E por falar em China, comecei, na última hora do ano que acabou, a ler o livro de Kissinger (dispensa apresentações) sobre aquele país (Kissinger, Henry. Sobre a China. Rio de Janeiro: Objetiva, 2011, 572 p.) – por sinal, indicação de meu amigo Humberto Netto. Recomendo efusivamente, tanto para meus alunos de Relações Internacionais quanto para qualquer um que queira entender o mundo atual! Leitura fascinante: a única questão é que o livro prende tanto que você não vai querer fazer muita coisa até acabar de lê-lo.
Só para dar um gostinho:
Quando os caracteres chineses surgiram, durante a dinastia Shang, no segundo milênio a.C., o antigo Egito se encontrava no auge de sua glória. As grandes cidades-Estado da Grécia clássica ainda não haviam surgido, e Roma estava a um milênio de distância. Contudo, um descendente direto do sistema de escrita Shang ainda é utilizado hoje por muito mais de um bilhão de pessoas. Chineses de hoje conseguem compreender inscrições do tempo de Confúcio; livros e conversas chinesas são enriquecidos por aforismos centenários que citam antigas batalhas e intrigas palacianas. (…)
e
A escala chinesa não era muito superior à dos Estados europeus apenas em população e território; até a Revolução Industrial, a China era muito mais rica. (…) foi por séculos a economia mais produtiva do mundo e a região de comércio mais populosa. (…) Na verdade, a China produzia uma parcela maior do PIB mundial total do que qualquer sociedade ocidental em 18 dos últimos vinte séculos. Ainda em 1820, ela produziu mais de 30% do PIB mundial – quantidade que ultrapassava o PIB da Europa Ocidental, da Europa Oriental e dos Estados Unidos combinados.
Segue resenha do New York Times sobre a obra de um ocidental que conhece o Império do Meio como poucos.
NY Times -May 13, 2011
Henry Kissinger on China
By MAX FRANKEL
(ON CHINA, By Henry Kissinger, Illustrated. 586 pp. The Penguin Press. $36.)
Henry Kissinger was not only the first official American emissary to Communist China, he persisted in his brokerage with more than 50 trips over four decades, spanning the careers of seven leaders on each side. Diplomatically speaking, he owns the franchise; and with “On China,” as he approaches 88, he reflects on his remarkable run. Continuar lendo
































