20. O Segundo Grau e a primeira grande frustração (17/11/2014)

Não deixe as frustrações dominarem você, domine-as. Faça dos erros uma oportunidade para crescer. Na vida, erra quem não sabe lidar com seus fracassos.
Augusto Cury

A passagem do Primeiro para o Segundo Grau (hoje chamado de Ensino Médio) foi um momento importante para mim. Afinal, saia eu de uma escola pública (meu querido Centro de Ensino 03 de Sobradinho), a 7 minutos a pé lá de casa, para uma escola grande do Plano Piloto, em outra cidade, com pessoas desconhecidas de um ambiente social, econômico e cultural bem distinto do meu. Ademais, por ter adiantado dois anos na escola, iria começar meu primeiro ano do segundo grau com recém-completos 14 anos – criança de tudo! Mas meus pais acreditavam que a melhor preparação deveria ocorrer em uma escola do Plano Piloto… e lá fui eu estudar no Centro Educacional Católica de Brasília!

Por que a Católica? A resposta é pragmática: primeiro, porque meus pais tinham um amigo cujo filho já estudava lá (iria para o terceiro ano) e eu poderia ir de carona com eles para o colégio (evitava pegar ônibus na ida, portanto); em segundo lugar, e mais importante, porque fiz provas admissionais e ganhei uma bolsa de estudos para aquela escola (meus pais teriam grande dificuldade de pagar o colégio se não fosse assim). E lá fui eu (acho que já disse isso)!

Confesso que o começo foi assustador. Fisicamente, a Católica era um prédio grandioso! Três andares, grandes corredores, um pátio gigantesco! Afinal, a estrutura era de uma instituição de ensino superior – onde funcionava nossa escola durante o dia, à noite era a tradicional Faculdade Católica de Brasília (que depois seria transferida para a cidade de Taguatinga, em um campus enorme e se tornaria a primeira universidade privada do Distrito Federal). E eu, que vinha de uma pequena escola de cidade satélite (com, se não me engano, cinco pavilhões), sentia-me miudinho naquela instituição… algo parecido com o pobre lavrador que entra em uma catedral medieval…

Também não conhecia ninguém na minha sala. E aí as preocupações de todo adolescente recém-chegado em um grupo afloravam: “será que seria aceito? Como seriam os colegas? Mas e as nossas diferenças econômicas e sociais? Permaneceria isolado o resto da minha existência?” Felizmente, a relação com a turma superou minhas expectativas: o pessoal era simpático, amigo e logo estava integrado ao grupo! De fato, era um dos mais novos e mais baixinhos da turma, de modo que acabei, creio, sendo acolhido quase que como mascote… E dali surgiram boas amizades!

Claro que a época de segundo grau deixa saudades! As brincadeiras (e as brigas) em sala de aula, os professores, com suas peculiaridades (e como a turma aprontava com os professores!), as provas terríveis! E o que dizer dos passeios em grupo!?! (Uma vez fomos a uma caverna em Minas Gerais, com o Cleiton, professor de Matemática, mas sem equipamentos apropriados… nunca me esquecerei de nós entrando naquele buraco e depois tentado sair da caverna, sem uma percepção clara do perigo que corríamos). E havia os apelidos, as conversas durante o intervalo, os grupos que se formavam, as paixões platônicas (sempre fui tímido), as amizades eternas (enquanto durassem). Tinha também a “volta olímpica” que fazia, já no segundo ano, algumas vezes com meu amigo Delano Ferraz, cumprimentando e falando com todo mundo do colégio na hora do recreio! Enfim, até que nos divertíamos!

Fiquei dois anos na Católica. Em meados do segundo ano, uma situação tremendamente desconfortável me levou a decidir pela saída da instituição. Fui buscar essa história lá no passado, e a desenterrei para compartilhar com os amigos, pois foi uma grande frustração. Naqueles dias, a Católica foi chamada a enviar um de seus alunos para um programa promovido por uma das agências da Organização das Nações Unidas pelo continente americano[1]… Era uma viagem com tudo pago por diversos países, oportunidade única para o agraciado. A escolha do aluno se basearia no histórico acadêmico e nas notas… Sem dúvida, algo fascinante!

Para minha surpresa, fui selecionado! A alegria foi imensa! Afinal, o esforço pessoal era recompensado! E, para um garoto de família simples, que nunca teria qualquer condição de fazer uma viagem como aquela, era algo realmente inimaginável e grandioso! A turma, até onde me lembro, ficou contente com a escolha de meu nome! Era querido pelos colegas e alguns conheciam minha situação. Seria a viagem da minha vida!

A vida, porém, prega peças. Algumas semanas antes da partida, fui chamado à direção para conversar. Nunca esquecerei o episódio: secamente, em sem grandes justificativas, informaram-me que não seria eu mais quem iria participar do programa, mas um outro colega de minha turma. Ainda dói quando lembro disso, pois me senti preterido, destratado, desprezado pela escola de que tanto gostava! Sentia-me um lixo! E o pior, a decisão fora sem qualquer justificativa. Depois descobriria que o garoto era filho de uma autoridade… O único sentimento que me preenchia: frustração. Chorei, fiquei muito triste, deprimido mesmo. E aquela foi minha primeira grande decepção na vida.

Tentando recordar o episódio (e, muitos anos depois, conversando com alguns colegas da época), lembro que houve gente em minha turma que, quando soube do que ocorrera, ficou revoltada com a situação. A sensação de injustiça imperou nos colegas de sala, adolescentes que, como eu, não entendiam o significado da palavra desigualdade… Para piorar a situação, o garoto, Henrique era seu nome (sei o nome completo, mas não há necessidade de contá-lo), a quem até considerava um amigo, não era muito querido da turma, pois se mostrava pedante e rude algumas vezes.

Dentre os professores, houve quem me defendesse e reclamasse contra a injustiça. Outros, porém, decepcionaram-me, trabalhando nos bastidores pelo “rearranjo” em favor do Henrique. Isso certamente contribuiu para minha decisão de ir embora. No final das contas, o colega acabou viajando e participando do programa. Depois desse episódio, perdi completamente a vontade de permanecer na Católica.

Acho que esse foi o acontecimento que mais me deixou marcas do meu Segundo Grau. Para uma criança (e eu era uma criança), foi algo tremendamente frustrante essa primeira lição de injustiça. Hoje percebo que foi útil para meu aprendizado e para o valor que dou ao mérito e às pessoas pelo que são, e não por seus vínculos familiares ou por terem bons “padrinhos”. Nesse sentido, tomei consciência de que, por vir de família simples e ser “pagão” (não ter padrinhos influentes), teria que lutar para vencer na vida e que só poderia contar comigo mesmo para isso. E, se a vida é feita de injustiças, paciência! Faria do limão uma limonada, sempre!

Nunca havia comentado essa história com ninguém além de umas três ou quatro pessoas que, por serem meus colegas da época, vivenciaram meu sofrimento. Nem em casa se sabia da dimensão completa do episódio. Afinal, sempre fui muito reservado com meus sentimentos. Entretanto, faltando 21 dias para meu aniversário, achei por bem compartilhar o episódio nestas crônicas dos meus 40 anos. O melhor de tudo é que esses acontecimentos são, definitivamente, passado.

O que não é passado do meu período na Católica são as experiências de vida e, sobretudo, as amizades que cultivei naquele colégio. Sim! Fiz realmente bons amigos, que tive a mui feliz oportunidade de reencontrar aqui pelas redes sociais, depois de mais de 20 anos! A acepção de que o tempo é relativo pode ser fortemente confirmada em virtude da amizade! Não importa quanto tempo passe, quando se tem bons amigos, esse tempo, realmente, não tem qualquer importância.

Quero deixar aqui meu abraço fraterno aos colegas e amigos que fiz na Católica! Saibam que vocês foram tremendamente importantes para aquele garoto que descobria o mundo! Obrigado mesmo! Estão na minha memória e no meu coração, como parte expressiva dos meus primeiros quarenta anos de vida!

PS: só consegui colocar esta foto. Postarei outras em nosso grupo fechado da Católica.

[1] Depois, minha amiga Milene Martins dos Reis, ao ler meu texto, informou-me que não se tratava de um programa da ONU, mas sim era promovido pela Embaixada da Espanha. Chamava-se “Aventura 92”, e ocorria em comemoração aos 500 anos do descobrimento da América.

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Mais sobre o etarra capturado no Rio…

Agora a fonte é o El País, da Espanha, já que foi feita a observação – tremendamente pertinente, por sinal – de que a imprensa por aqui não transmite corretamente a informação. De fato, Vizán ainda não foi condenado pela Justiça espanhola. Entretanto, há uma ordem de prisão contra ele. Ademais, participa(va) de um comando armado do ETA e teria executado atos terroristas, inclusive contra agentes do Estado espanhóis. Estava foragido e escondia-se no Brasil. Deve, portanto, ser levado perante a Corte espanhola para responder por seus atos.

Não existe justificativa para terrorismo, tampouco para o recurso a meios ilegais e ilegítimos (uso da violência e da luta armada, por exemplo) para derrubar um regime ou lutar contra um governo democrático, como é o caso do Reino da Espanha.

Detenido en Río de Janeiro un etarra huido desde 1991

Joseba Gozton Vizán supuestamente colaboró en la dirección de la banda 

Joseba Gotzon Vizan González (d) es escoltado por un miembro de la Policía Federal hoy. /ANTONIO LACERDA (EFE)

El presunto etarra Joseba Gozton Vizán González, Pocholín, ha sido detenido a las 12.30 de la mañana de hoy, viernes, en Río de Janeiro (Brasil) por la policía brasileña gracias a las investigaciones realizadas por la Comisaría General de Información española. Se trata de la tercera detención en lo que llevamos de año y la número 36 desde el inicio de la presente Legislatura.

Nacido en Basauri (Vizcaya) el 7 de mayo de 1959, estaba reclamado por la Audiencia Nacional por los delitos de atentado, asesinato, pertenencia y colaboración con banda armada, según fuentes policiales. Tras huir de España en 1991 por la desarticulación del comando Vizcaya, se escondió en Francia y supuestamente colaboró con la dirección de ETA. Hace unos años se le perdió la pista y se ocultó en América. Pasó varios años en Brasil con documentación falsa facilitada por la organización terrorista. Continuar lendo

O caso do terrorista do ETA capturado no Brasil

terrorista ETA brasilInteressante… Não tinham dito que não havia terrorista no Brasil? Pois é, quero ver como ficam aqueles que têm negado a presença de membros de organizações terroristas no País. Algumas observações a respeito:

1) Ao contrário do que noticiaram alguns meios, o sujeito não é “acusado” de terrorismo. Ele é terrorista, com todas as letras, autor de atos de terror e condenado por terrorismo!

2) Estava vivendo tranqüilamente no Brasil desde 1996…

3) Ingenuidade pensar que ele seja o único por essas terras… Se bem que, aqui em Pindorama, costuma-se acolher esse tipo de criminoso, sobretudo se for amigo de gente influente, não é, signori Battisti?!?

4) Claro que isso não deve ser motivo de qualquer preocupação diante dos grandes eventos que sediaremos em um futuro próximo… ao menos é que seguem afirmando alguns “especialistas”…

Só sei de uma coisa: D’us nos ajude!

PS: Um abraço aos amigos do DPF e parabéns pela captura do criminoso! Abraço a meu caríssimo Valmir Lemos de Oliveira!

G1.globo.com – 18/01/2013

Terrorista espanhol preso no Rio era professor de idiomas na Zona Sul

Crime de Joseba Gotzon González iria prescrever em 1 semana, diz PF. Foragido era ligado ao ETA e usava nome de outro espanhol no país.

 Tássia ThumDo G1 Rio

A uma semana de prescrever o crime, o terrorista do grupo basco separatista ETA Joseba Gotzon Vizan González foi preso nesta sexta-feira (18), próximo à casa onde vivia com a mulher e o filho, na Glória, Zona Sul do Rio de Janeiro. Ele trabalhava como professor de espanhol e tradutor em um curso de idiomas. Continuar lendo

Depois vão chorar por ela…

Não se conformando em provocar a Grã-Bretanha com a questão das Falklands, Cristina agora resolveu arranjar confusão com a Espanha… e com a União Européia a reboque. 

Por que Kirchner resolveu criar caso com a União Européia? Seria para desviar a atenção da opinião pública argentina dos problemas internos? Ou para melhorar a auto-estima de los hermanos que anda baixa? Espera contar com apoio das  nações do continente ou ao menos dos parceiros do Mercosul? Ou ainda porque o bom e velho orgulho argentino não poderia continuar maculado por mais tempo? Bom, a resposta deve ser por tudo isso e mais um pouco…

Parece que Cristina não aprendeu com os erros de Galtieri, de trinta anos passados… Se continuar com essa política, a situação pode sair ao controle… Há sempre o risco, inclusive, de respingar no Mercosul (Merco… o quê?)… E daí para o melodrama se tornar uma coisa mais séria… Não digam que não avisei!

La UE carga contra Argentina por YPF y abre la puerta a represalias

España pretende que la Comisión no descarte las subidas arancelarias

 El País  Bruselas 18 ABR 2012 – 20:48 CET1909

La ofensiva europea contra Argentina toma cuerpo. La Comisión Europea (el brazo ejecutivo de la Unión) cargó este miércoles con dureza contra laexpropiación de la petrolera YPF a Repsol. La batalla en los tribunales se adivina larga: muy larga, repleta de recovecos jurídicos. Consciente de que la política es capaz de derrumbar puertas cerradas bajo siete llaves, el Gobierno presiona para que los socios europeos arropen las aspiraciones españolas por la vía diplomática, con las consabidas protestas y la suspensión de misiones europeas a Buenos Aires. Y tal vez con algo más rotundo: el objetivo es que Bruselas no descarte ir más allá de las palabras y amenace con represalias. Continuar lendo

Cumpleaños del Rey

No último dia 5, fez aniversário Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias, mais conhecido como Juan Carlos I da Espanha. Sua Majestade nasceu no exílio em 1938, durante os tenebrosos tempos da malfadada república espanhola.

Preparado desde muito jovem para assumir o trono com o fim do regime franquista, Juan Carlos tornou-se rei dos espanhóis em 1975 e conduziu com muita habilidade a transição para a democracia. O respeito de seu povo foi ganho com o talento de conduzir como monarca constitucional, inclusive por ocasião da tentativa de golpe de 1981, debelada pelo próprio rei.

Indiscutivelmente, Juan Carlos é um dos líderes internacionais mais respeitados e um monarca amado por seu povo (no campo internacional, a melhor lembrança que tenho dele foi o “por que não te calas!?!” dito a Chávez, que fez com a pseudorreincarnação bolivariana se recolhesse a sua insignificância). De fato, a Espanha é um ótimo exemplo de monarquia moderna e próspera, funcionando (muito bem, obrigado!) neste início de século. 

Para acessar a Casa Real espanhola, clique aqui. Ok, estou monarquicamente inspirado hoje… Se você não gostou dos posts monarquistas, problema seu…

Dissolução do Parlamento na Espanha

Muito bem, Zapatero decidiu dissolver o Parlamento (ou melhor, “as Cortes” – muito bacana essa monarquia!) e as eleições foram marcadas para 20 de novembro. A crise européia começa a fazer as primeiras vítimas entre os PIGS.

Para o link do El País com a cobertura das eleições na Espanha, clique aqui. Será que a direita volta?

El presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero, en el Congreso (EFE)

El presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero, en el Congreso (EFE)

Una legislatura negra

La crisis, los recortes sociales y la soledad parlamentaria han marcado los cuatro últimos años

El tiempo de descuento se acabó. La anticipación de las elecciones generales culmina cuatro años de convulsiones políticas marcados por la voracidad de la crisis, los recortes sociales, la irrupción de Bildu, y la renuncia del líder socialista a encabezar la legislatura de su partido, que se desploma en las encuestas. Fin de la legislatura horribilis. Continuar lendo