OTAN: agora tudo se resolve! (só que não)

nato_summit_2014_fightersAlguém na OTAN descobriu que a organização é uma aliança militar! Pois é, na cúpula realizada no País de Gales (com direito a show de aviõezinhos sobrevoando palanque e soltando fumaça colorida – quero ver fazer isso nos céus da Estônia, da Polônia ou próximo a Kaliningrado), os líderes decidiram pelo envio de uma “força de ação rápida” para garantir a defesa e a integridade territorial dos países-membros do Leste Europeu contra uma agressão externa (leia-se, da Rússia).

Há quem comemore essa atitude da Aliança Atlântica como um “ato de força que conterá o expansionismo de Moscou” e restabelecerá as boas relações no continente. Afinal, é a OTAN, né? Quem ousar se meter com ela terá uma resposta de 28 nações, com um potencial bélico significativo. Ok, só que não consigo acreditar nessa disposição de endurecer com a Rússia – será que Putin acredita? Será que os próprios líderes da OTAN acreditam?

A iniciativa aprovada hoje mais parece uma tentativa de se dissimular a incapacidade de ação. Entendi dois recados aí. O primeiro, para os países do Leste, particularmente os estados bálticos e a Polônia (sempre a Polônia), é uma mensagem para acalmar os nervos daquela gente (afinal, os líderes dali devem estar à base de Rivotril com o risco de “intervenção humanitária” russa): “Não se preocupem! Estamos juntos! Não vão atacar vocês porque sabem que estão sob nosso guarda-chuva! Acalmem-se!” – só que os poloneses já ouviram isso antes, há exatos 75 anos… e estonianos, letões e lituanos sabem o que são quatro décadas de ocupação russa.

Putin-em-desfile-militar-size-598O segundo recado foi para a Rússia: “A OTAN garantirá a defesa e integridade de seus países-membros! Temos garras (apesar de garras com unhas pintadas há algum tempo)! Não mexa conosco!” Só que o outro lado disso é que… a Ucrânia não é membro da OTAN. Portanto, para meio entendedor, fica claro que a Organização não vai dar passos mais largos do que esses contra o Urso. Seria temerário fazer alguma coisa mais incisiva…

Haveria um terceiro recado, este para a Ucrânia: “Vejam bem, a coisa não está boa para vocês. Damos apoio total a seu pleito… exceto apoio militar. Não esperem que encaremos a Rússia para defender russos (tá, ucranianos… mas vocês não são todos soviéticos?!?!?). E tratem logo de negociar a paz e aceitar os termos de Moscou. Tudo vai ficar bem!”.

nato_summit_2014Enfim, a incapacidade da OTAN para gerenciar essa crise me faz lembrar a habilidade da Liga das Nações nos momentos tensos dos anos 1930. E vai acabar com o mesmo destino: virar uma organização só para sustentar sua própria burocracia e com pouca ou nenhuma influência real no mundo. Não dá para desaparecer como o Pacto de Varsóvia. Será portanto, um morto-vivo errante pela política mundial…

É assim que vejo a crise da Ucrânia. Não há líderes ocidentais que tenham coragem de (juntos ou isoladamente) encarar Putin e conter suas pretensões… a não ser, claro, Frau Merkel. Aprendam com essa mulher. Ela é durona e uma boa interlocutora junto aos russos (que conhece bem). Gosto de Frau Merkel. Mas também gosto de Putin. Putin é KGB.

Otan aprova presença militar contínua no Leste Europeu

Deutsche Welle, 05/09/2014 – Link permanente http://dw.de/p/1D7mQ

Diante da atual ameaça representada pela Rússia, líderes acertam criação de nova força de reação rápida e manutenção de tropas nos países orientais da aliança.

Os líderes da Otan aprovaram nesta sexta-feira (05/09), durante cúpula no País de Gales, a criação de chamada força de reação rápida e a manutenção de uma presença contínua no Leste Europeu, onde alguns países-membros estão preocupados com os movimentos russos na Ucrânia. A nova “ponta de lança”, como também é chamada a força de reação rápida, deverá ser formada por milhares de soldados, prontos para entrar em ação em poucos dias.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que a nova unidade enviará uma mensagem clara para potenciais agressores, como a Rússia. “Se você pensar em atacar um aliado, estará de frente com toda a aliança”, declarou ele durante o encerrameno do encontro de dois dias.

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Kiev em duas semanas

Putin (1)A Rússia sempre teve sua História marcada por líderes fortes. Desde Ivã, o Terrível, passando por Pedro I, Catarina, a Grande, Alexandre II, Josef Stálin, para governar o maior país do globo parece que um punho de ferro tem sido o mais conveniente… Os fracos não têm muito espaço naquelas terras – vide o que aconteceu com Nicolau II, homem bom, mas que vacilou em um momento de extrema importância e sacrificou sua dinastia.

Nas últimas três décadas, certamente o nome forte que marcará a História russa é o de Vladimir Putin, ou Vlad, o Terrível. Jogando com ousadia e firmeza uma partida com as grandes potências, Putin tenta recuperar o prestígio da Grande Rússia, aí incluídos  territórios e pessoas que o perdidos desde o colapso da União Soviética. O alvo agora é a Ucrânia… mas, como assinala a reportagem da Deutsche Welle, os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) já colocam as barbas de molho (e devem colocar mesmo!).

“Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas!” – essa frase, que teria sido dita por Putin ao Presidente da Comissão Européia, Durão Barroso, é bastante elucidativa do que está disposto a fazer o novo czar. E também do que ele pode fazer. Não acho que vá passear pelas ruas da capital ucraniana nos próximos dias… mas, com uma ameaça como essa, pode conseguir mais um pedaço daquele país… Isso é o que se chama “botar um bode na sala”. Claro que tudo vai depender de como reagem os ocidentais.

Putin está jogando. Está testando a União Européia e os EUA. Conhece as fraquezas e vulnerabilidades de seus antagonistas e as suas próprias. Sabe que a Europa continua atemorizada e divida e, realmente, pouco disposta a fazer alguma coisa mais firme pelos ucranianos (que, repetirei sempre, e por mais cínico que isso pareça, estão e sempre estiveram na zona de influência russa). Por outro lado, há sempre a paúra de que a Rússia continue sua expansão rumo a oeste – é um medo atávico, irracional. Não acredito que Putin fosse além das tradicionais fronteiras… soviéticas.

Continuando a análise sobre os antagonistas de Moscou, do outro lado do Atlântico, um líder que parece perdido, e que se revela surpreendentemente fraco e titubeante ao lidar com questões de política externa. Há muito não se via um Presidente dos EUA demonstrando tanta inabilidade ao lidar com os russos (talvez porque seja ela da geração pós-Guerra Fria). Claro que, diante desse quadro, Putin não vacila… e tenta abocanhar o quanto mais puder. Três décadas depois, parece haver uma inversão de papéis no temperamento dos líderes estadunidense e russo. Nos anos oitenta, Reagan era firme e Gorbatchev vacilante (gosto muito de Gorbatchev, que fique claro… e de Reagan).

Interessante que não há como não pensar na Europa do final dos anos 1930, quando britânicos e franceses conduziram uma malfadada política de apaziguamento diante das pretensões de um certo chanceler alemão. Deu no que deu. E, por falar em alemães, a solução para essa crise parece repousar cada vez mais na habilidade política da única entre os líderes europeus que ainda se mantém firme: Frau Merkel. Ainda bem que Frau Merkel está lá. Como alemã oriental, a Chanceler conhece bem os russos e conhece Putin. Sabe como Putin joga e, de fato, resta como a esperança do Ocidente para, como diria Garrincha, “negociar com os russos”. Se isso não acontecer, o tempo continuará nublado e cada vez mais sujeito a chuvas e trovoadas.

Gosto de Frau Merkel. Gosto de Putin. Putin é KGB.

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Putin: “Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas

Líder russo teria feito ameaça ao presidente da Comissão Europeia durante telefonema momentos antes da cúpula da UE, segundo jornal italiano. Merkel adverte que não se pode confiar no Kremlin.

Philip Verminnen – Deutsche Welle, 01/09/2014 – Link permanente http://dw.de/p/1D52c

“Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas.” Em meio ao agravamento da crise no leste ucraniano, a frase teria sido dita pelo presidente russo, Vladimir Putin, ao presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, em conversa telefônica.

A informação é do jornal italiano La Repubblica. Barroso comunicou o ocorrido aos chefes de Estado e de governo presentes na cúpula da União Europeia, em Bruxelas, no último sábado (01/09). Continuar lendo

A crise da Ucrânia e o gás para a Europa

gas_ucraniaHá muito não se vive um momento tão tenso na Europa. Os líderes europeus parecem ter esquecido como lidar com a Rússia. E também esqueceram que, há cerca de setenta anos, havia 7 milhões de soldados soviéticos em território europeu.

Ok, muita coisa mudou. Porém, a Ucrânia continua zona de influência russa, goste-se disso ou não. E Moscou não vai aceitar resignado que Kiev migre para a esfera de Bruxelas (nem na União Europeia e muito menos na OTAN). Quando a corda apertar, a pergunta que se vai fazer é “quantas divisões tem Durão Barroso?”. Outra questão possível é: quanto de gás tem a Europa?

Sim, muita coisa mudou desde que as hordas bolcheviques marcharam sobre a Europa. A própria Europa mudou. Os anseios europeus mudaram. A Rússia, porém, não mudou muito. A Rússia será sempre a Rússia. E o inverno está chegando…

Segue artigo interessante da RIA NOVOSTI (percepção russa, portanto), sobre a crise relacionada à aproximação da Ucrânia com a União Européia.

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RIA Novosti

The EU and Russia Policy: Happily Forgotten Lies

21:47 02/09/2014

MOSCOW, September 2 (RIA Novosti) – Some of the world’s worst criminals claimed that they committed their crimes in a fit of forgetfulness or oblivion, without actually realizing they were doing something wrong. Khodorkovsky for example complained to the German magazine Der Spiegel that he “sometimes suffers from memory holes.”

But of all the powerful people in the world, the EU commissioners are probably the most forgetful. When scanning their statements on Ukraine, one gets an impression of dealing with individuals who forget not only their own words but even of locations where they happen to be or to have been. Here are some examples. Continuar lendo

Sobre a crise na Ucrânia

Em continuidade àquela idéia de colocarmos vídeos em Frumentarius com reflexões sobre um pouco de tudo, seguem algumas breves considerações sobre a crise da Ucrânia. Creio que meus alunos de Relações Internacionais e de Direito Internacional possam se interessar. Abraço!

Verdade inquestionável

Notícia publicada pela RIA NOVOSTI no último dia 30, segundo a qual o Presidente em exercício da Ucrânia, Olexandr Turchynov, teria declarado a incapacidade das forças ucranianas comandadas por Kiev de retomar o controle das áreas separatistas do leste do país. Ao “jogar a toalha”, Turchynov abre espaço para mais avanços de Moscou, inclusive com iniciativas separatistas em outras partes da Ucrânia, como a que acaba de ocorrer em Odessa. A tensão aumenta e a coisa só piora para a Ucrânia…

Turchynov

RIA Novosti

Ukraine Unable to Control Situation in East – Acting President

13:15 30/04/2014

Acting Ukrainian President Olexander Turchynov on Wednesday confessed that security officials are incapable of taking under control the situation in eastern Urkaine’s Luhansk and Donetsk regions.

KIEV, April 30 (RIA Novosti) – Acting Ukrainian President Olexander Turchynov on Wednesday confessed that security officials are incapable of taking under control the situation in eastern Urkaine’s Luhansk and Donetsk regions. Continuar lendo

Ucrânia: a situação cada vez mais russa…

ucrania_guerra civilNuvens negras sob os céus da Ucrânia. Separatismo, conflito entre tropas ucranianas e forças pró-Rússia, aeronaves ucranianas abatidas, dezenas de mortos. Indubitavelmente, a guerra civil começou na terra originária dos povos eslavos. Novas frentes são abertas, inclusive na famosa cidade de Odessa, na costa do Mar Negro. Ou seja, os distúrbios do leste chegam a outras partes do país, cujo esfacelamento parece questão de tempo… E quanto mais Kiev se mova, mais Moscou reagirá… Enquanto isso, Washington, Bruxelas e Berlim mantêm a apatia e a inércia.

É surpreendente a possibilidade de um conflito interestatal clássico na Europa no início do século XXI. Mas há possibilidade de que isso ocorra. E o Ocidente vê-se diante de situação tremendamente delicada. Afinal, o antagonista é a Rússia, e a Rússia liderada por Putin. Sob uma perspectiva pragmática, é muito complicado qualquer movimento contra o urso… pobres ucranianos!

Desde o início acompanho a crise na Ucrânia. E desde o início tenho dito que Putin continuará calculando seus movimentos e se expandindo em busca de mais áreas de influência. Afinal, lembro que não foram poucas as vezes em que as relações internacionais foram comparadas a um complexo jogo de xadrez. E os russos são conhecidos tradicionalmente como grandes enxadristas…

Segue excelente artigo da Reuters sobre a situação na Ucrânia…

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Dozens die in Odessa, rebels down Ukraine helicopters

Reuters, 02MAIO2014, By Maria Tsvetkova

SLAVIANSK, Ukraine (Reuters) – Dozens of people were killed in a fire and others were shot dead when fighting between pro- and anti-Russian groups broke out on the streets of Odessa on Ukraine’s Black Sea coast on Friday, opening a new front in a conflict that has split the country. Continuar lendo

A crise da Crimeia sob uma perspectiva russa…

Alexander ChekalinExcelente artigo da Der Spiegel sobre a maneira como o Kremlin percebe a situação da Crimeia. Recomendo a leitura, sobretudo a meus alunos de Relações Internacionais. Muito interessante o fato de, como assinala o texto, a popularidade de Putin ter saltado de 67% à época dos jogos de Sochi para cerca de 80% hoje. Isso significa o apoio que o governante tem da população, que o vê como um líder forte e obstinado (exatamente do que os russos gostam…). Note-se, ainda, que até Gorbachev, prêmio Nobel da Paz, e último dirigente da União Soviética, fala em defesa de uma Crimeia na Federação da Rússia.

As perguntas centrais do artigo também merecem reflexão: a “reunificação”  da Crimeia é apenas mais um movimento contrário à redução da Rússia à condição de potência regional, em uma tentativa de recuperar a influência da época soviética, ou se trata do começo de uma série de “reconquistas” de um país que há séculos se vê como a potência hegemônica da Europa Oriental? Seria Putin um neoimperialista ou um líder que, colocado contra a parede pelas pressões domésticas e pelos desafios externos, mostra-se decidido em proteger os interesses de segurança nacional de seu país?

RUSSIA-UKRAINE-POLITICS-CRISIS-KREMLINOutra questão interessante se refere à percepção estratégica para a Defesa da Rússia diante da OTAN. O artigo assinala com propriedade que, nos tempos da União Soviética, a distância entre Moscou e as linhas da OTAN era de 1.800 km. Caso a Ucrânia ingresse da Aliança Atlântica (como desejam os EUA), essa distância se reduzirá a 500 km, e a Rússia perderia a “profundidade estratégica” tão relevante e que a protegeu das invasões de Napoleão e Hitler… Sete décadas após o fim da II Guerra Mundial, essa preocupação se mantém presente no imaginário daquele povo e na doutrina militar russa. Nesse sentido, continuo achando que o ingresso da Ucrânia na OTAN seria não só humilhante, mas inaceitável para Kremlin (e com razão, se considerarmos a perspectiva russa).

Destaco, por oportuno, a parte do artigo que se refere às possibilidades russas diante da crise e das restrições que lhe são feitas pelos ocidentais. No que concerne à Ucrânia, Putin tem o tempo e as populações russas naquele país a seu favor. Afinal, apesar das reticências do governo de Kiev, o país ainda é muito dependente de seu irmão-maior eslavo, e a minoria russa na Ucrânia é expressiva. Em termos de potências ocidentais, parecem que estas têm mais a perder do que a Rússia em uma queda de braço com Moscou. A economia européia depende mais da energia russa que os russos do comércio com a Europa. 

Finalmente, em se tratando de oportunidades, restrições ocidentais à Rússia podem fazer com que o maior país do mundo se volte para a Ásia, com novas parcerias com a China e a Índia (ambos que necessitarão, cada vez mais, de energia e matéria-prima que os russos têm de sobra). Nesse contexto, oportunidades podem surgir também para países mais afastados, como o Brasil. A falta de posicionamento do governo brasileiro nesta crise pode ser, em última instância, positiva para os interesses econômicos e geopolíticos do Brasil – desde que saiamos, alguma hora, da inércia.

Continuo acreditando que a anexação da Crimeia pela Rússia é fato consumado. Muito difícil reverter essa situação. O jogo, porém, não acabou. Ainda há muitas peças neste tabuleiro, e nenhum dos reis está nem de longe em xeque. Enquanto acompanhamos os movimentos, aproveito para lembrar que os russos são conhecidos por sua habilidade no xadrez…

People pass a mural showing a map of Crimea in Russian national colours on a street in Moscow

SPIEGEL ONLINE
03/25/2014 06:10 PM

‘Dear to Our Hearts’ – The Crimean Crisis from the Kremlin’s Perspective

By Matthias Schepp

The EU and US have come down hard on Russia for its annexation of the Crimean Peninsula. But from the perspective of the Kremlin, it is the West that has painted Putin into a corner. And the Russian president will do what it takes to free himself.

Last September, Vladimir Putin invited Russia experts from around the world to a conference, held halfway between Moscow and St. Petersburg. At the gathering, the Russian president delivered a passionate address. “We will never forget that Russia’s present-day statehood has its roots in Kiev. It was the cradle of the future, greater Russian nation,” Putin said. He added that Russians and Ukrainians have a “shared mentality, shared history and a shared culture. In this sense we are one people.”

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O Urso está lá… e tem fome.

Matéria interessante da Deutsche Welle sobre o temor das ex-repúblicas soviéticas das pretensões expansionistas russas… Não acredito que Putin fará outros movimentos expansionistas por agora… Isso não quer dizer que ele parou com suas idéias de aumentar a esfera de influência de Moscou. Lembrem-se, Putin é KGB.

De toda maneira, se eu tivesse a Rússia como vizinho também estaria preocupado (menos a China, claro, porque a China não precisa se preocupar…).

Ex-repúblicas soviéticas na mira de Moscou

Depois da Crimeia, outros vizinhos da Rússia podem ser vítimas do novo expansionismo de Putin. DW examina as situações dos diferentes países, do Báltico ao Cáucaso, passando pela União Europeia.

DW 22/03/2014

Após a anexação da península da Crimeia à Federação Russa, observadores se perguntam se o presidente Vladimir Putin teria na mira outros países na periferia da Rússia. A Deutsche Welle apresenta os eventuais candidatos na campanha expansionista do Kremlin.

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Crimeia: agora a coisa está russa!

putin_acordo5-640x427Nesta sexta, um decreto de Vladimir Putin confirmou o ingresso da Crimeia na Federação da Rússia. As pessoas têm-me perguntando a respeito. Algumas reflexões, portanto:

1) Difícil dizer se Putin tem uma “grande estratégia” para a região, para o entorno soviét…, digo, russo, ou mesmo para uma política externa retrô, que reviva os tempos da Guerra Fria. Mas, o que posso dizer é que, indiscutivelmente, Putin e Levrov não são bobos ou ingênuos nesse jogo, e não agem movidos por emoções ou achismos. Sabem que estão em um jogo, um grande jogo, e calculam seus movimentos…

2) Com o referendo de 16 de março, do qual participaram 1,2 milhão de eleitores (de um total de 1,5 milhão aptos a votar), 96,8% dos votantes decidiram pela incorporação à Rússia. Apesar da presença de tropas russas disfarçadas de russas e das críticas ocidentais, parece pouco crível que o povo da Crimeia não quisesse essa opção. Afinal, 58% dos habitantes são russos, a região sempre pertenceu à Rússia e é área de interesse estratégico do Kremlin. Vejo aí uma iniciativa brilhante de Moscou, pois o valioso princípio da autodeterminação dos povos, tão caro dos ocidentais, imperou nas urnas. O que pode ser dito contra 96,8% de eleitores? Valeria a pena afrontar os russos por algo que a população da península decidiu?

manchetes-russia-ucrania-crimeia-g73) A Crimeia volta, portanto, à Rússia, onde sempre esteve e de onde nunca deveria ter sido tirada (o que ocorreu por uma decisão de Krushev, em 1954). E, em que pesem os protestos de Kiev, parece fato consumado. Afinal, já foi dada a ordem para as tropas ucranianas deixarem o território da Crimeia e os ocidentais, apesar dos protestos, não ousaram movimentos mais firmes.

4) Moscou ganha a Crimeia, mas perde a Ucrânia. Nesse sentido, Kiev deve migrar para a esfera de influência da União Européia. Resta saber se os russos vão deixar isso acontecer, pois pareceria uma derrota da política externa de Putin.

crimeia russia5) Diante da reação tísica do Governo Obama, e da resposta firme de Moscou, parece que essa jogada foi vencida pelo Kremlin. Daí para imaginar um abalo mais profundo nas relações entre russos e estadunidenses, creio que isso não ocorrerá… As forças agregadoras são maiores.

6) As tropas da OTAN já estão em alerta na Polônia e nos Países Bálticos. Tudo indica que os russos pararão na Crimeia (ao menos por enquanto). De toda maneira, se fosse da OTAN estaria com as barbas de molho…  E não me surpreenderia se Moscou começasse a reorganizar um novo Pacto de Varsóvia (o que faria tremer todo mundo a Oeste do Dnieper – menos os bielorrussos, que serão sempre aliados dos russos).

Continuamos atentos aos desdobramentos nas terras eslavas… Ainda não acabou…

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RIA Novosti

Putin Signs Final Crimea Reunification Decree

17:37 21/03/2014

Russian president Vladimir Putin signed a decree Friday on the ratification of the treaty providing for the reunification of the Crimean Peninsula with Russia.

MOSCOW, March 21 (RIA Novosti) – Russian President Vladimir Putin signed a decree Friday on the ratification of the treaty providing for the reunification of the Crimean Peninsula with Russia.

The treaty had been already ratified by both houses of the Russian parliament. Continuar lendo

Guerra cibernética na Ucrânia

cyberattackEnquanto no Brasil se comemora o resultado do desfile das escolas de samba do grupo especial (hein?), na Ucrânia a situação está cada vez mais russa… Segue artigo muito interessante, enviado por um caríssimo amigo lá do Timor Leste, que trata de ataques cibernéticos contra aquele país.

Lembro que a guerra neste novo século pode-se dar em diferentes cenários, com as armas mais distintas. E um campo absurdamente sensível é o cibernético. Daí a importância de estarmos preparados… Daí meu pleito por investimento maciço em segurança e defesa cibernética. Os danos de um ataque no mundo virtual podem ser tão ou mais nefastos que um ataque com mísseis ou com a infantaria contra um território. Ah sim, atentem na reportagem para o comentário sutil sobre a origem do ataque.

Em tempo, sempre convém lembrar que, por ocasião da guerra entre a Rússia e a Geórgia, em agosto de 2008, antes que a primeira bota russa estivesse em solo georgiano, os sistemas deste país já haviam colapsado sob ataque cibernético. Mas, por aqui, o que importa é quem venceu o desfile do grupo especial…

Finantial Times – March 7, 2014 7:25 pm

Cyber Snake plagues Ukraine networks

By Sam Jones, Defence and Security Editor
A magnifying glass is held in front of a computer screen©Reuters

An aggressive cyber weapon called Snake has infected dozens of Ukrainian computer networks including government systems in one of the most sophisticated attacks of recent years.

Also known as Ouroboros, after the serpent of Greek mythology that swallowed its own tail, experts say it is comparable in its complexity with Stuxnet, the malware that was found to have disrupted Iran’s uranium enrichment programme in 2010.

 The cyber weapon has been deployed most aggressively since the start of last year ahead of protests that climaxed two weeks ago with the overthrow of Viktor Yanukovich’s government. Continuar lendo