Mais uma data a ser lembrada…

O dia 23 de março de 2019 é uma data que merece ser lembrada. Hoje, após anos de combates, a coalização ocidental que opera na Síria anunciou a queda de Baghuz, último reduto da organização que ficou conhecida como “o Estado Islâmico”, ou Daesh – passei a usar o termo Daesh, pois amigos árabes me disseram ser mais adequado.

Com a tomada da cidade pelas “Forças Democráticas Sírias” (FDS) – ou os “rebeldes moderados” tão aclamados por alguns meios aqui no Ocidente -, o projeto de poder de criação de um califado pelo Daesh fracassou. Até esse ponto, entretanto, foram muitos anos de dor, sofrimento, morte… Foram anos de violência exarcebada e de radicalismo, anos de imposição do terror a centenas de milhares pessoas… Sempre vale lembrar que o Daesh, conhecido pela extrema violência, dominou um território do tamanho do Estado de Minas Gerais, promovendo barbaridades que chocariam até membros de outras organizações terroristas. Esses fatos, certamente devem ser lembrados.

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Capture d’écran de la chaîne kurde Ronahi TV montrant les Forces démocratiques syriennes levant leur drapeau au sommet d’un bâtiment du dernier bastion de Daesh. AFP PHOTO / HO / RONAHI TV

Não entrarei neste post nas questões geopolíticas relacionadas à débacle do Estado Islâmico. Deixarei isso para publicações futuras. Mas lembro que a situação na Síria ainda não está totalmente pacificada. Convém que isso seja lembrado.

Agora acabou! Ao menos acabou a dominação do Daesh sobre milhares de seres humanos (sírios, curdos, iraquianos) de uma das regiões mais ricas em história e cultura no planeta. Acabou o osbcurantismo imposto pelo fundamentalismo religioso. Acabaram os estupros, o uso de escravas sexuais e como serviçais, as execuções em praça pública (transmitidas pela internet), o emprego de crianças para promover atrocidades, a violência contra homossexuais… Será que acabou mesmo?

Dificilmente a violência terá acabado para as populações que estiveram sob o jugo do Daesh nos últimos anos. Certamente ela diminuirá, esparamos que bastante. Mas os traumas físicos e psicológicos desse período de terror, de violações indescritíveis à dignidade humana, ainda continuarão com aquelas pessoas pelo resto da vida. Elas precisarão de cuidados, muitos e constantes cuidados. De toda maneira, a bandeira negra do Daesh não mais tremula naquelas cidades. Isso é algo que deve ser lembrado.

Reuters

Syrian Democratic Forces (SDF) fighters ride atop military vehicles as they celebrate victory in Raqqa, Syria, October 17, 2017. REUTERS/Erik De Castro

O fim da dominação do Daesh na Síria e no Iraque não é, inobstante, o fim da organização terrorista. Ainda há milhares de combatentes espalhados pela região e, pior, emigrando (alguns de volta) às cidades da Europa e das Américas. Com isso, o perigo de uma guerra nas sombras, com ataques no coração da civilização ocidental, permanece. A hidra teve suas cabeças cortadas, mas a experiência ensina que elas nascerão novamente. Eis um aspecto do esfacelamento do Daesh que deve ser lembrado.

De toda maneira, a data de hoje tem sua simbologia. Representa o fim do terror e possibilidade de uma nova vida para, repito, centenas de milhares de pessoas. Por aqui, importante ficarmos atentos. Mas, pelo momento, cabe comemorar e orar pelos mortos e pelos que enterraram seus mortos.

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Fallujah livre!

Notícia que chegou em boa hora: a cidade de Fallujah foi libertada das garras do Estado Islâmico. Cada vitória no guerra contra esses monstros deve ser celebrada! Não que o governo iraquiano seja muito gentil com seus cidadãos, mas qualquer coisa é melhor que estar sob o jugo do Daesh.

A guerra contra esses  facínoras está longe de acabar… ainda vai durar muito, para tristeza e desespero da população que vive sob a espada do ISIS ou é vítima dos conflitos no Iraque e na Síria. Diga-se de passagem, a responsabilidade do Ocidente, particularmente dos Estados Unidos, é grande nos dois casos: no Iraque, a coisa fugiu ao controle depois que George Walker Bush elegeu Saddam Hussein seu inimigo e resolveu apeá-lo do poder (às custas da destruição de um país inteiro); na Síria, o apoio de outro Hussein (o Barack Obama) a grupos insurgentes contra o (estável, ainda que tirano) regime de  Bashar al Assad, já ceifou centenas de milhares de vidas e gerou a maior crise de refugiados desde o fim II Guerra Mundial.

De toda maneira, o que conta agora é esmagar o Estado Islâmico. Se os ocidentais não conseguirem, espero que os russos sejam mais efetivos. E que essa corja seja riscada da face da terra…

Forças iraquianas anunciam libertação de Fallujah

DW, 26/06/2016

Militares afirmam terem recuperado último bairro ainda em poder do “Estado Islâmico”. Operação para reconquista começou em maio e obrigou 85 mil civis a deixarem a cidade.

Soldados iraquianos exibem bandeira do EI ao contrário em Falluja

As forças iraquianas anunciaram neste domingo (26/06) terem libertado totalmente Fallujah, uma cidade do oeste do Iraque nas mãos do grupo extremista “Estado Islâmico” (EI) desde janeiro de 2014.

 

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