Acabou a “Era Mubarak” no Egito?

Podem até ter condenado o velho Muba, mas concordo com o enviado de Moscou ao continente africano: só se vai saber realmente se a “Era Mubarak” acabou depois do segundo turno das eleições presidenciais egípcias. Afinal, Ahmed Shafiq (ex-ministro de Mubarak) ainda está no páreo contra Mohammed Morsi (da Irmandade Muçulmana). E, a bem da verdade, será que o Exército deixou de mandar no país? Sei não, mas essa “primavera áreabe” (que prefiro chamar de “o Levante”) pode ter resultados muito aquém dos esperados (ao menos para o Egito)…

Margelov: Mubarak’s Epoch Not Over Until Presidential Runoff

Ria Novosti – 03:26 03/06/2012

Life imprisonment of former Egyptian president Hosni Mubarak does not mean that his epoch in the country is over, Mikhail Margelov, the Russian presidential envoy to Africa, said.

The Cairo Criminal Court sentenced Mubarak, who ruled Egypt between 1981 and 2001, to life imprisonment on Saturday as he was found guilty of deaths of protesters during an uprising in January of 2011. Continuar lendo

O Egito e a incompreensível democracia

Pouco mais de um anos após o início do Levante no Egito e a queda de Mubarak, a população vai às urnas e dois candidatos se preparam para disputar o segundo turno: Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana; e Ahmed Shafiq, ex-Primeiro Ministro e autoridade do regime de Mubarak. Os resultados revelam algumas coisas:

1) O baixo comparecimento da população às urnas poderia significar que os egípcios não consideram tão importante essas eleições? Ter-se-ia aí uma evidência de que, na percepção do homem comum, pouca coisa mudou ou vai mudar, independentemente de quem vier a ocupar a cadeira presidencial?

2) A Irmandade Muçulmana, apesar da vitória nas eleições parlamentares, e diante da real possibilidade de eleger o Presidente (em que pesem os menos de 25% dos votos, praticamente a mesma porcentagem do segundo colocado), não contará com apoio incondicional da população e tampouco dos demais agentes políticos, o que pode culminar em um governo frágil dentro de um modelo democrático – e os árabes não estão acostumados com governantes fracos. A alternativa pode ser uma radicalização do regime e o crescimento do fundamentalismo.

3) A reação de parte dos egípcios à escolha de  Shafiq para o segundo turno passa bem longe de qualquer exemplo de convivência com a democracia. Porem fogo no escritório do canditato e ameaçarem afundar mais o Egito no caos em uma eventual vitória de Shafiq, são sinais claros da pouca familiaridade dos egípcios com esse negócio de democracia. Quer dizer que se Morsi não ganhar não haverá governabilidade?

Morsi e a Irmandade deveriam ser os primeiros a protestarem contra o atentado aos escritórios de Shafiq, e esse tipo de reação dos apoiadores daqueles pode conduzir à vitória deste. E a frágil democracia no Egito encontra-se à prova…

BBC.CO.UK – 29 May 2012 Last updated at 00:31 GMT

Egypt presidential candidate Ahmed Shafiq’s HQ attacked

The campaign headquarters of Egyptian presidential candidate Ahmed Shafiq has been attacked. Egyptian TV stations broadcast footage of a fire at the building, in the Dokki district of the capital Cairo. Continuar lendo