Artilharia e Cultura (Operação Outubro Vermelho)

Ainda sem os demais integrantes do grupo, Adriana, Gustavo e eu seguimos a explorar a bela São Petersburgo. Aquele seria um dia cheio e muito andaríamos, daí a importância de começar nossa jornada com um lauto café da manhã – obrigado, Pai, pelo excelente desjejum no restaurante do hotel!

Já de posse de nossos bilhetes de metrô, fomos explorar a cidade de Pedro. A circulação é simples, e se torna mais fácil quando se tem um smartphone com internet. E seguimos a apreciar os monumentos e belos edifícios da antiga capital, e a andar pelas ruas que contavam muitas histórias, enquanto ríamos, tirávamos belas fotos e imaginávamos quanta gente interessante não teria feito aqueles caminhos pelos quais passávamos!

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São Petersburgo, repito, tem inúmeras atrações, de suntuosos monumentos a grandes museus, representando diferentes épocas da história da Rússia, seja o tempo dos czares, sejam os nefastos anos do comunismo. Naturalmente, como não somos turistas comuns, elegemos um museu que é imperdível para quem se interessa por assuntos militares e pela história das guerras: o Museu Militar e Histórico de Artilharia, Engenharia Militar e Tropas de Comunicação – Военно-исторический музей артиллерии, инженерных войск и войск связи (esse é o nome completo do lugar) ou, simplesmente, Museu da Artilharia de São Petersburgo!

Fundado por Pedro I, o Grande, em 1703 já como um Arsenal (depósito de armas), o museu se localiza em uma antiga fundição, no centro histórico da cidade (no número 7, em Aleksandrovsky Park), separado da Fortaleza de São Pedro e São Paulo por um canal. As estações de metrô mais próximas são as de Gorkovskaya e Sportivnaya. Desça em qualquer delas e aproveite uns dez minutos de caminhada!

Quando o visitante chega ao museu, já se depara, logo de cara, com o jardim, no qual estão dezenas de blindados, lançadores de mísseis, canhões de distintos calibres e uma diversidade de veículos militares. Isso é só o prenúncio dos 850.000 objetos que estão ali expostos, em diversas coleções, nas 13 salas que abrangem uma área de 17 mil metros quadrados. Gustavo logo fez amizade com um soldado russo e lá fomos nós tirar foto numa peça (ou canhão, para os leigos) – a propósito, meu amigo paulista tem uma grande capacidade de socialização, o que nos ajudava muito com os locais!

Entre as exposições, você encontrará armas de fogo e brancas, petrechos, munição, os mais distintos equipamentos militares e de engenharia de diversas épocas, material de comunicações, bandeiras, uniformes, pinturas e mapas, condecorações e peças que contam a história da artilharia entre os séculos XIV e XXI (inclusive com uma sala dedicada aos arsenais soviéticos e à Guerra Fria). Quando lá estivemos, havia uma exposição especial sobre os eventos de outro de 1917, com muitas fotos de época – e foi possível perceber como estava frio por ocasião do golpe bolchevique e das semanas que se seguiram ao fim do Governo Provisório (nem de longe uma temperatura tão agradável quanto a que vivenciamos cem anos depois).

Prepare-se para passar algumas horas ali dentro, imerso naquele parque de diversões dos apreciadores da engenhosidade militar e do talento humano para forjar armas! Dos canhões de Pedro I aos troféus conquistados de turcos, franceses e alemães ao longo de mais de 200 anos, passando pelos lançadores de foguete Katiusha, usados durante a II Guerra Mundial (os famosos órgãos de Stálin), tenho certeza de que você esquecerá do tempo no Museu da Artilharia. Há ainda uma exposição muito bacana sobre um certo Mikhail Kalashnikov, criador do fuzil mais famoso da história, o AK-47. E, antes de ir embora, lembre-se de dar um pulo na “lojinha” (não vai se arrepender)!

Passamos os três momentos agradabilíssimos no Museu da Artilharia, lugar imperdível da Capital do Norte. Terminamos o dia voltando a pé para o hotel, pelo centro histórico, aproveitando uma noite bonita e a temperatura de 3º (três graus) por sobre as pontes que cruzam os canais daquela cidade fascinante, fruto do sonho de um homem que quis levar a Rússia ao Ocidente! 

Em tempo: quanto é a entrada para o Museu? A inteira era de 400 rublos (uns 25 reais no câmbio de agosto de 2019). Vale muito a pena!

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