Um Império pela liberdade

princesaisabel1Neste 13 de maio, é importante que seja lembrado que a abolição ocorreu sob o regime monárquico, durante o Império do Brasil. Comum é a visão deturpada que aquela foi uma conquista das idéias republicanas, provavelmente  devido à proximidade dos acontecimentos com o fim da monarquia bragantina pelo nefasto golpe de 15 de novembro de 1889. Entretanto, só se sabe que ocorreu no canto do cisne do regime a partir de uma perspectiva de hoje, ou seja, não se imaginava, quando da Lei Áurea, que o Império desapareceria alguns meses depois.

Grandes abolicionistas eram também defensores da monarquia. Exemplo maior é Joaquim Nabuco. A própria família imperial sempre marcara sua posição contrária à escravidão, desde de Dom Pedro I, autor de alguns dos primeiros escritos criticando o modelo em uma época que tais idéias eram consideradas demasiadamente liberais (vide post anterior neste site). Essa conduta antiescravagista continuou em seus sucessores, que continuariam envidando esforços, muitas vezes em conduta contrária às elites brasileiras, para por a termo aquilo que se constituía na maior vergonha para nosso Império dos Trópicos. E sabiam que o preço a pagar poderia ser alto, muito alto.

Segundo-Reinado-SociedadeDe fato, cartas divulgadas recentemente revelam que a Princesa Regente tinha consciência de que estaria a sacrificar sua coroa e mesmo a dinastia dos Bragança ao decidir assinar a Lei Áurea. Mais interessante ainda foi a iniciativa de Dona Isabel, com o apoio de seu pai, Dom Pedro II, de indenizar os ex-escravos para lhes permitir tocar com dignidade a vida de libertos, o que, certamente, desagradaria os escravocratas.

Isabel, portanto, fez uma opção consciente: abriu mão do futuro de sua dinastia no Trono do Brasil, desafiando as oligarquias escravocratas, para garantir a libertação dos escravos e o fim dessa mácula em nossa sociedade. Sua memória deve ser cultuada e aclamada pelos brasileiros em geral e pelos descendentes desses libertos em particular. Incomoda-me o dia da consciência negra não ser comemorado no 13 de maio…

Segue artigo interessante sobre aquela grande mulher, que sacrificou o futuro de sua família pela libertação de milhares.

Viva o 13 de maio! Viva a Redentora Isabel! Viva o Império do Brasil!

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Princesa D. Isabel e sua carta sobre a abolição da escravatura, segredos revelados.

Carta inédita, pinçada do acervo de 3 mil documentos do Memorial Visconde de Mauá, revela que defendia a indenização de ex-escravos, a reforma agrária e o sufrágio feminino.

“Fui informada por papai que me collocou a par da intenção e do envio dos fundos de seo Banco em forma de doação como indenização aos ex-escravos libertos em 13 de maio do anno passado, e o sigilo que o Snr. pidio ao prezidente do gabinete para não provocar maior reacção violenta dos escravocratas.” Lidas assim, como frases soltas extraídas de uma carta qualquer, que pela ortografia sabe-se antiga, essas poucas linhas dizem quase nada digno de nota para a historiografia brasileira. Mas, se colorirmos essa misteriosa preocupação com nome e sobrenomes, títulos e brasões, temos diante de nossos olhos algo capaz de reescrever um dos mais importantes capítulos da História do Brasil.

“Informada”, quem se diz, é ninguém menos do que Isabel Christina Leopoldina Augusta Michaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orleans e Bragança, a princesa Isabel (1846 – 1921). O pai a que se refere é o imperador d. Pedro II (1825-1891). Os fundos doados para serem usados como indenização aos ex-escravos seriam recursos do Banco Mauá, que a monarquia usaria para assentar os ex-cativos em terras capazes de produzir seu sustento após a assinatura da Lei Áurea em 13 de maio de 1888. Sim, a contar pelo texto, a monarquia tinha esse projeto. Continuar lendo