Guerra e Paz no Natal

lal295769Ainda sobre a Trégua do Natal de 1914, segue uma matéria muito interessante do The Telegraph sobre o evento, com destaque para a carta de um jovem soldado britânico que viveu aqueles acontecimentos e o dia-a-dia nas trincheiras.

Boas Festas! Paz, Saúde e Prosperidade!

How one young soldier’s song inspired the 1914 Christmas Truce

It is a story handed down through the generations – and even Christmas adverts – but here a letter from the trenches tells the true story of the Christmas Truce 100 years ago

By Christopher Middleton
The Telegraph
7:00AM GMT 22 Dec 2014
British and German troops meeting in No-Mans's Land during the unofficial truce on Christmas Day in 1914

British and German troops meeting in No-Mans’s Land during the unofficial truce on Christmas Day in 1914

In the British trenches, a young farmer’s son in the Queen’s Westminster regiment, by the name of Edgar Aplin starts up a song. He’s 26, he’s got a good, tenor voice, and after a few verses of Tommy Lad, he hears voices coming from the German trenches, where the 107th Saxon Regiment are dug in, a short distance away.

“Sing it again, Englander,” they call out, in English. “Sing Tommy Lad again.”

Continuar lendo

100 anos da Trégua de Natal

fr-trench1Quem já acompanha Frumentarius há algum tempo sabe que, desde o início deste blog, faço referência no dia 25/12 a um dos acontecimentos mais inusitados e marcantes da I Guerra Mundial, apesar de pouco conhecido: a Trégua do Natal de 1914. O evento, ocorrido no primeiro ano daquele sangrento conflito, completa em 2014 cem anos.

O que se viu nas trincheiras da Grande Guerra naquele dezembro de 1914 poderia, indubitavelmente, inserir-se entre mais os belos contos de Natal. E, como toda bela história, aconteceria apenas naquele ano, mas marcaria todas as gerações de combatentes a partir de então.

trenche_WWIA guerra já se seguia por quatro meses (mais do que esperado quando soaram os primeiros canhões de agosto). Após movimentos iniciais, como a invasão da Bélgica e a entrada em território francês, o conflito na frente ocidental estagnara-se, tornando-se uma guerra de trincheiras.

Já comentei aqui o que era uma guerra trincheiras, e por isso apenas assinalo que os soldados permaneciam a maior parte do tempo enfiados naquelas valas de cerca de 2,5 a 5 metros de profundidade e 2 de largura, em um complexo defensivo de túneis que se estendia da costa do Atlântico até a fronteira com a Suíça, enfrentando as intempéries, as péssimas condições sanitárias e os ataques do inimigo, aí incluído o fogo da artilharia que lançava projéteis convencionais e bombas com gás sobre os combatentes entrincheirados. A vida ali, portanto, não era fácil.

Periodicamente, cada lado conduzia ataques com o objetivo de tomar a trincheiras adversária. Para isso, a tropa tinha que literalmente desentocar-se e enfrentar a metralha inimiga, passando pela temível “terra de ninguém” (o espaço de cerca de 200 metros entre as trincheiras, cheio de crateras, lama, arame farpado e corpos de combatentes). Claro que os resultados dessas ações eram pouco efetivos para a vitória, embora custassem uma grande quantidade de vidas. E a guerra permaneceria estática, com as linhas de trincheiras quase imutáveis, por quatro longos anos.

Mas voltemos ao Natal de 1914. O inverno castigava. Os homens se agrupavam como podiam naquelas valas congelantes. Uma cabeça levantada para olhar para as linhas adversárias poderia custar a vida. A paz parecia bem distante. E o Natal, diferente de qualquer outro pelo qual já haviam passado todos aqueles combatentes, mostrar-se-ia ainda mais inusitado.

La-trève-de-noël-1914Naquele 24 de dezembro, em alguns pontos da frente ocidental, o milagre começou. Um soldado inglês relatou que, enquanto estavam entocados em sua trincheira, ele e seus companheiros começaram a ouvir canções de Natal do outro lado da terra de ninguém. Alemães celebravam o nascimento de Cristo. Logo veio a resposta: os soldados britânicos também começaram a cantar… Mais algum tempo e as primeiras palavras de feliz natal vinham do lado inimigo, cordialmente respondidas. Logo alguns corajosos colocaram o rosto para fora da trincheira. O inimigo não atirava de volta. Então, soldados de ambos os lados começaram a sair de seus abrigos, atravessando a terra de ninguém para cumprimentar oss oponentes do outro lado – afinal, tinham muito mais em comum do que imaginavam!

A confraternização nas trincheiras provocou uma reação em cadeia, que se estendeu por praticamente toda a frente ocidental. Combatentes de ambos os lados se abraçavam, cantavam juntos, trocavam cumprimentos de Feliz Natal e mesmo presentes (como cigarros). Fotos da família na carteira eram mostradas ao inimigo. Em alguns lugares, até partidas de futebol ocorreram. Os mortos foram enterrados. E, durante alguns dias, nenhum tiro foi disparado.

2657744611Claro que a situação inusitada deixou perplexos e preocupados os comandantes. Logo vieram ordens para por fim à “confraternização com o inimigo”. Soldados foram substituídos e oficiais punidos. E logo tiros voltaram a ser disparados. A guerra deveria continuar… e o seria por mais penosos quatro anos e milhões de mortos.

Nunca mais aconteceu uma confraternização como a do Natal de 1914. Passados 100 anos, aquele evento deve continuar a ser lembrado. Afinal, constatou-se ali o poder do espírito de Natal, que fez inimigos se darem as mãos e celebrarem o nascimento daquele que veio para pregar o amor e a união entre os povos. 

Feliz Natal a todos! E que a Paz do Cristo preencha todos os corações!

Segue um texto bem detalhado e interessante sobre o Milagre do Natal de 1914.

Christmas Truce 1914, as seen by the Illustrated London News.

Guerra de Trincheiras
Publicado em 30/04/2013 Fatos Internacionais
http://tokdehistoria.com.br/tag/guerra-de-trincheiras/

O MILAGRE DO NATAL DE 1914

OS INUSITADOS ACONTECIMENTOS DA CONFRATERNIZAÇÃO NATALINA ENTRE INIMIGOS DURANTE A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O milagre do Natal de 1914

Tudo teve início quando foram assassinados em Sarajevo, na Sérvia, o herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando e sua esposa Sofia. A ação foi realizada por um estudante, mas toda trama fora criada por um membro do governo sérvio. Em 28 de julho, a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia. Grã-Bretanha, França e Rússia se aliaram aos sérvios; a Alemanha, aos austro-húngaros. Tinha início a Primeira Guerra Mundial, conhecida então como Grande Guerra.

Na sequência o mundo viu um ataque alemão inicial através da Bélgica em direção a França. Este avanço foi repelido no início de setembro de 1914, nos arredores de Paris pelas tropas francesas e britânicas, na chamada Primeira Batalha do Marne. Os aliados empurraram as forças alemãs para trás cerca de 50 km. Os germânicos seguem para o vale do Aisne, onde prepararam suas posições defensivas.

Um infogr´´afico pyublicado na primeira página do jornal recifense Diário de Pernambuco, explicando sobre a nova guerra na Europa

As forças aliadas não foram capazes de avançar contra a linha alemã e a luta rapidamente degenerou em um impasse. Nenhum dos lados estava disposto a ceder terreno e ambos começaram a desenvolver sistemas fortificados de trincheiras. Isso significou o fim da guerra móvel no oeste.

Continuar lendo

Curiosidades sobre o “Dia D”

Seguem alguns fatos interessantes sobre o mais longo dos dias…

WEDNESDAY, JUNE 06, 2007

13 Facts Concerning the D-Day Invasion

Today is the 63rd anniversary of D-Day, so I thought it would be appropriate to remember those who took part in the amazing invasion.
1. Many disagree about the meaning for the letter D. What did it stand for? Why was it used? U.S. Army manuals dating as far back as WWI used the terms H-Hour and D-Day to indicate the time/date of an operation’s start. 
2. The military also used the code name Operation Overlord to refer to the movement of men, planes, ships, supplies, and equipment across the English Channel along a beach front that stretched over 60 miles. Continuar lendo

68 anos do “Dia D”

Enquanto as notícias nos principais jornais brasileiros são sobre o STF e o mensalão, o assassinato do executivo da Yoki, a 2ª derrota do Palmeiras no Brasileirão e a atriz Mariana Ximenes posando nua para obra (???), o restante do mundo lembra (alguns com mais fervor, outros menos) os 68 anos do “Dia D”, um dos eventos decisivos da II Guerra Mundial, que abriu a frente ocidental, fazendo como que a Alemanha tivesse que lutar no Leste e no Oeste e acelerando o colapso do III Reich.

Com o “Dia D”, naquele chuvoso 6 de junho de 1944, começava a desmoronar a Muralha do Atlântico e, com ela, a supremacia nazista na Europa… A guerra não duraria mais um ano em solo europeu…

Tudo bem que o centro de gravidade da II Guerra Mundial foi a frente oriental, onde milhões de soviéticos enfrentaram outros milhões de alemães, em um cenário de guerra total, no que se tornou uma verdadeira “máquina de moer gente”. É certo que o conflito foi vencido no Leste. Entretanto, não se pode desconsiderar os milhões de soldados aliados britânicos, canadenses, franceses, poloneses e estadunidenses, entre outros, que chegariam ao continente a partir daquele 6 de junho. Em pouco tempo, só de estadunidenses, o contingente alcançaria 3 milhões de homens…

Já que a maior parte do Brasil nem sabe que houve um Dia D, e aqueles que deveriam lembrar nossa população que já tivemos que mandar 25.000 brasileiros para a Europa combater pela liberdade ignoraram sumariamente a data, fica aqui o registro e o tributo a todos os que lutaram, morreram e venceram no “mais longo dos dias”…

1944: Dia D da ofensiva contra a Alemanha no Canal da Mancha

O dia 6 de junho de 1944 entrou para a história como o Dia D. Neste dia, os aliados ocidentais iniciaram a ofensiva contra as tropas alemãs no Canal da Mancha.

Durante anos, a decisão por uma grande ofensiva sobre o Canal da Mancha foi motivo de fortes controvérsias entre os aliados ocidentais. Inicialmente, não houve consenso quanto à proposta da União Soviética de abrir uma segunda frente de batalha na Europa Ocidental, a fim de conter as perdas russas nos violentos combates contra as Forças Armadas alemãs. Continuar lendo