O papel das Forças Armadas em tempo de paz

Alguns amigos têm-me perguntado sobre um programa de TV exibido esta semana pela NBR e do qual participei falando de Forças Armadas em tempos de paz. Pois bem! Segue o vídeo do programa Panorama Ipea, que contou também com a participação de meu amigo Edison Benedito da Silva Filho. Trata-se de iniciativa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em conjunto com a NBR.

Discutir sobre a política de defesa do país é indispensável frente a um cenário internacional cada vez mais complexo, incerto e turbulento. No campo doméstico, os militares sempre estiverem presentes em momentos decisivos de nossa história. Fica o convite para quem quiser conhecer um pouco mais a respeito.

Os Poderes da Rainha

queenelizabethA principal publicação do dia em Frumentarius é dedicada àqueles que, sempre que digo que sou monarquista, soltam a pérola: “Para que sustentar um rei? Veja a Rainha da Inglaterra, ela não faz nada! Só é peça de decoração!”. Tenho duas reações quando ouço isso: apiedar-me da ignorância, e tentar explicar um pouco à pessoa (se estiver, claro, de boa fé) sobre a importância de um monarca… Afinal, nas monarquias constitucionais, o soberano tem atribuições fundamentais (e poderes) para garantir a estabilidade democrática, defender as instituições, e zelar pelo bem de seu povo. 

Exatamente por não se envolver com as querelas políticas ou com a forma com que o Governo conduz as políticas públicas, o monarca pode intervir sempre que a estabilidade do regime estiver ameaçada e que pessoas com intenções ruins resolvam tomar as rédeas da nação. Mais adiante escreverei um pouco mais sobre a relevância do monarca.

Outra coisa: ao contrário de um presidente, que nunca será o chefe da totalidade da nação (seja ele eleito diretamente, seja escolhido por um colegiado, sempre haverá os que nele não votaram e que, de fato, são-lhe oposição), o soberano está acima de quaisquer divisões políticas e sua relação com o povo é direta e sincera. Enquanto o presidente divide, o monarca reúne, aglutina os distintos interesses e perspectivas nacionais em sua pessoa.

Ademais, registro que, nas monarquias, o soberano sabe qual é seu papel como Chefe de Estado… e o cumpre. Em muitos regimes presidencialistas, o presidente ignora essas atribuições ou as despreza, com consequências danosas para o país. Lembro de um caso de certa governante que detesta tudo que seja relacionado a atribuições de relações exteriores e protocolares, por exemplo… Aí se fica, muitas vezes, apagando incêndios com nações amigas.

Por último, irrita-me profundamente o comentário, que considero de uma toleima profunda, segundo o qual “não vou sustentar uma família!”, referindo-se à família real. A esses mentecaptos, observo que, nos regimes presidencialistas, sustenta-se mais de uma família, pois todos os ex-presidentes têm pensões e, em alguns países, privilégios vitalícios que vão muito além do que é disponibilizado ao monarca e aos seus parentes de primeiro grau. Mas isso, repito, é assunto para outro momento.

Segue o texto interessante sobre os poderes da Rainha da Grã-Bretanha (entre outras nações). Aqueles que quiserem discutir monarquia comigo, por favor, ao menos leiam a matéria até o final.

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What exactly are The Queen’s powers?

4 October 2014 – 08:38pm

One of the greatest peculiarities of the British constitution is that of the Royal Prerogative. Powers which have established over time as those which The Queen holds as Sovereign, though now largely exercised by ministers, have never been definitively or fully listed… and there’s a reason for that. Because of the nature of the Royal Prerogative established mostly through Common Law – its exact scope and contents is something of an enigma, with no single document containing the powers the Sovereign holds.

medium_4642251150Attempts have been made to list the prerogative powers, though we still don’t know (and are unlikely ever to know) the full range of the prerogative powers The Queen holds.

We can easily list the powers used by Her Majesty regularly (or rather more often on her behalf), though there are many which have either fallen out of use completely (though remain available) and several crucial and significant powers which are able to be deployed in the event of a national emergency. Continuar lendo

150 anos da Maldita Guerra

Guerra_ParaguaiNo último sábado, 27/12, foram lembrados os 150 anos do início do maior conflito já ocorrido na América do Sul: a guerra entre as forças que constituíram a Tríplice Aliança (formada por Argentina, Brasil e Uruguai) e as tropas do Paraguai, comandado pelo ditador Francisco Solano López. O confronto, que ceifou 300 mil vidas de ambos os lados, durou quase seis anos, e marcou profundamente a história do continente.

Muito pouco se conhece sobre a Guerra da Tríplice Aliança (ou Guerra do Paraguai). De fato, o que impera são percepções deturpadas, confusas, errôneas mesmo, sobre aqueles acontecimentos. Lembro que, certa feita, estava na sala de espera de um aeroporto aqui no Brasil e acabei escutando a conversa de algumas pessoas, entre as quais um que se dizia “professor de História”… o tema era “a Guerra do Paraguai”.

“Pois é!”, dizia o sujeito para os outros três a ele atentos (quatro, porque eu também comecei a prestar atenção), “o Paraguai foi atacado pelo Brasil e seus aliados, incitados pela Inglaterra… Afinal, os país era uma grande nação desenvolvida da América do Sul que ameaçava os interesses dos ingleses”… E a bobageira continuava: “Nós [brasileiros] acabamos com o Paraguai… quase todos os homens foram mortos na guerra… e o país nunca mais se recuperou daquela agressão!”

Batalha_Riachuelo_2Quando ia interromper o grupo para narrar os fatos como ocorreram, começaram a chamar para o vôo. Tive que deixá-los com essa visão errada do que aconteceu naqueles idos da década de 1860. Isso me incomoda profundamente, sobretudo porque a percepção equivocada do conflito foi uma construção ideológica reforçada por um pseudo-historiador brasileiro que, no auge de sua cretinice, colocou o Brasil como o grande vilão do confronto (para atingir o então governo do Brasil nos anos 1970 e ofender nossas Forças Armadas). Por ocasião desses 150 anos do início daquela “Maldita Guerra”, vamos a alguns esclarecimentos sobre o que realmente ocorreu.

Em primeiro lugar, o Paraguai estava muito longe de ser uma grande nação desenvolvida da América do Sul. De fato, era um país governado a mão-de-ferro por um ditador que se mostrou sanguinário e louco. Não há que se falar tampouco em uma grande potência industrializada. Tinha-se ali uma combinação pouco usual de uma economia escravista, sob forte influência estatal, com alguns esforços de modernização. E para essa “modernização”,  Solano López via na Bacia do Prata um “espaço vital” para o Paraguai, mesmo porque necessitava de livre navegação ali para realizar o comércio com o mundo. Enfim, López precisava aumentar a influência paraguaia na região. Só que as pretensões do ditador entrariam em conflito com os interesses da Argentina, do Uruguai… e do Império do Brasil.

Guerra_Paraguai2Em segundo lugar, deve ficar claro que a guerra não foi instigada pela Grã-Bretanha, “que via o Paraguai como ameaça”. Aspecto relevante sobre o assunto: quando se iniciou o conflito, a Grã-Bretanha estava de relações rompidas com o Brasil (em razão da Questão Christie) – não havia sequer canais institucionais para que o governo de Londres influísse sobre o Brasil. Além, disso, uma guerra seria bastante prejudicial aos interesses britânicos na região, uma vez que havia investimentos de súditos de Sua Majestade a Rainha Victoria em todos os países do Prata, tanto Aliados quanto o próprio Paraguai. Por último, o Império Britânico, no auge de seu poder, dominando 25% da superfície do globo, tinha mais com que se preocupar do que com os arroubos megalomaníacos de Solano López.

Batalho de Campo GrandeTerceira observação importante: o Brasil não estava preparado para a Guerra, nem tinha planos de agressão contra o Paraguai. Quem começou o conflito foi o Paraguai, que tinha interesse em parte do nosso território, queria aumentar sua influência sobre o Uruguai (o que significava entrar em choque com a Argentina) e agrediu diretamente o Brasil. Em 11 de novembro de 1854, López ordenou o apresamento do vapor brasileiro Marquês de Olinda, que subia o Rio Paraguai rumo ao Mato Grosso, levando o recém-nomeado Presidente da Província, que seria preso e morreria no cárcere paraguaio. Esse ato pérfido foi seguido da invasão do território brasileiro, em 27 de dezembro de 1864, com o ataque, por forças de López, do Forte de Coimbra, com forças trinta vezes superiores à guarnição imperial de 155 homens, que resistiram por três dias. Nosso território fora atacado e tropas paraguaias entravam em solo brasileiro.

O Império do Brasil, portanto, apenas respondeu à injusta agressão. Reproduzo o texto do maior conhecedor daquele conflito, o colega e professor da Universidade de Brasília, Francisco Doratioto:

“A Guerra do Paraguai foi fruto das contradições platinas, tendo como razão última a consolidação dos Estados nacionais na região. Essas contradições se cristalizaram em torno da Guerra Civil uruguaia, iniciada com o apoio do governo argentino aos sublevados, na qual o Brasil interveio e o Paraguai também. Contudo, isso não significa que o conflito fosse a única saída para o difícil quadro regional. A guerra era umas das opções possíveis, que acabou por se concretizar, uma vez que interessava a todos os Estados envolvidos. Seus governantes, tendo por bases informações parciais ou falsas do contexto platino e do inimigo em potencial, anteviram um conflito rápido, no qual seus objetivos seriam alcançados com o menor custo possível. Aqui não há ‘bandidos’ ou ‘mocinhos’, como quer o revisionismo infantil, mas sim interesses. A guerra era vista por diferentes ópticas: para Solano López era a oportunidade de colocar seu país como potência regional e ter acesso ao mar pelo porto de Montevidéu, graças a aliança com os blancos uruguaios e os federalistas argentinos, representados por Urquiza; para Bartolomeu Mitre era a forma de consolidar o Estado centralizado argentino, eliminando os apoios externos aos federalistas, proporcionando pelos blancos e por Solano López; para os blancos, o apoio militar paraguaio contra argentinos e brasileiros viabilizaria impedir que seus dois vizinhos continuassem a intervir no Uruguai; para o Império, a guerra contra o Paraguai não era esperada, nem desejada, mas, iniciada, pensou-se que a vitória brasileira seria rápida e poria fim ao litígio fronteiriço entre os dois países e às ameaças à livre navegação, e permitira depor Solano López. (…) Dos erros de análise dos homens de Estado envolvidos nesses acontecimentos, o que maior consequência teve foi o de Solano López, pois seu país viu-se arrasado materialmente no final da guerra. E, recorde-se, foi ele o agressor, ao iniciar a guerra contra o Brasil e, em seguida, com a Argentina.” (DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pp. 95 e 96)

Mais algumas observações podem ser feitas sobre aquela guerra: ao longo de cinco anos, as tropas da Tríplice Aliança lutaram contra as hordas do ditador paraguaio (essas também muito valentes, mas sem grandes comandantes), com uma série de episódios de valentia de ambos os lados, que mereciam mais atenção de nossos estudantes e dos historiadores em geral. Destaco que grandes brasileiros fizeram história nos campos de batalha da Guerra do Paraguai: Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias (1803-1880), Joaquim Marques Lisboa (Marquês de Tamandaré), o Almirante Tamandaré (1807-1897), patronos do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil, respectivamente, e, ainda, Manuel Luís Osório, o Marquês de Herval (1808-1879), Francisco Manuel Barroso da Silva (Barão do Amazonas), o Almirante Barroso  (1804-1882), Antônio de Sampaio (1810-1866), Émile Louis Mallet, o Barão de Itapevi (1801-1886), apenas para citar alguns desses heróis. O próprio Imperador Dom Pedro II (1825-1891), Comandante-em-Chefe das Forças Armadas do Império do Brasil, foi até o front, com o objetivo de animar seus soldados. Note-se que Sua Majestade Imperial chegou ameaçar abdicar do Trono, caso a Assembléia Geral não autorizasse sua ida ao campo de batalha.

guerra_do_paraguaiApós anos de conflito, López foi finalmente derrotado. Seu país estava arrasado, mas sobretudo por sua insanidade na conduta da guerra e por sua crueldade para com seu próprio povo. Mesmo com a derrota paraguaia,  Dom Pedro II fez questão de manter a integridade territorial do país vizinho – ato de nobreza pouco lembrado e incomum na política das nações à época. Foi, repita-se, o maior conflito ao sul do Equador, após o qual o Império do Brasil conquistou a hegemonia na América do Sul. Profundas mudanças ocorreriam na economia, sociedade e política de todos os Estados envolvidos naquela guerra.

Esses são apenas alguns aspectos da guerra de 1864-1870. Quando em vez, trarei mais informações a respeito aqui em Frumentarius. Que a memória daqueles que lutaram e morreram naquele confronto não seja jamais esquecida!

Americo-avaí

Segue artigo do Correio do Estado (de Mato Grosso do Sul) sobre o ataque ao Forte de Coimbra.

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Dia da Bandeira (republicana)

bandeiras_imperio_republicaHoje, 19 de novembro, é o Dia da Bandeira. A data, que rememora o dia de 1889 quando os golpistas republicanos decidiram qual seria a bandeira definitiva que substituiria o belíssimo pavilhão imperial, serve para lembrar a todos os brasileiros o valor deste símbolo nacional. O único problema é que a maioria absoluta de nossa população não dá a mínima para a festividade de hoje e pouco conhecimento tem sobre a bandeira nacional. Isso é lamentável.

Ainda que prefira o pavilhão imperial, tenho profunda deferência e respeito por nossa bandeira, que considero de grande beleza. Nos últimos 125 anos, ela consolidou-se como o mais importante símbolo da pátria, e deve evocar sentimentos de amor filial e responsabilidade para com a nação. Enquanto estivermos sob o regime republicano, é ela que amarei, respeitarei e defenderei.

dragao_bandeiraTodo povo precisa de símbolos. Durante o Império, o Monarca era nosso símbolo maior, vivo e presente no imaginário da população. A bandeira nacional republicana busca preencher o vazio deixado pela imagem do soberano após a queda da monarquia. É por meio dela que nos fazemos conhecer pelo mundo, é em torno dela que nos unimos, e foi sob ela que muitos brasileiros deram a vida a serviço da pátria.

Minha homenagem hoje ao pavilhão nacional neste 19 de novembro!

Segue um vídeo gravado para a Agência Senado, no qual comento um pouco sobre o pavilhão verde-amarelo, e uma matéria relacionada.

03/11/2014 – Arquivo S

Bandeira nacional sofreu rejeição nos primórdios da República

Ao longo das primeiras décadas da República, vários projetos de lei tentaram desfigurar o modelo atual, feito em 1889. Principal crítica era aos dizeres “Ordem e progresso”, lema da Igreja Positivista


O quadro Pátria, pintado por Pedro Bruno em 1919, mostra mulheres costurando a bandeira do Brasil Foto: Reprodução/Paulo Rodrigues
Ricardo Westin

Quatro meses atrás, a bandeira verde e amarela se multiplicava pelo Brasil. Era plena Copa do Mundo e ela surgia nos muros, nos carros, nas roupas, nas janelas das casas. Poucas imagens conseguem ser tão fortes a ponto de mexer com a emoção dos brasileiros. Nem sempre foi assim. A bandeira, criada há 125 anos, levou décadas até cair de vez no gosto do país.

Em 19 de novembro de 1889, quatro dias após o golpe que enterrou a monarquia, o presidente Deodoro da Fonseca assinava um decreto com a descrição da sucessora da bandeira imperial. É por isso que o Dia da Bandeira se festeja em 19 de novembro. O modelo era praticamente idêntico ao atual. Em vez das 27 estrelas de hoje, havia 21 — o número dos estados de então mais a capital do país.

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Quando o Brasil foi Grande

cetro imperio Neste 15 de novembro, data que considero o dia da infâmia, gostaria de compartilhar com os amigos algumas de minhas razões de ser monarquista convicto. Esta a atualização de um texto que escrevi aqui em 2012.

Preliminarmente, convém registrar que não estou aqui a fazer proselitismo. Não quero convencer ninguém de que o regime monárquico é a melhor opção (apesar da profunda convicção de que é). Só o que desejo é expor minhas razões. Sou monarquista desde que me entendo por gente, e poderei dizer a meus netos que meu primeiro voto foi no parlamentarismo monárquico, por ocasião do plebiscito de 1993. Àquela época votei com convicção e segurança – vou o voto mais valioso e valorizado que já coloquei na urna.

Outra coisa: espero que este texto ajude ao menos a remover alguns preconceitos para com a alternativa monárquica. É irritante as pessoas acharem que somos monarquistas por excentricidade ou anacronismo. Incomoda a reação crítica a esse modelo quando é feita sem nenhum conhecimento do assunto, sob o único argumento (imbecil, desculpem a honestidade) de que “monarquia é coisa do passado” ou de que “o modelo republicano é mais democrático”. Para esses já respondo que a maior parte da população de países como o Reino Unido, o Japão, Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, Dinamarca (que, junto com Canadá, Austrália e Nova Zelândia constituem democracias modernas e desenvolvidas sob um regime monárquico) não pensa assim. Antes de criticarem a monarquia, as pessoas deveriam se informar mais…

Muito bem! Perguntam a razão de eu ser monarquista. Já disse, e repito, preliminarmente, que só vim a conhecer alguém da Casa Imperial do Brasil este ano de 2014, quando tive a feliz oportunidade de encontrar com Dom Bertrand de Orléans e Bragança. Príncipe Imperial do Brasil, com quem tive uma excelente conversa! Tampouco estou formalmente vinculado a qualquer organização monarquista (o que não significa que não o farei oportunamente). Sou monarquista, primeiro, porque creio que uma boa democracia se desenvolve em regimes parlamentaristas e, no Parlamentarismo, entendo que o melhor modelo é o monárquico, não o republicano. Repúblicas parlamentaristas são imperfeitas e o Presidente nunca consegue representar a totalidade da nação como o Chefe de Estado deve fazer (vide o recente caso alemão).

moeda imperioAdemais, parece-me que o único lugar onde o Presidencialismo realmente deu certo foi nos EUA, onde eles criaram o modelo, e no qual a instituição “presidência” é sagrada. Por aqui pela América Latina, o que se viu foram republiquetas instáveis, com caudilhos lutando pelo poder, golpes de Estado e instabilidade político-institucional marcada por aspirantes vorazes a ditador ou megalômanos que chegavam ao palácio presidencial sem estar realmente preparados para ocupar a posição de primeiro mandatário.

Outra razão pela qual sou monarquista é que acho que à época do Império tínhamos instituições mais sólidas e valores mais consistentes. A figura do monarca ajuda nisso – por mais que pessoalmente ele possa ser cheio de imperfeições (senão não seria humano), como figura pública é um símbolo nacional, com valores que devem ser seguidos, servindo de exemplo à população. O povo precisa de heróis, o povo precisa de referenciais, e um soberano é muito útil para compor positivamente esse imaginário. Ademais, aquela foi uma época em que o Brasil, com todos os seus problemas de desenvolvimento e atraso social, tinha uma Economia estável, um regime com liberdade de imprensa, grandes estadistas na vida pública, e era respeitado no concerto das nações, isso muito se devendo aos soberanos que aqui reinaram. Foi uma época, realmente, em que o Brasil era grande!

Antes que venham os comentários pacóvios: monarquias são menos suscetíveis à corrupção que repúblicas, a começar pelo próprio Chefe de Estado. Um monarca não precisa roubar do erário. Afinal, se o fizesse, estaria tirando do próprio bolso e não faria o menor sentido degradar um patrimônio que ele iria deixar para seus filhos. E se roubasse, qual seria o sentido? Onde, quando e como gastaria o butim? Presidentes, por outro lado, têm que fazer seu pé de meia, para quando deixarem o poder…

A monarquia, ao contrário do pensam alguns, é muito mais barata que uma República. Saibam que a Presidência de um país como o Brasil gasta muito mais que qualquer Casa Real. E, ainda que as despesas fossem mais altas para manter uma família real (melhor manter uma família permanentemente que várias famílias de presidentes por sucessivos anos), alguém já pensou no custo do presidencialismo em termos de gastos com campanhas eleitorais periódicas? Quanto dinheiro público não é gasto a cada quatro anos somente com as eleições presidenciais?

coroas (1)Não quero, repito, convencer ninguém para minha causa. Escrevi este texto porque quero compartilhar com meus leitores essa característica político-ideológica que para muitos me é tão marcante. Se você não gostar do que escrevi, paciência, não perca seu tempo tentando desconstruir meu discurso, vá cantar em outra freguesia. Escrevo para aqueles que, ao menos, tenham um mínimo de discernimento e sensatez para considerarem opiniões divergentes das suas, e que não sejam obtusos a ponto de simplesmente se fecharem a qualquer argumento que não tenham facilidade de compreender ou que pensem ser contrário a sua maneira de ver o mundo.

Monarquia é sinônimo de estabilidade. Refiro-me a monarquias constitucionais, que fique bem claro. É instituição moderna (ao contrário do que muitos pensam) e tem aspectos muito positivos.

Este quase quarentão (faço aniversário daqui a 23 dias) pode afirmar com toda convicção que prefere ser súdito do Império do Brasil a cidadão desta (ou de qualquer outra) república… Viva o Império do Brasil! Pela restauração! 

brasilimp1822-1889

Votarei pela mudança

brasil-olhoPara mim é muito desconfortável votar para presidente. Afinal, não acredito neste modelo presidencialista falacioso e ilusório. Entretanto, neste domingo votarei para presidente. Tenho que fazê-lo. E o farei com um profundo desejo de mudança e consciente de que se continuarmos com o (des)governo que aí está, o Brasil entrará em colapso.

Votarei contra a manutenção no poder do grupo que aí está. Doze anos são mais que suficientes.  Levaremos muito tempo para tentar sanar os danos causados por essa organização ao País: inflação sem controle, endividamento, grandes obras no exterior às custas da falta de investimento interno, dilapidação do patrimônio público, corrupção, enfraquecimento de empresas que eram motivo de orgulho para todos os brasileiros, aparelhamento do Estado, destruição da meritocracia, difusão de um discurso de ódio racial e de embate social… Isso só para lembrar alguns dos aspectos marcantes do período. Fatos, contra os quais não há argumentos. Por isso votarei pela mudança.

Houve ganhos sociais no período? Certamente. Importante a quantidade de brasileiros que saíram da miséria e as oportunidades criadas para os menos favorecidos. Entretanto, isso se deu às custas de uma dívida avassaladora, da Economia em frangalhos, da classe média desprestigiada e do setor produtivo enfraquecido. Não coaduno com essa idéia de sacrificar a classe média e aqueles que empreendem e produzem sob o argumento de que se está a socializar a riqueza. Por isso votarei pela mudança.

O legado do grupo que tem estado  por doze anos à frente do Brasil é mais nefasto ainda no campo das idéias e dos valores (ou da falta deles). Estou cansado deste discurso paternalista, assistencialista, fraudulento e autoritário. Estou cansado de um governo que tenta mudar a História, que transforma mentiras em verdades, e que quer impor como devo pensar e agir. Inadmissível a desonestidade intelectual e a falta de moral do discurso oficial. Por isso votarei pela mudança.

Esses últimos doze anos foram de intensa pilhagem dos cofres públicos, de mensalões, de petrolões, de maracutaias institucionalizadas das mais diversas. Estou cansado de um governo que acoberta criminosos comuns como se heróis fossem simplesmente porque pertencem ao partido. Inconcebível que haja quem ainda insista em defender os quadrilheiros que caíram como abutres na estrutura do Estado e começaram a dilapidá-la, pousando de arautos da ética. Por isso votarei pela mudança.

Com o enraizamento no poder do grupo que aí está, os ventos do autoritarismo têm chegado. São perseguições políticas, patrulhamento ideológico, invenção de mentiras contra opositores e, na modernidade, a terrível e famigerada “militância ativa virtual” (MAV) – milhares de pessoas pagas em esquemas que envolvem dinheiro público para, protegidas pelo anonimato do ambiente virtual, monitorar e atacar (com os métodos mais desprezíveis) quaisquer tentativas de crítica ao establishment. Nada muito diferente do que se fazia e se faz nos mais autoritários dos regimes… Estou cansado desse patrulhamento ideológico e desse discurso autoritário. Por isso votarei por mudança.

Se não tivermos mudança, o Brasil entrará em colapso. A situação tornou-se insustentável, simples assim. O próximo ano será um grande desafio para qualquer um que assumir a cadeira presidencial, e tenho convicção de que o grupo que aí está não terá capacidade de gerenciar a crise (para a qual ele muito contribuiu). Também não acredito em qualquer alternativa de cunho “socialista” para o Brasil. Acredito em trabalho, espírito empreendedor, e liberdade para produzir riqueza. Por isso votarei pela mudança.

Enfim, amanhã votarei pela mudança. Não quero e não vou desistir do Brasil. Minhas orações hoje serão para que a Providência ilumine os quase 150 milhões de brasileiros neste 5 de outubro. Que amanhã seja o primeiro dia de grandes transformações. E que o Brasil possa ter um governo que se preocupe com o interesse público e não com ideologias, com interesses partidários e muito menos com benefícios pessoais às custas da res publica. Quero meu Brasil de volta! Quero mudança! Quero que saia o vermelho e volte o verde e o amarelo!

Brasil acima de tudo! Viva o povo brasileiro! Por um País mais ético, livre, democrático, justo e perfeito!

Brazil Confederations Cup Protests

O Hino da Independência

Em 7 de setembro de 2011, ano inaugural de Frumentarius, publiquei o texto que segue sobre o Hino da Independência. Essa composição, bela peça de autoria de nosso primeiro Imperador, sempre enche de emoção os patriotas brasileiros, monarquistas ou republicanos. A bandeira imperial brasileira também foi idealizada por Pedro I, com o Brasão do Império pintado por Debret. Dois dos maiores símbolos nacionais remontam, portanto, aos tempos pré-republicanos. Interessante notar, ainda, que nosso hino nacional brasileiro também é o hino do Império do Brasil, que foi mantido (a letra foi inserida no período republicano).

Neste momento de crise de moralidade, não há como não deixar de pensar em uma época em que valores nacionais eram cultuados, e em que havia uma grande quantidade de homens públicos competentes, preparados e que se preocupavam com os interesses maiores da nação, homens como José Bonifácio e Joaquim Nabuco. O País precisa recuperar esses valores.

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Seguem um filme com o Hino da Independência e o texto que publicamos em 2011.

Hino da Independência

Pintura em que D. Pedro I realiza a execução da peça musical dedicada ao Hino da Independência.

Uma das mais belas peças dentre as melodias cívicas, o Hino da Independência deveria ser executado com mais freqüência no País, trazendo orgulho a todos os brasileiros. Afinal, quantos países têm o privilégio de ter um hino tão rico e belo composto pelo goverante?!? Para ouvi-lo, clique aqui

O 7 de setembro é data importante para lembrar que ainda temos muito que lutar pela nossa independência como nação sobera, libertando-nos dos grilhões pérfidos da corrupção, da desigualdade e do retrocesso!

Ah, como carecemos de brasileiros comprometidos com um bem maior, com o desenvolvimento do País e com a probidade no trato da coisa pública! Quantos estão dispostos a morrer pelo Brasil?

HINO DA INDEPENDÊNCIA

(Extraído de http://www.brasilescola.com/historiab/hinodaindependencia.htm)

Se a arte imita a vida, podemos notar que a história do Hino da Independência foi tão marcada de improviso como a ocasião em que o príncipe regente oficializou o fim dos vínculos que ligavam Brasil a Portugal. No começo do século XIX, o artista, político e livreiro Evaristo da Veiga escreveu os versos de um poema que intitulou como “Hino Constitucional Brasiliense”. Em pouco tempo, os versos ganharam destaque na corte e foram musicados pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830).

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192 anos da Independência: Pátria Amada, saqueada

independencia2Há 192 anos, um príncipe português (que amava esta terra como poucos) rompia os laços com a metrópole e proclamava o Brasil um país independente. Uma nova nação se erguia, com um povo valoroso que ansiava por ocupar seu papel de destaque no cenário internacional. Verde e amarelo eram nossas cores. O regime monárquico nos unia e garantia um Estado democrático, Nascia um país rico pela própria natureza, próspero por suas riquezas naturais e, sobretudo, por seu povo singular.

Passados quase duzentos anos do episódio do Ipiranga, pouco há a se comemorar no Brasil independente. Há como se dizer independente, se a nação é saqueada, pilhada, a corrupção impera, homens e mulheres inescrupulosos buscam qualquer oportunidade para roubar e se locupletar da coisa pública, como se de ninguém ela fosse? Denúncias de corrupção em altas esferas do poder nacional se espalham. Ao mesmo tempo, o cidadão se vê vítima também dos “bandidos pequenos”, que se proliferam e roubam, roubam, roubam, com a certeza da impunidade. Será que nos transformamos em uma pátria de ladrões?

Os brasileiros temos pouco a comemorar nestes 192 anos da independência. O País perde valores, ensina-se racismo e ódio nas escolas, parte significativa da população torna-se refém de assistencialismos, o mérito deixa de ser importante, substituído pela afirmação de incompetência  e pelo vínculo ideológico como as únicas formas de se vencer na vida. O que conta, o que se ensina, é o quanto se pode sugar do Estado. A livre iniciativa e o empreendedorismo são condenados e aquele que se faz por si mesmo não tem lugar diante da massa que só prospera por meio de benesses do Estado, pois aqui o melhor é ser “coitadinho”.

CORRUPção1Mensalões e petrolões  assolam o país. A classe política encontra-se completamente desacreditada. Mas ela é só um reflexo do povo que lhe transfere poder. Sim, porque os brasileiros são responsáveis por seus governantes. Gritos de mudança se perdem em meio a mentiras e manipulações. Bandeiras vermelhas e negras assumem o lugar do verde o do amarelo que fundaram a nação. E tudo segue, como se normal fosse. O que importa é o próximo capítulo da novela, ou o jogo da próxima quarta.

Há muito não se via um momento tão crítico na História do Brasil. Infelizmente, o Estado está aparelhado, corações e mentes submissos, mentira e manipulação imperam, e a população tão dependente das benesses públicas, que permanece passiva, bestializada diante do mar de lama que assola o País.

corrupcaoBrasilEm 192 anos de existência, o Brasil parece, realmente, sem rumo. Incompetência gerencial e corrupção, roubalheira generalizada e desavergonhada, assistencialismo, imposição de um discurso mentiroso, falta de valores cívicos, de respeito, de preocupação com o bem comum, tudo isso faz deste País dependente de um grupo com um projeto de perpetuação de poder, e da população completamente refém de si mesma. E o pior, não se percebe sinais de mudança.

Cerca de duzentos anos atrás, o Rei Dom João VI alertou seu filho Pedro de que se atentasse para os aventureiros que poderiam se apossar do Brasil. Dessa maneira, teria dado sua benção para que o amado filho tornasse esta terra independente. Após dois séculos, o Brasil está na mão de aventureiros e aproveitadores, sob o jugo não mais de portugueses, mas dos próprios brasileiros. Precisam proclamar novamente nossa independência e romper com os lações ideológicos e de servidão que fazem 200 milhões de homens e mulheres reféns de brasileiros inescrupulosos. Se não for proclamada uma nova independência do Brasil, a alternativa para esta nação será a morte.

Independência_ou_Morte_

A mais legítima das nossas constituições

imageEntre as publicações da Semana da Pátria, gostaria de fazer referência hoje à melhor constituição que este país já teve e que neste ano completou 190 anos de sua promulgação: a gloriosa Constituição do Império do Brasil, de 1824. Peça jurídico-política fascinante, nossa primeira (e, em que pesem os arroubos republicanos, única e legítima) Constituição durou 67 anos, ao contrário das peças republicanas que parecem ter tempo de validade (cerca de 20 anos)…

Acredito que todos os que se interessam por Política e por História deveriam conhecer a Carta de 1824, obrigação esta também aos juristas. Constituição plástica, objetiva, liberal e democrática, permitiu ao País manter-se como uma democracia unida nos anos de maior tormenta, quando tivemos guerras intestinas e conflitos com os vizinhos.

Gosto da Carta de 1824. E trarei para esta página alguns trechos dela nos próximos dias. O primeiro deles refere-se a seu último artigo, o 179, que trata dos direitos e garantias individuais. Ora, vejo muita gente falando da Carta de 1988 como “constituição cidadã”, como se direitos civis tivessem sido por ela inventados. Não é bem assim. No texto constitucional de 1824 vemos o direito de ir e vir, a liberdade de opinião e de expressão, liberdade religiosa (em um país em que o Estado dispunha de religião oficial), inviolabilidade do lar, o direito ao contraditório e à ampla defesa…

De fato, nossa Constituição do Império já tratava de direitos individuais e de uma forma muito semelhante àquela de 1988. Note-se, porém, que foi produzida no início do século XIX, em um país considerado periférico, que há pouco deixara de ser colônia e em uma época em que os ideais revolucionários de 1789 eram rechaçados pelo retorno do Antigo Regime na Europa.

Conheça o art. 179, e tire suas próprias conclusões. Só peço que leia com atenção, despido de preconceitos, e até o final.

Viva o 7 de setembro! Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Constituição do Império do Brasil (1824)

Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Imperio, pela maneira seguinte.

        I. Nenhum Cidadão póde ser obrigado a fazer, ou deixar de fazer alguma cousa, senão em virtude da Lei.

        II. Nenhuma Lei será estabelecida sem utilidade publica.

        III. A sua disposição não terá effeito retroactivo.

        IV. Todos podem communicar os seus pensamentos, por palavras, escriptos, e publical-os pela Imprensa, sem dependencia de censura; com tanto que hajam de responder pelos abusos, que commetterem no exercicio deste Direito, nos casos, e pela fórma, que a Lei determinar.

        V. Ninguem póde ser perseguido por motivo de Religião, uma vez que respeite a do Estado, e não offenda a Moral Publica. Continuar lendo

Tratamentos imperiais, reais e nobiliários

TITULOS_NOBREZAEstamos na Semana da Pátria, quando celebramos os 192 anos do Grito do Ipiranga, ocasião em que o Brasil rompeu os laços coloniais com Portugal e, graças a portugueses e brasileiros que amavam esta terra, a começar por Sua Majestade Imperial e Real, Dom Pedro I, tornou-se uma próspera e unida nação, abençoada por ser uma monarquia em meio à diversidade de repúblicas e republiquetas deste continente.

Buscarei publicar, nos próximos dias, assuntos referentes à monarquia, que tanto agradam a meus leitores (é interessante como publicações relacionadas a assuntos monárquicos estão entre as mais procuradas neste site, assinalam as estatísticas). Nessa linha, gostei do texto a seguir, retirado da revista eletrônica “Mundo da Nobreza“. Como se dirigir a imperadores, reis e nobres? Quais pronomes de tratamento utilizar? Espero que um dia possamos, novamente, usar alguns desses aqui em Pindorama, quando a república anacrônica e corrompida for substituída pelo novo e moderno Império do Brasil!

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Brasil.Império

TRATAMENTOS

Muitas vezes nos perguntamos: “Qual a correta maneira de se dirigir a um Príncipe, ou a um outro Nobre?”, para responder a esta, e outras perguntas, a Revista Eletrônica Mundo da NOBREZA publica as corretas formas de tratamento, pelo qual se deve dirigir a cada Membro da Realeza, Nobreza ou Aristocracia.

Os tratamentos estão organizados do mais elevado ao menos importante.

SUA SANTIDADE (S.S): É a mais elevada forma de tratamento, que é de uso exclusivo do Santo Padre o Papa, que como Soberano da Santa Igreja Católica, é também o Chefe de Estado do Principado da Cidade do Vaticano. Possui muitos outros títulos, como Sumo Pontífice, ou Pai dos Reis e dos Príncipes, etc.

SUA SACROSSANTA MAJESTADE IMPERIAL (S.S.M.I.): Título que era utilizado pelos Sacrossanto Imperadores Romano-Germânicos, até 1806. Atualmente não é mais utilizado.

SUA MAJESTADE IMPERIAL E REAL (S.M.I&R.): É a mais elevada forma de tratamento dada a um Monarca, sendo que é reservada aos Imperadores, que também possuam a dignidade de Reis.

SUA MAJESTADE IMPERIAL (S.M.I): É o tratamento dado aos Imperadores, para assim serem distinguidos dos demais Reis. Hoje é quase inexistente seu uso, mas foi o tratamento utilizado pelos Imperadores do Brasil, do México, e pelos Monarcas Britânicos, durante a existência de seu Império colonial. Continuar lendo