A “Primavera Turca”, um século antes

Esta quem me mandou foi minha amiga Carmen Lícia, que passa o semestre nas maravilhosas terras francesas! Nesses tempos de Levante no mundo árabe, tem-se um artigo interessante sobre as mudanças na Turquia no início do século passado sob o movimento dos “jovens turcos”. Bom lembrar que o tenentismo no Brasil foi influenciado pelas idéias daqueles militares da Grande Porta.

Printemps arabe : modèle turc ou cauchemar politique ?

lundi 13 février 2012, par Henri Lacour
Tags : Politique

Une étude de François Georgeon éclaire sur les racines oubliées de la révolution jeunes-Turcs de 1908

En écho aux bouleversements actuels du monde arabe, François Georgeon, membre du laboratoire d’études turques et ottomanes (EHESS) revient sur la révolution Jeunes Turcs de 1908 dans l’Empire ottoman à travers son livreL’ivresse de la liberté. Cette révolution constitua en effet la première expérience révolutionnaire moderne et inédite contre l’autocratie au Moyen-Orient. Les révoltes arabes d’aujourd’hui doivent-elle s’en inspirer ? Continuar lendo

Preparando-se para a caçada

A notícia, surpreendeu-me, preocupou-me, irritou-me.
Agora são membros do Ministério Público que tentam forçar interpretações absurdas para por abaixo a Lei de Anistia. Por favor, não me venham com esse argumento estapafúrdio de “crime permanente” para os desaparecimentos do período militar!

Em vez de se preocuparem com os milhares de brasileiros e brasileiras que desaparecem todos os dias vítimas da violência e da impunidade no Brasil de hoje, esses “órgãos do Estado” (como gostam de ser chamados) apontam suas canetas afiadas para alvos de um outro tempo e de um outro Brasil. Argumentam que precisam “rever a História”, mas suas acusações voltam-se apenas a um lado da chamada “guerra suja” (enquanto muitos dos que cometeram crimes naqueles anos turbulentos estão hoje impunes ocupando altos postos na Administração Pública ou vivendo de gordas indenizações e se vangloriando por seus crimes). 

Reitero que a iniciativa de alguns desses nobres representantes do Ministério Público é mais que preocupante. Sob o argumento legalista (que muito mais tem de revanchismo e ódio ideologicamente orientado), tentam desconsiderar uma  Lei que, mais que um simples dispositivo legal, foi o instrumento para a garantia da transição democrática, pacífica e conciliadora. 

A caça às bruxas começa a ganhar força. O próximo passo é perseguirem os opositores do regime ou aqueles que têm opiniões discordantes. Isso sim é autoritarismo, e sob um manto democrático. Algo tem que ser feito para evitar os expurgos. Será que a sociedade brasileira continuará inerte diante desse revisionismo que afronta as bases da nossa democracia? Será que apenas tarde demais se perceberá que o Estado brasileiro está sendo tomado de assalto por indivíduos orientados pela ideologia de uma época que felizmente caiu com um muro da vergonha há mais de duas décadas? A situação é preocupante…

Ministério Público prepara ações contra militares por crimes da ditadura

Tese de procuradores ignora a Lei da Anistia para os chamados casos de ‘desaparecimento político’ por entender que eles não prescreveram; militares contestam

10 de março de 2012 | http://www.estadao.com.br

Roldão Arruda

O Ministério Público Federal está intensificando esforços para a instalação de processos que levem à responsabilização de pessoas envolvidas com os chamados crimes permanentes – sequestro e ocultação de cadáver – praticados por agentes do Estado nos anos da ditadura militar. Em São Paulo, procuradores federais estão prestes a ajuizar as primeiras ações nesses casos, mais conhecidos como “desaparecimentos”. Eles defendem a ideia de que os possíveis autores de crimes permanentes não foram abrangidos pela Lei da Anistia, que cobre um período limitado de tempo, entre 1961 e 1979. Continuar lendo

Mais sobre a crise na caserna

O “Alerta à Nação”, produzido em apoio ao Manifesto e contra a tentativa de censurar os militares da reserva e puni-los, no contexto de uma crise de dimensões inesperadas, conta já com 1.593  adesões, entre as quais 98 generais (22 Gen Ex – 26 Gen Div – 50 Gen Bda), 535  coronéis, 132 tenentes-coronéis, 26  majores, 68 capitães, 99 tenentes e  635 Civis.

Segue a reprodução do “Alerta à Nação”, em que não se contesta, em nenhum momento, a autoridade do Ministro da Defesa (ao contrário do que brada parte da imprensa inescrupulosa, ideologicamente orientada e agindo de má-fé. De fato, é revoltante como alguns jornalistas não têm qualquer escrúpulo em falsear os fatos e enganar os menos atentos a essas falácias).

Segue, também, a lista dos que assinaram o documento. Não constam dela quaisquer militares da ativa (pois estes sim estariam infringindo a lei se aderissem ao movimento), mas é certo que a crise alcança os quartéis.

Democracia é isso.

28/02 – ALERTA À NAÇÃO – ELES QUE VENHAM. POR AQUI NÃO PASSARÃO!”

(atualizado em 09/03/2012, às 18h)

Este é um alerta à Nação brasileira, assinado por homens cuja existência foi marcada por servir à Pátria, tendo como guia o seu juramento de por ela, se preciso for, dar a própria vida. São homens que representam o Exército das gerações passadas e são os responsáveis pelos fundamentos em que se alicerça o Exército do presente.

Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar (leia aqui), a partir do dia 16 de fevereiro próximo passado, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo. Continuar lendo

Comissão da Verdade e crise na caserna

Não havia comentado nada sobre o assunto até o momento, apesar de acompanhar a questão muito de perto. Entretanto, como alguns seguimentos da mídia parecem estar dispostos a patrocinar perseguições em nome da suposta “necessidade de revisar o passado”, resolvi apresentar aqui algumas reflexões.

1) Fiquei decepcionado (para não dizer coisa pior) com a parcialidade e o manejo de informações do programa de Miriam Leitão na Globonews sobre a morte de Marcelo Rubens Paiva. Aquilo não foi uma reportagem, mas um libelo ideologicamente orientado contra os militares brasileiros. Toda minha solidariedade a Rubens Paiva e seus familiares. Registro que o que aconteceu com ele é inaceitável – apesar de continuar ocorrendo em regimes ditatoriais como Cuba. Entretanto, o programa não contou a história do desaparecimento. Esta foi só a deixa para começar uma série de acusações aos militares e apresentar uma visão deturpada do período iniciado em 31 de março de 1964. A impressão passada pelo programa é que a luta armada no Brasil foi promovida por jovens combatentes da liberdade que pegavam em armas pela democracia contra os trogloditas sanguinários da ditadura… Não foi.

2) Com as últimas ações de representantes do primeiro escalão do governo, o que se vê é um revisionismo revanchista, que busca apurar meias verdades. Particularmente no que concerne à tal “Comissão da Verdade”, não sejamos cínicos, tem-se um movimento para perseguir, identificar e punir agentes estatais acusados de cometerem arbitrariedades durante o período militar. Só que ninguém fala em punir os terroristas, guerrilheiros e criminosos que mataram, roubaram e sequestraram sob o argumento de que “resistiam ao regime”. A situação é parecida com as famosa indústria das indenizações no Brasil: muitos dos que combateram o regime militar estão bem, obrigado, por gordas indenizações. Quem foi vítima da luta armada continua sem receber nada pelos danos causado pelos “combatentes da liberdade”.

3) Absurda é a contestação da Lei da Anistia. Não se pode comparar o processo de abertura brasileiro a qualquer outro pelo mundo. E a anistia, mais que um instrumento jurídico, foi mecanismo político que permitiu a conciliação e a abertura de forma pacífica e democrática, marcando um momento histórico e homologando um acordo pela abertura. A Lei de Anistia possibilitou, de fato, a redemocratização.

4) A ministra Maria do Rosário deixou claro, no programa de Míriam Leitão, que, ainda que não comece com o objetivo expresso de punir pessoas, essa será a conseqüência da Comissão da Verdade.

5) Surpreendeu a incompetência da assessoria da senhora Presidenta da República, ao não informá-la que ela não teria como punir os militares da reserva pelo exercício de seu direito de manifestar livremente o pensamento. Deixaram, assim, a Presidenta em situação desconcertante. Afinal, a não ser que fosse “membra” de algum dos clubes militares ou de suas diretorias, é que Sua Excelência ou o Ministro da Defesa teriam como questionar a manifestação dessas organizações. Era isso que os assessores deveriam ter explicado à Senhora Russeff.

6) A idéia de punir os militares da reserva só instigou a discórdia, pois gerou revolta no pessoal da ativa, em uma crise sem precedentes e a qual ainda não foi compreendida com clareza pelas autoridades brasileiras e pela sociedade.

7) Sinceramente, não vi nada de absurdo no Manifesto (reproduzido a  seguir para que os leitores tirem suas próprias conclusões), tampouco afronta à autoridade da Presidenta ou de seu Ministro da Defesa.

8) A crise ainda não acabou. Novos capítulos dessa novela virão. E tudo porque alguém, movido por interesses revanchistas, resolveu proceder à exumação de esqueletos de mais de quarenta anos e perseguir pessoas…

MANIFESTO INTERCLUBES MILITARES

COMPROMISSOS…

“Dirijo-me também aos partidos de oposição e aos setores da sociedade que não estiveram conosco nesta caminhada. Estendo minha mão a eles. De minha parte, não haverá discriminação, privilégios ou compadrio. A partir da minha posse, serei presidenta de todos os brasileiros e brasileiras, respeitando as diferenças de opinião, de crença e de orientação política.”

No dia 31 de outubro de 2010, após ter confirmada a vitória na disputa presidencial, a Sra Dilma Roussef proferiu um discurso, do qual destacamos o parágrafo acima transcrito. Era uma proposta de conduzir os destinos da nação como uma verdadeira estadista. Continuar lendo

Menos, Cristina, menos…

Por ocasião dos trinta anos da Guerra das Malvinas, e como se não tivesse muito mais com o que se preocupar, Cristina Kirchner fez declarações fortes contra o Reino Unido.

Constatações:

1) Os britânicos estão nas Malvinas (Falklands) desde 1833 (portanto, há 179 anos).

2) A ilha é deles, sejamos realistas. As pretensões argentinas, ainda que tivessem alguma procedência, teriam ido por terra (ou por mar…) com a derrota na guerra de 1982. É assim que acontece…

3) O governo de Sua Majestade mandou um navio de guerra para lá agora (é o mínimo que deveria ser feito diante dos arroubos de Buenos Aires). Exagero falar em “militarização do Atlântico Sul”… 

4) Apesar dos cortes orçamentários na Defesa do Reino Unido, ainda assim um conflito contra a Argentina hoje seria arrasador para nuestros hermanos (mesmo porque ali eles acabaram com suas Forças Armadas).

Parece que a Casa Rosada está tentando desenterrar o passado, agora em Política Externa. Os argentinos teriam proposto, inclusive, estabelecer um bloqueio contra as Malvinas e impedir o único vôo do continente para as ilhas (um da LAN Chile, que, se não me engano, sai de Punta Arenas…). Isso não vai acabar bem…

Argentina denunciará na ONU “militarização” das Malvinas

Reuters – quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012 10:10 BRST

BUENOS AIRES, 8 Fev (Reuters) – A Argentina denunciará perante a ONU o que considera ser uma militarização do sul do Atlântico por parte da Grã-Bretanha, afirmou na terça-feira a presidente Cristina Fernández de Kirchner, em meio a uma escalada diplomática entre os dois países.

O anúncio foi feito pela presidente diante de veteranos da guerra em que a Argentina e a Grã-Bretanha se enfrentaram em 1982 pela posse das Ilhas Malvinas e vem depois da decisão do governo britânico de enviar um de seus barcos de guerra mais avançados, o destroier HMS Dauntless, para o sul do Atlântico.

As tensões por causa das disputadas ilhas aumentaram nas últimas semanas, com a aproximação do aniversário de 30 anos da guerra de 1982 e empresas britânicas buscando petróleo nas águas ao redor do arquipélago.

“Estão militarizando o Atlântico Sul mais uma vez”, disse Cristina, em um ato ao qual comparecem políticos de todos os partidos, empresários e sindicalistas.

“Eu instruí nosso chanceler (ministro de Relações Exteriores) para que apresente formalmente ao Conselho de Segurança da ONU e também à Assembleia Geral a militarização do Atlântico Sul, que implica um grave risco para a segurança internacional”, afirmou a presidente.

O governo britânico, que recusa a reclamação argentina de soberania sobre as ilhas, afirmou recentemente que a decisão de enviar o destroier HMS Dauntless para a região, para substituir outro navio, era uma medida que estava planejada desde antes e “totalmente de rotina”.

O príncipe William, segundo na linha de sucessão do trono britânico, está no arquipélago, situado a uns 500 quilômetros da costa argentina, realizando uma atividade temporária como piloto de busca e resgate.

(Por Guido Nejamkis e Magdalena Morales)

http://br.reuters.com/article/worldNews/idBRSPE81702020120208

Cartazes Soviéticos: Не болтай!

Esta encontrei na página de Delmo Arguelhes no Facebook. Muito interessante e uma fantástica aula de História! Os nazistas podem até ter inventado a propaganda, mas os soviéticos também não ficavam para trás com seus cartazes e palavras de ordem! 

Gosto, particularmente, daqueles feitos durante a II Guerra Mundial (ou Grande Guerra Patriótica para os soviéticos)… Tenho curiosidade para saber como eram os cartazes da época que nazistas e soviéticos eram aliados (entre 1939 e 1941).

Outros que me chamaram a atenção são o do bebezinho (de 1936) com os dizeres: “os felizes nascem sob a estrela soviética!”. Isso no auge dos expurgos! E também há aquele com o retrato de Lênin e os dizeres “o homem mais humano” (de quem estão falando?)… Mas os melhores são os de Stálin: um dizendo que ele é a “luz do comunismo” e o outro com o camarada Stálin botando um papel numa urna e os dizeres “pela felicidade do povo” (três coisas incompatíveis: Stálin, urna e felicidade do povo)! Vale a pena ver todos!

Há um que não está na relação, mas que reproduzo aqui com os dizeres “Não Tagarele!” (Не болтай!), feito à época da II Guerra. 

* * *

A Rede Histórica selecionou 50 posters e pediu para que Irina Starostina traduzisse para o português. Confira o resultado!

A Pátria-Mãe chama!

Para o alto a bandeira do internacionalismo proletário! Continuar lendo

Gilberto Freyre, Monarquia e doenças tropicais…

Comprei um livro de Gilberto Freyre intitulado China tropical e outros escritos sobre a influência do Oriente na cultura luso-brasileira (São Paulo: Global, 2011), que, de fato, é compilação de ensaios, capítulos de livros e conferências do mestre pernambucano, feita por Vamireh Chacon e Edson Nery da Fonseca.

Dedicarei um post específico a comentar a obra, mas para o momento só gostaria de citar um trecho que achei estupendo sobre as relações políticas na monarquia e na república brasileiras! Em uma conferência de 1944, proferida na Universidade de Indiana, Freyre trata das doenças tropicais, entres elas, os males da política:

“Se no devido tempo tivesse sido feito um estudo desse tipo que explicasse por que o Brasil se tornou independente permanecendo monárquico, evitando uma radical forma republicana de governo, talvez a primeira tivesse sido preservada em nosso país, para vantagem não só do povo brasileiro, em particular, como da comunidade pan-americana em geral. Pois o governo monárquico seguramente imunizava o Brasil contra algumas das doenças políticas adquiridas pelos brasileiros quando, para modernizar ou pan-americanizar o seu país, adotaram a forma republicana de governo. Mesmo em nossos dias, a República brasileira está mais protegida de doenças políticas quando utiliza métodos de lidar com problemas brasileiros que constituem inteligente modernização daqueles métodos tradicionalmente monárquicos e, ao mesmo tempo, democráticos, em lugar de serem mera cópia daquilo que os anglo-americanos construíram nos Estados Unidos; ou do que os alemães fizeram ao criar a sua lírica e irreal República de Weimar – também copiada, em alguns pontos, pelos idealistas brasileiros na década de 1930.”

O texto continua tratando da necessidade de maior interação cultural entre o Sul e o Norte, mas sem que a América Latina se coloque sempre em posição de inferioridade frente à América anglo-saxônica, nem tampouco desenvolva um “anti-ianquismo” ou uma “ianquefobia”…

Se os acadêmicos de hoje (sobretudo os que se autodeclaram “intelectuais”) lessem mais e conhecessem o pensamento de clássicos como Gilberto Freyre, Oliveira Viana, João Camilo de Oliveira Torres (estou falando em ler mesmo, não dizer que leu e que conhece) e fizessem com que seus alunos os conhecessem (sem preconceitos ou influências ideológicas), teríamos um inteligentsia brasileira em desenvolvimento e se compreenderia melhor a realidade e os problemas deste País. Também entendendo o passado , seria possível pensar o futuro com mais acuidade. Infelizmente, nos dias de hoje, a censura ideológica (e conseqüente patrulha sob orientações político-partidárias), ou a simples ignorância motivada pela preguiça, parecem prevalecer no (pseudo)pensamento brasileiro, o que tem como conseqüência a alienação das elites e o emburrecimento da nação. Pronto, falei!

Museu do Expedicionário – Curitiba/PR

Estive pela manhã em um ponto turístico da capital paranaense pouco conhecido da maioria dos turistas que visitam a cidade. Curitiba é pródiga em monumentos, parques, museus e locais turísticos que fazem dela uma cidade a ser conhecida pelos brasileiros que gostam/podem viajar. E são tantos sítios interessantes, que alguns (imperdíveis) acabam legados a segundo plano. O Museu do Expedicionário é um desses lugares.

Localizado na Praça do Expedicionário, no Alto da XV, esse pequeno mas intrigante museu reúne em dois andares peças das mais diversas sobre a II Guerra Mundial e a participação brasileira naquele conflito: de uniformes a armamentos, como canhões, metralhadoras e peças capturadas dos alemães. Há, inclusive, na entrada do museu, um P-47 utilizado pelo nosso 1o Grupo de Caça no conflito. Ademais, fotos, mapas e outros documentos da FEB, da FAB, de nossos pracinhas e de exércitos estrangeiros – polones, canadenses, britânicos, alemães, estadunidenses fazem do Museu do Expedicionário único no País. O acervo é rico, e dos museus militares que já visitei no Brasil, este é o melhor – recomendo também o museu do Forte de Copacabana e o Museu Aeronáutico do Campo dos Afonsos, ambos no Rio de Janeiro.

A visita ao Museu do Expedicionário é uma viagem no tempo. Por meio do que ali está exposto, é possível conhecer um pouco da vida dos homens e mulheres que viveram, lutaram e morreram no maior conflito armado da história. Também é importante pela homenagem que faz a nossos pracinhas, tão esquecidos da maioria dos brasileiros. Enfim, o museu mantém viva a memória dos que combateram na II Guerra Mundial,o que é de extrema importância neste país que tem dificuldade em cultuar verdadeiros heróis e que rende homenagem a cantores (?) de funk, jogadores de futebol e participantes de reality shows.

Para uma página com informações sobre o Museu do Expedicionário de Curitiba, clique aqui.

2 anos do grande terremoto do Haiti: tributo aos amigos que pereceram naquele desastre

Aconteceu há exatos dois anos. Lembro que chegava ao Chile, para uma conferência na área de Defesa e, no quarto do hotel, ao ligar a televisão, vi as notícias sobre o terremoto que acabara de acontecer. Pensei imediatamente nos amigos militares que estavam no Haiti… Claro que o lado racional se manifestou e concluí que deveriam estar bem… Afinal, seria um triste azar perder amigos em um sinistro como aquele…

No dia seguinte, pouco antes da minha apresentação, acessei a internet. Então veio a infeliz surpresa: militares brasileiros haviam perecido no terremoto sim! E entre eles, o primeiro nome da lista era o de meu caro amigo, o Coronel Emílio Carlos Torres dos Santos… Confesso que não foi fácil realizar a conferência. Emílio estava no Haiti com as forças de paz das Nações Unidas contribuindo para recuperação do país mais miserável do continente. Era um sujeito obstinado e sempre bem-humorado. Profissional competente, representava bem nossos militares. Estava no edifício do alto-comando, disseram. Quando ocorreu o terremoto, conseguiu saltar pela janela do prédio… e a parede caiu por cima dele, esmagando-o. Junto com Emílio, outros  17 militares brasileiros pereceram naquele terremoto. Estavam em missão, missão de paz.

Na semana seguinte, por ocasião da missa de sétimo dia dos mortos no terremoto, tive outra péssima notícia. Haviam identificado o corpo de mais um militar brasileiro, o Coronel João Eliseu Souza Zanin. Zanin também era um amigo. Calado, discreto, Zanin era profissional de alta competência, e o último contato que tivera com ele fora quando me havia dado a notícia que iria para um posto no exterior, aprovado em um difícil processo seletivo. O mais trágico: Zanin tinha acabado de chegar ao Haiti para uma missão de alguns dias apenas. Foi para morrer.

Na data de hoje, meu pesar pelos milhares de mortos naquele fatídico 12/01/2010 e minha homenagem aos brasileiros (e brasileira, pois Zilda Arns deve ser lembrada) que ali tombaram no cumprimento do dever. Também não posso deixar de saudar os brasileiros e brasileiras que estiveram e/ou estão no Haiti, na missão humanitária de (re)construir aquele país, especialmente nossos militares que lá se encontram. Sinto-me realmente muito honrado em conhecer alguns deles, civis e militares. Que saibam que representam muito bem o Brasil e, no caso do pessoal das Forças Armadas que lá se encontram, são o testemunho vivo do profissionalismo dos nossos militares, da grandeza dos brasileiros e do espírito solidário de nosso povo. Como disse em Halifax, em novembro último, nós nos orgulhamos muito dos homens e mulheres brasileiros que servem em missões de paz no exterior, pois cada soldado brasileiro no exterior é também um diplomata do Brasil.

Terremoto no Haiti

Por Fernando Rebouças

No dia 12 de janeiro de 2010, terça-feira, por volta das 19 horas e 50 minutos, o Haiti sofreu um terremoto de 7,0 na escala Richter. Houve temores de incidência de um tsunami na região do Caribe, que poderia atingir a República Dominicana, Cuba e Bahamas, mas logo foram negados.

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Fotos de Berlim destruída pelos bombardeios

Matéria interessante sobre a situação da capital alemã no imediato pós-guerra. Os aliados literalmente não deixaram pedra sobre pedra em Berlim. Entretanto, pior que os bombardeios foi a “Batalha de Berlim”, a última do III Reich, e a ocupação soviética (com violência, morte e estupros de mulheres, crianças e idosas). Aproveito para recomendar dois livros sobre o período: Berlim 1945: a Queda, de Antony Beever (Record, 2004), que já se tornou um clássico, e Uma mulher em Berlim: diário dos últimos dias de guerra (20/04/1945 A 22/06/1945), de uma autora anônima, que relata a situação de uma jovem alemã ao final de guerra e no início da ocupação pelo Exército Vermelho.

Recomendo o link para as fotos da Capital do Reich.

Der Spiegel Online -10JAN2012
 

Secret Aerial Photos – Book Gives Fresh Glimpse of Berlin’s Destruction

Following the end of World War II, photographer Hein Gorny took spectacular aerial shots of the ravaged German capital. His son Peter explains how Hein defied a flying ban imposed by the Allies and managed to snap the dramatic shots.

I remember holding the small photo album in my hands. My father showed it to me when I was ten, shortly after the war. He had carefully glued in contact prints where the enlarged images were to be placed later on. It was the draft layout of a book. Continuar lendo

Fundação do Partido Nazista

Foi no dia 5 de janeiro de 1920. O acontecimento é histórico pois, 13 anos depois, esse pequeno partido chegaria ao poder na Alemanha (da fracassada República de Weimar) e em pouquíssimo tempo estabeleceria uma ditadura e um dos regimes totalitários do século XX. Seu líder, o mebro número 7 do partido, torna-se-ia uma das figuras mais importantes da História e seu nome para sempre associado à tirania, ao ódio absoluto, a oitenta milhões de mortos, à destruição, à guerra total, e a atrocidades que deixariam uma chaga no que o ser humana entende por civilização.

Quem conhece a história de Adolf Hitler e do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) sabe que se deve estar sempre atento a partidos de massa e a líderes que avocam para a si a condição de salvador da pátria. O nazismo surgiu em uma democracia falida, em um modelo em que a ideologia ditava as regras e fazia com que o povo acreditasse que precisava de alguém para liderá-lo para o desenvolvimento.

98 anos após a fundação do Partido Nazista, as ditaduras continuam uma realidade. Também continua uma realidade a idéia errônea de que democracia é o governo da maioria e que nada se pode colocar contra a vontade desta maioria, na verdade, a massa amorfa e sem vontade, que é manobrada pelos demagogos. E isso pode acontecer no Norte e no Sul, no Leste e no Oeste.

Preocupo-me com partidos de massa (que dizem representar os trabalhadores – o que quer dizer isso?- ou a classe proletária ou camponesa). Preocupo-me com líderes personalistas, que fazem sua a cara do partido e que querem ser os salvadores ou pais da nação. E, como costumo lembrar a meus alunos, preocupa todo político que se diz representante maior do povo e que declara governar em nome do povo – afinal, qualquer um que se colocar contra esse político estará contra o “povo”, e isso é muito perigoso. Ficam as reflexões e segue um artigo sobre o Partido Nazista, pois aqueles acontecimentos da primeira década do século XX devem ser lembrados, para que erros não se repitam…

Nazi Party (NSDAP)

 In 1919 Anton DrexlerGottfried Feder and Dietrich Eckart formed the German Worker’s Party (GPW) in Munich. The German Army was worried that it was a left-wing revolutionary group and sent Adolf Hitler, one of its education officers, to spy on the organization. Hitler discovered that the party’s political ideas were similar to his own. He approved of Drexler’s German nationalism and anti-Semitism but was unimpressed with the way the party was organized. Although there as a spy, Hitler could not restrain himself when a member made a point he disagreed with, and he stood up and made a passionate speech on the subject. Continuar lendo

70 anos da Conferência de Wannsee – o início da Solução Final

70 anos da Conferência de Wannsee. Naquele encontro de altos ofciais nazistas, decidiu-se pela Solução Final do “problema judaico”.  Naquele fatídico 20 de janeiro, a conclusão em Wannsee foi de que não se poderia enviar os judeus para Madagascar ou coisa parecida. O mais “razoável” seria exterminá-los.

Bom lembrar que Wannsee ocorreu em um momento em que a guerra ainda não estava definida nem a Alemanha derrotada. Muito pelo contrário, havia pouco mais de um mês que os EUA haviam entrado no conflito e a campanha contra a União Soviética ia bem, obrigado. Ou seja, a guerra não poderia ser justificativa.

Este quem me enviou foi meu amigo Alexandre Rocha. O artigo está muito bem escrito por alguém que conhece o assunto. recomendo.

Para um link com informações sobre a Conferência, clique aqui.

NY Times – January 3, 2012
 

The First Killings of the Holocaust

By TIMOTHY W. RYBACK

On the brisk winter Tuesday of Jan. 20, 1942, 15 Nazi officials assembled at a lakeside villa on the Wannsee near Berlin to deliberate on the “final solution.” This month, the world marks the 70th anniversary of the Wannsee Conference, one of the pivotal moments in Holocaust history. It provides an appropriate occasion not only for reflecting on the origins and implications of this horrific event, but also on one particular moment when it could have been prevented and, I would posit, almost was. Continuar lendo

Victoria, Imperatriz da Índia

O primeiro dia de janeiro também pode ser lembrado em virtude de fato ocorrido nesta data em 1877: a aclamação da Rainha Victoria como Imperatriz da Índia! Era o apogeu da expansão britânica pelo mundo, quando sob a coroa da Rainha Victoria estavam 1/4 da população mundial sobre cerca de um 1/4 do território do planeta! A Pax Britanica fora estabelecida e Victoria era a soberana do Império onde o Sol nunca se põe!

Acho tremendamente interessante a expansão colonial européia no século XIX, particularmente a promovida pelos britânicos. Sem dúvida, a aclamação de Victoria soberana da Índia é um marco importante do período! Mais uma boa lembrança de 1 de janeiro!

Segue um texto interessante sobre a visita à Índia do Príncipe de Gales, futuro Eduardo VII, naquela ocasião.

Indian History Sourcebook: 
Field Marshal Lord Roberts: 
When Queen Victoria Became Empress of India, 1877

 [Tappan Introduction] THE PRINCE OF WALES, afterwards King Edward VII, paid a visit to India as a mark of honor to the native princes who had aided the English in their efforts to govern the land. This visit was followed by Queen Victoria’s assumption of the title of Empress of India.

IN the autumn of 1876 preparations were commenced for the “Imperial Assemblage,” which it was announced by the Viceroy would be held at Delhi on the first day of January, 1877, for the purpose of proclaiming to the Queen’s subjects throughout India the assumption by Her Majesty of the title of “Empress of India.” To this assemblage Lord Lytton further announced that he proposed “to invite the governors, lieutenant-governors, and heads of administration from all parts of the Queen’s Indian dominions, as well as the princes, chiefs, and nobles in whose persons the antiquity of the past is associated with the prosperity of the present, and who so worthily contribute to the splendor and stability of this great empire.” Continuar lendo

Os cubanos e seu gosto pelo 1 de janeiro

1 de janeiro é uma data importante para a próspera e democrática ilha do Caribe comandada pelos Castro e a gerontocracia do PCC (não, não estou falando do Primeiro Comando da Capital, mas sim do Partido Comunista Cubano)! Afinal, foi em 1 de janeiro de 1899 que Cuba se tornou independente da Espanha (graças a quem mesmo?)! A ilha ficaria ocupada pelos Estados Unidos até 20 de maio de 1902, quando seria novamente proclamada sua independência (se fosse no Brasil, as duas datas seriam comemoradas com carnaval, cerveja e muito samba, axé, pagode, funk…).

Foi também em um 1 de janeir0 (dessa vez, em 1959), que os guerrilheiros que haviam combatido em Sierra Maestra conseguiram vencer o ditador Fulgêncio Batista, que fugiu do país após comemorar o último Ano Novo no poder: saía vitorioso o movimento que ficou conhecido como Revolução Cubana (e que, sinceramente, acredito ser o evento mais importante da História da América Latina no século XX, mesmo).

A partir daquel Reveillon de 1959, a ilha caribenha passaria a ser governado pelos guerrilheiros que logo se tornariam comunistas (apesar de Fidel não gostar muito da idéia, a princípio) e fariam de Cuba o baluarte da resistência ao imperialismo na América Latina e essa nação próspera, rica e desenvolvida que é hoje!

 

Hoje, os cubanos podem gozar da liberdade única que só uma democracia comunista pode oferecer. E tenho certeza que não têm a menor vontade de viver como seus parentes que conseguiram migrar para Miami (pobre comunidade cubana nos EUA)! E o melhor deve ser a certeza de que o regime perdurará, pois os ideais revolucionários permanecem vivos e eternos, como seus líderes (Fidel é highlander, sempre digo isso…).

Parabéns aos cubanos! Viva Cuba! Viva la Revolución!

Segue a matéria da Agencia Cubana de Noticias sobre o aniversário da Revolução e so sites do governo de Cuba e da própria agência, ambos “.cu”.  Vamos acessá-los e nos informar (o que a maioria absoluta da população cubana não pode fazer)!

http://www.cubagob.cu/ (gostei da parte do  Sea bienvenido y no deje de enviarnos sus opiniones.)

http://www.ain.cu/ (só matérias imparciais!)

Disparan 21 salvas por Aniversario 53 de la Revolución

Idania Rodríguez Echevarría

La Habana, 1 ene (AIN) Justo a las 12 de la noche del 31 de diciembre se escuchó la voz de mando y el disparo de 21 salvas de artillería por el aniversario 53 del triunfo de la Revolución cubana, en honor a los mártires de la Patria, al pueblo y a la victoria.

En la Fortaleza de San Carlos de la Cabaña, el Jefe de la Batería de Artillería, Primer Teniente Cleudis Calzado dio la orden de mando y al unísono con las notas del Himno Nacional cubano se inició el homenaje de las Fuerzas Armadas Revolucionarias (FAR) por el primero de enero. Continuar lendo

100 anos da República da China

Há cem anos era empossado o primeiro presidente da China. Não vi nenhuma notícia até agora sobre o assunto… Afinal, os jornais (particularmente a imprensa televisiva) insistem em dar as “grandes notícias” sobre as comemorações de ano novo pelo mundo. Sinceramente, não tenho muita paciência para isso: afinal, as imagens são praticamente as mesmas de sempre… De fato, pouca gente perceberia se inserissem arquivos de comemoração de anos novos passados entre as imagens… Enfim, deve ser isso que as pessoas querem ver e ouvir (só registro que ahei de péssimo gosto nas comemorações de ontem em Copacabana os organizadores misturarem  Carmina Burana com funk… deprimente!).

Bom, saindo do lugar comum, lembro que hoje a República da China completa 100 anos. Exatamente, no dia 1 de janeiro de 1912, era proclamada a república no Império do Meio (com a posse de Sun Yat Sen no cargo de presidente), pondo-se fim à dinastia Qing, estabelecida em 1644, e a um regime imperial de 4 mil anos… A nova república seria marcada pela instabilidade e conflitos internos entre comunistas e nacionalistas (interrompidos apenas com a ocupação japonesa) e que culminariam na vitória dos primeiros, liderados por Mao Tsé Tung, e na proclamação da República Popular da China em 1949.

Sob a perspectiva chinesa, provalmente esse curto espaço de tempo desde a proclamação da república deve ser visto como um período de recuperação da condição frágil na qual se encotrava o país desde o século XIX. Para nós do Ocidente, podem representar o prelúdio de uma nova era em que os chineses serão hegemônicos. Afinal, estamos falando de uma potência milenar, com 1.3 bi de habitantes no terceiro maior território do planeta, que possui arsenais nucleares e que caminha a passos largos para se tornar a primeira economia do globo, pois já é a segunda. E isso tudo sem que as potências tradicionais (tradicionais em termos ocidentais) possam fazer nada para controlar o vôo do dragão. Não importa qual será o regime político que estará em vigor na China ou se seus governantes são imperadores ou líderes escolhidos pelo Partido Comunista (mesmo porque, diria um sábio chinês, ainda é muito recente esse negócio de revolução comunista para ser considerada marco na história do país): a China será protagonista nas relações internacionais do século XXI, e há realmente significativa possibilidade de que o Ocidente perca sua posição predominante para o Império do Meio. Tenho medo da China (sempre tive).

Segue um artiguinho sobre a República da China (mudança política quase imperceptível para quem tem mais 4 mil anos de história como civilização).

Republic of China (1912 AD-1949 AD)

http://history.cultural-china.com/en/183History6971.html

As a turbulent and decisive period of Chinese history, the Republic of China experienced a short period of 37 years, which succeeded the Qing Dynasty in China and ruled mainland China from 1912 to 1949. In 1905 Sun Yat-sen founded the Tongmeng Hui centered on the three Principles of the People: “nationalism, democracy, and people’s livelihood .” With the “bourgeois” revolution of 1911, he introduced a Western style administration system, who was inaugurated in Nanjing as the first provisional president. Continuar lendo

Nostalgia soviética

Ainda por ocasião dos 20 anos do fim da União Soviética, segue mais um interessante artigo de Fyodor Lukyanov sobre a nostalgia dos tempos da foice e do martelo e como isso pode afetar a Rússia hoje… Como sempre, recomendo a meus alunos de Relações Internacionais.

Em tempo: para uma matéria da ABC News sobre o tema, clique aqui.

RIA Novosti

Uncertain World: Destructive Soviet nostalgia

18:46 08/12/2011
 

Twenty years ago, on December 8, 1991, the leaders of the Soviet Union’s Slavic republics – Russia, Ukraine and Byelorussia – signed an agreement dissolving the Soviet Union. Formally, they claimed the right to dissolve it because these three republics established it in 1922. Many analysts still dispute the legitimacy of this deal, but that does not change anything. By December 1991, the Soviet Union had de facto ceased to function, as power already belonged to its constituent republics. Continuar lendo

Esquadrilha da Fumaça: 60 anos em 2012

Notícia amena só para relaxar um pouco: em 2012, a Esquadrilha da Fumaça completa 60 anos. Quem já teve a oportunidade de vê-los, conhece a qualidade do trabalho desse pessoal. Aproveito para deixar meu abraço e meus votos de Feliz Ano Novo para os homens e mulheres que servem nas Forças Armadas deste Brasil. Diga-se de passagem, os excelentes quadros das três Forças são um exemplo de que investir em educação, capacitação e treinamento é fundamental para a qualidade das instituições.

Para acessar a página da Esquadrilha, clique aqui. Tenho certeza que encontrará muita coisa interessante por lá.

As manobras, os aviões e os pilotos da Esquadrilha da Fumaça

www.ig.com.br – 27 Dez 2011

Esquadrão da Força Aérea Brasileira compela 60 anos em 2012 e prepara uma série de apresentações especiais

A Esquadrilha da Fumaça completa 60 anos em 2012. Criada oficialmente em 1952, o grupamento é composto por pilotos do Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pela divulgação da FAB em território nacional e internacional. Em comemoração aos 60 anos, diversas apresentações especiais irão ocorrer durante o ano. Continuar lendo

Há 20 anos: o fim da URSS

Lembro como se fosse hoje… No dia 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev vai à TV e, em um pronunciamento histórico, declara encerrados seus trabalhos como Presidente. Acompanhando a renúncia de Gorbachev vinha a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas…

Cinco anos antes, ninguém poderia imaginar que o Império Soviético se desintegraria como aconteceu naqueles dias. Afinal, como conceber que a superpotência, que competia com os EUA pela hegemonia global, encontrava-se tão fragilizada, moribunda mesmo?

Foram sete décadas de utopia comunista. Foram sete décadas em que o mundo viu uma revolução conduzida por radicais ateus tomar o poder no maior país do globo e por fim a uma dinastia de trezentos anos. Foram sete décadas em que os bolcheviques se firmaram no comando de um regime autoritário, que se tornou totalitário e que ergueu um império à custa de milhões de mortos, de muita dor e sofrimento. E esse Império venceu a grande potência nazista, conquistou territórios e prestígio, tornou-se potência nuclear, ampliou arrasadoramente sua esfera de influência e dominou meio mundo.

Como imaginar que a URSS acabaria como acabou? Nem em sonhos se pensou que poderia acontecer o que aconteceu em alguns meses a partir de 1989, com as revoluções pacíficas no Leste Europeu, a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha (1990). Nem em sonhos se imaginaria que o golpe de agosto de 1991 seria neutralizado pela população nas ruas, que protestava por democracia e exigia a continuação das mudanças propostas por Gorbachev. Nem em sonho se poderia conceber que Moscou se tornaria o epicentro de terremoto que abalaria definitivamente as estruturas do todo-poderoso Estado soviético. Mas, aconteceu.

A data de hoje também serve para lembrar disso tudo. E a recordação que tenho é a de um garoto de 16 anos, fascinado pela Guerra Fria, e que assistia um mundo caindo pela TV. Lembro como se fosse hoje quando, encerrado o discurso de despedida de Gorbachev, a bandeira soviética foi arriada do Kremlin e a russa hasteada em seu lugar.

Acabava um governo, acaba um país, acabava um século, acabava uma era. Simples assim.

Para um vídeo da renúncia de Gorbachev clique aqui e para a bandeira soviética sendo arriada, clique aqui.

E, a seguir, o discurso de renúncia do último líder soviético.


END OF THE SOVIET UNION; Text of Gorbachev’s Farewell Address

Published: December 26, 1991

Following is a transcript of Mikhail S. Gorbachev’s resignation speech in Moscow yesterday, as recorded through the facilities of CNN and translated by CNN from the Russian:

Dear fellow countrymen, compatriots.

Due to the situation which has evolved as a result of the formation of the Commonwealth of Independent States, I hereby discontinue my activities at the post of President of the Union of Soviet Socialist Republics.

I am making this decision on considerations of principle. I firmly came out in favor of the independence of nations and sovereignty for the republics. At the same time, I support the preservation of the union state and the integrity of this country. Continuar lendo

A trégua do Natal de 1914

Quase um século após seu início, a Grande Guerra (1914-1918) continua a despertar interesse de milhões de pessoas, entre as quais este que escreve e muitos de nossos leitores. Afinal, ela foi única em diversos aspectos, pôs fim a uma era e deu início a outra.

Não foram poucos os episórdios inusitados da Grande Guerra. Um dos mais marcantes, sem dúvida, foi o da grande trégua do Natal de 1914, quando, ao longo de toda a trincheira ocidental, os disparos foram interrompidos, e milhões de homens ergueram-se das trincheiras para se confraternizar com o inimigo.

De fato, naquele Natal de 1914, o inimigo desapareceu. Em seu lugar, surgiram homens que descobriram que tinham muito em comum, que estavam longe de casa há semanas e que passariam o frio 25 de dezembro no front, junto de seus camaradas e… dos sujeitos do outro lado da terra de ninguém.

Nunca se vira um episódio como aquele… e nunca mais se veria outro igual. Mas o certo é que, por algum tempo, as armas cederam às saudações e cumprimentos, e a troca de tiros e ofensas deu lugar à troca de cortesias e, em alguns casos, de presentes. Muitos compartilharam a ceia naquela noite…

E a paz reinou, ao menos por algumas horas… Eis a prova do espírito de Natal!

Segue artigo interessante sobre aqueles acontecimentos…

A trégua de Natal de 1914 
A incrível trégua não oficial em 25 de Dezembro de 1914.

Não há a menor dúvida de que realmente aconteceu – a trégua de Natal não oficial de 1914 – mas até hoje, muitas pessoas não estão totalmente a par dos detalhes e extensão deste notável hiato na guerra, que ocorreu durante aquelas poucas horas do quinto mês do primeiro ano de conflito.

Para a maioria das pessoas, a trégua foi observada pelos britânicos e alemães na parte mais ao sul do saliente de Ypres, na Bélgica. Entretanto, ela ocorreu em vários outros pontos do Fronte Oeste e por outros combatentes, notadamente os franceses e belgas, embora o fato que os alemães estavam situados em território francês ou belga inibiu qualquer grande demostração de boa vontade para com os openentes alemães. Continuar lendo

Havel, Kim Jong e histórias de totalitarismo…

Enquanto todo mundo só fala do Grande Líder (que acho que já deve ter morrido há algum tempo, apesar do Politiburo só ter dado a boa notícia agora…), continuo a homenagem deste site a um verdadeiro líder que morreu no fim-de-semana: Václav Havel.

Basta de ficar falando do pequeno ditator do Oriente… Ele já teve mais tempo de fama do que merecia… Melhor lembrar de quem lutou pela liberdade.

Segue um texto de Havel, escrito em 1987 e, naturalmente, censurado pelas autoridades comunistas da então Tchecoslováquia… É longo, mas recomendo a leitura… Afinal, é o testemunho de alguém que conheceu por dentro as “benesses do comunismo” (a partir das prisões para onde essas democracias populares mandavam aqueles considerados ameaças ou inimigos do regime). Vai aí um trecho, apenas para dar o gostinho:

Visitors from the West are often shocked to find that for Czechs, Chernobyl and AIDS are not a source of horror, but rather a subject forjokes.

I must admit this doesn’t surprise me. Because totalitarian nihilization is utterly immaterial, it is less visible, more present, and more dangerous than the AIDS virus or radioactivity from Chernobyl. On the other hand, it touches each of us more intimately and more urgently and even, in a sense, more physically, than either AIDS or radiation, since we all know it from everyday, personal experience and not just from newspapers and television. Is it any wonder, then, that the less menacing, less insidious, and less intimate threats are relegated to the background and made light of?

There is another reason for the triumph of invisibility. The destruction of the story means the destruction of a basic instrument of human knowledge and self-knowledge. Totalitarian nihilization denies people the possibility of observing and understanding its processes “from outside.” There are only two alternatives: either you experience it directly, or you know nothing about it. This menace permits no public reference to itself.

The foreign tourist can form the legitimate impression that Czechoslovakia is a poorer and duller Switzerland, and that press agencies have a legitimate reason for closing their bureaus here: how can they be expected to report that there is nothing to report?

A conclusão é que, no final das contas, a democracia permanece a única opção para garantir dignidade à pessoa humana…

Václav Havel: Stories and Totalitarianism

“Stories and Totalitarianism” (April 1987) was written for the underground cultural journal Jednou nohu (Revolver Review), and dedicated to Ladislav Hejdánek on his sixtieth birthday. In English, it appeared in Index on Censorship, no. 3 (March 1988) and, in a slightly different version, in The Idler, Toronto, no. 18 (July-August 1988). Translation by Paul Wilson.

http://vaclavhavel.cz/showtrans.php?cat=clanky&val=77_aj_clanky.html&typ=HTML

 A friend of mine who is heavily asthmatic was sentenced, for political reasons, to several years in prison, where he suffered a great deal because his cellmates smoked and he could scarcely breathe. All his requests to be moved to a cell with nonsmokers were ignored. His health, and perhaps even his life, were threatened. An American woman who learned of this and wanted to help telephoned an acquaintance, an editor on an important American daily. Could he write something about it, she asked. “Call me when the man dies,” was the editor’s reply.

It’s a shocking incident but in some ways understandable. Newspapers need a story. Asthma is not a story. Death could make it one. Continuar lendo