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Sobre Joanisval

Brasiliense. Doutor em Relações Internacionais e Mestre em História. Graduou-se em Relações Internacionais e em Direito. É advogado, professor universitário e consultor legislativo do Senado Federal. Monarquista convicto. Contato: joanisval@gmail.com.

Japão se preparando para ataques cibernéticos

Estou quase abrindo uma categoria deste site só para defesa cibernética ou algo assim. Afinal, trata-se de questão cada vez mais corrente como tema relevante para segurança nacional e defesa.

Como já tratado em posts anteriores, a guerra do futuro será travada também no ambiente virtual, e a segurança cibernética é prioridade de governos e empresas pelo mundo.

O Japão está se preparando, assim como os EUA, a Alemanha, a França, o Reino Unido e todas as potências do globo. E o Brasil, como lida com a questão?

Japan eyes private firms help on cyber attacks: report

Reuters, 03OCT2011 – 7:09am EDT

TOKYO (Reuters) – Japan plans to work more closely with private companies by sharing information on cyber attacks after defense contractor Mitsubishi Heavy Industries was hacked, Nikkei business daily reported Sunday. Continuar lendo

Debate sobre a missão constitucional das Forças Armadas

Continua amanhã (segunda-feira, 03/10) o ciclo de debates promovido pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado. O tema desta e das próximas semanas é defesa nacional.

Nesta segunda, especificamente, o assunto é “O papel das Forças Armadas: missão constitucional e atividades operacionais; função social: serviço militar obrigatório ou voluntário”. Os expositores serão o General Rocha Paiva (uma mente brilhante da reserva do Exército Brasileiro), o professor João Quartim Morais, da Unicamp, e este que escreve (sim, eu).

A audiência pública ocorrerá amanhã, a partir das 18h, no plenário da CRE. Deve ser transmitida pela TV Senado. Fica o convite!

Edição de segunda-feira 03 de outubro de 2011

Comissão discute serviço militar obrigatório

A Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) prossegue hoje o ciclo de debates sobre os rumos da política externa brasileira com audiência pública sobre o tema “O papel das Forças Armadas: missão constitucional e atividades operacionais; função social: serviço militar obrigatório ou voluntário”. Continuar lendo

Putin de volta… De volta?

Só para constar: e alguma vez o Vladimir esteve fora da Presidência? Tsc, tsc, tsc…

Claro que, ocupando novamente a cadeira de Medvedev, nada como uma boa alteração constitucional para dar mais poderes ao Presidente. That’s Russia, baby!  That’s Putin!

Para investidores, volta de Putin à presidência russa é um fator positivo para os negócios

The New York Times

Andrew E. Kramer
Em Moscou

  • Vladimir Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, discursa durante congresso do partido Rússia Unida em MoscouVladimir Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, discursa durante congresso do partido Rússia Unida em Moscou

Está emergindo entre banqueiros, economistas e companhias que avaliam riscos de mercado o consenso de que o retorno de Vladimir Putin à presidência da Rússia terá um efeito positivo para os investidores estrangeiros – independentemente de estes apoiarem ou não os aspectos políticos desse fato. Continuar lendo

Guerrilha do Paraguai

Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP): organização marxista tremendamente anacrônica, criada em 2008, sem muita razão de ser (salvo se for para atuar como organização criminosa)… Entretanto, tem atuado de forma intensa no Paraguai e possui conexão com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o que preocupa. Até bomba em Assunção já colocaram.

E tudo isso em um país vizinho e estrategicamente importante para o Brasil… Vale a pena ficar de olho…

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Paraguay aprueba estado de sitio contra guerrilla

PEDRO SERVIN
 
 Militares hacen guardia hoy, jueves 22 de septiembre de 2011, en la zona rural de Capitán Giménez, en Concepción (Paraguay). Dos agentes murieron durante un ataque perpetrado por el autodenominado Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP) contra un puesto policial cerca de la medianoche del miércoles contra la subcomisaría del poblado de Capitán Giménez, a 400 kilómetros al norte de Asunción, confirmó el ministro paraguayo del Interior, Carlos Filizzola.  Andrés Cristaldo / EFE

Militares hacen guardia hoy, jueves 22 de septiembre de 2011, en la zona rural de Capitán Giménez, en Concepción (Paraguay). Dos agentes murieron durante un ataque perpetrado por el autodenominado Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP) contra un puesto policial cerca de la medianoche del miércoles contra la subcomisaría del poblado de Capitán Giménez, a 400 kilómetros al norte de Asunción, confirmó el ministro paraguayo del Interior, Carlos Filizzola. Andrés Cristaldo / EFE

La cámara de senadores de Paraguay aprobó el lunes el establecimiento del estado de sitio en los norteños departamentos de Concepción y San Pedro por 60 días para combatir al grupo guerrillero Ejército del Pueblo Paraguayo (EPP).

El proyecto de ley pasó a la cámara de diputados, que sesionará el martes, para su estudio, modificación, aprobación o rechazo. Continuar lendo

Japão sob ataque cibernético

Aconteceu lá, pode acontecer aqui… Fica o alerta.

BBC NEWS – 20 September 2011 Last updated at 11:25 GMT

Japan defence firm Mitsubishi Heavy in cyber attack

Mitsubishi Heavy Industries makes everything from surface-to-air missiles, to warships, and submarines

Mitsubishi Heavy Industries makes everything from surface-to-air missiles, to warships, and submarines

Japan’s top weapons maker has confirmed it was the victim of a cyber attack reportedly targeting data on missiles, submarines and nuclear power plants.

Mitsubishi Heavy Industries (MHI) said viruses were found on more than 80 of its servers and computers last month.

The government said it was not aware of any leak of sensitive information.

But the defence ministry has demanded MHI carry out a full investigation. Officials were angered after learning of the breach from local media reports. Continuar lendo

Dissolução do Parlamento na Espanha

Muito bem, Zapatero decidiu dissolver o Parlamento (ou melhor, “as Cortes” – muito bacana essa monarquia!) e as eleições foram marcadas para 20 de novembro. A crise européia começa a fazer as primeiras vítimas entre os PIGS.

Para o link do El País com a cobertura das eleições na Espanha, clique aqui. Será que a direita volta?

El presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero, en el Congreso (EFE)

El presidente del Gobierno, José Luis Rodríguez Zapatero, en el Congreso (EFE)

Una legislatura negra

La crisis, los recortes sociales y la soledad parlamentaria han marcado los cuatro últimos años

El tiempo de descuento se acabó. La anticipación de las elecciones generales culmina cuatro años de convulsiones políticas marcados por la voracidad de la crisis, los recortes sociales, la irrupción de Bildu, y la renuncia del líder socialista a encabezar la legislatura de su partido, que se desploma en las encuestas. Fin de la legislatura horribilis. Continuar lendo

Corrida do ouro (ou melhor, da prata)…

Este quem me enviou foi o amigo Alexandre Rocha. 240 toneladas de prata! Só queriam 10% disso…

Obrigado aos amigos leitores e aos leitores amigos pelas contribuições!

The New Yor Times – September 25, 2011

Divers Set Sights on Silver-Laden WWII Ship

By

In 1941, a Nazi torpedo tore a hole in a British merchant ship carrying a fortune in silver to England from India. The ship was part of a convoy headed for Liverpool, but it went down about 300 miles southwest of Ireland, disappearing in icy waters nearly three miles deep, deeper than the resting place of the Titanic.

Now, divers say they have found the wreck intact and they estimate its cargo at up to 240 tons of silver — a trove worth more than $200 million. They plan to recover it this spring. Continuar lendo

Como surgiu o povo judeu?

Artigo interessante, indicado por minha caríssima amiga, Carmen Lícia Palazzo.  Escrito por um israelense, traz uma outra perspectiva para o tema. Recomendo leitura, mesmo sendo do Le Monde Diplomatique. Afinal, é no contraditório que o conhecimento floresce, não?

POR TRÁS DOS FATOS

Como surgiu o povo judeu?

O ataque israelense contra a frota internacional que levava ajuda humanitária ao território de Gaza – no qual morreram 9 pessoas – foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional. Para entender melhor a situação na região, leia o artigo publicado no Le Monde Diplomatique Brasil sobre a história de Israel

por Shlomo Sand

Após 60 anos recém-completos, a historiografia de Israel amadureceu muito pouco e, aparentemente, não evoluirá em curto prazo. Porém, os fatos revelados por novas pesquisas sobre o passado judaico e sionista colocam para todo historiador honesto questões fundamentais, ainda que surpreendentes numa primeira abordagem Continuar lendo

Mais sobre a questão palestina…

Bem, a Autoridade Nacional Palestina está tentando colocar Israel contra a parede… Usando a ONU para isso, estaria mesmo fazendo uma “chantagem de política internacional”. Continuo achando que isso não acabará bem…

Claro que os palestino têm direito a seu pedaço de terra… Mas deveriam tentar resolver o problema negociando diretamente com Tel Aviv (apesar dos radicais do lado de lá) e não forçar o envolvimento de meio mundo na questão. De toda maneira, o tiro do senhor Abbas pode acabar saindo pela culatra, pois ninguém ganha com o aumento do atrito entre israelenses e palestinos (quer dizer, talvez o Hamas ganhe) e muita gente, especialmente o senhor Abbas, perde…

Hoje vi um debate interessante sobre o assunto em um canal da TV paga. Irritam-me, entretanto, esses intelectuais de esquerda e declaradamente pró-Palestina, que ficam com aqueles comentários óbvios do tipo “Ah, agora os EUA terão que mostrar sua posição pró-Israel” ou “Pois é, vamos ver a verdadeira face do Império americano!”. Coisa mais besta, sô! É natural o apoio de Washington ao Estado judeu. Não poderia ser diferente…

Israel é aliado tradicional dos EUA. Já no outro lado, é comum ver os palestinos queimando bandeiras estadunidenses… Queriam que os EUA apoiassem quem, oras!

Folha de São Paulo – 25/09/2011 – 13h46

Israel vê “difíceis repercussões” caso Estado palestino seja aprovado

DA REUTERS, EM JERUSALÉM

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse neste domingo que haverá “difíceis repercussões” se a ONU aprovar uma solicitação da Palestina para ser reconhecida como Estado. Continuar lendo

Fim das touradas na Catalunha…

Boa notícia! Finalmente se põe termo a essa barbárie. E não me venham com herança cultural ou tradição… Trata-se simplesmente de espetáculo deplorável e de crueldade com animais.

Não, não acho a menor graça em um bando de homens reunidos numa arena para executar um touro que já vai para lá todo detonado. Claro que tem alguma graça quando o touro vence. De toda maneira, o bicho nunca é poupado…

E para os que defendem esse “espetáculo”, por que não recuperar os autos de fé, tão marcantes na tradição espanhola, e tacar fogo em alguns hereges, não é? Já vai tarde…

Gosto quando o touro vence...

Gosto quando o touro vence...

Catalunha dá adeus às touradas

Por AE/AP | Agência Estado – 26/09/2011
Ativistas pelos direitos dos animais comemoram a última tourada da Catalunha

Ativistas pelos direitos dos animais comemoram a última tourada da Catalunha

A Catalunha, na região nordeste da Espanha, dá adeus neste domingo à emblemática tradição do país de realizar touradas com um último embate na arena de Barcelona. O evento no Monumental, cujos ingressos se esgotaram, será a última batalha a ser realizada nesta temporada. Uma proibição regional às touradas entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2012. Continuar lendo

Tu leur diras que tu es Hutue

Acabei a leitura de uma obra que gostaria de recomendar: Tu leur diras que tu es Hutue, de Pauline Kayitare. Trata-se do relato biográfico da autora, uma tutsi de 13 anos à ocasião do genocídio de Ruanda (1994).

Kayitare resolveu escrever sobre sua história 16 anos após aqueles acontecimentos. O livro é cheio de relatos fortes e marcantes, como o do massacre de 150 pessoas (homens, mulheres e crianças), do qual a autora só escapou por se dizer hutu – fora uma instrução dada pela mãe, já que a menina era ainda muito jovem para ter uma carteira de identidade e sem compleição f’ísica para parecer uma tutsi.

Filha de uma família de seis irmãos, Pauline e seu pai foram os únicos sobreviventes. Além da mãe e dos irmãos, perdeu duas centenas de parentes… Hoje vive na Bélgica com o marido (belga) e uma filha. Continuar lendo

Cemitérios militares da Grande Guerra

Em minha peregrinação por Ypres, descobri que há toda uma “ciência” na organização dos cemitérios militares. E essa “ciência” remonta à Grande Guerra.

De fato, é bom lembrar, até o século XIX não se costumava dar qualquer tratamento especial aos mortos em combate, cujos corpos eram deixados à própria sorte, apodrecendo ou sendo devorado por feras (vide, por exemplo, o campo de batalha no filme A Cruzada).

Com as guerras napoleônicas e os conflitos que lhes seguiram, os combatentes eram enterrados em valas coletivas, sem maiores preocupações com a individualidade dos caídos (uso como exemplo a cena final de Tempo de Glória).

Foi apenas com a carnificina intensa da I Guerra Mundial que os homens provenientes da Belle Époque decidiram dar destino mais honroso aos despojos daqueles que deram a vida pela pátria. E aí a criação dos primeiros cemitérios militares.

Uma primeira observação sobre o assunto foi a decisão de se enterrar os mortos nos lugares onde haviam combatido, evitando-se repatriar os corpos – o que, além dos problemas logísticos, constituiria grande prejuízo ao moral da população, que teria que presenciar seus filhos voltando para casa em caixões.

Uma vez que se criaria cemitérios miltares, como seriam estes? Quem for aos lugares do descanso final dos súditos do Império Britânico verá que as lápides são todas iguais – isso não é por acaso. O padrão seria mantido para se evitar uma heterogeneidade de túmulos (como acontece nos cemitérios civis), quando há aqueles que têm grandes mausoléus sepultados ao lado de lápides singelas, dependendo dos recursos de suas famílias. Ademais, havia a idéia de que todos são iguais na hora da morte, sobretudo em combate.

Outra curiosidade: na lápide deveria constar o símbolo do regimento ao qual pertencia o morto, seu nome e, vez por outra, um epitáfio. Quando não se podia identificar o morto, colocava-se simplesmente “um soldado da Grande Guerra”, “um soldado do Império Britânico” ou mesmo “um soldado do regimento tal”… (É muito tocante estar em pé diante de uma lápide onde se vê a inscrição “a soldier of the Great War”). Também poderia constar a medalha ou comenda recebida pelo morto. E, naturalmente, gravada na pedra, uma cruz, uma estrela de Davi ou mesmo um crescente, dependendo da religião do morto.

Quanto à disposição das lápides, não havia uma ordem muito clara, mas era comum que se colocassem juntas, lado a lado, aquelas de combatentes que haviam perecido juntos. Quando não acontecia assim, havia uma distância pequena entre as pedras… E judeus eram sepultados junto com cristãos, islâmicos ou mesmo ateus. Afinal, combatiam pelo mesmo ideal.

No caso dos súditos do Império Britânico, foi criada uma autoridade para zelar pelos cemitérios militares, prática reproduzida em alguns países. Com isso, os mortos estariam para sempre guardados pelo Império pelo qual lutaram.

São comuns as peregrinações aos cemitérios militares por todo o fronte ocidental de ambas as guerras mundiais. Aprende-se muito sobre a guerra, a história e, sobretudo, acerca do ser humano e sua natureza. Não há como se emocionar diante desses bravos homens cuja vida foi ceifada algumas vezes tão prematuramente (vi-me diante de uma de um jovem de apenas quinze anos). Não há como não lhes prestar as maiores homenagens. São eles, indubitavelmente, os merecedoresde todas elas.

Em tempo, enquanto os cemitérios aliados são constantemente visitados, aqueles onde repousam soldados alemães recebem poucos visitantes alemães. Infelizmente, as novas gerações na Alemanha foram educadas para esquecer as duas guerras mundiais e aqueles alemães que nelas deram sua vida. Isso é triste, uma vez que a memória dos caídos acaba legada a segundo plano. Não deveria ser assim. Também não se pode ter nesses cemitérios qualquer grande monumento ou evocação à bravura dos que pereceram. Verdadeiramente, são modestos.

Minha homenagem aos bravos que tombaram em combate! Que repousem em paz!

Palestina na ONU: crônica do inevitável?

A mídia de todo o mundo está em polvorosa com o debate sobre o ingresso da Palestina na ONU. A impressão que se tem é que já estaria tudo certo e que o ingresso do novo membro é inevitável. Pode até ser, mas ainda há resistência, e resistência importante. A partir de amanhã retorno a comentar no blog… Obrigado aos meus leitores pela compreensão nesses dias em que estive fora e sem poder atualizar o site diariamente.

De toda maneira, sexta-feira, 23/09, será um dia importante nesse processo.

Posted By David Bosco Thursday, September 15, 2011 – 10:36 AM
 

With the Palestinian bid to achieve UN membership approaching a decisive point, it may be worth reviewing some key moments in Palestine’s relationship with the world organization: Continuar lendo

Nos campos de Flandres

Quem se interessa pela Grande Guerra sabe que a flor de papoula é o maior símbolo daquele conflito, pois nascia nos campos de batalha da frente ocidental. Também vai se lembrar do que talvez seja o poema mais famoso em língua inglesa sobre a Guerra, escrito por John McCrae, um jovem médico canadense que morreu em 1918, com uma longa folha de serviços prestados nos campos de batalha… McCrae conseguiu reproduzir em belas palavras todo o horror que testemunhou nos campos de Flandres…

Minha homenagem aos milhões que deram suas vidas naquela que deveria ser a guerra que poria fim a todas as guerras…

In Flanders Fields

John McCrae

In Flanders fields the poppies blow
      Between the crosses, row on row,
   That mark our place; and in the sky
   The larks, still bravely singing, fly
Scarce heard amid the guns below.

We are the Dead. Short days ago
We lived, felt dawn, saw sunset glow,
   Loved and were loved, and now we lie,
         In Flanders fields.

Take up our quarrel with the foe:
To you from failing hands we throw
   The torch; be yours to hold it high.
   If ye break faith with us who die
We shall not sleep, though poppies grow
         In Flanders fields.

Memórias da Grande Guerra

Hoje tive a oportunidade de ir a Ypres, local onde ocorreram algumas das mais importantes e sangrentas batalhas da I Guerra Mundial. Fui também aos cemitérios militares e a uma das últimas trincheiras preservadas daquele conflito (naturalmente entrei nela). A atmosfera desses locais é impressionante. Quase cem anos depois, a memória daqueles que deram as vidas combatendo permanece. Recomendo a quem tiver condições de vir a Ypres…

Outros dados também surpreendem, como o fato de que ainda são encontradas anualmente milhares de bombas (cápsulas de explosivos) não detonadas e ainda constituindo ameaça. Explico: estimativas conservadoras registram que entre 1914 e 1918, 1,4 bilhões (isso, bilhões) de bombas (shells), incluindo 66 milhões contendo gases (clorino, gás mostarda, por exemplo) foram lançadas pelos dois lados apenas no fronte oriental. Dessas, cerca de 10% falharam, não sendo detonadas, ou seja, aproximadamente 145 milhões de ogivas/cápsulas/bombas permaneceram nos campos de batalha da Grande Guerra. Bom, anualmente, algo como 250 toneladas de bombas do período são detonadas pelas autoridades belgas, aí incluídas 20 toneladas de artefatos contendo gases que ainda permanecem tóxicos e mais instáveis  que há cem anos… Ainda levará muito tempo para que os efeitos diretos da Grande Guerra cessem de afetar as gerações já distantes daqueles homens vitorianos… (Antes que perguntem, as fotos são minhas…)

11 de setembro de 2001: um dia que jamais será esquecido…

Meus queridos leitores,

Naturalmente, acompanhei pela TV a cerimônia no Marco Zero e, como muitos, emocionei-me com as lembranças trágicas daquele 11 de setembro de 2001. E chorei. Chorei pelas milhares de vidas que foram ceifadas por atos de barbárie que nada, absolutamente nada pode justificar. Chorei pelas mães e pais que perderam seus filhos, as esposas e esposos que perderam seus companheiros, os filhos que ficaram órfãos. Chorei pelos sonhos que foram interrompidos e pelos anos que não serão vividos. Sim, chorei por todas as vítimas daqueles horrendos atentados…

Sei que ainda há os que dirão: “bem feito! os Estados Unidos mereceram o 11 de setembro!” Permitam-me discordar. Não acho que os homens e mulheres que foram vitimados naquela manhã ensolarada porém a mais sombria, mereceram o destino que lhes chegou pelas mãos de fanáticos. Não acho que as pessoas comuns, que iam para mais um dia de jornada ganhar a vida, vivendo simplesmente, mereceram aquela sina. Não, nada justifica o que lhes foi feito e nem eram elas as responsáveis por todos os males do mundo, como não o são os Estados Unidos.

Minha tristeza é pelos que foram vitimados pelo 11/09, mas é também pelos milhões em todo o globo que sofreram e ainda sofrem as conseqüências das ações de resposta aos ataques: Afeganistão, Iraque, Líbano, Israel, Espanha, Reino Unido… Muitos ainda pagarão pelo mal feito por um bando de terroristas…

O que os terroristas do 11/09 conseguiram foi catalizar o ódio, multiplicando a dor e o sofrimento de pessoas por todo o mundo, independentemente de religião, raça ou ideologia… Portanto, não aceito aqueles atos… E choro pelos que deles foram e são vítimas. E choro pela humanidade que a cada ato de terror, promovido por indivíduos ou por Estados, vê-se tolhida em sua essência. Choro, pois ainda levaremos muito tempo para aprender que violência só gera mais violência, desde o sempre.

Minha homenagem e meu luto pelas vítimas do 11/09, vivas e mortas, nos EUA e pelo mundo…

Agravamento da situação no Egito ameaça as relações com Israel

A situação só piora no Egito… Com a invasão da embaixada israelense, e os protestos nas ruas contra a nação judaica, difícil prever até onde se pode chegar… Se esses radicais conseguirem influência no Governo do Cairo, o cenário ficará muito ruim. Os “protestos por democracia” começam a mostrar uma face sobre a qual já tínhamos alertado.

O Egito, junto com a Jordânia, são os dois países árabes que mantêm relações com Israel (não tenho certeza o Líbano também o faz). De toda maneira, o rompimento de relações entre o Cairo e Tel Aviv só geraria desequilíbrio na região e uma crise de dimensões imprevisíveis…

Sob o Mubarak ao menos havia estabilidade no equilíbrio de poder da região…

 Folha.com – 10/09/2011 – 10h22

Premiê do Egito oferece renúncia após invasão na embaixada, diz TV

DA REUTERS, NO CAIRO (EGITO)
 

O premiê do Egito, Essam Sharaf, ofereceu sua renúncia neste sábado, após os violentos confrontos da noite anterior entre as forças de segurança e manifestantes, ao redor da Embaixada de Israel no Cairo. Continuar lendo

Carta de D. Pedro I a seu filho…

Ainda por ocasião dos festejos do dia da Pátria, transcrevo a carta escrita por Dom Pedro I, quando de sua partida para a Europa após a abdicação, a seu amado filho, o futuro Imperador do Brasil (grifei uns trechos).

Apesar de breve, a missiva revela não só o amor do pai para com o filho  (que logo se tornaria órfão, para ser criado pela nação), mas também a preocupação de Sua Majestade com o país que deixava a seu herdeiro e com as responsabilidades do futuro monarca…

Vale a pena ler e refletir… É de uma época em que os homens de Estado tinham consciência de suas responsabilidades à frente de uma grande nação, e um espírito público raro de ser encontrado entre os governantes do período republicano…

Em tempo: lembro que Dom Pedro II tinha cinco anos quando seu pai teve que deixar o Brasil…

 

Carta de Despedida de d. Pedro I para seu filho d. Pedro II

“Meu querido filho, e meu imperador. Muito lhe agradeço a carta que me escreveu, eu mal a pude ler porque as lágrimas eram tantas que me impediam a ver; agora que me acho, apesar de tudo, um pouco mais descansado, faço esta para lhe agradecer a sua, e para certificar-lhe que enquanto vida tiver as saudades jamais se extinguirão em meu dilacerado coração. Deixar filhos, pátria e amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar a honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se sempre de seu pai, ame a sua e a minha pátria, siga os conselhos que lhe derem aqueles que cuidarem na sua educação, e conte que o mundo o há de admirar, e que me hei de encher de ufania por ter um filho digno da pátria. Eu me retiro para a Europa: assim é necessário para que o Brasil sossegue, o que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz. Adeus, meu amado filho, receba a benção de seu pai que se retira saudoso e sem mais esperanças de o ver.”

D. Pedro de Alcântara

Bordo da Nau Warspite, 12 de abril de 1831

 

 

O ROMPIMENTO COM PORTUGAL

Para os apreciadores de documentos históricos, segue a transcrição da carta enviada por dom Pedro I a seu pai e rei de Portugal, dom João VI, esclarecendo o episódio ocorrido no dia 7 de setembro. A metrópole negava-se a reconhecer a independência do Brasil. A nova nação, porém, não aceitaria mais voltar à condição de colônia.

Rio, 22 de setembro de 1822. 

Meu Pai e Senhor.

Jazemos por muito tempo nas trevas; hoje vemos a luz. Se Vossa Majestade cá estivesse seria respeitado, e então veria que o povo brasileiro, sabendo prezar sua liberdade e independência, se empenha em respeitar a autoridade real, pois não é um bando de vis carbonários e assassinos, como os que têm Vossa Majestade no mais ignominioso cativeiro.

Triunfa e triunfará a independência brasílica, ou a morte nos há de custar. Continuar lendo

Bandeira Imperial do Brasil

Aproveitando as comemorações da Semana da Pátria, seguem algumas informações sobre a Bandeira do Brasil (do Império, claro!), que considero um dos mais belos entre os pavilhões nacionais!

Em tempo: estava ainda hoje explicando a uma casal estrangeiro amigo sobre as cores da nossa bandeira, cujo verde e amarelo remontam ao pavilhão do Império. É sempre bom lembrar que o verde e o amarelo nada têm a ver com “nossas matas e nosso ouro”, explicação republicana para tentar subverter o significado heráldico do losango amarelo no retângulo verde…

BANDEIRA IMPERIAL DO BRASIL (1822-1889)

Recusando-se obedecer as ordens das Cortes Portuguesas, D. Pedro, a 7 de setembro de 1822, num sábado de céu azulado, às margens do riacho Ipiranga (Rio Vermelho – do tupi), em São Paulo, proclamou a emancipação política do Brasil, depois de proferir o brado de Independêcia ou Morte e de ordenar Laços Fora!, arrancando do chapéu o tope português, exclamou : “Doravante teremos todos outro laço de fita, verde e amarelo. Serão as cores nacionais “. O amarelo representa a Casa de Habsburgo (Dona Leopoldina) e o verde representa a Casa de Bragança (Dom Pedro I). Continuar lendo