O Dragão, o Leão e o Urso…

Em uma das cenas de Rambo III, clássico da década de 1980 e que recomendo a meus alunos para conhecerem um pouco mais sobre o final da Guerra Fria (gosto muito de Rambo III), John Rambo usa a frase que se tornou bordão diante da pergunta do oficial soviético sobre quem era ele: “Sou seu pior pesadelo”.

Três décadas depois, essa frase poderia ser dita ao Presidente Obama pelos líderes que participaram da Conferência de Interação em Medidas de Confiança na Ásia. Daquele encontro ganhou força a ideia de se criar uma aliança entre China, Rússia… e o Irã! Claro que as relações entre os três países já seguem bem, obrigado. Porém, o estreitamento desses laços consubstanciado em uma aliança formal certamente tirará o sono de muita gente na Casa Branca, no Pentágono e em Langley.

Segue notícia sobre essa aproximação das três potências. Aproveitei para colocar também o trecho do filme Rambo III.

China aboga por una alianza de seguridad con Rusia e Irán, “una pesadilla para EE.UU.”

Publicado: 22 may 2014 | 21:43 GMT Última actualización: 23 may 2014 | 4:14 GMT
 

China aboga por una alianza de seguridad con Rusia e Irán, "una pesadilla para EE.UU."

El presidente de China, Xi Jinping, considera necesario crear una nueva organización en Asia para la cooperación en materia de seguridad con la participación de Rusia e Irán. Algunos analistas creen que esta alianza sería “una pesadilla para EE.UU.”.

“Necesitamos innovar nuestra cooperación en la seguridad estableciendo una nueva arquitectura de cooperación regional”, indicó Xi Jinping en la Conferencia de Interacción y Medidas de Confianza en Asia (CICA, por sus siglas en inglés), celebrada en Shanghái y que contó con la presencia del presidente ruso, Vladímir Putin

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O Dragão e o Urso

dragão-chinesOs ocidentais podem até prosseguir nessas sanções contra a Rússia. Entretanto, parece que têm sido ineficazes, tendo como único êxito irritar o urso. E, para piorar a situação do Ocidente neste embate, as pressões contra os russos fazem com que Moscou busque novos parceiros ou redimensione os parceiros tradicionais, como a própria China. E Pequim está de braços abertos, pronta para receber seu parceiro eslavo. Com o dragão e o urso cada vez mais próximos, a águia que se cuide…

RIA Novosti

China Condemns Unilateral Sanctions Against Russia – Envoy

13:52 30/04/2014

China strongly opposes unilateral sanctions against Russia, Beijing’s ambassador to Moscow told reporters Wednesday, adding that US and EU sanctions would not resolve the crisis in Ukraine.

 MOSCOW, April 30 (RIA Novosti) – China strongly opposes unilateral sanctions against Russia, Beijing’s ambassador to Moscow told reporters Wednesday, adding that US and EU sanctions would not resolve the crisis in Ukraine. Continuar lendo

O Dragão fala

Nota do Ministério das Relações Exteriores da China sobre a crise na Península Coreana.china_nk_flags1

Zhang Yesui: China Stays Committed to Maintaining Peace and Stability and Achieving Denuclearization on Korean Peninsula

2013/04/03

On April 2, 2013, Vice Foreign Minister Zhang Yesui gave an interview to Xinhua on the current situation on the Korean Peninsula. Zhang said China has been paying close attention to the tense situation on the Korean Peninsula over the recent period of time, as the development of the situation is closely related to the stability of China’s neighboring countries. “I have met with ambassadors of relevant countries to China and expressed our serious concern over the current situation,” he said.

“The Chinese side is always committed to achieving denuclearization as well as maintaining peace and stability on the Korean Peninsula, and advocates solving the problem through dialogue and consultation,” he said. “We don’t want to see any warfare or chaos on the Peninsula. We oppose any side making provocative statement or doing anything that undermines peace and stability on the Peninsula and in the region,” Zhang told Xinhua.

China strongly urges all parties to keep calm and restrained, avoid provocation and refrain from taking any risky action that deteriorates the situation, Zhang said. “We urge all parties to bear in mind the overall and long-term interests, adhere to the objective of achieving denuclearization on the Peninsula, actively carry out dialogues and make contacts, move to change the situation, and jointly safeguard peace and stability on the Peninsula,” he said.

Extraído do site oficial do Ministério das Relações Exteriores da República Popular da China: http://www.fmprc.gov.cn/eng/default.shtml.

Chineses rumo ao espaço

Notícia curtinha, mas importante, sobre o programa espacial chinês. Pequim segue obstinada em seu projeto de colocar uma estação no espaço em 2020. E vai conseguir.

É esse tipo de acontecimento que me leva a perguntar por que somos o único dentre os BRIC que não tem um programa espacial de peso e é um nanico militar… Do jeito que está, para continuar se dizendo um BRIC, o Brasil terá que cunhar uma nova categoria para si: BRICmirim. Pronto, falei.

China Readies for Manned Orbital Docking Mission

04:34 10/06/2012

China will launch its Shenzhou-9 manned spacecraft in mid-June to carry out the country’s first manned space docking mission, Xinhua reported.

“The Shenzhou-9 will perform our country’s first manned space docking mission with the orbiting Tiangong-1 space lab module,” Xinhua said on Saturday quoting Zhou Jianping, chief designer of China’s manned space program. Continuar lendo

O Dragão e a Águia

Depois do anúncio pelos EUA de suas novas orientações para a Defesa, com a expressa preocupação com o Império do Meio, Pequim resolveu dar um recado de prudência a seu maior parceiro comercial e principal adversário na disputa pela hegemonia global…

Potência é assim… manifesta-se sempre que vê seus interesses ameaçados. E se manifesta da maneira como fizeram os chineses porque pode, porque é potência. Fica a lição de política externa para quem pretenda ocupar um lugar entre as lideranças globais, mas prefere não se pronunciar sobre qualquer coisa…

China warns U.S. to be “careful” in military refocus

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Reuters, 09JAN2012 – 1:17pm EST

By Chris Buckley

BEIJING (Reuters) – China’s Ministry of Defence warned the United States on Monday to be “careful in its words and actions” after announcing a defence rethink that stresses responding to China’s rise by shoring up U.S. alliances and bases across Asia.

The statement from the ministry spokesman Geng Yansheng was Beijing’s fullest reaction so far to the new U.S. strategy unveiled last week. It echoed the mix of wariness and outward restraint that has marked China’s response to the Obama administration’s “pivot” to Asia since late last year. Continuar lendo

Kissinger e a China

E por falar em China, comecei, na última hora do ano que acabou, a ler o livro de Kissinger (dispensa apresentações) sobre aquele país (Kissinger, Henry. Sobre a China. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011, 572 p.) – por sinal, indicação de meu amigo Humberto Netto. Recomendo efusivamente, tanto para meus alunos de Relações Internacionais quanto para qualquer um que queira entender o mundo atual! Leitura fascinante: a única questão é que o livro prende tanto que você não vai querer fazer muita coisa até acabar de lê-lo.

Só para dar um gostinho:

Quando os caracteres chineses surgiram, durante a dinastia Shang, no segundo milênio a.C., o antigo Egito se encontrava no auge de sua glória. As grandes cidades-Estado da Grécia clássica ainda não haviam surgido, e Roma estava a um milênio de distância. Contudo, um descendente direto do sistema de escrita Shang ainda é utilizado hoje por muito mais de um bilhão de pessoas. Chineses de hoje conseguem compreender inscrições do tempo de Confúcio; livros e conversas chinesas são enriquecidos por aforismos centenários que citam antigas batalhas e intrigas palacianas. (…)

e

A escala chinesa não era muito superior à dos Estados europeus apenas em população e território; até a Revolução Industrial, a China era muito mais rica. (…) foi por séculos a economia mais produtiva do mundo e a região de comércio mais populosa. (…) Na verdade, a China produzia uma parcela maior do PIB mundial total do que qualquer sociedade ocidental em 18 dos últimos vinte séculos. Ainda em 1820, ela produziu mais de 30% do PIB mundial – quantidade que ultrapassava o PIB da Europa Ocidental, da Europa Oriental e dos Estados Unidos combinados.

Segue resenha do New York Times sobre a obra de um ocidental que conhece o Império do Meio como poucos.

NY Times -May 13, 2011

Henry Kissinger on China

By MAX FRANKEL

(ON CHINA, By Henry Kissinger, Illustrated. 586 pp. The Penguin Press. $36.)

Henry Kissinger was not only the first official American emissary to Communist China, he persisted in his brokerage with more than 50 trips over four decades, spanning the careers of seven leaders on each side. Diplomatically speaking, he owns the franchise; and with “On China,” as he approaches 88, he reflects on his remarkable run. Continuar lendo

100 anos da República da China

Há cem anos era empossado o primeiro presidente da China. Não vi nenhuma notícia até agora sobre o assunto… Afinal, os jornais (particularmente a imprensa televisiva) insistem em dar as “grandes notícias” sobre as comemorações de ano novo pelo mundo. Sinceramente, não tenho muita paciência para isso: afinal, as imagens são praticamente as mesmas de sempre… De fato, pouca gente perceberia se inserissem arquivos de comemoração de anos novos passados entre as imagens… Enfim, deve ser isso que as pessoas querem ver e ouvir (só registro que ahei de péssimo gosto nas comemorações de ontem em Copacabana os organizadores misturarem  Carmina Burana com funk… deprimente!).

Bom, saindo do lugar comum, lembro que hoje a República da China completa 100 anos. Exatamente, no dia 1 de janeiro de 1912, era proclamada a república no Império do Meio (com a posse de Sun Yat Sen no cargo de presidente), pondo-se fim à dinastia Qing, estabelecida em 1644, e a um regime imperial de 4 mil anos… A nova república seria marcada pela instabilidade e conflitos internos entre comunistas e nacionalistas (interrompidos apenas com a ocupação japonesa) e que culminariam na vitória dos primeiros, liderados por Mao Tsé Tung, e na proclamação da República Popular da China em 1949.

Sob a perspectiva chinesa, provalmente esse curto espaço de tempo desde a proclamação da república deve ser visto como um período de recuperação da condição frágil na qual se encotrava o país desde o século XIX. Para nós do Ocidente, podem representar o prelúdio de uma nova era em que os chineses serão hegemônicos. Afinal, estamos falando de uma potência milenar, com 1.3 bi de habitantes no terceiro maior território do planeta, que possui arsenais nucleares e que caminha a passos largos para se tornar a primeira economia do globo, pois já é a segunda. E isso tudo sem que as potências tradicionais (tradicionais em termos ocidentais) possam fazer nada para controlar o vôo do dragão. Não importa qual será o regime político que estará em vigor na China ou se seus governantes são imperadores ou líderes escolhidos pelo Partido Comunista (mesmo porque, diria um sábio chinês, ainda é muito recente esse negócio de revolução comunista para ser considerada marco na história do país): a China será protagonista nas relações internacionais do século XXI, e há realmente significativa possibilidade de que o Ocidente perca sua posição predominante para o Império do Meio. Tenho medo da China (sempre tive).

Segue um artiguinho sobre a República da China (mudança política quase imperceptível para quem tem mais 4 mil anos de história como civilização).

Republic of China (1912 AD-1949 AD)

http://history.cultural-china.com/en/183History6971.html

As a turbulent and decisive period of Chinese history, the Republic of China experienced a short period of 37 years, which succeeded the Qing Dynasty in China and ruled mainland China from 1912 to 1949. In 1905 Sun Yat-sen founded the Tongmeng Hui centered on the three Principles of the People: “nationalism, democracy, and people’s livelihood .” With the “bourgeois” revolution of 1911, he introduced a Western style administration system, who was inaugurated in Nanjing as the first provisional president. Continuar lendo