Violência e morte no Mali

Enquanto o mundo acompanha atento as eleições nos EUA, pouca atenção é dada ao distante (no tempo e no espaço) Mali. Afinal, quem se importa se movimentos fundamentalistas dominam parte do país e disseminam violência e morte? Ninguém se importa, ao menos enquanto o Mali não se torne um nascedouro de terroristas para atacar o Ocidente…

Essa reportagem da Spiegel revela uma situação de um país africano que, infelizmente, é quotidiana em várias regiões daquele belo continente…

10/29/2012 06:05 PM

A Trip Through Hell -Daily Life in Islamist Northern Mali

By Paul Hyacinthe Mben

For months, an Islamist regime has been terrorizing northern Mali. Hundreds of thousands have already fled the region, and those who have stayed behind are experiencing new forms of cruelty with each passing day. A SPIEGEL reporter documents a two-week journey through a region Europe fears will become the next Somalia. Continuar lendo

Eleições na Venezuela

Com as eleições se aproximando (falo da Venezuela, não do Brasil), segue uma excelente análise de meu amigo Michael Harvey sobre Chavezlândia… Michael conhece bem aquele país (e a Colômbia, e o nosso…). Recomendo leitura atenta.

Michael Harvey: ‘Democracy,’ Venezuelan-style

Michael Harvey, Special to National Post | Oct 4, 2012 2:33 PM ET | Last Updated: Oct 4, 2012 3:11 PM ET More from Special to National Post
LUIS ACOSTA/AFP/Getty Images

LUIS ACOSTA/AFP/Getty ImagesVenezuelan President Hugo Chavez dances during a campaign rally for his reelection in Valencia, Carabobo state, Venezuela on Wednesday.

The government of Canada’s Americas Strategy rests on the pillars of security, prosperity and democratic governance. Venezuelans will go to the polls on Sunday in elections that will challenge all three.

Hugo Chavez has been in power for 13 years. It is tragic that Venezuela has completely wasted the great China-driven natural resources boom that has helped millions of Brazilians, Colombians, Peruvians and other Latin Americans to escape poverty and join the middle classes. This oil and mineral-rich country is poorer, more dependent and more corrupt than it was when he arrived. Venezuela is now the most violent country in South America. Canadian investors have rightly stayed away, but have a great deal to offer should Venezuela take the path of progress. Continuar lendo

Síria X Turquia

Para se começar a entender a real dimensão da crise, convém lembrar que a Turquia tem o apoio da OTAN (o país é membro da aliança desde 1952), enquanto a Síria encontra-se na esfera de influência russa e é apoiada pelos iranianos. Ou seja, nada é simples por ali…

Turkey warns Syria more strikes would be fatal mistake

Reuters, 05OUT2012 – 4:39pm EDT

ISTANBUL (Reuters) – Turkey’s prime minister said on Friday his country did not want war but warned Syria not to make a “fatal mistake” by testing its resolve, and its army retaliated for a third day running after more mortar rounds from Syria landed on its soil.

In a belligerent speech to a crowd in Istanbul, Turkish Prime Minister Tayyip Erdogan warned Syrian President Bashar al-Assad that Turkey would not shy away from war if provoked. Continuar lendo

Parcerias estratégicas… Welcome, Mr. Cameron!

Boa associação entre a sexta e a sétima economias do globo! Claro que não adianta imaginar que isso significa alguma possibilidade de conseguirmos um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Se um dia formos, realmente, uma grande potência, lá estaremos! Ou não…

Congratulations, Mr. Cameron! Tem-se aí um movimento, no mínimo, perspicaz, na Política Externa britânica… Os argentinos que se cuidem… De toda maneira, isso vai matar a Cristina de inveja (só por isso já valeu a visita, heheheheh)!

Cameron leads British hunt for business in Brazil

Reuters, 28SEP2012 – 6:30pm EDT

BRASILIA (Reuters) – British Prime Minister David Cameron had oil and sports on his mind when he visited Brazil this week seeking business opportunities in the South American nation that overtook Britain last year to become the world’s No. 6 economy.

With the European Union in a slump, Cameron has turned to emerging BRIC nations – Brazil, Russia, India and China – as alternative markets for British exports and investments, with little to show so far. Continuar lendo

Bengazi: um ataque terrorista?

Ainda tentando ler nas entrelinhas da declaração do DNI… De toda maneira, se as ações em Bengazi e no Cairo tiveram alguma participação da Al Qaeda, ficam evidentes as dificuldades que os ocidentais terão com os novos regimes. Ao menos Kadafi e Mubarack eram conhecidos inimigos da Al Qaeda… Será que ninguém vê que a situação na Síria pode ser ainda pior com a queda de Assad?

U.S. intelligence now says Benghazi attack “deliberate and organized”

Reuters, 28SEP2012 6:25pm EDT – By Mark Hosenball

WASHINGTON (Reuters) – The top U.S. intelligence authority issued an unusual public statement on Friday declaring it now believed the September 11 attack on U.S. diplomatic facilities in Benghazi, Libya, was a “deliberate and organized terrorist attack.”

The statement by the office of Director of National Intelligence James Clapper acknowledged that it represented a change in the U.S. intelligence assessment of how and why the attack happened. During the attack on two U.S. government compounds in the eastern Libyan city, four U.S. personnel, including Ambassador Christopher Stevens, were killed. Continuar lendo

Romney, o surpreendente!

A capacidade do candidato republicano de por os pés pelas mãos é surpreendente! Sinceramente, achei que, com todas as crises pela qual passou em seu governo, e com o agravamento dos protestos e manifestações contra os EUA no mundo islâmico, o Presidente Obama tinha grandes chances de não se reeleger. O problema é que Romney parece que insiste em atrapalhar sua própria campanha! Sei não, mais acho que a maldição de Kadafi foi jogada sobre os democratas, mas caiu nos republicanos… De toda maneira, viva a democracia estadunidense!

The New York Times, September 18, 2012
 

Romney Says Remarks on Voters Help Clarify Position

By  and 

Mitt Romney on Tuesday fully embraced the substance of his secretly recorded comments that 47 percent of Americans are too dependent on government, saying that his views helped define the philosophical choice for voters in his campaign against President Obama.

“The president’s view is one of a larger government; I disagree,” Mr. Romney said in an interview on Fox News. “I think a society based on a government-centered nation where government plays a larger and larger role, redistributes money, that’s the wrong course for America.” Continuar lendo

O Levante e o pós-11/09

Há algum tempo não postava os artigos de Lukyanov, sempre muito interessantes. Gostei da observação referente à pouca atenção dada pelos candidatos à Presidência dos EUA ao problema do terrorismo. De toda maneira, com a crise no mundo islâmico se agravando, Obama e Romney acabam tendo que se manifestar… e algumas vezes não o fazem tão bem.

Recomendo a leitura a meus alunos de Relações Internacionais, pois se trata de análise diferente daquelas com que nos deparamos aqui em Pindorama.

Uncertain World: How the Arab Spring Muddied Post-9/11 Clarity

17:00 13/09/2012

Last Tuesday, September 11, while the United States was commemorating the victims of the 9/11 terrorist attacks, anti-American demonstrations erupted at U.S. consulates in Libya and Egypt.

The demonstration in Benghazi, the home base for the Libyan rebels who came to power thanks to military intervention by the United States and NATO, led to clashes that killed several American diplomats, including the U.S. ambassador to Libya.

In an interview with Al Jazeera a few days earlier, Mohammed al Zawahiri, the brother of al Qaeda leader Ayman al Zawahiri, offered to broker a 10-year peace deal between al Qaeda and the West. The U.S. is to abstain from interfering in the affairs of Islamic countries, in return for which the “legitimate rights” of America and the West will be protected and they will stop being provoked.

Mohammed al Zawahiri, who was acquitted by an Egyptian military court in March this year after spending 14 years in Egyptian prisons on extremism charges, is just one beneficiary of the Arab Spring. Many other opponents of the regime have been set free since the fall of the Mubarak regime. Continuar lendo

E continuam os protestos

Não vou arriscar prever onde isso vai parar… Agora que se aprendeu a protestar no mundo islâmico, tem-se milhares de pessoas de bem à mercê de agitadores e extremistas que podem aproveitar o antiamericanismo irracional para alcançar seus objetivos particulares…

A coisa, fato, não segue bem por ali. Temo uma radicalização rumo ao extremismo religioso e a governos autoritários tão ímpios quanto as ditaduras que os antecederam… E isso não é bom para ninguém… Seria o fim do sonho do Levante? Ou acordou-se para a realidade de que democracia não se impõe e não significa a simples “vontade da maioria”?

Agora, sem querer fazer provocação, mas meu coração monarquista me faz lembrar que o Reino da Jordânia e o Reino do Marrocos estão com menos problemas que as repúblicas vizinhas (ao menos até o momento!). Fica o registro.

Anti-American fury sweeps Middle East over film

Reuters, 14SET2012, 9:15pm EDT By Ulf Laessing and Tarek Amara

KHARTOUM/TUNIS (Reuters) – Fury about a film that insults the Prophet Mohammad tore across the Middle East after weekly prayers on Friday with protesters attacking U.S. embassies and burning American flags as the Pentagon rushed to bolster security at its missions.

At least seven people were killed as local police struggled to repel assaults after weekly Muslim prayers in Tunisia and Sudan, while there was new violence in Egypt and Yemen and across the Muslim world, driven by emotions ranging from piety to anger at Western power to frustrations with local leaders and poverty. Continuar lendo

In Memorian

Gostaria de registrar aqui minhas condolências às famílias do Embaixador John Cristopher Stevens e dos funcionários diplomáticos estadunidenses brutalmente assassinados na Líbia no dia 11 de setembro último.

Esta é ainda uma semana para se lembrar das milhares de vítimas dos atentados de 11/09/2001 e de todos os que morreram ou têm sofrido em consequência daqueles fatídicos acontecimentos, seja no Ocidente, seja no Mundo Islâmico, seja em qualquer outra parte do globo.

Só não lamento a morte de Bin Laden e de toda a corja de terroristas que se conseguiu enviar desta para uma melhor… Nada, absolutamente nada justifica o recurso ao terrorismo.

Inverno de ódio

Ainda como consequência do que se cunhou chamar de Primavera Árabe, e que eu prefiro chamar de “o Levante”, aumentou significativamente a instabilidade no Norte da África e no Oriente Médio nos últimos dias. Pessoas na rua protestando, atacando missões diplomáticas e consulados, gritando palavras de ordem contra Israel e Estados Unidos, queimando bandeiras… Enfim, a efetivação do que para alguns a “consolidação da democracia no mundo árabe/muçulmano”…

Realmente, os ventos democráticos da bela Primavera Árabe, cantada em verso e prosa em diversas partes do globo (sobretudo aqui no Ocidente), sopram com intensidade nas terras do Islã. Na Líbia, quase um ano após a deposição e execução de Muamar Kadafi, permanece o clima de insegurança, associado à disputa pelo poder em um país arrasado pela guerra civil. O fortalecimento do fundamentalismo religioso e de grupos antiocidentais culminou no ataque ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi e no assassinato, por extremistas, do Embaixador estadunidense, Christopher Stevens, e de outros três funcionários diplomáticos, além de mais de uma dezena de feridos. Desde 1979 um plenipotenciário norte-americano não havia sido morto em serviço. O trágico evento afeta diretamente as relações entre a Líbia e os Estados Unidos, e pode mesmo influenciar a disputa eleitoral pela Casa Branca. A oposição já cobra medidas mais enérgicas de Barack Obama, que se vê em situação extremamente delicada na reta final da campanha…

Os acontecimentos na Líbia estão relacionados à onda de protestos no mundo árabe em decorrência de um vídeo produzido nos Estados Unidos e ofensivo ao Profeta Maomé. Trata-se de um vídeo de extremo, extremíssimo péssimo gosto, feito, de acordo com as autoridades americanas, por um estelionatário que ganhou notoriedade da noite para o dia com ofensas gratuitas à segunda maior religião do globo. Note-se que foi um ato isolado de um criminoso, nada tendo a ver com o governo dos Estados Unidos.

Em que pese o deplorável vídeo, não me venham com argumentos de que se tem aí uma justificativa para todos esses protestos e explosões de violência no mundo islâmico. Não, não se justificam. Se um cristão resolvesse atacar cada pascácio que fizesse uma piada deplorável contra o cristianismo, ou um judeu resolvesse agredir todo mentecapto que viesse com comentários preconceituosos e ofensivos ao judaísmo, o mundo já teria implodido… Nesse caso, intolerância não pode ser motivo para mais intolerância.

Mas, no Islã, diriam alguns, a coisa parece ser diferente… Manifestações contra representações diplomáticas estadunidenses ocorreram também em outros países de maioria muçulmana, entre os quais Bangladesh, Egito, Tunísia, Marrocos, Iêmen, Iraque e Irã, Sudão e até em Israel (sim, é assim que acontece numa democracia), porém nenhuma tão grave quanto a de Benghazi. O que se evidencia disso tudo é muito mais um pretexto que se encontrou no tal vídeo para uma explosão de descontentamento da parte de milhares de pessoas que vivem em péssimas condições. Sob a camada do protesto de motivação religiosa, estão sentimentos de revolta contra a ordem ali estabelecida e contra tudo que represente aquilo que a maior parte realmente almeja: paz, segurança para tocar a vida e, naturalmente, os benefícios do desenvolvimento. Isso é humano: ao não terem a vida que desejam (e, indiscutivelmente, os padrões econômicos e sociais da América do Norte e da Europa Ocidental são ansiados em todo o mundo), as pessoas acabam se revoltando e buscando bodes expiatórios (algo com a raposa e as uvas). Bom, mas não vou discutir psicologia de massa aqui…

Registro meu repúdio a essas manifestações. Absurdo total a agressão a representações de um país por ações de particulares… O que tem o governo dos EUA (ou da Grã-Bretanha ou o da Alemanha, que acabou de ter sua embaixada atacada no Egito) com um vídeo produzido por um pacóvio? Se assim o fosse, nós ocidentais deveríamos partir para cima de toda nação em que cidadãos se manifestassem contra o Ocidente. Sinceramente, não tenho paciência para esse tipo de coisa…

Voltando à política internacional, esses eventos podem repercutir em uma mudança de percepção dos Estados Unidos (ou da opinião pública e, consequentemente do eleitorado estadunidense) com relação à chamada Primavera Árabe. Note-se que, por exemplo, na Líbia, Egito e Tunísia, regimes seculares foram substituídos por governos sob influência fundamentalista (em alguns casos até com extremistas religiosos em sua composição) e com severas críticas a países ocidentais.

O que mudou no Egito, depois da queda de Mubarack? O país continua em crise, os militares no poder, a população protestando… Ah, sim! Mudou alguma coisa: os egípcios caminham para um governo mais extremista e hostil aos EUA e aos valores ocidentais (bom, né?). Minha viagem do próximo ano para conhecer aquele belo país do Norte da África acabou prejudicada, assim como a principal fonte de recursos do Egito, o turismo. Enfim, salvo por alguns poucos que assumiram o poder no lugar do sucessor Sadat, a tal da “democracia” conquistada na “Primavera Árabe” não beneficiou muita gente, permanecendo a maior parte da população na mesma penúria.

Também como consequência do Levante iniciado no ano passado, a guerra civil prossegue na Síria. Apesar de pressão da comunidade internacional, o regime de Damasco ainda se sustenta, particularmente devido ao apoio de russos e chineses. Como venho insistindo desde sempre, enquanto tiver as graças do Kremlin, o atual regime sírio se sustenta. E, tomando o exemplo do que já aconteceu em outros lugares, será que se teria uma Síria mais estável sem Assad? Não me parece… A queda do atual Presidente sírio só provocaria mais crise e instabilidade, e isso em uma área muito mais estratégica e sensível que o Norte da África.

Chegando ao Golfo, as relações entre potências ocidentais e o Irã têm-se agravado. Recentemente, o Canadá rompeu relações diplomáticas com Teerã (vide posts anteriores). Em nota oficial, Ottawa assinalou que o governo iraniano é “atualmente, a mais significativa ameaça à paz global à segurança no mundo”. A resposta de Teerã foi no sentido de que o Canadá tem tomado numerosas medidas para hostilizar o país dos aiatolás, acusando-se o governo canadense de “racista” e de “seguir a política sionista do Reino Unido”. Coisa boa não sairá daí…

Todos esses eventos assinalam um aumento da insegurança global. Merece atenção um possível aumento de ações terroristas contra alvos ocidentais, paralelamente ao endurecimento nas relações entre potências ocidentais e países islâmicos. A situação conflituosa pode alcançar diferentes partes do globo, inclusive regiões sem envolvimento direto com a crise, como a América Latina. É recomendável que as autoridades brasileiras estejam atentas a esses desdobramentos.

Em tempo: sei que é verão no Hemisfério Norte. Entretanto, assim como aconteceu com a primavera da democracia, o inverno do ódio infelizmente se prolonga no mundo islâmico…

 

A Resposta do Irã…

O que há de mais recente na página do Ministério das Relações Exteriores do Irã sobre a crise diplomática com o Canadá…

Como disse, preocupam-me os desdobramentos dessa crise, pois o Canadá pode passar a ser um alvo mais visível para organizações terroristas.

Mehmanparast: Canada’s government pursuing radical racist views

09:51-08/09/2012

Foreign Ministry spokesman, Ramin Mehmanparast, said that the incumbent Canadian government with Stephen Harper as prime minister is known with radical views in foreign policy.

Mehmanparast made the above remarks in reaction to recent statements of Canada’s Foreign Minister John Baird.  He referred to numerous and hostile measures by the Canadian government against the Iranian society of Canada as closing down the visa section of the Canadian Embassy in Tehran and freezing the accounts of Iranians, as well as blocking cash transfer for Iranian university students of Canada.  Continuar lendo

Ainda sobre o rompimento de relações entre o Canadá e o Irã

Segue a nota do Ministério das Relações Exteriores do Canadá sobre o rompimento de relações com Teerã. Achei forte a assertiva canadense de que o governo do Irã é “atualmente a mais significativa ameaça à paz global à segurança no mundo”.

Uma das preocupações referentes à presente situação é com eventuais ataques terroristas em solo canadense outra contra embaixadas e cidadãos daquele país. A coisa não está boa…

Canada Closes Embassy in Iran, Expels Iranian Diplomats from Canada

September 7, 2012 – Foreign Affairs Minister John Baird today issued the following statement:

“Canada has closed its embassy in Iran, effective immediately, and declared personae non gratae all remaining Iranian diplomats in Canada.

“Canada’s position on the regime in Iran is well known. Canada views the Government of Iran as the most significant threat to global peace and security in the world today. Continuar lendo

Canadá rompe relações com Irã

Esta quem me enviou foi meu ex-aluno e amigo Daniel De Boni. A coisa é séria. Para um país como o Canadá (mesmo sob o administração Harper) romper relações diplomáticas, é sinal de que a batata de Teerã já está quase passando do ponto… Tudo bem que tem a ver com a questão síria, mas mesmo assim a medida foi demasiadamente dura. Se não estiver enganado, nem na Revolução Iraniana e tampouco na crise dos reféns estadunidenses o Canadá havia tomado semelhante decisão (não verifiquei isso, pode ser que tenham rompido sim). De toda maneira, a resposta de Teerã também foi forte e pesada – a meu ver exagerada ao chamar de “racista” o governo canadense…

Vale acompanhar de perto e aguardar os desdobramentos…

G1 – 08/09/2012 – Replicando a Reuters

Irã diz que pode retaliar Canadá por ‘hostil’ corte de relações

País cortou relações diplomáticas na sexta e fechou embaixada em Teerã. Motivo foi o programa nuclear iraniano e o suposto apoio ao ditador sírio.

O Irã acusou o Canadá neste sábado (8) de ter “comportamento hostil” sob influência israelense e britânica, depois de Ottawa cortar as relações diplomáticas. Teerã ainda elevou a perspectiva de alguma forma de retaliação.

O Canadá disse na sexta-feira que estava fechando sua embaixada em Teerã e deu aos diplomatas iranianos cinco dias para sair do país, ao chamar a república islâmica de “a maior ameaça à segurança e à paz mundial”. Continuar lendo

EUA esperam que Rússia rompa com Assad… Esperem sentados, tá?!?

Matéria publicada pela Ria Novosti no último dia 30… Parece notícia da época da Guerra Fria… E deve ser mesmo! A negociação terá que ser muito boa para fazer os russos (e os chineses – o velho Kissinger tinha razão!) assumirem uma nova posição frente ao regime de Assad. Ademais, a Síria está perto demais da Rússia para simplesmente sair de sua esfera de influência. Até o momento, a única maneira que vejo de Assad cair por um acordo é encontrarem alguém de confiança de Moscou para substituí-lo. Ou seja, se Assad cair é porque o Kremlin o derrubou (e terá colocado um homem seu no lugar dele)… E, reitero, ainda têm que negociar com os chineses também!

RIA Novosti

United States Expects Russia to ‘Break with Assad’

02:37 30/08/2012

The United States would like Russia to clearly state that it will stop supplying Syrian President Bashar al-Assad’s regime with weapons, a spokeswoman for the U.S. State Department said in a statement on Wednesday. Continuar lendo

Um ataque árabe à Síria não é opção… ainda!

Publicado hoje pela Ria Novosti… Apesar das palavras do novo enviado da ONU para a Síria, três aspectos da matéria chamam a atenção:

1) Foi matéria de “primeira página” no meio russo, o que significa que Moscou continua de olho na situação. As autoridades russas têm repetido esse mantra de oposição a qualquer medida de força de potências externas contra o regime de Assad. E, repetirei sempre, enquanto tiver o apoio do Kremlin (e dos chineses), Assad permanece no poder. O problema é até quando a Rússia seguirá com essa posição.

2) A experiência tem demonstrado que é bom ficar desconfiado desse tipo de discurso demasiadamente eloqüente, do tipo “impossível, não é opção, inaceitável”. Geralmente, quando uma autoridade do porte de Brahimi diz isso, a interpretação pode ser “estamos prontos para atacar a Síria… falta só dobrar os russos”.

3) Ainda não apareceu liderança com capacidade de substituir Assad… E a Síria fica numa região bem mais estratégica e sensível que a Líbia para simplesmente derrubarem o homem (como fizeram com Kadafi) e colocarem “não-sei-quem” no lugar dele. Isso sem falar dos arsenais de armas químicas em poder dos sírios e da proximidade com Iraque, Turquia e, obviamente, Israel. O que estou dizendo é que ao menos Assad se conhece…

De toda maneira, o conflito já segue por muito tempo e, pelo visto, Assad está conseguindo lidar bem com a situação (da maneira dele, claro). Mas que a pressão externa é significativa, ah isso é! Continuamos de olho…

RIA Novosti

Arab Invasion in Syria ‘Not an Option’ – UN Envoy

18:20 02/09/2012

A military intervention in Syria by Arab forces is not on the cards, Lakhdar Brahimi, United Nations’ new envoy to the war-torn country, said on Sunday.

“A military interference in Syria means failure of diplomatic efforts,” Brahimi said in an interview to Al Arabiya television. Continuar lendo

Obama e “a maldição de Kadafi”…

É… estou começando a achar que a maldição de Kadafi está chegando às terras estadunidenses… Segundo a Reuters, Romney já está com 44% das intenções e Obama 42% (claro que sempre tem a Flórida, né?)… Será que Obama consegue mais quatro anos?

Romney draws battle lines in GOP acceptance speech

The Washington Post – By , Published: August 30 | Updated: Friday, August 31, 1:16 AM

TAMPA — Mitt Romney claimed the Republican presidential nomination here Thursday night with a promise to restore the nation’s economic strength and a critique of President Obama’s record, which he said has turned hope and change into failure and disappointment for the nation’s families. Continuar lendo

Elementos de Direito Internacional na OAB-DF

Aproveitando o ensejo, divulgo nosso curso sobre Direito Internacional, a iniciar-se no próximo dia 10/09, também na Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (ESA-OAB/DF). Trataremos de questões pontuais de Direito Internacional relacionadas aos seguintes temas:

1. Direito, Relações Internacionais e o mundo contemporâneo. 2. Direito Internacional e Direito Interno: monismo e dualismo. 3. Sujeitos de Direito Internacional. 4.  O Estado: aspectos constitutivos. 5. Nacionalidade. 6. Condição Jurídica do Estrangeiro: deportação, expulsão, extradição. 7. Fontes do Direito Internacional: costumes e princípios gerais de direito. 8. Fontes do Direito Internacional: os tratados. 9. A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados.

Inscrições no local (516 Norte) ou pelo site http://www.oabdf.org.br/eventos/457/169184/ElementosDoDireitoInternacional/.

Agradeço aos que divulgarem!

Inforel em Israel

Aproveitando nossa volta aos trabalhos de Frumentarius, gostaria de lembrar que meu caro amigo Marcelo Rech, editor do Inforel, está em Israel acompanhando as atividades na zona de guerra. Recomendo o acompanhamento das notícias naquele site, com especial atenção àquelas que Marcelo tem escrito a partir da pátria judaica.

Para acessar o Inforel, clique aqui.

Tratados, tratados…

Impressionante como se assevera, com toda convicção e sem qualquer dívida, que “o Paraguai não suspenderá o fornecimento de energia ao Brasil porque o tratado assim o proíbe”. Santa ingenuidade, Batman!

Ok, por mais relevante que seja o Tratado de Itaipu, não seria isso que impediria uma ação mais ousada por parte de Assunção. Afinal, nós aqui não subvertemos os acordos fundamentais do Mercosul para suspender a República Guarani e incorporar o Estado Bolivariano?

As razões que impedem a iniciativa mais drástica por parte do Governo Franco são de ordem econômica e política. Tratados, bem, já houve outros que foram reinterpretados…

09/08/2012 17:46

Corte paraguaio de energia? Não tão cedo

Apesar das intensões de Frederico Franco de suspender a venda de excedente de energia de Itaipu, não dá para “atropelar” tratado com Brasil – não até que ele expire, em 2023 Continuar lendo

Pachouchadas de Política Externa…

Muito bem! Estamos de volta, como prometido! E retornamos com a notícia que tem sido tratada pela imprensa nos últimos dias e que foi discutida hoje na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional de nosso Senado da República: a de que o Paraguai não estaria disposto a continuar “cedendo” energia para o Brasil (e também à Argentina). Fui buscar diretamente na fonte, o pronunciamento feito pelo Presidente Franco e disponível na página do governo paraguaio. Foi realmente isso que disse Sua Excelência.

Claro que a República Guarani teria mais prejuízos que benefícios se resolvesse suspender ou diminuir o fornecimento da energia excedente produzida em Itaipu e Yacyretá a seus dois vizinhos e (ex-)parceiros do Mercosul. Ademais, não se espera que os paraguaios quebrem os acordos internacionais que têm com Brasil e Argentina (ao contrário do que Brasília, Buenos Aires e Montevidéu fizeram com Assunção na patuscada que suspendeu o Paraguai e incorporou a Venezuela ao Mercosul – atual MercoChávez – subvertendo o Tratado de Assunção).

Entretanto, retórica à parte, a conduta paraguaia nada mais é que justificável resposta aos absurdos de nossa política externa para com aquele país. E conduz à reflexão sobre como temos colocado os pés pelas mãos no trato com nossos vizinhos e parceiros pelo globo. Na última década, por motivação ideológica, incompetência de alguns líderes ou plano concertado para tentar impor um modelo anacrônico de relação de poder, o Governo brasileiro tem subvertido princípios tradicionais de Política Externa, como o da não intervenção em assuntos internos de outros Estados e o da defesa da democracia. Isso macula nossa imagem de país conciliador e defensor do Direito Internacional e coloca o Brasil entre os grandes parceiros de ditaduras e como instrumento de orientações externas ideologicamente motivadas.

Difícil, por exemplo, aceitar a maneira como permitimos (para não dizer “propiciamos”) a suspensão do Paraguai do Mercosul (diga-se de passagem, um membro fundador do bloco), para permitir o ingresso irregular da Venezuela, país importantíssimo de nosso continente, mas que se encontra sob um governo que, na melhor das hipóteses, defende tudo que é contrário aos preceitos que fundamentam o bloco criado pelo Tratado de Assunção (tanto no campo econômico quanto na esfera política e de relações externas). É por isso que defendo que a “agremiação” deixe de se chamar Mercosul e ganhe a nova alcunha de Mercochávez, mais adequada à presente realidade.

Bom, o fato é que a incapacidade de conduzirmos nossa política externa de maneira independente e livre de motivações ideológicas tem causado prejuízos dos mais diversos ao País. E, se continuarmos como estamos, mais prejuízos virão. Impressionante o quanto nos apequenamos diante de figuras como o senhor das terras bolivarianas. E isso revela o quanto estamos longe de sermos protagonista das relações internacionais.

Não, não somos potência. Potências atuam de acordo com seus interesses e não como marionetes nas mãos de outrem. Ainda precisamos caminhar muito para sermos Potência…

Paraguay no está dispuesto a seguir cediendo su energía a Brasil y Argentina

Miercoles, 8 de Agosto de 2012

“La decisión del Gobierno es clara: No estamos dispuestos a seguir cediendo nuestra energía. Y fíjense que utilizo bien la palabra “ceder”. Porque lo que estamos haciendo es ceder a Brasil y Argentina, ni siquiera estamos vendiendo”. Continuar lendo