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Os jornais deviam estar sem notícia nos últimos dias… Afinal, já tinha postado neste site há umas duas semanas que o Brasil superara o Reino Unido e já era a sexta economia do globo, caminhando para quinta… Ou foi iniciativa do governo para dar “boas novas” neste Natal?

Bom, a “novidade” agora é que em breve superaremos a França e chegaremos a quinta economia (será que porque eles – britânicos e franceses – caíram ou porque nós crescemos?)…Todos comemoram, soltam fogos e tudo mais.

Entretanto, convém lembar que uma coisa é ter o quinto ou sexto maior PIB, outra é ter indicadores econômicos e, sobretudo, sociais de país desenvolvido (se bem que os indicadores econômicos dos países desenvolvidos não são referência muito boa ultimamente…). Nesse sentido, temos que  caminhar realmente muito nas próximas décadas… Isso sem falar nos investimentos em educação (quê?)…

A propósito, a Veja da semana retrasada publicou matéria interessante sobre educação na China. Os chineses estão investindo pesado em educação (por que será?)… Lembro-me, ademais, de uma conversa com minha amiga Carmen Lícia, que passou um tempo naquelas terras, na qual ela comentava o valor que os chineses davam ao professor (igualzinho aqui…)…

Enfim, não sei se é motivo de comemoração ou de preocupação. Vai ser complicado chegarmos à condição de “grande economia global” na situação em que nos encontramos hoje (econômica, social, política e cultural), e com as diferenças entre mais ricos e mais pobres… Além disso, o PIB do Reino Unido e França caiu por causa da crise do último ano (teríamos que combinar com os britânicos e franceses deles permanecerem na posição em que estão)… Bom, a verdade é que o tão aclamado anúncio diz pouco diante da realidade…

País deve superar França até 2015, afirma Mantega      

FOLHA DE SÃO PAULO, 28 Dez 2011

Após ultrapassar economia britânica, Brasil pode virar a 5ª economia mundial antes do que espera o FMI, diz ministro 

Países emergentes já vinham ultrapassando os desenvolvidos, mas crise acelerou processo, avaliam economistas 

MARIANA SCHREIBER,
DE SÃO PAULO

O ministro Guido Mantega (Fazenda) afirmou que nos próximos quatro anos o Brasil poderá desbancar a França e se tornar a quinta maior economia do mundo.
“A previsão do FMI [Fundo Monetário Internacional] é que em 2015 o Brasil será a quinta economia do mundo, ultrapassando a França. 2015 está bom, mas acho que pode ser um pouco antes”, disse ele, em São Paulo.  O ministro observou que a velocidade de crescimento do país supera a de nações europeias e, por isso, é “inexorável que nós passemos a França e, no futuro, quem sabe, a Alemanha”.
Conforme mostrou reportagem da Folha de outubro, a projeção do FMI aponta que a economia brasileira passará neste ano a britânica, tornando-se a sexta maior.
O assunto voltou à tona nesta semana com a divulgação de projeções semelhantes da consultoria britânica CEBR (sigla em inglês para Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios).
A estimativa da CEBR, no entanto, é de que o Brasil será ultrapassado pela Índia e pela Rússia até 2020.
O diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, Carlos Langoni, afirmou que é possível que o Brasil ultrapasse a França em 2015 ou antes.
Para que isso ocorra em 2014, por exemplo, a economia brasileira precisa crescer em média 4,5% nos próximos três anos e a francesa, 0,5%.
“É difícil prever com exatidão, mas é inevitável que o Brasil, assim como Índia e Rússia, ultrapasse os europeus nos próximos anos.”
Langoni ressalta, porém, que, mais importante que superar os países desenvolvidos, é manter um crescimento de qualidade. Isso significa não crescer num ritmo forte demais que cause desequilíbrios como inflação alta e elevação da dívida pública.
“Me preocupa esse discurso do governo de crescer 5% em 2012. É preciso reduzir a inflação. Crescer em média 4% ao ano é mais saudável”.
O vice-presidente do Banco Mundial para a Redução da Pobreza, Otaviano Canuto, explica que os emergentes já vinham crescendo mais que os países ricos, mas a crise mundial aumentou essa diferença, pois afetou com mais força nações desenvolvidas.
Ele destaca, porém, que a qualidade de vida dos brasileiros está bem aquém da dos europeus. Segundo o Banco Mundial, a renda per capita do Brasil era de US$ 10,7 mil em 2010, quase um quarto da dos franceses (US$ 39,5 mil).
“Não se deve enganar com comparações internacionais. O que importa é promover a inclusão social e aumentar a competitividade do país, melhorando a educação e a infraestrutura”, defende.

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