Cuidado com o que pede…

Para sair um pouco da temática do Brexit (ih! falei!), segue notícia que me chamou a atenção: a Ministra da Defesa da Alemanha pede aos russos que informem aos ocidentais sobre suas tropas (Uahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha! Desculpem…).

Não sei se a Senhora Ministra falou com Frau Merkel (gosto de Frau Merkel) sobre o assunto antes de fazer a declaração. Só acho que isso pode ser interpretado por Moscou como provocação… E talvez os russos resolvam informar aos alemães que podem se deslocar para Oeste se for da vontade de Berlim (há 25 anos eles estavam lá, né?)… E os poloneses começam a se preocupar…

De toda maneira, quando se trata com Putin, acho que é bom tomar cuidado com o que se pede… Vai que ele resolve atender! Acompanhemos os desdobramentos e vejamos a reação de Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

A Ministra de Defesa alemã, Ursula von der Leyen, com soldados da infantaria depois dos exercícios militares na parte sul da Alemanha, em 23 de março, 2016

Alemanha quer informação sobre o número de tropas russas

Ursula von der Leyen, a ministra da Defesa alemã, pediu que Moscou divulgasse as deslocações e o número de suas tropas.

© SPUTNIK/ ALEKSANDR KRYAZHEV, 26/06/2016

“Seria razoável se a OTAN e a Rússia, no âmbito da OSCE, informassem uma a outra sobre o movimento e o número de suas tropas. Por parte da OTAN, que é uma aliança exclusivamente defensiva, a proposta foi feita há muito tempo”, disse a ministra em uma entrevista ao Bild am Sonntag.

 

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Revenons à nos moutons

« De par le diable, vous bavez !
Eh ! Ne savez-vous revenir
Au sujet, sans entretenir
La cour de telle baveries ?
Sus, revenons à ces moutons !
Qu’en fut-il ?
»

La Farce de Maître Pathelin, 1485

 

Eu poderia apresentar a meus 8 (oito) leitores muitas desculpas por esses dez meses sem publicação em Frumentarius… Poderia dizer que o tempo se tornou escasso para escrever, que as atribuições do dia-a-dia me impediam de fazer os comentários com a regularidade que desejava… Poderia também dizer que a inspiração estava pouca (não estava), que os posts em minha página do Facebook eram suficientes (por falar nisso, já curtiu minha página no Facebook? – veja a lateral esquerda superior desta tela)… Mas tudo isso seria apenas e tão somente desculpa…

Portanto, em vez das escusas pelo tempo sem publicar, informo simplesmente que estou saindo (de maneira lenta, gradual e progressiva) dessa fase de recolhimento e logo teremos novos posts sobre “um pouco de tudo” de uma forma mais regular… Isso deve acontecer a partir de julho! Vejam que retomaremos a regularidade em julho, com ao menos três posts comentados por semana. Durante junho faremos apenas um “esquenta”!

Há muita coisa sobre o que refletir no mundo em constante transformação! Enquanto Frumentarius estava adormecido, o terrorismo se tornou um tema mais presente no imaginário dos europeus em razão dos ataques de Paris e Bruxelas. Tema mais presente e erroneamente associado às massas de refugiados que chegam à Europa fugindo de sua terra natal em busca de uma vida de paz… Obviamente, vamos comentar sobre isso e tentar remover véus sobre o mito dos “refugiados terroristas”.

Não é possível falar de terrorismo sem uma referência ao Estado Islâmico, que se tornou muito forte nos últimos dois anos (apesar das derrotas recentes para as forças de Assad – continuo achando que ruim com ele, muito pior sem ele – e da intervenção russa – ok, os ocidentais também fizeram intervenções importantes na Síria… fizeram???), chocando o mundo com barbaridades que deixariam roteiristas de Hollywood no chinelo… O ISIS trata-se realmente de organização que merece constante atenção dos serviços de segurança e inteligência pelo mundo…

Outro conflito que continuou foi o da Ucrânia, apesar das poucas atenções àquele lado do mundo… Afinal, aquilo é zona de influência russa, sendo temerário que os ocidentais queiram interferir naquelas terras. Diga-se de passagem, o Urso tem aumentado sua capacidade de atemorizar os países ocidentais… Impossivel falar de Rússia sem referência expressa a Puti… Putin continua lá, mandando como nunca. Gosto de Putin… Putin é KGB…

Eleições nos EUA também são tema corriqueiro! Nunca pensei que fosse torcer por um candidato do Partido Democrata, mas com o Pato Donald Trump sendo o ungido do Partido Republicano, chego à conclusão que passa da hora dos EUA terem Hillary Clinton na cadeira presidencial – Sanders nem com reza brava, por favor!

Tema que meus leitores sabem que muito me agrada é a atuação de Bob Filho no seu aterrorizante parque de diversões! O rato tem rugido, e isso gera instabilidade no Continente Asiático. Em tempo: recentemente ele foi confirmado como Líder Supremo da Coréia da Norte – mas como não fazê-lo com o sujeito que inventou o Ipad? 

E o Brasil? Bom, o Brasil merecerá muitos posts! O melhor foi o ocaso de Madame et caterva, pois o País não aguentava mais o desgoverno… Tenho esperança que nosso novo Presidente (volto a usar o “P”maiúsculo)! Di-lo-ei  (Ahá!) que lhe desejo muito êxito ao promover as mudanças que farão com que o Pais se recupere política, econômica e moralmente (afinal, precisamos recuperar valores morais acima de tudo!)… A equipe econômica é ótima, a equipe de governo também. O Presidente é homem inteligente e lúcido e conhece o Congresso, o que é fundamental neste modelo presidencialista fracassado – sim, porque continuo monarquista e tratarei disso também! 

Essas são apenas algumas palavras iniciais. Espero que possamos interagir mais, meus queridos leitores, e continuar conversando sobre “um pouco de tudo”! Avante!

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Russos ao Mar!

russian-navyNeste 26 de julho, data em que os russos comemoram o Dia da Marinha, Vladimir Putin (gosto de Putin; Putin é KGB) aprovou a nova Doutrina Naval de seu país. Segundo o documento, a atuação da Rússia no mar torna-se mais abrangente: além dos quatro oceanos tradicionais por onde navega a frota russa (Atlântico, Ártico, Pacífico, e Índico), o Urso passa a querer nadar na Antártida! (Ou seja, urso polar não come pinguim, mas o urso negro do cáucaso está de olho nas riquezas do continente gelado!).

akula19Sim! Russos navegando nas gélidas águas austrais! (Algo me diz que submarinos russos, que passeiam pelo Ártico, podem desviar a rota para cá também… mas só por curiosidade, para confirmar se aqui é tão frio quanto lá e, claro, se o o gelo é bom para o Whisky ou para a Vodca – é bom sim, confirmo!). Indubitavelmente, a manobra acende a luz amarela para países com interesses estratégicos no Atlântico Sul e no Oceano Glacial Antártico, por exemplo, para os Estados Unidos (por óbvio) e a Grã-Bretanha (como o anterior, membro da OTAN). Assim também deveria ocorrer com outra nação que possui em sua Estratégia Nacional de Defesa um destaque para o Atlântico Sul e a Antártica – ganha um bolo de mandioca comungada com milho quem acertar o nome desse país! 

A agência [(para)oficial] russa Sputniknews publicou matéria hoje sobre a questão, destacando que “a nova versão da Doutrina Naval estabelece a inadmissibilidade dos planos de aproximação da infraestrutura militar da OTAN das fronteiras da Federação Russa como fator determinante das relações com a aliança”, e acrescenta que “a nova doutrina prevê ainda a redução das ameaças à segurança nacional no Ártico e o reforço das posições de liderança da Federação Russa na exploração desta região”. Também se deu atenção ao fortalecimento da infraestrutura para a Frota do Mar Negro (leia-se, Crimeia, deixando claro que ninguém em Moscou cogita devolver a região aos ucranianos) e o desenvolvimento da Frota do Norte.

Resumo da ópera, a Rússia reafirma sua condição de potência naval e dá o recado à OTAN: estamos preparados para usar a força na defesa de nossos interesses (ou ao menos esperamos que vocês pensem assim)!”. Sempre repetirei que uma potência não deixa de ser potência do dia para a noite. Pode até não ser a fera ameaçadora dos tempos soviéticos, mas o velho urso ainda tem dentes e garras!

Para a matéria na Sputniknews:
http://br.sputniknews.com/defesa/20150726/1676059.html#ixzz3h2itlIf3

Russian President Vladimir Putin seen aboard the Arkhangelsk nuclear submarine in the Barents Sea, Russia, Tuesday, Feb. 17, 2004. At left is  presidential standard flag, at right is Russian navy flag. Putin went out to the Barents Sea on board the Arkhangelsk nuclear submarine to observe the maneuvers set to involve numerous missile launches and flights of strategic bombers in what Russian media described as the largest show of military might in more than 20 years.  (AP Photo/ITAR-TASS, Presidential Press Service)

O passado alemão de Vladimir

Vladimir Putin in KGB uniformIndubitavelmente, uma das melhores matérias que já reproduzi aqui em Frumentarius. Fundamental, para todos os interessados em Política Externa e Relações Internacionais, bem como em temas relacionados a Segurança e Inteligência, é conhecer a biografia de Vladimir Putin, com destaque para seus anos de KGB e, mais especificamente, para o tempo que passou  na Alemanha Oriental. Como se destaca na própria matéria, o Putin e a Rússia de hoje seriam bem diferentes sem aquele período do atual líder sovié…, digo, russo, entre os alemães.

Interessante observar, ainda, que Putin conhece  bem os alemães, sabe como eles pensam. Mas aí alguém perguntaria: “mas não seriam os alemães orientais que ele conhece bem?”. Respondo lembrando que, antes de tudo,  alemães orientais são alemães… e que Frau Merkel (por quem nutro enorme simpatia) é alemã oriental! De fato, convém assinalar que os dois maiores líderes europeus conhecem bem a realidade e a maneira de pensar de alemães e russos. Assim como Putin conhece os alemães, Frau Merkel conhece os russos, e fala sua língua (tenho minhas dúvidas se algum outro líder ocidental tenha esse conhecimento).

Conversando esses dias com meu grande amigo Túlio Leal (que me encaminhou a matéria e acha que não leio seus e-mails), tentávamos imaginar como seria um encontro entre Putin, Merkel e outros líderes, como Hollande. Merkel fala e alemão, Putin entende e responde em russo – Merkel compreende claramente o que ele quis dizer… Interessante, não?

Enfim, os líderes ocidentais muitas vezes parecem não saber com quem estão lidando quando tratam de Rússia. Exceto Frau Merkel. Frau Merkel conhece a Rússia. Frau Merkel entende Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

Vladimir Putin’s formative German years

Vladimir Putin in Dresden in 2006

It is 5 December 1989 in Dresden, a few weeks after the Berlin Wall has fallen. East German communism is dying on its feet, people power seems irresistible.

Crowds storm the Dresden headquarters of the Stasi, the East German secret police, who suddenly seem helpless.

Then a small group of demonstrators decides to head across the road, to a large house that is the local headquarters of the Soviet secret service, the KGB.

“The guard on the gate immediately rushed back into the house,” recalls one of the group, Siegfried Dannath. But shortly afterwards “an officer emerged – quite small, agitated”.

“He said to our group, ‘Don’t try to force your way into this property. My comrades are armed, and they’re authorised to use their weapons in an emergency.'”

That persuaded the group to withdraw.

But the KGB officer knew how dangerous the situation remained. He described later how he rang the headquarters of a Red Army tank unit to ask for protection.

The answer he received was a devastating, life-changing shock.

“We cannot do anything without orders from Moscow,” the voice at the other end replied. “And Moscow is silent.”

That phrase, “Moscow is silent” has haunted this man ever since. Defiant yet helpless as the 1989 revolution swept over him, he has now himself become “Moscow” – the President of Russia, Vladimir Putin.

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Por que aprender russo?

Vi este gráfico e achei interessante reproduzir por aqui. Talvez seja um pouco forçado, mas são boas razões. Recomendo a meus alunos que aprendam russo – por todas esses motivos e outros mais. Ademais, pode-se acompanhar as notícias de Moscou (sempre oficiais, não importa em que meio) e os pronunciamentos do Putin no original (gosto Putin; Putin é KGB).Rus_lang_infogr

Fonte: http://nl.media.rbth.ru/web/br-rbth/images/2015-02/extra/Rus_lang_infogr.jpg

Sputnik novamente no ar!

191304main_sputnik-browseNão, não é o que você está pensando, meu caro leitor! Não lançaram um novo satélite russo! Mas o que foi para o ar em novembro de 2014, tão bombástica quanto o Sputnik original, é a nova agência de notícias sovié…digo, russa! Achei a escolha do nome brilhante: Sputnik (o mesmo do primeiro satélite colocado em órbita pelos soviéticos durante a Guerra Fria)!

A Sputnik substitui a Ria Novosti (sentirei falta da Ria Novosti, que tanta participação teve aqui em Frumentarius!) e a Voz da Rússia (um clássico!) como nova agência de notícias (semioficial) a serviço do Kremlin (qual problema? Os britânicos têm a BBC! E nós a  – credo! – Agência Brasil!). É um canal interessante para conhecer a opinião do lado de lá e a maneira como os sovié…digo, russos, vêem o mundo.

NYT-10.5.57.hlargeA Rádio Sputnik é também muito interessante! Segundo eles, opera em 30 línguas e tem mais de 800 horas diárias de programação, cobrindo 130 cidades e 34 países – vou procurar o meu velho radinho de pilha para ver se consigo captá-la (quando era moleque, às vezes conseguia sintonizar A Voz da Rússia – acho que em AM – e achava o máximo!). Claro que também está disponível pela internet (o que não tem o mesmo charme, convenhamos!).

Se o conteúdo da Sputnik é confiável? Posso dizer que é divertido, e completamente fora do mainstream da mídia internacional. Estou gostando muito das matérias sobre os adversários ocidentais da Rússia e a guerra na Ucrânia. Os colunistas também são bons!

Como já fazia com a Voz da Rússia e a Ria Novosti, publicarei aqui matérias da Sputnik. Ao menos teremos uma perspectiva peculiar de um pouco de tudo…

Sputnik

Sputnik

Qual o problema da Grã-Bretanha com a Rússia?!?!?!

Encontrei este artigo na versão em inglês do Pravda (tradicionalmente isento, absolutamente imparcial, hehehe). Achei divertido. Não farei maiores comentários…

PS: Para os mais jovens, o Pravda (Пра́вда) foi o principal jornal da União Soviética e um órgão oficial de notícias do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética entre 1918 e 1991. O jornal ainda existe e está em circulação na Rússia, mas ficou mais conhecido nos países ocidentais por seus pronunciamentos durante o período da Guerra Fria (ou seja, pronunciamentos oficiais do Partido Comunista). Hoje, a versão online nada tem a ver com a versão impressa, mas ambos trazem a percepção peculiar do bom e velho Pravda soviético.

O outro grande jornal soviético era o Izvestia (Известия), que também existe ainda hoje, e pertence a estatal russa de notícias. Nos tempos da Guerra Fria, fora da União Soviética, e sobretudo entre as esquerdas da América Latina, exemplares desses jornais eram artigos de luxo para os militantes que sonhavam com a vitória proletária (sei…), e quem tinha um se destacava como bom revolucionário (apesar de, geralmente, não entender uma palavra de russo).

Pravda em russo significa verdade, e Izvestia notícia. Havia inúmeras piadas à época soviética com esses dois diários. Em uma delas, dizia-se que o Pravda nunca trazia notícias e que no Izvestia não havia verdade… 

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Why does Britain have a problem with Russia?

Pravda.ru – 19.02.2015 13:13
Why does Britain have a problem with Russia?. 54598.jpeg

In recent days, the hyperbole has risen to hysteria level with senior members of the British government outdoing each other to make the most infantile, irresponsible, insolent and insulting remarks against Russia and its President, Vladimir Putin. What is Britain’s problem with Russia, the country that shed rivers of blood to free Europe from Fascism?

Only last week, Britain’s Foreign Secretary Philip Hammond was insinuating that Britain might get involved in Ukraine because he would not allow Ukraine’s military forces to collapse, while his boss, Prime Minister Cameron, rudely referred to Russia’s President as “Putin”. Today, we have the Defense Secretary Michael Fallon warning that Russia might use military force against its neighbors, while the British Bullshit Corporation and Lies on Sky ratchet up the anti-Russia hype calling its President a despot, calling Russia’s government “desperate” and insinuating that Moscow might suddenly send the tanks rolling across the frontiers.

Two questions: Is the British public really so gullible that it will swallow that nonsense, or are the purveyors of lies as truth yet again a decade or so behind the times? The answer to the first question is no and the answer to the second is yes.

Everybody knows that Russia and Britain (and France and the USA, among others, including Serbia) stood together just over half a century ago to defeat the worst scourge Europe has seen since the days of Genghis Khan – Adolf Hitler’s Nazi Third Reich. It was a war in which Russia, as part of the Union of Soviet Socialist Republics, lost over 26 million souls freeing Europe from tyranny, racism, homophobia, intolerance and Fascism. Around ninety per cent of  the Wehrmacht losses were incurred on the Eastern Front. Continuar lendo