn seu maior símbolo. A intelligentsia do país foi exterminada. Do lado alemão, além de perseguir a intelectualidade polonesa, a sanha nazista se voltou contra os 3,2 milhões de judeus que viviam plenamente integrados àquela sociedade: logo, professores universitários, profissionais liberais, comerciantes, funcionários públicos e trabalhadores das mais distintas áreas foram proibidos de exercer suas funções e obrigados a usar no peito ou no braço a Estrela de Davi. Depois viriam os guetos, os campos de concentração, as câmaras de gás, os crematórios, o extermínio.

 A Segunda Guerra Mundial começou, portanto, oficialmente, com o fim da Polônia como nação independente. Seis anos se passariam até que aquele povo fosse libertado do jugo alemão, para cair sob o controle soviético e o regime comunista. Foram seis anos de dor, sofrimento e morte, oitenta milhões de vidas perdidas, destruição total, perdas materiais e imateriais incalculáveis.

 O mundo realmente seria outro quando a Alemanha assinou a capitulação, em 8 de maio de 1945. A Guerra, que começara com a “questão polonesa”, tomara rumos inimagináveis. Para os poloneses, porém, sempre me lembrarei da história daqueles que, no dia que findaram as hostilidades na Europa, combatiam na Itália junto dos aliados e se desesperaram temendo retornar à pátria e cair nas mãos dos soviéticos, que ainda massacrariam centenas de milhares de poloneses étnicos no imediato pós-guerra. A sensação deveria ser de que os seis anos de guerra teriam sido em vão…

Indubitavelmente, a Polônia foi muito mais uma peça no jogo das grandes potências. Um jogo nocivo e caro, que custou milhões de vidas. Impossível esquecer das palavras de um judeu polonês, que conheci em Auschwitz, e que externou seu ressentimento com os “aliados” de Varsóvia por ocasião da guerra de 1939-1945: “O pior é que a guerra começou para nos libertar dos alemães e de Hitler”, disse ele, “mas nossos ‘salvadores’ acabaram a guerra nos entregando nas mãos dos soviéticos e de Stálin… Quem perdeu nisso tudo?”…

 Em tempo: fui o terceiro estudante de Relações Internacionais no Brasil a produzir uma monografia de final de curso, e isso lá em meados da década de 1990. O tema foi inusitado para aquele momento: “A Política Exterior do III Reich, 1933-1939”. Pretendo um dia trabalhar no arquivo e transformá-lo em livro. Pensei que poderia ser para os setenta anos do início da Guerra, depois para os oitenta… Quem sabe em comemoração aos 75 anos do fim do conflito, ou aos 85 do começo… Uma hora sai!

A Capital Imperial e seu Metrô (Operação Outubro Vermelho)

Quando Pedro I construiu São Petersburgo, seu objetivo era mostrar ao mundo uma Rússia moderna, a qual ele pretendia inserir no clube das potências mais avançadas de seu tempo. A nova capital seria a vitrine do maior império da terra e em nada deixaria a desejar às principais cidades europeias em termos de arquitetura e urbanismo.

Assim, o primeiro Czar a se chamar de Imperador governaria a partir de uma belíssima capital, uma cidade projetada para evidenciar a grandeza da Rússia. Indubitavelmente, Pedro teve grande êxito em seu projeto!

As primeiras impressões de São Petersburgo são de um cidade clássica. A grandiosidade da antiga capital se revela em suas largas avenidas cortadas por canais, os quais se atravessa sobre pontes que por si são obras de arte. Mesmo com as sete décadas de comunismo, a cidade conseguiu conservar as características daquela que fora uma das mais belas capitais europeias dos séculos XVIII e XIX: palácios, teatros, igrejas grandiosos…

O centro histórico está muito bem preservado... E, caminhando por ali, por exemplo, da estação de trem até o Palácio de Inverno pela Avenida Nevsky, você observará belas lojas, vitrines suntuosas, estátuas e monumentos e uma harmoniosa beleza do século XXI pós-soviético inseridos em construções que resistiram às transformações dos últimos cem anos. É, realmente, como voltar no tempo…

Na primeira manhã na Rússia, Adriana, Gustavo e eu fomos passear pela cidade. Seguimos para a estação de metrô mais próxima do hotel para comprar bilhetes de viagens ilimitadas para uma semana – essa é uma boa alternativa se você for ficar pelo menos cinco dias… Assim, poderíamos nos deslocar, como quiséssemos e o tanto que julgássemos necessário, por todo o sistema de transporte urbano.

A estação era Ploshchad Vosstaniya, muito particular em sua arquitetura, é uma das primeiras do metrô de São Petersburgo, inaugurada em 1955 e cuja profundidade é de 58 (isso, cinquenta e oito) metros! Lembre-se que o metrô deveria converter-se em abrigo antiaéreo, inclusive com uma estrutura que protegesse a população (ao menos em tese) contra ataques nucleares.

A estação Ploshchad Vosstaniya

Assim, para chegar às plataformas, você desce por uma escada rolante que parece levar às profundezas da Terra… E, o que me chamou a atenção, no final da escada há uma “guarita” com um funcionário do metrô (ali os funcionários na guarita eram todos senhoras idosas de uniforme – típicas “avós” russas) e um telefone, o que nos remete automaticamente aos tempos da URSS, onde o “guarda do metrô” deveria ficar ali para “fiscalizar” os milhares de transeuntes que usavam o sistema de transporte – achei interessante! Por óbvio, a pergunta que me fiz era se aquelas senhoras estavam ali desde os tempos de Krushev (as mesmas mulheres, claro!)…

A dica de hoje, portanto, é: vá passear de metrô em São Petersburgo. Claro, a superfície é belíssima e interessante, mas os subterrâneos têm seu charme e merecem um tempinho para que se conheça algumas estações. Mesmo não tendo a decoração suntuosa do metrô de Moscou (construído a mando de Stálin para que cada estação fosse um “palácio subterrâneo para o povo”), o metrô de São Petersburgo também tem lugares belos e inusitados, com estátuas, afrescos e pinturas, estações que merecem ser conhecidas. E o bom é que você ainda vai para onde quiser!

Naturalmente, continuarei a falar de São Petersburgo nas próximas semanas. Mas o que percebi ao chegar àquela cidade, é que estava realmente na capital da Rússia. Mas e Moscou? Moscou, eu descobriria, também fascinante, é a capital da União Soviética. Essa foi a minha sensação: mesmo enquanto foi Leningrado (e apesar disso), São Petersburgo não perdeu sua majestade!

Mais adiante falarei das impressões sobre o povo e o ambiente. Antecipo que a gente de São Petersburgo é bem diferente da gente de Moscou (achei o povo nas duas cidades atencioso e simpático, mas ficavam claras suas diferenças). Numa comparação simplória, associaria São Petersburgo ao Rio de Janeiro, e Moscou a São Paulo! A conferir…