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Depois de mais de um mês em estado latente (só justificável pelo excesso de trabalho que tomava todo nosso tempo e esforço mental), retomamos os comentários em Frumentarius. E nosso retorno se dá com observações sobre um evento histórico para a Força Aérea Brasileira e a Defesa Nacional do Brasil: a escolha do novo caça brasileiro de superioridade aérea!

Foram cerca de duas décadas de um processo cheio de altos e baixos para que se chegasse à opção de ontem. Tempo demais, diga-se de passagem. A escolha é muito bem-vinda, mas peca pela demora… Nossas atuais aeronaves de superioridade aérea, os Mirage 2000-C, tornar-se-ão inoperantes agora em 31 dezembro, serão desativados. O projeto do Gripen-NG ainda levará alguns anos… Nesse ínterim, o Brasil terá que se virar com os F-5EM…

Os brasileiros estamos acostumados a novelas, ou seja, histórias contadas em capítulos que se propagam ao longo de muito tempo. Decisões rápidas e  oportunas não costumam ser bem vistas em nossa cultura do “deixa para depois”…. E, nesse caso específico, a novela só está na metade…

Certamente, sob o aspecto técnico, o Gripen NG é uma boa opção (assim como também o eram seus concorrentes). O desenvolvimento do projeto em parceria com a indústria nacional trará excelentes dividendos para o País em termos de tecnologia e fomento à produção nacional no campo da Defesa – o que, naturalmente, converterá em benefícios para nossa já muito qualificada indústria aeronáutica. O caso do AMX é notório exemplo.

Ademais, tem-se uma oferta que, de acordo com a nota produzida pela Aeronáutica, que transcrevemos a seguir, engloba “o fornecimento de 36 (trinta e seis) aeronaves, logística inicial, treinamento, simuladores de voo e projetos de transferência de tecnologia e cooperação industrial”. Tecnicamente, o resultado é, portanto, positivo.

Em termos políticos, a Presidente parece ter acertado, uma vez que escapou de uma “saia justa” que seria um acordo com os Estados Unidos em um momento de tensão nas relações bilaterais ou uma parceria com a França para aquisição de aeronaves que, em razão do alto custo, poderia provocar críticas domésticas. Ademais, ao contrário dos estadunidenses e franceses, aliados tradicionais, mas com interesses diretos na América do Sul, a Suécia está distante de qualquer disputa geopolítica na região.

Não cansarei os meus 8 (oito) leitores com tecnicismos. O mais importante disso tudo é que a decisão foi tomada. Agora é por as mãos na massa e, independentemente de qual seja o próximo governo a partir de 2015, desenvolver o projeto para aumentar nossa capacidade defensiva.

Parabéns à Força Aérea Brasileira! Parabéns, Brasil!

Segue a Nota da Aeronáutica sobre o acontecimento.

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18/12/2013 – 18h54

NOTA OFICIAL – Governo Federal seleciona novos caças para a FAB

 18 de dezembro de 2013.

Um dia histórico para a Força Aérea Brasileira.

Por meio do Programa F-X2, o Governo brasileiro confirmou a aquisição do avião militar supersônico GRIPEN-NG, caça de última geração que atenderá às necessidades operacionais da FAB para os próximos 30 anos e que faz parte do Programa de Articulação e Equipamento da Defesa, da Estratégia Nacional de Defesa, com vistas à defesa da Pátria.

Durante todo o processo de seleção, cujos estudos preliminares remontam ao ano de 1992, o Comando da Aeronáutica (COMAER) sempre se pautou pela busca do melhor conhecimento dos aspectos técnicos, operacionais e logísticos atinentes às aeronaves participantes da escolha.

A nova aeronave multimissão foi projetada para controle do ar, defesa aérea, reconhecimento aéreo, ataques ar-solo e ar-mar. Dentre os requisitos apontados pela FAB, destaca-se a tecnologia de ponta, com avançado sistema de sensores e fusão de dados, características que proporcionam ao piloto um quadro completo e preciso do cenário de emprego.

Para se ter uma ideia do poder de combate desse novo caça, basta dizer que ele permitirá à FAB enfrentar ameaças em qualquer ponto do território nacional com carga plena de armas e combustível. A aquisição do GRIPEN-NG proporcionará ao País exponencial poder dissuasório, que resultará na garantia da soberania do Brasil.

A notícia se reveste de relevância porque o conjunto de conhecimentos e capacitação tecnológicos contemplados nessa aquisição contribuirá para que a indústria de defesa nacional se capacite para produzir caças de quinta geração em um projeto de médio e longo prazos.

Conheça o histórico dessa aquisição

A necessidade de reequipar a Força Aérea com uma aeronave de defesa e superioridade aérea compatível com a destinação e importância geopolítica do País configurou-se, definitivamente, no ano 2000, com a denominação Projeto F-X, fruto dos estudos iniciados em 1992, quando a FAB delineou os primeiros requisitos das aeronaves que deveriam substituir os F-103 MIRAGE III, operados, na Base Aérea de Anápolis, em Goiás, desde o início da década de 70.

Em agosto de 2001, o Comando da Aeronáutica iniciou a seleção das empresas ofertantes de equipamentos compatíveis com os requisitos então definidos. No final do mesmo ano foram selecionadas as seguintes aeronaves, apresentadas por ordem alfabética: GRIPEN, F-16, MIG-29, MIRAGE 2000 e SUKOI 30.

No início do ano de 2003, o processo foi suspenso pelo Governo Federal, tendo sido retomado em 1º de outubro do mesmo ano. À época, os participantes reexaminaram suas propostas com a finalidade de apresentar as atualizações julgadas pertinentes.

Em 31 de dezembro de 2004, com o término dos prazos válidos das propostas, sem ter ocorrido a escolha de uma aeronave, o Governo decidiu preencher a lacuna decorrente da desativação dos F-103 MIRAGE III, que ocorreria em 2005, com a compra de 12 Mirage 2000-C usados, fabricados na década de 80 e oriundos da Força Aérea Francesa. Na FAB, recebeu a designação de F-2000. É operado desde 2006 pelo Primeiro Grupo de Defesa Aérea, na Base Aérea de Anápolis, tendo sua desativação prevista para 31 de dezembro deste ano de 2013.

Em 2007, o Estado-Maior da Aeronáutica reiniciou os estudos sobre as necessidades operacionais e características concernentes ao novo avião de caça multiemprego que deveria reequipar a FAB e, em 15 de maio de 2008, instituiu a Comissão Gerencial do Projeto F-X2, com o objetivo de conduzir os processos dessa aquisição, por meio de escolha direta, em consonância com os preceitos da Lei nº. 8.666, visando à seleção da proposta mais vantajosa para o País.

A aeronave escolhida precisaria oferecer condições para atender ao cronograma de desativação de aeronaves de combate da FAB, bem como dotar a Instituição de uma frota padronizada de aviões de caça de multiemprego, porquanto os Mirage 2000-C têm sua desativação prevista para 2013, os F-5EM deixarão de operar a partir de 2025, enquanto que o A-1M deverá ser desativado a partir de 2023.

Assim, inicialmente, seis empresas com seus respectivos produtos foram pré-selecionadas: as norte-americanas BOEING (F-18 E/F SUPERHORNET) e LOCKHEED MARTIN (F-16), a francesa DASSAULT (RAFALE), a russa ROSOBORONEXPORT (SUKHOI SU-35), a sueca SAAB (GRIPEN NG) e o consórcio europeu EUROFIGHTER (TYPHOON).

No final de 2008, considerando os aspectos referentes às áreas operacional, logística, técnica, de compensação comercial (offset) e transferência de tecnologia para a indústria nacional, foram selecionadas três aeronaves para compor uma “short-list” ou lista reduzida para prosseguir no certame, aqui apresentando-se em ordem alfabética: BOEING (F-18 E/F SUPERHORNET), DASSAULT (RAFALE) e SAAB (GRIPEN NG).
Em 2 de outubro de 2009 os três ofertantes encaminharam suas melhores propostas. Em 5 de janeiro de 2010, o Comando da Aeronáutica remeteu ao Ministério da Defesa o Relatório Final do Projeto F-X2, instrumento de assessoria à decisão do Governo Federal.

As análises prosseguiram e, hoje, 18 de dezembro de 2013, a Presidenta da República anunciou a decisão de adquirir as aeronaves GRIPEN-NG, da empresa SAAB-AB, representando investimentos da ordem de US$ 4,5 bilhões, em um cronograma que se estenderá até 2023.

A oferta vencedora engloba o fornecimento de 36 (trinta e seis) aeronaves, logística inicial, treinamento, simuladores de voo e projetos de transferência de tecnologia e cooperação industrial.
A próxima fase do processo consiste nas negociações para a materialização dos contratos de fornecimento de bens, de serviços e os acordos de compensação.

Brasília, 18 de dezembro de 2013.

Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno

Chefe do CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DA AERONÁUTICA

Fonte: Agência Força Aérea

Tags: fab,Projeto FX2, GRIPEN-NG, Comando da Aeronáutica,
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