A mordida do rato

Coreia do Norte MisseisPara quem acha que é só bravata de Pyong Yang e que a situação não está assim tão tensa… Continuo acreditando que os eventos podem culminar em um conflito nas próximas duas semanas. A Coréia do Norte permanece um país tremendamente imprevisível. E se lançar um ataque contra os EUA (mesmo que contra as bases ou embarcações estadunidenses na região), será difícil a Washington não dar uma resposta dura. E lembro que há outros alvos, como além da Coréia do Sul, como o Japão.

Continuo dizendo que uma mordida de rato pode até não ser letal (isso se não infeccionar ou transmitir alguma doença), mas que doerá muito, ah vai doer!

N. Korea ‘Approves Nuclear Strike’ on US – Report

Ria Novosti 01:12 04/04/2013

The North Korean army said Wednesday that it had received approval to launch a “merciless” attack on the United States, including possible nuclear strikes. 

WASHINGTON, April 3 (RIA Novosti) – The North Korean army said Wednesday that it had received approval to launch a “merciless” attack on the United States, including possible nuclear strikes. Continuar lendo

Outro nos EUA?

Ameteoritogora teria sido nos EUA… Habitantes da Califórnia teriam visto um corpo cruzando os céus no mesmo dia (tecnicamente, na mesma noite) do meteorito da Rússia… Não vi qualquer confirmação em jornais estadunidenses até agora… Pode ser só delírio coletivo ou necessidade de chamar a atenção… De toda maneira, se a coisa se confirmar e cair outro sobre a China ou a Europa, desconfiarei de possível invasão alienígena… Se cair sobre o Brasil, certamente será algum problema relacionado às obras do PAC ou da Copa…

16/02/2013 09h32

Moradores dos EUA relatam passagem de ‘meteoro’ nesta sexta

Bola de fogo cruzou o céu de diversas cidades da Califórnia durante a noite. Fenômeno ocorre no mesmo dia em que meteoro caiu em região da Rússia.

 Do G1, em São Paulo

Moradores de cidades da Califórnia, nos Estados Unidos, relataram nesta sexta-feira (15) a aparição de uma bola de fogo que cruzou o céu da região. As informações foram relatadas a diversas emissoras locais de televisão.
O fato chama a atenção já que no mesmo dia um meteoro caiu na região de Cheliabinsk, na Rússia, ferindo mais de mil pessoas que foram atingidas por estilhaços de vidro, de acordo com o governo russo. Continuar lendo

US$ 631 bilhões para a Defesa

PentagonoClaro que essa quantia astronômica é a do orçamento de Defesa dos EUA… O país continua sendo, de longe, o que mais aplica recursos nessa área… É o ônus de ser a potência hegemônica. Convém observar dois aspectos dessa informação. Primeiramente, a indústria de defesa estadunidense tem importância naquela economia, emprega milhares de pessoas e movimenta grandes somas de recursos… ademais, os EUA são o maior exportador mundial de armas (nada contra, só há vendas porque há quem compre – ainda que o vendedor estimule o comprador…). Entretanto, assinalo (e vejam, essa é uma percepção pessoal, não busquei dados para corroborá-la – inferência, portanto) que algo me diz que a crise pela qual passam os estadunidenses tem alguma relação com os últimos dez anos de guerra (quase doze, para ser mais preciso), desde o 11/9/2001.

Claro que a guerra está no DNA dos EUA – não houve uma geração, desde a independência, que não tenha vivido uma guerra. Não obstante, esta (Afeganistão+Iraque) é a guerra mais prolongada do século… e, por mais poderosa que seja uma nação, uma década de guerra é realmente algo tremendamente desgastante… Repito, é só uma impressão…

Em tempo: a notícia veio pelo excelente site de meu amigo Marcus Reis (para acessá-lo, clique aqui) que, por sua vez, a buscou em um blog DEFESA BR, que eu não conhecia, mas de já gostei no primeiro acesso. Recomendo ambos!

AFP via R7 – 23/1/2013 às 12h56

Senado dos EUA aprova US$ 631 bi para Defesa

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira um orçamento de 631 bilhões de dólares para o Pentágono em 2013, apesar do impasse em torno do plano para a redução do déficit que poderá levar a enormes cortes nos gastos militares nos próximos anos. Continuar lendo

Senado aprova nova lei de acesso à informação… nos EUA!

US-SenateEnquanto as atenções estão voltadas para o “abismo fiscal”, segue notícia que deve interessar acadêmicos e o pessoal da comunidade de inteligência. O Senado dos EUA aprovou, no último dia 28, uma nova legisação de acesso à informação, menos restritiva que anterior. Vale destaque para a manutenção da obrigatoriedade da Adminsitração pública de informar ao Congresso qualquer desclassificação de documento fornecido à imprensa. A medida pode ser singela, mas revela o Legislativo efetivamente realizando o controle dos serviços secretos.

Senate Passes Intelligence Bill Without Anti-Leak Measures

December 31st, 2012 by Steven Aftergood

The Senate passed the FY2013 intelligence authorization act on December 28 after most of the controversial provisions intended to combat leaks had been removed.

Sen. Dianne Feinstein, the chair of the Senate Intelligence Committee, said the bill was revised in order to expedite its passage. Continuar lendo

Escapando do abismo…

us senate fiscal cliffBom que a coisa está andando nos EUA… Não é salutar para ninguém (e isso inclui a nós aqui ao sul…) que a maior economia do planeta entre em recessão… Já basta a crise na Europa… e, por favor, não me venham com discursos antiamericanos (é assim que se escreve, presidente Lula?)… D’us abençoe a América!

01/01/2013 – 08h45 

Senado dos EUA aprova acordo para evitar ‘abismo fiscal’

O Senado dos EUA aprovou, por maioria esmagadora de 89 votos a favor e 8 contra, um acordo para evitar aumentos de impostos e cortes de gastos conhecido como “abismo fiscal”. O projeto de lei, que aumenta os impostos para os ricos, veio depois de longas conversações entre o vice-presidente Joe Biden e os republicanos do Senado. A Câmara dos Representantes – equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil – deve apreciar o tema ainda hoje, mais tarde, embora a votação não tenha sido agendada. Cortes de gastos foram adiados por dois meses para que um acordo mais amplo fosse possível. O Congresso havia perdido o prazo para aprovar a nova lei, mas os efeitos não foram sentidos ainda porque é um feriado público dos EUA. Cortes de impostos aprovados durante a presidência de George W. Bush formalmente expiraram à meia-noite de segunda-feira. Sem um acordo, os impostos subiriam para virtualmente todos os americanos que trabalham. Continuar lendo

O Espião que não sabia amar

Mais sobre a história de espiões em que a arte imita a vida! E, como em todas as boas histórias do gênero, há muito mais nos bastoditores do que pode supor nossa vã filosofia… Só não gostei porque Petraeus era meu candidato para suceder Obama…

Sobre John Allen, vale destacar os problemas e situações arrisacadas aos quais os EUA ficaram expostos devido ao romance do general. Love is in the air!

A mulher que explodiu a CIA

Quem é a ex-aluna de Harvard que derrubou o chefe da agência de espionagem, num caso de sexo, poder e traição que abalou uma das instituições mais prestigiadas dos EUA

Mariana Queiroz Barboza – ISTOÉ

SEDUTORA
Paula Broadwell se envolveu com o chefe da CIA enquanto escrevia sua biografia

Agência de espionagem mais conhecida do planeta, a CIA foi criada para realizar serviços secretos de inteligência. Uma das atribuições principais de seus agentes é obter informações sem ter suas identidades reveladas. Seria de se imaginar, portanto, que seus funcionários fossem capazes de executar as tarefas mais arriscadas sem deixar rastros ou despertar suspeitas. Por uma dessas ironias improváveis, o número 1 da CIA nos Estados Unidos, o general David Petraeus, 60 anos, não conseguiu manter em sigilo uma atividade perigosíssima para os padrões americanos – um caso extraconjugal. Conforme descobriu, por acaso, uma investigação do FBI que havia sido desencadeada para apurar denúncia de perseguição virtual, Petraeus, que é casado, teve um romance com sua biógrafa, uma morena de 40 anos chamada Paula Broadwell, também casada. A revelação causou constrangimentos e resultou no encerramento precoce da carreira militar de Petraeus, obrigado a renunciar ao cargo de chefe da CIA sob o argumento de que o adultério poderia ser encarado como um problema para a segurança nacional. Temia-se que as aventuras do general tivessem potencial para submetê-lo a chantagens ou abrir brechas para a violação de informações secretas. Continuar lendo

Petraeus, ah Petraeus!

E eu estava apostando nele para sucessor de Obama…

Investigação do FBI sobre Petraeus começou com “e-mails suspeitos”

domingo, 11 de novembro de 2012 12:15 BRST

WASHINGTON, 11 Nov (Reuters) – A investigação do FBI que levou à descoberta do romance do diretor da CIA David Petraeus com a autora Paula Broadwell foi provocada por “e-mails suspeitos” dela para outra mulher, e Petraeus não era o alvo da investigação, disseram autoridades da área de segurança e agentes norte-americanos à Reuters no sábado. Continuar lendo

Um ataque ao Irã?

A declaração de Barak (do Ehud, não de Obama), soa como manobra diversionista, antecendente da ação militar… Claro que qualquer medida de força não será nada fácil, tanto pela capacidade de resposta do Irã quanto pelos fatores geopolíticos que condicionam as ações na região (como a rivalidade árabe-israelense, a questão enérgica e, sobretudo, os interesses das grandes potências, particularmente dos EUA e da Rússia).

De toda maneira, o resultado das eleições nos EUA na próxima semana terá impacto sobre a decisão de Tel Aviv, isso é óbvio! O que não é tão óbvio é até que ponto Netanyahu está disposto a continuar com o apaziguamento de Washigton e se arriscar a ser agredido por uma nova potência nuclear ao invés de tentar um ataque preventivo…

Iran pulls back from nuclear bomb goal: Israeli defense minister

Photo
2Reuters, 30OCT2012 – :42pm EDT

LONDON (Reuters) – Iran has drawn back from its ambitions to build a nuclear weapon, Israel’s defense minister was quoted as saying on Tuesday, while warning that his country may still have to decide next year whether to launch a military strike against it. Continuar lendo

Sandy, oh Sandy!

Nossas preces e votos de boa sorte aos amigos da Costa Leste. A coisa não está boa por lá. Times Square e Bolsa de Nova York inundadas… O Battery Park e o metrô sob quase um metro de água, bem lembrou meu amigo Daniel De Boni…

Não é por acaso que furacões têm nome de mulher…

The New York Times 29OCT2012

Storm Slams Ashore and Disrupts Millions of Lives

By

Hurricane Sandy battered the mid-Atlantic region on Monday, its powerful gusts and storm surges causing once-in-a-generation flooding in coastal communities, knocking down trees and power lines and leaving hundreds of thousands of people — including a large swath of Manhattan — in the rain-soaked dark. Continuar lendo

Bengazi: um ataque terrorista?

Ainda tentando ler nas entrelinhas da declaração do DNI… De toda maneira, se as ações em Bengazi e no Cairo tiveram alguma participação da Al Qaeda, ficam evidentes as dificuldades que os ocidentais terão com os novos regimes. Ao menos Kadafi e Mubarack eram conhecidos inimigos da Al Qaeda… Será que ninguém vê que a situação na Síria pode ser ainda pior com a queda de Assad?

U.S. intelligence now says Benghazi attack “deliberate and organized”

Reuters, 28SEP2012 6:25pm EDT – By Mark Hosenball

WASHINGTON (Reuters) – The top U.S. intelligence authority issued an unusual public statement on Friday declaring it now believed the September 11 attack on U.S. diplomatic facilities in Benghazi, Libya, was a “deliberate and organized terrorist attack.”

The statement by the office of Director of National Intelligence James Clapper acknowledged that it represented a change in the U.S. intelligence assessment of how and why the attack happened. During the attack on two U.S. government compounds in the eastern Libyan city, four U.S. personnel, including Ambassador Christopher Stevens, were killed. Continuar lendo

Romney, o surpreendente!

A capacidade do candidato republicano de por os pés pelas mãos é surpreendente! Sinceramente, achei que, com todas as crises pela qual passou em seu governo, e com o agravamento dos protestos e manifestações contra os EUA no mundo islâmico, o Presidente Obama tinha grandes chances de não se reeleger. O problema é que Romney parece que insiste em atrapalhar sua própria campanha! Sei não, mais acho que a maldição de Kadafi foi jogada sobre os democratas, mas caiu nos republicanos… De toda maneira, viva a democracia estadunidense!

The New York Times, September 18, 2012
 

Romney Says Remarks on Voters Help Clarify Position

By  and 

Mitt Romney on Tuesday fully embraced the substance of his secretly recorded comments that 47 percent of Americans are too dependent on government, saying that his views helped define the philosophical choice for voters in his campaign against President Obama.

“The president’s view is one of a larger government; I disagree,” Mr. Romney said in an interview on Fox News. “I think a society based on a government-centered nation where government plays a larger and larger role, redistributes money, that’s the wrong course for America.” Continuar lendo

O Levante e o pós-11/09

Há algum tempo não postava os artigos de Lukyanov, sempre muito interessantes. Gostei da observação referente à pouca atenção dada pelos candidatos à Presidência dos EUA ao problema do terrorismo. De toda maneira, com a crise no mundo islâmico se agravando, Obama e Romney acabam tendo que se manifestar… e algumas vezes não o fazem tão bem.

Recomendo a leitura a meus alunos de Relações Internacionais, pois se trata de análise diferente daquelas com que nos deparamos aqui em Pindorama.

Uncertain World: How the Arab Spring Muddied Post-9/11 Clarity

17:00 13/09/2012

Last Tuesday, September 11, while the United States was commemorating the victims of the 9/11 terrorist attacks, anti-American demonstrations erupted at U.S. consulates in Libya and Egypt.

The demonstration in Benghazi, the home base for the Libyan rebels who came to power thanks to military intervention by the United States and NATO, led to clashes that killed several American diplomats, including the U.S. ambassador to Libya.

In an interview with Al Jazeera a few days earlier, Mohammed al Zawahiri, the brother of al Qaeda leader Ayman al Zawahiri, offered to broker a 10-year peace deal between al Qaeda and the West. The U.S. is to abstain from interfering in the affairs of Islamic countries, in return for which the “legitimate rights” of America and the West will be protected and they will stop being provoked.

Mohammed al Zawahiri, who was acquitted by an Egyptian military court in March this year after spending 14 years in Egyptian prisons on extremism charges, is just one beneficiary of the Arab Spring. Many other opponents of the regime have been set free since the fall of the Mubarak regime. Continuar lendo

E continuam os protestos

Não vou arriscar prever onde isso vai parar… Agora que se aprendeu a protestar no mundo islâmico, tem-se milhares de pessoas de bem à mercê de agitadores e extremistas que podem aproveitar o antiamericanismo irracional para alcançar seus objetivos particulares…

A coisa, fato, não segue bem por ali. Temo uma radicalização rumo ao extremismo religioso e a governos autoritários tão ímpios quanto as ditaduras que os antecederam… E isso não é bom para ninguém… Seria o fim do sonho do Levante? Ou acordou-se para a realidade de que democracia não se impõe e não significa a simples “vontade da maioria”?

Agora, sem querer fazer provocação, mas meu coração monarquista me faz lembrar que o Reino da Jordânia e o Reino do Marrocos estão com menos problemas que as repúblicas vizinhas (ao menos até o momento!). Fica o registro.

Anti-American fury sweeps Middle East over film

Reuters, 14SET2012, 9:15pm EDT By Ulf Laessing and Tarek Amara

KHARTOUM/TUNIS (Reuters) – Fury about a film that insults the Prophet Mohammad tore across the Middle East after weekly prayers on Friday with protesters attacking U.S. embassies and burning American flags as the Pentagon rushed to bolster security at its missions.

At least seven people were killed as local police struggled to repel assaults after weekly Muslim prayers in Tunisia and Sudan, while there was new violence in Egypt and Yemen and across the Muslim world, driven by emotions ranging from piety to anger at Western power to frustrations with local leaders and poverty. Continuar lendo

In Memorian

Gostaria de registrar aqui minhas condolências às famílias do Embaixador John Cristopher Stevens e dos funcionários diplomáticos estadunidenses brutalmente assassinados na Líbia no dia 11 de setembro último.

Esta é ainda uma semana para se lembrar das milhares de vítimas dos atentados de 11/09/2001 e de todos os que morreram ou têm sofrido em consequência daqueles fatídicos acontecimentos, seja no Ocidente, seja no Mundo Islâmico, seja em qualquer outra parte do globo.

Só não lamento a morte de Bin Laden e de toda a corja de terroristas que se conseguiu enviar desta para uma melhor… Nada, absolutamente nada justifica o recurso ao terrorismo.

Inverno de ódio

Ainda como consequência do que se cunhou chamar de Primavera Árabe, e que eu prefiro chamar de “o Levante”, aumentou significativamente a instabilidade no Norte da África e no Oriente Médio nos últimos dias. Pessoas na rua protestando, atacando missões diplomáticas e consulados, gritando palavras de ordem contra Israel e Estados Unidos, queimando bandeiras… Enfim, a efetivação do que para alguns a “consolidação da democracia no mundo árabe/muçulmano”…

Realmente, os ventos democráticos da bela Primavera Árabe, cantada em verso e prosa em diversas partes do globo (sobretudo aqui no Ocidente), sopram com intensidade nas terras do Islã. Na Líbia, quase um ano após a deposição e execução de Muamar Kadafi, permanece o clima de insegurança, associado à disputa pelo poder em um país arrasado pela guerra civil. O fortalecimento do fundamentalismo religioso e de grupos antiocidentais culminou no ataque ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi e no assassinato, por extremistas, do Embaixador estadunidense, Christopher Stevens, e de outros três funcionários diplomáticos, além de mais de uma dezena de feridos. Desde 1979 um plenipotenciário norte-americano não havia sido morto em serviço. O trágico evento afeta diretamente as relações entre a Líbia e os Estados Unidos, e pode mesmo influenciar a disputa eleitoral pela Casa Branca. A oposição já cobra medidas mais enérgicas de Barack Obama, que se vê em situação extremamente delicada na reta final da campanha…

Os acontecimentos na Líbia estão relacionados à onda de protestos no mundo árabe em decorrência de um vídeo produzido nos Estados Unidos e ofensivo ao Profeta Maomé. Trata-se de um vídeo de extremo, extremíssimo péssimo gosto, feito, de acordo com as autoridades americanas, por um estelionatário que ganhou notoriedade da noite para o dia com ofensas gratuitas à segunda maior religião do globo. Note-se que foi um ato isolado de um criminoso, nada tendo a ver com o governo dos Estados Unidos.

Em que pese o deplorável vídeo, não me venham com argumentos de que se tem aí uma justificativa para todos esses protestos e explosões de violência no mundo islâmico. Não, não se justificam. Se um cristão resolvesse atacar cada pascácio que fizesse uma piada deplorável contra o cristianismo, ou um judeu resolvesse agredir todo mentecapto que viesse com comentários preconceituosos e ofensivos ao judaísmo, o mundo já teria implodido… Nesse caso, intolerância não pode ser motivo para mais intolerância.

Mas, no Islã, diriam alguns, a coisa parece ser diferente… Manifestações contra representações diplomáticas estadunidenses ocorreram também em outros países de maioria muçulmana, entre os quais Bangladesh, Egito, Tunísia, Marrocos, Iêmen, Iraque e Irã, Sudão e até em Israel (sim, é assim que acontece numa democracia), porém nenhuma tão grave quanto a de Benghazi. O que se evidencia disso tudo é muito mais um pretexto que se encontrou no tal vídeo para uma explosão de descontentamento da parte de milhares de pessoas que vivem em péssimas condições. Sob a camada do protesto de motivação religiosa, estão sentimentos de revolta contra a ordem ali estabelecida e contra tudo que represente aquilo que a maior parte realmente almeja: paz, segurança para tocar a vida e, naturalmente, os benefícios do desenvolvimento. Isso é humano: ao não terem a vida que desejam (e, indiscutivelmente, os padrões econômicos e sociais da América do Norte e da Europa Ocidental são ansiados em todo o mundo), as pessoas acabam se revoltando e buscando bodes expiatórios (algo com a raposa e as uvas). Bom, mas não vou discutir psicologia de massa aqui…

Registro meu repúdio a essas manifestações. Absurdo total a agressão a representações de um país por ações de particulares… O que tem o governo dos EUA (ou da Grã-Bretanha ou o da Alemanha, que acabou de ter sua embaixada atacada no Egito) com um vídeo produzido por um pacóvio? Se assim o fosse, nós ocidentais deveríamos partir para cima de toda nação em que cidadãos se manifestassem contra o Ocidente. Sinceramente, não tenho paciência para esse tipo de coisa…

Voltando à política internacional, esses eventos podem repercutir em uma mudança de percepção dos Estados Unidos (ou da opinião pública e, consequentemente do eleitorado estadunidense) com relação à chamada Primavera Árabe. Note-se que, por exemplo, na Líbia, Egito e Tunísia, regimes seculares foram substituídos por governos sob influência fundamentalista (em alguns casos até com extremistas religiosos em sua composição) e com severas críticas a países ocidentais.

O que mudou no Egito, depois da queda de Mubarack? O país continua em crise, os militares no poder, a população protestando… Ah, sim! Mudou alguma coisa: os egípcios caminham para um governo mais extremista e hostil aos EUA e aos valores ocidentais (bom, né?). Minha viagem do próximo ano para conhecer aquele belo país do Norte da África acabou prejudicada, assim como a principal fonte de recursos do Egito, o turismo. Enfim, salvo por alguns poucos que assumiram o poder no lugar do sucessor Sadat, a tal da “democracia” conquistada na “Primavera Árabe” não beneficiou muita gente, permanecendo a maior parte da população na mesma penúria.

Também como consequência do Levante iniciado no ano passado, a guerra civil prossegue na Síria. Apesar de pressão da comunidade internacional, o regime de Damasco ainda se sustenta, particularmente devido ao apoio de russos e chineses. Como venho insistindo desde sempre, enquanto tiver as graças do Kremlin, o atual regime sírio se sustenta. E, tomando o exemplo do que já aconteceu em outros lugares, será que se teria uma Síria mais estável sem Assad? Não me parece… A queda do atual Presidente sírio só provocaria mais crise e instabilidade, e isso em uma área muito mais estratégica e sensível que o Norte da África.

Chegando ao Golfo, as relações entre potências ocidentais e o Irã têm-se agravado. Recentemente, o Canadá rompeu relações diplomáticas com Teerã (vide posts anteriores). Em nota oficial, Ottawa assinalou que o governo iraniano é “atualmente, a mais significativa ameaça à paz global à segurança no mundo”. A resposta de Teerã foi no sentido de que o Canadá tem tomado numerosas medidas para hostilizar o país dos aiatolás, acusando-se o governo canadense de “racista” e de “seguir a política sionista do Reino Unido”. Coisa boa não sairá daí…

Todos esses eventos assinalam um aumento da insegurança global. Merece atenção um possível aumento de ações terroristas contra alvos ocidentais, paralelamente ao endurecimento nas relações entre potências ocidentais e países islâmicos. A situação conflituosa pode alcançar diferentes partes do globo, inclusive regiões sem envolvimento direto com a crise, como a América Latina. É recomendável que as autoridades brasileiras estejam atentas a esses desdobramentos.

Em tempo: sei que é verão no Hemisfério Norte. Entretanto, assim como aconteceu com a primavera da democracia, o inverno do ódio infelizmente se prolonga no mundo islâmico…

 

EUA esperam que Rússia rompa com Assad… Esperem sentados, tá?!?

Matéria publicada pela Ria Novosti no último dia 30… Parece notícia da época da Guerra Fria… E deve ser mesmo! A negociação terá que ser muito boa para fazer os russos (e os chineses – o velho Kissinger tinha razão!) assumirem uma nova posição frente ao regime de Assad. Ademais, a Síria está perto demais da Rússia para simplesmente sair de sua esfera de influência. Até o momento, a única maneira que vejo de Assad cair por um acordo é encontrarem alguém de confiança de Moscou para substituí-lo. Ou seja, se Assad cair é porque o Kremlin o derrubou (e terá colocado um homem seu no lugar dele)… E, reitero, ainda têm que negociar com os chineses também!

RIA Novosti

United States Expects Russia to ‘Break with Assad’

02:37 30/08/2012

The United States would like Russia to clearly state that it will stop supplying Syrian President Bashar al-Assad’s regime with weapons, a spokeswoman for the U.S. State Department said in a statement on Wednesday. Continuar lendo

Obama e “a maldição de Kadafi”…

É… estou começando a achar que a maldição de Kadafi está chegando às terras estadunidenses… Segundo a Reuters, Romney já está com 44% das intenções e Obama 42% (claro que sempre tem a Flórida, né?)… Será que Obama consegue mais quatro anos?

Romney draws battle lines in GOP acceptance speech

The Washington Post – By , Published: August 30 | Updated: Friday, August 31, 1:16 AM

TAMPA — Mitt Romney claimed the Republican presidential nomination here Thursday night with a promise to restore the nation’s economic strength and a critique of President Obama’s record, which he said has turned hope and change into failure and disappointment for the nation’s families. Continuar lendo

Putin e o Ocidente

Há tempos não publicava aqui as análises de Lukyanov, sempre muito interessantes. Talvez seja precipitado falar em uma “nova Guerra Fria” entre a Rússia e os EUA. Porém, é importante estar atento aos próximos movimentos de Putin/Medvedev com vistas a aumentar o poder (influência) russo no globo.

Uncertain World: Putin and Washington: Is Conflict Inevitable?

18:27 10/05/2012

Vladimir Putin, who was inaugurated as president of Russia on May 7, has instructed the Foreign Ministry to ensure compliance with the New START Treaty, focusing on the issue of ballistic missile defense. The meaning of the gesture is clear. Relations with the United States remain at the forefront and at the core of these relations is the issue of ballistic missile defense, a situation that is unlikely to change.

Putin created a stir by announcing that he would not be attending the G8 summit at Camp David next week but would be sending Prime Minister Dmitry Medvedev to represent Russia instead. This decision is highly significant, especially considering that one of the reasons for moving the meeting from Chicago, where a NATO summit is due to be held after the G8 meeting, is the unwillingness of both sides to start their interaction off with a conflict. Continuar lendo

Cybervirus no Oriente Médio

Mais um movimento na guerra cibernética. Como disse há algumas semanas neste site, ainda é difícil lidar com essa nova dimensão do conflito no século XXI. Nesse sentido, Israel mostra-se uma grande potência e pode causar severos danos a seus adversários. Teerã que se cuide…

Powerful “Flame” cyber weapon found in Iran

Reuters.com, 28MAY2012, 6:17pm EDT – By Jim Finkle

BOSTON (Reuters) – Security experts said on Monday a highly sophisticated computer virus is infecting computers in Iran and other Middle East countries and may have been deployed at least five years ago to engage in state-sponsored cyber espionage.

Evidence suggest that the virus, dubbed Flame, may have been built on behalf of the same nation or nations that commissioned the Stuxnet worm that attacked Iran’s nuclear program in 2010, according to Kaspersky Lab, the Russian cyber security software maker that took credit for discovering the infections. Continuar lendo

Medo…

Aproveitando a ocasião da posse de Vladimir Putin como novo (não tão novo) Presidente da Rússia, segue notícia do último dia 3 de maio, sobre a resposta da Rússia ao escudo antimísseis da OTAN… Recomendo efusivamente a leitura da matéria! Preocupou-me a mensagem inicial, de que o Urso não descarta a hipótese de ação preventiva contra os ocidentais… realmente, a coisa parece cada vez mais com os tempos da Guerra Fria!

Russia Does Not Rule Out Preemptive Missile Defense Strike

14:28 03/05/2012

Russia does not exclude preemptive use of weapons against [NATO] missile defense systems in Europe but only as a last resort, the Russian General Staff said on Thursday at a missile defense conference in Moscow. Continuar lendo