In Memorian

Gostaria de registrar aqui minhas condolências às famílias do Embaixador John Cristopher Stevens e dos funcionários diplomáticos estadunidenses brutalmente assassinados na Líbia no dia 11 de setembro último.

Esta é ainda uma semana para se lembrar das milhares de vítimas dos atentados de 11/09/2001 e de todos os que morreram ou têm sofrido em consequência daqueles fatídicos acontecimentos, seja no Ocidente, seja no Mundo Islâmico, seja em qualquer outra parte do globo.

Só não lamento a morte de Bin Laden e de toda a corja de terroristas que se conseguiu enviar desta para uma melhor… Nada, absolutamente nada justifica o recurso ao terrorismo.

Enquanto isso, na Rússia…

Fiquei surpreso com o fato de que, até agora, 23OUT2011, não encontrei qualquer pronunciamento oficial do Governo russo sobre a morte de Kadafi. Nada na página do Primeiro Ministro, nem na Presidência, tampouco no Ministério das Relações Exteriores (por falar nisso, o link para a página em inglês do Ministério das Relações Exteriores redireciona para o Ministério do Interior – hehehehe). Não tive paciência nem tempo para olhar nas páginas em russo.

Pode ser intencional, mas os russos demoram a atualizar seus sites oficiais… Vai entender…

Artigo interessante sobre a real preocupação dos russos no momento: a eleição de Putin. Gosto de Putin…

RUSSIA PROFILE.ORG

 
Section: Politics

A Tough Crowd

Critical Russian Media Scrambles to Analyze the Consequences of another 12 Years of Putin By Dan PeleschukRussia Profile 09/26/2011President Dmitry Medvedev’s announcement on Saturday that he would step aside to allow Prime Minister Vladimir Putin another chance at the presidency ended nearly four years of speculation as to whether Putin would return to the post. Though analysts and casual observers alike had long predicted the move, the announcement still sent ripples through the Russian media. And while the local press tackled the story with commendable analysis, most of the coverage was geared toward predicting the bleak course on which Putin would continue to steer Russia. Bloggers, meanwhile, took to the Web to voice their own concerns. Continuar lendo

Como acabam os ditatores

Aqueles que nos formamos nas últimas décadas acostumamo-nos com a imagem de Muamar Kadafi como homem forte da Líbia, líder autoproclamado da causa dos países em desenvolvimento e de um nacionalismo árabe e anticlerical, admirado por muitos, odiado por tantos outros… Pode-se dizer muito de Kadafi, menos que ele era um sujeito comum. De suas roupas espalhafatosas a seus discursos ardorosos contra os Estados Unidos, passando pelo apoio ao terrorismo e a rivalidade com a Al Qaeda, o homem que aos 27 anos chegou ao poder de forma extraordinária (e igualmente conseguiu mantê-lo por quatro décadas) certamente deixará sua marca na História do final do século XX e do início do terceiro milênio.

É estranho ver Kadafi morto. É estranho ver a Líbia sem Kadafi. É estranho ver o mundo árabe sem um de seus líderes mais conhecidos e polêmicos, um verdadeiro “pop star do terceiromundismo”. É estranho imaginar o mundo sem a figura do líbio com suas vestes de beduíno ou seu uniforme com fotos pregadas, com sua bela guarda pessoal composta só de mulheres, sem sua tenda armada defronte as ruínas do palácio presidencial, sem seu semblante à frente da bandeira verde e do nome “Líbia” nas conferências internacionais.

Muito sentirão falta dele. Eu sentirei falta dele, o Caubi da Líbia, o crossdressing de Trípoli, o inspirador da moda brega-megalômana entre os ditadores… Certamente, o mundo sem Kadafi ficará mais sem graça…

Interessante como acabou Kadafi. Resistiu por décadas às Potências ocidentais. Sobreviveu ao bombardeio estadunidense de 1986. Pereceu nas mãos do próprio povo.

Há alguns meses, comentando o Levante na Líbia, eu disse aqui neste site que Kadafi não era como Saddam Hussein. Disse que ele resistiria até o final e que morreria lutando… Foi o que aconteceu.

Pereceu nas mãos do próprio povo. No século XXI, talvez este seja o destino da maioria dos ditadores. O que aconteceu a Kadafi seria impensável há alguns anos, assim como o que acontece hoje no mundo islâmico. Morreu como deveria morrer.

Que o exemplo de Kadafi sirva de alerta para alguns outros líderes remanescentes de uma época em que os regimes autoritários eram incontestes, e o argumento de que se agia por uma causa maior e em nome do povo era suficiente para perpetuar ditadores no poder.

Tudo indica que os anos que se seguem não serão campo fértil para a manutenção de ditaduras, muitas plantadas há décadas, em uma época em que ser ditador em país pobre era até fashion. Logo essas ditaduras cairão, pois as idéias que lhes deram origem já terão sido esquecidas pelas novas gerações… E esses ditadores cairão por suas próprias mãos, pelas mãos do progresso e do anseio democrático, ou pelas mãos de seu próprio povo.

Depois do que houve com Muamar, os dinossauros que sobreviveram à onda autoritária do século XX deveriam colocar as barbas de molho…

Como manipular a informação…

Os dois artigos a seguir retirei de uma das mailing lists que recebo. Esta, particularmente, é produzida por seguimentos de esquerda (claro que acompanho a maneira como a esquerda percebe o mundo! Fundamental conhecer para se poder criticar com propriedade, né? Mas, lembro sempre, tenho amigos de esquerda…).

Inseri os artigos para que o leitor possa refletir um pouco como a informação pode ser tratada para produzir deferentes verdades. Não vou comentar mais nada. Leia e tire suas próprias conclusões…

LIBIA -La Resistencia Libiacombate contra los mercenarios – Opositores pro-OTAN  retroceden ante ofensiva leal a Gaddafi en Sirte

 Cientos de heridos se registran entre la población de Sirte, debido a los bombardeos dela OTANy a los combates entre mercenarios y la resistencia libia. Continuar lendo

Uma visão russa da Líbia e do Levante

Excelente entrevista com o velho Primakov, que continua lúcido. Não é à toa que o homem foi Ministro das Relações Exteriores e chefe da Inteligência Externa da Rússia. Gostei, particularmente, da análise sobre o perfil de Kadafi e do imbróglio em que o Ocidente está se metendo. Recomendo a leitura.

SPIEGEL ONLINE
07/26/2011 05:52 PM
 

Interview with Former Russian Prime Minister – ‘What Will Happen After Gadhafi?’

By Matthias Schepp and Bernhard Zand
 

In an interview with SPIEGEL, 81-year-old former Russian Prime Minister, Foreign Minister and chief of foreign intelligence Yevgeny Primakov discusses the situation in Libya and Russia’s concerns about an “explosive trend” in NATO operations. Continuar lendo

Rebeldes repelidos para o sul da capital líbia…

É… Kadafi contra-ataca… E olha a origem dos mísseis que repeliram o avanço rebelde! Trípolo resiste…

Rockets push back rebels south of Libyan capital

Photo
Reuters, 01JUL2011 – 3:34pm EDT

By Anis Mili

BIR-AYYAD, Libya (Reuters) – Libyan rebels who had advanced to within 80 km (50 miles) of Muammar Gaddafi’s stronghold in the capital were forced to retreat on Friday after coming under a barrage of rocket fire from government forces.

The rebels’ advance five days ago to the outskirts of the small town of Bir al-Ghanam had raised the possibility of a breakthrough in a four-month old conflict that has become the bloodiest of the “Arab Spring” uprisings Continuar lendo

Muamar ainda está lá, e quer continuar…

Pois é, não é que o Muamar continua lá?!? Eu disse, eu disse que ele ia demorar a cair (só para me contradizerem, é capaz do Cauby de Trípoli ser derrubado amanhã mesmo! Mas, de toda maneira, resistiu bem, não?!)! E opior é que a OTAN ainda não conseguiu apresentar ao mundo alguém com autoridade suficiente para ocupar o lugar do Paulo Beti da Líbia! Quem é o principal líder rebelde? Quem ficará no lugar de Kadafi? O que sei é que ele é, definitivamente, teimoso… E não deixará o poder facilmente…

Gaddafi revives offer of vote to end Libya conflict

Photo
Reuters, 26JUN2011 – 1:39pm EDT
By Nick Carey

TRIPOLI (Reuters) – The Libyan government on Sunday renewed its offer to hold a vote on whether Muammar Gaddafi should stay in power, a proposal unlikely to interest his opponents but which could widen differences inside NATO. Continuar lendo