Inverno de ódio

Ainda como consequência do que se cunhou chamar de Primavera Árabe, e que eu prefiro chamar de “o Levante”, aumentou significativamente a instabilidade no Norte da África e no Oriente Médio nos últimos dias. Pessoas na rua protestando, atacando missões diplomáticas e consulados, gritando palavras de ordem contra Israel e Estados Unidos, queimando bandeiras… Enfim, a efetivação do que para alguns a “consolidação da democracia no mundo árabe/muçulmano”…

Realmente, os ventos democráticos da bela Primavera Árabe, cantada em verso e prosa em diversas partes do globo (sobretudo aqui no Ocidente), sopram com intensidade nas terras do Islã. Na Líbia, quase um ano após a deposição e execução de Muamar Kadafi, permanece o clima de insegurança, associado à disputa pelo poder em um país arrasado pela guerra civil. O fortalecimento do fundamentalismo religioso e de grupos antiocidentais culminou no ataque ao consulado dos Estados Unidos em Benghazi e no assassinato, por extremistas, do Embaixador estadunidense, Christopher Stevens, e de outros três funcionários diplomáticos, além de mais de uma dezena de feridos. Desde 1979 um plenipotenciário norte-americano não havia sido morto em serviço. O trágico evento afeta diretamente as relações entre a Líbia e os Estados Unidos, e pode mesmo influenciar a disputa eleitoral pela Casa Branca. A oposição já cobra medidas mais enérgicas de Barack Obama, que se vê em situação extremamente delicada na reta final da campanha…

Os acontecimentos na Líbia estão relacionados à onda de protestos no mundo árabe em decorrência de um vídeo produzido nos Estados Unidos e ofensivo ao Profeta Maomé. Trata-se de um vídeo de extremo, extremíssimo péssimo gosto, feito, de acordo com as autoridades americanas, por um estelionatário que ganhou notoriedade da noite para o dia com ofensas gratuitas à segunda maior religião do globo. Note-se que foi um ato isolado de um criminoso, nada tendo a ver com o governo dos Estados Unidos.

Em que pese o deplorável vídeo, não me venham com argumentos de que se tem aí uma justificativa para todos esses protestos e explosões de violência no mundo islâmico. Não, não se justificam. Se um cristão resolvesse atacar cada pascácio que fizesse uma piada deplorável contra o cristianismo, ou um judeu resolvesse agredir todo mentecapto que viesse com comentários preconceituosos e ofensivos ao judaísmo, o mundo já teria implodido… Nesse caso, intolerância não pode ser motivo para mais intolerância.

Mas, no Islã, diriam alguns, a coisa parece ser diferente… Manifestações contra representações diplomáticas estadunidenses ocorreram também em outros países de maioria muçulmana, entre os quais Bangladesh, Egito, Tunísia, Marrocos, Iêmen, Iraque e Irã, Sudão e até em Israel (sim, é assim que acontece numa democracia), porém nenhuma tão grave quanto a de Benghazi. O que se evidencia disso tudo é muito mais um pretexto que se encontrou no tal vídeo para uma explosão de descontentamento da parte de milhares de pessoas que vivem em péssimas condições. Sob a camada do protesto de motivação religiosa, estão sentimentos de revolta contra a ordem ali estabelecida e contra tudo que represente aquilo que a maior parte realmente almeja: paz, segurança para tocar a vida e, naturalmente, os benefícios do desenvolvimento. Isso é humano: ao não terem a vida que desejam (e, indiscutivelmente, os padrões econômicos e sociais da América do Norte e da Europa Ocidental são ansiados em todo o mundo), as pessoas acabam se revoltando e buscando bodes expiatórios (algo com a raposa e as uvas). Bom, mas não vou discutir psicologia de massa aqui…

Registro meu repúdio a essas manifestações. Absurdo total a agressão a representações de um país por ações de particulares… O que tem o governo dos EUA (ou da Grã-Bretanha ou o da Alemanha, que acabou de ter sua embaixada atacada no Egito) com um vídeo produzido por um pacóvio? Se assim o fosse, nós ocidentais deveríamos partir para cima de toda nação em que cidadãos se manifestassem contra o Ocidente. Sinceramente, não tenho paciência para esse tipo de coisa…

Voltando à política internacional, esses eventos podem repercutir em uma mudança de percepção dos Estados Unidos (ou da opinião pública e, consequentemente do eleitorado estadunidense) com relação à chamada Primavera Árabe. Note-se que, por exemplo, na Líbia, Egito e Tunísia, regimes seculares foram substituídos por governos sob influência fundamentalista (em alguns casos até com extremistas religiosos em sua composição) e com severas críticas a países ocidentais.

O que mudou no Egito, depois da queda de Mubarack? O país continua em crise, os militares no poder, a população protestando… Ah, sim! Mudou alguma coisa: os egípcios caminham para um governo mais extremista e hostil aos EUA e aos valores ocidentais (bom, né?). Minha viagem do próximo ano para conhecer aquele belo país do Norte da África acabou prejudicada, assim como a principal fonte de recursos do Egito, o turismo. Enfim, salvo por alguns poucos que assumiram o poder no lugar do sucessor Sadat, a tal da “democracia” conquistada na “Primavera Árabe” não beneficiou muita gente, permanecendo a maior parte da população na mesma penúria.

Também como consequência do Levante iniciado no ano passado, a guerra civil prossegue na Síria. Apesar de pressão da comunidade internacional, o regime de Damasco ainda se sustenta, particularmente devido ao apoio de russos e chineses. Como venho insistindo desde sempre, enquanto tiver as graças do Kremlin, o atual regime sírio se sustenta. E, tomando o exemplo do que já aconteceu em outros lugares, será que se teria uma Síria mais estável sem Assad? Não me parece… A queda do atual Presidente sírio só provocaria mais crise e instabilidade, e isso em uma área muito mais estratégica e sensível que o Norte da África.

Chegando ao Golfo, as relações entre potências ocidentais e o Irã têm-se agravado. Recentemente, o Canadá rompeu relações diplomáticas com Teerã (vide posts anteriores). Em nota oficial, Ottawa assinalou que o governo iraniano é “atualmente, a mais significativa ameaça à paz global à segurança no mundo”. A resposta de Teerã foi no sentido de que o Canadá tem tomado numerosas medidas para hostilizar o país dos aiatolás, acusando-se o governo canadense de “racista” e de “seguir a política sionista do Reino Unido”. Coisa boa não sairá daí…

Todos esses eventos assinalam um aumento da insegurança global. Merece atenção um possível aumento de ações terroristas contra alvos ocidentais, paralelamente ao endurecimento nas relações entre potências ocidentais e países islâmicos. A situação conflituosa pode alcançar diferentes partes do globo, inclusive regiões sem envolvimento direto com a crise, como a América Latina. É recomendável que as autoridades brasileiras estejam atentas a esses desdobramentos.

Em tempo: sei que é verão no Hemisfério Norte. Entretanto, assim como aconteceu com a primavera da democracia, o inverno do ódio infelizmente se prolonga no mundo islâmico…

 

EUA esperam que Rússia rompa com Assad… Esperem sentados, tá?!?

Matéria publicada pela Ria Novosti no último dia 30… Parece notícia da época da Guerra Fria… E deve ser mesmo! A negociação terá que ser muito boa para fazer os russos (e os chineses – o velho Kissinger tinha razão!) assumirem uma nova posição frente ao regime de Assad. Ademais, a Síria está perto demais da Rússia para simplesmente sair de sua esfera de influência. Até o momento, a única maneira que vejo de Assad cair por um acordo é encontrarem alguém de confiança de Moscou para substituí-lo. Ou seja, se Assad cair é porque o Kremlin o derrubou (e terá colocado um homem seu no lugar dele)… E, reitero, ainda têm que negociar com os chineses também!

RIA Novosti

United States Expects Russia to ‘Break with Assad’

02:37 30/08/2012

The United States would like Russia to clearly state that it will stop supplying Syrian President Bashar al-Assad’s regime with weapons, a spokeswoman for the U.S. State Department said in a statement on Wednesday. Continuar lendo

Um ataque árabe à Síria não é opção… ainda!

Publicado hoje pela Ria Novosti… Apesar das palavras do novo enviado da ONU para a Síria, três aspectos da matéria chamam a atenção:

1) Foi matéria de “primeira página” no meio russo, o que significa que Moscou continua de olho na situação. As autoridades russas têm repetido esse mantra de oposição a qualquer medida de força de potências externas contra o regime de Assad. E, repetirei sempre, enquanto tiver o apoio do Kremlin (e dos chineses), Assad permanece no poder. O problema é até quando a Rússia seguirá com essa posição.

2) A experiência tem demonstrado que é bom ficar desconfiado desse tipo de discurso demasiadamente eloqüente, do tipo “impossível, não é opção, inaceitável”. Geralmente, quando uma autoridade do porte de Brahimi diz isso, a interpretação pode ser “estamos prontos para atacar a Síria… falta só dobrar os russos”.

3) Ainda não apareceu liderança com capacidade de substituir Assad… E a Síria fica numa região bem mais estratégica e sensível que a Líbia para simplesmente derrubarem o homem (como fizeram com Kadafi) e colocarem “não-sei-quem” no lugar dele. Isso sem falar dos arsenais de armas químicas em poder dos sírios e da proximidade com Iraque, Turquia e, obviamente, Israel. O que estou dizendo é que ao menos Assad se conhece…

De toda maneira, o conflito já segue por muito tempo e, pelo visto, Assad está conseguindo lidar bem com a situação (da maneira dele, claro). Mas que a pressão externa é significativa, ah isso é! Continuamos de olho…

RIA Novosti

Arab Invasion in Syria ‘Not an Option’ – UN Envoy

18:20 02/09/2012

A military intervention in Syria by Arab forces is not on the cards, Lakhdar Brahimi, United Nations’ new envoy to the war-torn country, said on Sunday.

“A military interference in Syria means failure of diplomatic efforts,” Brahimi said in an interview to Al Arabiya television. Continuar lendo

Resultado das eleições presidenciais no Egito

A Irmandade Muçulmana ganhou a eleição presidencial no Egito! A vitória de Mohammed Morsi deu-se, entretanto, por menos de um milhão de votos (em um país de 85 milhões de habitantes). A situação é preocupante, pois há o risco de radicalização no mais importante país árabe. Segue uma análise israelense do resultado da eleição. Deixo meus comentários para mais adiante. Parei por hoje.

Despite win, Egypt’s new president will have his hands tied

The Muslim Brotherhood has won the presidency and nearly half the seats in the Egyptian parliament, but it will still have to tread lightly with its domestic and foreign policies.

Haaretz.com By Zvi Bar’el     |      Jun.25, 2012 | 2:05 AM

The commotion was expected. As soon as Farouk Sultan, the chairman of Egypt’s election committee, began reading out loud on live television the number of votes received by Mohammed Morsi, the country’s first Islamist president ‏(more than 13 million‏), the crowd stopped him with their loud shouts − some of them happy and some angry. Continuar lendo

Acabou a “Era Mubarak” no Egito?

Podem até ter condenado o velho Muba, mas concordo com o enviado de Moscou ao continente africano: só se vai saber realmente se a “Era Mubarak” acabou depois do segundo turno das eleições presidenciais egípcias. Afinal, Ahmed Shafiq (ex-ministro de Mubarak) ainda está no páreo contra Mohammed Morsi (da Irmandade Muçulmana). E, a bem da verdade, será que o Exército deixou de mandar no país? Sei não, mas essa “primavera áreabe” (que prefiro chamar de “o Levante”) pode ter resultados muito aquém dos esperados (ao menos para o Egito)…

Margelov: Mubarak’s Epoch Not Over Until Presidential Runoff

Ria Novosti – 03:26 03/06/2012

Life imprisonment of former Egyptian president Hosni Mubarak does not mean that his epoch in the country is over, Mikhail Margelov, the Russian presidential envoy to Africa, said.

The Cairo Criminal Court sentenced Mubarak, who ruled Egypt between 1981 and 2001, to life imprisonment on Saturday as he was found guilty of deaths of protesters during an uprising in January of 2011. Continuar lendo

O que fazer para convencer os russos?

Quando os russos retirarem seu apoio a Damasco, Assad cai. Isso é fato. O que ainda não está claro, porém, é o que Moscou vai querer das Potências Ocidentais em troca. Claro que Putin vai retirar o apoio a Assad… desde que a Rússia ganhe alguma coisa com isso. É assim que funciona a política internacional, simples simples…

Der Spiegel online – 05/31/2012 12:44 PM

Outrage over Houla Massacre: Merkel and Hollande to Challenge Russia over Syria

 By Benjamin Bidder  in Moscow

Vladimir Putin was hoping to address mainly economic issues when he visits Berlin and Paris on Friday. But the recent massacre in Houla will give the ongoing Syrian conflict a prominent place on the agenda. Russia’s president continues to resist efforts to counter the Assad regime, but the pressure on him is mounting. Continuar lendo

O Egito e a incompreensível democracia

Pouco mais de um anos após o início do Levante no Egito e a queda de Mubarak, a população vai às urnas e dois candidatos se preparam para disputar o segundo turno: Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana; e Ahmed Shafiq, ex-Primeiro Ministro e autoridade do regime de Mubarak. Os resultados revelam algumas coisas:

1) O baixo comparecimento da população às urnas poderia significar que os egípcios não consideram tão importante essas eleições? Ter-se-ia aí uma evidência de que, na percepção do homem comum, pouca coisa mudou ou vai mudar, independentemente de quem vier a ocupar a cadeira presidencial?

2) A Irmandade Muçulmana, apesar da vitória nas eleições parlamentares, e diante da real possibilidade de eleger o Presidente (em que pesem os menos de 25% dos votos, praticamente a mesma porcentagem do segundo colocado), não contará com apoio incondicional da população e tampouco dos demais agentes políticos, o que pode culminar em um governo frágil dentro de um modelo democrático – e os árabes não estão acostumados com governantes fracos. A alternativa pode ser uma radicalização do regime e o crescimento do fundamentalismo.

3) A reação de parte dos egípcios à escolha de  Shafiq para o segundo turno passa bem longe de qualquer exemplo de convivência com a democracia. Porem fogo no escritório do canditato e ameaçarem afundar mais o Egito no caos em uma eventual vitória de Shafiq, são sinais claros da pouca familiaridade dos egípcios com esse negócio de democracia. Quer dizer que se Morsi não ganhar não haverá governabilidade?

Morsi e a Irmandade deveriam ser os primeiros a protestarem contra o atentado aos escritórios de Shafiq, e esse tipo de reação dos apoiadores daqueles pode conduzir à vitória deste. E a frágil democracia no Egito encontra-se à prova…

BBC.CO.UK – 29 May 2012 Last updated at 00:31 GMT

Egypt presidential candidate Ahmed Shafiq’s HQ attacked

The campaign headquarters of Egyptian presidential candidate Ahmed Shafiq has been attacked. Egyptian TV stations broadcast footage of a fire at the building, in the Dokki district of the capital Cairo. Continuar lendo

Começa o cessar-fogo na Síria

Tudo bem… Mas até quando? De toda maneira, pode ser uma boa alternativa para o mundo deixar de olhar para a Síria, de modo que a opinião pública das democracias ocidentais deixe de cobrar de seus governantes medidas mais enérgicas… Bom para o Assad…  Bom para campanha do Sarkô… Bom para a campanha do Obama… Bom para todo mundo? E vai ser assim até quando mesmo?

12 April 2012 Last updated at 03:03 GMT
Still of Syrian tanks in Homs from activist video uploaded to YouTube 9 April 

A ceasefire for Syria proposed by UN-Arab League envoy Kofi Annan has come into force, but Western countries have publicly doubted Syria’s willingness to stick to it.

On Wednesday, Syria said it would abide by the ceasefire but reserved the right to respond to attacks. Continuar lendo

Rússia começa a se afastar de Assad…

As críticas de Lavrov ao regime de Assad podem ser um sinal de que os russos estão conseguindo (já conseguiram) alguma coisa dos ocidentais em troca da cabeça do líder sírio. Claro que alguns poderiam dizer que é apenas uma manobra diversionista dos russos, mas me parece mais um sinal de que, em breve, o regime de Damasco estará sem o apoio mais contundente de seu maior aliado.

O problema da deposição de Assad é quem ficará em seu lugar. A instabilidade aumentará na região, isso é fato. Preocupa-me, particularmente, o que acontecerá com os arsenais químicos sírios. E mudanças na Síria podem deixar os iranianos ainda mais acuados.

As nuvens continuam escuras por lá.

Russia says Syrian leadership made “many mistakes”

Reuters, 20MAR2012, 3:38pm EDT

By Steve Gutterman

MOSCOW (Reuters) – Syria’s leadership has made “very many mistakes” that have aggravated the crisis, Russian Foreign Minister Sergei Lavrov said in remarks broadcast on Tuesday, seeking to distance Moscow from President Bashar al-Assad amid a diplomatic push for peace.

Lavrov’s comments were some of Russia’s toughest criticism of Damascus in a year of bloodshed, but he also took aim at the West and reiterated Russia’s position that Assad’s exit must not be a precondition for a solution to the crisis. Continuar lendo

Os riscos de uma intervenção na Síria

Enquanto determinados grupos clamam por uma intervenção dos EUA e seus aliados contra o regime de Assad, o NY Times de ontem publicou matéria sobre os riscos desse tipo de ação. Repetirei pela enésima vez (mesmo porque alguns dos meus oito leitores podem ter deixado passar os comentários anteriores…) que a Síria não é a Líbia. O buraco ali é muito mais embaixo. Além disso, antes de qualquer coisa, como diria Garrincha, “tem que combinar com os russos”…

NY Times, March 11, 2012

Military Points to Risks of a Syrian Intervention

By 

WASHINGTON — Despite growing calls for the United States to help stop the bloodshed in Syria, senior Pentagon officials are stepping up their warnings that military intervention would be a daunting and protracted operation, requiring at least weeks of exclusively American airstrikes, with the potential for killing vast numbers of civilians and plunging the country closer to civil war. Continuar lendo

A “Primavera Turca”, um século antes

Esta quem me mandou foi minha amiga Carmen Lícia, que passa o semestre nas maravilhosas terras francesas! Nesses tempos de Levante no mundo árabe, tem-se um artigo interessante sobre as mudanças na Turquia no início do século passado sob o movimento dos “jovens turcos”. Bom lembrar que o tenentismo no Brasil foi influenciado pelas idéias daqueles militares da Grande Porta.

Printemps arabe : modèle turc ou cauchemar politique ?

lundi 13 février 2012, par Henri Lacour
Tags : Politique

Une étude de François Georgeon éclaire sur les racines oubliées de la révolution jeunes-Turcs de 1908

En écho aux bouleversements actuels du monde arabe, François Georgeon, membre du laboratoire d’études turques et ottomanes (EHESS) revient sur la révolution Jeunes Turcs de 1908 dans l’Empire ottoman à travers son livreL’ivresse de la liberté. Cette révolution constitua en effet la première expérience révolutionnaire moderne et inédite contre l’autocratie au Moyen-Orient. Les révoltes arabes d’aujourd’hui doivent-elle s’en inspirer ? Continuar lendo

Os EUA e as armas de destruição em massa da Síria

Artigo muito interessante sobre a preocupação do Departamento de Estado dos EUA com o destino das armas de destruição em massa [ADM (ou WMD em inglês)] sírias após um eventual colapso do regime de Assad. A Síria teria um arsenal de armas químicas que, caindo em mãos erradas, levaria a conseqüências bastante nefastas. Pelo menos com Assad sabe-se que estão seguras…

Chama a atenção como o Governo dos EUA lidam com um país árabe sob um regime forte e que tem comprovadamente  ADMs… Parece ser bem diferente do discurso de uma década passada com relação ao Iraque. Talvez porque o Iraque de Saddam Hussein não tivesse ADMs…

Foreign Policy -Posted By Josh Rogin 
Friday, February 24, 2012 – 3:03 PM 

The State Department has begun coordinating with Syria’s neighbors to prepare for the handling of President Bashar al-Assad’s extensive weapons of mass destruction if and when his regime collapses, The Cable has learned. Continuar lendo

A Rússia, o Irã, e a Síria

Recado de Moscou: “não me venham com pressões contra o regime de Assad… ele continua com o apoio do Kremlin”. E, o mais interessante, Medvedev manifestou essa posição em conversa com os iranianos.

A Síria é, há muito tempo, área de influência de Moscou. E não sei se o Kremlin está disposto a perder esse poder para as potências ocidentais ou mesmo para movimentos populares, com risco de os sírios caírem em um regime fundamentalista. Afinal, esse negócio de levante popular não é algo que soe bem aos ouvidos das autoridades russas… Ademais, a Federação da Rússia tem várias regiões de população muçulmana, sempre com risco de ser influenciada/contaminada pelo fundamentalismo religioso. Claro que Medvedev e Putin não querem isso em solo russo.

Ansioso pelos desdobramentos dessa “queda de braço” entre Moscou e o Ocidente. Para quem joga/jogou War, os russos não aceitam a opção dos ocidentais de “conquistar todos os territórios no Oriente Médio”. Será que estamos voltando aos bons tempos da Guerra Fria?

RIA Novosti

Russia, Iran Oppose Foreign Interference in Syria

21:51 22/02/2012

Russian President Dmitry Medvedev and his Iranian counterpart Mahmoud Ahmadinejad spoke out on Wednesday against foreign interference in Syrian internal affairs, the Kremlin said. Continuar lendo

Assad, os russos, os chineses e os iranianos

Dois navios iranianos chegaram sábado ao porto sírio de Tartus para “auxiliar no treinamento de forças navais sírias”. Russos e chineses continuam firmes no apoio a Assad. Os rebeldes seguem combatendo o governo. Atentados são cometidos com o objetivo de desestabilizar o regime (suspeita-se de que teriam sido patrocinados pela Al Qaeda).

Não tenho comentado muito a crise na Síria. Pouco mudou nas últimas semanas. Certamente, a guerra civil evoluiu. Assad continua firme com apoio russo e chinês. A situação ali está longe de um desfecho.

Observação importante: Assad não é Kadafi. A Síria não é a Líbia. Assad conhece bem o ocidente, seu próprio povo e sabe que a Síria tem um papel estratégico para a China e, sobretudo, para a Rússia na geopolítica da região. Também sabe que se cair a coisa pode ficar muito mais complexa para todo mundo na região.

Para piorar as coisas (ou para o bem do regime sírio), as atenções das potências ocidentais estão muito mais voltadas a um outro aliado de Assad, o esquizofrênico governo iraniano, que insiste em seu programa de “armas nucleares para fins pacíficos” e nos ataques ao Ocidente.

De fato, o jogo de poder no Oriente Médio encontra-se em um momento interessante, contando com a disputa direta entre potências ocidentais contra Rússia e China em meio a insurreição na Síria e arroubos belicistas e provocativos de Teerã. 2012 promete. Sem maiores comentários.

Iranian ships reach Syria, Assad allies show support

Reuters, 20FEV2012
By Khaled Yacoub Oweis and Angus MacSwan

AMMAN/BEIRUT (Reuters) – Russia, China and Iran showed support for Syrian President Bashar al-Assad on Monday, days before an international meeting likely to pile more pressure on him to step down in the face of an increasingly bloody uprising. Continuar lendo

Sobre os vetos russo e chinês… e outras coisas mais…

Até entendo que o Premier do Katar se diga “chocado” com os vetos russo e chinês no Conselho de Segurança da ONU no que concerne às medidas mais enérgicas contra a Síria… afinal, trata-se da típica “retórica árabe”, da qual nós ibero-americanos herdamos parte de nossa demagogia e das bravatas nos discursos (não estou criticando a retórica árabe… isso faz parte daquela cultura).

O que me surpreende mesmo são analistas ocidentais se dizendo “assustados” com a decisão de Moscou e Pequim frente ao regime de Damasco! Afinal chineses e, sobretudo, russos, são aliados tradicionais dos sírios e dariam um tiro no pé questionando o regime autoritário de Assad… Ademais, com tudo que já está passando no Egito, mudanças na Síria afetariam drasticamente o equilíbrio de poder na região… Melhor que Assad permaneça no poder… melhor para todos!

Russos e chineses deram seu recado: estão participando do jogo e têm peças para mover no tabuleiro! E não vão permitir a queda de regimes como o sírio e o iraniano por pressão ocidental ou “revolucionária” (ao menos não por agora)…

E por falar em mudanças… como está a situação na Líbia após a queda de Kadafi? E nos outros países que passaram pelo Levante (ou Primavera Árabe, como queiram…)???

Está o Egito mais democrático, rico e estável? Melhoraram as condições de vida da população? De fato, pouco mudou para a maior parte das pessoas que vivem nesses países no último ano… E nada há com que se surpreender ou com que se chocar…

Arabs exploring four options, says Prime Minister 

The Peninsula of Qatar – Wednesday, 08 February 2012 04:08

DOHA:Qatarsays it is shocked byRussiaandChinavetoing the UN Security Council’s draft resolution on the Syrian crisis and calls on the Arab world to proceed beyond issuing statements and take concrete action to stop the bloodshed inSyria. Continuar lendo

Egito: a revolução que não houve…

Como tenho dito desde que começou o Levante no mundo árabe e a “revolução” no Egito, é ingênuo esperar alguma mudança real na situação daqueles países (ao menos no que concerne as tais “motivadoras” das manifestações que desencadearam a queda de homens como Mubarak). Os regimes continuam autoritários. De fato, podem ocorrer mudanças: a coisa pode piorar e desencaminhar os países em regimes fundamentalistas, o que não é bom para ninguém…

 Egypt still awaits its real revolution

Gulf Times -: Saturday,28 January, 2012, at 11:22 PMDohaTime
By Eric S Margolis/New York

Last Monday, Egyptians celebrated the first anniversary of the revolution that overthrew the 30-year Mubarak regime. By contrast, America’s reaction this historic event was tellingly muted.  Continuar lendo

Egito: fundamentalistas à frente do Parlamento

Pois é! O Speaker do Parlamento egípcio (ou seja, o Presidente do Parlamento, chefe do Poder Legislativo) será um fundamentalista islâmico, pertencente à Irmandade Muçulmana… Qual o significado disso no mais importante dos países árabes? Será que o Egito caminhará para o mesmo destino do Irã ou para o da Turquia? E como isso afetará as relações de poder na região? E as relações com Israel? O que realmente mudou depois da queda de Mubarak? É bom ficar de olho ali também…

Islamist set to be Egypt’s new parliament speaker

Reuters, 16JAN2012 – By Tamim Elyan

CAIRO (Reuters) – Leading Egyptian political parties will back a senior figure in the Muslim Brotherhood’s Freedom and Justice Party (FJP) for the assembly’s speaker, with another Islamist group and a liberal party taking the deputy posts, an FJP official said on Monday. Continuar lendo

Irã, Hezbollah e Síria: juntos somos mais fortes!

Notícia no Haaretz de hoje destaca a declaração do chefe da inteligência militar israelense segundo a qual o Irã e o Hezbollah estariam aumentando o apoio a Assad para evitar sua queda. Vale lembrar que há alguns dias os turcos interceptaram caminhões indo do Irã para a Síria levando armas em apoio ao Governo sírio.

Um comentário importante diz respeito à previsão da inteligência de que Assad deve buscar alguma forma de conflito – provavelmente uma guerra contra Israel para justificar sua permanência no poder. Não acredito muito nisso não, não ainda. Afinal, o tipo de distúrbio doméstico que ocorre na Síria só se agravaria no caso de uma guerra contra Israel.

Outra observação que merece destaque é que de que o israelense não acredita que as situação nas Colinas de Golã não ficará tão tranquila em um futuro próximo.

IDF official: Iran, Hezbollah stepping up efforts to save Assad regime in Syria

By Gili Cohen

Military Intelligence chief says face of Middle East is changing in such a way that it is no longer recognizable.

Iran and Hezbollah are strengthening their efforts to ensure the survival of the Bashar Assad regime in Syria, Military Intelligence Chief Major General Aviv Kochavi said on Wednesday. Continuar lendo

Navios de guerra russos na Síria

E por falar em política externa de grande potência, os navios de guerra russos continuam no porto de Tartus, na Síria. Assad ganhou sobrevida importante com essa manobra.

Isso é que eu chamo de demonstração de força por parte de Moscou! O melhor é declaração do comandante da frota de que “a manobra nada tem a ver com a crise na Síria”… Gostei!

RIA Novosti

Syria hails visit of Russian warships to Tartus

02:25 09/01/2012

Syrian authorities have called the visit of a Russian naval task force to the port of Tartus a “show of solidarity with the Syrian people,” the official SANA news agency reported.

A Russian task force, led by the Admiral Kuznetsov aircraft carrier, arrived in Tartus on Sunday to replenish water and food supplies during a long-term training mission in the Atlantic and the Mediterranean. Continuar lendo

Iraque e Líbia: o preço do sucesso

Artigo enviado pelo Daniel Pinto há alguns dias. A análise permanece atual. E, de fato, ainda não assimilei a barbaridade que fizeram com o Kadafi… Não adianta, o homem foi Chefe de Estado (de fato) durante quatro décadas e não merecia aquele tratamento. Pura barbárie. E, lamentavelmente, sinal dos dias sombrios que a Líbia passará em um futuro próximo…

“Ah”,  dirão alguns, “mas o homem teve o fim que merecia!”. Discordo. Ninguém merece aquele tratamento degradante. O empalamento… a execução sumária… E tão abjeta quanto foi a maneira como deixaram o corpo exposto para visitação em um frigorífico. Sei não… A crueldade humana e anseio por vingança não encontram limites…

Não escreverei mais sobre Kadafi. Que descanse em paz…

Libya and Iraq: The Price of Success

Stratford – October 25, 2011
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By George Friedman

In a week when the European crisis continued building, the White House chose publicly to focus on announcements about the end of wars. The death of Moammar Gadhafi was said to mark the end of the war in Libya, and excitement about a new democratic Libya abounded. Regarding Iraq, the White House transformed the refusal of the Iraqi government to permit U.S. troops to remain into a decision by Washington instead of an Iraqi rebuff.

Though in both cases there was an identical sense of “mission accomplished,” the matter was not nearly as clear-cut. The withdrawal from Iraq creates enormous strategic complexities rather than closure. While the complexities in Libya are real but hardly strategic, the two events share certain characteristics and are instructive. Continuar lendo