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Mais sobre a história de espiões em que a arte imita a vida! E, como em todas as boas histórias do gênero, há muito mais nos bastoditores do que pode supor nossa vã filosofia… Só não gostei porque Petraeus era meu candidato para suceder Obama…

Sobre John Allen, vale destacar os problemas e situações arrisacadas aos quais os EUA ficaram expostos devido ao romance do general. Love is in the air!

A mulher que explodiu a CIA

Quem é a ex-aluna de Harvard que derrubou o chefe da agência de espionagem, num caso de sexo, poder e traição que abalou uma das instituições mais prestigiadas dos EUA

Mariana Queiroz Barboza – ISTOÉ

SEDUTORA
Paula Broadwell se envolveu com o chefe da CIA enquanto escrevia sua biografia

Agência de espionagem mais conhecida do planeta, a CIA foi criada para realizar serviços secretos de inteligência. Uma das atribuições principais de seus agentes é obter informações sem ter suas identidades reveladas. Seria de se imaginar, portanto, que seus funcionários fossem capazes de executar as tarefas mais arriscadas sem deixar rastros ou despertar suspeitas. Por uma dessas ironias improváveis, o número 1 da CIA nos Estados Unidos, o general David Petraeus, 60 anos, não conseguiu manter em sigilo uma atividade perigosíssima para os padrões americanos – um caso extraconjugal. Conforme descobriu, por acaso, uma investigação do FBI que havia sido desencadeada para apurar denúncia de perseguição virtual, Petraeus, que é casado, teve um romance com sua biógrafa, uma morena de 40 anos chamada Paula Broadwell, também casada. A revelação causou constrangimentos e resultou no encerramento precoce da carreira militar de Petraeus, obrigado a renunciar ao cargo de chefe da CIA sob o argumento de que o adultério poderia ser encarado como um problema para a segurança nacional. Temia-se que as aventuras do general tivessem potencial para submetê-lo a chantagens ou abrir brechas para a violação de informações secretas.

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Paula nutria antiga admiração por Petraeus. Após concluir sua pesquisa no centro de liderança pública da Universidade de Harvard, ela decidiu estender sua tese de doutorado em inovação organizacional baseando-se na carreira de Petraeus, um dos mais honrados militares americanos. O general, que comandou as operações dos EUA no Oriente Médio antes de chegar ao comando da CIA, deu-lhe amplo acesso no Afeganistão entre 2010 e 2011 para que Paula escrevesse sua biografia. Segundo a imprensa internacional, o romance começou em novembro do ano passado e terminou em julho de 2012. Nesse período, os amantes criaram uma conta conjunta de e-mail e usaram truques para cifrar as mensagens que trocavam. A estratégia foi ignorada por Paula quando ela começou a enviar e-mails anônimos a Jill Kelley, amiga de Petraeus. Neles, a amante dizia ter visto Jill provocar o general debaixo de uma mesa e pedia para que ela se afastasse, segundo o “Wall Street Journal”.

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Jill, igualmente casada, não se intimidou. Incomodada com as ameaças, pediu para que um amigo, que trabalha para o FBI, investigasse a origem das mensagens. Como se a história não fosse suficientemente picante, o agente foi afastado das investigações por enviar fotos suas sem camisa para Jill. Depois de ser dispensado, o sujeito levou o caso ao Congresso dos EUA. Não demorou para que Paula fosse identificada como autora dos e-mails irados e o affair com o diretor da CIA descoberto. Na segunda-feira 12, agentes federais vasculharam a casa em que Paula vive com o marido e os dois filhos em Charlotte, na Carolina do Norte, e levaram um computador. Os congressistas criticaram o FBI por não ter informado antes sobre o romance.

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Um vídeo divulgado na semana passada tornou o episódio ainda mais explosivo. Tratava-se do registro de uma palestra que Paula deu na Universidade de Denver, em outubro. Nela, a biógrafa afirma que o atentado ao Consulado dos Estados Unidos em Benghazi, na Líbia, que matou o embaixador americano e outros três funcionários há dois meses, foi uma tentativa de resgatar membros de uma milícia presos no local. A detenção de prisioneiros em anexos da CIA foi proibida por Barack Obama em 2009. A informação de Paula, portanto, revelaria não só dados secretos da operação como também uma conduta reprovada pelo próprio presidente. Poucos dias depois de ser reeleito, Obama entrou em cena. Além de procurar um novo espião para comandar a CIA, suspendeu a indicação do general John Allen para a direção da Otan. A investigação do FBI considerou que Allen manteve uma comunicação “potencialmente inapropriada” com Jill Kelley entre 2010 e 2012 (foram encontradas entre 20 mil e 30 mil páginas de e-mails trocados entre os dois). Parece mesmo que os vacilos da CIA e do FBI não são mais segredo para ninguém.

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