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Sobre Joanisval

Brasiliense. Doutor em Relações Internacionais e Mestre em História. Graduou-se em Relações Internacionais e em Direito. É advogado, professor universitário e consultor legislativo do Senado Federal. Monarquista convicto. Contato: joanisval@gmail.com.

E o rato continua rugindo!

1023610-800x450Claro que meus 9 (nove) leitores devem ter sentido falta de notícias do paraíso comunista na Terra, o país das maravilhas, a nação do sujeito que inventou o iPad (ele disse, não tenho razões para duvidar… e o Jobs só lhe roubou a ideia): meu malvado  favorito, Bob Filho!

Pois bem! Encontrei essa notícia de um vídeo feito na Coreia do Norte simulando um ataque nuclear daquela potência contra os EUA! Isso mesmo! As ameaças de Pyongyang envolvem a destruição de cidades como Nova York e Washington, por mísseis lançados do Pacífico! Corram para as montanhas!

Ainda não consegui o vídeo, mas assim que o obtiver posto aqui. Enquanto isso, tenho absoluta certeza de que ninguém está conseguindo dormir na Casa Branca… Agora vai!

N.Korean video simulates nuclear strikes on U.S. mainland

‘The Pacific Ocean will be the tomb for American soldiers,’ North Korean media threatens

In the video, one projectile launched from North Korea landed in the Pacific – presumably the Hwasong-10 intermediate-range ballistic missile (IRBM) – near where the Hawaiian Islands are located, and twosubmarine-launched ballistic missiles launched from the Pacific land in the state of California.

 

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Fallujah livre!

Notícia que chegou em boa hora: a cidade de Fallujah foi libertada das garras do Estado Islâmico. Cada vitória no guerra contra esses monstros deve ser celebrada! Não que o governo iraquiano seja muito gentil com seus cidadãos, mas qualquer coisa é melhor que estar sob o jugo do Daesh.

A guerra contra esses  facínoras está longe de acabar… ainda vai durar muito, para tristeza e desespero da população que vive sob a espada do ISIS ou é vítima dos conflitos no Iraque e na Síria. Diga-se de passagem, a responsabilidade do Ocidente, particularmente dos Estados Unidos, é grande nos dois casos: no Iraque, a coisa fugiu ao controle depois que George Walker Bush elegeu Saddam Hussein seu inimigo e resolveu apeá-lo do poder (às custas da destruição de um país inteiro); na Síria, o apoio de outro Hussein (o Barack Obama) a grupos insurgentes contra o (estável, ainda que tirano) regime de  Bashar al Assad, já ceifou centenas de milhares de vidas e gerou a maior crise de refugiados desde o fim II Guerra Mundial.

De toda maneira, o que conta agora é esmagar o Estado Islâmico. Se os ocidentais não conseguirem, espero que os russos sejam mais efetivos. E que essa corja seja riscada da face da terra…

Forças iraquianas anunciam libertação de Fallujah

DW, 26/06/2016

Militares afirmam terem recuperado último bairro ainda em poder do “Estado Islâmico”. Operação para reconquista começou em maio e obrigou 85 mil civis a deixarem a cidade.

Soldados iraquianos exibem bandeira do EI ao contrário em Falluja

As forças iraquianas anunciaram neste domingo (26/06) terem libertado totalmente Fallujah, uma cidade do oeste do Iraque nas mãos do grupo extremista “Estado Islâmico” (EI) desde janeiro de 2014.

 

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Cuidado com o que pede…

Para sair um pouco da temática do Brexit (ih! falei!), segue notícia que me chamou a atenção: a Ministra da Defesa da Alemanha pede aos russos que informem aos ocidentais sobre suas tropas (Uahahahahahahahahahahahahahahahahahahaha! Desculpem…).

Não sei se a Senhora Ministra falou com Frau Merkel (gosto de Frau Merkel) sobre o assunto antes de fazer a declaração. Só acho que isso pode ser interpretado por Moscou como provocação… E talvez os russos resolvam informar aos alemães que podem se deslocar para Oeste se for da vontade de Berlim (há 25 anos eles estavam lá, né?)… E os poloneses começam a se preocupar…

De toda maneira, quando se trata com Putin, acho que é bom tomar cuidado com o que se pede… Vai que ele resolve atender! Acompanhemos os desdobramentos e vejamos a reação de Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

A Ministra de Defesa alemã, Ursula von der Leyen, com soldados da infantaria depois dos exercícios militares na parte sul da Alemanha, em 23 de março, 2016

Alemanha quer informação sobre o número de tropas russas

Ursula von der Leyen, a ministra da Defesa alemã, pediu que Moscou divulgasse as deslocações e o número de suas tropas.

© SPUTNIK/ ALEKSANDR KRYAZHEV, 26/06/2016

“Seria razoável se a OTAN e a Rússia, no âmbito da OSCE, informassem uma a outra sobre o movimento e o número de suas tropas. Por parte da OTAN, que é uma aliança exclusivamente defensiva, a proposta foi feita há muito tempo”, disse a ministra em uma entrevista ao Bild am Sonntag.

 

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Como votaram os britânicos

13510914_10154493307779305_7902161969528145005_nQue meus 8 (oito) leitores não se irritem com minha insistência no tema, mas é que percebo a saída do Reino Unido da União Européia como um evento de grande importância para as relações internacionais contemporâneas. Prometo que o próximo post será sobre outro assunto (ainda que volte a falar do BREXIT e dos britânicos mais adiante, hehehe)…

Achei interessante a página cujo link publico aqui e que traz o resultado da votação por região do Reino Unido. Importante destacar que a decisão pela saída ganhou com o apoio das áreas mais interioranas daquele país, onde está a população menos afeita à ideia de integração com outras nações e, talvez, mais conservadora e arraigada a costumes de uma Grã-Bretanha que existia até meados do século XX. Optaram por permanecer na União Europeia a grande maioria dos escoceses (62%) e dos irlandeses do norte (55,7%). Londres, capital cosmopolita e moderna, teve quase 60% de eleitores que disseram a favor da permanência no bloco.

De toda maneira, a crise só está começando. No Parlamento Escocês já se fala em “vetar” o Brexit sob o argumento da necessidade de “consentimento legislativo” dos escoceses para se efetivar a medida (vide interessante matéria no Estadão a respeito clicando aqui), e há um risco real de que o Reino Unido sofra nos próximos anos com o crescimento do separatismo na Escócia e na Irlanda do Norte (tudo de que os súditos de Sua Majestade não precisam).

O fato é que uma primeira análise do resultado dessa votação mostra um Reino Unido dividido, e com situações delicadas que poderão se agravar nos próximos meses em razão do processo de saída da União Européia. Continuo achando que todos os lados vão perder com a escolha desses 51,9% de votantes… Espero, sinceramente, que os britânicos consigam resolver essa situação com o talento e a sabedoria que fazem daquele um grande povo! God save the Queen! God save the UK!

Para a página com as estatísticas do BREXIT, clique aqui.

Um Reino Desunido e sem queijo com chucrute

FISH CHIPSEra uma vez um Reino muito bonito, de gente honrada, trabalhadora e ordeira, que comia peixe com fritas e onde vivia uma grande e sábia rainha… Como toda monarquia constitucional, quem governava eram representantes do povo, os políticos, escolhidos pela gente trabalhadora, honrada e ordeira comedora de peixe com fritas. Todos viviam felizes e gostavam de sua rainha, que apesar de não governar, representava com grande maestria aquele povo que usava chapéu, guarda-chuva e galochas. E, já havia alguns anos, o reino que era unido se uniu também a um continente onde se comia queijo, chucrute, spaghetti, presunto, azeitonas e também, na falta desses, peixe com fritas.

Certo dia, um político (que era quem realmente governava aquele reino) decidiu fazer uma consulta popular para saber se o reino continuaria unido a outras nações em um próspero bloco continental, onde se podia comer de tudo (inclusive peixe com fritas)… Chamou o povo, que resolveu colocar seu peixe com fritas de lado, pegar seu guarda-chuva e suas galochas, e ir decidir sobre o futuro antes de tomar uma cerveja quente na taverna (mesmo porque o que não falta naquele reino são tavernas onde se pode beber cerveja quente e comer peixe com fritas).

cheese frenchO político achava que todos iriam apoiá-lo na consulta aos comedores de peixe com fritas e permitir que o reino, que era unido, continuasse unido também ao continente onde se comia de tudo. Só que apareceram outros políticos que não queriam o reino unido aos comedores de chucrute e tampouco àquele povo do outro lado do canal que falava uma língua estranha e comia queijo, muito queijo. Também não acharam uma boa ideia dividir seu peixe com fritas com gente que gostava de azeitonas, de spaghetti e de presunto, apesar de se incomodarem mesmo era com aqueles de fora do continente que gostavam de tabule e de grão-de-bico (e que aportavam no reino aos montes fugindo da guerra e da fome).

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Chegou finalmente o dia da votação naquele belo reino onde vivia uma sábia rainha. E 51,9% dos comedores de peixe com fritas que foram votar optaram por se separar do continente… Uma vez que 72% dos comedores de peixe com fritas foram votar, cerca de 37,4 % do total de eleitores optaram pela saída… Isso significa que aproximadamente 62% dos eleitores comedores de peixe com fritas ficarão sem poder se deliciar com queijos (muitos queijos), presuntos (pata negra), azeitonas, spaghetti (al pomodoro) e, claro, chucrute, por causa desses 38% que preferem continuar comendo só peixe com fritas…

bafea7d70aaf1fcd5f4740de03739a2fSou solidário aos 62% de comedores de peixe com fritas que não poderão mais comer outra coisa por causa dos 38% que adoram peixe com fritas! Dizem que é assim que funciona a democracia moderna. Só que democracia direta não é moderna, porque entrega ao povo questões complexas para que se decida de maneira simplória. Quando um político pergunta diretamente ao povo o que ele quer, corre o risco de fazer esse povo acreditar que não precisa de representantes para lhe governar… Aí há o perigo de decisões confusas e fatais… É o que aconteceu com o trabalhador, ordeiro e honrado povo do reino onde se come peixe com fritas… Vai ficar mais difícil comer queijo, presunto, spaghetti, azeitona e chucrute naquela ilha… Talvez se tivessem consultado a sábia rainha…

Plate, knife and fork on Union Jack

 

“O continente está isolado”

Illustration picture of postal ballot papers ahead of the June 23 referendum when voters will decide whether Britain will remain in the European UnionDeterminados acontecimentos nos dão a certeza de que estamos diante de um evento marcante da história da humanidade… Foi assim com o final das duas guerras mundiais, com a chegada do homem à Lua, com a queda do Muro de Berlim, com o discurso final de Gorbatchev no dia 25/12/1991 (seguido da extinção formal da União Soviética), com o início da circulação do Euro, com o 11 de setembro de 2001… Indubitavelmente, 24 de junho de 2016 também entra para a História como a data de mais um desses grandes eventos: o dia do resultado do plebiscito que decidiu que o Reino Unido (RU) deixará a União Européia (UE)…

Não pretendo aqui fazer qualquer grande digressão política, econômica, social, cultural, histórica, espacial, psicológica, sobrenatural no que concerne à saída dos britânicos do bloco europeu, nem sobre os impactos dessa saída para a UE ou para o próprio RU… Tampouco farei qualquer consideração sobre as consequências disso para o Brasil (haverá consequências para o Brasil, certamente). O que pretendo é dedicar algumas linhas a uma percepção inicial e bem pessoal desse evento marcante… Só divagações mesmo.

maxresdefaultComo internacionalista e alguém que vê com bons olhos o processo de integração europeu, fico triste com a saída do Reino Unido do bloco… Afinal, com todos os seus problemas étnicos, políticos, econômicos, jurídicos, com todos os males causados por um sistema muito burocrático e que se tem mostrado desequilibrado, sob influência de idéias utópicas e imposições corporativas, a União Européia continua uma grande referência de êxito integração. É bonito ver as quatro liberalidades funcionando naquele continente tão diverso. É bonito ver como os europeus conseguiram superar uma situação de guerra fratricida e hoje (com todas suas idiossincrasias) se mostram mais unidos e integrados. Claro que sempre haverá quem assuma um maior protagonismo naquela grande família de nações, e haverá irmãos mais complicados e com problemas, uns mais ricos que outros, uns mais iguais que outros… Entretanto, a ideia de união permanece, em especial junto às novas gerações… E cada vez mais o sentimento de cidadania européia ganha espaço nesse processo evolutivo… “Unidos somos mais fortes”, é a ideia central do bloco.

160515065043_boris_johnson_640x360_getty_nocreditOs britânicos, porém, parecem não compartilhar dessa percepção de que é melhor uma Europa integrada. Não tirarei suas razões, e há argumentos fortes por parte daqueles que defendem a saída do Reino Unido do bloco… Afinal, a Grã-Bretanha se veria muito engessada pelas instituições, normas e políticas de Bruxelas… Assustam também, argumentam os defensores da saída do bloco, as responsabilidades e os custos de pertencer à União Européia… Nesse sentido, a segunda economia da Europa precisaria estar livre (como sempre esteve) para alçar vôos próprios, com independência e de acordo com seus interesses… Ademais, há a preocupação com o aumento da imigração na Grande Albion (ainda que cheguem/tenham chegado às ilhas britânicas muitos imigrantes altamente qualificados, fluentes em inglês e contributivos para a Economia do país, ao mesmo tempo em que são abertos aos britânicos cerca de três dezenas de países onde eles podem viver, trabalhar, construir o futuro)… Interessante que a alternativa de saída da UE ganhou em regiões com pouca presença de imigrantes… Continuar lendo

The Winter is coming…

Olá, meu 8 (oito) leitores!

Escrevo apenas para lembrar que retomaremos nossas atividades aqui em Frumentarius em julho! Logo voltaremos a comentar sobre um pouco de tudo… Por falar nisso, o Inverno este ano será forte no Brasil… Convém estar preparado.

Segue artigo interessante sobre a possibilidade de uma nova Era Glacial (ou uma versão mini) para daqui a 15 anos… Espero que só vem o frio com ela…

Diminishing solar activity may bring new Ice Age by 2030

 

LOMONOSOV MOSCOW STATE UNIVERSITY PRESS RELEASE

This image of the Sun was taken by NASA Solar Dynamics Observations mission on 15 July 2015, at a wavelength of 304 Angstroms. Image credit: NASA Solar Dynamics Observations.
This image of the Sun was taken by NASA Solar Dynamics Observations mission on 15 July 2015, at a wavelength of 304 Angstroms. Image credit: NASA Solar Dynamics Observations.

The arrival of intense cold similar to the one that raged during the “Little Ice Age”, which froze the world during the 17th century and in the beginning of the 18th century, is expected in the years 2030—2040. These conclusions were presented by Professor V. Zharkova (Northumbria University) during the National Astronomy Meeting in Llandudno in Wales by the international group of scientists, which also includes Dr Helen Popova of the Skobeltsyn Institute of Nuclear Physics and of the Faculty of Physics of the Lomonosov Moscow State University, Professor Simon Shepherd of Bradford University and Dr Sergei Zharkov of Hull University.

It is known that the Sun has its own magnetic field, the amplitude and spatial configuration of which vary with time. The formation and decay of strong magnetic fields in the solar atmosphere results in the changes of electromagnetic radiation from the Sun, of the intensity of plasma flows coming from the Sun, and the number of sunspots on the Sun’s surface. The study of changes in the number of sunspots on the Sun’s surface has a cyclic structure vary in every 11 years that is also imposed on the Earth environment as the analysis of carbon-14, beryllium-10 and other isotopes in glaciers and in the trees showed. Continuar lendo

O Bom Pastor

Padre VicenteTodos nós sabemos que só existe uma única certeza absoluta na vida… Porém, nunca é fácil lidar com ela, sobretudo quando ocorre com entes queridos.  Consegui lidar com isso relativamente bem ontem e hoje, mas chega uma hora do dia, de fato depois do crepúsculo, quando as lembranças vêm à mente, e o coração se enche de emoção e de saudade…

Estou de luto. Ontem, às 11:35 da manhã de 25 de maio do Ano do Senhor de 2016, meu querido tio, Padre Vicente, nos deixou. E é indescritível o vazio que fica quando alguém como ele vai aos braços do Pai.

Vicente de Paulo Britto era seu nome. Filho mais velho de uma família de oito irmãos, desde muito cedo Vicente sabia o que queria ser na vida: sacerdote! Já nas brincadeiras de criança, buscava logo algo que lhe servisse de altar, juntava as outras crianças e logo começava a celebrar o que seria uma missa campal, sob as mangueiras da casa de vovô. A família, que não era nada abastada, conseguiu reunir recursos para que seu primogênito fosse para o seminário. Assim, no dia 13 de dezembro de 1953, Vicente foi ordenado padre. Sua primeira missa seria na Igreja Matriz de Caxias (MA), onde fora batizado, onde tanto celebrara, e onde é velado e ocorrerá a missa de corpo presente, a última do Padre Vicente, que foi um sacerdote de Cristo, verdadeiramente, longo de todos os seus 86 anos.

Sobre o homem público, o vigário, haveria muito a dizer. Afinal, o Padre Vicente se tornou um marco na cidade onde foi pároco durante 53 (sim, cinquenta e três) anos: a pequena, mas valorosa, Passagem Franca (MA). Ali, no município que hoje conta com cerca de 17.000 habitantes, Vicente chegou ainda jovem (tinha seus trinta anos), e durante cinco décadas batizou, celebrou eucaristias e casamentos, pregou o Evangelho, aconselhou muita gente, catequizou aquele povo. Conquistou Passagem Franca pelo exemplo, pelo trabalho incansável em prol da comunidade, em especial dos mais carentes, pela inteligência e pelo conhecimento (que tão bem sabia compartilhar sem arrogância), e, acima de tudo, pelo Amor, Amor a Cristo e a seu rebanho. Quando, em 1 de novembro de 2013, Dia de Todos os Santos, celebrou sua missa de despedida na Paróquia de São Sebastião (onde tanto servira como pároco), ali estavam reunidas mais de mil pessoas, de autoridades a homens simples, professores, advogados, médicos, agricultores, caboclos e doutores, gente do campo e da cidade, católicos e fiéis de outras crenças, todos para prestar tributo ao amado Padre. Vicente escreveu, com trabalho e amor, a História de Passagem Franca e de seu povo. Será sempre por eles lembrado. Continuar lendo

Revenons à nos moutons

« De par le diable, vous bavez !
Eh ! Ne savez-vous revenir
Au sujet, sans entretenir
La cour de telle baveries ?
Sus, revenons à ces moutons !
Qu’en fut-il ?
»

La Farce de Maître Pathelin, 1485

 

Eu poderia apresentar a meus 8 (oito) leitores muitas desculpas por esses dez meses sem publicação em Frumentarius… Poderia dizer que o tempo se tornou escasso para escrever, que as atribuições do dia-a-dia me impediam de fazer os comentários com a regularidade que desejava… Poderia também dizer que a inspiração estava pouca (não estava), que os posts em minha página do Facebook eram suficientes (por falar nisso, já curtiu minha página no Facebook? – veja a lateral esquerda superior desta tela)… Mas tudo isso seria apenas e tão somente desculpa…

Portanto, em vez das escusas pelo tempo sem publicar, informo simplesmente que estou saindo (de maneira lenta, gradual e progressiva) dessa fase de recolhimento e logo teremos novos posts sobre “um pouco de tudo” de uma forma mais regular… Isso deve acontecer a partir de julho! Vejam que retomaremos a regularidade em julho, com ao menos três posts comentados por semana. Durante junho faremos apenas um “esquenta”!

Há muita coisa sobre o que refletir no mundo em constante transformação! Enquanto Frumentarius estava adormecido, o terrorismo se tornou um tema mais presente no imaginário dos europeus em razão dos ataques de Paris e Bruxelas. Tema mais presente e erroneamente associado às massas de refugiados que chegam à Europa fugindo de sua terra natal em busca de uma vida de paz… Obviamente, vamos comentar sobre isso e tentar remover véus sobre o mito dos “refugiados terroristas”.

Não é possível falar de terrorismo sem uma referência ao Estado Islâmico, que se tornou muito forte nos últimos dois anos (apesar das derrotas recentes para as forças de Assad – continuo achando que ruim com ele, muito pior sem ele – e da intervenção russa – ok, os ocidentais também fizeram intervenções importantes na Síria… fizeram???), chocando o mundo com barbaridades que deixariam roteiristas de Hollywood no chinelo… O ISIS trata-se realmente de organização que merece constante atenção dos serviços de segurança e inteligência pelo mundo…

Outro conflito que continuou foi o da Ucrânia, apesar das poucas atenções àquele lado do mundo… Afinal, aquilo é zona de influência russa, sendo temerário que os ocidentais queiram interferir naquelas terras. Diga-se de passagem, o Urso tem aumentado sua capacidade de atemorizar os países ocidentais… Impossivel falar de Rússia sem referência expressa a Puti… Putin continua lá, mandando como nunca. Gosto de Putin… Putin é KGB…

Eleições nos EUA também são tema corriqueiro! Nunca pensei que fosse torcer por um candidato do Partido Democrata, mas com o Pato Donald Trump sendo o ungido do Partido Republicano, chego à conclusão que passa da hora dos EUA terem Hillary Clinton na cadeira presidencial – Sanders nem com reza brava, por favor!

Tema que meus leitores sabem que muito me agrada é a atuação de Bob Filho no seu aterrorizante parque de diversões! O rato tem rugido, e isso gera instabilidade no Continente Asiático. Em tempo: recentemente ele foi confirmado como Líder Supremo da Coréia da Norte – mas como não fazê-lo com o sujeito que inventou o Ipad? 

E o Brasil? Bom, o Brasil merecerá muitos posts! O melhor foi o ocaso de Madame et caterva, pois o País não aguentava mais o desgoverno… Tenho esperança que nosso novo Presidente (volto a usar o “P”maiúsculo)! Di-lo-ei  (Ahá!) que lhe desejo muito êxito ao promover as mudanças que farão com que o Pais se recupere política, econômica e moralmente (afinal, precisamos recuperar valores morais acima de tudo!)… A equipe econômica é ótima, a equipe de governo também. O Presidente é homem inteligente e lúcido e conhece o Congresso, o que é fundamental neste modelo presidencialista fracassado – sim, porque continuo monarquista e tratarei disso também! 

Essas são apenas algumas palavras iniciais. Espero que possamos interagir mais, meus queridos leitores, e continuar conversando sobre “um pouco de tudo”! Avante!

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Canhões de Agosto

xadrezComo disse, devo publicar periodicamente uma vez por semana aqui em Frumentarius. E a última semana (a primeira de agosto) foi marcada por algumas efemérides importantes. A primeira delas, no dia 1º de agosto, marca a data em que a Alemanha declarou guerra à Rússia, em 1914, dando início à I Guerra Mundial para os alemães. Esse era um movimento importante no jogo de xadrez da política européia, e vinha na sequência da declaração de guerra do Império Austro-Húngaro à Sérvia (28 de julho), com o bombardeio de Belgrado (no dia seguinte), e a mobilização das tropas russas para socorrer seu aliado eslavo do sul (também no dia 29/07). Com a mobilização russa, a Alemanha apresentou um ultimato a São Petersburgo para que a suspendesse. Diante da recusa do Czar, no dia 1º de agosto, veio a declaração de guerra. Abria-se a frente oriental para os germânicos.

explosao-canhao-belgicaMas os alemães esperavam não ter que combater em dois fronts. Para isso, tinham que neutralizar a França antes que os russos conseguissem efetivamente entrar no conflito. Em 2 de agosto, as tropas do Kaiser entraram em Luxemburgo, e Berlim, em cumprimento ao Plano Schlieffen, solicitou ao Rei da Bélgica (então um país neutro) que autorizasse os alemães a atravessar aquele reino para atacar o território francês. A resposta do soberano belga foi “eu governo uma nação, não uma estrada”. Os alemães, então, invadiram e atravessaram a Bélgica no dia 4 de agosto. No dia anterior, Berlim declarara guerra a Paris.

trenche_wwi (1)Diante da invasão da Bélgica, a Grã-Bretanha, então garante da neutralidade belga, viu-se obrigada a declarar guerra à Alemanha (04/08). Em uma semana, os sinos silenciaram. Seriam substituídos pelos canhões de agosto, que continuariam a troar por longos e penosos quatro anos, com dezenas de milhões de mortos, destruição de campos e cidades, dor, desespero, morte… e o fim de uma era.

A memória daqueles canhões de agosto deve sempre permanecer viva nos corações e mentes dos homens. A carnificina ali começada jamais poderá ser esquecida, sob pena de ser repetida. Afinal, a estupidez humana é infinita.

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Cooperação Sino-Russa e a Paz Mundial

china-russiaGosto do bom humor dos russos, sobretudo da maneira como eles falam ao mundo! A notícia de hoje do Sputnik News que resolvi compartilhar me fez lembrar aquelas clássicas do Pravda ou do Izvestia da época da Guerra Fria: “China: cooperação naval com Rússia contribui para estabilidade mundial”. O mais interessante é que a manchete reproduz a declaração oficial de Pequim sobre a aproximação entre o Urso e o Dragão!

Há razões para se ficar atento a essa aproximação entre chineses e russos? Bom, eu ficaria de olho, sobretudo porque se trata de cooperação na área militar e em um momento que Moscou vê antagonistas em Washington e Bruxelas e que Pequim se incomoda com Tóquio estabelecer a possibilidade de emprego de suas forças armadas fora do território japonês. Chineses e russos se aproximaram há 65 anos e essa relação gerou incômodos para o Ocidente. Foi preciso alguém brilhante como Kissinger para descosturar essa aliança (além da conjuntura da época). Não sei se temos um Kissinger hoje. Não sei se os ocidentais sabem lidar com os russos e com Putin em particular (salvo por Frau Merkel… Frau Merkel sabe… gosto de Frau Merkel!). E a China… bem, a China é sempre muito complexa…

2014111908561510513A OTAN deve colocar as barbas de molho? Sempre. Putin, acuado pelo embargo ocidental, pressionado pela crise econômica (com desvalorização significativa do do rublo), e com situações tensas com países vizinhos, pode tentar manobras que seriam impensáveis para os analistas internacionais do lado de cá, que raciocinam sob a perspectiva de quem vive e se forma no regime democrático. Quanto aos chineses… os chineses estão lá, jogando o seu jogo e com a experiência milenar de lidar com os bárbaros.

O que estou tentando assinalar é a preocupação que se deve ter no Ocidente se ocorrer realmente uma aproximação entre russos e chineses no campo militar. Uma coisa é certa: a paz mundial não será garantida pela aproximação entre russos e chineses, mas pela maneira como esses lidam com sua próprias idiossincrasias e com os interesses dos ocidentais. Tenho receio de toda “aproximação para garantia da paz mundial” nos termos apresentados por russos e chineses. Até porque a paz mundial é tão frágil quanto uma casca de ovo…

Segue a matéria da Sputnik News. 

China: cooperação naval com Rússia contribui para estabilidade mundial

“A cooperação naval entre Rússia e China é uma contribuição para paz e a estabilidade na região e no mundo inteiro”, disse um representante do ministério da Defesa chinês à agência Sputnik.

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40 anos do fim da Guerra do Vitenã

Em 2015, o mundo celebra os 40 anos do fim da Guerra do Vietnã (sim, fim de guerra é coisa para ser celebrada). O conflito marcou os anos 60 e 70 do século XX, não só nos EUA e no Vietnã, mas em diversos lugares do planeta. É a marca de uma época, um período de profundas transformações culturais por todo o mundo (em especial no mundo livre, o lado de cá da Cortina de Ferro). Também é uma guerra marcada de significativo simbolismo, sobretudo por envolver uma Superpotência e um país considerado periférico, exemplo para qualquer estudante de polemologia como conflito assimétrico.

A derrota de fato na Guerra do Vietnã foi bastante traumática para os EUA. Era algo impensável para a maioria dos estrategistas em Washington. Seus reflexos alcançaram a doutrina de emprego das Forças Armadas estadunidenses nas décadas seguintes, afetando diretamente o planejamento das ações militares nas duas Guerras do Golfo.

A grande imagem que permanece da Guerra do Vietnã é de um conflito sem sentido, travado em um lugar distante do globo (ao menos para nós, ocidentais), movido por ideologia e interesses complexos, e um embate de um anão contra um gigante. Impossível não se fazer a associação à história de Davi e Golias, ainda mais porque o desfecho foi semelhante.

Segue o vídeo do programa Direito Sem Fronteiras, em que trato, junto com o Professor Rogério Lustosa, daquele conflito em que o pequeno humilhou o grande, e o forte se viu fraco. Isso com a sempre brilhante apresentação de Cadu Cunha! (Para variar, erraram meu nome nos créditos. Sei que ninguém ia notar se não chamasse a atenção para o caso, mas não resisti. Estou acostumado. Obrigado, papai!)

Russos ao Mar!

russian-navyNeste 26 de julho, data em que os russos comemoram o Dia da Marinha, Vladimir Putin (gosto de Putin; Putin é KGB) aprovou a nova Doutrina Naval de seu país. Segundo o documento, a atuação da Rússia no mar torna-se mais abrangente: além dos quatro oceanos tradicionais por onde navega a frota russa (Atlântico, Ártico, Pacífico, e Índico), o Urso passa a querer nadar na Antártida! (Ou seja, urso polar não come pinguim, mas o urso negro do cáucaso está de olho nas riquezas do continente gelado!).

akula19Sim! Russos navegando nas gélidas águas austrais! (Algo me diz que submarinos russos, que passeiam pelo Ártico, podem desviar a rota para cá também… mas só por curiosidade, para confirmar se aqui é tão frio quanto lá e, claro, se o o gelo é bom para o Whisky ou para a Vodca – é bom sim, confirmo!). Indubitavelmente, a manobra acende a luz amarela para países com interesses estratégicos no Atlântico Sul e no Oceano Glacial Antártico, por exemplo, para os Estados Unidos (por óbvio) e a Grã-Bretanha (como o anterior, membro da OTAN). Assim também deveria ocorrer com outra nação que possui em sua Estratégia Nacional de Defesa um destaque para o Atlântico Sul e a Antártica – ganha um bolo de mandioca comungada com milho quem acertar o nome desse país! 

A agência [(para)oficial] russa Sputniknews publicou matéria hoje sobre a questão, destacando que “a nova versão da Doutrina Naval estabelece a inadmissibilidade dos planos de aproximação da infraestrutura militar da OTAN das fronteiras da Federação Russa como fator determinante das relações com a aliança”, e acrescenta que “a nova doutrina prevê ainda a redução das ameaças à segurança nacional no Ártico e o reforço das posições de liderança da Federação Russa na exploração desta região”. Também se deu atenção ao fortalecimento da infraestrutura para a Frota do Mar Negro (leia-se, Crimeia, deixando claro que ninguém em Moscou cogita devolver a região aos ucranianos) e o desenvolvimento da Frota do Norte.

Resumo da ópera, a Rússia reafirma sua condição de potência naval e dá o recado à OTAN: estamos preparados para usar a força na defesa de nossos interesses (ou ao menos esperamos que vocês pensem assim)!”. Sempre repetirei que uma potência não deixa de ser potência do dia para a noite. Pode até não ser a fera ameaçadora dos tempos soviéticos, mas o velho urso ainda tem dentes e garras!

Para a matéria na Sputniknews:
http://br.sputniknews.com/defesa/20150726/1676059.html#ixzz3h2itlIf3

Russian President Vladimir Putin seen aboard the Arkhangelsk nuclear submarine in the Barents Sea, Russia, Tuesday, Feb. 17, 2004. At left is  presidential standard flag, at right is Russian navy flag. Putin went out to the Barents Sea on board the Arkhangelsk nuclear submarine to observe the maneuvers set to involve numerous missile launches and flights of strategic bombers in what Russian media described as the largest show of military might in more than 20 years.  (AP Photo/ITAR-TASS, Presidential Press Service)

O papel das Forças Armadas em tempo de paz

Alguns amigos têm-me perguntado sobre um programa de TV exibido esta semana pela NBR e do qual participei falando de Forças Armadas em tempos de paz. Pois bem! Segue o vídeo do programa Panorama Ipea, que contou também com a participação de meu amigo Edison Benedito da Silva Filho. Trata-se de iniciativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em conjunto com a NBR.

Discutir sobre a política de defesa do país é indispensável frente a um cenário internacional cada vez mais complexo, incerto e turbulento. No campo doméstico, os militares sempre estiverem presentes em momentos decisivos de nossa história. Fica o convite para quem quiser conhecer um pouco mais a respeito.

Eu voltei!

Meus queridos 9 (nove) leitores – que atualmente devem ser 5 (cinco),

Depois de quase três meses de inatividade neste ambiente virtual, Frumentarius retorna ao WWW!

Sei que muitos nem perceberam que estávamos inativos, mas para os dois ou três que sentiram nossa falta, registro que pretendemos voltar a publicar aqui, ainda que com uma periodicidade, a princípio, semanal (claro que haverá ocasiões em que publicarei por dois ou três dias seguidos, pois as únicas regras que sigo neste meu cantinho virtual são as minhas próprias – e aquelas estabelecidas pela moral e pelos bons costumes!). Tentarei, nas próximas semanas, alterar a aparência da página para algo mais palatável aos de gosto refinado (até parece que consigo fazer isso!). O estilo dos textos, entretanto, permanece o mesmo (quem não gostar, que vá buscar outra freguesia).

De toda maneira, continuo contando com a colaboração dos meus fiéis leitores, com suas críticas, sugestões e temas para nossa página! Espero que se agradem de nossas reflexões sobre um pouco de tudo!

Nesse sentido, antecipo que o mundo está um prato cheio para nossas análises: conflitos no Oriente Médio (com o famigerado Estado Islâmico e seu saco de maldades, a guerra civil na Síria – Assad continua lá, e isso é bom -, e o terrorismo matando muçulmanos aos montes), a crise européia (com a Grécia querendo engrossar um pescoço que não tem, e chantagear quem lhe emprestou dinheiro – isso sem nem ter conseguido terminar aquelas obras na Acrópole, paradas há alguns séculos), Obama encerrando seu mandato com medidas históricas (como a aproximação com Cuba e as negociações com o regime dos Aiatolás), e Putin sendo, bem, Putin (gosto de Putin; Putin é KGB)!

Muitos temas científicos em destaque, entre os quais a descoberta do novo planeta gêmeo da terra (com a vantagem de que eles não parecem ter certas pessoas que nos assombram por aqui) e passos importantes no campo da medicina (a possibilidade de cura em breve para o Alzheimer e a AIDS, por exemplo)…

Infelizmente, na esfera doméstica, as notícias são as piores: crise econômica e política, risco de rebaixamento do grau de investimento, bolsa despencando e dólar subindo (ai meu D’us!), desemprego, inflação, desgoverno… A causa disso tudo? Anos de corrupção, arrogância e incompetência, somados a uma população apática e pouco afeita a se insurgir contra aqueles que querem se locupletar às custas desta nação tão rica e, ainda, à inexistência de uma classe política que represente (como deveria fazê-lo) os milhões de insatisfeitos com a situação nefasta em que nos encontramos… Minhas esperanças neste País, lamentavelmente, seguem minguando…

Se o Brasil continuar existindo nos próximos meses (e estou falando sério), farei ainda  minhas observações sobre inteligência, monarquia, história, guerras, efemérides, assuntos pitorescos e um pouco de tudo… Conto com meus fiéis leitores para comentar, criticar, sugerir e divulgar nossas reflexões! E vamos avante! Que D’us nos ajude!

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Os setenta anos da morte da Besta

hitler-Recorte-de-jornal-com-a-notícia-da-morte-de-HitlerO dia era 30 de abril. O ano, 1945. O local, Berlim, capital de uma nação completamente arrasada. De fato, a cidade em escombros testemunhara a ascensão e queda de um regime e de um país que, em 12 anos, saíra do caos da instabilidade política, econômica e social, tornara-se a nação mais poderosa da Europa, conquistara todo um continente, afrontara as grandes potências da época, matara milhões de seres humanos, tivera seu território invadido, ocupado e destruído, com perdas irreparáveis. E tudo isso, sob motivação da voz inigualável e do discurso de ódio de um homem, ao qual milhões de alemães chamariam de Líder.

Ele era naturalizado alemão (de fato, havia adquirido aquela nacionalidade apenas algumas semanas antes de chegar ao poder). Nascido na Áustria, filho do segundo casamento de um funcionário público de quinto escalão, órfão de pai ainda cedo, muito jovem se viu sozinho, vagando pelas ruas da Viena dos Habsburgos em busca de trabalho e de sucesso. Nada conseguiu em sua terra natal… Atravessou a fronteira e foi viver em Munique, onde permaneceu um excluído artista frustrado, sobrevivendo de bicos e fazendo crescer o ódio em seu coração.

129958-004-C9B8B89DTudo mudou com a Grande Guerra (ah, sempre a Grande Guerra!!!). Ele se alistou no regimento bávaro, e foi combater no front ocidental, lutando pelo Kaiser e pela pátria. Amadureceu muito naqueles quatro anos de terrível guerra, foi ferido em combate algumas vezes, tornou-se cabo, e ganhou a Cruz de Ferro de primeira classe, maior comenda do seu Exército, raramente concedida a não-oficiais. Nos estertores do conflito, sofreu um ataque de gás e caiu enfermo. Foi no hospital que soube da notícia da capitulação alemã. E chorou.

De volta à vida civil, não conseguia emprego. Acabou se infiltrando em um pequeno partido de trabalhadores e outras pessoas insatisfeitas com o resultado da Guerra. Era uma época de disputas ideológicas acirradas, de tentativas de revolução e golpe, de combates nas ruas, de hiperinflação, desemprego e miséria, de frustração pela derrota. Sua agremiação era apenas uma dentre as tantas que a Alemanha de Weimer viu florescer sob discursos radicais de direita e de esquerda. Porém, seria ali, reunido com alguns poucos nas cervejarias da capital bávara, que ele descobriria sua verdadeira vocação: não seria pintor ou arquiteto! Seria um homem público, um político, um líder.

Sob sua orientação direta, o partido ganhou novo nome e uma bandeira. A cruz gramada seria para sempre associada àquele homem, que a inseriu em um círculo branco sob fundo vermelho. Milhões jurariam fidelidade àquele pavilhão e a seu criador, e botas marchariam de norte a sul e de leste a oeste seguindo o símbolo e as idéias de ódio e superioridade racial, em busca do sonho de se tornarem senhores do mundo.

Em 12 anos, o pequeno partido se tornou poderoso e, no dia 30 de janeiro de 1933, o cabo austríaco, líder absoluto e inquestionável do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, seria convidado pelo velho Marechal Hindemburgo, outro herói de guerra, para se tornar o chefe de um novo governo, que levaria ao estabelecimento de um regime que não encontrou precedentes na história e que lançaria seu povo no meríodo mais rico e também mais obscuro até então.

O III Reich deveria durar 1000 anos. Durou apenas 12. Mas foram doze intensos anos, de progresso, desenvolvimento, recuperação do orgulho ferido…mas também de destruição, preconceito, ódio e morte. O que aconteceu naqueles anos tem sido objeto de estudo, reflexão e incompreensão nas últimas sete décadas, dando margem a obras nas mais diversas áreas sobre inexplicáveis 12 anos.

4144912_x720Agora, em 30 de abril de 1945, tudo se tornara ruínas: as idéias, as conquistas, o país. Berlim sobre os escombros, sob o fogo constante e o barulho ensurdecedor da artilharia soviética, e com tropas inimigas conquistando suas ruas, era o símbolo de toda a destruição causada por aquele homem e seus seguidores.

Para ele, tudo estava consumado. Seu projeto de domínio do planeta encontrava-se agora sob os escombros de uma cidade arrasada, de um povo acabado, de um país exaurido. Como último ato daquela tragédia épica, consciente de que sua existência não seria mais cabível no inferno que ele mesmo criara, decidiu abandonar sua gente e tirar a vida. E assim o fez, com tiro na cabeça. Acabava ali o vagabundo que se tornara o homem mais importante de seu tempo.

Em poucos dias, a guerra na Europa também chegou a termo. Mas as marcas deixadas nos 12 anos em que estivera no poder, jamais serão removidas. Sob sua voz forte e seu olhar hipnótico, o mundo foi posto de ponta-cabeça, com o sacrifício de 100 milhões de vidas em seis anos.

Nada mais precisa ser dito sobre ele, que será sempre lembrado como a encarnação do mal. Neste 30 de abril de 2015, celebra-se (e esta é a palavra) os 70 anos de sua morte. E que nunca mais outro como ele caminhe sobre a face da terra!

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Je suis Garissa

Kenya University AttackEles estavam lá para estudar. Não tinham se juntado naquele lugar para conspirar, para ridicularizar o outro, para planejar ataques a pessoas ou instituições. Também não viajavam de férias nem voltavam de momentos felizes em algum local paradisíaco. Estavam lá para estudar e, dessa maneira, alcançar novas conquistas que lhes possibilitassem alguma ascensão na vida simples e difícil que tinham, em um ambiente de pobreza e desesperança. Só queriam estudar, mesmo. Mas seu futuro foi roubado por um bando de facínoras.

O dia começava como qualquer outro. Mais uma jornada de aulas, e de aulas tão ansiadas, pois constituem privilégio naquela região tão carente de futuro. Sim, aulas vistas como um privilégio, mesmo que em condições em que a maioria dos jovens universitários de países ricos – ou mesmo aqueles aqui do Brasil – teriam dificuldade de suportar para conseguir um diploma. Mas eles estavam felizes… sabiam da importância daquelas aulas.

Al-ShabaabO pesadelo veio com um grupo de bandidos armados que ocuparam o campus. Terror, pânico, lágrimas.  O extremismo em nome da religião e a intolerância para com a fé alheia seriam as primeiras lições daquele dia. E o pior ainda estaria por vir. Foram reunidos pelos terroristas, que começaram a separar cristãos de muçulmanos.

Então, o pesadelo se tornou realidade: enquanto os estudantes muçulmanos eram liberados, os cristãos permaneciam nas mãos dos terroristas. Mais uma vez, o homem segregava em nome da fé, e a violência adviria em nome de D’us. Não se podia esperar algo de bom daquele episódio.

Garissa-University-CollegeMilitares e policiais já cercavam o campus. O clima estava tenso. O dia passava rápido para alguns, mas para os reféns do Al-Shabaab deveria estar muito lento: o pôr do sol demoraria a chegar. De fato, para 147 estudantes de Garissa, não haveria um pôr do sol, não haveria um outro dia.

O massacre aconteceu. Os terroristas executaram friamente os 147 estudantes cristãos. Depois foram mortos pela polícia. E as famílias daqueles 147 jovens têm, a partir de hoje, uma data para não ser esquecida: o dia da intolerância, do terror e da morte de seus filhos.

Hoje minhas preces serão para esses 147 jovens, suas famílias  e amigos. Chorarei com eles, pedirei que os anjos os confortem.

kenyaPorém, junto com as preces, registro aqui meu desabafo para com a hipocrisia e desfaçatez humana: fiquei muito triste pelos acontecimentos de Garissa, mas me ofendi também pela repercussão medíocre na mídia internacional e junto a governos e organizações sociais por todo o globo.

Onde estão as coroas de flores e as preces pelos 147 mortos? Onde estão as manifestações de indignação e os protestos contra a barbárie? Onde está a cobertura da imprensa, na TV e no rádio? Onde estão os gritos nas ruas e as mensagens nas redes sociais pelas vítimas do terror no Quênia? Será que ninguém se importa?

Quando reflito sobre indiferença do mundo para com os 147 do Quênia, logo me vem à mente a explicação para toda essa insensibilidade: foi no Quênia, e era uma comunidade pobre de uma cidade da qual nunca se ouviu falar. Nada que tocasse os corações das pessoas nas grandes cidades do Ocidente!

Eles eram estudantes. Mas eram estudantes africanos. Não eram cartunistas nem passageiros voltando de avião para casa. E eram 147… apenas dez vezes mais que os mortos do Charlie Hebdo e praticamente o mesmo número dos que pereceram nos Alpes franceses. Ninguém se importa.

Que fique registrado nosso repúdio ao terrorismo, à intolerância e, também, à hipocrisia. E que nossas preces possam alcançar os 147 de Garissa e suas famílias e amigos.

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Unidos contra o Imperialismo

MaduroQuando a gente pensa que já viu de tudo… Na pátria bolivariana, Maduro estabelece o Dia do Antimperialismo na Venezuela! O pior é que as declarações do governo venezuelano são diretamente contra um outro país, os EUA. Certamente, Barack Obama (e muita gente em Washington) está sem dormir desde ontem, graças às declarações do líder venezuelano. Fico aqui imaginando a repercussão, sobretudo na América Latina, se um Presidente norte-americano fizesse declaração semelhante contra alguma nação desta parte do globo… Ainda bem que é o rato que ruge…

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Declarado el 9 de marzo como Día del Antiimperialismo Bolivariano en Venezuela

Publicado el 31 marzo, 2015

Nicolás Maduro, presidente de la República, anunció este martes que a partir del año 2016, cada 9 de marzo se conmemorará el Día del Antiimperialismo Bolivariano en Venezuela, para honrar la posición patriota del pueblo en contra de las acciones injerencistas de Estados Unidos.

“Los libros de historia lo recordarán presidente Obama, como el que pretendió amedrentar un pueblo y lo que hizo fue levantar el espíritu nacionalista, patriótico y Bolivariano de este pueblo”, puntualizó.

Durante la transmisión del programa “Contacto con Maduro” transmitido desde el estado Falcón, el Jefe de Estado destacó que el mes de marzo representó un tiempo de combate. “A Obama se le ocurrió pasar a la historia un 9 de marzo como el primer Jefe de un Imperio que declara a Venezuela como una amenaza”.

Fonte: http://www.rnv.gob.ve/index.php/declarado-el-9-de-marzo-como-dia-del-antiimperialismo-bolivariano-en-venezuela-audio

O passado alemão de Vladimir

Vladimir Putin in KGB uniformIndubitavelmente, uma das melhores matérias que já reproduzi aqui em Frumentarius. Fundamental, para todos os interessados em Política Externa e Relações Internacionais, bem como em temas relacionados a Segurança e Inteligência, é conhecer a biografia de Vladimir Putin, com destaque para seus anos de KGB e, mais especificamente, para o tempo que passou  na Alemanha Oriental. Como se destaca na própria matéria, o Putin e a Rússia de hoje seriam bem diferentes sem aquele período do atual líder sovié…, digo, russo, entre os alemães.

Interessante observar, ainda, que Putin conhece  bem os alemães, sabe como eles pensam. Mas aí alguém perguntaria: “mas não seriam os alemães orientais que ele conhece bem?”. Respondo lembrando que, antes de tudo,  alemães orientais são alemães… e que Frau Merkel (por quem nutro enorme simpatia) é alemã oriental! De fato, convém assinalar que os dois maiores líderes europeus conhecem bem a realidade e a maneira de pensar de alemães e russos. Assim como Putin conhece os alemães, Frau Merkel conhece os russos, e fala sua língua (tenho minhas dúvidas se algum outro líder ocidental tenha esse conhecimento).

Conversando esses dias com meu grande amigo Túlio Leal (que me encaminhou a matéria e acha que não leio seus e-mails), tentávamos imaginar como seria um encontro entre Putin, Merkel e outros líderes, como Hollande. Merkel fala e alemão, Putin entende e responde em russo – Merkel compreende claramente o que ele quis dizer… Interessante, não?

Enfim, os líderes ocidentais muitas vezes parecem não saber com quem estão lidando quando tratam de Rússia. Exceto Frau Merkel. Frau Merkel conhece a Rússia. Frau Merkel entende Putin. Gosto de Putin. Putin é KGB.

Vladimir Putin’s formative German years

Vladimir Putin in Dresden in 2006

It is 5 December 1989 in Dresden, a few weeks after the Berlin Wall has fallen. East German communism is dying on its feet, people power seems irresistible.

Crowds storm the Dresden headquarters of the Stasi, the East German secret police, who suddenly seem helpless.

Then a small group of demonstrators decides to head across the road, to a large house that is the local headquarters of the Soviet secret service, the KGB.

“The guard on the gate immediately rushed back into the house,” recalls one of the group, Siegfried Dannath. But shortly afterwards “an officer emerged – quite small, agitated”.

“He said to our group, ‘Don’t try to force your way into this property. My comrades are armed, and they’re authorised to use their weapons in an emergency.'”

That persuaded the group to withdraw.

But the KGB officer knew how dangerous the situation remained. He described later how he rang the headquarters of a Red Army tank unit to ask for protection.

The answer he received was a devastating, life-changing shock.

“We cannot do anything without orders from Moscow,” the voice at the other end replied. “And Moscow is silent.”

That phrase, “Moscow is silent” has haunted this man ever since. Defiant yet helpless as the 1989 revolution swept over him, he has now himself become “Moscow” – the President of Russia, Vladimir Putin.

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Curso de Segurança Institucional com Contrainteligência, Gestão de Riscos e Segurança de Dignitários

Meus caros leitores, aos interessados em Inteligência e Segurança, recomendo o curso que será promovido pela INASIS em maio próximo. Seguem as informações a respeito.

Curso de Segurança Institucional com Contrainteligência, Gestão de Riscos e Segurança de Dignitários.

O curso será realizado pela Associação Internacional para Estudos de Segurança e Inteligência (INASIS).

Será ministrado em Belo Horizonte/MG, de 11 a 16 de maio/2015, com a carga horária de 60 horas-aula, por corpo docente de altíssimo nível.

O curso é de especial interesse para membros e servidores do Ministério Público, magistrados e servidores do Poder Judiciário, policiais, agentes penitenciários e, enfim, para agentes públicos envolvidos em atividades de fiscalização, investigação, inteligência, segurança, controle, auditoria, corregedoria e segurança institucional.

As inscrições podem ser feitas por meio do formulário online.

A INASIS pode ser contratada tanto por inexigilibidade de licitação quanto por dispensa de licitação, nos termos legais, bem como por particular.

O edital completo do curso, com programa, professores, datas, horários, local, valores etc. se encontra em:www.inasis.org

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