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protestos quintaAlgumas mudanças já são perceptíveis entre os protestos de segunda-feira e os de hoje, quinta. A mais marcante delas é o fato de que, enquanto as primeiras foram majoritariamente pacíficas, as de hoje desembocaram em conflito entre policiais e manifestantes: mais de quarenta feridos no Rio de Janeiro; invasão do Palácio do Itamaraty em Brasília, com depredação do patrimônio público. Naturalmente, é isso que a imprensa (sobretudo a televisiva) passa a noticiar. 291261-970x600-1

Houve violência na segunda-feira, é óbvio. Difícil será esquecer de imagens como a da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) sendo covardemente atacada por bandidos da pior estirpe (alguns talvez até sob alguma orientação política), ou as tentativas de invasão da prefeitura de São Paulo. Porém, de maneira geral, o que se viu foram protestos pacíficos e ordeiros, sem cunho político-ideológico, apesar da TV buscar a todo custo mostrar e comentar os focos de violência…

Protesto-Recife-Foto-Bruno-Andrade_LANIMA20130620_0215_25Apenas a título de exemplo, a TV não mostrou o belíssimo ato de manifestantes que retornaram ao gramado em frente ao Congresso Nacional, já por volta de uma hora da madrugada de terça-feira, para recolher o lixo do protesto e limpar o local. Poucos segundos foram dedicados àqueles outros que foram no dia seguinte ao prédio do ALERJ para tentar limpar a sujeira feita pelos vândalos. Quero aqui registrar meus respeitos a esse grupo de brasileiros!

Mas, voltando às manifestações de hoje, o que se viu foram desfechos violentos. Policiais sendo agredidos por manifestantes e respondendo às agressões… patrimônio público e privado depredado… saques e vandalismo… bombas de efeito moral, balas de borracha, gás lacrimogênio… enfim, violência generalizada… O que explica isso?

O problema que vejo nessas manifestações é o que já havia assinalado anteriormente: não há foco definido. As pessoas estão insatisfeitas, e vão às ruas para protestar. Sem lideranças claras e foco definido, os clamores podem ter as mais diversas motivações e os mais distintos anseios. Tentou-se mesmo, após a redução do preço das tarifas de transporte (como se isso fosse a verdadeira razão), buscar causas como a PEC 37 (desconhecida da maioria), tipificação da corrupção como crime hediondo, ou o fim do foro privilegiado. Só que não é isso.

fogueira266_168899Repito, muita gente está nas ruas porque está insatisfeita. Chegou-se ao limite da indignação. Pode não se ter a ideia clara do que causa essa revolta, mas ela está aí. Pode ser o péssimo uso do dinheiro público, os serviços público deficientes, a falta de investimentos em educação, saúde, obras básicas… os gastos exorbitantes com coisas supérfluas, como as obras da Copa do Mundo. A violência desenfreada e a insegurança pública; a falta de respeito com que as lideranças (particularmente as políticas) tratam o povo; a miséria em meio à riqueza; a falta de crescimento e de perspectiva… a revolta com a classe política e contra a corrupção desenfreada… tudo isso e um sentimento de que o Brasil está em um caminho obscuro e sem rumo… tudo isso e nada disso…

291396-970x600-1Sem lideranças e sem foco, o movimento se dispersa. As alternativas não são boas: 1) violência, e resposta violenta por parte do Poder Público; ou 2) cansaço, e enfraquecimento do movimento – logo os protestos podem exaurir-se e as pessoas acabarão voltando para casa frustradas porque nada de fato aconteceu… e tudo continuará como dantes…

Sinceramente, espero que esse belíssimo levante popular surta bons efeitos. É uma grande oportunidade de mudanças… Só que precisamos saber o que queremos! Precisamos saber o que queremos que mude! E, como toda grande revolução, o povo precisa de líderes.291401-970x600-1

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