Frumentarius

Pensando um pouco de tudo…

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As primeiras gotas da Grande Tormenta

hitler_stalin_same2014 é um ano de grandes efemérides nos campos político e militar: 150 anos do início da Guerra do Paraguai e da Primeira Convenção de Genebra, 60 anos da morte de Getúlio Vargas, 50 anos do movimento de 31 de março de 1964, 100 anos do começo da Grande Guerra, 70 anos do Dia D (6 de junho) e da Conferência de Bretton Woods, só para lembrar alguns…

Não obstante, o dia 1 de setembro jamais será esquecido, em razão de um evento que em 2014 completa 75 anos: o início da II Guerra Mundial. Naturalmente, essa data não poderia ser esquecida em Frumentarius.

As origens do maior conflito por que já passou a humanidade podem ser encontradas no fim da guerra anterior, a Grande Guerra de 1914 a 1918: o Tratado de Versalhes e a responsabilização da Alemanha, que levariam à revolta dos alemães contra o que lhes fora imposto pelos vencedores; a inabilidade das Potências europeias em garantir a segurança coletiva por meio da Liga das Nações; o apaziguamento de britânicos e franceses diante dos anseios expansionistas de Adolf Hitler que, por sua vez, conseguira reerguer o país e recuperar o moral da população e desejava, a todo custo, o espaço vital para construir o império de mil anos… Tudo isso culminaria nos acontecimentos de 1 de setembro de 1939.

De fato, em 1939, a Política Exterior do III Reich parecia que conduziria a Alemanha a uma guerra avassaladora e definitiva contra seu maior rival, a União Soviética. Era o que esperavam franceses e britânicos, que sob a égide do discurso apaziguador, aguardavam ansiosos o momento em que, com seus movimentos expansionistas rumo ao Leste, Adolf Hitler entraria diretamente em choque com o outro grande ditador de seu tempo, Josef Stálin. Então aconteceria o tão esperado confronto entre os dois gigantes totalitários, o III Reich e a União Soviética, que culminaria na destruição de um e no enfraquecimento do outro, ou no colapso de ambos, o que beneficiaria sobremaneira as Potências ocidentais.

soviet_nazi_pact_1Mas Londres e Paris não contavam com o improvável: em 23 de agosto daquele ano, era assinado o Pacto Molotov-Ribbentrop, a aliança entre a Alemanha nazista e a União Soviética comunista, a inconcebível aproximação entre os dois inimigos tradicionais, o aperto de mãos (simbólico) entre os tiranos Hitler e Stálin. Aquele Tratado permitiria a expansão alemã para o Leste, a invasão, ocupação e partilha da Polônia. Aquele acordo deixaria atônitos britânicos e franceses.

a74ccf7c57b9858192d4630c18f8531dE foi exatamente o que aconteceu: um semana depois, diante dos olhares perplexos do mundo, na madrugada de 1 de setembro, tropas alemãs cruzavam a fronteira da Polônia. Apesar da bravura e do empenho em conter o inimigo, os poloneses não resistiriam mais que seis semanas à máquina de guerra germânica, associada ao ataque maciço do Exército Vermelho, que cruzou a fronteira vindo do Leste alguns dias depois. Alemães e soviéticos se encontrariam em Brest-Litovskyi, exatamente onde fora celebrado o tratado de paz entre o Reich Alemão e o governo bolchequive, em março de 1918 (tratado que, verdadeiramente, era a humilhante capitulação da Rússia na I Guerra Mundial).

A partir daquele primeiro dia de setembro, os sinos seriam silenciados por longos seis anos nas igrejas da Europa. Dor, sofrimento, destruição e morte seriam infligidos a outros povos como nunca se vira. E o conflito iniciado em solo polonês se expandiria pelo continente e por todo o planeta, culminando na perda de algo como cem milhões de vidas humanas. O acontecimento de 75 anos passados seria o começo da maior e mais trágica tormenta da História…

Polen, Schlagbaum, deutsche Soldaten

Mentira, Escola, Memória

20140822_182047Fui buscar minha filha na escola. Lá chegando, deparei-me com os trabalhos das crianças sobre o “governo militar” expostos em murais nas paredes externas da sala. O conjunto era um show de horrores, irritante… e confirmei o que temia: o ensino está completamente ideologizado, há uma “versão oficial” (e deturpada) da História, e o que é ensinado em sala de aula está impregnado de forte preconceito! Fiquei enraivecido, indignado com o que se prega hoje na escola!

20140822_182110As fotos falam por si. Deixarei que o leitor as veja e avalie. A versão do período ensinada a nossas crianças é de violência, repressão, censura e morte – e só isso! Ah, sim! Claro que só por parte do Estado. Do outro lado estavam jovens combatentes da liberdade (muitos dispostos a tudo, inclusive a matar inocentes, para transformar o Brasil em uma Albânia comunista)! Não havia qualquer referência a atendados terroristas, a guerrilha rural, a discursos inflamados que pregavam o comunismo como a solução e a luta como o caminho para se alcançar esse objetivo! Será que se perdeu a memória disso?

20140822_181949Certamente, houve abusos, violência e morte perpetrados por agentes do Estado nos 21 anos de regime militar no Brasil (hoje isso não existe mais, certo?!?). E não se pode deixar de contar esses fatos às futuras gerações. Mas o que realmente me incomodou é maneira absolutamente parcial como ensinam nossos filhos a respeito! Irrita-me a imagem que se constrói de uma época em que o Brasil alcançou novos patamares de desenvolvimento, que o País industrializou-se, que o civismo era ensinado em sala de aula, havia segurança e ordem! Mas não é o que se tem aprendido nos bancos escolares. E, nesse contexto, mentiras logo se tornam verdades absolutas!

Absurdo que não se ensine, por exemplo, que havia terrorismo no Brasil, que vivíamos em um clima de guerra suja (guerra pressupõe, no mínimo, duas partes em conflito), e que tanto os agentes do Estado que reprimia, quanto os opositores àquele regime (os que optaram pela resistência pacífica e os que recorreram à luta armada e ao terror) eram, em sua absoluta maioria, peças em um jogo de poder entre as Grandes Potências, os dois blocos e seus respectivos serviços de inteligência. Sim, porque para se entender o período é fundamental que se compreenda que vivíamos em clima de disputa bipolar e que imperava o embate ideológico!

20140822_182002Quero que se ensine a meus filhos sobre o período militar, certamente. Mas quero que esse ensino envolva a valorização da democracia e a defesa da alternativa democrática como a única aceitável. Não quero cartilhas tendenciosas, ideologicamente orientadas, que identificam nossos militares (de ontem, mas também de hoje) como monstros desalmados. Não quero esse maniqueísmo e essa parcialidade no ensino da História às gerações mais novas.

Tudo isso me faz refletir sobre como se está contando a História do Brasil nos dias de hoje. Livros que relatam a versão de apenas um dos lados não merecem meu respeito. São eles, porém, os adotados nas escolas. E, simplesmente, ensina-se que, de um lado, havia monstros desalmados (que usavam farda) e, do outro, pessoas comuns que eram perseguidas, torturadas e exterminadas. Só que não foi bem assim, não é?20140822_182057

Estou considerando como irei à direção da escola para tratar do tema. Afinal, gosto muito da instituição de ensino onde estuda minha filha, bem como do profissionalismo e seriedade da professora da pequena. Mas acho, sinceramente, que se deve registrar que estão impondo uma versão deturpada da História a nossas crianças. Será que caminhamos para trás?

Não escreverei mais nada. Estou muito abespinhado para isso. Repito, deixarei as imagens falarem por si. E mostrarem como nas escolas, a mentira impregna nossos filhos e arrasa com nossa memória. Esse é apenas um exemplo do que está acontecendo com o Brasil: uma lenta, gradual e quase imperceptível mudança nos corações e mentes das pessoas, sob orientação clara de um discurso ideológico e doutrinário. É isso mesmo! Gramsci explica.

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Gente que insiste em adoecer à noite

fotos-filas-620-465Pois é! Finalmente (demorou!), o Secretário de Saúde do DF, Elias Miziara, foi demitido. Ele havia declarado que os problemas de saúde pública na capital de Pindorama estavam relacionados aos pacientes, que “têm o mau hábito de procurar os hospitais principalmente à noite”. Afinal, que história é essa do cidadão sair, depois, das 18h, em busca de um pediatra para o filho doente? A infeliz declaração ocorreu paralelamente à morte de um bebê, por falta de atendimento apropriado, no Hospital de Planaltina.

As duas notícias revelam o total descaso com a saúde pública no DF. Também são exemplo da falta de humanidade com que certos profissionais da área (que não representam a maioria, bom esclarecer) tratam pessoas que os procuram em busca de ajuda. Impressiona como certos profissionais da Saúde esqueceram um juramento que supostamente fizeram ao se consagrarem ao serviço do cuidado para com os enfermos.

Saude BrasilA falta de humanidade é um problema privado, pessoal de que mereceria ter seu diploma cassado. A falta de médicos, leitos e equipamentos hospitalares é um problema público e assinala, no mínimo, incapacidade do Governo de gerenciar a prestação de um serviço essencial à população. 

O que me incomoda é, como um Estado que consegue reunir dois bilhões de reais para um estádio de futebol (agora chamado “arena”, por questões de marketing, claro) não tem serviços públicos de qualidade, não oferece ao cidadão uma prestação tão essencial. Absurdo a oitava economia do mundo ter hospitais nas condições dos nossos, com pessoas tratadas como coisas, com pacientes jogados pelos corredores dos hospitais, deitados no chão, sofrendo e morrendo à espera de atendimento!

No Brasil de hoje, o que o cidadão que paga seus impostos e trabalha honestamente para tocar a vida tem que se preocupar é em não adoecer. Porque se ficar doente, não terá atendimento adequado nos hospitais públicos. Se precisar de uma UTI pública, entrará em uma fila de espera, uma fila de morte. E, se chegar com um filho doente a uma unidade de atendimento do Estado à noite, terá que voltar para casa (sobretudo se precisar de pediatra)…

E ainda há políticos que dizem que a Saúde no Brasil vai bem. Não vai. O Brasil está doente, física e mentalmente. Alguma coisa precisa ser feita. Ou isso, ou as pessoas terão que parar com esse péssimo hábito de adoecer…

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Conversando sobre a Grande Guerra

Ao longo dos próximos meses ainda teremos muitas publicações sobre a I Guerra Mundial, a Grande Guerra, o divisor de águas da História dos últimos duzentos anos… Afinal, passados cem anos do início daquele conflito, em agosto de 1914, muito se tem a aprender com ele, tanto em termos de relações humanas quanto no que concerne à política entre as nações.

Segue o link para uma entrevista dada por mim e por meu amigo e historiador, Dario Andrade, à Rádio Senado, sobre a Grande Guerra. Não consegui inserir os arquivos de áudio, por isso vá ao link, e procure a reportagem de 15/08/2014.

Homens indo para alistamento

 

Ajuda Humanitária Russa à Ucrânia

caminhoes russos ucraniaCoisa bonita de se ver! Caminhões russos levando ajuda humanitária aos ucranianos! Afinal, como disse o “Ministro das Emergências” sovié…, digo, russo, a ajuda humanitária é uma prioridade para Moscou (vide artigo a seguir)! Interessante também que com os caminhões com mantimentos chegam também voluntários (uniformizados, cabelo cortado, jeito de soldado russo vestido de voluntário, claro), sempre dispostos a trabalhar pelo bem do povo-irmão ucraniano!

Realmente, os ocidentais têm que aprender com o espírito da solidariedade entre os povos, espírito este cultuado à época do comunismo e da União Soviética! Isso me lembra uma piada contada na Polônia, quando o país pertencia ao bloco socialista:

voluntarios russos 2Dois arqueólogos, um soviético e um polonês, encontram um baú com moedas de ouro na fronteira entre os dois países. Ambos sabem que, de acordo com as leis, esse tesouro pertence a quem o encontrar.

“Camarada, vamos dividir o tesouro entre nós dois, fraternalmente!”, propõe o soviético!

“Dividir fraternalmente não, camarada! Vamos dividir meio a meio!”, retruca o polonês.

Segue o artigo da Ria Novosti, sobre a ajuda de Moscou aos ucranianos…

voluntarios russos

RIA Novosti

Russia’s Emergencies Ministry Says Humanitarian Aid to Ukrainian Refugees a Priority

10:06 19/08/2014

MOSCOW, August 19 (RIA Novosti) – Russia’s Emergencies Ministry plans to increase humanitarian aid to Ukrainian refugees, which it considers its priority task, Russia’s Deputy Emergencies Minister Vladimir Stepanov said.

“The number one task at this moment is to help Ukrainian citizens on Russia’s territory, to deliver them to the temporary settlements, to provide medical and psychological help, to feed them,” Stepanov said, adding that the government was helping with the projects. Continuar lendo

A declaração de guerra

GM_Aug5_1914_GB_Germ_at_WarO dia 3 de agosto de 2014 tem que ser lembrado. Afinal, há exatos cem anos, a Alemanha declarava guerra à França. No dia seguinte, após ter refutado seu pedido para atravessar o território belga para atacar a República Francesa (diante da solicitação alemã, o rei dos belgas teria dito que “a Bélgica não é uma estrada, a Bélgica é uma nação”), o Kaiser Guilherme II ordenou a invasão da Bélgica, país neutro. Como em um grande dominó, a Grã-Bretanha, em 4 de agosto, sob o argumento de garantia da neutralidade belga, declarou guerra à Alemanha. Logo seriam disparados os canhões de agosto.

Em uma semana, em razão da chamada política de alianças e dos tratados secretos: 

1) em 28/07: a Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia e a Rússia (aliada da Sérvia) decreta mobilização parcial contra a Áustria-Hungria;
2) em 31/07: a Rússia decreta mobilização total, o que significa, de fato, estado de guerra;
3) em 01/08: a Alemanha (aliada da Áustria-Hungria),  em resposta à mobilização russa, declara guerra à Rússia; e a França (aliada da Rússia) ordena mobilização geral (01/08);
4) em 03/08: a Alemanha então declara guerra à França e invade dá um ultimato à Bélgica, pedindo passagem para atacar os franceses.
5) em 04/08: diante da negativa de passagem de Bruxelas, a Alemanha invade a Bélgica; e, com a quebra da neutralidade belga, a Grã-Bretanha declara guerra à Alemanha.

Acabava um século de paz na Europa. Começavam quatro anos de guerra. Assim ocorreu o início do curto século XX.

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O tigre, o menino, e o idiota

Menino-de-11-anos-atacado-por-tigre-em-zoológico-no-Paraná-tem-o-braço-amputadoUm caso que chocou o Brasil na última semana foi o do menino de dez anos que teve o braço dilacerado por um tigre no zoológico de Cascavel, Paraná. O garoto passou da grade de proteção e começou a “brincar” com o felino, que acabou o atacando. O mais absurdo disso tudo: a tragédia ocorreu sob o olhar do pai, que não só permitiu que o filho passasse para junto da jaula do tigre, como também filmou o garoto a provocar o animal. Não se poderia esperar resultado diferente.

Tem gente que fala em sacrificar o tigre. E aqui fica minha indignação. Sacrificar por quê? Pensemos na situação do pobre animal: preso em uma jaula, com espaço limitado, completamente fora de seu habitat, estressado com gente a sua volta, e um garoto começa a provocá-lo, a mexer com ele. Alguém esperaria uma reação diferente? Mesmo no zoológico, enjaulado, o tigre é um animal selvagem, um felino. E não precisa ser nenhum gênio para saber que animais selvagens são sempre selvagens e agem como animais selvagens! Ora, qual a culpa do pobre felino? Nenhuma. O tigre foi, simplesmente, um tigre.

tigre-cascavelO garoto, por sua vez, arcou com a consequência da traquinagem. Desculpem, mas um menino de 10 anos que não tem juízo suficiente para saber que não se deve brincar com um grande felino, muito menos provocar o bicho, não poderia ser levado ao zoológico. Claro, é uma criança, foi uma tragédia.  O guri deveria estar muito atentado, fazendo traquinagem (o filme amplamente divulgado pelas redes de TV e pela internet revela esse fato). Consta que algumas pessoas teriam dito ao garoto para sair da área, voltar para a grade externa de proteção e não mexer com o tigre. Não deu ouvidos a ninguém, assim como toda uma geração de crianças que crescem desregradas e sem orientação dos pais ou familiares. Infelizmente, aprendeu da pior maneira a não brincar com o que não deve.

O terceiro personagem dessa triste história é o idiota, o mentecapto, o pai do garoto. Sou pai, assim como alguns dos meus leitores. Alguém me explica como um pai leva o filho a um zoológico e permite que ele brinque daquele jeito com os felinos (sim, porque há um filme do garoto primeiramente atentando um leão – exato, o bicho com juba)?!?!? E não me venha com a desculpa de que estava cuidando do outro filho, pois ele filmava o pobre do garoto brincando com o tigre! Foi imprudente, negligente, e deve pagar, duramente, por isso. Criar filhos não é simples. A gente está sempre aprendendo e não pode estar o tempo todo de olho neles. Ninguém disse que seria fácil cuidar de crianças. Mas deixar que elas brinquem com felinos selvagens como se fossem gatinhos é inaceitável. Não encontro justificativa para livrar o sujeito de uma severa punição.

No final das contas, o tigre ficou com a pecha de malvado (sério?), apesar dele próprio ser uma grande vítima da crueldade humana. O pobre garoto perdeu o braço, trauma que só não será maior que o impacto psicológico que o acompanhará por toda a vida. E o idiota que deixou que aquilo acontecesse… continua um grande idiota! Se existe um animal que merece ser sacrificado nessa história toda, esse é o pai do menino.

Para a matéria da Globonews sobre a tragédia, clique aqui.

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Para ler e rir…

Nesses momentos tensos de crise internacional, com a situação econômica brasileira caminhando para um buraco nos moldes daqueles descobertos recentemente na Rússia, e recuperando-me de uma gripe neste forte inverno tropical, busquei descansar um pouco lendo algumas coisas agradáveis… Estou muito satisfeito com os dois livros escolhidos e gostaria de recomendá-los a meus 8 (oito) leitores.

O primeiro, que havia comprado e começado a ler ano passado quando estive na Alemanha, é uma obra de ficção do jornalista alemão (filho de refugiado húngaro), Timur Vermes, intitulada “Er ist wieder da” (ele está de volta). Trata-se de um romance divertidíssimo, no qual Adolf Hitler desperta na Berlim de 2011, em um terreno baldio próximo a seu antigo bunker e descobre-se na Alemanha moderna, unificada, e governada por Angela Merkel. Sendo simplesmente ele mesmo, logo Hitler atrai a atenção da mídia e é chamado a fazer um programa humorístico na televisão alemã, onde interpreta… Adolf Hitler! Detalhe: a estória é contada em primeira pessoa, com o autor narrando as impressões do líder nazista sobre este admirável mundo novo. É, de fato, uma sátira acerca da sociedade moderna e a influência da mídia sobre as pessoas comuns. Para quem lê em alemão, recomendo o texto original… muito agradável como Vermes brinca com algumas expressões e gírias, e com o jeito de falar das pessoas, por exemplo, dos berlinenses. E a boa notícia para quem não lê em alemão, mas gostaria de se divertir com um romance hilário, é que acabou de sair a versão em português: “Ele está de volta” (Rio de Janeiro: Editora Intrínseca, 2014). E a tradução de Peterso Rissati está muito boa!

Outro livro hilário que também recomendo é “Foi-se o Martelo: a história do comunismo contada em piadas”, de Ben Lewis (Rio de Janeiro: Record, 2014; tradução de Márcio Luís Penteado Ferrari). O autor fez uma ampla pesquisa nos países do Leste Europeu e da antiga União Soviética sobre as piadas contadas à época dos regimes comunistas – algumas que rendiam àqueles que as propagavam e a seus ouvintes penas severas, como prisão, tortura e, em certos casos, até a morte. Lewis intercala a narração sobre o contexto em que eram contadas as piadas (e a resposta do Estado e de seu aparato repressor) com a transcrição de muitas delas. Já ri muito nesses últimos dias.

E, para finalizar, uma das piadas de “Foi-se o Martelo”, que se passa em um Gulag (campo de trabalhos forçados soviético) e ilustra bem a loucura daquela ideologia fundada nos devaneios de Marx, Engels e Lênin:

Um novo prisioneiro chega ao campo. Os internos começam a perguntar de quantos anos era sua sentença.

“Vinte e cinco anos”, respondeu o novato.

“Pelo quê?”

“Nada. Não fiz nada: sou inocente.”

“Não me venha com essa história. Os inocentes pegam só cinco anos.”

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Guerra declarada

Daily T 29071914 Mapa“Diversos acontecimentos de grande importância tiveram lugar ontem para trazer uma luz à crescente crise austro-sérvia. Primeiramente, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia.” Essa é nossa livre tradução da notícia do jornal britânico Daily Telegraph sobre o início da Grande Guerra.

De fato, muito interessante é ver como as pessoas da época percebiam os acontecimentos. Vale a pena a leitura do jornal, mesmo que sua apresentação seja a típica dos diários da primeira metade do século passado, com muita informação, em letras minúsculas, várias colunas por página e a ênfase à informação e não à forma. Interessante, também, como muitas notícias poderiam ser quase que literalmente publicadas hoje, sem que se notasse que são de um século atrás (por exemplo, “os mercados abalados”) e a publicidade da época, como a da Kodak.

Para acessar a edição do dia 29 de julho de 1914 do Daily Telegraph, clique Telegraph1914_2907_2983878a.

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Daily Telegraph July 29 1914

The conflagration starts as Austria-Hungary declares war on Serbia

“Several developments of great importance took place yesterday to throw light upon the situation arising out of the Austro-Servian crisis. In the first place, Austria-Hungary has declared war on Servia.” Thus in an extraordinarily understated way on page 11, the Telegraph starts to report the outbreak of war on the continent. Further on the page is another case of litotes as another report calls the declaration of war a “serious development.”

Our correspondent in Paris writes “the hopes of preserving general peace are still slender,” as all eyes turned now to Russia – how would she react to a military attack on a fellow Slavic state? The third of the several developments was reported to be negotiations between her and Austria – if Russia did come in then Germany, which in the second development announced its refusal to participate in Sir Edward Grey’s proposed mediation, would surely do so as well as Austria’s ally, and then France as Russia’s ally would surely be dragged in as well.

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O começo do fim do mundo

Greatwar3Foi há exatos cem anos! Depois de praticamente um mês de tensão, de construção e desconstrução de alianças, de ameaças, pressões e exigências, o Império Austro-Húngaro declarava guerra à Sérvia. Os motivos da rivalidade entre os dois países remontavam ao século XIX (ou, para alguns, a centenas de anos). Nas últimas décadas, a chamada “questão balcânica” levava um clima de grande instabilidade para uma das regiões mais belas da Europa. A coisa se agravara com as guerras dos anos anteriores… Mas o estopim daquilo tudo fora o assassinato do herdeiro do trono da Áustria, o Arquiduque Francisco Ferdinando, por meio de um atentado terrorista, no dia 28 de junho (vide aqui).

805916Com a declaração de guerra feita por Viena a Belgrado, logo os grandes impérios da Europa se mobilizariam para fazer cumprir as alianças costuradas pela diplomacia secreta da belle époque: a Rússia czarista, o Reich guilhermino, a República Francesa, o Império Britânico (onde o sol nunca se punha)… E os canhões de agosto logo seriam ouvidos, os sinos calados, e o mundo viveria quatro anos de uma guerra sem precedentes. 

fr-trench1A Grande Guerra poria fim a um mundo em 1914… e daria ensejo ao outro totalmente mudado, diferente, que surgiria, em 1918, das cinzas daquele massacre que ceifou a vida de milhões e envolveu os quatro cantos do planeta. A I Guerra Mundial poria fim a cem anos de paz e daria início a 20 anos de crise, que culminariam em mais seis anos de guerra, dor, sofrimento, destruição.

O mundo em que vivemos hoje é um resultado direto dos acontecimentos iniciados há exatos cem anos. E, se a História se repete, é bom que estejamos atentos aos acontecimentos internacionais da atualidade. Exatamente como há um século, o senso comum considerava impossível, impensável, inaceitável uma guerra entre as grandes potências em solo europeu. Só que ela aconteceu. E pôs fim a uma era.

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Segue matéria do The Economist sobre o começo da Grande Guerra. Detalhe interessante: é de 1º de agosto de 1914 o artigo.

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Renúncia e Desfiliação

Estimados amigos e cidadãos do DF,

 Na data de hoje, 25 de julho, protocolei, junto ao TRE, minha renúncia à candidatura de deputado federal pelo Partido Progressista do Distrito Federal. Solicitei, ainda, o cancelamento de minha filiação ao Partido.

A missão de trabalhar por mais gente de bem na política envolve, precipuamente, a certeza de que se segue em um caminho certo, ainda que muitas vezes tortuoso, em defesa do bem comum e de valores que garantam uma sociedade cada vez mais justa e perfeita.

Nossa decisão de deixar o pleito de 2014 de forma alguma significa a renúncia ao projeto de um DF e de um Brasil com mais pessoas de bem envolvidas na nobre tarefa de serem os primeiros servidores do povo. Nosso trabalho continua, e acompanharemos bem de perto o processo eleitoral no DF e em nosso País, estando prontos a cobrar, daqueles que eleitos forem, suas promessas e seu trabalho honesto pelo bem comum.

Agradeço imensamente a nossa equipe de voluntários, um grupo coeso, qualificado e comprometido com as ideias que defendemos e com o ideal de fazer uma nova política. Agradeço, também, a todos os nossos apoiadores desta campanha (que, felizmente, somam milhares), que aderiram a nossa proposta e a corroboraram. Tenham certeza de que este apoio nunca será esquecido e que é o grande estímulo para a continuação de nosso projeto, ainda que sob outras matizes.

Nossa gratidão, ademais, à mui estimada Senadora Ana Amélia, pelo apoio e pela orientação e que, estamos seguros, entenderá nossa decisão. Oxalá possa a nossa Senadora assumir, no dia 1º de janeiro de 2015, o governo do Rio Grande, pelo bem daquele Estado e de seu povo. Nosso apoio incondicional a Sua Excelência, desejando sucesso em sua nobre missão.

Agradeço, ainda, a todos os membros do PP no DF e em âmbito nacional que nos apoiaram em nossa caminhada.

Nossa gratidão também à amada família, que aceitou abnegada nossa candidatura, e nos apoiou neste projeto, mesmo ciente de que a campanha exigiria parte de nossos momentos juntos, e sacrifícios em prol de uma causa maior, o bem da comunidade, a construção de um futuro melhor para nosso povo e nossa terra.

Finalmente, nossa gratidão a Deus, pois sem Ele, nada existe.

É hora de nos retirarmos do processo eleitoral. Estamos convictos de que esta saída é apenas temporária, para reagrupar as forças e nos prepararmos, mais adequadamente, para o bom combate. Para lutar o bom combate é fundamental que nossa espada sejam os objetivos maiores e nosso escudo os valores que defendemos.

Seguimos adiante, com conhecimento, coragem e transparência. Nossos esforços manter-se-ão altivos, em defesa de mais gente de bem na Política! Avante!

 Brasília, 25 de julho de 2014.

 Joanisval Gonçalves

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Parada para Campanha

Meus caros,

Nas próximas 12 (doze) semanas, Frumentarius ficará um pouco adormecido. Explico: depois de muito pensar, resolvi que chegou a hora de uma participação mais efetiva na Política de nosso País. Como muitos de nossos leitores, acredito que estamos em um momento político brasileiro em que as pessoas de bem devem se envolver mais nos assuntos políticos. Política é coisa séria, que exige preparo, coragem e transparência de todos aqueles que resolvam se tornar representantes da população.

Assim, decidi me candidatar a deputado federal, aqui pelo Distrito Federal. O número é 1111. Nesse sentido, todas as atenções estarão voltadas à campanha nas próximas doze semanas. Quem quiser saber mais sobre a candidatura, nosso site de candidato é www.joanisval1111.com.br. Até lá, publicaremos pouco aqui no blog.

Recebam todos o meu forte abraço! 

Joanisval 1111

Discussão sobre Inteligência

20140714-emdiscussao-espionagemMeus caros, acabou de ser lançada, pelo Senado Federal, a edição da revista “Em Discussão”, sobre inteligência e espionagem na era da informática. Recomendo a leitura para todo interessado nesses assuntos. Abraço!

Para acessar o arquivo da revista em PDF, clique aqui.

Democracia, Participação e Representatividade no Brasil

Meus caros,

Foi muito proveitoso o bate-papo com a jornalista Natália Borges e o professor Creomar de Souza sobre democracia, participação e representatividade no Brasil.

Segue o vídeo da conversa:

Haverá outros!

Abraço!

O Assassinato que Mudou o Mundo

HGM_Wilhelm_Vita_Porträt_Franz_FerdinandA História se faz de pessoas, fatos e coincidências, ao contrário do que pregam alguns historiadores marxistas (que elaboram teorias rebuscadas sobre lutas de classe e movimentos de ideias, em que o indivíduo pouca importância tem diante do coletivo e das relações sociais). E a história de algumas pessoas individualmente acaba afetando a história de toda uma coletividade. Foi exatamente o que aconteceu há exatos cem anos.

O nome dele era Francisco Ferdinando Carlos Luís José Maria da Áustria-Este. Nascido em 1863, aos 25 anos (1889) foi alçado à condição de herdeiro do trono da Áustria, com o suicídio de seu primo Rodolfo de Habsburgo e a renúncia de seu pai, Carlos, irmão do então quase sexagenário Imperador Francisco José (que reinaria até a morte, em 1916). De temperamento sisudo e, para alguns, pouco expressivo, Francisco Ferdinando não mantinha relações das mais amistosas com seu tio, o que não o impediria de ser preparado para assumir o trono da mais tradicional das Casas Reais europeias (sobre a história da grandiosa Casa de Habsburgo, clique aqui – já escrevemos em Frumentarius a respeito).

Archduke_Franz_with_his_wifeE foi exercendo suas funções de herdeiro do trono da Áustria-Hungria que Francisco Ferdinando perderia a vida, com conseqüências que alcançariam todo o conjunto da humanidade por décadas. Em 28 de junho de 1914, o Arquiduque e sua esposa, Sofia, duquesa de Hohenberg, visitavam Sarajevo, na Bósnia. Era a época das manobras de verão do exército austro-húngaro que se realizavam naquela região periférica, porém estratégica, do Império. Francisco Ferdinando ali chegara em 25 de junho para supervisionar os exercícios militares, e no dia 27 seguira para Sarajevo, capital da província, para compromissos oficiais. O problema é que a data coincidia com a festa de São Vito, o festival nacional sérvio Vidovdan, aniversário da mítica batalha de Kossovo, em 1389, quando os sérvios haviam sido derrotados pelos turcos – e acreditavam que ali havia começado o longo período de sofrimento nas mãos de opressores estrangeiros. Muitos sérvios percebiam a decisão da visita do Arquiduque como um insulto calculado.

sophie deadNaquela manhã, quando seguia pelas ruas de Sarajevo, o cortejo do Arquiduque sofreu um atentado, quando uma bomba foi lançada contra um dos carros da comitiva. O alvo, por óbvio, era Francisco Ferdinando, mas o terrorista incompetente (um jovem revolucionário bósnio) errou, e o veículo de Sua Alteza escapou iles, seguindo o compromisso no Legislativo local. O mentecapto que cometeu o atentado tentou suicídio, engolindo uma cápsula de cianureto e se jogou no rio, mas acabou vomitando o veneno, dominado pela polícia (o rio tinha apenas 12 centímetros de profundidade) e levado sob custódia. Os outros três conspiradores acovardaram-se e fugiram.

Após a solenidade na câmara municipal, o Arquiduque cancelou a agenda do dia e se dirigiu ao hospital para visitar os feridos no atento. Aí é que se operam as coincidências que alteram os rumos da História… O motorista de Francisco Ferdinando errou o caminho e separou dos carros da frente do cortejo, virando em uma rua (que por mais uma coincidência tinha o nome de seu tio, Francisco José). Ao fazer a manobra para retomar o trajeto, o motor parou. Naquele instante, os deuses do destino colocaram o veículo de Francisco Ferdinando indefeso diante de um dos terroristas que, frustrado, ia embora: o nacionalista bósnio, Gravilo Princip. Diante da oportunidade, Princip não titubeou e disparou dois tiros contra o carro do herdeiro do Trono da Áustria, acertando fatalmente o Arquiduque e sua esposa. Ambos morreram em alguns minutos. O acionamento do gatilho da pistola do jovem terrorista seria o estopim do maior conflito que o mundo já conhecera.

 Princip_arrest (1)Fugindo, Princip foi abrigar-se na Sérvia, nação vizinha e rival do Império Austro-Húngaro. Aberto um inquérito para apurar as responsabilidades pelo atentado, as autoridades austríacas não conseguiram encontrar elemento que ligasse diretamente o governo sérvio ao crime, mas identificaram vínculo entre setores do exército sérvio e os conspiradores. De fato, os terroristas pertenciam à “Mão Negra”, uma organização secreta do movimento nacionalista iugoslavo, cujo líder era o chefe do serviço de inteligência sérvio.

250px-GavrilloprincipNas semanas que se seguiriam, Viena exigiria que Belgrado entregasse Princip. Diante da negativa da Sérvia (que tinha o apoio político e militar do Império Russo), a Áustria-Hungria (que, por sua vez, possuía na Alemanha Guilhermina seu principal aliado) acabou declarando guerra aos sérvios no início de agosto. Logo, como em um dominó, partindo em auxílio uns dos outros, e sob a égide de alianças militares secretas, os principais países europeus ver-se-iam envolvidos em conflito que, pondo fim a um século de paz na Europa, duraria quatro anos, alcançaria todo o planeta e ceifaria 15 milhões de vidas: a I Guerra Mundial.

Os rosacruzes costumam dizer que o acaso não existe. Naquele fatídico 28 de junho de 1914, um Princip mataria um Arquiduque, e a morte de um homem acabaria por provocar a aniquilação de milhões. Eis uma data e um acontecimento que devem ser sempre lembrados. Afinal, foi um atentado terrorista, em uma região periférica da Europa, contra uma autoridade pouco querida e mesmo sem muito prestígio, em uma época em que se achava que a paz entre os povos estava assegurada, mas que provocaria uma hecatombe que até hoje afeta nossas vidas, 100 anos depois.

Curiosamente, há registros de que o herdeiro do Trono Austro-Húngaro simpatizava com a causa eslava e suas aspirações de maior autonomia.  De fato, havia-se mostrado predisposto a aceitar – ao contrário de seu tio, o Imperador – resoluções a favor de uma maior autonomia daqueles povos eslavos, desde que se mantivessem vinculados ao Império. Não viveu para promover essas mudanças… tampouco seu império sobreviveu à Grande Guerra…

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Democracia, Participação e Representatividade no Brasil

Meus caros,

No próximo domingo, 29/06, às 17h, participaremos, juntamento com o Professor Creomar de Souza, de um bate-papo pela internet sobre “democracia, participação e representatividade no Brasil”. Mediando a conversa estará a jornalista Natália Borges. É a internet possibilitando mais uma forma de interação entre pessoas em pontos diferentes do globo  o debate de idéias que nos fazem mais próximos!

O link para o evento será fornecido no próprio dia, um pouco antes das 17h, aqui em Frumentarius e em nossa fanpage do Facebook. 

Será uma satisfação contar com nossos queridos leitores em mais uma iniciativa para tratar de temas importantes e do interesse de todos. Aguardo vocês e conto com sua divulgação!

Abraço!

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Cooperação e Inteligência

E para o pessoal que estava sentindo falto das matérias sobre inteligência (no caso, uns dois leitores…), segue artigo interessante do principal semanário alemão sobre a estreita cooperação entre os serviços de inteligência externa (BND) e interna (BfV) alemães com a NSA.

Os serviços de inteligência devem cooperar, muito, inclusive com congêneres de outros países. As ameaças à democracia e aos legítimos interesses da sociedade e do Estado são cada vez mais transnacionais, o que requer estreita cooperação entre os órgãos de inteligência. Aspeto central aí, entretanto, é que estes serviços devem estar sob rígido controle para que extrapolem suas funções e cometam arbitrariedades contra a própria sociedade que têm a missão de proteger. Controle serve para isso. Sobre esse assunto trato no meu livro Político e Espiões, o Controle da Atividade de Inteligência.

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Spying Together – Germany’s Deep Cooperation with the NSA

By SPIEGEL Staff, Spiegel Online, 06/18/2014 04:20 PM

Cooperation between Germany’s foreign intelligence service, the BND, and America’s NSA is deeper than previously believed. German agents appear to have crossed into constitutionally questionable territory.

Three months before Edward Snowden shocked the world with his revelations, members of NSA’s “Special Source Operations department” sat down for a weekly meeting at their headquarters in the US state of Maryland. The group, considered internally to be particularly efficient, has several tasks, one of which is overseeing the intelligence agency’s delicate relationship with large telecommunications firms. It is the department that Snowden referred to as the “crown jewels” of the NSA.

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Guerras relogiosas

Tudo bem que por aqui a grande preocupação é quem vai para as oitavas e o jogo entre Brasil e Chile no sábado (torcendo pelo Brasil, sil, sil, sil!). Mas, seguindo a linha de Frumentarius, aproveito para lembrar que, no Iraque, a coisa está curda… A guerra entre sunitas e xiitas produz mais tensão e instabilidade na região ao mesmo tempo em que permite cenas inimagináveis como uma aproximação entre Irã e EUA para combater um inimigo comum…

Também complicada está a situação de 40 mil cristãos no Iraque, que são perseguidos e podem se tornar mais vítimas da guerra civil naquele país que, saibam todos, está muito mais terrível do que a imprensa por aqui tem noticiado. Ao menos os nossos internacionalistas deveriam dar atenção a isso…

Segue artigo da Spiegel sobre o assunto.

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Spiegel Online – 06/26/2014 04:18 PM

Days of Terror – Iraqi Christians Live in Fear of ISIS

By Katrin Kuntz in Qaraqosh, Iraq

Some 40,000 Christians live in Qaraqosh, a town near Mosul, Iraq. Residents have been gathering daily in 12 local churches as ISIS jihadists advance towards the community. Their existence is a precarious one.

It was the evening of Tuesday, June 10 when Salam Kihkhwa walked into a mobile phone shop in the Qaraqosh city center to purchase more minutes for his phone. Kihkhwa surfs the Internet for several hours each day and was carrying an iPhone 5s in his hand as he navigated his way past brackish puddles on the edge of the road. He set a few wrinkled dinar notes down on the counter to pay for a pack of Winchesters. Just at that moment, he recalls, he heard the scream: “The jihadists are in the city!”

Salam no longer remembers where the scream came from or whether it was a man or a woman. But he knows he left his cigarettes and money on the counter, grabbed his phone and made a run for it. Hundreds of others joined him, and the crowd kept swelling as it dashed through the streets of Qaraqosh.

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A Capital da Copa (ou a cidade que consagrou a seleção)

Ontem a seleção brasileira jogou em Brasília! E o resultado foi o melhor da Copa até o momento, em um jogaço contra Camarões. No Mané Garrincha, estádio que leva o nome de um dos maiores ídolos do futebol de todos os tempos, contou muito o 12º jogador: a torcida verde-amarela aqui da capital.  Não tinha como não se emocionar com a calorosa acolhida que os brasilienses (de nascimento e de coração) deram aos jogadores e a todos que vieram a nossa amada cidade assistir a Brasil x Camarões. A seleção também sentiu isso, com muita garra fez o 4 X 1, e agradeceu à torcida, cujo grito de guerra logo no início foi: “o campeão voltou!” Sim, e voltou nos braços dos brasilienses! Brasília faz muito bem para a seleção!

Pois é! E os jornalistas do mundo inteiro, e os turistas de toda a parte, puderam conhecer um lado geralmente esquecido da bela capital brasileira: uma cidade bem organizada, de gente ordeira e amistosa, uma cidade que pulsa como coração do Brasil. Sim, porque Brasília não é a cidade dos burocratas ou dos políticos (eles até vivem aqui, mas não são a cara da nossa gente).  Brasília tem muito mais que burocratas de terno e políticos… tem um povo feliz e trabalhador, que gosta de se encontrar no churrasco do domingo, nos bares da cidade, que se acostuma em viver em blocos no meio do verde e do azul, que se emociona com o pôr do Sol mais lindo do planeta… É um povo de diferentes origens e de diferentes sotaques, que se orgulha de morar no lugar com a melhor qualidade de vida do Brasil. Essa é a gente de Brasília!

No jogo de ontem, senti muito orgulho da seleção. Mas senti muito mais orgulho de ter nascido e de viver em Brasília! Senti orgulho de ser brasiliense (ou candango, como prefiro me identificar, sempre rendendo a justa homenagem àqueles que, como meus pais, vieram de diferentes partes do Brasil para ajudar JK a tornar o sonho em realidade). Minha cidade é linda! Minha cidade é acolhedora! Minha cidade é única! Minha cidade é Brasília!

Segue um artigo do NY Times em que se comenta o quão surpreendente é Brasília. Só discordo de algumas opiniões de entrevistados, que falam de nossa cidade como fria e isolada. E, ao contrário do que diz alguém na reportagem, sim, em Brasília você pode encontrar samba (vá ao Cruzeiro ou a Sobradinho), boa cerveja (não temos esquinas, mas temos muitos barzinhos por todo o DF!), e também futebol (seja com nossos clubes do Periquito ou do Brasiliense, seja com a maior concentração de flamenguistas em relação à população, e de botafoguenses, e de vascaínos, e de corintianos, e palmeirenses, e atleticanos, e cruzeirenses, e gremistas, e colorados, e de gente que torce por todos os grandes clubes do Brasil – afinal, todo mundo em Brasília tem ao menos dois times do coração!). Brasília mostrou ontem que tem futebol sim, e que tem alegria, beleza, e simpatia! Brasília tem isso e tem muito mais!

Quem quiser conhecer nossa capital, seja muito bem-vindo! Brasília está sempre de braços abertos!

Brasília, a Capital City That’s a Place Apart

A slackline devotee practicing near the National Congress in Brasília, one of the host cities for the World Cup. An admirer said the city was “like 120 college campuses lined up next to one another.” SERGIO PEÇANHA / THE NEW YORK TIMES

 By DAVID WALDSTEIN

BRASÍLIA — The Brazilian flag reads, “Ordem e Progresso” — “Order and Progress” — which is somewhat curious in this wonderfully jumbled and beautiful country. For an outsider who has visited the samba-infused nightclubs of Rio de Janeiro, the Amazonian jungle or São Paulo, with its ramshackle favelas and snarled traffic, order is not what springs to mind.

Until you arrive in Brasília.

In a country known for its flair for improvisation, Brasília stands in jarring contrast, a city so orderly, it is hard to believe it is really in Brazil.

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Retorno e pré-candidatura

Normandia 2014 - ArromanchesEstamos de volta! Nas últimas semanas, tivemos muitas atividades no mundo físico que nos impediram de atuar aqui no mundo virtual. E como não gosto de simplesmente jogar notícias a meus leitores, preferi não inserir nada que não tivesse comentários.

O mês de junho começou com nossa viagem à Normandia para acompanhar as celebrações dos 70 anos do Dia D. Foi um acontecimento de extrema importância e decidi estar presente no local onde começou a retomada da Europa pelas forças da liberdade e da democracia. Foi uma grande experiência, sobretudo pela possibilidade de conversar com alguns veteranos, homens que, nos dias 6.6.1944 e seguintes, combateram na França nos últimos meses da II Guerra Mundial. Logo publicarei minhas impressões da Normandia e comentários sobre o mais longo dos dias.

Mas quero compartilhar outra novidade com meus queridos leitores: sou pré-candidato ao cargo de deputado federal pelo Partido Progressista aqui no DF. Isso que você leu! Resolvi que chegou a hora de sair da zona de conforto e me apresentar para trabalhar pelo DF e sua gente e unir forças àqueles que querem um Brasil melhor e uma boa Política.

Vocês me conhecem, acompanham minhas reflexões por aqui… Não represento qualquer segmento econômico e nossa campanha se dará com o apoio dos amigos e de gente como nós. Sou um cidadão comum, servidor público e professor, de classe média, preocupado com a situação do País e disposto a trabalhar para melhorar o Brasil. Nesse sentido, a via política é de extrema importância e temos que participar mais dela. Afinal, se pessoas de bem não se envolverem com política, os maus se envolverão.

Enfim, temos projetos para o DF e para o Brasil, e esperamos poder submetê-los aos eleitores do Distrito Federal. No próximo dia 28/06 teremos a convenção distrital e, confirmado nosso nome, apresentarei a meus leitores as idéias e propostas e a razão de nossa candidatura.

Bom, é isso! Estamos de volta com novas perspectivas! Conto com o apoio de todos neste projeto por um DF melhor e por um Brasil melhor.

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