A Capital Imperial e seu Metrô (Operação Outubro Vermelho)

Quando Pedro I construiu São Petersburgo, seu objetivo era mostrar ao mundo uma Rússia moderna, a qual ele pretendia inserir no clube das potências mais avançadas de seu tempo. A nova capital seria a vitrine do maior império da terra e em nada deixaria a desejar às principais cidades europeias em termos de arquitetura e urbanismo.

Assim, o primeiro Czar a se chamar de Imperador governaria a partir de uma belíssima capital, uma cidade projetada para evidenciar a grandeza da Rússia. Indubitavelmente, Pedro teve grande êxito em seu projeto!

As primeiras impressões de São Petersburgo são de um cidade clássica. A grandiosidade da antiga capital se revela em suas largas avenidas cortadas por canais, os quais se atravessa sobre pontes que por si são obras de arte. Mesmo com as sete décadas de comunismo, a cidade conseguiu conservar as características daquela que fora uma das mais belas capitais europeias dos séculos XVIII e XIX: palácios, teatros, igrejas grandiosos…

O centro histórico está muito bem preservado... E, caminhando por ali, por exemplo, da estação de trem até o Palácio de Inverno pela Avenida Nevsky, você observará belas lojas, vitrines suntuosas, estátuas e monumentos e uma harmoniosa beleza do século XXI pós-soviético inseridos em construções que resistiram às transformações dos últimos cem anos. É, realmente, como voltar no tempo…

Na primeira manhã na Rússia, Adriana, Gustavo e eu fomos passear pela cidade. Seguimos para a estação de metrô mais próxima do hotel para comprar bilhetes de viagens ilimitadas para uma semana – essa é uma boa alternativa se você for ficar pelo menos cinco dias… Assim, poderíamos nos deslocar, como quiséssemos e o tanto que julgássemos necessário, por todo o sistema de transporte urbano.

A estação era Ploshchad Vosstaniya, muito particular em sua arquitetura, é uma das primeiras do metrô de São Petersburgo, inaugurada em 1955 e cuja profundidade é de 58 (isso, cinquenta e oito) metros! Lembre-se que o metrô deveria converter-se em abrigo antiaéreo, inclusive com uma estrutura que protegesse a população (ao menos em tese) contra ataques nucleares.

A estação Ploshchad Vosstaniya

Assim, para chegar às plataformas, você desce por uma escada rolante que parece levar às profundezas da Terra… E, o que me chamou a atenção, no final da escada há uma “guarita” com um funcionário do metrô (ali os funcionários na guarita eram todos senhoras idosas de uniforme – típicas “avós” russas) e um telefone, o que nos remete automaticamente aos tempos da URSS, onde o “guarda do metrô” deveria ficar ali para “fiscalizar” os milhares de transeuntes que usavam o sistema de transporte – achei interessante! Por óbvio, a pergunta que me fiz era se aquelas senhoras estavam ali desde os tempos de Krushev (as mesmas mulheres, claro!)…

A dica de hoje, portanto, é: vá passear de metrô em São Petersburgo. Claro, a superfície é belíssima e interessante, mas os subterrâneos têm seu charme e merecem um tempinho para que se conheça algumas estações. Mesmo não tendo a decoração suntuosa do metrô de Moscou (construído a mando de Stálin para que cada estação fosse um “palácio subterrâneo para o povo”), o metrô de São Petersburgo também tem lugares belos e inusitados, com estátuas, afrescos e pinturas, estações que merecem ser conhecidas. E o bom é que você ainda vai para onde quiser!

Naturalmente, continuarei a falar de São Petersburgo nas próximas semanas. Mas o que percebi ao chegar àquela cidade, é que estava realmente na capital da Rússia. Mas e Moscou? Moscou, eu descobriria, também fascinante, é a capital da União Soviética. Essa foi a minha sensação: mesmo enquanto foi Leningrado (e apesar disso), São Petersburgo não perdeu sua majestade!

Mais adiante falarei das impressões sobre o povo e o ambiente. Antecipo que a gente de São Petersburgo é bem diferente da gente de Moscou (achei o povo nas duas cidades atencioso e simpático, mas ficavam claras suas diferenças). Numa comparação simplória, associaria São Petersburgo ao Rio de Janeiro, e Moscou a São Paulo! A conferir…

George e Nicky – razões de família versus imperativos de Estado

Dia desses, quando postei em minhas páginas no Facebook e no Twitter (siga-nos lá!) sobre um livro que tratava das Casas Reais Europeias, a foto da capa causou dúvida aos leitores. Quem era o casal real ali representado? Alguns amigos pensaram que eram Nicolau II e sua esposa Alexandra, os últimos Romanov a governar a Rússia. Surpreenderam-se quando disse que não eram eles… Mas quem seriam então?

A resposta: era uma foto de George V, do Reino Unido, e de sua esposa, Vitória Maria de Teck. “Mas como? Parece tanto com o Czar Nicolau II!”. Não se preocupe, essa confusão é mais comum do que se imagina…

Confundir George V e Nicolau II não é nada de absurdo. Os dois eram primos-irmãos (a mãe de Nicolau era irmã da mãe de George), e realmente se pareciam muito. Ambos os monarcas, assim como suas esposas, eram todos descendentes da Rainha Victoria (como a maioria absoluta dos soberanos europeus, diga-se de passagem).

41712mn

De fato, George e Nicky (como o Czar era chamado pelos parentes mais próximos) gostavam de brincar com essa grande semelhança. Não eram raras as vezes em que posavam para fotos vestindo os uniformes um do outro ou propositalmente confundiam aqueles que com eles se encontravam, pregando-se-lhes peças. Note-se que o soberano russo falava inglês sem sotaque e, sobretudo quando jovem, frequentava muito a corte britânica. A Czarina Alexandra (nascida Alice), por sua vez, era uma princesa alemã, mas passara grande parte da infância no Reino Unido, tornando-se muito próxima da avó materna, a Rainha Victoria.

Portanto, os dois soberanos eram bons amigos, desde a infância. Na juventude, conviveram bastante. Uma curiosidade: chegou-se a cogitar que a princesa Alice de Hesse iria se casar com George (o que, se tivesse acontecido, faria dela a futura esposa do Rei da Inglaterra). Entretanto, Alice apaixonou-se perdidamente por outro príncipe, seu primo Nicky, e “enfrentou” a própria avó (que gostou da impetuosidade da neta) e as “razões de Estado” para se casar com o amor de sua vida. Assim, Alice celebrou o matrimônio com Nicky, que se tornou Nicolau II, da Rússia, e ela própria alterou seu nome para Alexandra Feodorovna, vindo a ser a última Czarina. O casal Romanov teve cinco filhos (as Grão-Duquesas Olga, Tatiana, Maria e Anastácia, e o Czarevich Alexei), seu amor perduraria por toda a vida e Nicolau e Alexandra seriam conhecidos como um dos casais mais apaixonados e verdadeiramente unidos entre as famílias aristocráticas de seu tempo.

Voltando a Nicolau e George, os primos, já soberanos da Rússia e do Reino Unido, respectivamente, veriam-se diante de um dos períodos mais trágicos e importantes da História: a I Guerra Mundial. Juntos, estariam à frente de seus Estados contra a Alemanha, na qual reinava seu outro primo, Guilherme II, também neto direto da Rainha Victoria. E a forma como lidaram com a dicotomia “razão de Estado” versus “razões de família” selaria o imbricado futuro de ambos e o destino de suas famílias e de seus tronos.

Não é exagero dizer que a Grande Guerra foi um conflito entre irmãos. Como consequência daqueles anos de morte, sofrimento e destruição, o Império Alemão ruiria, e Guilherme II se exilaria na Holanda, onde ficaria até o fim da vida, na década de 1940. George continuaria soberano do Reino Unido, país vitorioso da I Guerra Mundial, mas cuja decadência das décadas seguintes já dava os primeiros sinais. Quanto a Nicky, seria tragado pelos acontecimentos que o levariam à abdicação e consequente fim da monarquia na Rússia e dos trezentos anos de autocracia dos Romanov. Seu fim e o de sua amada família constituiriam um dos mais trágicos acontecimentos do século que se iniciava.

Após a abdicação, Nicolau Romanov, Alexandra e os filhos ficaram sob custódia do Governo Provisório. Visto como uma ameaça por aqueles que temiam a restauração monárquica, o antigo Soberano de Todas as Rússias tornou-se uma peça importante no tabuleiro político interno e seu destino uma questão de cunho internacional. Sua integridade e a de sua família estariam ameaçadas se permanecessem na Rússia, apesar das garantias do Governo Provisório de que ninguém tocaria no ex-Czar e nos seus. Começaram as negociações para que os Romanov partissem para o exílio, tendo como principal destino o Reino Unido. E aí começa o drama que mostrou a fraqueza de George e sua conduta reprovável, mas também a sua submissão às “razões de Estado” e a preocupação com a preservação da monarquia britânica.

Imediatamente após a abdicação, na primavera de 1917, o Governo Britânico chegou a oferecer asilo para o Czar e sua família. A pedido do Rei George, o Embaixador britânico em Petrogrado, George Buchanan, apresentou formalmente a oferta do Governo de Sua Majestade de abrigo para os Romanov no Reino Unido.

Entretanto, enquanto seguiam as negociações sobre o destino de Nicolau e família, aumentava a pressão do Gabinete de Sua Majestade contra o abrigo aos Romanov em solo britânico – o próprio Lloyd George, Premier do Reino Unido, era contrário a receber o “tirano” Nicolau em seu país de tradição liberal e democrática. A reação negativa da opinião pública crescia a cada dia, e havia argumentos de que a vinda dos Romanov para a Inglaterra poderia por em questão até a própria monarquia britânica.

George teve então que decidir sobre a acolhida de seus primos. Se as razões de sangue faziam-lhe querer ter seus familiares consigo, e garantir-lhes a segurança, os imperativos de Estado (ao menos era o que argumentavam os políticos) o impeliam a voltar atrás na proposta de asilo.

O monarca britânico decidiu. Aquela deve ter sido a mais difícil resolução de sua vida – como o fora a abdicação do primo Nicolau, alguns dias antes. Cedeu ao apelo dos políticos e lavou as mãos quanto ao destino de Nicky e sua família. Londres ordenou a Buchanan que voltasse atrás na oferta de asilo. E assim foi feito.

Tendo seu primo inglês dado-lhe as costas, Nicolau viu sua situação agravada nos meses seguintes. Tornou-se verdadeiro cativo do Governo Provisório. Com o golpe bolchevique de outubro de 1917, a desgraça se abateria definitivamente sobre aquela bela família. Levados como prisioneiros para a Sibéria, transportados às pressas de uma cidade a outra, em condições cada vez mais complexas e difíceis, Nicolau, Alexandra e os filhos enfrentariam seu trágico destino em julho de 1918, massacrados pelos algozes bolcheviques a mando do próprio Lênin. Triste fim para o último Czar.

Sempre me pergunto se a decisão de Nicolau em abdicar foi a mais acertada. Mesmo com sua situação como soberano tremendamente complicada, será que não deveria ter continuado no trono, e sido mais resoluto no trato dos problemas de Estado? Será que deveria ter escutado menos a sua amada Alexandra? Indiscutivelmente, a decisão de abdicar teve como fator preponderante a família: Nicolau sabia que Alexei, com sua hemofilia grave, jamais poderia se tornar o Czar. E acreditava sinceramente que, sem as responsabilidades de um monarca autocrático, poderia se dedicar plenamente a sua família e cuidar de maneira mais efetiva de seu filho doente. Abdicou em favor de seu irmão Mikhail, sem consultá-lo. E Mikhail, ele próprio, não quis o fardo de soberano, o que agravou a crise e provocou a queda da monarquia e o fim da dinastia dos Romanov à frente da Rússia.

George, por sua vez, optou pelos imperativos de Estado – os quais, certamente, também envolviam a preservação do trono. Difícil não associar a decisão abnegada de George V (que também, repito, pode ser entendida como submissão disciplinada e razoável aos interesses de Estado) ao triste destino dos Romanov (sobre o qual também a hesitação de Nicolau, especialmente no contexto de sua abdicação, teve forte influência). Se o Rei tivesse sido mais assertivo com seus ministros, ao menos a Czarina e as crianças poderiam ter sido salvas. Assim, a morte dos primos russos seria realmente indissociável da conduta claudicante do soberano britânico.

Por certo, George nunca se perdoou pelo que aconteceu a Nicolau, Alexandra e sua família. Nunca mais foi o mesmo depois daquilo. E levou para o túmulo a culpa, que, na verdade, era em parte do hesitante Nicky e dos facínoras bolcheviques, cujo ódio e a sofreguidão colocaram a Rússia no caos e conduziram o país a sete décadas de regime autoritário.

A história de George e Nicky é mais um drama entre os grandes dramas relacionados a um mundo romântico que desapareceu com a Guerra de 1914-1918. Passaram-se cem anos, mas essas histórias ainda nos comovem, marcam e emocionam. 

Leningrado, Dia 1 (Operação Outubro Vermelho) – Bônus

Estou aprendendo a editar vídeos. Assim, resolvi fazer este ensaio com um piloto sobre o primeiro dia na capital da Rússia Imperial, São Petersburgo. Fica como bônus pelo atraso na publicação desta quinta, hehehe. Ainda há falhas na edição, mas, repito, estou aprendendo – e, como digo a meus filhos, é errando que se aprende! Espero que gostem!

Ah! E me siga aqui (basta clicar na barra ao lado) e me acompanhe e curta meu canal no Youtube! Não conhece meu canal no Youtube? Clique aqui então!

Leningrado (Operação Outubro Vermelho)

depositphotos_107401748-stock-photo-saint-petersburg-on-the-mapTudo pronto para o início da primeira fase da Operação Outubro Vermelho! Desembarcaria em Lening…, em São Petersburgo!  O mais natural seria chegar à Rússia por Moscou, mas nosso planejamento envolvia ingressar no país por sua antiga capital, e que fora o epicentro da queda da monarquia e do golpe bolchevique de outubro de 1917.

Inconscientemente, via-me indo para Leningrado. Afinal, esse era o nome que conhecia desde a infância, época em que a humanidade se dividia entre o bloco socialista (comunista, para ser mais preciso), dirigido pela União Soviética, e o mundo livre (nós!), liderado pelos Estados Unidos. Para mim, portanto, aquela bela cidade banhada pelo Rio Neva ainda estava registrada em minha mente como Leningrado, “a cidade de Lênin” – só indo lá mesmo para alterar essa percepção!

Fundada em 1703, por Pedro I, o Grande, como parte do processo de “ocidentalização” da Rússia, São Petersburgo seria a capital do Império dos Czares até 1918 (os bolcheviques transferiram a capital para Moscou temendo a ofensiva alemã, em março daquele ano – vale lembrar que ainda estava em curso a Grande Guerra). De fato, seu aspecto ocidental – que em nada deixa a desejar às mais belas cidades da Itália, França ou Alemanha – seria a forte marca da “Capital do Norte”.

No que concerne ao nome da cidade, com a Grande Guerra, em 1914, o Czar decidiu mudar para Petrogrado (denominação mais “russa” – “grad” é um termo tradicional no idioma para “cidade”). Em 1924, após a morte do facínora que liderou a insurgência bolchevique, Petrogrado recebeu novo nome, Leningrado. Com o fim da União Soviética, em 1991, a cidade voltou a chamar-se São Petersburgo. Curiosidades: o aeroporto ainda mantém o código IATA como “LED”; e a cidade está no Oblast (nome das divisões administrativas, algo como província ou estado federado) de Leningrado.

Mas vamos à Operação Outubro Vermelho! Decolei de Brasília para Guarulhos (SP) – pois a capital federal do Brasil tem menos de meia dúzia de voos com destinos internacionais -, onde encontrei Adriana e Gustavo.  Ali no aeroporto, gosto de comer no Olive Garden, que fica bem perto do embarque internacional (a comida é boa, pode-se passar o tempo, e o preço… preço de aeroporto, né? Prepare-se…). Nossa conexão foi por Londres e chegamos a São Petersburgo (LED) no final da tarde!

Tentemos descrever a emoção! Pisando em solo sov…, russo! Que bacana! Íamos conhecer a Terra dos Czares! O coração acelera. Viagem longa… cansado… Mas estava lá! E que bacana ver tudo escrito em russo! E os avisos em cirílico! Sim, estávamos mesmo na Rússia!

Fui tenso para a imigração (sempre fico tenso na imigração, pois a maior autoridade do universo é o oficial de imigração! Se ele encrencar com você, pode até não deixar que entre no país, mandá-lo de volta ou mantê-lo detido por horas!).  Como seria na Rússia? Lembro que, no passado, a guarda de fronteira ficava a cargo do KGB, e que nem todo lugar é como no Canadá, onde o oficial de imigração lhe recebe com um sorriso, um bom dia e um “bem-vindo ao Canadá!” – isso quando, com uma simpatia sincera, não lhe pergunta sobre o Brasil, como está a situação política e a economia (asseguro que já aconteceu comigo, e é por isso que gosto demais do Canadá!)…

Procedimentos de imigração rápidos e descomplicados, tanto para mim quanto para Gustavo e Adriana, que passaram por outro guichê. Troquei com o guarda de fronteira duas ou três palavras antes do carimbo no meu passaporte. A Rússia já me acolhia bem! E isso era um ótimo sinal! Primeira etapa (imigração) concluída sem problemas!

Já com as malas em mãos (tudo certo também), saímos e lá no portão já estava nosso receptivo! (Excelente serviço contratado pela Tchayka!). Entramos os três em uma van. Já estava um pouco frio (lembre-se de levar gorro, luvas, cachecol e casacão – você vai precisar). E seguimos para o hotel, tendo as primeiras impressões da segunda maior cidade do maior país do mundo. Nos arredores, muitos prédios ao estilo soviético – com o qual estou familiarizado por viver em Brasília. Parecia uma viagem no tempo, e eu ficava imaginando quem seriam as pessoas que moravam naqueles blocos de apartamentos dos anos sessenta, como viviam, qual seria sua história… Gosto de gente, e as histórias de gente me fascinam!

Chegando ao hotel, outra grata surpresa: localização excelente! Nosso hotel, o Park Inn by Radisson, está em na Avenida Nevsky, provavelmente a mais importante (ou pelo menos uma das mais históricas) da cidade! Fica defronte a Moskovsky Vokzal (a estação de onde, como diz o próprio nome, partem os trens para Moscou – só por curiosidade, nos tempos pré-soviéticos, a estação se chamava Nikolaevsky, em homenagem ao Czar Nicolau I).

Se a localização é excelente para quem gosta de caminhar (muita coisa pode, e deve, ser feita a pé em São Petersburgo), o Park Inn também é próximo à estação do metrô. Trata-se de um hotel moderno com excelentes quartos – eu gostei. Recepção simpática, mesmo quando pedem seu passaporte para fazer uma cópia de algumas páginas – não estranhe, é assim mesmo na Rússia, por razões de segurança; só recomendo que você espere até que o recepcionista lhe devolva o passaporte em vez de deixar para pegar depois (eu faço assim, separo-me o mínimo possível de meu passaporte).

Outro ponto forte do Park Inn: o restaurante é um restaurante típico de comida… alemã! Isso mesmo! É o Paulaner Restaurant, onde servem também um café da manhã dos melhores que já experimentei. Enfim, a escolha da Tchayka para a hospedagem em São Petersburgo foi nota dez! E só seria superada pela do hotel em Moscou (sobre o qual falarei em outro post)!

Devidamente alojados, fomos descansar… Que nada! Descansar é para os fracos! Fomos é explorar o entorno! Sempre faço isso, e Adriana e Gustavo, como excelente companhia que são, foram juntos na etapa do reconhecimento!

Cidade linda! Lembra muito as ruas Paris, só que banhadas por canais (já chamaram São Petersburgo de Veneza do Oriente). Prédios no estilo neoclássico, com poucos andares… a gente se sente rapidamente voltando no tempo, e começa a imaginar como era aquela bela cidade na virada do século XIX para o XX! Na Avenida Nevsky, muitas lojas, casas de câmbio e bancos – ali andamos um pouco, comparando os preços, e acabamos trocando nossos dólares por rublos em um banco (no final do dia!). Depois, fomos comprar um cartão pré-pago, também na Nevsky, para ter acesso à internet.

20171031_193539Já disse aqui que a internet e a telefonia em geral na Rússia são baratas. Graças às dicas da Olga, pagamos cerca de 450 rublos (uns 25 reais) por internet ilimitada e 60 minutos (acho) de ligação local para duas semanas! E, repito, funcionou que foi uma beleza! Afinal, o país tem uma enorme cobertura satelital, investe em ciência e tecnologia, e as comunicações são ótimas – se o Governo sabe de tudo o que você está fazendo graças àquele chip, isso não é problema meu… ao menos funciona (ao contrário de outros lugares). E fomos bater perna!

Caminhamos na noite de São Petersburgo! Pela Avenida Nevsky, muitas lojas, prédios belíssimos, luzes em toda parte! Já começava a decoração de Natal, o que fazia ainda mais bonita aquela que era a grande rua do comércio desde os tempos dos czares! Quanta coisa não tinha acontecido ali! Quantos episódios marcantes aqueles prédios não haviam testemunhado!  De passeios matinais da aristocracia russa da belle époque às passeatas de protesto contra o governo e aos combates entre forças do czar e os revoltosos, passando pela terrível fome do inverno de 1918, pelo colapso da cidade nos 1000 dias do cerco de Leningrado durante a Segunda Mundial e chegando-se à transformação da cidade com o fim do comunismo! Muita história, muita vida! E caminhamos, caminhamos, caminhamos!

Paramos em uma lojinha de souvenires (como tantas outras que há ali) e então, outra surpresa: atendeu-nos, em um português quase perfeito, Kristina Rafaelovna, uma jovem russa, bonita, simpática e apaixonada pelo Brasil! Conversamos muito, sempre impressionados com seu excelente português. No final, compramos alguns presentes e Kristina nos indicou um restaurante georgiano, o ChaCha! E assim lá fomos para nossa primeira refeição em solo russo! E foi espetacular!

20171031_202943.jpgVoltamos para casa contentes e satisfeitos, bem alimentados, com fotos tiradas, goiabas na bolsa (“goiaba” é meu nome carinhoso para essas lembrancinhas), e realizados com nossas primeiras horas naquela maravilhosa cidade! Claro, antes de voltar para o hotel, descobri minha primeira livraria na Rússia! Mas isso será tratado no post da próxima quinta…

Na próxima semana, também vou contar mais sobre o ChaCha, e sobre como foi a experiência de testar minhas habilidades em russo no restaurante. Até lá!

20171031_214716

 

O Cogumelo

Foi há 74 anos. 4 anos de guerra para uns. Um único avião. 350 mil pessoas. Uma bomba. 100 mil almas instantaneamente pulverizadas. Um cogumelo. Uma guerra terminada. E o mundo nunca mais seria o mesmo…

Os alemães haviam assinado a rendição incondicional a 8 de maio (9 para os soviéticos). E a Europa via seus destinos serem decididos pelos três grandes em uma mansão na cidade de Potsdam (futuramente publicarei sobre minha visita ao local da Conferência de Potsdam, ocorrida – a Conferência, não minha visita – em julho de 1945). Mas o conflito continuava no Pacífico, pois o Império do Sol Nascente insistia em não se render… Quanto tempo mais os japoneses resistiriam? Quantas semanas para o desembarque dos JI americanos nas principais ilhas japonesas? Quantos morreriam nos combates contra o valoroso povo japonês?

O Presidente Harry Truman deu a seus colegas em Potsdam uma previsão: não haveria desembarque, o Japão se renderia em breve e a guerra logo acabaria. Afinal, em alguns dias o mundo testemunharia a nova arma desenvolvida pelo Projeto Manhattan e que colocaria a humanidade em uma nova era, a era do átomo. Essa arma poria fim à guerra e o Japão se renderia. 

Assim, às 8:15 da manhã daquele 6 de agosto, os cidadãos de Hiroshima encontraram seu destino: do único avião que fora avistado, o Enola Gay, apenas uma bomba foi lançada. Então, um clarão imenso, capaz de ser visto do continente, foi seguido de um enorme estrondo e de uma explosão, cuja onda de choque destruiu praticamente tudo em um raio de 12 quilômetros do epicentro (por sinal, a bomba explodiu sobre um hospital – mais de 90% dos médicos e enfermeiros da cidade morreram). Cerca de 100 mil pessoas desapareceram de imediato. Outras tantas morreriam nos minutos, horas e dias seguintes. Destruição, fogo, calor inimaginável, dor, sofrimento… Nunca a palavra “inferno” se mostrara tão compreensível… Hiroshima não existia mais. O Japão sofria seu golpe definitivo.

Dois dias depois, a 8 de agosto, a União Soviética declara guerra ao Império Japonês (sim, até então os soviéticos haviam se poupado de uma frente no Extremo Oriente). As Kurilas foram invadidas. E logo viria a revanche pela derrota de 1905.

O golpe de misericórdia contra o Japão ocorreria no dia 9 de agosto. Uma segunda bomba atômica seria lançada sobre Nagazaki. Mais 80 mil mortos. E a esperada rendição japonesa. O maior conflito da história da humanidade acabaria oficialmente no dia 2 de setembro de 1945, exatos seis anos e um dia após a invasão da Polônia pelos alemães.

Indubitavelmente, a Bomba de Hiroshima pôs fim à Segunda Guerra Mundial. Indubitavelmente, a Bomba de Hiroshima evitou o desembarque norte-americano no território japonês e o prolongamento da guerra por meses. Indubitavelmente, a Bomba de Hiroshima mostrou ao mundo quem tinha uma nova arma, quem dominava o átomo e quem daria as cartas a partir de então.

E entramos em uma nova era. E nunca mais poderia acontecer uma guerra como a que terminara de acabar. ninguém ousaria enfrentar aquela nação que dominava o átomo. A paz estaria duradoura assegurada… ou não…

Neste 6 de agosto, um minuto de silêncio deve ser feito em memória dos milhares de homens, mulheres e crianças que foram sacrificados para que se tivesse a paz. E hoje, sete décadas depois, na Hiroshima reconstruída, aquele povo orgulhoso celebra sua capacidade de literalmente renascer das cinzas, e de mostrar ao mundo que, no fnal, os japoneses venceram.

“Now I am become Death, the destroyer of worlds.” (Robert Oppenheimer, quoted from the Bhagavad Gita)

hiroshimabombardeio_widelg

Operação Outubro Vermelho – A decisão de avançar!

Sempre quis conhecer a Rússia (grande novidade para quem é um apaixonado pelas relações internacionais!). Afinal, o maior país do mundo, história, cultura, caleidoscópio de povos fascinantes… Uma potência nuclear e uma nação que viveu incomensuráveis transformações em cem anos… Além disso, oportunidade para treinar meu russo (comecei a estudar o idioma nos anos 1990, na Embaixada da Federação da Rússia em Brasília, apesar de ter esquecido tudo), e, para completar, terra de Putin (gosto de Putin; Putin é KGB). Assim, se havia um país que estava na minha lista de destinos, esse seria a Rússia.

20171102_152829Minha ideia de visitar a Rússia ganhara força em 2015, por ocasião dos 70 anos do final da Segunda Guerra Mundial (ou, como dizem os russos, da “Grande Guerra Patriótica”). Havia preparado todo um planejamento para estar em Moscou em 9 de maio, data da assinatura da rendição incondicional alemã, em Berlim, 1945 (haviam assinado a rendição em 7 de maio, em Reims, França, mas sem a presença soviética, e então Stálin fez uma singela interferência para que outro documento fosse firmado para ter efeito a partir das 23:00 de 08/05, na Capital do Reich, e já 09/05 em Moscou). Meu objetivo, portanto, era vivenciar o clima de Moscou durante os festejos do Dia da Vitória. Iria também a São Petersburgo (Leningrado), a Kursk (onde se deu a maior batalha de tanques da história), e a Volgagrado (a antiga Stalingrado)…

Por razões alheias à minha vontade, essa primeira incursão em solo soviét…, digo, russo, foi abortada – meu 8 de maio de 2015 foi em Brasília, participando de uma cerimônia de última hora no Palácio do Planalto, e na qual a impressão que se tinha é que a então presidente da república estava tremendamente desconfortável com o evento… Mas a vontade de viajar para o país dos Romanov só aumentava, e eu já tinha feito contato com o Sérgio Delduque, da Tchayka (já falei dele por aqui), e tinha a expectativa de organizar uma viagem à terra de Tolstoi num futuro próximo…

Passou um ano, acabou o (des)governo Dilma (amém!), um segundo ano, e, em 2017, recebi um e-mail de Sérgio informando que eles estavam a organizar uma excursão especial à Rússia, por ocasião do centenário da (famigerada) revolução de outubro de 1917 (o “famigerada” é por minha conta, pois Sérgio, profissional elegante e isento que é, nunca usaria esse termo – mas, como a história é minha, eu conto como quiser, né?). O momento seria interessantíssimo, pois o país vivia um clima de revisão do passado soviético, preparava-se para as eleições presidenciais do ano seguinte (que fariam com que Putin se tornasse o governante com mais tempo no poder desde os czares) e, de quebra, vivia a fase preparatória para a Copa do Mundo de Futebol de 2018! Essa eu não perderia!

20171106_193039Foi questão de alguns dias para acertar tudo com a Tchayka… A única reticência é que eu iria em um grupo (o que para mim é estranho, pois costumo viajar sozinho), com pessoas completamente desconhecidas. Que tipo de gente se interessaria em ir à Rússia por ocasião do centenário da (nefasta) Revolução Bolchevique? Será que eu, conservador na política, liberal na economia, monarquista convicto, acabaria muito destoante do grupo? Resolvi então consultar alguns amigos para ver se alguém se interessava – aqui de Brasília, o silêncio foi absoluto.

Se o pessoal de Brasília não pôde me acompanhar, quão grata não foi a surpresa quando um casal amigo de Santos resolveu me acompanhar nessa empreitada! Gustavo e Adriana são dois queridos amigos que fiz quando viajamos juntos para a Normandia, em junho de 2014 (certamente serão dedicados vários posts aqui à viagem à Normandia, mas o que ficou de mais marcante daquele passeio foram os amigos que fiz, um grupo fantástico e singular, com quem convivo até hoje!). E, conforme veremos nas publicações seguintes, esses dois companheiros de viagem foram responsáveis por vários momentos inesquecíveis naquele fascinante país – certamente não teria sido a mesma coisa sem eles!

Muito bem! Passagem comprada, pacote ajustado com alguns dias a mais em São Petersburgo (antes do grupo chegar) e em Moscou (depois que acabasse a programação proposta pela Tchayka), inclusive com a companhia de Adriana e Gustavo, agora era começar os meus preparativos… Sim, porque, para ir para a Rússia, ainda mais pela primeira vez, eu teria que me preparar! Nó próximo post, tratarei desses preparativos…

mapa-do-mundo-rússia-36642384

A volta dos Romanov

Conversando hoje pela manhã com um dos meus estimados 15 (quinze) leitores, esse amigo comentou sobre o interesse de sua filha e de alguns colegas lá no trabalho sobre a história da família Romanov (que governou a Rússia durante pouco mais de 300 anos), particularmente sobre o último Czar, Nicolau II, brutalmente assassinado junto com sua família há 101 anos. Coincidentemente, vi na Gazeta Russa agora há pouco uma matéria a respeito do aumento do interesse dos russos na monarquia. 

De fato, o artigo assinala que Nicolau II é mais popular entre seus compatriotas que Lênin e Stálin, e  que 8% dos russos querem o retorno da monarquia; 19% não são contra, mas depende de quem seria coroado, e 66% dos russos são categoricamente contra o retorno do regime monárquico – o que não surpreende, depois de 70 anos de comunismo e três décadas de recuperação daquele estrago… Mas esses 27% simpáticos à causa monárquica chamaram-me a atenção para um fato: os Romanov não foram totalmente aniquilados!

Niclau e Alexei

O Czar e seu filho, Alexei, também brutalmente executado em 17 de julho de 1918, pouco antes de completar 14 anos.

Ainda que a volta da monarquia no país com maior dimensão territorial do planeta seja uma possibilidade muito remota, a Rússia pós-soviética é marcada pela reabilitação do último Czar (que acabou canonizado em 2000 pela Igreja Ortodoxa), e pelo aumento do debate sobre o período imperial e a tragédia que foram os anos sob o comunismo. São poucos os que têm saudade da URSS (constatei isso quando estive no país em 2017 e nas conversas com os nativos), e muita gente vê os Romanov com um misto de curiosidade e simpatia.

Joanisval e Nicolau

O Czar Nicolau II e eu. E tem um mala discursando lá atrás…

Em novembro de 2017, na cidade de São Petersburgo, a capital fundada por um dos maiores Romanov, Pedro I, pude participar da Festa da Luz, um evento ao ar livre em que se projetavam imagens da história do país como referência aos acontecimentos de 1917, no novo feriado russo chamado Dia da Unidade Nacional (já que não se comemora mais a revolução bolchevique). A apresentação mostrava o amor de Nicolau por Alexandra, seu zelo para com os filhos, a beleza da Rússia monárquica, a Grande Guerra e crise que culminou na abdicação do Czar e no Governo Provisório, sucedido pelas conspirações que levaram ao “golpe de outubro”, que é como os russos passaram a chamar o que muitos por aqui ainda denominam saudosamente (ao estilo Neymar, “saudade do que nunca vivemos”) de “revolução russa de 1917”. Sim, parece geral a percepção de que o governo bolchevique conduzido pelo famigerado Vladimir Ilyich Ulyanov et caterva trouxe grandes males e muito mais prejuízos à Rússia e ao seu povo que benefícios, entre eles o totalitarismo stalinista. Confesso que isso muito me alegrou.

Assim, Nicolau II e sua família repousam hoje na Catedral de São Pedro e São Paulo, na antiga capital imperial, e sua memória é cultuada por pessoas das mais distintas origens e classes sociais. Como acontece nas monarquias, de ontem e de hoje, as figuras do soberano e de seus familiares, os símbolos e tradições do império, e a ideia de uma época mais charmosa e feliz permeiam o imaginário de muitos russos quando se fala “nos tempos do Czar” – tempos esses, repito, não vividos por praticamente mais ninguém ali depois de um século.

Se os Romanov voltarão um dia a governar aquele fascinante país, ou mesmo se a Rússia terá novamente um regime monárquico, é muito difícil dizer. Entretanto, o que parece uma certeza é que os russos não querem mais nem cogitar o retorno do comunismo, que se dissolveu há quase trinta anos, apodrecido nas suas ideologias de corrupção, cupidez e violência…

Nicolau e Joanisval

Joanisval e Nicolau

Compartilho aqui com meus leitores um episódio que aconteceu comigo enquanto visitava São Petersburgo por ocasião do centenário dos acontecimentos de outubro/novembro de 1917… Estava eu com um grupo de brasileiros, que haviam ido à Rússia para “comemorar a Revolução de Russa e a vitória do comunismo”. Minha curiosidade, registre-se bem, era eminentemente histórica – afinal, queria vivenciar a Rússia cem anos depois daqueles episódios que lançaram o país no caos!

Não preciso dizer que a maioria do grupo era de esquerda, comunistas e socialistas brasileiros – deveriam ser os únicos que estavam ali a glorificar os feitos do senhor Lênin et caterva. Também não preciso dizer que meu relacionamento com uma parte deles restringia-se apenas à convivência em alguns passeios e a um formal “bom dia” ou “boa tarde” quando nos encontrávamos (pois Dona Conceição me educou bem). Ao contrário das pessoas com quem estive na Normandia, em 2014, nos 70 anos do Dia D (que se tornaram bons amigos, com quem me relaciono até hoje, inclusive por conversas diárias nas redes sociais), daqueles de Leningrado (ops!) e Moscou foram poucos de quem mesmo guardei os nomes…

Mas vamos ao episódio. Estávamos a visitar o Cruzador Aurora, que, em outubro de 1917, teria dado os primeiros tiros para desencadear o golpe bolchevique e a derrubada do Governo Provisório de Kerenski. Fundeado às margens do Rio Neva, na belíssima São Petersburgo, esse navio é hoje um museu em memória da Revolução Russa. Costumeiramente, viajo com uma Bandeira Imperial do Brasil e gosto de fazer retratos com nosso Pavilhão Auriverde. Qual não foi minha surpresa ao ver que um dos nossos colegas de excursão teve a brilhante ideia de levar consigo uma bandeira soviética (sim, a tradicional, vermelha com a foice e o martelo), e quis posar para uma foto com ela no navio!

Fiquei a observar. Quando o sujeito abriu a bandeira, um marinheiro que fazia guarda ali veio em sua direção. O brasileiro achou que o rapaz iria posar com ele (como o fizeram muitos dos russos conosco naqueles dias, numa demonstração cristalina de que são um povo simpático, agradável e nada frio). Vejo os dois tentanto um diálogo impossível. Seguem-se os minutos. O cidadão fica bravo com o marinheiro. O jovem russo mostra-se irredutível nas suas determinações. A bandeira é então colada de volta na mochila, sem que o retrato fosse tirado (eu e um casal amigo tiramos várias fotos com bandeiras no navio…).

Pouco tempo depois, nosso comunista tupiniquim vem em minha direção. Foi creio que a segunda das duas vezes que troquei algumas palavras com ele em dez dias. Olha para mim, com ar frustrado, e balbucia, esperando minha solidariedade (de classe, certamente):

– Acredita que “o soldadinho ali” não me deixou tirar foto com a bandeira? Para você ver, tem “coxinha” em tudo que é lugar!

Ao que minha resposta é automática:

– Não é isso, meu caro. É que aqui eles viveram o comunismo, e têm plena consciência dos males que os comunistas causaram a este país e a seu povo!

O sujeito fica estático cinco segundos (certamente processando a resposta em sua mente patológica), dá meia-volta e vai embora rangendo os dentes (para minha satisfação, não nos falamos mais por toda a viagem). E eu fiquei ali, apreciando a paisagem do Neva já em congelamento, sentindo a brisa fria no rosto, e gargalhando interiormente, lembrando de Nicolau II e feliz comigo mesmo por ter dado minha parcela de contribuição ao povo russo em sua revisão da História e, claro, na reabilitação dos Romanov…

Para a reportagem sobre a percepção russa acerca de Nicolau II, clique aqui (e sim, está em português).

E a seguir um vídeo com um pouco da Festa da Luz, que gravei em 2017. Está também lá no meu canal no Youtube, que você acessa clicando aqui

Em tempo: a agência de turismo que me levou à Rússia foi a Tchayka (hoje operando sob o nome de Rota da Seda). Recomendo muito! Profissionalismo, seriedade e eficiência. Para acessar o site deles, clique aqui. E recomendo falar com o Sérgio Delduque lá – certeza de bom atendimento!

(Atenção! Não estou ganhando nem um centavo de jabá do pessoal da Tchayka. Recomendo porque realmente gostei muito do serviço deles!)

E-Gonomics

Meus queridos 15 (quinze) leitores (pois é, o número aumentou nos últimos dias! Yes!),

Dando continuidade à reestruração de Fumentarius.com (teremos novidades nas próximas semanas!), resolvi associar alguns links de páginas que considero interessantes – são referenciais em minhas leituras e pesquisas. Assim, inseri há pouco o vínculo para E-Gonomics, o blog de um querido amigo, Luiz Congazaga Coelho Júnior, com informação econômica sobre o Brasil, os EUA e outros mercados. E-Gonomics está em constante atualização, então estou certo de que será uma página útil, em especial para meus alunos e amigos interessados em Economia.

Bom proveito!

(Os links estão na barra lateral quando se acessa o Frumentarius.com pelo computador. Ainda aprendendo como colocar isso para o formato de tablet e celular.)

business man hand holding lightbulb with using calculator to cal

Data triste, há 101 anos…

Na madrugada de 17 de julho de 1918 ocorria um dos episódios mais nefastos do século XX e da História da Rússia: em Ekaterinburgo, nos Urais, o Czar Nicolau II, sua bela família e mais quatro pessoas que acompanhavam o último Imperador da Rússia no exílio, foram brutalmente assassinados por revolucionários bolcheviques a mando do facínora Lênin.
Não cabe aqui assinalar o quão deploráveis foram aqueles acontecimentos, nem a maneira como as vítimas foram arrancadas de duas camas e massacrados a sangue frio em nome da Revolução.
A data de hoje é para lembrar da tragédia dos Romanov e orar pelas suas almas.
E que o comunismo desapareça da História, pois só trouxe dor, tristeza e sofrimento a milhões de seres humanos…

Não se esqueça do meu blindado!

Estamos em abril, mas já quero aproveitar para ajudar os amigos que desejem me presentar no meu aniversário (8 de dezembro, anote aí!) ou no Natal (25 de dezembro, para quem não sabe!): já escolhi o que quero, e é simples de conseguir!

Quero um tanque de guerra russo, tudo bem? Existe na terra de Putin (gosto de Putin! Putin é KGB) uma “Associação de Veículos para Todos os Terrenos”, por meio da qual se pode adquirir veículos militares (como um tanque!). Para o site da Associação, clique aqui (está em russo, tudo bem?).

T-34 – coisa munita!

Assim, com quaisquer 200 mil dólares você pode adquirir um belíssimo T-34, o mais famoso blindado soviético da II Guerra Mundial (ou, se quiser usar o termo russo, da Grande Guerra Patriótica)!

20171111_160156

A descrição no site do T-34 é muito bacana, mais ou menos assim:

Modelo lendário T-34: características e vantagens de um tanque médio. O modelo T-34 pode ser chamado de lenda – é o tanque mais massivo da Segunda Guerra Mundial, que desempenhou um papel crucial em muitas batalhas. Ele começou a produção em massa em 1940, e até meados de 1944 foi o principal tanque do Exército Vermelho. Ao longo da história, a URSS produziu mais de 80 mil desses tanques, alguns dos quais chegaram aos nossos tempos. O tanque modelo T-34 é de interesse para colecionadores e amantes de veículos blindados históricos. Se desejar, você pode obter um carro lendário em boas condições: em movimento, customizado, mas tendo passado por um processo de desmilitarização.

Caso você, meu caro leitor e amigo, queira me presentear com alguns veículos mais modernos (se puder escolher, prefiro o T-34, que já foi muito testado inclusive contra Panzer), pode escolher um T-72 ou um T-80, ao precinho camarada – entendeu o trocadilho? – de 350 a 500 mil dólares! O que são alguns mil dólares para fazer o Joanisval feliz?

20171111_160001Faço um pequeno alerta: não compre munição! Os módulos de munição são removidos de todos esses blindados, de modo que o canhão de 125 mm não vai funcionar (o que, realmente, é uma pena!)… Tudo bem, cavalo dado…

Finalmente, e como sou boa pessoa, posso até arcar com o frete do bichinho! Só não me mande pelo correio porque ele pode desaparecer no caminho (como a grande maioria das encomendas que a gente ainda insiste em mandar!).

Então, quer fazer este ser humano feliz? Não se esqueça do meu blindado!

20171101_145537

Biden 2020

Resultado de imagem para joe bidenA imprensa noticiou há pouco que Joe Biden, que foi vice-presidente dos Estados Unidos no Governo Obama, será candidato em 2020 à Casa Branca! Biden é um sujeito equilibrado (já tinha ameaçado partir para as vias de fato com o um candidato republicano há alguns anos, salvo engano), e tem a experiência de ter sido vice de Obama (sem maiores comentários). Troquei uma vez rápidas palavras com ele, que usou meu telefone para fazer um selfie – e ele é bom de selfie!

Não sei se a candidatura de Biden decola, até porque, por mais que critiquem Trump por aqui, e apesar de um certo desgaste dele por lá, o fato é que a economia norte-americana vai bem (desemprego zero), e o atual presidente tem cumprido o que prometeu. Não vou me meter em política dos EUA, mas, como já assinalei aqui outras vezes, Donald Trump é, na minha humilde opinião, um bom presidente e melhor candidato que a grande maioria dos nomes democratas. 

De toda maneira, será interessante acompanhar as eleições estadunidense de 2020! As primárias começam daqui a pouco! Portanto, a conferir…

20161024_161325

Bibi continua…

Benjamin Netanyahu conquista seu quinto mandato como Chefe de Governo de Israel. Não governará só, entretanto.

De toda maneira, o Premier israelense é, sem sombra de dúvida, um gigante na política de seu país. Sua capacidade de articulação e liderança são invejáveis.

Apesar da vitória do Likud, a oposição conquistou importante número de cadeiras no Knesset. E, à frente da segunda força entre os partidos israelenses, certamente o General Benny Gantz não poderá ser desprezado…

Aguardemos o discurso da vitória de Bibi…

Parabéns aos israelenses pela festa da democracia!

Mais uma data a ser lembrada…

O dia 23 de março de 2019 é uma data que merece ser lembrada. Hoje, após anos de combates, a coalização ocidental que opera na Síria anunciou a queda de Baghuz, último reduto da organização que ficou conhecida como “o Estado Islâmico”, ou Daesh – passei a usar o termo Daesh, pois amigos árabes me disseram ser mais adequado.

Com a tomada da cidade pelas “Forças Democráticas Sírias” (FDS) – ou os “rebeldes moderados” tão aclamados por alguns meios aqui no Ocidente -, o projeto de poder de criação de um califado pelo Daesh fracassou. Até esse ponto, entretanto, foram muitos anos de dor, sofrimento, morte… Foram anos de violência exarcebada e de radicalismo, anos de imposição do terror a centenas de milhares pessoas… Sempre vale lembrar que o Daesh, conhecido pela extrema violência, dominou um território do tamanho do Estado de Minas Gerais, promovendo barbaridades que chocariam até membros de outras organizações terroristas. Esses fatos, certamente devem ser lembrados.

AFP Photo

Capture d’écran de la chaîne kurde Ronahi TV montrant les Forces démocratiques syriennes levant leur drapeau au sommet d’un bâtiment du dernier bastion de Daesh. AFP PHOTO / HO / RONAHI TV

Não entrarei neste post nas questões geopolíticas relacionadas à débacle do Estado Islâmico. Deixarei isso para publicações futuras. Mas lembro que a situação na Síria ainda não está totalmente pacificada. Convém que isso seja lembrado.

Agora acabou! Ao menos acabou a dominação do Daesh sobre milhares de seres humanos (sírios, curdos, iraquianos) de uma das regiões mais ricas em história e cultura no planeta. Acabou o osbcurantismo imposto pelo fundamentalismo religioso. Acabaram os estupros, o uso de escravas sexuais e como serviçais, as execuções em praça pública (transmitidas pela internet), o emprego de crianças para promover atrocidades, a violência contra homossexuais… Será que acabou mesmo?

Dificilmente a violência terá acabado para as populações que estiveram sob o jugo do Daesh nos últimos anos. Certamente ela diminuirá, esparamos que bastante. Mas os traumas físicos e psicológicos desse período de terror, de violações indescritíveis à dignidade humana, ainda continuarão com aquelas pessoas pelo resto da vida. Elas precisarão de cuidados, muitos e constantes cuidados. De toda maneira, a bandeira negra do Daesh não mais tremula naquelas cidades. Isso é algo que deve ser lembrado.

Reuters

Syrian Democratic Forces (SDF) fighters ride atop military vehicles as they celebrate victory in Raqqa, Syria, October 17, 2017. REUTERS/Erik De Castro

O fim da dominação do Daesh na Síria e no Iraque não é, inobstante, o fim da organização terrorista. Ainda há milhares de combatentes espalhados pela região e, pior, emigrando (alguns de volta) às cidades da Europa e das Américas. Com isso, o perigo de uma guerra nas sombras, com ataques no coração da civilização ocidental, permanece. A hidra teve suas cabeças cortadas, mas a experiência ensina que elas nascerão novamente. Eis um aspecto do esfacelamento do Daesh que deve ser lembrado.

De toda maneira, a data de hoje tem sua simbologia. Representa o fim do terror e possibilidade de uma nova vida para, repito, centenas de milhares de pessoas. Por aqui, importante ficarmos atentos. Mas, pelo momento, cabe comemorar e orar pelos mortos e pelos que enterraram seus mortos.

Continuar lendo

Últimas horas antes do fim…

Há exatos cem anos, centenas de milhares de homens, de distintas nacionalidades, viviam os momentos finais daquela que seria a maior guerra até então travada, com mais de 9 milhões de vidas ceifadas em quatro sangrentos anos…
Pelas regras do armistício celebrado algumas horas antes, os combates cessariam à décima-primeira hora do décimo-primeiro dia do décimo-primeiro mês do quarto ano da Grande Guerra (ou seja, às 11:00 de 11/11/1918)…
Fico imaginando o que deveria se passar pela cabeça daqueles homens, em especial dos que estavam no front… Medo de ser uma das últimas baixas do conflito? Ansiedade pelo fim dos combates? Vontade de voltar para casa? Alívio por ter sobrevivido? Tristeza pelos tantos camaradas perdidos?
Lembrar do armistício de 1918 em seu centenário é render a justa homenagem a toda uma geração de homens e mulheres fortes e que foram protagonistas de um dos momentos mais nefastos e importantes da história da humanidade.
Cinco gerações se passaram… Muitos, muitos mesmo, não têm a menor ideia do que foi a Grande Guerra…
Eu, ao contrário, não consigo pensar em nada mais que naquelas pessoas que, há cem anos, aguardavam o fim do conflito que envolveu todos os continentes.
Que sua memória possa ser preservada, e que seu sacrifício seja sempre lembrado!

————————-   x    ————————

Com esta publicação sobre o Armistício que pôs fim à Grande Guerra, retomamos as atividades de Frumentarius… Estamos de volta!

 

Ataques em Munique

Tiroteio em Munique. Há ao menos três mortos. Parece ser mais de um atirador. Eu já venho cantando esta pedra há algum tempo. Pânico generalizado. Serviços de transporte parados. Comunicações prejudicas.

Vale lembrar que a cidade de Munique entrou para história do terrorismo quando, durante os Jogos Olímpicos de 1972, terroristas tomaram como reféns membros da delegação israelense, que acabaram mortos na tentativa de resgate.

Como diz meu amigo Adriano Barbosa, um país pode ser base, alvo ou palco de ações terroristas… ou os três também. E o terrorismo internacional pode escolher qualquer lugar, inclusive onde menos se espera que ocorram atentados.Assim, é importante estar vigilante. Afinal, depois que a vidraça é quebrada, muito pouco pode ser feito…

 Süddeutsche Zeitung – 22. Juli 2016, 21:04 Uhr Schüsse

Polizei: “Akute Terrorlage” in München – mehrere Tote, Stadt in Ausnahmezustand

  • Bei einer Schießerei im und am Münchner Olympia-Einkaufszentrum sind mindestens sieben Menschen getötet worden, weitere wurden verletzt.
  • Drei Täter mit Langwaffen sind laut Polizei auf der Flucht.
  • “Akute Terrorlage” ausgerufen.
  • Der komplette öffentliche Nahverkehr ist eingestellt.
  • Das Krankenhaus Schwabing bereitet sich auf die Aufnahme von Verletzten vor. Auch im Klinikum Rechts der Isar ist der Katastrophenalarm ausgerufen worden. Offenbar müssen alle Ärzte einrücken.

http://www.sueddeutsche.de/muenchen/schuesse-polizei-akute-terrorlage-in-muenchen-mehrere-tote-stadt-in-ausnahmezustand-1.3091576

Terrorism in Brazil: Brazilian Federal Police arrests supposed terrorists

The Brazilian Federal Police has arrested 10 people supposed to be linked to Daesh in Brazil. According to the Minister of Justice, who talks now to the press, it is a terrorist cell. They are Brazilians.

That’s Brazilian entering in the world targets group…

MJ

 

Prisão de grupo que pretendia praticar atos de terror no Brasil

Voltando de férias. Comentarei alguns acontecimentos das últimas semanas nos próximos dias. Mas já gostaria de registrar essa primeira prisão com base na lei antiterrorismo brasileira. Parabéns ao DPF!

PF prende grupo que preparava atos de terror na Olimpíada

Por Lauro Jardim, 21/07/2016, 10:59

A Polícia Federal realizou a primeira prisão com base na lei antiterror.

Foi preso um grupo que já estava em atos preparatórios para ações terroristas durante a  Olimpíada.

As prisões foram feitas em São Paulo e Paraná. O grupo foi recrutado pelo Estado Islâmico pela internet. Entre os presos, um menor de idade.

O ministro Alexandre de Moraes vai detalhar o ocorrido ainda hoje numa entrevista.

Fonte: http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/pf-prende-grupo-que-preparava-atos-de-terror-na-olimpiada.html?utm_source=Facebook&utm_medium=Social&utm_campaign=O%20Globo