Tags

, , , , , , ,

china-russiaGosto do bom humor dos russos, sobretudo da maneira como eles falam ao mundo! A notícia de hoje do Sputnik News que resolvi compartilhar me fez lembrar aquelas clássicas do Pravda ou do Izvestia da época da Guerra Fria: “China: cooperação naval com Rússia contribui para estabilidade mundial”. O mais interessante é que a manchete reproduz a declaração oficial de Pequim sobre a aproximação entre o Urso e o Dragão!

Há razões para se ficar atento a essa aproximação entre chineses e russos? Bom, eu ficaria de olho, sobretudo porque se trata de cooperação na área militar e em um momento que Moscou vê antagonistas em Washington e Bruxelas e que Pequim se incomoda com Tóquio estabelecer a possibilidade de emprego de suas forças armadas fora do território japonês. Chineses e russos se aproximaram há 65 anos e essa relação gerou incômodos para o Ocidente. Foi preciso alguém brilhante como Kissinger para descosturar essa aliança (além da conjuntura da época). Não sei se temos um Kissinger hoje. Não sei se os ocidentais sabem lidar com os russos e com Putin em particular (salvo por Frau Merkel… Frau Merkel sabe… gosto de Frau Merkel!). E a China… bem, a China é sempre muito complexa…

2014111908561510513A OTAN deve colocar as barbas de molho? Sempre. Putin, acuado pelo embargo ocidental, pressionado pela crise econômica (com desvalorização significativa do do rublo), e com situações tensas com países vizinhos, pode tentar manobras que seriam impensáveis para os analistas internacionais do lado de cá, que raciocinam sob a perspectiva de quem vive e se forma no regime democrático. Quanto aos chineses… os chineses estão lá, jogando o seu jogo e com a experiência milenar de lidar com os bárbaros.

O que estou tentando assinalar é a preocupação que se deve ter no Ocidente se ocorrer realmente uma aproximação entre russos e chineses no campo militar. Uma coisa é certa: a paz mundial não será garantida pela aproximação entre russos e chineses, mas pela maneira como esses lidam com sua próprias idiossincrasias e com os interesses dos ocidentais. Tenho receio de toda “aproximação para garantia da paz mundial” nos termos apresentados por russos e chineses. Até porque a paz mundial é tão frágil quanto uma casca de ovo…

Segue a matéria da Sputnik News. 

China: cooperação naval com Rússia contribui para estabilidade mundial

“A cooperação naval entre Rússia e China é uma contribuição para paz e a estabilidade na região e no mundo inteiro”, disse um representante do ministério da Defesa chinês à agência Sputnik.

12:20 29.07.2015

A cooperação naval entre China e Rússia contribui para manter a estabilidade mundial. A declaração é do ministério da Defesa da China, ao comentar a recém-publicada nova doutrina naval da Rússia, que prevê uma estreita cooperação com China e Índia.Foi ressaltado também que a cooperação entre as marinhas dos das duas potências é “um elemento importante para o desenvolvimento das relações bilaterais”, e que “ultimamente os países têm realizado exercícios navais conjuntos com sucesso”.

Em maio no Mar Mediterrâneo foram realizados os exercícios navais conjuntos sino-russos “Cooperação Naval — 2015”. Eles tornaram-se uma importante demonstração da prontidão das Forças Armadas russas e chinesas de operar longe de seu próprio território, realizando uma missão comum. Em agosto deste ano, os marinheiros russos e chineses vão mais uma vez provar as vantagens do trabalho conjunto, desta vez no Oceano Pacífico. Nos exercícios conjuntos no Mar do Japão vão participar cerca de 20 navios de guerra e embarcações de apoio de várias classes, bem como aviões e helicópteros da aviação naval.No último domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, aprovou a versão modificada da doutrina naval do país, que enfatiza a presença militar russa no Atlântico e no Ártico.

Segundo o vice-primeiro-ministro russo, Dmitry Rogozin, as mudanças na doutrina respondem à evolução da situação política global, em particular o “desenvolvimento ativo da OTAN” e da reintegração da Criméia e de Sevastopol à Rússia.

Fonte: http://br.sputniknews.com/mundo/20150729/1701755.html

Anúncios