Revenons à nos moutons

« De par le diable, vous bavez !
Eh ! Ne savez-vous revenir
Au sujet, sans entretenir
La cour de telle baveries ?
Sus, revenons à ces moutons !
Qu’en fut-il ?
»

La Farce de Maître Pathelin, 1485

 

Eu poderia apresentar a meus 8 (oito) leitores muitas desculpas por esses dez meses sem publicação em Frumentarius… Poderia dizer que o tempo se tornou escasso para escrever, que as atribuições do dia-a-dia me impediam de fazer os comentários com a regularidade que desejava… Poderia também dizer que a inspiração estava pouca (não estava), que os posts em minha página do Facebook eram suficientes (por falar nisso, já curtiu minha página no Facebook? – veja a lateral esquerda superior desta tela)… Mas tudo isso seria apenas e tão somente desculpa…

Portanto, em vez das escusas pelo tempo sem publicar, informo simplesmente que estou saindo (de maneira lenta, gradual e progressiva) dessa fase de recolhimento e logo teremos novos posts sobre “um pouco de tudo” de uma forma mais regular… Isso deve acontecer a partir de julho! Vejam que retomaremos a regularidade em julho, com ao menos três posts comentados por semana. Durante junho faremos apenas um “esquenta”!

Há muita coisa sobre o que refletir no mundo em constante transformação! Enquanto Frumentarius estava adormecido, o terrorismo se tornou um tema mais presente no imaginário dos europeus em razão dos ataques de Paris e Bruxelas. Tema mais presente e erroneamente associado às massas de refugiados que chegam à Europa fugindo de sua terra natal em busca de uma vida de paz… Obviamente, vamos comentar sobre isso e tentar remover véus sobre o mito dos “refugiados terroristas”.

Não é possível falar de terrorismo sem uma referência ao Estado Islâmico, que se tornou muito forte nos últimos dois anos (apesar das derrotas recentes para as forças de Assad – continuo achando que ruim com ele, muito pior sem ele – e da intervenção russa – ok, os ocidentais também fizeram intervenções importantes na Síria… fizeram???), chocando o mundo com barbaridades que deixariam roteiristas de Hollywood no chinelo… O ISIS trata-se realmente de organização que merece constante atenção dos serviços de segurança e inteligência pelo mundo…

Outro conflito que continuou foi o da Ucrânia, apesar das poucas atenções àquele lado do mundo… Afinal, aquilo é zona de influência russa, sendo temerário que os ocidentais queiram interferir naquelas terras. Diga-se de passagem, o Urso tem aumentado sua capacidade de atemorizar os países ocidentais… Impossivel falar de Rússia sem referência expressa a Puti… Putin continua lá, mandando como nunca. Gosto de Putin… Putin é KGB…

Eleições nos EUA também são tema corriqueiro! Nunca pensei que fosse torcer por um candidato do Partido Democrata, mas com o Pato Donald Trump sendo o ungido do Partido Republicano, chego à conclusão que passa da hora dos EUA terem Hillary Clinton na cadeira presidencial – Sanders nem com reza brava, por favor!

Tema que meus leitores sabem que muito me agrada é a atuação de Bob Filho no seu aterrorizante parque de diversões! O rato tem rugido, e isso gera instabilidade no Continente Asiático. Em tempo: recentemente ele foi confirmado como Líder Supremo da Coréia da Norte – mas como não fazê-lo com o sujeito que inventou o Ipad? 

E o Brasil? Bom, o Brasil merecerá muitos posts! O melhor foi o ocaso de Madame et caterva, pois o País não aguentava mais o desgoverno… Tenho esperança que nosso novo Presidente (volto a usar o “P”maiúsculo)! Di-lo-ei  (Ahá!) que lhe desejo muito êxito ao promover as mudanças que farão com que o Pais se recupere política, econômica e moralmente (afinal, precisamos recuperar valores morais acima de tudo!)… A equipe econômica é ótima, a equipe de governo também. O Presidente é homem inteligente e lúcido e conhece o Congresso, o que é fundamental neste modelo presidencialista fracassado – sim, porque continuo monarquista e tratarei disso também! 

Essas são apenas algumas palavras iniciais. Espero que possamos interagir mais, meus queridos leitores, e continuar conversando sobre “um pouco de tudo”! Avante!

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40 anos do fim da Guerra do Vitenã

Em 2015, o mundo celebra os 40 anos do fim da Guerra do Vietnã (sim, fim de guerra é coisa para ser celebrada). O conflito marcou os anos 60 e 70 do século XX, não só nos EUA e no Vietnã, mas em diversos lugares do planeta. É a marca de uma época, um período de profundas transformações culturais por todo o mundo (em especial no mundo livre, o lado de cá da Cortina de Ferro). Também é uma guerra marcada de significativo simbolismo, sobretudo por envolver uma Superpotência e um país considerado periférico, exemplo para qualquer estudante de polemologia como conflito assimétrico.

A derrota de fato na Guerra do Vietnã foi bastante traumática para os EUA. Era algo impensável para a maioria dos estrategistas em Washington. Seus reflexos alcançaram a doutrina de emprego das Forças Armadas estadunidenses nas décadas seguintes, afetando diretamente o planejamento das ações militares nas duas Guerras do Golfo.

A grande imagem que permanece da Guerra do Vietnã é de um conflito sem sentido, travado em um lugar distante do globo (ao menos para nós, ocidentais), movido por ideologia e interesses complexos, e um embate de um anão contra um gigante. Impossível não se fazer a associação à história de Davi e Golias, ainda mais porque o desfecho foi semelhante.

Segue o vídeo do programa Direito Sem Fronteiras, em que trato, junto com o Professor Rogério Lustosa, daquele conflito em que o pequeno humilhou o grande, e o forte se viu fraco. Isso com a sempre brilhante apresentação de Cadu Cunha! (Para variar, erraram meu nome nos créditos. Sei que ninguém ia notar se não chamasse a atenção para o caso, mas não resisti. Estou acostumado. Obrigado, papai!)

O espião que foi para o frio…

A matéria só contribui para minha convicção que o que houve, de fato, foi uma belíssima operação de recrutamento feita pelos russos (dentro da rica tradição dos serviços daquele país). Nesse sentido, ninguém me convence de que o senhor Snowden resolveu vazar toda essa quantidade de informações movido por razões nobres. Foi recrutado, cooptado para trabalhar para os russos. E não há nada de absurdo nisso. Faz parte do Jogo, assim como o fazem também as ações da inteligência estadunidense. É como operam grandes potências…

Em tempo: se me perguntarem o que penso de Snowden, digo que o considero um traidor de seu país e acho que ele deveria responder por isso. O problema é que agora ele está sob a proteção de Moscou… Faz parte do Jogo, do Grande Jogo. E é assim que funciona, desde sempre…

Edward Snowden já tem trabalho na Rússia

Edward Snowden já tem trabalho na Rússia

 Foto: Vesti.Ru
 

O ex-agente do NSA, Edward Snowden, que tem asilo temporário na Rússia, começa a trabalhar a 1 de novembro num dos maiores web sites do país.

O nome da empresa e o cargo que irá ocupar são mantidos em segredo por razões óbvias. Também não se sabe se Snowden irá trabalhar num escritório ou via Internet à distância. Segundo o advogado Anatoli Kucherena, que representa interesse de Snowden na Rússia, tal secretismo se deve a motivos de segurança. No entanto, o antigo colaborador do NSA não deve ter muitos problemas, inclusive linguístico:“Ele está estudando o idioma russo. Quanto ao trabalho, fará parte de uma equipe de engenheiros informáticos russos, responsáveis pela manutenção do web site. Trata-se especialistas na área do software, programas de apoio, aplicações, etc.” Continuar lendo

Inverno de ódio

Ainda como consequência do que se cunhou chamar de Primavera Árabe, e que eu prefiro chamar de “o Levante”, aumentou significativamente a instabilidade no Norte da África e no Oriente Médio nos últimos dias. Pessoas na rua protestando, atacando missões diplomáticas e consulados, gritando palavras de ordem contra Israel e Estados Unidos, queimando bandeiras… Enfim, a efetivação do que para alguns a “consolidação da democracia no mundo árabe/muçulmano”…

Realmente, os ventos democráticos da bela Primavera Árabe, cantada em verso e prosa em diversas partes do globo (sobretudo aqui no Ocidente), sopram com intensidade nas terras do Islã. Na Líbia, quase um ano após a deposição e execução de Muamar Kadafi, permanece o clima de insegurança, associado à disputa pelo poder em um país arrasado pela guerra civil. O fortalecimento do fundamentalismo religioso e de grupos antiocidentais culminou no ataque ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi e no assassinato, por extremistas, do Embaixador estadunidense, Christopher Stevens, e de outros três funcionários diplomáticos, além de mais de uma dezena de feridos. Desde 1979 um plenipotenciário norte-americano não havia sido morto em serviço. O trágico evento afeta diretamente as relações entre a Líbia e os Estados Unidos, e pode mesmo influenciar a disputa eleitoral pela Casa Branca. A oposição já cobra medidas mais enérgicas de Barack Obama, que se vê em situação extremamente delicada na reta final da campanha…

Os acontecimentos na Líbia estão relacionados à onda de protestos no mundo árabe em decorrência de um vídeo produzido nos Estados Unidos e ofensivo ao Profeta Maomé. Trata-se de um vídeo de extremo, extremíssimo péssimo gosto, feito, de acordo com as autoridades americanas, por um estelionatário que ganhou notoriedade da noite para o dia com ofensas gratuitas à segunda maior religião do globo. Note-se que foi um ato isolado de um criminoso, nada tendo a ver com o governo dos Estados Unidos.

Em que pese o deplorável vídeo, não me venham com argumentos de que se tem aí uma justificativa para todos esses protestos e explosões de violência no mundo islâmico. Não, não se justificam. Se um cristão resolvesse atacar cada pascácio que fizesse uma piada deplorável contra o cristianismo, ou um judeu resolvesse agredir todo mentecapto que viesse com comentários preconceituosos e ofensivos ao judaísmo, o mundo já teria implodido… Nesse caso, intolerância não pode ser motivo para mais intolerância.

Mas, no Islã, diriam alguns, a coisa parece ser diferente… Manifestações contra representações diplomáticas estadunidenses ocorreram também em outros países de maioria muçulmana, entre os quais Bangladesh, Egito, Tunísia, Marrocos, Iêmen, Iraque e Irã, Sudão e até em Israel (sim, é assim que acontece numa democracia), porém nenhuma tão grave quanto a de Benghazi. O que se evidencia disso tudo é muito mais um pretexto que se encontrou no tal vídeo para uma explosão de descontentamento da parte de milhares de pessoas que vivem em péssimas condições. Sob a camada do protesto de motivação religiosa, estão sentimentos de revolta contra a ordem ali estabelecida e contra tudo que represente aquilo que a maior parte realmente almeja: paz, segurança para tocar a vida e, naturalmente, os benefícios do desenvolvimento. Isso é humano: ao não terem a vida que desejam (e, indiscutivelmente, os padrões econômicos e sociais da América do Norte e da Europa Ocidental são ansiados em todo o mundo), as pessoas acabam se revoltando e buscando bodes expiatórios (algo com a raposa e as uvas). Bom, mas não vou discutir psicologia de massa aqui…

Registro meu repúdio a essas manifestações. Absurdo total a agressão a representações de um país por ações de particulares… O que tem o governo dos EUA (ou da Grã-Bretanha ou o da Alemanha, que acabou de ter sua embaixada atacada no Egito) com um vídeo produzido por um pacóvio? Se assim o fosse, nós ocidentais deveríamos partir para cima de toda nação em que cidadãos se manifestassem contra o Ocidente. Sinceramente, não tenho paciência para esse tipo de coisa…

Voltando à política internacional, esses eventos podem repercutir em uma mudança de percepção dos Estados Unidos (ou da opinião pública e, consequentemente do eleitorado estadunidense) com relação à chamada Primavera Árabe. Note-se que, por exemplo, na Líbia, Egito e Tunísia, regimes seculares foram substituídos por governos sob influência fundamentalista (em alguns casos até com extremistas religiosos em sua composição) e com severas críticas a países ocidentais.

O que mudou no Egito, depois da queda de Mubarack? O país continua em crise, os militares no poder, a população protestando… Ah, sim! Mudou alguma coisa: os egípcios caminham para um governo mais extremista e hostil aos EUA e aos valores ocidentais (bom, né?). Minha viagem do próximo ano para conhecer aquele belo país do Norte da África acabou prejudicada, assim como a principal fonte de recursos do Egito, o turismo. Enfim, salvo por alguns poucos que assumiram o poder no lugar do sucessor Sadat, a tal da “democracia” conquistada na “Primavera Árabe” não beneficiou muita gente, permanecendo a maior parte da população na mesma penúria.

Também como consequência do Levante iniciado no ano passado, a guerra civil prossegue na Síria. Apesar de pressão da comunidade internacional, o regime de Damasco ainda se sustenta, particularmente devido ao apoio de russos e chineses. Como venho insistindo desde sempre, enquanto tiver as graças do Kremlin, o atual regime sírio se sustenta. E, tomando o exemplo do que já aconteceu em outros lugares, será que se teria uma Síria mais estável sem Assad? Não me parece… A queda do atual Presidente sírio só provocaria mais crise e instabilidade, e isso em uma área muito mais estratégica e sensível que o Norte da África.

Chegando ao Golfo, as relações entre potências ocidentais e o Irã têm-se agravado. Recentemente, o Canadá rompeu relações diplomáticas com Teerã (vide posts anteriores). Em nota oficial, Ottawa assinalou que o governo iraniano é “atualmente, a mais significativa ameaça à paz global à segurança no mundo”. A resposta de Teerã foi no sentido de que o Canadá tem tomado numerosas medidas para hostilizar o país dos aiatolás, acusando-se o governo canadense de “racista” e de “seguir a política sionista do Reino Unido”. Coisa boa não sairá daí…

Todos esses eventos assinalam um aumento da insegurança global. Merece atenção um possível aumento de ações terroristas contra alvos ocidentais, paralelamente ao endurecimento nas relações entre potências ocidentais e países islâmicos. A situação conflituosa pode alcançar diferentes partes do globo, inclusive regiões sem envolvimento direto com a crise, como a América Latina. É recomendável que as autoridades brasileiras estejam atentas a esses desdobramentos.

Em tempo: sei que é verão no Hemisfério Norte. Entretanto, assim como aconteceu com a primavera da democracia, o inverno do ódio infelizmente se prolonga no mundo islâmico…

 

Declaração oficial do Ministro das Relações Exteriores do Irã responsabiliza a CIA pela morte do cientista

A provocação continua. O que surpreende é a insistência iraniana em afrontar os EUA e seus aliados (inclusive o por eles chamado “Estado sionista”) e continuar testando os limites da diplomacia… Será que se sentem tão seguros de si ou certos de que Washington resistirá às provocações? Repito, a acusação é grave, sobretudo vindo de uma autoridade pública.

Iran sends rare letter to U.S. over killed scientist

Reuters, 14JAN2012, 12:30pm EST – By Parisa Hafezi

TEHRAN (Reuters) – Iran said on Saturday it had evidence Washington was behind the latest killing of one of its nuclear scientists, state television reported, at a time when tensions over the country’s nuclear program have escalated to their highest level ever.

In the fifth attack of its kind in two years, a magnetic bomb was attached to the door of 32-year-old Mostafa Ahmadi-Roshan’s car during the Wednesday morning rush-hour in the capital. His driver was also killed. Continuar lendo

A guerra de nervos em torno do Irã

Dessa vez,  a análise Lukyanov diz respeito à tensão crescente envolvendo o Irã. Comenta, inclusive, o artigo da edição de janeiro/fevereiro de 2012, que propões expressamente que atacar o Irã é “the least bad option“. Gostei, particularmente, do seguinte comentário:

This is a psychological war. Both sides are playing a game of brinksmanship, hoping that they will not have to act on their threats.

Atenção especial à análise sobre o equilíbrio de forças e os interesses na região do Golfo Pérsico. Concordo com Lukyanov de que os EUA não estão dispostos a uma outra guerra depois de dez anos de Afeganistão e Iraque, bem como que Teerã joga contando com o apoio russo e chinês (o problema é até quando Moscou e Pequim permanecerão garantes das provocações do regime dos Aiatolás).

Recomendo, especialmente a meus alunos de Relações Internacionais.

RIA Novosti

Uncertain World: The war of nerves around Iran

15:36 12/01/2012

The January/February 2012 issue of the magazine Foreign Affairs features an article with the shocking title: Time to Attack Iran: Why a Strike Is the Least Bad Option. It is indicative of the current mood and may set the tone for the rest of the year. Continuar lendo

Russos acusam Israel de incentivar os EUA contra o Irã

Notícia com acusação grave, divulgada em um dos principais jornais israelenses. Ainda tentando entender o que há por trás da declaração do assessor de segurança nacional de Putin (os russos têm, os americanos têm, o Brasil não tem um assessor de segurança nacional junto ao Presidente, só para constar…) e da publicação da matéria no Haaretz…

Haaretz – 12.01.12
By Reuters and Eli Shvidler

Israel is pushing U.S. toward Iran war, Russian official says

Nikolai Patrushev, head of the Kremlin’s Security Council, warns Iran could retaliate by blocking oil shipments from the Gulf.

Russia fears Israel will push the United States into a military conflict with Iran which could retaliate by blocking oil shipments from the Gulf, a confidant of Prime Minister Vladimir Putin said on Thursday. Continuar lendo

Irã condena estadunidense à morte

Esta quem me mandou foi meu amigo Maurício Viegas. Teerã pretende executar um cidadão dos Estados Unidos da América. A acusação é espionagem.

Executar alguém por espionagem não é algo novo, inclusive costuma ser bem aceito em legislações pelo mundo. Ninguém gosta de espiões (apesar de país nenhum conseguir existir sem eles). Segundo as Convenções de Genebra, o espião não tem a proteção dada aos não-combatentes usuais. Assim, o destino do espião pego é a prisão por longo tempo, a troca por outro originário do Estado que o descobriu, ou a morte.

O problema é o momento político e a maneira como a coisa é feita pelos iranianos. Isso é mais uma das dezenas de provocações perpetradas por Teerã. Armandinho e sua turma estão testando a paciência dos estadunidenses e a resistência do Governo Obama a se meter em um outro conflito armado, especialmente no Golfo e em ano eleitoral. Só que paciência tem limite… 

Iran sentences U.S.-Iranian man to death for spying

Photo
Reuters, 09JAN2011 – 2:27pm EST

By Parisa Hafezi

TEHRAN (Reuters) – Iran’s Revolutionary Court has sentenced an Iranian-American man to death for spying for the CIA, officials said on Monday, a move likely to aggravate U.S.-Iranian tensions already high because of Tehran’s disputed nuclear program.

The United States denies that Amir Mirza Hekmati is a spy and has demanded his immediate release. The White House said it was trying to verify the report on his sentencing. Continuar lendo

O mito das duas guerras simultâneas

Artigo interessante do Washington Post, que se refere à capacidade dos EUA de lutarem em duas guerras ao mesmo tempo era um mito. De toda maneira, com os cortes feitos por Obama, agora é que isso pode ficar mais difícil. Digo “pode”, pois que ninguém se iluda: os EUA ainda são a maior potência militar do planeta e ninguém consegue fazer frente ao gigante estadunidense com meios convencionais…

The Washington Post, 01/06/2012

The myth of the two-war military strategy

By 

There has been a good deal of weeping over the Pentagon’s newly unveiled strategy, much of it focused on concerns that the military will no longer be prepared to fight two wars, or two “major regional conflicts,” at once.

But the notion that the military ever was prepared for such a mission is in many ways a great strategic myth. Continuar lendo

Os russos e o programa nuclear iraniano

Matéria sobre a posição de Moscou sobre o programa nuclear iraniano. Diante de todas essas provocações que Armandinho de Teerã e sua turma têm feito contra as potências ocidentais,é bom lembrar que os persas têm um trunfo que nem o Iraque, nem Kadafi (e ao menos não na mesma escala, que Chico César e Bob Filho tinham/tem na Coréia do Norte): o apoio russo eo chinês. Nesse delicado jogo no Oriente Médio, Rússia e China também colocam suas peças no tabuleiro… Trata-se de aspecto que não pode ser de forma alguma ignorado…

RIA Novosti

Tehran hails Moscow’s diplomatic efforts over Iranian nuclear program

http://en.rian.ru/russia/20120105/170631657.html

17:16 05/01/2012

Iranian President Mahmoud Ahmadinejad told his Russian counterpart Dmitry Medvedev during a telephone conversation on Thursday that Tehran backed Moscow’s diplomatic efforts to settle the dispute over Iranian nuclear program, the Kremlin said.

……..More

“Medvedev noted with satisfaction the Iranian president’s positive assessment of the Russian initiative, a plan of gradual restoration of trust to the Iranian nuclear program,” the Kremlin said, adding that both leaders had agreed to continue talks on this issue.

The two presidents spoke the next day after the EU officials reached a preliminary agreement, backed by the United States, to impose an embargo on the Iranian oil exports that make up 60 percent of the country’s revenues.

The oil embargo may leave Tehran without its second largest market since the EU states buy 450,000 barrels of Iranian oil per day (bpd). China, the main customer of Iranian oil, has already cut its orders by more than half this month.

Tensions between Washington and Tehran aggravated in late December when the Iranian Navy, involved in the Velayat-90 military drills, discovered an American aircraft carrier nearby.

The situation around the maneuvers escalated when Iranian authorities said they might close the Strait of Hormuz which accounts for one-third of the world’s tanker-borne oil and 17 percent of all oil traded worldwide. The United States however rejected the threat, saying that its navy would carry on mission in the strait.

Western powers and Israel suspect Iran of seeking to build nuclear weapons. Iran denies this, saying its program is civilian in nature.

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Comandos estadunidenses pelo mundo

Como é amplamente sabido, os EUA dividem o mundo em comandos regionais (ou de área). Nós, aqui na América Latina, estamos sob o Comando Sul, sediado na Flórida. Até o 11 de setembro de 2001, só havia duas áreas do globo que não estavam sob um dos comandos regionais: o território da antiga URSS e… a América do Norte! Foi então criado o NorthCom. Recentemente, foi estabelecido o Comando para defesa cibernética. 

Encontrei este mapa com a distribuição dos Comandos e achei conveniente publicar. 

Mais sobre a nova perspectiva estadunidense de Defesa

Boa análise sobre a nova perspectiva estratégica dos EUA para a Defesa.

Obama Drops Two MRCs; Invests In ISR, Counter-Terror and Pacific

 By Colin Clark
Published: January 5, 2012

 PENTAGON: The United State swill police the globe, respond to disasters and shape the international environment much as it has –though our sharpest focus will be on China and the western Pacific — but it will do all that with a significantly smaller land force than it currently has. Continuar lendo

A nova Estratégia de Defesa Nacional dos EUA

Para variar, a imprensa no Brasil dá notícia truncada ou pela metade. Os jornais de ontem (particularmente na imprensa televisiva) só anunciavam um corte de U$ 450 bilhões no orçamento de Defesa dos EUA para os próximos dez anos. Só que pouca atenção foi dada ao contexto dessa decisão: o Presidente Obama foi anunciar ao país, a partir do Pentágono, a nova Estratégia de Defesa Nacional dos EUA, ou, mais precisamente, as orientações estratégicas do país para os próximos anos.

O documento é produzido no contexto de uma perspectiva de Defesa dos EUA com o a retirada das tropas do Iraque a manutenção da guerra no Afeganistão. Segundo o próprio Obama, concluídas as operações em território iraquiano, os EUA devem buscar ampliar o foco para outros desafios e em busca de maiores oportunidades. Nesse sentido, atenção especial será dada para a Ásia-Pacífico (aí incluído o Oriente Médio). Os estadunidenses buscam, ainda, mais agilidade, flexibilidade e adaptabilidade.

Aconselho a leitura mais atenta do item Ambiente Global Desafiador e daquele sobre as missões primárias das FA estadunidenses… Certamente, as ameaças são diferentes das tradicionais. Daí a ênfase na defesa cibernética (preocupação permanente), no contraterrorismo e no uso de VNTS (veículos não-tripulados).

Ao ler sobre a Defesa Nacional dos EUA, fico imaginando como os dirigentes da segunda maior potência das Américas estão pensando na nossa… Posso me sentir seguro?

Para o inteiro teor das orientações de Defesa dos EUA, clique Defense_Strategic_Guidance (1).

New Pentagon strategy stresses Asia, cyber, drones

REUTERS, Thu, Jan 5 2012

By David Alexander and Phil Stewart

WASHINGTON (Reuters) – President Barack Obama unveiled a defense strategy on Thursday that would expand the U.S. military presence in Asia but shrink the overall size of the force as the Pentagon seeks to slash spending by nearly half a trillion dollars after a decade of war. Continuar lendo

EUA compram o Supertucano

O Inforel começou o ano com uma série de excelentes matérias, particularmente na área de Defesa. Recomendo!

A notícia que segue diz respeito à aquisição de 20 Supertucanos pela USAF. Esta aí mais um sinal da alta competitividade da indústria aeronáutica brasileira, inclusive no segmento de Defesa! Passa da hora do Brasil investir mais em sua indústria de Defesa. Certamente, o retorno seria bom para o País.

Força Aérea dos EUA comprará Super Tucano brasileiro

INFOREL.ORG – 02/01/2012 – 12h13

 Brasília – A Força Aérea dos Estados Unidos anunciou a compra do Super Tucano, avião de ataque leve fabricado pela Embraer, para operações de apoio aéreo, reconhecimento e treinamento avançado em vôo. A aeronave foi selecionada no programa Apoio Aéreo Leve (LAS em suas siglas em inglês) para um contrato de US$ 355 milhões que prevê a aquisição de 20 unidades. Continuar lendo

Os EUA, a Rússia, e a questão dos mísseis…

Mais uma excelente análise de Fyodor Lukyanov sobre as relações EUA-Rússia em um campo tremendamente sensível. A China também deve ser considerada nesse jogo (acho que um certo Kissinger já teria dito isso!).

Recomendo, em especial a meus alunos de Relações Internacionais…

RIA Novosti

Uncertain World: The never-ending missile defense debate

12:27 01/12/2011

Missile defense continues to concern the Russian leadership. Having made tough statements on this issue in Moscow last week, President Dmitry Medvedev again spoke about it in Kaliningrad. While many analysts in Russia and the West wrote off these statements as campaign rhetoric, the problem remains. Missile defense isn’t going anywhere. This is not a short-term problem that lends itself to an easy deal; it is a fundamental issue of global strategic stability, which to this day is rooted in the logic of mutual assured destruction. Continuar lendo

A resposta dos EUA

Segue a resposta do Departamento de Estado (publicada em letras miúdas no site da Novosti) às reclamações de Moscou de que Washington estaria patrocinando os protestos na Rússia… Já vi filme parecido com esse…

A coisa está esquentando… Lembro somento que a Rússia não é Egito, Líbia ou Síria… e que  Putin não é Mubarack, Kadafi nem Assad…

RIA Novosti

U.S. says will continue support for peaceful protests, including in Russia

04:36 08/12/2011

The United States will continue to support the rights of citizens for peaceful protests everywhere in the world, including Russia, a Department of State deputy spokesperson said. Continuar lendo

Ecos da Guerra Fria e as eleições de 2012

Vi esta notícia cedo pela manhã, mas só pude publicar agora… Preocupou-me a reação de Putin aos protestos, tentando criar uma controvérsia de política externa – não é de hoje que o inimigo externo é reclamado como solução (ou desvio da atenção) para crises domésticas. Isso é típico em culturas ditatoriais.

Até ontem, parecia-me que os protestos não afetariam a influência do Premier russo e candidato à presidência. Hoje a coisa está diferente… Será que mudanças estariam tendo início na Rússia? Seria isso uma inclinação para a democracia? Quais serão os próximos passos de Vladimir?

Não me parece, ainda, um retorno à rivalidade com os EUA dos anos da Guerra Fria. Ainda.   De toda maneira, os jornais russos publicaram em primeira página a declaração de Putin sobre a influência estadunidense na oposição russa. Além disso, a Geórgia (sempre a Geórgia) se apresentou hoje como membro observador da OTAN (Ops! Geórgia na OTAN? Sei não…)

Finalmente, lembro que 2012 é ano de eleições. Na Rússia… e nos EUA… pessoas costuma tomar decisões surpreendentes em época de eleições….

RIA Novosti

Putin says U.S. encouraging Russian opposition

15:13 08/12/2011

Prime Minister Vladimir Putin accused the U.S. authorities on Thursday of sponsoring the opposition in Russia and urged harsher punishments for those acting on orders from “foreign states.” Continuar lendo

EUA gastaram US$ 3,3 trilhões em resposta ao 11 de Setembro

E como o outro “dia da infâmia” para os Estados Unidos (porque aqui no Brasil há muitos dias da infâmia em nossa história, começando pelo 15/11/1889…) ocorreu cerca de 60 anos após Pearl Harbor, em um 11/09, segue um artigo sobre os gastos estadunidenses com a resposta aos ataques terroristas de 11/09/2001…

EUA gastaram US$ 3,3 trilhões em resposta ao 11 de Setembro

The New York Times, 11/09/2011

Para cada dólar gasto pela Al-Qaeda no atentado de 2001, governo americano gastou US$ 6,6 milhões

Em 2004, quando talvez ainda fosse capaz de realizar outro ataque devastador contra os Estados Unidos, Osama bin Laden divulgou um vídeo exultando seu plano de “fazer a América sangrar até a falência”.

Como de costume, a promessa de Bin Laden foi exagerada – mas, como agora podemos perceber, não deixou de ser cumprida. Uma pesquisa feita pelo The New York Times estimou o valor dos custos da reação – e seus exageros – ao ataques do 11 de Setembro, o evento que definiu a última década. A conta dos EUA para este combate desigual do século 21 chegou a pelo menos US$3,3 trilhões. Ou seja, para cada dólar que a Al-Qaeda gastou planejando o atentado de 2001 (US$ 500 mil no total), o custo para os EUA foi de espantosos US$ 6,6 milhões. Continuar lendo

O aparato de Segurança Nacional dos EUA

Artigo muito interessante sobre o desenvolvimento da estrutura de Segurança Nacional dos EUA após o 11SET2001. A quantidade de pessoas e organizações envolvidas com o tema é surpreendente! Também impressiona o número de profissionais com acesso a documentos sigilosos!

Diante disso, só imagino o quão difícil seria por fim à guerra contra o terror, tendo-se que desmobilizar boa parte dessa estrutura. Em outras palavras, muita gente ficaria desempregada…

Assim, parece difícil que se retroceda nesse processo… Se não houver inimigo a combater, ele será inventado. Ou isso ou, repito, muita gente vai perder o emprego…

Terrorismo e segurança nacional

 Rubens Barbosa – Ex-embaixador do Brasil nos EUA (1999-2004)
Estadão, 11OUT2011

 Em artigo recente procurei mostrar que o mundo não mudou em decorrência dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, mas a sociedade norte-americana, sim. Os EUA nunca haviam sido atacados em seu território continental desde 1814, quando, na guerra anglo-francesa, depois da independência, a Casa Branca foi incendiada pelos ingleses. A alma americana foi profundamente afetada, o que explica a mudança rápida no comportamento do seu povo e do seu governo. Continuar lendo

EUA: contratação de mercenários para guerra cibernética

Uma nova modalidade de mercenários para uma nova forma de guerra. Sobre o assunto, aconselho o livro Cyber War, de Richard Clarke.

De toda maneira, os EUA já se mostram preocupados com o tema e seguem recrutando hackers. Passou da hora de pensarmos nisso por aqui.

Ademais, fico pensando o quanto que o Brasil não disporia desse valioso recurso. Temos que estar preparados para a guerra cibernética e nosso capital humano é excelente nesse sentido. Pronto, falei.

Government hankers for hackers

Photo
10:57am EDT

By Tabassum Zakaria

WASHINGTON (Reuters) – The National Security Agency has a challenge for hackers who think they’re hot stuff: prove it by working on the “hardest problems on Earth.”

Computer hacker skills are in great demand in the U.S. government to fight the cyber wars that pose a growing national security threat — and they are in short supply. Continuar lendo