As primeiras gotas da Grande Tormenta

hitler_stalin_same2014 é um ano de grandes efemérides nos campos político e militar: 150 anos do início da Guerra do Paraguai e da Primeira Convenção de Genebra, 60 anos da morte de Getúlio Vargas, 50 anos do movimento de 31 de março de 1964, 100 anos do começo da Grande Guerra, 70 anos do Dia D (6 de junho) e da Conferência de Bretton Woods, só para lembrar alguns…

Não obstante, o dia 1 de setembro jamais será esquecido, em razão de um evento que em 2014 completa 75 anos: o início da II Guerra Mundial. Naturalmente, essa data não poderia ser esquecida em Frumentarius.

As origens do maior conflito por que já passou a humanidade podem ser encontradas no fim da guerra anterior, a Grande Guerra de 1914 a 1918: o Tratado de Versalhes e a responsabilização da Alemanha, que levariam à revolta dos alemães contra o que lhes fora imposto pelos vencedores; a inabilidade das Potências europeias em garantir a segurança coletiva por meio da Liga das Nações; o apaziguamento de britânicos e franceses diante dos anseios expansionistas de Adolf Hitler que, por sua vez, conseguira reerguer o país e recuperar o moral da população e desejava, a todo custo, o espaço vital para construir o império de mil anos… Tudo isso culminaria nos acontecimentos de 1 de setembro de 1939.

De fato, em 1939, a Política Exterior do III Reich parecia que conduziria a Alemanha a uma guerra avassaladora e definitiva contra seu maior rival, a União Soviética. Era o que esperavam franceses e britânicos, que sob a égide do discurso apaziguador, aguardavam ansiosos o momento em que, com seus movimentos expansionistas rumo ao Leste, Adolf Hitler entraria diretamente em choque com o outro grande ditador de seu tempo, Josef Stálin. Então aconteceria o tão esperado confronto entre os dois gigantes totalitários, o III Reich e a União Soviética, que culminaria na destruição de um e no enfraquecimento do outro, ou no colapso de ambos, o que beneficiaria sobremaneira as Potências ocidentais.

soviet_nazi_pact_1Mas Londres e Paris não contavam com o improvável: em 23 de agosto daquele ano, era assinado o Pacto Molotov-Ribbentrop, a aliança entre a Alemanha nazista e a União Soviética comunista, a inconcebível aproximação entre os dois inimigos tradicionais, o aperto de mãos (simbólico) entre os tiranos Hitler e Stálin. Aquele Tratado permitiria a expansão alemã para o Leste, a invasão, ocupação e partilha da Polônia. Aquele acordo deixaria atônitos britânicos e franceses.

a74ccf7c57b9858192d4630c18f8531dE foi exatamente o que aconteceu: um semana depois, diante dos olhares perplexos do mundo, na madrugada de 1 de setembro, tropas alemãs cruzavam a fronteira da Polônia. Apesar da bravura e do empenho em conter o inimigo, os poloneses não resistiriam mais que seis semanas à máquina de guerra germânica, associada ao ataque maciço do Exército Vermelho, que cruzou a fronteira vindo do Leste alguns dias depois. Alemães e soviéticos se encontrariam em Brest-Litovskyi, exatamente onde fora celebrado o tratado de paz entre o Reich Alemão e o governo bolchequive, em março de 1918 (tratado que, verdadeiramente, era a humilhante capitulação da Rússia na I Guerra Mundial).

A partir daquele primeiro dia de setembro, os sinos seriam silenciados por longos seis anos nas igrejas da Europa. Dor, sofrimento, destruição e morte seriam infligidos a outros povos como nunca se vira. E o conflito iniciado em solo polonês se expandiria pelo continente e por todo o planeta, culminando na perda de algo como cem milhões de vidas humanas. O acontecimento de 75 anos passados seria o começo da maior e mais trágica tormenta da História…

Polen, Schlagbaum, deutsche Soldaten

A Venezuela Pós-Chavez e o Brasil

Artigo muito interessante de meu amigo Sean Burges. Foi replicado no site oficial da Presidência dos EUA. Recomendo a leitura a meus alunos de Relações Internacionais.

Apenas uma curiosidade: a data da morte de Chávez (ao menos do anúncio oficial) coincide com a do falecimento de Josef Stálin (5 de março de 1953). O ditador venezuelano teria morrido exatamente 60 anos após a passagem do maior tirano da História moderna e cultuado líder das esquerdas em muitos países.

Post-Chávez Test For Brazil Leadership – Analysis

Hugo Chavez memorial. Photo credit VOA

By  — (March 10, 2013)

By Dr. Sean Burges

Venezuela’s president Hugo Chávez has just died after a prolonged battle with cancer. While his death certainly raises questions about the longevity and sustainability of his Bolivarian revolution, it also stands as a significant test of the democracy promoting credentials of Brazil and the two important regional clubs it runs: the South American political grouping UNASUR and the trade bloc Mercosur. Continuar lendo

Defendendo-se do Urso… ou provocando o bicho!

Renova-se o acordo de cooperação em segurança entre Polônia e Geórgia… “Qual importância disso?”, perguntaria um dos meus 16 leitores mais desavisado… É aí que eu lembro que Geórgia e Polônia têm muito em comum em relação ao grande vizinho, a Rússia! Afinal, os dois países já estiveram sob ocupação russo-soviética, tendo mesmo sido parte daquele império, passaram por processos de emancipação, entraram em guerra com os russos e já tiveram parte de seu território tomado por Moscou. Ambos percebem o Urso, portanto, como ameaça – poderia ser diferente?

Acrescente-se mais dois elementos ao caso: enquanto a Geórgia é a maior resistência aos interesses de Moscou no Cáucaso, tendo-se envolvido em uma guerra recente contra os russos, a Polônia vê os eslavos do leste com tremenda desconfiança e, destaque-se, é membro da OTAN (ou seja, uma agressão à Polônia é uma agressão à Aliança Atlântica). Varsóvia está, portanto, sob o guarda-chuva de Bruxelas. Tibilisi já solicitou o ingresso na OTAn e conta com apoio explícito dos EUA (era mais na época do Bush…).

Assim, sempre há o risco da cooperação entre Polônia e Geórgia incomodar o Urso… E o Urso reaje mordendo… O problema é que se morder a águia polonesa, pode ferir outras águias…

Em tempo: só para lembrar, o fundador da Tcheka (a primeira polícia secreta da URSS, antecessora do KGB), Dzerjinsky, era polonês… E a Geórgia brindou a Rússia soviética com seu filho mais ilustre: um certo Josef Stálin…

Georgia, Poland Sign New Security Cooperation Deal

04:21 27/04/2012

Georgia and Poland have renewed bilateral cooperation plan in the field of security, which takes into account new global and regional threats and challenges.

The previous cooperation agreement expired at the end of 2011. Continuar lendo