Os setenta anos da morte da Besta

hitler-Recorte-de-jornal-com-a-notícia-da-morte-de-HitlerO dia era 30 de abril. O ano, 1945. O local, Berlim, capital de uma nação completamente arrasada. De fato, a cidade em escombros testemunhara a ascensão e queda de um regime e de um país que, em 12 anos, saíra do caos da instabilidade política, econômica e social, tornara-se a nação mais poderosa da Europa, conquistara todo um continente, afrontara as grandes potências da época, matara milhões de seres humanos, tivera seu território invadido, ocupado e destruído, com perdas irreparáveis. E tudo isso, sob motivação da voz inigualável e do discurso de ódio de um homem, ao qual milhões de alemães chamariam de Líder.

Ele era naturalizado alemão (de fato, havia adquirido aquela nacionalidade apenas algumas semanas antes de chegar ao poder). Nascido na Áustria, filho do segundo casamento de um funcionário público de quinto escalão, órfão de pai ainda cedo, muito jovem se viu sozinho, vagando pelas ruas da Viena dos Habsburgos em busca de trabalho e de sucesso. Nada conseguiu em sua terra natal… Atravessou a fronteira e foi viver em Munique, onde permaneceu um excluído artista frustrado, sobrevivendo de bicos e fazendo crescer o ódio em seu coração.

129958-004-C9B8B89DTudo mudou com a Grande Guerra (ah, sempre a Grande Guerra!!!). Ele se alistou no regimento bávaro, e foi combater no front ocidental, lutando pelo Kaiser e pela pátria. Amadureceu muito naqueles quatro anos de terrível guerra, foi ferido em combate algumas vezes, tornou-se cabo, e ganhou a Cruz de Ferro de primeira classe, maior comenda do seu Exército, raramente concedida a não-oficiais. Nos estertores do conflito, sofreu um ataque de gás e caiu enfermo. Foi no hospital que soube da notícia da capitulação alemã. E chorou.

De volta à vida civil, não conseguia emprego. Acabou se infiltrando em um pequeno partido de trabalhadores e outras pessoas insatisfeitas com o resultado da Guerra. Era uma época de disputas ideológicas acirradas, de tentativas de revolução e golpe, de combates nas ruas, de hiperinflação, desemprego e miséria, de frustração pela derrota. Sua agremiação era apenas uma dentre as tantas que a Alemanha de Weimer viu florescer sob discursos radicais de direita e de esquerda. Porém, seria ali, reunido com alguns poucos nas cervejarias da capital bávara, que ele descobriria sua verdadeira vocação: não seria pintor ou arquiteto! Seria um homem público, um político, um líder.

Sob sua orientação direta, o partido ganhou novo nome e uma bandeira. A cruz gramada seria para sempre associada àquele homem, que a inseriu em um círculo branco sob fundo vermelho. Milhões jurariam fidelidade àquele pavilhão e a seu criador, e botas marchariam de norte a sul e de leste a oeste seguindo o símbolo e as idéias de ódio e superioridade racial, em busca do sonho de se tornarem senhores do mundo.

Em 12 anos, o pequeno partido se tornou poderoso e, no dia 30 de janeiro de 1933, o cabo austríaco, líder absoluto e inquestionável do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, seria convidado pelo velho Marechal Hindemburgo, outro herói de guerra, para se tornar o chefe de um novo governo, que levaria ao estabelecimento de um regime que não encontrou precedentes na história e que lançaria seu povo no meríodo mais rico e também mais obscuro até então.

O III Reich deveria durar 1000 anos. Durou apenas 12. Mas foram doze intensos anos, de progresso, desenvolvimento, recuperação do orgulho ferido…mas também de destruição, preconceito, ódio e morte. O que aconteceu naqueles anos tem sido objeto de estudo, reflexão e incompreensão nas últimas sete décadas, dando margem a obras nas mais diversas áreas sobre inexplicáveis 12 anos.

4144912_x720Agora, em 30 de abril de 1945, tudo se tornara ruínas: as idéias, as conquistas, o país. Berlim sobre os escombros, sob o fogo constante e o barulho ensurdecedor da artilharia soviética, e com tropas inimigas conquistando suas ruas, era o símbolo de toda a destruição causada por aquele homem e seus seguidores.

Para ele, tudo estava consumado. Seu projeto de domínio do planeta encontrava-se agora sob os escombros de uma cidade arrasada, de um povo acabado, de um país exaurido. Como último ato daquela tragédia épica, consciente de que sua existência não seria mais cabível no inferno que ele mesmo criara, decidiu abandonar sua gente e tirar a vida. E assim o fez, com tiro na cabeça. Acabava ali o vagabundo que se tornara o homem mais importante de seu tempo.

Em poucos dias, a guerra na Europa também chegou a termo. Mas as marcas deixadas nos 12 anos em que estivera no poder, jamais serão removidas. Sob sua voz forte e seu olhar hipnótico, o mundo foi posto de ponta-cabeça, com o sacrifício de 100 milhões de vidas em seis anos.

Nada mais precisa ser dito sobre ele, que será sempre lembrado como a encarnação do mal. Neste 30 de abril de 2015, celebra-se (e esta é a palavra) os 70 anos de sua morte. E que nunca mais outro como ele caminhe sobre a face da terra!

adolf-hitler

As primeiras gotas da Grande Tormenta

hitler_stalin_same2014 é um ano de grandes efemérides nos campos político e militar: 150 anos do início da Guerra do Paraguai e da Primeira Convenção de Genebra, 60 anos da morte de Getúlio Vargas, 50 anos do movimento de 31 de março de 1964, 100 anos do começo da Grande Guerra, 70 anos do Dia D (6 de junho) e da Conferência de Bretton Woods, só para lembrar alguns…

Não obstante, o dia 1 de setembro jamais será esquecido, em razão de um evento que em 2014 completa 75 anos: o início da II Guerra Mundial. Naturalmente, essa data não poderia ser esquecida em Frumentarius.

As origens do maior conflito por que já passou a humanidade podem ser encontradas no fim da guerra anterior, a Grande Guerra de 1914 a 1918: o Tratado de Versalhes e a responsabilização da Alemanha, que levariam à revolta dos alemães contra o que lhes fora imposto pelos vencedores; a inabilidade das Potências europeias em garantir a segurança coletiva por meio da Liga das Nações; o apaziguamento de britânicos e franceses diante dos anseios expansionistas de Adolf Hitler que, por sua vez, conseguira reerguer o país e recuperar o moral da população e desejava, a todo custo, o espaço vital para construir o império de mil anos… Tudo isso culminaria nos acontecimentos de 1 de setembro de 1939.

De fato, em 1939, a Política Exterior do III Reich parecia que conduziria a Alemanha a uma guerra avassaladora e definitiva contra seu maior rival, a União Soviética. Era o que esperavam franceses e britânicos, que sob a égide do discurso apaziguador, aguardavam ansiosos o momento em que, com seus movimentos expansionistas rumo ao Leste, Adolf Hitler entraria diretamente em choque com o outro grande ditador de seu tempo, Josef Stálin. Então aconteceria o tão esperado confronto entre os dois gigantes totalitários, o III Reich e a União Soviética, que culminaria na destruição de um e no enfraquecimento do outro, ou no colapso de ambos, o que beneficiaria sobremaneira as Potências ocidentais.

soviet_nazi_pact_1Mas Londres e Paris não contavam com o improvável: em 23 de agosto daquele ano, era assinado o Pacto Molotov-Ribbentrop, a aliança entre a Alemanha nazista e a União Soviética comunista, a inconcebível aproximação entre os dois inimigos tradicionais, o aperto de mãos (simbólico) entre os tiranos Hitler e Stálin. Aquele Tratado permitiria a expansão alemã para o Leste, a invasão, ocupação e partilha da Polônia. Aquele acordo deixaria atônitos britânicos e franceses.

a74ccf7c57b9858192d4630c18f8531dE foi exatamente o que aconteceu: um semana depois, diante dos olhares perplexos do mundo, na madrugada de 1 de setembro, tropas alemãs cruzavam a fronteira da Polônia. Apesar da bravura e do empenho em conter o inimigo, os poloneses não resistiriam mais que seis semanas à máquina de guerra germânica, associada ao ataque maciço do Exército Vermelho, que cruzou a fronteira vindo do Leste alguns dias depois. Alemães e soviéticos se encontrariam em Brest-Litovskyi, exatamente onde fora celebrado o tratado de paz entre o Reich Alemão e o governo bolchequive, em março de 1918 (tratado que, verdadeiramente, era a humilhante capitulação da Rússia na I Guerra Mundial).

A partir daquele primeiro dia de setembro, os sinos seriam silenciados por longos seis anos nas igrejas da Europa. Dor, sofrimento, destruição e morte seriam infligidos a outros povos como nunca se vira. E o conflito iniciado em solo polonês se expandiria pelo continente e por todo o planeta, culminando na perda de algo como cem milhões de vidas humanas. O acontecimento de 75 anos passados seria o começo da maior e mais trágica tormenta da História…

Polen, Schlagbaum, deutsche Soldaten

A chegada ao Poder

No ano em que se relembra as oito décadas da nefasta chegada dos nazistas ao poder na Alemanha (30JAN1933), segue link para imagens daqueles eventos por ocasião da nomeação de Adolf Hitler chanceler do Reich: http://www.spiegel.de/fotostrecke/marking-eighty-years-since-hitler-came-to-power-fotostrecke-92615.html. Bom material para os historiadores e estudiosos do período.

DEU NS Zeit Machtuebernahme

 

Sugestão de destino para as próximas viagens…

Essa quem me enviou foi o caro amigo Alexandre A. Rocha. Certamente vai figurar no roteiro de futuras viagens!

The Wolf’s Lair, a 200-building encampment in the Polish forest from which Hitler, seen there on July 15, 1944, gave commands, fell into disrepair after the war. Gedenkstaette Deutscher Widersta/A.F.P. – Getty Images

Interessante preocupação dos poloneses em recuperar um lugar histórico. Importante manter viva a lembrança do passado, até mesmo para que não se repitam os acontecimentos fatídicos daqueles anos sombrios… A matéria me faz pensar ainda o quanto nós brasileiros pouca atenção damos a nossa memória. Certa vez, quando estava em Estocolmo e tinha que decidir entre os inúmeros museus para ir em tempo escasso, tomei consciência de que na capital do Brasil (e, provavelmente, na maior parte das cidades brasileiras) isso não seria um problema! Decepcionante e vergonhoso imaginar como em Brasília não temos um grande museu, um museu histórico de peso ou um de História Natural… Será que não temos história ou o que nos falta mesmo é memória?

Apesar de sermos a sexta economia do mundo, não, não somos desenvolvidos… ainda vamos demorar muito para sermos uma grande nação e mais ainda para chegarmos à categoria de civilização…

September 17, 2012
 

Restoring the Walls, and the History, at Hitler’s Wolf’s Lair

By JOANNA BERENDT

KETRZYN, Poland — For nearly three years, Hitler commanded the Third Reich from a vast network of bunkers and buildings hidden in the forest here, guiding his genocidal war effort from an encampment called the Wolf’s Lair. Continuar lendo

Fundação do Partido Nazista

Foi no dia 5 de janeiro de 1920. O acontecimento é histórico pois, 13 anos depois, esse pequeno partido chegaria ao poder na Alemanha (da fracassada República de Weimar) e em pouquíssimo tempo estabeleceria uma ditadura e um dos regimes totalitários do século XX. Seu líder, o mebro número 7 do partido, torna-se-ia uma das figuras mais importantes da História e seu nome para sempre associado à tirania, ao ódio absoluto, a oitenta milhões de mortos, à destruição, à guerra total, e a atrocidades que deixariam uma chaga no que o ser humana entende por civilização.

Quem conhece a história de Adolf Hitler e do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP) sabe que se deve estar sempre atento a partidos de massa e a líderes que avocam para a si a condição de salvador da pátria. O nazismo surgiu em uma democracia falida, em um modelo em que a ideologia ditava as regras e fazia com que o povo acreditasse que precisava de alguém para liderá-lo para o desenvolvimento.

98 anos após a fundação do Partido Nazista, as ditaduras continuam uma realidade. Também continua uma realidade a idéia errônea de que democracia é o governo da maioria e que nada se pode colocar contra a vontade desta maioria, na verdade, a massa amorfa e sem vontade, que é manobrada pelos demagogos. E isso pode acontecer no Norte e no Sul, no Leste e no Oeste.

Preocupo-me com partidos de massa (que dizem representar os trabalhadores – o que quer dizer isso?- ou a classe proletária ou camponesa). Preocupo-me com líderes personalistas, que fazem sua a cara do partido e que querem ser os salvadores ou pais da nação. E, como costumo lembrar a meus alunos, preocupa todo político que se diz representante maior do povo e que declara governar em nome do povo – afinal, qualquer um que se colocar contra esse político estará contra o “povo”, e isso é muito perigoso. Ficam as reflexões e segue um artigo sobre o Partido Nazista, pois aqueles acontecimentos da primeira década do século XX devem ser lembrados, para que erros não se repitam…

Nazi Party (NSDAP)

 In 1919 Anton DrexlerGottfried Feder and Dietrich Eckart formed the German Worker’s Party (GPW) in Munich. The German Army was worried that it was a left-wing revolutionary group and sent Adolf Hitler, one of its education officers, to spy on the organization. Hitler discovered that the party’s political ideas were similar to his own. He approved of Drexler’s German nationalism and anti-Semitism but was unimpressed with the way the party was organized. Although there as a spy, Hitler could not restrain himself when a member made a point he disagreed with, and he stood up and made a passionate speech on the subject. Continuar lendo