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Sobre Joanisval

Brasiliense. Doutor em Relações Internacionais e Mestre em História. Graduou-se em Relações Internacionais e em Direito. É advogado, professor universitário e consultor legislativo do Senado Federal. Monarquista convicto. Contato: joanisval@gmail.com.

Razões para a guerra…

Depois da brilhante jogada russa no tabuleiro global envolvendo a questão síria (os dirigentes de Moscou estão-se revelando grandes estrategistas!), o Presidente Obama parece continuar buscar motivos para derrubar o regime de Assad. Isso não é nada bom… Ainda tentando entender o ímpeto do Mandatário estadunidense para desencadear o conflito…

De toda maneira, seria no mínimo irônico um presidente dos Estados Unidos com nome muçulmano e ganhador do Nobel da Paz (lembram disso?) desencadear uma ofensiva militar contra um país árabe por volta do 11 de setembro… Pergunto-me o que George W. Bush estaria pensando disso tudo…

Continuo sem a convicção de que o ataque com armas químicas (se realmente aconteceu) se deu a mando de Assad…

Obama_discurso_Siria

RIA Novosti

Obama Argues for Force in Syria, Says Russian Plan Still in Play

07:28 11/09/2013

In a nationwide televised address Tuesday night, US President Barack Obama argued for a punitive military strike against Syria over its alleged use of chemical weapons, though he said he is working with Russia on a proposal to defuse the situation by securing Syria’s chemical weapons stockpiles.

 WASHINGTON, September 10 (RIA Novosti) – In a nationwide televised address Tuesday night, US President Barack Obama argued for a punitive military strike against Syria over its alleged use of chemical weapons, though he said he is working with Russia on a proposal to defuse the situation by securing Syria’s chemical weapons stockpiles.

“If we fail to act, the Assad regime will see no reason to stop using chemical weapons,” Obama said in his 15-minute speech from the ornate East Room of the White House. “As the ban against these weapons erodes, other tyrants will have no reason to think twice about acquiring poison gas and using them.” Continuar lendo

Manifesto Brasil 2022

Meus caros,

Manifesto_folha1É com imensa satisfação que informo a meus queridos leitores que, neste dia da Independência do Brasil, é lançado o Manifesto Brasil 2022.

Esse documento é o produto de meses de reflexão e debate sobre os problemas brasileiros e o futuro que queremos para o Brasil e seu povo. De fato, o Manifesto faz um diagnóstico da situação geral do País hoje e propõe alternativas que possam elevar o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento, civilização e independência no bicentenário de sua Emancipação (7 de setembro de 2022).

ideia do Manifesto teve início há exatos nove meses, quando três amigos reunidos em um almoço, chegaram à conclusão que algo precisava ser feito para retirar o Brasil dessa rota em direção ao caos, à violência e ao atraso. Ao externarem seu pensamento, descobriram que muitos pensavam como eles. Perceberam, ainda, que sua geração, a dos nascidos entre meados dos anos sessenta e meados dos anos oitenta do século XX ainda não deixara qualquer contribuição ao progresso do País.

Assim, decidiram os três amigos começar a pensar em como poderiam contribuir para um Brasil melhor. E, após muitas reflexões e debates, chegaram à produção do Manifesto.

Certamente, o Manifesto Brasil 2022 é apenas um primeiro passo. Mas deve ser o documento propulsor de um movimento por mudanças no Brasil nos mais distintos campos. Os autores se inspiraram no Manifesto Antropofágico de 1922 que, no centenário da Independência, deu início a um processo de transformações cultura e nas idéias brasileiras.

Convido-os a conhecer o Manifesto. Vocês podem baixar seu texto integral em pdf aqui. Podem, ainda, acessar o sítio na internet dedicado ao documento: www.manifestobrasil2022.org. Podem difundi-lo, debatê-lo, criticá-lo, propor novas reflexões e, se concordarem com ele, juntar-se a seus idealizadores no movimento por um Brasil melhor em 2022.

Inaceitável é ficarmos inertes. Inaceitável é sermos meros expectadores enquanto o Brasil mergulha no caos, na violência e no atraso. Ou fazemos alguma coisa, ou as futuras gerações não nos perdoarão pelo legado que deixamos.

Vamos, então! Neste 7 de setembro de 2013, vamos dar o passo inicial rumo a uma nova Independência!

Viva o Brasil! Viva o Povo Brasileiro! Avante!

Manifesto Web

Não provoquem o Urso…

putin_medvedev_0229Apenas para corroborar o que disse sobre o papel de Moscou na crise síria. Se os EUA realmente decidirem por derrubar o regime de Assad, terão que contar, no mínimo, com a simpatia russa… Porém, ao dizer que pretende consultar o Congresso, Obama poderia estar demonstrando que não tivera grandes êxitos em um contato de bastidores com o Kremlin… Será que Washington ousaria desencadear uma ação militar contra Damasco à revelia de Moscou? Sempre bom lembrar quem governa a Rússia…

RIA Novosti

US Strike on Syria Inadmissible, Even if ‘Limited’ – Moscow

03:39 31/08/2013
A military strike on Syria not sanctioned by the UN Security Council would be inadmissible no matter how “limited” it is, the Russian Foreign Ministry said on Friday.

 MOSCOW, August 31 (RIA Novosti) – A military strike on Syria not sanctioned by the UN Security Council would be inadmissible no matter how “limited” it is, the Russian Foreign Ministry said on Friday.

US President Barack Obama said earlier in the day that a potential military strike on Syria would be a “limited” operation aimed at punishing the Syrian government for achemical weapons attack it allegedly carried out last week.

“Any unilateral military sanction bypassing the UN Security Council, no matter how “limited” it is, will be a direct violation of the international law, [it will] undermine the possibility to solve the conflict in Syria by political and diplomatic means, [and] bring about a new round of confrontation and casualties,” Russian Foreign Ministry Spokesman Alexander Lukashevich said in a statement late on Friday. Continuar lendo

Apocalipse Now… in Syria

assad_obamaMuita gente tem-me perguntado sobre a crise na Síria e a provável intervenção estadunidense no país do Oriente Médio. Desde que começou o Levante (como sempre chamei a tal da “Primavera Árabe”), há dois anos, tenho dito que a Síria é muito distinta dos demais Estados que passaram pelas revoltas populares, seja a Líbia de Kadafi, seja o Egito de Mubarack… Tanto por sua posição geográfica, quanto pelas características do regime e de seu líder, ou ainda pelos seus estreitos vínculos com grandes potências como Rússia e China e aliados como o Irã e o Hesbollah, o caso sírio é bem mais complexo do que muitos “experts” têm dito.

Assad_quadroNestes dois anos tenho assinalado que Bashar Hafez-al-Assad não é um simples ditadorzinho de país em desenvolvimento, e que dificilmente deixaria a Presidência da Síria pelas manifestações da oposição. Assad estaria mais para déspota esclarecido.  Seu pai assumiu o poder na Síria quanto ele tinha cinco anos de idade – natural que desde cedo já houvesse a possibilidade de ser preparado para uma sucessão. Estudou em Londres, conhece o Ocidente, e muito distante está de um líder beduíno que ocupa o palácio de dia e à noite vai para sua tenda, ou de um coronel que herda o poder de outros coronéis. É, verdadeiramente, uma liderança em seu país e conta com apoio de parte da população.

Ademais, contra Assad se rebelaram grupos distintos, inclusive alguns associados à Al-Qaeda. Ou seja, ele é, ao menos, a opção conhecida no governo do país. Difícil identificar quem poderia assumir o poder em seu lugar ou mesmo se os rebeldes não continuariam a luta fratricida, permanecendo a instabilidade.

assad putin Também desde cedo assinalo que qualquer investida militar contra a Síria teria que contar com a aquiescência de Moscou. O país é área de influência russa – vale lembra que a maior base naval russa em águas quentes é na Síria – e está muito próximo do território da antiga União Soviética para que Putin deixe de acompanhar muito de perto e com grande interesse os acontecimentos e muito menos uma ação militar ocidental. Tenho comentado, ainda, que Assad cairá quando perder o apoio de Moscou.

Falando ainda da Rússia, interessante tem sido a orientação do Kremlin na crise. Sempre manteve o apoio a Damasco, apoio esse que se evidenciou nas últimas declarações sobre os ataques com armas químicas e nas intervenções no Conselho de Segurança da ONU. Nesse ponto, conta com o apoio de Pequim que, no mínimo, não tem interesse em ver aumentada a influência ocidental na região.

Note-se, além disso, que a relação entre Washington e Moscou tem-se mostrado mais tensa nos últimos meses. Algumas vezes se falou sobre uma nova Guerra Fria (ao menos em certos discursos do Governo russo isso foi expressado). O caso Snowden contribuiu para o aumento da tensão, inclusive com o cancelamento de reuniões de cúpula entre Obama e Putin. Os russos aumentaram a presença na Síria e continuam fornecendo armas a Assad. O recado de Moscou, claro desde sempre, mas somente agora percebido por muitos “especialistas” é: “não brinquem no meu quintal sem me consultar”.

syria protest1Entretanto, apesar dos avisos, Obama parece particularmente interessado em uma ação militar contra a Síria e em tirar Assad do poder – ou isso, ou tem-se aí um grande blefe por parte de Washington! E o pior é que encontra resistência em casa, e também entre seus aliados tradicionais. David Cameron, por exemplo, já retrocedeu na ideia de tomar parte diretamente na intervenção na Síria. Até mesmo Israel não se mostra entusiasmado com os tambores de guerra – claro! além do primeiro alvo de contra-ataques, os israelenses já conhecem (e bem) o atual governo Sírio e seu líder, e temem quem poderia sucedê-lo (no Egito, como também já havia assinalado aqui neste site, a experiência não foi das mais felizes).

Bom, alguns diriam, a intervenção militar conta com o apoio de Hollande… Do social-democrata Hollande? Do líder forte e altivo Hollande? Alguém pode me dizer quantas guerras a França venceu nos últimos 150 anos?

Mas, e se os EUA, contrariando seus principais aliados, desafiando Moscou e Pequim, e provocando Teerã, resolverem atacar a Síria? Bom, um conflito tradicional, como na invasão do Iraque, acho improvável. O país sofrerá ataques aéreos e aumentar-se-á o apoio aos rebeldes, mas não acho que Obama arriscaria mandar soldados estadunidenses para este novo teatro de operações. Se, contra todas as expectativas, assim o fizer, pode correr o risco de encarar o que dois democratas que o antecederam tiveram que enfrentar quando decidiram por incursões militares na Ásia – a total surpresa e o desgaste com um conflito prolongado. Falo de Truman na Coréia e Lindon Johnson no Vietnã.

Uma característica da guerra – e qualquer polemólogo iniciante sabe disso – é que se conhece muito bem como ela começa, mas como terminará é sempre uma incógnita. No caso da Síria, se os russos mantiverem o apoio a Assad, o conflito pode se prorrogar… E, havendo a intervenção por terra, será que poderia ocorrer uma nova Coréia (com soldados iranianos e libaneses combatendo ao lado dos sírios) ou um novo Vietnã? Interrompo aqui minhas reflexões para pensar um pouco mais…

Diante de todo esse cenário, a única certeza é que uma intervenção militar estadunidense na Síria será a pior das possibilidades. Mas Obama deve saber disso. Truman e Lindon Johnson também deviam sabê-lo, não?

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Snowden, NSA e as eleições na Alemanha

Os vazamentos promovidos pelo senhor Edward Snowden continuam afetando governos, organizações e pessoas pelo mundo. No último mês, as notícias sobre o relacionamento entre a National Security Agency (NSA) e o serviço de inteligência externa alemão, o BND (Bundesnachrichtendienst), têm sido constantes nos jornais germânicos… O assunto ganha fôlego à medida que as eleições se aproximam. Há a efetiva possibilidade da oposição vencer em setembro nas urnas e um dos temas em debate é exatamente essa cooperação entre Berlin e Washington para invadir a privacidade dos cidadãos (!). Como se Frau Merkel não tivesse mais nada com que se preocupar…

Segue interessante matéria do Der Spiegel sobre o tema…

Image: Barack Obama, Angela Merkel

Der Spiegel – 08/19/2013 05:16 PM

Merkel and the NSA: A Scandal That Just Won’t Die

As the election approaches, Chancellor Angela Merkel is working hard to dissipate anger over controversial surveillance by German and US intelligence agencies. But every time Berlin assures voters that all is well, its claims are discredited.
 

Monday, August 5, was the day that the German government hoped would finally provide some relief in the ongoing surveillance scandal. That morning, a member of the Bundesnachrichtendienst (BND), Germany’s foreign intelligence agency, stationed at the embassy in Washington picked up four German officials at a local hotel. Driving in two dark sedans, they headed for Fort Meade in the state of Maryland, the headquarters of the National Security Agency (NSA), which gathers military intelligence for the US Department of Defense.

The four were part of a high-ranking delegation that had landed in the US capital a day earlier. It included: Gerhard Schindler, the BND chief; Hans-Georg Maassen, his counterpart from the Cologne-based Federal Office for the Protection of the Constitution (BfV), Germany’s domestic intelligence agency; Klaus-Dieter Fritsche, a state secretary at the German Interior Ministry; and Günter Heiss, intelligence coordinator for German Chancellor Angela Merkel. Continuar lendo

A nova Questão Christie e mais pachouchadas de nossa Política Externa…

Brasil_Gra-BretanhaMuito bem! Depois das merecidas férias e, como diria o grande Roberto Carlos, eu voltei!

E volto comentando essa pachouchada em que estamos nos metendo com os britânicos por causa de uma bufonaria de um repórter e seu companheiro… Segue a nota que o Itamaraty publicou, revelando a “indignação” do governo brasileiro pelo ocorrido com David Miranda (por que a imprensa brasileira insiste em pronunciar “deivid”?) em Londres… como se as autoridades britânicas tivessem feito o maior dos absurdos!

Vamos analisar a situação: o sujeito entra em território britânico, portando documentos e arquivos fruto de espionagem e de crime de vazamento de informações, e querem que ele passe incólume pelas autoridades daquele país?!? O que é isso!?!

Outra coisa: autoridades de imigração têm o direito (e o dever) de reter um suspeito de conduta criminosa que passe por seu território (como, naturalmente, teriam feito com o Edward “Bocão” Snowden)… E se fosse aqui no Brasil? Estrangeiro declaradamente portando documentos resultantes de vazamento (conduta criminosa, segundo nossas leis) entra em nosso território e passa tranquilamente pelas autoridades de imigração… Pense nisso!

Ademais, evidentemente, o sujeito foi para a Grã-Bretanha com a intenção de provocar as autoridades britânicas e gerar o fato político! Afinal, desde quando para se ir de Berlim ao Brasil é necessário fazer escala na capital britânica??!?? Claro que é provocação! Queria produzir notícia e chamar a atenção!

Que a imprensa e os mais incautos “comprem” essa truanice é até aceitável… Porém, é inadmissível que o governo brasileiro caia nessa rede! Não se tem que pedir satisfações do Governo britânico coisa nenhuma! Não houve qualquer violação de soberania ou ameaça aos interesses brasileiros!

Será que vamos, em mais uma das já usuais pachouchadas de nossa Política Externa, entrar em atrito com o Governo de uma nação tradicionalmente amiga por causa de um jogo de cena de um jornalista estrangeiro e seu companheiro brasileiro? Afinal, já há quem fale em retaliação… e se nós começarmos com esse disparate de distratar cidadãos britânicos que venham ao Brasil, quem vai perder? Nós, pessoas comuns, cidadãos brasileiros que porventura decidamos ir ao Reino Unido e que acabaremos, no mínimo, chegando lá com a antipatia do amistoso e cordial povo daquelas ilhas!

Haja paciência! Como se precisássemos de uma nova “Questão Christie”!!!… Continuar lendo

Em férias…

Em férias… assim que possível atualizo Frumentarius… tenho muita coisa a comentar, datas importantes, questionamentos ao governo Dilma, crise no Brasil (ah, passou?), conflitos pelo mundo… Alguns dos meus 8 fervorosos leitores já me cobraram atualizar o site! Sim! Estou em débito! Mas tenham fé que volto em breve! Abraço!

“Não nos representam!”

09_38_51_487_fileBrasil, junho de 2013. Agora são milhões de pessoas nas ruas de diversas cidades do País protestando, simplesmente protestando… É o povo pacificamente exigindo mudanças e buscando fazer uso do que outrora se cunhou chamar democracia direta. E um dos aspectos mais interessantes do movimento é a rejeição a qualquer tipo de bandeira ou vínculo das manifestações com partidos políticos. O que os brasileiros estão dizendo nas ruas já pode levar ao menos a uma primeira conclusão: “os partidos não mais nos representam!”.

As manifestações de Norte a Sul do Brasil devem gerar preocupação na classe política. Afinal, deixam claro que o atual modelo político-partidário entrou em colapso. Isso não é novidade para muitos cientistas políticos, mas o diferente agora é que as massas estão exigindo mudanças que há muito a classe dirigente desconsiderava. Enfim, o atual sistema de representação política brasileiro não funciona mais.

nao nos representaPor que os partidos perderam sua legitimidade? Porque há muito deixaram de representar ideias para servirem de balcão de negócios, funcionando para o interesse de alguns poucos, em detrimento do bem comum… Fundam-se e existem em torno de pessoas, mas não de causas. Não promovem ideias, mas sim legendas e tempo no horário político obrigatório. Não exigem fidelidade a ideais ou projetos, mas sim a caciques. Estranho que esse modelo não tenha se deteriorado há mais tempo…

Se existe algo difícil de explicar para quem é apresentado à realidade política brasileira é quais ideias defende um partido X ou Y no Brasil… ou mesmo se esse partido se alinha politicamente mais à direita ou a esquerda. Uma verdade que os brasileiros conhecem há muito tempo: é praticamente impossível identificar direita e esquerda na maior parte dos partidos políticos do País. E, tão difícil quanto, é enumerar quantos partidos existem com representação efetiva no Parlamento…

Manifestantes queimam bandeira do PT na avenida PaulistaNossos partidos não professam ideias, repito. Os programas costumam ser meras formalidades para atender às regras da Justiça Eleitoral. Recomendo uma rápida pesquisa nos programas dos partidos brasileiros. Então questione a seus afiliados (inclusive aos membros eleitos) qual a linha central do partido, as causas que prioriza ou, ainda, os projetos da agremiação. A surpresa (não, não há surpresa alguma) não será das melhores.

Sim, a classe política está preocupada. Já há discursos parlamentares tentando explicar o fenômeno e propondo uma reforma política. A verdade é que o povo não acredita, depois de tantas mazelas, tantos mensalões, tanto desvio de dinheiro público, tantos conchavos, na classe política brasileira. Cada vez mais os políticos são comparados aos vândalos que se aproveitam da manifestação pacífica para cometerem crimes… Essa comparação não é boa. De fato, é muito ruim para a democracia.

Em uma democracia, partidos políticos são de extrema importância. Também o são uma classe política comprometida com o interesse público, um Parlamento forte, atuante e altivo, e uma oposição responsável . Não se pode simplesmente abrir mão da classe política ou dos partidos, pois esses são o fundamento da representação indireta, única alternativa em um país das proporções do Brasil.

No cenário em que o Brasil se encontra, convém que os partidos passem por transformações, que passem a se orientar por ideias e ideais e pela preocupação com a boa política. Precisam ser transformados… e fortalecidos. Precisam passar a representar realmente os diferentes segmentos da sociedade. A democracia brasileira necessita de partidos políticos, porém de partidos diferentes da maioria que aí está.

Neste momento de mudanças, pode ser que o País amadureça. É fundamental que a sociedade como um todo tenha consciência da importância de uma classe política verdadeiramente representativa, digna e responsável. É mandatório que os brasileiros que estejam em cargos públicos, sobretudo aqueles que ali chegaram pelo voto, realmente percebam a importância de sua função e atuem em prol de uma causa maior, o interesse público.

brasil-protesto-rio-de-janeiro-20130620-04-size-598Chegou-se a um desgaste insustentável na legitimidade dos partidos e dos políticos (que ainda tentam entender o que está acontecendo). Oxalá o clamor das ruas possa conduzir os dirigentes da nação a uma efetiva reforma que revolucione as estruturas de nosso modelo de democracia. Certamente não será fácil… Afinal, em política, é muito difícil alterar a inércia…

Conversando sobre Defesa…

amorim-hg-20090929Entrevista de Sua Excelência o Senhor Ministro de Estado da Defesa, Celso Amorim, à Folha de São Paulo. Para um Ministro da Defesa, Amorim é um ótimo diplomata. Sem maiores comentários…

Folha de São Paulo – 21/06/2013 – 03h00

País precisa investir em defesa cibernética, diz Amorim

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

A descoberta de um sistema de megaespionagem nos EUA preocupa o Brasil e é preciso investir em “defesa cibernética”. Quem faz o alerta é o ministro da Defesa Celso Amorim. Ele próprio desconfia que pode ter sido alvo de escutas telefônicas no passado.

O ministro advoga o desenvolvimento de um pensamento de defesa para a região, que priorize os recursos naturais. “O Brasil é um país muito rico, tem muitas reservas naturais. E esses recursos naturais podem ser objeto de cobiça”, afirma. Para ele, é necessário criar uma base industrial de defesa comum na América do Sul.

Nesta entrevista, concedida em São Paulo, Amorim, 71, trata da Comissão da Verdade e comenta as manifestações pelo país, que, na sua visão, refletem o distanciamento entre as estruturas de governo e a população. Continuar lendo

E agora, senhores dirigentes?

291260-970x600-1Um aspecto interessante nas manifestações dos últimos dias tem a ver com a resposta da classe política: não houve, praticamente, resposta da classe política. Só que se nossos políticos não acordarem, poderão viver um grande pesadelo…

Assim como analistas, politólogos, comentaristas e geral, os políticos brasileiros foram pegos de surpresa com a magnitude do movimento popular… Muitos ficaram surpresos com o caráter refratário da imensa maioria dos manifestantes a qualquer associação dos protestos com partidos políticos ou causas ideológicas tradicionais… Cresce a sensação de “crise de representatividade” da classe política. “Se aqueles que elegemos não nos ouvem, vamos às ruas gritar mais alto! Se nossos representantes nada fizerem, vamos nós tentar fazê-lo por nós mesmo!”, essa pode ser a mensagem que muitos cidadãos descontentes estão querendo passar…

291432-400x600-1Tudo é novo, tudo é diferente nesses protestos. Isso assustou à classe dirigente e a deixou sem reação. A instituição política é que está posta em xeque. O povo está dizendo que os políticos não mais o representam. Mas nossos dirigentes parecem ainda não ter acordado para o problema.

Surpreende a lentidão ou mesmo a falta de reação do Poder Executivo. Nos âmbitos estadual e municipal, nas principais metrópoles, de uma primeira resposta contrária ao movimento, logo prefeitos e governadores passaram a se dizer “apoiadores da causa” e tentaram resolver a crise de maneira simplista, reduzindo o preço das tarifas. Só que a resposta que a população quer não é essa…

Os brasileiros clamam por mudanças estruturais e fundamentais. E essas mudanças envolvem uma alteração na maneira como se conduz a política no Brasil e como se trata a coisa pública. Se esse movimento conseguir algo efetivo, bom seria que fosse uma mudança política no País.

protestos quinta presidente vargasNo Poder Legislativo, onde se encontram os representantes legitimamente eleitos do povo, a resposta ainda é muito efêmera, talvez devido à dificuldade de se entender o que está acontecendo. Mas, cedo ou tarde, o Congresso Nacional terá que se pronunciar e cumprir a sua missão de caixa de ressonância dos anseios populares. Nesse sentido, uma cena muito interessante foi vista esta noite de quinta-feira, no Senado. Na Câmara Alta, os Senadores decidiram manter a sessão plenária, em uma vigília que ainda permanecia enquanto escrevia este texto (já passava da meia-noite). Recomendo a leitura dos discursos da sessão. Gostei muito das palavras dos senadores Cristovam Buarque e Rodrigo Rollemberg: em síntese, fizeram um mea culpa da classe dirigente que é atualmente questionada e assinalaram problemas na condução da política no Brasil (registro que não tenho qualquer filiação partidária, apesar de ser declaradamente conservador na política, liberal na economia, defender de maneira ferrenha o direito do cidadão fazer o que quiser em sua vida privada, desde que não prejudique outros, e ver na monarquia constitucional o melhor regime político). O Parlamento, portanto, já dá sinais de que começa a entender a questão.

Mas, e no Executivo? Até o momento, tudo segue como se nada estivesse ocorrendo. A Presidente ainda não se pronunciou de maneira efetiva sobre o assunto. Ao contrário, foi a São Paulo se consultar com seu antecessor (muito experiente em termos de movimentos populares). Enquanto isso, milhões de brasileiros já cobram uma atitude de Sua Excelência. 

DilmaNão repetirei minhas considerações sobre o que está deixando a população descontente. Mas ficaria muito feliz se a Presidente Dilma reconhecesse que, em âmbito federal, há muita gente insatisfeita com a maneira como o atual Governo tem gerido a coisa pública. Parece que ainda não está claro a nossa dirigente que há significativas falhas políticas e administrativas neste Governo.

Espero que a Chefe de Estado faça alguma coisa. Caso contrário, a situação pode fugir realmente ao controle. E tudo o que este País não precisa no momento é de mais instabilidade política.protestos-brasil

Dos protestos pacíficos à violência descontrolada…

protestos quintaAlgumas mudanças já são perceptíveis entre os protestos de segunda-feira e os de hoje, quinta. A mais marcante delas é o fato de que, enquanto as primeiras foram majoritariamente pacíficas, as de hoje desembocaram em conflito entre policiais e manifestantes: mais de quarenta feridos no Rio de Janeiro; invasão do Palácio do Itamaraty em Brasília, com depredação do patrimônio público. Naturalmente, é isso que a imprensa (sobretudo a televisiva) passa a noticiar. 291261-970x600-1

Houve violência na segunda-feira, é óbvio. Difícil será esquecer de imagens como a da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) sendo covardemente atacada por bandidos da pior estirpe (alguns talvez até sob alguma orientação política), ou as tentativas de invasão da prefeitura de São Paulo. Porém, de maneira geral, o que se viu foram protestos pacíficos e ordeiros, sem cunho político-ideológico, apesar da TV buscar a todo custo mostrar e comentar os focos de violência…

Protesto-Recife-Foto-Bruno-Andrade_LANIMA20130620_0215_25Apenas a título de exemplo, a TV não mostrou o belíssimo ato de manifestantes que retornaram ao gramado em frente ao Congresso Nacional, já por volta de uma hora da madrugada de terça-feira, para recolher o lixo do protesto e limpar o local. Poucos segundos foram dedicados àqueles outros que foram no dia seguinte ao prédio do ALERJ para tentar limpar a sujeira feita pelos vândalos. Quero aqui registrar meus respeitos a esse grupo de brasileiros!

Mas, voltando às manifestações de hoje, o que se viu foram desfechos violentos. Policiais sendo agredidos por manifestantes e respondendo às agressões… patrimônio público e privado depredado… saques e vandalismo… bombas de efeito moral, balas de borracha, gás lacrimogênio… enfim, violência generalizada… O que explica isso?

O problema que vejo nessas manifestações é o que já havia assinalado anteriormente: não há foco definido. As pessoas estão insatisfeitas, e vão às ruas para protestar. Sem lideranças claras e foco definido, os clamores podem ter as mais diversas motivações e os mais distintos anseios. Tentou-se mesmo, após a redução do preço das tarifas de transporte (como se isso fosse a verdadeira razão), buscar causas como a PEC 37 (desconhecida da maioria), tipificação da corrupção como crime hediondo, ou o fim do foro privilegiado. Só que não é isso.

fogueira266_168899Repito, muita gente está nas ruas porque está insatisfeita. Chegou-se ao limite da indignação. Pode não se ter a ideia clara do que causa essa revolta, mas ela está aí. Pode ser o péssimo uso do dinheiro público, os serviços público deficientes, a falta de investimentos em educação, saúde, obras básicas… os gastos exorbitantes com coisas supérfluas, como as obras da Copa do Mundo. A violência desenfreada e a insegurança pública; a falta de respeito com que as lideranças (particularmente as políticas) tratam o povo; a miséria em meio à riqueza; a falta de crescimento e de perspectiva… a revolta com a classe política e contra a corrupção desenfreada… tudo isso e um sentimento de que o Brasil está em um caminho obscuro e sem rumo… tudo isso e nada disso…

291396-970x600-1Sem lideranças e sem foco, o movimento se dispersa. As alternativas não são boas: 1) violência, e resposta violenta por parte do Poder Público; ou 2) cansaço, e enfraquecimento do movimento – logo os protestos podem exaurir-se e as pessoas acabarão voltando para casa frustradas porque nada de fato aconteceu… e tudo continuará como dantes…

Sinceramente, espero que esse belíssimo levante popular surta bons efeitos. É uma grande oportunidade de mudanças… Só que precisamos saber o que queremos! Precisamos saber o que queremos que mude! E, como toda grande revolução, o povo precisa de líderes.291401-970x600-1

Não são mais vinte centavos…

protesto_maracana_vicenteseda-14É impressionante como, depois de dias de protestos, uma parte da mídia, sobretudo a televisiva (e em canais de notícia de grande envergadura), insiste em associar as manifestações por todo o Brasil ao aumento de alguns centavos nas tarifas de transporte em certas cidades. A única explicação para isso é a má-fé desses meios e a tentativa, ineficaz, de desviar o foco dos acontecimentos.

As pessoas não estão nas ruas de todo o Brasil pelos vinte centavos. É fato que o movimento não tem um foco claro e, muitas vezes, perde-se em reivindicações confusas e difusas, como é o caso das críticas à PEC 37. Pergunte a qualquer um nas ruas o que significa a PEC 37 e a grande maioria dos manifestantes demonstrará total ignorância sobre o assunto.

contra a corrupcaoPor que as pessoas estão nas ruas então? O que motivou cem mil pessoas a seguirem pela Avenida Rio Branco no Rio de Janeiro, e outras dezenas de milhares em diversas cidades do País gritando palavras de ordem? A motivação é evidente: chama-se insatisfação.

O brasileiro está insatisfeito com a situação atual do País, descontente com a maneira como os dirigentes têm conduzido os assuntos públicos. O grito nas ruas é um protesto contra o estado em que se deixou o Brasil: sem saúde, sem educação, sem segurança; investimentos em estádios de futebol, gastos com os caprichos de poucos, enquanto falta dinheiro para hospitais e escolas; a inflação que retorna e a coisa pública que é vilipendiada. Os brasileiros não aguentam mais essa carga tributária exorbitante sem qualquer contraprestação por parte do Estado. O descontentamento alcança o clientelismo, a corrupção e o assistencialismo que só aumentaram nos últimos anos. Lembro de um cartaz genial que dizia que “tem tanta coisa errada que nem cabe um cartaz”.

cartaz coisa errada

Ninguém aguenta mais o Brasil como está. As pessoas de bem estão cansadas… Certamente, a classe política e os dirigentes da nação têm grande responsabilidade sobre isso. As ruas clamam por mudanças, pois chegamos ao nosso limite. 

Movimento reúne manifestantes contra tarifas no Rio

O protesto do povo nas ruas e a resposta autoritária… Em Berlim, há 60 anos.

berlin_17june1953Os acontecimentos dos últimos dias por todo o Brasil e os protestos de ontem, 15 de junho de 2013, têm-me levado a algumas reflexões, as quais pretendo partilhar com meus leitores nos próximos dias. Pensando sobre o levante nas ruas de Brasília, com protestos, em sua maioria pacíficos, sendo reprimidos pelas autoridades públicas, lembrei de algo que aconteceu em Berlim, exatamente no dia 16 de junho de 1953 (portanto, há exatos sessenta anos).

Berlim 1953_2Sim, foi naquele 16 de junho, na Berlim do imediato pós-Guerra, ocupada pelas potências aliadas, que, no setor soviético, o mundo viu uma multidão de 2.000 pessoas se dirigindo à sede do Governo da Alemanha Oriental, para protestar contra o regime e as condições de trabalho impostas à população sob o Estado comunista. Cartazes, palavras de ordem e uma grande insatisfação entre trabalhadores e demais cidadãos… logo o movimento conclamou o povo a se levantar e sua revolta contagiou milhares de alemães, que ansiavam por mais liberdade, melhores condições de vida e democracia… Uma greve geral foi marcada para o dia seguinte. Naquela época não havia internet nem redes sociais, mas a notícia conseguiu espalhar-se de tal maneira que, em 17 de junho, milhares de pessoas foram às ruas protestar em diversas cidades e vilas alemãs.

Em Berlim, por volta das 9:00 do dia 17/06, 25 mil pessoas já se aglomeravam em frente à sede do Governo da República Democrática Alemã (RDA). Outras milhares seguiam rumo ao centro da cidade para se juntar aos manifestantes. E os protestos, que haviam se iniciado em reação a um aumento na carga de trabalho do pessoal da construção civil (como seria o aumento nos preços das passagens de ônibus nas cidades de outro país sessenta anos depois), em pouco tempo assumiram conotação política. O levante agora era contra o regime comunista ali estabelecido sob a égide dos soviéticos. “Morte ao comunismo!” e “Abaixo o regime autoritário!”, eram palavras de ordem. Isso o Governo não poderia tolerar.

Berlim 1953A decisão das autoridades da RDA foi de usar a força para conter o levante. E solicitaram ajuda de seus “aliados” soviéticos. Em pouco tempo, o distrito governamental de Berlim já estava cercado por 20 mil soldados do Exército Vermelho e cerca de 8 mil policiais militares alemães. Para dispersar a multidão, as forças do Governo usaram blindados, cães e atiraram contra os manifestantes. Não havia bombas de efeito moral ou balas de borracha. A munição era real. E a multidão realmente foi dispersada. Isso custou mais de 500 vidas entre os manifestantes (na estimativa mais modesta). E pôs fim ao sonho de liberdade naquele país.

Depois das manifestações de junho de 1953, o regime endureceu. O governo buscou razões para o estabelecimento de uma ditadura da pior espécie sob um modelo que alcançava o totalitarismo. Milhares foram presos, torturados, executados sob o argumento da garantia da ordem. A fuga para o Oeste intensificou-se. Até a construção do Muro de Berlim, em agosto de 1961, mais de 3 milhões de alemães orientais (de um total de 19 milhões de pessoas) fugiriam para a Alemanha Ocidental. E o terror estatal perduraria até 1990, quando se dissolveu em suas próprias contradições.

Para os alemães, o dia de 17 de junho de 1953 é uma data marcante. Durante anos, o 17 de junho foi celebrado como o Dia da Unidade Alemã (alterado para o 3 de outubro, data oficial da reunificação em 1990). E será sempre lembrado como a ocasião em que um protesto algumas dezenas de trabalhadores tornou-se um levante das massas pela democracia e pela mudança, levante duramente reprimido por um regime que se dizia representar os trabalhadores.

No ano da Alemanha no Brasil, difícil não comparar os acontecimentos de 1953 com os eventos de 2013 por aqui. Preocupa como tem sido e será a reação do governo que também se diz representar os trabalhadores. A democracia é uma planta muito frágil e precisa ser cuidada. A solução autoritária pode ser muito sedutora…

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Big Brother e democracia

Pode o Estado acessar dados e comunicações pessoais do cidadão para protegê-lo? Direitos fundamentais podem ser mitigados sob o imperativo da segurança? Escrevi sobre isso hoje na Folha de São Paulo.

Para o artigo na Folha, clique aqui.

E, a seguir uma versão um pouco mais completa do artigo…

big brother

BIG BROTHER E DEMOCRACIA

Joanisval Gonçalves

Quando, em 1949, George Orwell escreveu o romance “1984”, tratou de uma sociedade futurística, na qual o Estado controlava os cidadãos de maneira absoluta, vigiando-os no mais íntimo de sua privacidade, conhecendo suas ações mais particulares e determinando sua maneira de pensar. A obra de Orwell, que se tornou um clássico, retratava com maestria um Estado onipresente, controlador e repressor, representado pela figura do Big Brother, o Grande Irmão, que tudo via e tudo sabia. Entretanto, “1984” tratava de um regime totalitário. No século 21, porém, o Grande Irmão chegou às democracias.

Nas últimas semanas, com a revelação de que o governo dos Estados Unidos estaria reunindo dados a partir de interceptações telefônicas e acessos irregulares a mensagens e contas na internet de milhões de pessoas, o tema do Estado controlador do cidadão voltou à tona. Pode o Estado, sob o imperativo da segurança, violar a intimidade do indivíduo? E o direito de o cidadão ter suas informações pessoais e comunicações preservadas é absoluto? Essa é uma discussão complexa, sobretudo por vivermos uma época em que o mundo digital está cada vez mais presente e a segurança da sociedade se vê diante de ameaças como o terrorismo. Na era da informação e da insegurança, teremos que nos submeter ao Big Brother para nos proteger? Continuar lendo

Unsere Mütter, unsere Väter

Muito bem, depois de quase um mês de luto por Kenneth Waltz, volto a escrever em Frumentarius. (Tá bom, não foi luto… só estava sem tempo para escrever por aqui…). E começo fazendo referência a um filme que causou polêmica nas últimas semanas na Alemanha: Unsere Mütter, unsere Väter (Nossas mães, nossos pais), e que conta a história de cinco jovens alemães que viveram a Guerra de 1939-1945.

É importante que se conheça sobre a última guerra mundial. E é importante que se conheça versões dos vários lados que vivenciaram o conflito. Incomodam-me, por exemplo, os filmes clichês, onde todo alemão é perverso e nazista…

Espero conseguir ver logo este filme…

Segue matéria sobre Unsere Mütter, unsere Väter.

Filme alemão sobre Segunda Guerra Mundial choca russos

9/05/2013 Elena Novosiólova, Rossiyskaya Gazeta
Focada nos excessos isolados dos militares soviéticos na Alemanha, obra deturpa essência do conflito.
 kinopoisk.ru

O filme “Nossas mães, nossos pais”, exibido pelo canal de televisão alemão ZDF, conta a história de cinco jovens para os quais a Segunda Guerra Mundial se torna um desafio moral e ético, deixando a impressão de que a Alemanha está cansada de arrependimentos e tenta jogar a culpa sobre os outros. O filme basicamente apresenta os soldados soviéticos como estupradores, os poloneses como antissemitas desumanizados e os ucranianos como sádicos. Continuar lendo

Kenneth Waltz, 1924-2013

Tive a honra de conhecê-lo e trocar com ele algumas rápidas palavras. Foi após uma cerimônia, promovida pela International Studies Association, na qual se celebrava um dos grandes pensadores das Relações Internacionais do século XX. No evento, dezenas de homens e mulheres que viam em Waltz mais que uma pessoa: diante de nós estava uma instituição, um conjunto de idéias que expressava com acuidade a maneira como percebíamos o mundo. E era geral a satisfação de ver quantos discípulos tinha aquele mestre, que tão bem pensou sobre o Homem, o Estado e a Guerra

Kenneth Waltz foi um ícone para os estudiosos da política internacional. Representou como ninguém a escola que tinha nele seu fundador, a do Neorealismo nas Relações Internacionais. Suas obras tornaram-se clássicos e leitura obrigatória para qualquer um que quisesse compreender a dinâmica das relações entre os atores no sistema internacional. Como clássicos, permanecem atuais.

O intelectual que conquistou milhares com sua explicação sobre a dinâmica sistêmica das relações internacionais concebeu um arcabouço teórico de difícil refutação e de inegável respeito até mesmo por parte daqueles que dele discordava. Estava, assim, confortavelmente entre grandes como Hans Morgenthau, Raymond Aron, Edward Hallet Carr, Martin Wight,  seus precursores. E, mais importante, assim como aqueles, deixou um legado que seguirá ainda por muitos anos.

O que me resta a dizer sobre Waltz é que o mundo fica mais confuso e muitos ficamos tristes sem ele. Entretanto, desejo que descanse entre os próceres das Relações Internacionais, com a certeza de que sua memória permanece.

Sempre poderei dizer que estive com ele. Infelizmente, em uma mistura de nervosismo e timidez, deixei naquela ocasião singular de pedir uma foto com o mestre. Disso me arrependo. Esta aí uma lição que aprendi e um erro que não mais cometerei.

Descanse em paz, Professor Waltz.

Foreign Policy. Posted By Stephen M. Walt  Monday, May 13, 2013 – 4:52 PM 

I learned this morning that Kenneth N. Waltz, who was arguably the preeminent theorist of international relations of the postwar period, had passed away at the age of 88. Ken was the author of several enduring classics of the field, including Man, the State, and War (1959), Foreign Policy and Democratic Politics (1967),  and Theory of International Politics (1979).   His 1980 Adelphi Paper on nuclear proliferation (“The Spread of Nuclear Weapons: More May Be Better”), was also a classic, albeit a controversial one. One of his lesser achievements was chairing my dissertation committee, and he was a source of inspiration throughout my career. Continuar lendo

Um Império pela liberdade

princesaisabel1Neste 13 de maio, é importante que seja lembrado que a abolição ocorreu sob o regime monárquico, durante o Império do Brasil. Comum é a visão deturpada que aquela foi uma conquista das idéias republicanas, provavelmente  devido à proximidade dos acontecimentos com o fim da monarquia bragantina pelo nefasto golpe de 15 de novembro de 1889. Entretanto, só se sabe que ocorreu no canto do cisne do regime a partir de uma perspectiva de hoje, ou seja, não se imaginava, quando da Lei Áurea, que o Império desapareceria alguns meses depois.

Grandes abolicionistas eram também defensores da monarquia. Exemplo maior é Joaquim Nabuco. A própria família imperial sempre marcara sua posição contrária à escravidão, desde de Dom Pedro I, autor de alguns dos primeiros escritos criticando o modelo em uma época que tais idéias eram consideradas demasiadamente liberais (vide post anterior neste site). Essa conduta antiescravagista continuou em seus sucessores, que continuariam envidando esforços, muitas vezes em conduta contrária às elites brasileiras, para por a termo aquilo que se constituía na maior vergonha para nosso Império dos Trópicos. E sabiam que o preço a pagar poderia ser alto, muito alto.

Segundo-Reinado-SociedadeDe fato, cartas divulgadas recentemente revelam que a Princesa Regente tinha consciência de que estaria a sacrificar sua coroa e mesmo a dinastia dos Bragança ao decidir assinar a Lei Áurea. Mais interessante ainda foi a iniciativa de Dona Isabel, com o apoio de seu pai, Dom Pedro II, de indenizar os ex-escravos para lhes permitir tocar com dignidade a vida de libertos, o que, certamente, desagradaria os escravocratas.

Isabel, portanto, fez uma opção consciente: abriu mão do futuro de sua dinastia no Trono do Brasil, desafiando as oligarquias escravocratas, para garantir a libertação dos escravos e o fim dessa mácula em nossa sociedade. Sua memória deve ser cultuada e aclamada pelos brasileiros em geral e pelos descendentes desses libertos em particular. Incomoda-me o dia da consciência negra não ser comemorado no 13 de maio…

Segue artigo interessante sobre aquela grande mulher, que sacrificou o futuro de sua família pela libertação de milhares.

Viva o 13 de maio! Viva a Redentora Isabel! Viva o Império do Brasil!

Missa_17_maio_1888

Princesa D. Isabel e sua carta sobre a abolição da escravatura, segredos revelados.

Carta inédita, pinçada do acervo de 3 mil documentos do Memorial Visconde de Mauá, revela que defendia a indenização de ex-escravos, a reforma agrária e o sufrágio feminino.

“Fui informada por papai que me collocou a par da intenção e do envio dos fundos de seo Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de maio do anno passado, e o sigilo que o Snr. pidio ao prezidente do gabinete para não provocar maior reacção violenta dos escravocratas.” Lidas assim, como frases soltas extraídas de uma carta qualquer, que pela ortografia sabe-se antiga, essas poucas linhas dizem quase nada digno de nota para a historiografia brasileira. Mas, se colorirmos essa misteriosa preocupação com nome e sobrenomes, títulos e brasões, temos diante de nossos olhos algo capaz de reescrever um dos mais importantes capítulos da História do Brasil.

“Informada”, quem se diz, é ninguém menos do que Isabel Christina Leopoldina Augusta Michaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orleans e Bragança, a princesa Isabel (1846 – 1921). O pai a que se refere é o imperador d. Pedro II (1825-1891). Os fundos doados para serem usados como indenização aos ex-escravos seriam recursos do Banco Mauá, que a monarquia usaria para assentar os ex-cativos em terras capazes de produzir seu sustento após a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Sim, a contar pelo texto, a monarquia tinha esse projeto. Continuar lendo

8 ou 9 de maio?

Muitos (não no Brasil) viram a comemoração do Dia da Vitória em 8 de maio… Entretanto, no dia seguinte, os jornais noticiaram a celebração da data na Rússia e ex-repúblicas soviéticas em 9 de maio… E então? Tem-se aí uma curiosidade sobre a II Guerra Mundial.

Com a morte de Hitler, a capitulação alemã era uma questão de pouquíssimo tempo. Assim foi que, no dia 7 de maio de 1945, deu-se a assinatura da rendição alemã em Reims, perante o comando aliado ocidental, no Quartel-General Supremo da Força Expedicionário Aliada. Quem a subscreveu foi o General Alfred Jodl, em nome do Comando Supremo das Forças Armadas alemãs e do novo Presidente do Reich, o Almirante Karl Dönitz, e a capitulação total deveria entrar em efeito às 23:00h (hora da Europa Central) do dia 8 de maio.

Rendicao_BerlimOs soviéticos, entretanto, que haviam tomado Berlim, na batalha final europeia, não gostaram muito de uma rendição aos aliados ocidentais. Stálin declarou, assim, sem efeito o documento de Reims, chamando-o de rendição preliminar, e exigiu que nova capitulação fosse assinada em Berlim, perante as autoridades soviéticas. Isso veio a acontecer no dia seguinte, pouco antes da meia-noite de 8 de maio, na Administração Militar Soviética na capital do III Reich. Em Moscou, já passara da primeira hora do dia 9. Assim, perante o Marcehal Zhukov, o Marechal-de-Campo Wilhelm Keitel, o Almirante Hans-Georg von Friedeburg, e o General Hans-Jürgen Stumpff, assinaram o novo instrumento que marcou o desfecho de seis anos de guerra em solo Europeu. Eis a razão pela qual o Dia da Vitória na Europa é comemorado em datas distintas.

Instrumento de Rendicao Berlim Instrumento de Rendicao Reims

O dia da Vitória

german_surrenderTempo não tive nessa última semana para comentar uma grande data, que por muitos anos ainda será lembrada: o 8 de maio! Certamente meus oito leitores (ao contrário da quase totalidade dos brasileiros) sabem a que me refiro… Foi no dia 8 de maio de 1945 (9, para os soviéticos) que acabou a II Guerra Mundial em solo europeu, com a capitulação da Alemanha…

Durante a semana foram vistas comemorações nos países que se envolveram naquele terrível conflito, iniciado seis anos antes, no dia 1 de setembro de 1939, e cujos números são surpreendentes em termos de destruição e morte, e dos quais se pode ter uma idéia pela quantidade de almas ceifadas durante o cataclismo humano: entre 80 e 100 milhões é o estimado… Paradas militares, minutos de silêncio, recordações, discursos e aclamação daqueles civis e militares que sobreviveram e hoje representam os últimos de uma geração que está prestes a desaparecer. Não obstante, enquanto ainda houver uma testemunha viva do maior conflito pelo qual a humanidade já passou, permanece a obrigação de saudá-la como vencedora! E, quando essa se for, o culto de sua memória e das lembranças daqueles anos sombrios deve ser diariamente mantido, exatamente para que as novas gerações não considerem se envolver em empreitada cujo desfecho é certo.

diadavitoria2Pois bem, nesse 8 de maio, no Brasil se preferiu dar vazão a notícias sobre os jogos de futebol do fim-de-semana, ao novo sucesso do funk, ou a futilidades mil que tanto marcam nossa sociedade decadente e cada vez mais ignorante (e, portanto, violenta e atrasada). Não vi sequer (talvez até tenha havido, não sei) um pronunciamento oficial de autoridade civil brasileira (certamente o 8 de maio foi lembrado nas ordens do dia das Forças Armadas), tampouco qualquer manifestação de lembrança ou de aclamação aos últimos remanescentes daqueles 25 mil brasileiros enviados para lutar na Europa: sim, ainda existem pracinhas, ainda existem guerreiros que combateram no 1º Grupo de Aviação de Caça, ainda existem aqueles que podem carregar com orgulho o título de verdadeiros heróis. E é a eles que rendo minha homenagem, como sempre farei!

Nesse 8 de maio, lembrei de nossos heróis! Falei deles para meus alunos e amigos! E, em um país adolescente, mas com problemas gravíssimos de memória, entristeceu-me o fato de pouquíssimos se recordarem desses homens e mulheres que ofereceram a vida por uma causa.

Viva o 8 de maio!

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Audiência Pública com o Ministro da Defesa

Para conhecimento. Será transmitida pela TV Senado, também podendo ser acompanhada pela internet.

amorim-hg-20090929

COMISSÃO DE RELAÇÕES EXTERIORES E DEFESA
NACIONAL – CRE

Audiência Pública
Assunto / Finalidade:

CRE Prioridades da Defesa
O ministro da Defesa, Celso Amorim, fala sobre as prioridades da pasta.
Audiência Pública para que o Ministro de Estado da Defesa, neste início de período
legislativo, preste informações sobre sua pasta, em cumprimento ao disposto na
Resolução nº4, de 2013.
Requerimento(s) de realização de audiência:
– RRE 5/2013, Senador Ricardo Ferraço
Data  09/05/2013 09:30
Convidados:
· Celso Amorim
Ministro de Estado da Defesa – Ministério da Defesa – MD