Crimeia: agora a coisa está russa!

putin_acordo5-640x427Nesta sexta, um decreto de Vladimir Putin confirmou o ingresso da Crimeia na Federação da Rússia. As pessoas têm-me perguntando a respeito. Algumas reflexões, portanto:

1) Difícil dizer se Putin tem uma “grande estratégia” para a região, para o entorno soviét…, digo, russo, ou mesmo para uma política externa retrô, que reviva os tempos da Guerra Fria. Mas, o que posso dizer é que, indiscutivelmente, Putin e Levrov não são bobos ou ingênuos nesse jogo, e não agem movidos por emoções ou achismos. Sabem que estão em um jogo, um grande jogo, e calculam seus movimentos…

2) Com o referendo de 16 de março, do qual participaram 1,2 milhão de eleitores (de um total de 1,5 milhão aptos a votar), 96,8% dos votantes decidiram pela incorporação à Rússia. Apesar da presença de tropas russas disfarçadas de russas e das críticas ocidentais, parece pouco crível que o povo da Crimeia não quisesse essa opção. Afinal, 58% dos habitantes são russos, a região sempre pertenceu à Rússia e é área de interesse estratégico do Kremlin. Vejo aí uma iniciativa brilhante de Moscou, pois o valioso princípio da autodeterminação dos povos, tão caro dos ocidentais, imperou nas urnas. O que pode ser dito contra 96,8% de eleitores? Valeria a pena afrontar os russos por algo que a população da península decidiu?

manchetes-russia-ucrania-crimeia-g73) A Crimeia volta, portanto, à Rússia, onde sempre esteve e de onde nunca deveria ter sido tirada (o que ocorreu por uma decisão de Krushev, em 1954). E, em que pesem os protestos de Kiev, parece fato consumado. Afinal, já foi dada a ordem para as tropas ucranianas deixarem o território da Crimeia e os ocidentais, apesar dos protestos, não ousaram movimentos mais firmes.

4) Moscou ganha a Crimeia, mas perde a Ucrânia. Nesse sentido, Kiev deve migrar para a esfera de influência da União Européia. Resta saber se os russos vão deixar isso acontecer, pois pareceria uma derrota da política externa de Putin.

crimeia russia5) Diante da reação tísica do Governo Obama, e da resposta firme de Moscou, parece que essa jogada foi vencida pelo Kremlin. Daí para imaginar um abalo mais profundo nas relações entre russos e estadunidenses, creio que isso não ocorrerá… As forças agregadoras são maiores.

6) As tropas da OTAN já estão em alerta na Polônia e nos Países Bálticos. Tudo indica que os russos pararão na Crimeia (ao menos por enquanto). De toda maneira, se fosse da OTAN estaria com as barbas de molho…  E não me surpreenderia se Moscou começasse a reorganizar um novo Pacto de Varsóvia (o que faria tremer todo mundo a Oeste do Dnieper – menos os bielorrussos, que serão sempre aliados dos russos).

Continuamos atentos aos desdobramentos nas terras eslavas… Ainda não acabou…

crimeia russia2

RIA Novosti

Putin Signs Final Crimea Reunification Decree

17:37 21/03/2014

Russian president Vladimir Putin signed a decree Friday on the ratification of the treaty providing for the reunification of the Crimean Peninsula with Russia.

MOSCOW, March 21 (RIA Novosti) – Russian President Vladimir Putin signed a decree Friday on the ratification of the treaty providing for the reunification of the Crimean Peninsula with Russia.

The treaty had been already ratified by both houses of the Russian parliament. Continuar lendo

Amigos, amigos, negócios…

Reportagem da Spiegel sobre “indisposições” no seio da OTAN, algumas delas associadas à conduta dos EUA com relação a seus aliados… Recomendo a leitura, sobretudo a meus alunos de Relações Internacionais que ainda achem que o mundo é feito de flores..

Daqui a pouco Putin propõe uma aliança no estilo Pacto de Varsóvia para atrair os povos do Leste (claro que com todos sabendo quem manda e quem pode o quê)…

Belgium NATO Ukraine

SPIEGEL ONLINE
03/06/2014 04:48 PM

Whither NATO? Difficulties in the Trans-Atlantic Relationship

An Op-Ed by Secretary William Cohen and General James Jones

Revelations about NSA spying and an unequal sharing of military burdens has cast a recent shadow over the trans-Atlantic relationship. But NATO remains just as important as ever. It is time for all alliance members to recognize that fact.

During the course of more than three decades, in our public service and private capacities, we have regularly attended the Munich Security Conference, formerly known as Wehrkunde.

The Conference initially consisted of a small group of military experts from the United States, Canada and Western Europe who discussed issues involving the threat posed by the former Soviet Union. Today, the Conference includes representatives from the business, diplomatic and military communities from all of Europe, Russia and Asia who examine the new threats posed by terrorists, religious extremists, nuclear proliferation, cyber warfare and organized crime.

Although the US delegation to the Conference included 15 members of Congress and a joint appearance by Secretary of State John Kerry and Secretary of Defense Chuck Hagel we detected the “brooding omnipresence” of a discontent for the United States that contained a whiff of anti-Americanism.

This dark overhang is due in part to Edward Snowden’s revelations about NSA’s collection activities, but it is coupled with a perception that the United States is withdrawing its interest from vast areas of the globe, including Europe, a feeling partly fueled by the “Pivot Towards Asia” declaration announced in Washington. While nothing could be further from the truth, perceptions can become reality when not effectively rebuffed by evidence to the contrary. There also seems to be a little too much enthusiasm to link this perception with the increasingly popular notion of a general “American decline”, something we have heard about in every decade since 1945. Continuar lendo

Guerra cibernética na Ucrânia

cyberattackEnquanto no Brasil se comemora o resultado do desfile das escolas de samba do grupo especial (hein?), na Ucrânia a situação está cada vez mais russa… Segue artigo muito interessante, enviado por um caríssimo amigo lá do Timor Leste, que trata de ataques cibernéticos contra aquele país.

Lembro que a guerra neste novo século pode-se dar em diferentes cenários, com as armas mais distintas. E um campo absurdamente sensível é o cibernético. Daí a importância de estarmos preparados… Daí meu pleito por investimento maciço em segurança e defesa cibernética. Os danos de um ataque no mundo virtual podem ser tão ou mais nefastos que um ataque com mísseis ou com a infantaria contra um território. Ah sim, atentem na reportagem para o comentário sutil sobre a origem do ataque.

Em tempo, sempre convém lembrar que, por ocasião da guerra entre a Rússia e a Geórgia, em agosto de 2008, antes que a primeira bota russa estivesse em solo georgiano, os sistemas deste país já haviam colapsado sob ataque cibernético. Mas, por aqui, o que importa é quem venceu o desfile do grupo especial…

Finantial Times – March 7, 2014 7:25 pm

Cyber Snake plagues Ukraine networks

By Sam Jones, Defence and Security Editor
A magnifying glass is held in front of a computer screen©Reuters

An aggressive cyber weapon called Snake has infected dozens of Ukrainian computer networks including government systems in one of the most sophisticated attacks of recent years.

Also known as Ouroboros, after the serpent of Greek mythology that swallowed its own tail, experts say it is comparable in its complexity with Stuxnet, the malware that was found to have disrupted Iran’s uranium enrichment programme in 2010.

 The cyber weapon has been deployed most aggressively since the start of last year ahead of protests that climaxed two weeks ago with the overthrow of Viktor Yanukovich’s government. Continuar lendo

Frau Merkel e a Rússia

Matéria interessante sobre o papel de Frau Merkel na crise ucraniana. A Chanceler está à frente da principal potência européia, sabe ser prudente e firme e conhece bem os russos – melhor que qualquer outro líder ocidental. De toda maneira, está à frente da Alemanha, que há cem anos tem uma relação um pouco conturbada com a Rússia…

File photo shows German Chancellor Merkel and Russian President Putin listening to their national anthems before talks at Chancellery in Berlin

SPIEGEL ONLINE
03/04/2014 12:56 PM

Crimean Crisis – All Eyes on Merkel

By  and Gregor Peter Schmitz

As the conflict with Russia over Crimea intensifies, Germany is playing a central role in communications with Russian President Vladimir Putin. But the international community has doubts that Chancellor Angela Merkel can pull it off.

Germany had only recently announced the end of its era of restraint. German President Joachim Gauck, Defense Minister Ursula von der Leyen of the Christian Democrats and Foreign Minister Frank-Walter Steinmeier of the Social Democrats have all argued that it’s time for Germany to play a greater role in the world.

Steinmeier couldn’t have expected that he would need to follow-through on his push for an “aggressive foreign policy” so quickly. But the dramatic escalation in Crimea needs quick answers and it has become a focus of Chancellor Angela Merkel’s government in Berlin.

“Europe is, without a doubt, in its most serious crisis since the fall of the Berlin Wall,” Steinmeier said on Monday. “Twenty-five years after the end of the conflict between the blocs, there’s a new, real danger that Europe will split once again.” Continuar lendo

Mais deserções…

mísseis A Voz da Rússia anunciou nesta segunda que mais três grupos (que lá chamam de regimentos) de mísseis antiaéreos das Forças Armadas da Ucrânia  (os 50º, 55º e 147º regimentos de mísseis antiaéreos, localizados em Eupatória, Feodosia e Fiolente) passaram para o lado das autoridades da Crimeia – leia-se, Moscou. 

Segundo o porta-voz da República Autônoma, “no total, mais de 700 soldados e oficiais declararam a sua disponibilidade para defender a população da Crimeia. As unidades de defesa aérea, que passaram para o lado do governo, contam com mais de 20 complexos de mísseis antiaéreos Buk e mais de 30 sistemas de mísseis antiaéreos S-300PS”. Seriam já cerca de 5.500 soldados “ucranianos” a passar para o lado dos russos.

Assim, das 34 unidades militares ucranianas estacionadas na Crimeia, 23 já teriam manifestado lealdade a Moscou. Some-se aí a frota ucraniana (ou ex-frota ucraniana, ou ex-frota soviética do Mar Negro) de Sebastopol que optou por aderir à causa da secessão.

Diante desse quadro, alguém tem dúvida de que a Crimeia deixou de pertencer à Ucrânia? O problema é se o exemplo for seguido pela região leste do país, de maioria russa. Isso acontecendo, a probabilidade de secessão da Ucrânia é  alta. Com o Urso à espreita, as lideranças do governo provisório em Kiev têm muito com o que se preocupar…

Segue artigo da RIA Novosti sobre as deserções…

RIA Novosti

5,500 Ukrainian Soldiers Defect to Serve an Independent Crimea

18:22 04/03/2014

More than 5,500 soldiers have defected from Ukraine’s military to serve the autonomous republic of Crimea, the region’s newly appointed leader said.

 MOSCOW, March 4 (RIA Novosti) – More than 5,500 soldiers have defected from Ukraine’s military to serve the autonomous republic of Crimea, the region’s newly appointed leader said.

Sergei Aksyonov, named prime minister last week in a local parliamentary vote, said Tuesday that talks with unit commanders led to the defections of soldiers to join an independent Crimean military. Continuar lendo

Poder Aeroeapacial e Estudos Interdisciplinares de Segurança e Defesa

seminario defesa aeroespacial 2014Compartilho a notícia sobre o seminário V Seminário de Estudos: Poder Aeroeapacial e Estudos Interdisciplinares de Segurança e Defesa, promovido pela minha querida Universidade da Força Aérea (UNIFA), e que ocorrerá nos dias 26 e 27 de março, no Rio de Janeiro.

Recomendo particularmente a meus alunos de Relações Internacionais e Defesa.

Para acessar o site do evento, inscrições e maiores informações, clique aqui

Segue o texto de apresentação do evento.

“Em tempos remotos, as guerras reuniam grupos que se confrontavam na disputa por melhores espaços para produção agrícola, confisco de armas e expansão dos seus territórios. Terminados os conflitos, vencedores e vencidos conheciam os seus destinos e, com o decorrer dos séculos, trouxeram, a reboque, uma nova variável incorporada à necessidade estratégica de expansão, o poder. Esse novo pensamento modificou os objetivos políticos, impregnou as relações entre os Estados e inaugurou um novo olhar sobre os conflitos, desta feita sob os auspícios do entendimento Geopolítico e das Relações Internacionais. Continuar lendo

“A paz só pode ser preservada com a força”

China Marks 60 Years Of The Chinese NavyEm meio à crise da Ucrânia, os trabalhos do Congresso Nacional do Povo chinês foram retomados. Interessante a declaração de sua porta-voz sobre a segurança na Ásia e, em última instância, no mundo… De acordo com Fu Ying, secretária de imprensa do parlamento da China, o país deixa claro que suas Forças Armadas “estão prontas para darem uma enérgica resposta a quem atentar contra a paz na região”. 

Fu Ying, assinalou, ainda, que a China advoga a solução pacífica dos conflitos, e que seu exército só tem objetivos de defesa. Entretanto, Pequim reagirá efusivamente a qualquer “violação da paz”. Fica o recado para países que teriam litígios territoriais com o Dragão vermelho, particularmente para Japão e Coreia do Sul. 

Em tempos de potências mostrando as garras e os dentes, o Dragão aumenta seus gastos militares e deixa claro que pode também cuspir fogo… A frase da porta-voz, segundo a qual “a paz só pode ser preservada com a força” poderia servir de alerta para outros países que queiram ocupar um papel de destaque no cenário internacional, mas se esquecem de investir em defesa… E, naturalmente, fez-me lembrar das palavras de um grande estadista, este brasileiro, que viveu em Pindorama há cerca de cem anos, o Barão do Rio Branco. Segundo o pai de nossa diplomacia, “não se pode ser pacífico sem ser forte”.

Segue matéria sobre a declaração do Parlamento chinês, extraída do site oficial.

Peace can only be preserved with strength: NPC spokeswoman

English.news.cn | 2014-03-04 16:14:06 | Editor: Yang Yi

BEIJING, March 4 (Xinhua) — A spokesperson for China’s top legislature on Tuesday defended the country’s defense policies, saying that peace can only be preserved with strength.

Responding to a question concerning China’s growing military power, Fu Ying, spokesperson for the second session of the 12th National People’s Congress (NPC), said China as a major power is responsible for regional peace and security. Continuar lendo

Solução à Munique

5311de3312d78A crise internacional envolvendo a Ucrânia parece já ter chegado a seu ápice. Os oponentes já mostraram suas cartas, seus dentes e suas garras. A Crimeia já se encontra sob ocupação russa. Putin não pretende arredar de lá. E, no Ocidente, apesar das palavras firmes de alguns líderes, todos sabem que não vale a pena afrontar o Urso por causa da Ucrânia – simples assim, é como funciona o cálculo estratégico em política internacional. Não obstante, pressões continuam para uma medida mais incisiva por parte dos ocidentais – iniciativa essa que dificilmente virá. O que fazer então?

A História (ah, a História!) é sempre pródiga em exemplos e referências para os que tentam navegar nos mares tortuosos das Relações Internacionais. E com a situação na Ucrânia não deve ser diferente. Tudo parece caminhar nesse caso para uma solução no melhor estilo da Conferência de Munique, de 1938.

Putin já disse o que quer. A Crimeia é russa desde sempre (era russa até 1954, quando Kruschev, nascido bem pertinho da fronteira russa com a Ucrânia, resolveu, em um típico ato de solidariedade entre os povos da União Soviética, transferir o território para a República Socialista Soviética da Ucrânia – o que, em termos de de dominação soviética, não significava absolutamente nada…), sua população é russa, e há uma outra série de razões para se dizer que a região deve ficar sob a égide de Moscou (exatamente como os Sudetos com relação à Alemanha, em 1938).

chamberlain 1938Os ocidentais, fora o discurso altivo, estão titubeantes, não querem confusão com a Rússia (ainda mais por uma região que sempre esteve sobre hegemonia russa), e buscam desesperadamente uma saída honrosa para a crise (exatamente como Chamberlain e Daladier, em 1938). Frau Merkel está em contato direto com Vladimir, que também tem conversado bem com Obama…

Portanto, parece que o espírito de Munique deve imperar na crise da Ucrânia. Os russos ficam com a Crimeia, os ocidentais saem eufóricos após conseguirem garantir a integridade do território ucraniano (tá, porque a Crimeia, repita-se, não é território ucraniano) e a manutenção dos exércitos russos do outro lado da fronteira, e o mundo suspira aliviado porque não chegamos a um conflito direto entre as grandes potências (exatamente como em Munique, em 1938).

Mas falta um ator nesse cenário… Ah, sim! A Ucrânia! E como ficam os ucranianos? Ficam na sala ao lado, esperando o resultado da negociação em que os ocidentais os salvarão dos russos. Simples assim. E que os ucranianos possam se contentar em manter sua independência e, de fato, a existência de seu país (exatamente como aconteceu com os tchecos, em 1938).

Exatamente como aconteceu em 1938, tudo ficará bem! Claro que, depois de perder os Sudetos, a Tchecoslováquia entrou em colapso, seu território foi dilacerado, com outros países tomando seus nacos ao norte, ao sul e ao leste, a economia entrou em crise e, alguns meses depois, os alemães “marchavam pacificamente” sobre as ruas da belíssima Praga, que seria a capital do Protetorado (alemão) da Boêmia e Morávia. Sim, alguns meses após a Conferência de Munique, a Tchecoslováquia sucumbiu… Mas o mundo estava em paz… Até que, um ano depois, começou a II Guerra Mundial.

Na crise da Ucrânia, portanto, esperemos que tudo acabe de maneira pacífica, e que seja restabelecida a harmonia entre os povos. Exatamente como aconteceu em Munique, em 1938.

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Tambores de guerra

soldier russian crimeaPrimeiro-ministro da Criméia solicita proteção a Moscou. Soldados russos disfarçados de soldados russos estão em território ucraniano e ocupam posições-chave. O Senado russo já autorizou Putin a uma ação militar na Ucrânia. Kiev decreta mobilização geral das Forças Armadas. Ocidentais esbravejam, criticam o Kremlin, instam Putin a conter-se, mas estão realmente preocupados em não atiçar tanto o Urso que se movimenta em seu território, buscando a presa em sua área de caça (ou, como diriam os internacionalistas, em sua zona de influência)….

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Não estou dizendo que haverá guerra. Afinal, em pleno século XXI, em território europeu e envolvendo grandes potências – inclusive potências nucleares -, um conflito assim poderia ser realmente de consequências extremamente desastrosas não só para europeus, russos ou estadunidenses… Não estou dizendo que haverá guerra, pois o que se vê agora são as peças dispostas em um grande tabuleiro, com jogadores/oponentes habilidosos, experientes e pragmáticos – como deve ser.

Não estou dizendo que haverá guerra. Essa não seria a saída racional da crise. Entretanto, a História ensina que em situações de significativa tensão – e a presente é uma delas – por mais racionalmente que se opere, podem acontecer variáveis inesperadas e eventos secundários, de menor importância no grande jogo, mas que funcionam como estopim para um conflito. Sim, há sempre os insignificantes acontecimentos que podem servir de estopins, de gatilhos para o pior. O deus da guerra é muito habilidoso nesses assuntos e vela por seus filhos…

bandeiras rasgadas ucrania russiaNão estou dizendo que haverá guerra. Porém, como já comentei aqui em Frumentarius, o clima está muito semelhante àquele das semanas que antecederam a invasão da Polônia pela Alemanha, em 1º de setembro de 1939: interesses de grandes potências em xeque, territórios ameaçados, um país menor no meio do jogo, feras mostrando os dentes, mobilização de tropas, trocas de advertências… E isso aconteceu há 75 anos… Ademais, com as coincidências que fazem do mundo um lugar fascinante, 2014 é o ano do centenário do início da I Guerra Mundial, a Grande Guerra – que começou, por sinal, com um evento secundário…

O clima no planeta está tenso. No Brasil, é Carnaval. Ziriguidum…

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Autoridades da Crimeia pedem a Putin que garanta a paz

Voz da Rússia, 01MAR2014 – http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_03_01/autoridades-da-crimeia-pedem-a-putin-garantir-paz-7438/

Serguei Aksenov, primeiro-ministro da Crimeia, emitiu na manhã deste sábado uma declaração urgente. Ele apela ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, pedindo assistência para assegurar a paz e a estabilidade no território da república autônoma. Continuar lendo

Bandido bom é bandido morto… não necessariamente

mulher tiro goianiaA cena chocante dos últimos dias (ao menos para mim, porque, pelo visto, a coisa está tão comum que ninguém mais se assusta) foi a do bandido facínora que atirou na cabeça de uma mãe, que estava já rendida e prostrada no chão, com o filho pequeno nas costas. Aconteceu em Goiânia, cidade de gente simpática e hospitaleira, e na casa da vítima, durante um assalto. Confesso, até envergonhado, que meu primeiro desejo é ver um delinquente como esse executado em praça pública, para servir de exemplo. Mas aí vem a consciência e joga a idéia de lado, e me vejo correndo o risco de cair na banalidade do mal e perder meu resquício de humanidade. Não, execução em praça pública, como nos tempos antigos, não é a melhor solução… Também não é a melhor solução tirar a vida daquele criminoso – por menos valiosa que seja, é uma vida, apesar do desprezo dele próprio pela vida dos outros…

prisaoNão acredito na pena de morte como solução dos problemas da violência. E não é por razões sociológicas, por achar que o bandido é uma vítima da sociedade e da falta de oportunidades. Nem me venham com esse discurso, pois, por causa dele, criminoso é tratado como herói, policial é tachado de bandido, a vítima (ora, a vítima!) é desprezada ou intitulada de “socialmente responsável” por ser vítima, e a criminalidade só cresce (pois esse crescimento até parece agradar a muitos que estudam o fenômeno de sua salinha luxuosa e e segura com ar condicionado). Nunca achei que bandido fosse vítima, e, como membro produtivo da sociedade pagante de meus impostos, não aceito que me chamem de responsável pelas escolhas ruins do criminoso.

prisao trabalhoNão acredito na pena de morte porque a acho improdutiva, inefetiva e ineficaz. Afinal, com ela, só se eliminaria um problema pontual (o criminoso morre e tudo acaba, simples assim! Negativo!), as vítimas permaneceriam sem assistência e a coisa mudaria muito pouco. Pena de morte é um luxo que não deve ser dado a bandido. Em vez de pena de morte, precisamos para o Brasil de um sistema penal eficiente, em que se tenha a certeza rápida e efetiva da punibilidade, com leis rígidas e sem as brechas processuais que fazem com que o criminoso cumpra muito pouco da pena (vejam o caso dos mensaleiros, que logo estarão livres!)… Fundamental, também, é que sejam revistas as penas… E aí entra a minha proposta: trabalho compulsório para os presos.

Um criminoso condenado deve trabalhar, e duro, durante os anos de sua condenação. Não pode ficar o dia inteiro preso, largado em uma cela, esquecido do mundo. Tem que suar durante uma jornada de dez ou doze horas diárias, batendo pedra, capinando, ou realizando qualquer outro ofício. Tem que pagar ao Estado pela estadia na prisão, e parte do fruto de seu trabalho, ainda que mínimo, deve reverter à vítima, individualmente ou para um programa de apoio às vítimas.

trabalho prisaoSendo obrigado a trabalhar, o criminoso preso se torna produtivo. O criminoso preso se torna produtivo para o Estado, para a sociedade e para si mesmo. E antes de delinquir, é fundamental que passe por sua cabeça a idéia de que pode realmente ser pego, processado, julgado e punido, e que vai ter que suar muito enquanto estiver encarcerado.

Não acho que bandido bom é bandido morto. Bandido bom é bandido preso, realmente preso, e trabalhando duro para expiar sua pena. Bandido bom é bandido preso e trabalhando duro.

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Começou!

interventionSeriam dois mil homens ocupando pontos estratégicos na Criméia: Simferopol, a capital regional e Sebastopol, onde está a frota ucraniana e a frota russa do Mar Negro. Obviamente são forças russas. Acompanhando ansiosamente a reação do Ocidente…

E, para quem quiser ver um trecho do discurso de Yanukovich, clique aqui. Interessante os termos que parecem vindos direto da União Soviética…

Armed men seize two airports in Ukraine’s Crimea, Yanukovich reappears

Photo
4:13pm EST

Reuters, 28FEB2014 – By Alissa de Carbonnel and Alessandra Prentice

SIMFEROPOL, Ukraine (Reuters) – Armed men took control of two airports in the Crimea region on Friday in what the new Ukrainian leadership described as an invasion by Moscow’s forces, and ousted President Viktor Yanukovich surfaced in Russia after a week on the run.

Yanukovich said Russia should use all means at its disposal to stop the chaos in Ukraine as tension rose on the Black Sea peninsula of Crimea, the only region with an ethnic Russian majority and the last major bastion of resistance to the overthrow of the Moscow-backed leader.

Acting President Oleksander Turchinov accused Russia of open aggression and said Moscow was following a scenario simliar to the one before it went to war with fellow former Soviet republic Georgia in 2008. Continuar lendo

Um já foi… Qual será o próximo a cair de maduro?

world_01_temp-1385803778-5299b002-620x348 Tudo indica que Yanukovich está fora do jogo político da Ucrânia e que a oposição venceu. Vejo a notícia com ressalvas porque o inesperado pode acontecer naquela bela e rica parte do mundo… Moscou ainda não se manifestou sobre a queda do presidente ucraniano. Se estiver confirmado que foi deposto, podemos estar diante de grandes transformações naquele país, com algumas possibilidades não-necessariamente excludentes: 1) uma aproximação com o Ocidente e com a União Européia e mais liberdade e democracia; 2) um movimento de xeque russo, que pode ser surpreendente; 3) a fragmentação do país.

De toda maneira, parece que um ditador já foi. A milhares de quilômetros que Kiev, outra crise de governabilidade coloca milhares de pessoas contra um regime autoritário: apesar da proximidade com o Brasil, parece que chega menos notícia aqui da Venezuela que da Ucrânia… Será que é porque ali é o companheiro Maduro e o regime autoritário bolivariano (detesto esse termo, e acho que o grande Bolívar também odiaria) que estão na berlinda?

2014-02-16T194828Z-1110150863-GM1EA2H0ABH01-RTRMADP-3-VENEZUELA-PROTESTS-size-598Logo escreverei aqui sobre a Venezuela. A situação ali é muito preocupante também. E gente tem sido presa, tem desaparecido, tem sido ferida e morta. O governo brasileiro mantém seu apoio a Maduro. O Mercosul (quê?) também, apesar da cláusula democrática (ah, sim! haveria uma coisa assim no bloco). Nem vou falar da Unasul…

16fev2014---manifestante-participa-de-protesto-em-altamira-regiao-metropolitana-de-caracas-venezuela-exigindo-a-libertacao-dos-estudantes-presos-em-manifestacoes-anteriores-neste-domingo-16-1392613640A cobertura sobre os efeitos da crise venezuelana por aqui é ínfima. Parece que os brasileiros estamos completamente apáticos diante do que ocorre no país vizinho. Não estamos, ao menos alguns. Esta semana, por exemplo, um grupo de jovens e bravos estudantes fez um protesto diante da Embaixada da Venezuela contra as violações aos direitos humanos e o autoritarismo do regime de Caracas. Perguntei sobre a cobertura da mídia à manifestação. Resposta: inexistente. Meus parabéns ao grupo pela coragem e pelo exercício de um direito fundamental na democracia!

Ucrania4Bom, como estamos na América Latina, há sempre o risco do novo Caracazo acabar antes de qualquer resultado que não seja a contabilização das vítimas que terão caído em vão. Ao menos na Ucrânia, isso parece não ter acontecido. Agora em Kiev é hora de chorar os mortos e sonhar com um futuro de liberdade econômica, política e social. E é tempo de se planejar um país em que o discurso autoritário, as ideologias anacrônicas, a corrupção e a falta de compromisso com a coisa pública não devem prosperar. A lição está dada, em que pese o sangue que foi lamentavelmente derramado pela liberdade. Temos muito que apreender com os ucranianos.

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Inverno Eslavo

UKRAINE_Muita gente tem-me perguntado sobre a crise na Ucrânia. Não sou especialista na região, e tampouco tenho-me aprofundado nesse interessante tema. Porém, como aqui se busca “pensar um pouco de tudo”, vamos a algumas reflexões de um curioso:

1) A situação é grave, muito mais grave do aquilo que chega aqui pela mídia generalizada. Kiev virou realmente um campo de batalha, um campo de batalha na cidade que simbolicamente é o berço do mundo eslavo; um campo de batalha em um país europeu, quando muitos europeus acreditavam que isso só poderia acontecer na periferia do mundo civilizado. “Ok”, podem dizer os mais cínicos, “mas a Ucrânia não seria assim tão européia…” É exatamente esse um dos aspectos centrais dos dilemas daquele povo, e tem gente morrendo por isso.

Ucrania22) Muita gente está morrendo em Kiev por ocasião dos protestos, começados há alguns meses e agravados agora. O uso do gerúndio aqui foi proposital: pessoas continuam sendo alvejadas nas ruas, hospitais lotados de feridos, filhos que não voltam para casa, famílias que perdem o pai… Se os brasileiros se chocam tanto com a violência dos protestos por aqui, deveriam ter mais consciência de que as mortes na capital ucraniana, em razão dos confrontos e das manifestações,  chegam a centenas.

3) Sim, a Ucrânia é um país dividido. Sempre foi. Metade da população fala russo, vem de uma cultura eminentemente russa, tem vínculos estreitos com a Rússia, e não se ofenderia em ver seu país tornando-se mais uma das repúblicas da Federação comandada a partir de Moscou. Uma outra parte é de ucranianos, que tentam de todas as maneiras a afirmação de seu idioma, sua cultura e sua nacionalidade, vendo a aproximação com a União Européia a esperança de libertação da hegemonia russa – essa aproximação, defendem, é uma questão de sobrevivência para o país, cuja a história foi em sua maior parte de ocupação e dominação por uma potência estrangeira. E ainda existem aqueles de origem polonesa, romena, tártara, que ficam no meio do fogo-cruzado… Ou seja, o que se vê no país agora não são protestos contra um governo, mas uma crise de identidade nacional e uma disputa decisiva pelos destinos da Ucrânia nas próximas décadas.

ucrania-17384614) Por sua posição estratégica, fica evidente que a disputa na Ucrânia ultrapassa os interesses dos próprios ucranianos. Trata-se, de fato, de uma confrontação entre o Ocidente e a Rússia, que se reergue da queda soviética. A Ucrânia é, tradicionalmente, zona de influência direta russo-soviética, é importante para Moscou, e Putin não abrirá mão tão fácil do segundo maior país eslavo, tanto por essa condição quanto por seu valor econômico e político. Das ex-repúblicas soviéticas, a Ucrânia, é o país mais estratégico e geopoliticamente importante para os russos. Que não seja desconsiderada uma intervenção militar direta de Moscou em socorro a Yanucovich. A Ucrânia não é, de forma alguma, a Geórgia.

5) O destino da Ucrânia repousa nas mãos de seus cidadãos, sem dúvida. Mas a disputa internacional não pode ser desconsiderada. E nessa queda de braço entre ocidentais e russos, convém observar atentamente quem cede primeiro. Putin não costuma ceder.

Ucrania36) Algumas mudanças políticas importantes parecem ocorrer nas últimas horas (escrevo no sábado, 22/02, pela manhã, a partir de Brasília): Yulia Timoshenko, ex-primeira ministra e opositora do regime, seria libertada por força de uma decisão do Parlamento (sim, ali, com a herança autoritária soviética, opositores do regime são presos, e presos políticos existem, presos políticos de verdade e não criminosos que em outras partes do mundo erguem o braço para ser dizer perseguidos políticos e são aplaudidos por mentecaptos comprados com ideologia e fé cega ou, simplesmente, com dinheiro mesmo). Yanucovich parece ter deixado a capital e haveria rumores de sua renúncia, parece… A questão é quem fica em seu lugar… E se já teriam negociado isso com os russos.

UcraniaEnfim, a situação na Ucrânia merece cobertura mais efetiva da imprensa em geral e acompanhamento mais atento dos internacionalistas. Pode ser que ali se esteja a vivenciar aquela que será a primeira confrontação em solo europeu de uma nova Guerra Fria. Sim, porque a Ucrânia está em solo europeu, que fique claro… A Rússia também…

Segue artigo interessante com um apanhado geral da situação ucraniana…

Ukraine protesters seize Yanukovich office; jailed rival ‘free under law’

Photo
9:03am EST
Reuters – By Timothy Heritage and Pavel Polityuk

KIEV (Reuters) – Protesters seized the Kiev office of President Viktor Yanukovich on Saturday and his whereabouts were a mystery, as the pro-Russian leader’s grip on power rapidly eroded following bloodshed in the Ukrainian capital.

Parliament voted to free his arch-rival, jailed former prime minister Yulia Tymoshenko. Her daughter said Tymoshenko was already free under Ukrainian law but still in the hospital where she has been held for treatment. Continuar lendo

Are Suicide Bombers Rational Actors?

suicide bombers3According to David Rapoport, in 1979 a fourth wave of terrorism started associated to the religious extremism[1]. Amongst the characteristics of this new wave is the phenomenon of the suicide bombers, people that kill themselves in a terrorist attack. Could those men be considered rational actors or they should be seemed as crazy fanatics? Testing the assumption that terrorists are rational actors is extremely important because this perception or misperception will influence the way public authorities will establish strategies to deal with the terrorist threat, in prevention as well as reactive measures and counterterrorism.

Ehud Sprinzak presents the suicide terrorist as a new type of killing in the history of modern terrorism[2]. The use of suicide attackers, however, is not new. In the 11th century, for example, suicide terrorism was adopted as a strategy to advance the cause of Islam by the sect of the Assassins[3]. According to a Congressional Research Center’s Report on terrorists and suicide attacks, “[m]embers of premodern groups without access to dynamite did not have the immediacy and certainty of their own demise that is currently the case, nor could they expect the publicity for their attacks that is seen today; but they did engage in deliberate, calculated self-sacrifice in the act of killing civilian targets for symbolic effect”[4]. Despite the apparently association with religious-based practice, suicide attackers have been used by both secular and religious groups[5].

Apparently, practice of suicide by terrorists looks like something against rationality. After all, “(…) terrorists, though ready to risk their lives, wished to live after the terrorist act in order to benefit from its accomplishments”[6]. But it doesn’t happen with suicide bombers because they deliberately and voluntarily give their lives for the cause. And they do that following a specific rationale not so different of that followed by the formers to preserve their lives.

suicide bombers1How could one stand that somebody committing so atrocious acts of pure violence would be considered sane? Suicide attacks are particularly difficult to be understood by the common man. When one read on the headlines that a terrorist has entered in a train or a bus and exploded it remaining there, the immediate inference is that this man or woman must be crazy! So, this assumption is part of a common sense in many societies that is reiterated many times by the media[7].

Thus, due to its horrifying nature, terrorism is usually assumed as a practice of irrational and crazy people. Terrorists, however, including the suicide bombers, cannot be put at the same level of insanity of serial killers, mass murderers or school shooters. The former are politically motivated, the later not. Terrorists promote acts of brutality with a rational objective goal: take the attention or influence an audience, a government or decision makers. Their actions are planned, prepared, calculated, coordinated and controlled. There is a rationale that explains how suicide attackers have been used by both secular and religious groups.

Sprinzak explains the rationale of the suicide terrorists. According to him, “whereas the press lost no time in labeling these bombers irrational zealots, terrorism specialists offered a more nuanced appraisal, arguing that suicide terrorism has inherent tactical advantages over ‘conventional’ terrorism”. These advantages are clear: “It is a simple and low-cost operation (requiring no escape routes or complicated rescue operations); it guarantees mass casualties and extensive damage (since the suicide bomber can choose the exact time, location, and circumstances of the attack); there is no fear that interrogated terrorists will surrender important information (because their deaths are certain); and it has an immense impact on the public and the media (due to the overwhelming sense of helplessness)”[8].

Islamic+Jihad+Suicide+BombersIn the case of religious extremism, some important aspect shall be added: the role of the martyr. The suicide martyr cannot be associated to insanity, but to a rationale based on faith. When a terrorist perpetrates a suicide attack he or her is aware that: 1) there is a goal to be achieved; 2) his action will contribute to the achievement of that goal; 3) he or she will became a martyr, what is an important aspect of his or her faith or convictions[9]. Additionally, in some cases, the suicide bomber knows that his sponsors will take care of his family as retribution for his or her sacrifice – there is also economic calculation and rationality on that.

In sum, the hypothesis that terrorists are people with mental illness does not seem plausible. Obviously, one can find crazy people amongst terrorists, as everywhere. However, in general there is a rational behavior in their actions. Even the suicide bombers follow a rationale related to the achievement of, for example, political goals. As professor Edwin Bakker said, “they don’t kill because they are crazy, they kill to achieve something”[10]. Due to these reasons, one must consider the assumption that terrorists are rational actors is true. 

Quem matou Santiago?

cinegrafista-band-santiagoPrenderam Caio de Souza, acusado de lançar o rojão contra Santiago Andrade. Fábio Raposo, que teria fornecido o artefato a Caio, também está detido. Agora os dois responderão pelo homicídio, terão direito a um julgamento no qual buscarão provar sua inocência… Se não conseguirem, serão condenados e passarão parte da vida na cadeia… Santiago, a vítima, não teve a sorte de permanecer vivo. E as autoridades públicas já deram uma resposta à população e à imprensa, pois foi encontrado quem matou Santiago. O problema é que não foram só Caio e Fábio que mataram Santiago…

Mataram Santiago todos aqueles que voluntariamente participam de manifestações públicas com o objetivo de promover a violência, causar tumulto e gerar a desordem. Mataram Santiago pessoas que vão a esses protestos deliberadamente para agredir e promover o caos, usando táticas ardilosamente arquitetadas, moldadas sob orientação de quem foi treinado em cartilhas políticas de violência. Sim! Existem grupos e até de partidos políticos no Brasil que ainda defendem a promoção do caos, da desordem e da violência como forma de alcançar seus objetivos. Para essas organizações, o grande inimigo é a democracia.

O direito à reunião é assegurado pela Constituição brasileira, mas à reunião para fins pacíficos. É mais que evidente que há determinados grupos que participam desses protestos e manifestações para causar tumulto. Nada diferente do que faziam as SA (Sturmabteilung ou Seções de Assalto), tropas de choque do Partido Nazista na Alemanha dos anos 1920 e 1930. Ou alguém tem dúvida de que uma pessoa que vai “armada” com rojões para uma manifestação busca outra coisa além da violência? Essas ações são orquestradas, repita-se, e têm objetivos, muitas vezes objetivos políticos.

Também mataram Santiago aqueles governantes ineptos que permitiram que a situação chegasse a esse ponto. Claro que há responsabilidade por parte de quem deve garantir a segurança do cidadão! Sim, o desgoverno, a despreocupação com a ordem pública, a falta de investimento em setores básicos (e não em estádios de futebol), o desvio de recursos que deveriam ir para a segurança, a saúde, a educação, obras infraestrutura e planejamento urbano, e a condescendência com práticas criminosas de grupos insurgentes (companheiros, muitas vezes são eles assim chamados), tudo isso faz com que os governantes sejam responsáveis pela morte de Santiago. Onde há bom governo há ordem, segurança e paz.

Mataram Santiago todos os que buscam desvirtuar o trágico para algo diferente de uma agressão contra um cidadão comum. Quando se diz que o cinegrafista foi morto porque era da imprensa, e que algo precisa ser feito para proteger a imprensa, o que se está pregando é que a morte de outros cidadãos seria menos importante. E o discurso contra a indiferença diante da violência torna-se um discurso corporativista em defesa de uma determinada categoria profissional. Santiago não foi morto porque era cinegrafista. Santiago foi morto porque virou alvo de criminosos, de irresponsáveis que não mediam esforços em gerar baderna e violência. Foi um cinegrafista, mas poderia ser um policial, um comerciante ou qualquer outro trabalhador que estivesse passando por ali, exercendo sua profissão, ou mesmo um morador de rua que fosse pego na onda de violência.

Santiago está morto. Se o País continuar nesse torvelinho de incompetência política e administrativa, de violência descontrolada, de indiferença para com preceitos básicos de civilidade e cidadania, outros Santiagos serão mortos, e cada vez mais.

blackboc

 

Piada Pronta

2014-686855514-20140208171901014rts.jpg_20140208Sabe aquela anedota sobre o curso de homem-bomba, quando na aula final o instrutor diz “Prestem atenção que eu só vou mostrar uma vez como se faz!!!”? Pois é, a vida imita a arte!

A matéria comprova que a proliferação de Hommer Simpson não é um privilégio só do Ocidente. Claro que sempre se desconfia de uma operação de contraterrorismo de algum serviço de inteligência eficiente… Sem maiores comentários…

Treinador de homens-bomba explode turma por engano

Homem dava aula para aspirantes a ataques suicida quando detonou explosivos presos ao corpo matando 22 e ferindo 15

DO NEW YORK TIMES

BAGDÁ – Um grupo de extremistas sunitas que assistiam a uma aula de treinamento para atentados suicidas em um acampamento ao norte de Bagdá foi morto na segunda-feira quando seu comandante involuntariamente realizou uma demonstração com um cinto que estava cheio de explosivos, contaram funcionários do Exército e da polícia iraquiana.

Os combatentes pertenciam a um grupo conhecido como o Estado Islâmico do Iraque e da Síria, ou Isis, que luta na província de Anbar contra o Exército iraquiano, dominado por xiitas. Mas eles também estão ligados a ataques a bomba em outros lugares. Continuar lendo

Ninguém gosta da cena aqui registrada

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Ninguém gosta da cena aqui registrada. Esta não é uma imagem agradável de se ver. Denota humilhação, sofrimento, desamparo. Afinal, é um ser humano que ali está preso como algo não humano, e isso gera sentimentos de repulsa e solidariedade dos que testemunham a cena, sentimentos atávicos. “Não, não é um ser humano! É um bandido!”, logo alguém esclarece. E aí, em muita gente, o sentimento muda…

Ninguém gosta da cena aqui registrada. De fato, ainda que o indivíduo seja um criminoso, não é isso que deveria lhe acontecer em uma sociedade civilizada. Não, não em uma sociedade civilizada! Mas a imagem indica, não obstante, o quão distante estamos da civilização.

Ninguém gosta da cena aqui registrada! Explicações sociológicas virão aos montes! Grupos de direitos humanos (que não se manifestariam se a vítima fosse um policial ou outro trabalhador) vão partir em defesa do criminoso fazendo referência ao passado escravocrata brasileiro. Intelectuais se chocarão. Artistas falarão do problema da violência e da degradação dos valores (que muitos deles contribuem para destruir). Jornalistas registrarão, indignados, o absurdo da violência no Brasil (registro que renderá bons minutos de TV ou páginas de jornal)! Eu tenho minha explicação para esse fenômeno… é mais simplista, talvez porque eu seja simplista…

Ninguém gosta da cena aqui registrada. Além de deixar claro o quão distante estamos do que seriam patamares mínimos de civilização, a imagem também sinaliza outra coisa: que os brasileiros estão se cansando da inércia do Estado. Essa é minha explicação: devido às mazelas políticas, associadas à incompetência dos dirigentes e ao total colapso moral daqueles que governam este País, que perderam o respeito, o brasileiro se vê completamente desamparado diante da criminalidade e da violência. E começa a reagir. Reagir como pode…

Reagir como pode está relacionado, por exemplo, a tomar para si uso da violência com o objetivo de se defender dos criminosos. Afinal, muitos dos governantes que aí estão conseguiram se apropriar do Estado de tal maneira, com o único fim de se locupletar e saquear a coisa pública, que deixaram de se preocupar com aspectos essenciais como a Segurança Pública. Transformaram o Estado brasileiro em um grande balcão de negócios, fazendo da coisa pública algo privado. E têm conseguido fragilizar instituições, como a polícia, o Ministério Público e o Judiciário. Apenas os criminosos (comuns ou de colarinho branco) ganham com a fragilização do aparato policial e das instituições judiciais. Criminosos e aqueles que defendem um Estado anárquico.

Ninguém gosta da cena aqui registrada. Tenho dito que este País está chegando ao chamado “ponto sem retorno”. O Estado vem perdendo o monopólio da violência, o governo perdeu a capacidade de gerir adequadamente a coisa pública, e o cidadão não reconhece mais a legitimidade dos que se propuseram a representá-lo (?) e a dirigir o País – talvez porque, de fato, esse nunca tenha sido seu objetivo quando se propuseram a ocupar cargos públicos… E tudo isso em meio a um clima de colapso moral, com exemplos que chegam de muito alto, infelizmente…

Ninguém gosta da cena aqui registrada. Vivemos um momento perigoso para a democracia e, de fato, para nossa sobrevivência como sociedade: o Estado brasileiro está esfacelando-se pelas mãos de grupos sem compromisso com a coisa pública. Algo precisa ser feito, os brasileiros precisam acordar!

Ninguém gosta da cena aqui registrada. Mas, à medida que o Estado, por meio dos governantes, não consegue resolver o problema da insegurança pública, ela vai se repetir. E vai se repetir de maneira mais intensa. O cidadão de bem está cansado de ser vítima, vítima de criminosos, e vítima de um Estado inerte.

Ninguém gosta da cena aqui registrada. Mas, do jeito que a coisa vai, ela logo passará a ser o cartão postal do Brasil.

07/02 – 15:35 – Notícia da Cidade

Mesmo após a série de protestos contra os responsáveis por algemar um jovem pobre e preto, completamente nu, pelo pescoço, a um poste no bairro do Flamengo, a foto de um outro homem também sem roupas, amarrado a um cano na calçada em frente à sede da empresa norte-americana IBM, no bairro de Botafogo, também na Zona Sul do Rio, voltou a circular nas redes sociais. O fato ocorreu em 2010, mas a foto voltou a ser publicada em um site na internet, apócrifo, que presta algum tipo de homenagem ao filme Tropa de Elite, com o título Faca na Caveira Oficial. O Correio do Brasil não pode confirmar, com fontes oficiais ou independentes, a autenticidade da atual fotografia mas o fato teria sido publicado no diário popular carioca O Dia, à época. Continuar lendo

Não, não estava não…

Edward_SnowdenMatéria da RIA Novosti segundo a qual legislador estadunidense não encontrou evidências de que o traidor Snowden estaria trabalhando para os russos… Ah, bom! Agora fiquei convencido!

De fato, tenho dito desde o início que isso parece um típico caso de recrutamento… Alguns amigos, como o estimado Sílvio Souza, de São Paulo, consideram a possibilidade de infiltração. Não acho que seria para tanto… Mas que o caso perece o bom e velho recrutamento, ah isso parece! (E faz parte do jogo, diga-se de passagem…)

RIA Novosti

No Evidence Snowden Spied for Russia – US Senator

09:53 29/01/2014

A senior US lawmaker said Tuesday that she has seen no evidence that intelligence leaker Edward Snowden was working with Russia when he disclosed troves of documents on classified US spying programs.

 WASHINGTON, January 28 (RIA Novosti) – A senior US lawmaker said Tuesday that she has seen no evidence that intelligence leaker Edward Snowden was working with Russiawhen he disclosed troves of documents on classified US spying programs.

“I have no information to that effect. I have never seen anything to that effect,” Senator Dianne Feinstein, chairwoman of the Senate Intelligence Committee, told the US cable network MSNBC.

Feinstein said earlier this month that Snowden “may well have” been working with a foreign government when he leaked information about mass electronic surveillance programs operated by the US National Security Agency (NSA). Continuar lendo

I’ll be watching you… Nein, nicht mehr!

cybersecurityEssa quem me enviou foi um caríssimo amigo do Timor Leste.  E ele associou a matéria a outra do NY Times que menciona uma decisão do Conselho da Confederação  da Suíça, que restringe severamente a comercialização de produtos tecnológicos para o Governo. Ou seja, “vai doer na Microsoft”, lembra meu amigo. Afinal, mais de 80% dos computadores no mundo usam o sistema operativo Windows. E se mudarem para Linux? Ou se cada país desenvolver seu próprio sistema? O Brasil já desenvolveu um chamado Saci (nome mal escolhido). Imagina se o Google perde sua posição dominante no mundo das search-engines? Quanto do PIB americano vai para o ralo por causa disso? 

Os alemães estão vendo na crise uma janela de oportunidade (se me permitem o trocadilho). Interessante como falam em contraofensiva. Se começarem a desenvolver os sistemas alternativos, a guerra no universo virtual pode ser declarada… Quem viver, verá (se não der pau no sistema, claro…).

02/04/2014 03:17 PM

Digital Independence – NSA Scandal Boosts German Tech Industry

By Hilmar Schmundt and Gerald Traufetter
 

The German IT sector is hoping to profit from trust lost in American technology firms in the aftermath of the NSA spying scandal. But critics warn that plans to create a European routing system could affect the openness of the Internet.

For those interested in learning what German Interior Minister Thomas de Maizière thinks of the Internet, a visit to the little-known website bevoelkerungsschutz-portal.de (population protection) can be instructive.

The website is full of information regarding Germany’s response to potential catastrophes: mass epidemics, terrorist attacks, floods and the like. Last week, the site posted a video from a conference during which de Maizière discussed Internet security with the country’s digital elite. Continuar lendo

15 mil toneladas de diplomacia!

USS_Zumwalt_(DDG-1000)_DesignMatéria sobre o novo buque de guerra estadunidense. Bela arma! Dissuasória, segundo a Marinha dos EUA. São esperados 24 destróiers (ou contratorpedeiros por aqui). Devem ser usados na Ásia e Pacífico (preciso dizer mais alguma coisa?).

uss-monitor-shipwreck-1Segundo meu amigo Márcio Scalércio, o DDG-1000 lembra o USS Monitor, usado pela União na Guerra Civil. Só que o Monitor afundou…

EUA lançam navio de guerra mais caro do mundo

Estadão Conteúdo – dom, 5 de jan de 2014, publicado em http://br.noticias.yahoo.com/eua-lan%C3%A7am-navio-guerra-caro-101000859.html
 
EUA lançam navio de guerra mais caro do mundo. (Foto: UNITED STATES/MARITIME MILITARY)

EUA lançam navio de guerra mais caro do mundo. (Foto: UNITED STATES/MARITIME MILITARY)

O navio de guerra mais poderoso do mundo é, também, o mais caro: o novo destróier americano Zumwalt, o DDG 1000, custou US$ 7 bilhões – preço do desenvolvimento do projeto, mais a construção da primeira unidade de uma série de três. Descontado o investimento, só o navio saiu por US$ 1,4 bilhão.

“É um ‘drakar’ da idade da tecnologia”, afirma Júlio Penteado, engenheiro naval com especialização militar, comparando o destróier às embarcações dos guerreiros vikings – os mais temidos da Europa há 1.200 anos. Para o engenheiro, o desenho revolucionário do Zumwalt e as inovações que incorpora, “estabelecem referências que não poderão ser ignoradas no planejamento das frotas modernas”. Continuar lendo