Dia da Bandeira (republicana)

bandeiras_imperio_republicaHoje, 19 de novembro, é o Dia da Bandeira. A data, que rememora o dia de 1889 quando os golpistas republicanos decidiram qual seria a bandeira definitiva que substituiria o belíssimo pavilhão imperial, serve para lembrar a todos os brasileiros o valor deste símbolo nacional. O único problema é que a maioria absoluta de nossa população não dá a mínima para a festividade de hoje e pouco conhecimento tem sobre a bandeira nacional. Isso é lamentável.

Ainda que prefira o pavilhão imperial, tenho profunda deferência e respeito por nossa bandeira, que considero de grande beleza. Nos últimos 125 anos, ela consolidou-se como o mais importante símbolo da pátria, e deve evocar sentimentos de amor filial e responsabilidade para com a nação. Enquanto estivermos sob o regime republicano, é ela que amarei, respeitarei e defenderei.

dragao_bandeiraTodo povo precisa de símbolos. Durante o Império, o Monarca era nosso símbolo maior, vivo e presente no imaginário da população. A bandeira nacional republicana busca preencher o vazio deixado pela imagem do soberano após a queda da monarquia. É por meio dela que nos fazemos conhecer pelo mundo, é em torno dela que nos unimos, e foi sob ela que muitos brasileiros deram a vida a serviço da pátria.

Minha homenagem hoje ao pavilhão nacional neste 19 de novembro!

Segue um vídeo gravado para a Agência Senado, no qual comento um pouco sobre o pavilhão verde-amarelo, e uma matéria relacionada.

03/11/2014 – Arquivo S

Bandeira nacional sofreu rejeição nos primórdios da República

Ao longo das primeiras décadas da República, vários projetos de lei tentaram desfigurar o modelo atual, feito em 1889. Principal crítica era aos dizeres “Ordem e progresso”, lema da Igreja Positivista


O quadro Pátria, pintado por Pedro Bruno em 1919, mostra mulheres costurando a bandeira do Brasil Foto: Reprodução/Paulo Rodrigues
Ricardo Westin

Quatro meses atrás, a bandeira verde e amarela se multiplicava pelo Brasil. Era plena Copa do Mundo e ela surgia nos muros, nos carros, nas roupas, nas janelas das casas. Poucas imagens conseguem ser tão fortes a ponto de mexer com a emoção dos brasileiros. Nem sempre foi assim. A bandeira, criada há 125 anos, levou décadas até cair de vez no gosto do país.

Em 19 de novembro de 1889, quatro dias após o golpe que enterrou a monarquia, o presidente Deodoro da Fonseca assinava um decreto com a descrição da sucessora da bandeira imperial. É por isso que o Dia da Bandeira se festeja em 19 de novembro. O modelo era praticamente idêntico ao atual. Em vez das 27 estrelas de hoje, havia 21 — o número dos estados de então mais a capital do país.

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Quando o Brasil foi Grande

cetro imperio Neste 15 de novembro, data que considero o dia da infâmia, gostaria de compartilhar com os amigos algumas de minhas razões de ser monarquista convicto. Esta a atualização de um texto que escrevi aqui em 2012.

Preliminarmente, convém registrar que não estou aqui a fazer proselitismo. Não quero convencer ninguém de que o regime monárquico é a melhor opção (apesar da profunda convicção de que é). Só o que desejo é expor minhas razões. Sou monarquista desde que me entendo por gente, e poderei dizer a meus netos que meu primeiro voto foi no parlamentarismo monárquico, por ocasião do plebiscito de 1993. Àquela época votei com convicção e segurança – vou o voto mais valioso e valorizado que já coloquei na urna.

Outra coisa: espero que este texto ajude ao menos a remover alguns preconceitos para com a alternativa monárquica. É irritante as pessoas acharem que somos monarquistas por excentricidade ou anacronismo. Incomoda a reação crítica a esse modelo quando é feita sem nenhum conhecimento do assunto, sob o único argumento (imbecil, desculpem a honestidade) de que “monarquia é coisa do passado” ou de que “o modelo republicano é mais democrático”. Para esses já respondo que a maior parte da população de países como o Reino Unido, o Japão, Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, Dinamarca (que, junto com Canadá, Austrália e Nova Zelândia constituem democracias modernas e desenvolvidas sob um regime monárquico) não pensa assim. Antes de criticarem a monarquia, as pessoas deveriam se informar mais…

Muito bem! Perguntam a razão de eu ser monarquista. Já disse, e repito, preliminarmente, que só vim a conhecer alguém da Casa Imperial do Brasil este ano de 2014, quando tive a feliz oportunidade de encontrar com Dom Bertrand de Orléans e Bragança. Príncipe Imperial do Brasil, com quem tive uma excelente conversa! Tampouco estou formalmente vinculado a qualquer organização monarquista (o que não significa que não o farei oportunamente). Sou monarquista, primeiro, porque creio que uma boa democracia se desenvolve em regimes parlamentaristas e, no Parlamentarismo, entendo que o melhor modelo é o monárquico, não o republicano. Repúblicas parlamentaristas são imperfeitas e o Presidente nunca consegue representar a totalidade da nação como o Chefe de Estado deve fazer (vide o recente caso alemão).

moeda imperioAdemais, parece-me que o único lugar onde o Presidencialismo realmente deu certo foi nos EUA, onde eles criaram o modelo, e no qual a instituição “presidência” é sagrada. Por aqui pela América Latina, o que se viu foram republiquetas instáveis, com caudilhos lutando pelo poder, golpes de Estado e instabilidade político-institucional marcada por aspirantes vorazes a ditador ou megalômanos que chegavam ao palácio presidencial sem estar realmente preparados para ocupar a posição de primeiro mandatário.

Outra razão pela qual sou monarquista é que acho que à época do Império tínhamos instituições mais sólidas e valores mais consistentes. A figura do monarca ajuda nisso – por mais que pessoalmente ele possa ser cheio de imperfeições (senão não seria humano), como figura pública é um símbolo nacional, com valores que devem ser seguidos, servindo de exemplo à população. O povo precisa de heróis, o povo precisa de referenciais, e um soberano é muito útil para compor positivamente esse imaginário. Ademais, aquela foi uma época em que o Brasil, com todos os seus problemas de desenvolvimento e atraso social, tinha uma Economia estável, um regime com liberdade de imprensa, grandes estadistas na vida pública, e era respeitado no concerto das nações, isso muito se devendo aos soberanos que aqui reinaram. Foi uma época, realmente, em que o Brasil era grande!

Antes que venham os comentários pacóvios: monarquias são menos suscetíveis à corrupção que repúblicas, a começar pelo próprio Chefe de Estado. Um monarca não precisa roubar do erário. Afinal, se o fizesse, estaria tirando do próprio bolso e não faria o menor sentido degradar um patrimônio que ele iria deixar para seus filhos. E se roubasse, qual seria o sentido? Onde, quando e como gastaria o butim? Presidentes, por outro lado, têm que fazer seu pé de meia, para quando deixarem o poder…

A monarquia, ao contrário do pensam alguns, é muito mais barata que uma República. Saibam que a Presidência de um país como o Brasil gasta muito mais que qualquer Casa Real. E, ainda que as despesas fossem mais altas para manter uma família real (melhor manter uma família permanentemente que várias famílias de presidentes por sucessivos anos), alguém já pensou no custo do presidencialismo em termos de gastos com campanhas eleitorais periódicas? Quanto dinheiro público não é gasto a cada quatro anos somente com as eleições presidenciais?

coroas (1)Não quero, repito, convencer ninguém para minha causa. Escrevi este texto porque quero compartilhar com meus leitores essa característica político-ideológica que para muitos me é tão marcante. Se você não gostar do que escrevi, paciência, não perca seu tempo tentando desconstruir meu discurso, vá cantar em outra freguesia. Escrevo para aqueles que, ao menos, tenham um mínimo de discernimento e sensatez para considerarem opiniões divergentes das suas, e que não sejam obtusos a ponto de simplesmente se fecharem a qualquer argumento que não tenham facilidade de compreender ou que pensem ser contrário a sua maneira de ver o mundo.

Monarquia é sinônimo de estabilidade. Refiro-me a monarquias constitucionais, que fique bem claro. É instituição moderna (ao contrário do que muitos pensam) e tem aspectos muito positivos.

Este quase quarentão (faço aniversário daqui a 23 dias) pode afirmar com toda convicção que prefere ser súdito do Império do Brasil a cidadão desta (ou de qualquer outra) república… Viva o Império do Brasil! Pela restauração! 

brasilimp1822-1889

The Maple Leaf Forever

remembrance_day_inottawa.jpeg.size.xxlarge.letterboxAqueles que me conhecem sabem de minha afeição pelo Canadá e por seu povo. Nesta semana de lembrança do fim da Grande Guerra (por meio do armistício de 11/11/1918), compartilho com meus leitores a letra e a música de uma canção que se torneou uma espécie de hino não-oficial do Canadá. Composta por Alexander Muir, em 1867, ano da fundação daquele grande país, The Maple Leaf Forever foi e é muito tocada em cerimônias patrióticas e militares. Impossível para um canadense não pensar nos que lutaram e morreram nas guerras das quais o país participou, e não lembrar de seus veteranos.

Minha homenagem, com esta canção, aos combatentes de ontem, de hoje, e do amanhã.

The Maple Leaf Forever

In days of yore, from Britain’s shore,
Wolfe, the dauntless hero came,

And planted firm Britannia’s flag,
On Canada’s fair domain.
Here may it wave, our boast, our pride,
And joined in love together,
The thistle, shamrock, rose entwine

The Maple Leaf forever!
Chorus:
The Maple Leaf, our emblem dear,
The Maple Leaf forever!
God save our Queen, and Heaven bless,
The Maple Leaf forever!

At Queenston Heights and Lundy’s Lane,
Our brave fathers, side by side,
For freedom, homes, and loved ones dear,
Firmly stood and nobly died;
And those dear rights which they maintained,
We swear to yield them never!
Our watchword evermore shall be,
The Maple Leaf forever!

Chorus:
Our fair Dominion now extends
From Cape Race to Nootka Sound;
May peace forever be our lot,
And plenteous store abound:
And may those ties of love be ours
Which discord cannot sever,
And flourish green o’er freedom’s home
The Maple Leaf forever!
Chorus:
On merry England’s far famed land
May kind heaven sweetly smile,
God bless old Scotland evermore
and Ireland’s Em’rald Isle!
And swell the song both loud and long
Till rocks and forest quiver!
God save our Queen and Heaven bless
The Maple Leaf forever!

Jamais Serão Esquecidos!!!

Lest forgetComo sempre faço todos os anos, relembro a importância da data de hoje. Há exatos 96 anos, na 11ª hora, do 11º dia, do 11º mês de 1918, os sinos por toda a Europa começavam a badalar celebrando o fim de quatro anos de guerra, cujo saldo negativo fora de 10 milhões de mortos e outros tantos feridos, mutilados, incapacitados. Além das preciosas vidas perdidas e dos incalculáveis prejuízos materiais, a Grande Guerra que terminava provocara mudanças fundamentais na sociedade, no quadro político e econômico internacional e, acima de tudo, da maneira de ver o mundo dos homens e mulheres de então.

A I Guerra Mundial afetou toda uma geração nos cinco continentes. Vale lembrar de países como o Canadá, tão distante do continente europeu, mas que, com uma população de 10 milhões à época, mobilizou 1,5 dos seus nacionais para o esforço de guerra, deixando para sempre nos campos de batalha da Europa cerca de 65 mil homens entre 17 e 45 anos, que foram lutar uma guerra que muitos diziam que não era deles…

Lest forget2Como sempre faço todos os anos, relembro que a Grande Guerra é um divisor de águas na História da humanidade. O mundo mudou completamente naqueles quatro anos e, a partir dali, mudaria muito mais. Bastante do que vivemos hoje encontra origem no conflito de cem anos passados…

Como sempre faço todos os anos, relembro dos milhões que se sacrificaram nos campos de batalha da Grande Guerra, dos civis que pereceram no conflito, das famílias afetadas por aqueles acontecimentos. E é a eles que rendo homenagem. Como se está a dizer hoje por todo o planeta, “jamais serão esquecidos!”!

Em homenagem a todos que viveram a Grande Guerra e que morreram naquele conflito, reproduzo aqui o Ato da Lembrança (The Act of Remembrance), um trecho do poema “For the Fallen” de Laurence Binyon, escrito em 1914, e muito usado no Dia da Lembrança (Remembrance Day), comemorado nos países da Comunidade Britânica das Nações, para lembrar os veteranos e os que tombaram defendendo seu país (for the King and the Empire). Aprendi sobre ele quando vivia no Canadá, onde a data é muito significativa. 

The Act of Remembrance

They shall grow not old,
as we that are left grow old:
Age shall not weary them,
nor the years condemn.
At the going down of the sun
and in the morning
We will remember them.

O Ato da Lembrança

Eles  não envelhecerão
Como nós envelhecemos
Eles jamais ficarão cansados
Nem o tempo os condenará
E quando o sol se puser
E ao amanhecer
Nós lembraremos deles.

Nós lembraremos deles! 

Remembrance-Sunday

O mais inesperado do mais esperado

mauerAconteceu há exatos 25 anos, mas parece que foi ontem. Naquela noite fria de 9 novembro de 1989, a Alemanha estava dividida, e Berlim era a capital da República Democrática Alemã (RDA), a Alemanha Oriental, baluarte do comunismo fundado em 1949 e país mais desenvolvido do bloco soviético depois da própria União Soviética. A RDA era governada por um regime tão autoritário que os jovens de nem conseguem conceber. Uma ditadura sustentada no terror e na repressão, na qual os cidadãos eram apenas peças da estrutura do Estado, exatamente como os tijolos que compunham o extenso muro que cercava Berlim Ocidental, enclave de resistência capitalista no coração da Alemanha comunista.

Foram quarenta anos de ditadura que inesperadamente começaram a ruir naquele ano de 1989. Com as reformas produzidas por Gorbatchev na União Soviética, o controle da Superpotência sobre seus Estados satélites do Leste Europeu foi se esvaindo e o verão daquele ano testemunhou a abertura e o fim do comunismo nos países do bloco: Polônia, Hungria, Tchecoslováquia… E os ventos de mudança chegavam à RDA.

0,,17747092_303,00Nas semanas que antecederam o dia 9 de novembro, o que se viu foram protestos e passeatas de milhares de pessoas pelas cidades da Alemanha Oriental, com as pessoas desafiando o regime e clamando por mudanças. A partir do verão, outros milhares de alemães orientais atravessavam as fronteiras com os países comunistas que se abriam, para tentar escapar para o mundo livre. As pressões sobre o governo comunista cresciam assustadoramente: ninguém aguentava mais a experiência do “socialismo real” na terra de Goethe.

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Então, o inesperado aconteceu:  ao vivo na TV estatal, Günter Schabowsk, dava uma entrevista falando sobre o processo de abertura das fronteiras que o governo decidira que iria acontecer. E, perguntado de surpresa pelo entrevistador sobre quando isso aconteceria, Schabowsk, sob tensão, titubeou um pouco e disse, “Isso vale, pelo que sei…a partir de agora, impreterivelmente!” (queria de fato dizer que seria o mais brevemente possível).  Foi só o que precisavam ouvir milhares de alemães dos dois lados do muro que acorreram para aquela parede inglória clamando para que as fronteiras fossem liberadas… E o resto foi história. Os guardas de fronteira não conseguiram conter a multidão. Logo o muro estava cercado e marretas o punham abaixo. Emociono-me quando lembro dessa cena. O muro da infâmia, que separava um povo, e no qual muitos pereceram tentando escapar para a liberdade, simplesmente, ruiu, de forma rápida e inesperada. Em menos de um ano, a Alemanha estaria unificada e a RDA seria história. A liberdade triunfava.

queda-do-muro-de-berlimQueria registrar hoje essa lembrança que me é tão marcante. Parabéns aos alemães por essa grande conquista! E que nunca mais possamos testemunhar o retorno do comunismo ao Ocidente!

Seguem imagens muito marcantes daquela noite de 9 de novembro, com o relato dos jornalistas que testemunharam aquele acontecimento.

http://www.youtube.com/watch?v=7w7FWS_CHP4

E um documentário sobre o Muro:

Imperativo de Mudança

fd9_aecio_765086_50bd0e1fec1e3-1420188Não sou filiado ao PSDB e nem a qualquer partido de oposição e, diferentemente do que possam achar os esquerdopatas que porventura agora estejam lendo este texto  (podem parar de ler, o que vem a seguir não os interessa e vocês não ficarão felizes com minhas conclusões), não recebo um centavo para escrever em Frumentarius. Este site é meu, por mim construído e aqui exponho minhas opiniões, de forma independente, simplesmente externando o que penso. E o faço recorrendo ao direito democrático de expressar minhas idéias (ainda vivemos em uma democracia, certo?). Se não gostar, não se irrite, não me queira mal, basta não as ler. Que fique o esclarecimento preliminar…

Agora vamos aos fatos. O resultado das eleições de 5 de outubro deixou claro que o Brasil quer mudança. Ao contrário do que disse a candidata Dilma Rousseff em seu discurso pós-primeiro turno, a maioria do eleitorado votou contra o PT. Exatamente! Uma vez que obteve 41,59% dos votos, fica evidente (se ainda me lembro de matemática) que 58,41% dos eleitores brasileiros não votaram na atual presidente. O sinal foi dado: a maioria não quer mais o PT no poder. E estamos diante de um imperativo de mudança.

fhc-e-aecio-neves-chapa-que-pode-ganhar-apoio-nacionalA candidatura de Aécio Neves ganha força como um sinal de que muitos brasileiros estão cansados de incompetência gerencial, de destrato da coisa pública, de mentiras, de apropriação do patrimônio do Estado, de corrupção institucionalizada. Nos últimos quatro anos, o governo Dilma mostrou-se incapaz de conduzir adequadamente os destinos do País. Resultado: crise econômica, retorno da inflação, crescimento insignificante do PIB (mas este ano estamos melhor que a Rússia!… que está em guerra!!!), reservas sendo torradas, aumento da violência, sovietização do Estado, tendências autoritárias, e a deplorável corrupção que sangra bilhões de nosso patrimônio… Ninguém aguenta mais!

Espero, sinceramente, que Aécio Neves seja o novo presidente do Brasil.  Acredito que ele e sua equipe terão melhores condições para conduzir o País nos tempos difíceis que se aproximam. Sim, porque 2015 e 2016 não serão fáceis… Ademais, alternância no poder é tremendamente salutar em uma democracia, 12 anos geram desgaste para qualquer administração, e o governo que aí está provou que não consegue administrar o caos e que levará o Brasil à bancarrota.

Fiquei satisfeito com a adesão do PPS, do PSC, do PV, do PSB e de outros partidos e grupos políticos e sociais à candidatura de Aécio. Afinal, são todos unidos pela mudança (taí um bom slogan! Quero meus créditos!)! Precisamos disso. E necessitaremos de um grande esforço nacional para transformar o Brasil, enfrentar a crise econômica, resolver as tensões sociais (as já existentes e as criadas pela política de ódio e de instigação ao confronto dos últimos anos, que deseja por brasileiros contra brasileiros em uma luta de classes anacrônica), e recolocar o País nos trilhos.

Voto, portanto, em Aécio Neves. Que a Providência Divina ilumine os corações e mentes da maioria dos brasileiros no próximo domingo para que decidam por um Brasil mais justo e honesto. Precisamos de mudanças. Isso é imperativo.

aecio

PSB aprova apoio a Aécio e abre caminho para adesão de Marina

RANIER BRAGON, DE BRASÍLIA – Folha de São Paulo, 08/10/2014 18h44

Após mais de três horas de reunião e com algumas divergências, a Executiva Nacional do PSB, o partido de Marina Silva, aprovou na tarde desta quarta-feira (8) o apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência.

Foram 21 votos a favor contra 7 que optavam pela neutralidade. O senador João Capiberibe (AP) foi o único a defender o apoio a Dilma Rousseff (PT).

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Ebola: uma história

BBCHá muitos anos (de fato, há mais de duas décadas) tenho buscado, por curiosidade, estudar as grandes epidemias. Já li alguma coisa sobre a gripe espanhola (que, de acordo com pesquisas mais recentes, pode ter matado 100 milhões de pessoas naqueles anos terríveis de 1918 e 1919), a peste negra (que devastou o Velho Mundo) e, mais recentemente, epidemias da era moderna, como o ebola.

Lembro do ebola do início da década de 1990, quando houve um grande surto no continente africana (nada comparado a este). Achei que aquele vírus, que matava em 90% dos casos (e com uma morte horrível), dizimaria parte da humanidade antes do fim do milênio. Mas o surto passou tão rápido quanto surgiu, e o mundo voltou à normalidade (nem tanto).

Agora o ebola voltou e está fora de controle. Já saiu da África e tem potencial para provocar um inferno na terra. Eu bem que queria não me preocupar com o ebola… só que não consigo.

Segue interessante artigo da BBC sobre a história do vírus.

Vírus do ebola chegou à Europa em garrafa térmica em 1976

BBC
Ebola foi descoberto em 1976, em uma comunidade no antigo Zaire

Há cerca de 40 anos, um jovem cientista belga viajou para um parte remota da floresta do Congo com a tarefa de descobrir por que tantas pessoas estavam morrendo de uma doença misteriosa e aterrorizante.

Em setembro de 1976, um pacote com uma garrafa térmica azul havia chegado ao Instituto de Medicina Tropical em Antuérpia, na Bélgica.

Peter Piot tinha 27 anos e, com formação em medicina, atuava como microbiologista clínico.

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A Turquia, o Estado Islâmico e a reação do Ocidente

califadoMeu amigo Marcus Reis perguntou-me ontem o porquê da aparente inação da Turquia diante do Estado Islâmico, que aos poucos se aproxima da fronteira turca. Sobre o assunto, importante lembrar que a população que está massacrando pelo Estado Islâmico no norte da Síria é curda. A questão curda é, há muito tempo, um espinho no sapato do governo de Ancara (ou Angorá, como já se disse em outros tempos).

Ademais, uma ação turca em defesa dos curdos sírios poderia de alguma forma beneficiar o PKK, considerado grupo terrorista por Ancara. Isso traria problemas internos para os turcos e complicaria a relação com a comunidade curda na Turquia. Bom lembrar, finalmente, que a Turquia é membro da OTAN. Se o ISIS (sigla em inglês para o Estado Islâmico do Iraque e do Levante) entrar em território turco, será um membro da OTAN atacado… aí a coisa fica mais feia…

20141006084702218rtsMinha opinião a respeito de como lidar com o Estado Islâmico já foi apresentada aqui em Frumentarius: para resolver o problema, a alternativa seria o emprego de força militar clássica, ou seja, tropas da OTAN (forças convencionais) em grande quantidade mobilizadas para entrar na área sobre controle do ISIS e ir varrendo aquele nefasto grupo dali. Seria algo que só encontraria precedentes nas operações militares de 70 anos atrás.

size_590_jihadistas-raqaClaro que ninguém no Ocidente está mais disposto a recorrer à guerra tradicional. “Isso é coisa do passado, inaceitável para os padrões do século XXI!”, dirão alguns (interessante que as barbaridades cometidas pelo ISIS não colocariam aquela população vivendo em outras eras). Sendo assim, a coisa só tende a piorar e não vislumbro solução breve para o inferno na terra causado pelo Estado Islâmico – sim, porque há gente, de todas as idades, homens e mulheres, sendo torturada, violentada, massacrada, enfim, morrendo nas mãos desses monstros que querem o califado mundial.

Não acredito, portanto, na efetividade de bombardeios estratégicos contra o ISIS. E também acho que fornecer armas para os curdos para “deixá-los se defender por si mesmos” só vai servir para plantar a semente de um novo Afeganistão daqui a alguns anos (como sempre tem acontecido nas guerras periféricas). Mas, repito, ninguém quer realmente se preocupar com as atrocidades cometidas pelo Estado Islâmico…

Militant Islamist fighters parade on military vehicles along the streets of northern Raqqa province

NATO promises to protect Turkey against ISIS threat

Published time: October 06, 2014 16:30 Get short URL 
Patriot missile batteries are pictured at their positions near the city of Kahramanmaras, Turkey (Reuters / Rainer Jensen)

NATO will not abandon Turkey if it is attacked by Islamic State fighters which are closing in on the member state’s border from Syria, the alliance’s secretary-general, Jens Stoltenberg, said.

“Turkey should know that NATO will be there if there is any spillover, any attacks on Turkey as a consequence of the violence we see in Syria,” Stoltenberg said, as quoted by Reuters. Continuar lendo

65 anos da OTAN

nato-symbolParticipação nossa no Direito Sem Fronteiras sobre os 65 anos da OTAN. Com o fim da Guerra Fria, a organização teve que repensar seu papel. Ganharia uma sobrevida em razão desde o conflito do Afeganistão e novos contornos com os acontecimentos deste ano relacionados à segurança da Europa e do restante do mundo.

Porque apoiar o Estado Islâmico…

isis_childremDifícil assinalar organização mais execrável, nefasta e bárbara que o chamado “Estado Islâmico”, o grupo jihadista que tem causado terror e morte em uma área abrangente do Oriente Médio, aí incluídos parte da Síria e, sobretudo, do Iraque. Esses facínoras, sob um discurso fundamentalista de estabelecimento de um “grande califado”, têm imposto um regime severo de violência no território por eles ocupado, com atos que compreendem crucificação de mulheres e crianças, degola de prisioneiros,  estupros, tortura, enfim, formas impensáveis de impor dor e sofrimento. Difícil mesmo conceber tamanha barbaridade em pleno século XX.

O Estado Islâmico é considerado radical até mesmo pela Al Qaeda. E consegue reunir contra ele países como os Estados Unidos e o Irã. A Organização das Nações Unidas já se manifestou no sentido de que medidas severas (inclusive com o uso da força) devem ser tomadas para deter a escalada de violência produzida pelos jihadistas. A coalizão internacional estabelecida para intervir militarmente na região encontra apoio de praticamente todo o mundo. Praticamente…

FOTO2-334495-2014-09-24-14-44Em meio à indignação mundial contra o Estado Islâmico, uma voz clamou isolada na abertura dos trabalhos deste ano da Assembléia Geral da ONU em prol da “negociação” com os monstros: foi a presidente Dilma Rousseff, que sem fazer referência direta ao grupo, mas tratando das intervenções militares na região, assinalou que “o uso da força é incapaz de eliminar as causas profundas dos conflitos”. Difícil conceber o que este Governo deseja defendendo um entendimento com os terroristas. Gostaria de uma explicação do porquê dessa atitude parcimoniosa com assassinos cruéis. Talvez a presidente não tenha sido tão bem assessorada para se portar daquela maneira em seu discurso na Assembléia Geral. O que levaria Dilma Rousseff a se colocar contra a necessidade de intervenção militar para por fim à barbárie promovida por um exército terrorista? Falta de informação? Desatenção para com um tema tão importante? Será que há afinidade de pensamento? 

Nada justifica o posicionamento do Governo brasileiro a favor da negociação com terroristas. Inaceitável qualquer forma de entendimento com o Estado Islâmico, mesmo porque o ódio e o obscurantismo daqueles monstros impede qualquer hipótese de negociação. Para acabar com o regime de terror desses criminosos na Síria e no Iraque, a única alternativa efetiva é a intervenção militar. A comunidade internacional precisa recorrer ao uso firme e maciço da força para arrancá-los de suas tocas, por fim a suas atrocidades e limpar os territórios ocupados por essa praga. Mas, pelo visto, não é assim que entende a presidente do Brasil, para a vergonha e a tristeza de muitos brasileiros.

isis_crucifixion_0A conduta condescendente do Brasil foi objeto de críticas diversas de vários países. Ninguém vê com bons olhos a existência do Estado Islâmico. Mas nosso governo quer negociar com eles. Não interessa como esses terroristas mostram o quanto são sanguinários e que estão dispostos aos maiores absurdos pela causa que defendem. Não interessa se crianças morrem massacradas por esses cretinos. Não interessa se mulheres são violentadas e pessoas são crucificadas em nome da religião. Nosso governo parece achar que eles têm o direito de impor seu regime de terror a milhares de seres humanos. Nosso governo acha que vale a pena. Sim, porque há algumas pessoas em Brasília que acreditam que apoiar o Estado Islâmico e todas as suas barbaridades vale a pena…

isis-heads-in-syria-1

Acabem com esses monstros!

islamic-stateMuita gente tem-me perguntado sobre o Estado Islâmico. Serei direto nos meus comentários: trata-se de um bando de facínoras, monstros desalmados que têm promovido violência e morte por onde passam. O que esses monstros (veja que não os chamo de animais) têm feito nas áreas que controlam põe no chinelo qualquer obra fictícia de terror. Ou, em termos modernos, nem os melhores roteiristas conseguiriam descrever o que esses pseudohumanos estão fazendo.

Em pleno século XXI, sob uma justificativa que em nada encontra amparo nos fundamentos do islamismo, o Estado Islâmico vem cometendo atrocidades contra civis, entre as quais execução de crianças, estupros, decapitações, tortura, crucificação. Violência assume outra dimensão com as práticas dessa organização. E milhares de pessoas acabam vítimas desses bandos armados que desejam estabelecer um “califado mundial”.

IslamicStatemassmurderÉ por isso que entendo que a única solução plausível ali é o uso maciço da força, com uma intervenção internacional armada nos moldes antigos.  Sim, falo de exércitos desembarcando ali com batalhões armados até os dentes, para combater esses monstros. Haveria muitas baixas, indubitavelmente. Bombardeios cirúrgicos não funcionam. Claro que as democracias ocidentais não vão chegar a esse ponto, que envolve sacrifício de seu pessoal de uniforme. Mas, sinceramente, há muito não tínhamos uma barbárie dessas proporções. Se o mundo permitir, vão continuar matando, estuprando, torturando… E, vinte anos depois, testemunharemos uma nova Ruanda.

Seguem uma reportagem sobre a nefasta organização e um vídeo mostrando um pouco do que é o Estado Islâmico – as imagens são fortes (legendas em alemão podem ser desativadas).

Inside Islamic State: crucifixions, severed heads, indoctrination

Lara Marlowe

Last Updated: Tuesday, August 19, 2014, 14:41

Until now, journalists who attempted to cover the Sunni Muslim fundamentalist enclave in northern Syria and Iraq known as the Islamic State were invariably taken hostage.

Medyan Dairieh, a London- based Palestinian war reporter, won the group’s trust through his past reporting on jihadists. Dairieh was embedded with IS officials for three weeks in Raqqa, Syria, the “capital” of the Islamic caliphate.

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O Hino da Independência

Em 7 de setembro de 2011, ano inaugural de Frumentarius, publiquei o texto que segue sobre o Hino da Independência. Essa composição, bela peça de autoria de nosso primeiro Imperador, sempre enche de emoção os patriotas brasileiros, monarquistas ou republicanos. A bandeira imperial brasileira também foi idealizada por Pedro I, com o Brasão do Império pintado por Debret. Dois dos maiores símbolos nacionais remontam, portanto, aos tempos pré-republicanos. Interessante notar, ainda, que nosso hino nacional brasileiro também é o hino do Império do Brasil, que foi mantido (a letra foi inserida no período republicano).

Neste momento de crise de moralidade, não há como não deixar de pensar em uma época em que valores nacionais eram cultuados, e em que havia uma grande quantidade de homens públicos competentes, preparados e que se preocupavam com os interesses maiores da nação, homens como José Bonifácio e Joaquim Nabuco. O País precisa recuperar esses valores.

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Seguem um filme com o Hino da Independência e o texto que publicamos em 2011.

Hino da Independência

Pintura em que D. Pedro I realiza a execução da peça musical dedicada ao Hino da Independência.

Uma das mais belas peças dentre as melodias cívicas, o Hino da Independência deveria ser executado com mais freqüência no País, trazendo orgulho a todos os brasileiros. Afinal, quantos países têm o privilégio de ter um hino tão rico e belo composto pelo goverante?!? Para ouvi-lo, clique aqui

O 7 de setembro é data importante para lembrar que ainda temos muito que lutar pela nossa independência como nação sobera, libertando-nos dos grilhões pérfidos da corrupção, da desigualdade e do retrocesso!

Ah, como carecemos de brasileiros comprometidos com um bem maior, com o desenvolvimento do País e com a probidade no trato da coisa pública! Quantos estão dispostos a morrer pelo Brasil?

HINO DA INDEPENDÊNCIA

(Extraído de http://www.brasilescola.com/historiab/hinodaindependencia.htm)

Se a arte imita a vida, podemos notar que a história do Hino da Independência foi tão marcada de improviso como a ocasião em que o príncipe regente oficializou o fim dos vínculos que ligavam Brasil a Portugal. No começo do século XIX, o artista, político e livreiro Evaristo da Veiga escreveu os versos de um poema que intitulou como “Hino Constitucional Brasiliense”. Em pouco tempo, os versos ganharam destaque na corte e foram musicados pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830).

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192 anos da Independência: Pátria Amada, saqueada

independencia2Há 192 anos, um príncipe português (que amava esta terra como poucos) rompia os laços com a metrópole e proclamava o Brasil um país independente. Uma nova nação se erguia, com um povo valoroso que ansiava por ocupar seu papel de destaque no cenário internacional. Verde e amarelo eram nossas cores. O regime monárquico nos unia e garantia um Estado democrático, Nascia um país rico pela própria natureza, próspero por suas riquezas naturais e, sobretudo, por seu povo singular.

Passados quase duzentos anos do episódio do Ipiranga, pouco há a se comemorar no Brasil independente. Há como se dizer independente, se a nação é saqueada, pilhada, a corrupção impera, homens e mulheres inescrupulosos buscam qualquer oportunidade para roubar e se locupletar da coisa pública, como se de ninguém ela fosse? Denúncias de corrupção em altas esferas do poder nacional se espalham. Ao mesmo tempo, o cidadão se vê vítima também dos “bandidos pequenos”, que se proliferam e roubam, roubam, roubam, com a certeza da impunidade. Será que nos transformamos em uma pátria de ladrões?

Os brasileiros temos pouco a comemorar nestes 192 anos da independência. O País perde valores, ensina-se racismo e ódio nas escolas, parte significativa da população torna-se refém de assistencialismos, o mérito deixa de ser importante, substituído pela afirmação de incompetência  e pelo vínculo ideológico como as únicas formas de se vencer na vida. O que conta, o que se ensina, é o quanto se pode sugar do Estado. A livre iniciativa e o empreendedorismo são condenados e aquele que se faz por si mesmo não tem lugar diante da massa que só prospera por meio de benesses do Estado, pois aqui o melhor é ser “coitadinho”.

CORRUPção1Mensalões e petrolões  assolam o país. A classe política encontra-se completamente desacreditada. Mas ela é só um reflexo do povo que lhe transfere poder. Sim, porque os brasileiros são responsáveis por seus governantes. Gritos de mudança se perdem em meio a mentiras e manipulações. Bandeiras vermelhas e negras assumem o lugar do verde o do amarelo que fundaram a nação. E tudo segue, como se normal fosse. O que importa é o próximo capítulo da novela, ou o jogo da próxima quarta.

Há muito não se via um momento tão crítico na História do Brasil. Infelizmente, o Estado está aparelhado, corações e mentes submissos, mentira e manipulação imperam, e a população tão dependente das benesses públicas, que permanece passiva, bestializada diante do mar de lama que assola o País.

corrupcaoBrasilEm 192 anos de existência, o Brasil parece, realmente, sem rumo. Incompetência gerencial e corrupção, roubalheira generalizada e desavergonhada, assistencialismo, imposição de um discurso mentiroso, falta de valores cívicos, de respeito, de preocupação com o bem comum, tudo isso faz deste País dependente de um grupo com um projeto de perpetuação de poder, e da população completamente refém de si mesma. E o pior, não se percebe sinais de mudança.

Cerca de duzentos anos atrás, o Rei Dom João VI alertou seu filho Pedro de que se atentasse para os aventureiros que poderiam se apossar do Brasil. Dessa maneira, teria dado sua benção para que o amado filho tornasse esta terra independente. Após dois séculos, o Brasil está na mão de aventureiros e aproveitadores, sob o jugo não mais de portugueses, mas dos próprios brasileiros. Precisam proclamar novamente nossa independência e romper com os lações ideológicos e de servidão que fazem 200 milhões de homens e mulheres reféns de brasileiros inescrupulosos. Se não for proclamada uma nova independência do Brasil, a alternativa para esta nação será a morte.

Independência_ou_Morte_

Dia do Profissional de Inteligência e INASIS

foto-lamparina-04Na data de hoje se comemora o Dia do Profissional de Inteligência. A escolha do 6 de setembro repousa no fato de que, neste dia, em 1946, foi promulgado o Decreto-Lei nº 9.775, que instituiria o Conselho de Segurança Nacional e, em sua estrutura, um órgão de inteligência (ou informações, como se dizia na época), o qual daria origem ao primeiro serviço secreto formalmente estabelecido pelo Estado brasileiro, o Serviço Federal de Informações e Contra-Informações (SFICI).

Apesar de instituído por Eurico Gaspar Dutra, o SFICI só entrou efetivamente em funcionamento a partir de 1956, quando o Presidente Juscelino Kubitschek enviou brasileiros aos EUA para treinamento nos serviços secretos daquele país. Um aspecto interessante do SFICI é o serviço começou a funcionar no auge da democracia brasileira do pós-II Guerra Mundial, em um Governo considerado um dos mais democráticos de nossa história. Importante lembrar disso para assinalar que democracia e inteligência são plenamente compatíveis e nenhuma grande democracia pode prescindir de serviços secretos.

Apesar do pouco reconhecimento nos dias de hoje, o SFICI foi um marco da atividade de inteligência no Brasil, não só em virtude da formação de uma doutrina e de práticas adotadas até hoje, mas porque dali advieram grandes brasileiros que conduziriam o País nas décadas seguintes, como o próprio General Golbery do Couto e Silva e o Presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo. Geralmente, a importância desse órgão de vida curta é deixada a segundo plano exatamente porque ele foi sucedido pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), que se consolidaria como uma das melhores e mais importantes agências de inteligência do Hemisfério Ocidental.

golbery1Também nesta data solene, gostaria de informar a todos os amigos e profissionais da comunidade de inteligência que foi criada recentemente a Associação Internacional para Estudos de Segurança e Inteligência (INASIS), primeira organização deste nível com sede no Brasil. Apesar de sua criação recente, a INASIS já conta entre seus associados com profissionais de segurança e inteligência de todo o Brasil e dos vários segmentos de Governo e da iniciativa privada. Dispõe, ainda, de com representações em outros países como Argentina, Chile, Canadá, Portugal, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, conduzidas por figuras de destaque na área.

A INASIS congrega pesquisadores e profissionais da inteligência e segurança na mesma associação,  a fim de produzir resultados proveitosos para todos. É um espaço de atuação construtiva, crítica, pragmática e alternativa, integrando associados oriundos tanto de países desenvolvidos quanto de nações emergentes. Logo tratarei mais informações a respeito da INSAIS. Para acessar o site da organização e se filiar, clique aqui.

Passa da hora deste País dar o devido valor ao profissional de inteligência e à atividade por ele exercida. Passa da hora dos dirigentes desta nação entenderem que um tomador de decisão que não recorra à inteligência acabará vítima no inesperado.

A todos os profissionais de inteligência, homens e mulheres que operam no silêncio, meu fraternal abraço!

OTAN: agora tudo se resolve! (só que não)

nato_summit_2014_fightersAlguém na OTAN descobriu que a organização é uma aliança militar! Pois é, na cúpula realizada no País de Gales (com direito a show de aviõezinhos sobrevoando palanque e soltando fumaça colorida – quero ver fazer isso nos céus da Estônia, da Polônia ou próximo a Kaliningrado), os líderes decidiram pelo envio de uma “força de ação rápida” para garantir a defesa e a integridade territorial dos países-membros do Leste Europeu contra uma agressão externa (leia-se, da Rússia).

Há quem comemore essa atitude da Aliança Atlântica como um “ato de força que conterá o expansionismo de Moscou” e restabelecerá as boas relações no continente. Afinal, é a OTAN, né? Quem ousar se meter com ela terá uma resposta de 28 nações, com um potencial bélico significativo. Ok, só que não consigo acreditar nessa disposição de endurecer com a Rússia – será que Putin acredita? Será que os próprios líderes da OTAN acreditam?

A iniciativa aprovada hoje mais parece uma tentativa de se dissimular a incapacidade de ação. Entendi dois recados aí. O primeiro, para os países do Leste, particularmente os estados bálticos e a Polônia (sempre a Polônia), é uma mensagem para acalmar os nervos daquela gente (afinal, os líderes dali devem estar à base de Rivotril com o risco de “intervenção humanitária” russa): “Não se preocupem! Estamos juntos! Não vão atacar vocês porque sabem que estão sob nosso guarda-chuva! Acalmem-se!” – só que os poloneses já ouviram isso antes, há exatos 75 anos… e estonianos, letões e lituanos sabem o que são quatro décadas de ocupação russa.

Putin-em-desfile-militar-size-598O segundo recado foi para a Rússia: “A OTAN garantirá a defesa e integridade de seus países-membros! Temos garras (apesar de garras com unhas pintadas há algum tempo)! Não mexa conosco!” Só que o outro lado disso é que… a Ucrânia não é membro da OTAN. Portanto, para meio entendedor, fica claro que a Organização não vai dar passos mais largos do que esses contra o Urso. Seria temerário fazer alguma coisa mais incisiva…

Haveria um terceiro recado, este para a Ucrânia: “Vejam bem, a coisa não está boa para vocês. Damos apoio total a seu pleito… exceto apoio militar. Não esperem que encaremos a Rússia para defender russos (tá, ucranianos… mas vocês não são todos soviéticos?!?!?). E tratem logo de negociar a paz e aceitar os termos de Moscou. Tudo vai ficar bem!”.

nato_summit_2014Enfim, a incapacidade da OTAN para gerenciar essa crise me faz lembrar a habilidade da Liga das Nações nos momentos tensos dos anos 1930. E vai acabar com o mesmo destino: virar uma organização só para sustentar sua própria burocracia e com pouca ou nenhuma influência real no mundo. Não dá para desaparecer como o Pacto de Varsóvia. Será portanto, um morto-vivo errante pela política mundial…

É assim que vejo a crise da Ucrânia. Não há líderes ocidentais que tenham coragem de (juntos ou isoladamente) encarar Putin e conter suas pretensões… a não ser, claro, Frau Merkel. Aprendam com essa mulher. Ela é durona e uma boa interlocutora junto aos russos (que conhece bem). Gosto de Frau Merkel. Mas também gosto de Putin. Putin é KGB.

Otan aprova presença militar contínua no Leste Europeu

Deutsche Welle, 05/09/2014 – Link permanente http://dw.de/p/1D7mQ

Diante da atual ameaça representada pela Rússia, líderes acertam criação de nova força de reação rápida e manutenção de tropas nos países orientais da aliança.

Os líderes da Otan aprovaram nesta sexta-feira (05/09), durante cúpula no País de Gales, a criação de chamada força de reação rápida e a manutenção de uma presença contínua no Leste Europeu, onde alguns países-membros estão preocupados com os movimentos russos na Ucrânia. A nova “ponta de lança”, como também é chamada a força de reação rápida, deverá ser formada por milhares de soldados, prontos para entrar em ação em poucos dias.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que a nova unidade enviará uma mensagem clara para potenciais agressores, como a Rússia. “Se você pensar em atacar um aliado, estará de frente com toda a aliança”, declarou ele durante o encerrameno do encontro de dois dias.

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A mais legítima das nossas constituições

imageEntre as publicações da Semana da Pátria, gostaria de fazer referência hoje à melhor constituição que este país já teve e que neste ano completou 190 anos de sua promulgação: a gloriosa Constituição do Império do Brasil, de 1824. Peça jurídico-política fascinante, nossa primeira (e, em que pesem os arroubos republicanos, única e legítima) Constituição durou 67 anos, ao contrário das peças republicanas que parecem ter tempo de validade (cerca de 20 anos)…

Acredito que todos os que se interessam por Política e por História deveriam conhecer a Carta de 1824, obrigação esta também aos juristas. Constituição plástica, objetiva, liberal e democrática, permitiu ao País manter-se como uma democracia unida nos anos de maior tormenta, quando tivemos guerras intestinas e conflitos com os vizinhos.

Gosto da Carta de 1824. E trarei para esta página alguns trechos dela nos próximos dias. O primeiro deles refere-se a seu último artigo, o 179, que trata dos direitos e garantias individuais. Ora, vejo muita gente falando da Carta de 1988 como “constituição cidadã”, como se direitos civis tivessem sido por ela inventados. Não é bem assim. No texto constitucional de 1824 vemos o direito de ir e vir, a liberdade de opinião e de expressão, liberdade religiosa (em um país em que o Estado dispunha de religião oficial), inviolabilidade do lar, o direito ao contraditório e à ampla defesa…

De fato, nossa Constituição do Império já tratava de direitos individuais e de uma forma muito semelhante àquela de 1988. Note-se, porém, que foi produzida no início do século XIX, em um país considerado periférico, que há pouco deixara de ser colônia e em uma época em que os ideais revolucionários de 1789 eram rechaçados pelo retorno do Antigo Regime na Europa.

Conheça o art. 179, e tire suas próprias conclusões. Só peço que leia com atenção, despido de preconceitos, e até o final.

Viva o 7 de setembro! Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Constituição do Império do Brasil (1824)

Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Imperio, pela maneira seguinte.

        I. Nenhum Cidadão póde ser obrigado a fazer, ou deixar de fazer alguma cousa, senão em virtude da Lei.

        II. Nenhuma Lei será estabelecida sem utilidade publica.

        III. A sua disposição não terá effeito retroactivo.

        IV. Todos podem communicar os seus pensamentos, por palavras, escriptos, e publical-os pela Imprensa, sem dependencia de censura; com tanto que hajam de responder pelos abusos, que commetterem no exercicio deste Direito, nos casos, e pela fórma, que a Lei determinar.

        V. Ninguem póde ser perseguido por motivo de Religião, uma vez que respeite a do Estado, e não offenda a Moral Publica. Continuar lendo

Kiev em duas semanas

Putin (1)A Rússia sempre teve sua História marcada por líderes fortes. Desde Ivã, o Terrível, passando por Pedro I, Catarina, a Grande, Alexandre II, Josef Stálin, para governar o maior país do globo parece que um punho de ferro tem sido o mais conveniente… Os fracos não têm muito espaço naquelas terras – vide o que aconteceu com Nicolau II, homem bom, mas que vacilou em um momento de extrema importância e sacrificou sua dinastia.

Nas últimas três décadas, certamente o nome forte que marcará a História russa é o de Vladimir Putin, ou Vlad, o Terrível. Jogando com ousadia e firmeza uma partida com as grandes potências, Putin tenta recuperar o prestígio da Grande Rússia, aí incluídos  territórios e pessoas que o perdidos desde o colapso da União Soviética. O alvo agora é a Ucrânia… mas, como assinala a reportagem da Deutsche Welle, os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) já colocam as barbas de molho (e devem colocar mesmo!).

“Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas!” – essa frase, que teria sido dita por Putin ao Presidente da Comissão Européia, Durão Barroso, é bastante elucidativa do que está disposto a fazer o novo czar. E também do que ele pode fazer. Não acho que vá passear pelas ruas da capital ucraniana nos próximos dias… mas, com uma ameaça como essa, pode conseguir mais um pedaço daquele país… Isso é o que se chama “botar um bode na sala”. Claro que tudo vai depender de como reagem os ocidentais.

Putin está jogando. Está testando a União Européia e os EUA. Conhece as fraquezas e vulnerabilidades de seus antagonistas e as suas próprias. Sabe que a Europa continua atemorizada e divida e, realmente, pouco disposta a fazer alguma coisa mais firme pelos ucranianos (que, repetirei sempre, e por mais cínico que isso pareça, estão e sempre estiveram na zona de influência russa). Por outro lado, há sempre a paúra de que a Rússia continue sua expansão rumo a oeste – é um medo atávico, irracional. Não acredito que Putin fosse além das tradicionais fronteiras… soviéticas.

Continuando a análise sobre os antagonistas de Moscou, do outro lado do Atlântico, um líder que parece perdido, e que se revela surpreendentemente fraco e titubeante ao lidar com questões de política externa. Há muito não se via um Presidente dos EUA demonstrando tanta inabilidade ao lidar com os russos (talvez porque seja ela da geração pós-Guerra Fria). Claro que, diante desse quadro, Putin não vacila… e tenta abocanhar o quanto mais puder. Três décadas depois, parece haver uma inversão de papéis no temperamento dos líderes estadunidense e russo. Nos anos oitenta, Reagan era firme e Gorbatchev vacilante (gosto muito de Gorbatchev, que fique claro… e de Reagan).

Interessante que não há como não pensar na Europa do final dos anos 1930, quando britânicos e franceses conduziram uma malfadada política de apaziguamento diante das pretensões de um certo chanceler alemão. Deu no que deu. E, por falar em alemães, a solução para essa crise parece repousar cada vez mais na habilidade política da única entre os líderes europeus que ainda se mantém firme: Frau Merkel. Ainda bem que Frau Merkel está lá. Como alemã oriental, a Chanceler conhece bem os russos e conhece Putin. Sabe como Putin joga e, de fato, resta como a esperança do Ocidente para, como diria Garrincha, “negociar com os russos”. Se isso não acontecer, o tempo continuará nublado e cada vez mais sujeito a chuvas e trovoadas.

Gosto de Frau Merkel. Gosto de Putin. Putin é KGB.

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Putin: “Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas

Líder russo teria feito ameaça ao presidente da Comissão Europeia durante telefonema momentos antes da cúpula da UE, segundo jornal italiano. Merkel adverte que não se pode confiar no Kremlin.

Philip Verminnen – Deutsche Welle, 01/09/2014 – Link permanente http://dw.de/p/1D52c

“Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas.” Em meio ao agravamento da crise no leste ucraniano, a frase teria sido dita pelo presidente russo, Vladimir Putin, ao presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, em conversa telefônica.

A informação é do jornal italiano La Repubblica. Barroso comunicou o ocorrido aos chefes de Estado e de governo presentes na cúpula da União Europeia, em Bruxelas, no último sábado (01/09). Continuar lendo

Tratamentos imperiais, reais e nobiliários

TITULOS_NOBREZAEstamos na Semana da Pátria, quando celebramos os 192 anos do Grito do Ipiranga, ocasião em que o Brasil rompeu os laços coloniais com Portugal e, graças a portugueses e brasileiros que amavam esta terra, a começar por Sua Majestade Imperial e Real, Dom Pedro I, tornou-se uma próspera e unida nação, abençoada por ser uma monarquia em meio à diversidade de repúblicas e republiquetas deste continente.

Buscarei publicar, nos próximos dias, assuntos referentes à monarquia, que tanto agradam a meus leitores (é interessante como publicações relacionadas a assuntos monárquicos estão entre as mais procuradas neste site, assinalam as estatísticas). Nessa linha, gostei do texto a seguir, retirado da revista eletrônica “Mundo da Nobreza“. Como se dirigir a imperadores, reis e nobres? Quais pronomes de tratamento utilizar? Espero que um dia possamos, novamente, usar alguns desses aqui em Pindorama, quando a república anacrônica e corrompida for substituída pelo novo e moderno Império do Brasil!

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Brasil.Império

TRATAMENTOS

Muitas vezes nos perguntamos: “Qual a correta maneira de se dirigir a um Príncipe, ou a um outro Nobre?”, para responder a esta, e outras perguntas, a Revista Eletrônica Mundo da NOBREZA publica as corretas formas de tratamento, pelo qual se deve dirigir a cada Membro da Realeza, Nobreza ou Aristocracia.

Os tratamentos estão organizados do mais elevado ao menos importante.

SUA SANTIDADE (S.S): É a mais elevada forma de tratamento, que é de uso exclusivo do Santo Padre o Papa, que como Soberano da Santa Igreja Católica, é também o Chefe de Estado do Principado da Cidade do Vaticano. Possui muitos outros títulos, como Sumo Pontífice, ou Pai dos Reis e dos Príncipes, etc.

SUA SACROSSANTA MAJESTADE IMPERIAL (S.S.M.I.): Título que era utilizado pelos Sacrossanto Imperadores Romano-Germânicos, até 1806. Atualmente não é mais utilizado.

SUA MAJESTADE IMPERIAL E REAL (S.M.I&R.): É a mais elevada forma de tratamento dada a um Monarca, sendo que é reservada aos Imperadores, que também possuam a dignidade de Reis.

SUA MAJESTADE IMPERIAL (S.M.I): É o tratamento dado aos Imperadores, para assim serem distinguidos dos demais Reis. Hoje é quase inexistente seu uso, mas foi o tratamento utilizado pelos Imperadores do Brasil, do México, e pelos Monarcas Britânicos, durante a existência de seu Império colonial. Continuar lendo

O Brasil e a Grande Guerra

O Jornal do Senado publicou, na segunda, 01/09, especial sobre a participação do Brasil na I Guerra Mundial. Há uma pequena contribuição nossa para a reportagem.

Para acessar a edição, clique aqui (página 4).

Foi feito, ainda, um vídeo muito interessante sobre a atuação do Brasil no conflito e o papel do Senado no debate sobre a conveniência política do País se envolver na Guerra. Achei didático e recomendo.

As primeiras gotas da Grande Tormenta

hitler_stalin_same2014 é um ano de grandes efemérides nos campos político e militar: 150 anos do início da Guerra do Paraguai e da Primeira Convenção de Genebra, 60 anos da morte de Getúlio Vargas, 50 anos do movimento de 31 de março de 1964, 100 anos do começo da Grande Guerra, 70 anos do Dia D (6 de junho) e da Conferência de Bretton Woods, só para lembrar alguns…

Não obstante, o dia 1 de setembro jamais será esquecido, em razão de um evento que em 2014 completa 75 anos: o início da II Guerra Mundial. Naturalmente, essa data não poderia ser esquecida em Frumentarius.

As origens do maior conflito por que já passou a humanidade podem ser encontradas no fim da guerra anterior, a Grande Guerra de 1914 a 1918: o Tratado de Versalhes e a responsabilização da Alemanha, que levariam à revolta dos alemães contra o que lhes fora imposto pelos vencedores; a inabilidade das Potências europeias em garantir a segurança coletiva por meio da Liga das Nações; o apaziguamento de britânicos e franceses diante dos anseios expansionistas de Adolf Hitler que, por sua vez, conseguira reerguer o país e recuperar o moral da população e desejava, a todo custo, o espaço vital para construir o império de mil anos… Tudo isso culminaria nos acontecimentos de 1 de setembro de 1939.

De fato, em 1939, a Política Exterior do III Reich parecia que conduziria a Alemanha a uma guerra avassaladora e definitiva contra seu maior rival, a União Soviética. Era o que esperavam franceses e britânicos, que sob a égide do discurso apaziguador, aguardavam ansiosos o momento em que, com seus movimentos expansionistas rumo ao Leste, Adolf Hitler entraria diretamente em choque com o outro grande ditador de seu tempo, Josef Stálin. Então aconteceria o tão esperado confronto entre os dois gigantes totalitários, o III Reich e a União Soviética, que culminaria na destruição de um e no enfraquecimento do outro, ou no colapso de ambos, o que beneficiaria sobremaneira as Potências ocidentais.

soviet_nazi_pact_1Mas Londres e Paris não contavam com o improvável: em 23 de agosto daquele ano, era assinado o Pacto Molotov-Ribbentrop, a aliança entre a Alemanha nazista e a União Soviética comunista, a inconcebível aproximação entre os dois inimigos tradicionais, o aperto de mãos (simbólico) entre os tiranos Hitler e Stálin. Aquele Tratado permitiria a expansão alemã para o Leste, a invasão, ocupação e partilha da Polônia. Aquele acordo deixaria atônitos britânicos e franceses.

a74ccf7c57b9858192d4630c18f8531dE foi exatamente o que aconteceu: um semana depois, diante dos olhares perplexos do mundo, na madrugada de 1 de setembro, tropas alemãs cruzavam a fronteira da Polônia. Apesar da bravura e do empenho em conter o inimigo, os poloneses não resistiriam mais que seis semanas à máquina de guerra germânica, associada ao ataque maciço do Exército Vermelho, que cruzou a fronteira vindo do Leste alguns dias depois. Alemães e soviéticos se encontrariam em Brest-Litovskyi, exatamente onde fora celebrado o tratado de paz entre o Reich Alemão e o governo bolchequive, em março de 1918 (tratado que, verdadeiramente, era a humilhante capitulação da Rússia na I Guerra Mundial).

A partir daquele primeiro dia de setembro, os sinos seriam silenciados por longos seis anos nas igrejas da Europa. Dor, sofrimento, destruição e morte seriam infligidos a outros povos como nunca se vira. E o conflito iniciado em solo polonês se expandiria pelo continente e por todo o planeta, culminando na perda de algo como cem milhões de vidas humanas. O acontecimento de 75 anos passados seria o começo da maior e mais trágica tormenta da História…

Polen, Schlagbaum, deutsche Soldaten