Data triste, há 101 anos…

Na madrugada de 17 de julho de 1918 ocorria um dos episódios mais nefastos do século XX e da História da Rússia: em Ekaterinburgo, nos Urais, o Czar Nicolau II, sua bela família e mais quatro pessoas que acompanhavam o último Imperador da Rússia no exílio, foram brutalmente assassinados por revolucionários bolcheviques a mando do facínora Lênin.
Não cabe aqui assinalar o quão deploráveis foram aqueles acontecimentos, nem a maneira como as vítimas foram arrancadas de duas camas e massacrados a sangue frio em nome da Revolução.
A data de hoje é para lembrar da tragédia dos Romanov e orar pelas suas almas.
E que o comunismo desapareça da História, pois só trouxe dor, tristeza e sofrimento a milhões de seres humanos…

Mais uma data a ser lembrada…

O dia 23 de março de 2019 é uma data que merece ser lembrada. Hoje, após anos de combates, a coalização ocidental que opera na Síria anunciou a queda de Baghuz, último reduto da organização que ficou conhecida como “o Estado Islâmico”, ou Daesh – passei a usar o termo Daesh, pois amigos árabes me disseram ser mais adequado.

Com a tomada da cidade pelas “Forças Democráticas Sírias” (FDS) – ou os “rebeldes moderados” tão aclamados por alguns meios aqui no Ocidente -, o projeto de poder de criação de um califado pelo Daesh fracassou. Até esse ponto, entretanto, foram muitos anos de dor, sofrimento, morte… Foram anos de violência exarcebada e de radicalismo, anos de imposição do terror a centenas de milhares pessoas… Sempre vale lembrar que o Daesh, conhecido pela extrema violência, dominou um território do tamanho do Estado de Minas Gerais, promovendo barbaridades que chocariam até membros de outras organizações terroristas. Esses fatos, certamente devem ser lembrados.

AFP Photo

Capture d’écran de la chaîne kurde Ronahi TV montrant les Forces démocratiques syriennes levant leur drapeau au sommet d’un bâtiment du dernier bastion de Daesh. AFP PHOTO / HO / RONAHI TV

Não entrarei neste post nas questões geopolíticas relacionadas à débacle do Estado Islâmico. Deixarei isso para publicações futuras. Mas lembro que a situação na Síria ainda não está totalmente pacificada. Convém que isso seja lembrado.

Agora acabou! Ao menos acabou a dominação do Daesh sobre milhares de seres humanos (sírios, curdos, iraquianos) de uma das regiões mais ricas em história e cultura no planeta. Acabou o osbcurantismo imposto pelo fundamentalismo religioso. Acabaram os estupros, o uso de escravas sexuais e como serviçais, as execuções em praça pública (transmitidas pela internet), o emprego de crianças para promover atrocidades, a violência contra homossexuais… Será que acabou mesmo?

Dificilmente a violência terá acabado para as populações que estiveram sob o jugo do Daesh nos últimos anos. Certamente ela diminuirá, esparamos que bastante. Mas os traumas físicos e psicológicos desse período de terror, de violações indescritíveis à dignidade humana, ainda continuarão com aquelas pessoas pelo resto da vida. Elas precisarão de cuidados, muitos e constantes cuidados. De toda maneira, a bandeira negra do Daesh não mais tremula naquelas cidades. Isso é algo que deve ser lembrado.

Reuters

Syrian Democratic Forces (SDF) fighters ride atop military vehicles as they celebrate victory in Raqqa, Syria, October 17, 2017. REUTERS/Erik De Castro

O fim da dominação do Daesh na Síria e no Iraque não é, inobstante, o fim da organização terrorista. Ainda há milhares de combatentes espalhados pela região e, pior, emigrando (alguns de volta) às cidades da Europa e das Américas. Com isso, o perigo de uma guerra nas sombras, com ataques no coração da civilização ocidental, permanece. A hidra teve suas cabeças cortadas, mas a experiência ensina que elas nascerão novamente. Eis um aspecto do esfacelamento do Daesh que deve ser lembrado.

De toda maneira, a data de hoje tem sua simbologia. Representa o fim do terror e possibilidade de uma nova vida para, repito, centenas de milhares de pessoas. Por aqui, importante ficarmos atentos. Mas, pelo momento, cabe comemorar e orar pelos mortos e pelos que enterraram seus mortos.

Continuar lendo

Políticos e Espiões, 2ª edição

É com grande satisfação que informo a meus queridos (12) leitores que já se encontra disponível, nas melhores livrarias, a 2ª edição de nosso livro Políticos e Espiões: o controle da atividade de inteligência.

20181222_170157.jpg

Publicada nove anos após a 1ª edição, a obra foi completamente atualizada, inclusive fazendo referência a mudanças importantes no controle dos serviços secretos aqui no Brasil e pelo globo (e olha que realmente muita coisa mudou desde então!).

É sobre isso que trata Políticos e Espiões: como controlar os serviços de inteligência em regimes democráticos, garantindo-se não só que os nobres profissionais do silêncio consigam executar adequadamente sua relevante tarefa, e ao mesmo tempo impedindo que cometam abusos no exercício de suas funções. Afinal, conhecimento é poder, e a Inteligência lida com conhecimento qualificado.

Políticos e Espiões teve grande aceitação quando foi publicado, o que lhe garantiu uma segunda tiragem e, agora, uma nova edição. Junto com Atividade de Inteligência e Legislação Correlata (6ª edição, Niterói: Impetus, 2018) e Terrorismo: conhecimento e combate (Niterói: Impetus, 2017, escrito em parceria com Marcus Reis), Políticos e Espiões compõe nossa trilogia sobre Segurança e Inteligência (trilogia para o momento, pois virão outros). [Como estou ficando bom nesse negócio de blog – yes! -, clique no título dos livros neste parágrafo que você será direcionado para a descrição detalhada de cada um.]

20181222_172834 (1)

Onde encontro seus livros? Todo mundo me pergunta isso. A resposta: nas melhores livrarias do ramo!

Infelizmente, apesar da excelência na produção das obras e da retidão na prestação de contas, minha Editora tem um sério problema com distribuição (queria que meu Editor reconsiderasse esse aspecto). Assim, pode ser que você não encontre meus livros naquela livraria bacana ao lado da sua casa ou mesmo na que fica no shopping (e não acredite no vendedor se ele disser que está esgotado ou coisa parecida!). Nesse caso, recomendo que compre diretamente pela internet, no site da Editora Impetus. Para adquirir nossos livros, basta clicar aqui.

Se você aprecia o tema Inteligência, tenho certeza de que gostará de nossos livros (“nossos” porque livros são como filhos, impossível fazer sozinho)! Não perca tempo! Vá lá ao site da Impetus e ajude a garantir o almoço dos meus filhos! Obrigado!

20181222_170746

Ataques em Munique

Tiroteio em Munique. Há ao menos três mortos. Parece ser mais de um atirador. Eu já venho cantando esta pedra há algum tempo. Pânico generalizado. Serviços de transporte parados. Comunicações prejudicas.

Vale lembrar que a cidade de Munique entrou para história do terrorismo quando, durante os Jogos Olímpicos de 1972, terroristas tomaram como reféns membros da delegação israelense, que acabaram mortos na tentativa de resgate.

Como diz meu amigo Adriano Barbosa, um país pode ser base, alvo ou palco de ações terroristas… ou os três também. E o terrorismo internacional pode escolher qualquer lugar, inclusive onde menos se espera que ocorram atentados.Assim, é importante estar vigilante. Afinal, depois que a vidraça é quebrada, muito pouco pode ser feito…

 Süddeutsche Zeitung – 22. Juli 2016, 21:04 Uhr Schüsse

Polizei: “Akute Terrorlage” in München – mehrere Tote, Stadt in Ausnahmezustand

  • Bei einer Schießerei im und am Münchner Olympia-Einkaufszentrum sind mindestens sieben Menschen getötet worden, weitere wurden verletzt.
  • Drei Täter mit Langwaffen sind laut Polizei auf der Flucht.
  • “Akute Terrorlage” ausgerufen.
  • Der komplette öffentliche Nahverkehr ist eingestellt.
  • Das Krankenhaus Schwabing bereitet sich auf die Aufnahme von Verletzten vor. Auch im Klinikum Rechts der Isar ist der Katastrophenalarm ausgerufen worden. Offenbar müssen alle Ärzte einrücken.

http://www.sueddeutsche.de/muenchen/schuesse-polizei-akute-terrorlage-in-muenchen-mehrere-tote-stadt-in-ausnahmezustand-1.3091576

Terrorism in Brazil: Brazilian Federal Police arrests supposed terrorists

The Brazilian Federal Police has arrested 10 people supposed to be linked to Daesh in Brazil. According to the Minister of Justice, who talks now to the press, it is a terrorist cell. They are Brazilians.

That’s Brazilian entering in the world targets group…

MJ

 

Prisão de grupo que pretendia praticar atos de terror no Brasil

Voltando de férias. Comentarei alguns acontecimentos das últimas semanas nos próximos dias. Mas já gostaria de registrar essa primeira prisão com base na lei antiterrorismo brasileira. Parabéns ao DPF!

PF prende grupo que preparava atos de terror na Olimpíada

Por Lauro Jardim, 21/07/2016, 10:59

A Polícia Federal realizou a primeira prisão com base na lei antiterror.

Foi preso um grupo que já estava em atos preparatórios para ações terroristas durante a  Olimpíada.

As prisões foram feitas em São Paulo e Paraná. O grupo foi recrutado pelo Estado Islâmico pela internet. Entre os presos, um menor de idade.

O ministro Alexandre de Moraes vai detalhar o ocorrido ainda hoje numa entrevista.

Fonte: http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/pf-prende-grupo-que-preparava-atos-de-terror-na-olimpiada.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo

Fallujah livre!

Notícia que chegou em boa hora: a cidade de Fallujah foi libertada das garras do Estado Islâmico. Cada vitória no guerra contra esses monstros deve ser celebrada! Não que o governo iraquiano seja muito gentil com seus cidadãos, mas qualquer coisa é melhor que estar sob o jugo do Daesh.

A guerra contra esses  facínoras está longe de acabar… ainda vai durar muito, para tristeza e desespero da população que vive sob a espada do ISIS ou é vítima dos conflitos no Iraque e na Síria. Diga-se de passagem, a responsabilidade do Ocidente, particularmente dos Estados Unidos, é grande nos dois casos: no Iraque, a coisa fugiu ao controle depois que George Walker Bush elegeu Saddam Hussein seu inimigo e resolveu apeá-lo do poder (às custas da destruição de um país inteiro); na Síria, o apoio de outro Hussein (o Barack Obama) a grupos insurgentes contra o (estável, ainda que tirano) regime de  Bashar al Assad, já ceifou centenas de milhares de vidas e gerou a maior crise de refugiados desde o fim II Guerra Mundial.

De toda maneira, o que conta agora é esmagar o Estado Islâmico. Se os ocidentais não conseguirem, espero que os russos sejam mais efetivos. E que essa corja seja riscada da face da terra…

Forças iraquianas anunciam libertação de Fallujah

DW, 26/06/2016

Militares afirmam terem recuperado último bairro ainda em poder do “Estado Islâmico”. Operação para reconquista começou em maio e obrigou 85 mil civis a deixarem a cidade.

Soldados iraquianos exibem bandeira do EI ao contrário em Falluja

As forças iraquianas anunciaram neste domingo (26/06) terem libertado totalmente Fallujah, uma cidade do oeste do Iraque nas mãos do grupo extremista “Estado Islâmico” (EI) desde janeiro de 2014.

 

Continuar lendo

Je suis Garissa

Kenya University AttackEles estavam lá para estudar. Não tinham se juntado naquele lugar para conspirar, para ridicularizar o outro, para planejar ataques a pessoas ou instituições. Também não viajavam de férias nem voltavam de momentos felizes em algum local paradisíaco. Estavam lá para estudar e, dessa maneira, alcançar novas conquistas que lhes possibilitassem alguma ascensão na vida simples e difícil que tinham, em um ambiente de pobreza e desesperança. Só queriam estudar, mesmo. Mas seu futuro foi roubado por um bando de facínoras.

O dia começava como qualquer outro. Mais uma jornada de aulas, e de aulas tão ansiadas, pois constituem privilégio naquela região tão carente de futuro. Sim, aulas vistas como um privilégio, mesmo que em condições em que a maioria dos jovens universitários de países ricos – ou mesmo aqueles aqui do Brasil – teriam dificuldade de suportar para conseguir um diploma. Mas eles estavam felizes… sabiam da importância daquelas aulas.

Al-ShabaabO pesadelo veio com um grupo de bandidos armados que ocuparam o campus. Terror, pânico, lágrimas.  O extremismo em nome da religião e a intolerância para com a fé alheia seriam as primeiras lições daquele dia. E o pior ainda estaria por vir. Foram reunidos pelos terroristas, que começaram a separar cristãos de muçulmanos.

Então, o pesadelo se tornou realidade: enquanto os estudantes muçulmanos eram liberados, os cristãos permaneciam nas mãos dos terroristas. Mais uma vez, o homem segregava em nome da fé, e a violência adviria em nome de D’us. Não se podia esperar algo de bom daquele episódio.

Garissa-University-CollegeMilitares e policiais já cercavam o campus. O clima estava tenso. O dia passava rápido para alguns, mas para os reféns do Al-Shabaab deveria estar muito lento: o pôr do sol demoraria a chegar. De fato, para 147 estudantes de Garissa, não haveria um pôr do sol, não haveria um outro dia.

O massacre aconteceu. Os terroristas executaram friamente os 147 estudantes cristãos. Depois foram mortos pela polícia. E as famílias daqueles 147 jovens têm, a partir de hoje, uma data para não ser esquecida: o dia da intolerância, do terror e da morte de seus filhos.

Hoje minhas preces serão para esses 147 jovens, suas famílias  e amigos. Chorarei com eles, pedirei que os anjos os confortem.

kenyaPorém, junto com as preces, registro aqui meu desabafo para com a hipocrisia e desfaçatez humana: fiquei muito triste pelos acontecimentos de Garissa, mas me ofendi também pela repercussão medíocre na mídia internacional e junto a governos e organizações sociais por todo o globo.

Onde estão as coroas de flores e as preces pelos 147 mortos? Onde estão as manifestações de indignação e os protestos contra a barbárie? Onde está a cobertura da imprensa, na TV e no rádio? Onde estão os gritos nas ruas e as mensagens nas redes sociais pelas vítimas do terror no Quênia? Será que ninguém se importa?

Quando reflito sobre indiferença do mundo para com os 147 do Quênia, logo me vem à mente a explicação para toda essa insensibilidade: foi no Quênia, e era uma comunidade pobre de uma cidade da qual nunca se ouviu falar. Nada que tocasse os corações das pessoas nas grandes cidades do Ocidente!

Eles eram estudantes. Mas eram estudantes africanos. Não eram cartunistas nem passageiros voltando de avião para casa. E eram 147… apenas dez vezes mais que os mortos do Charlie Hebdo e praticamente o mesmo número dos que pereceram nos Alpes franceses. Ninguém se importa.

Que fique registrado nosso repúdio ao terrorismo, à intolerância e, também, à hipocrisia. E que nossas preces possam alcançar os 147 de Garissa e suas famílias e amigos.

150402133529-restricted-13-kenya-attack-0402-super-169