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Só para constar: e alguma vez o Vladimir esteve fora da Presidência? Tsc, tsc, tsc…

Claro que, ocupando novamente a cadeira de Medvedev, nada como uma boa alteração constitucional para dar mais poderes ao Presidente. That’s Russia, baby!  That’s Putin!

Para investidores, volta de Putin à presidência russa é um fator positivo para os negócios

The New York Times

Andrew E. Kramer
Em Moscou

  • Vladimir Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, discursa durante congresso do partido Rússia Unida em MoscouVladimir Putin, ex-presidente e atual primeiro-ministro da Rússia, discursa durante congresso do partido Rússia Unida em Moscou

Está emergindo entre banqueiros, economistas e companhias que avaliam riscos de mercado o consenso de que o retorno de Vladimir Putin à presidência da Rússia terá um efeito positivo para os investidores estrangeiros – independentemente de estes apoiarem ou não os aspectos políticos desse fato.

Essas conclusões, manifestadas em artigos de jornal e relatórios de pesquisa publicados recentemente, parecem reforçar um axioma que é popular aqui, segundo o qual raramente têm sucesso aqueles que apostam contra Putin no mercado russo.

Desde que Putin, o atual primeiro-ministro do país, anunciou que poderá disputar um terceiro mandato presidencial, analistas que estudam a Rússia sob a ótica dos lucros e dos riscos têm escrito que a única alternativa plausível – Putin permanecer como primeiro-ministro, com um assessor ou aliado mais fraco no cargo de presidente, que é constitucionalmente mais importante –, criaria instabilidade política, o que seria ruim para os negócios.

Segundo essa análise, a reunificação do poder na pessoa do presidente russo, tanto em título quanto na prática –, mesmo sem se tratando de uma pessoa que, como Putin, tem um histórico de não honrar contratos –, cria uma perspectiva de longo prazo mais previsível para companhias como a Exxon Mobil, que acaba de fechar um grande acordo para exploração de petróleo no Ártico russo.

Esse argumento relativo aos investimentos favorável a uma política mais estável e menos pluralista na Rússia parece refletir também a realidade de que o rápido desenvolvimento econômico foi obtido em vários países pós-comunistas que jamais fizeram uma transição para a democracia, como a China.

“Politicamente, a decisão de Putin de retornar implica na volta de um líder com poder para implementar decisões e acabar com uma diarquia cada vez menos funcional – ainda que isso implique no endurecimento da imagem de um “autoritarismo russo suave”, observa Cliff Kupchan, analista da Fundação Eurásia.

“Muitos observadores têm enfatizado que o papel de Putin como governante poderá se estender por um período maior que o de Brezhnev e quase tão longo quanto o de Stalin”, escreveu ele em um relatório de pesquisa, referindo-se a Leonid I. Brezhnev, que governou a União Soviética durante 18 anos, até a sua morte, em 1982, e Joseph Stalin, que governou durante 25 anos, até 1953.

“Pelo menos no curto prazo, a previsibilidade tranquilizará os investidores e melhorará o clima do mercado”, disse Kupchan no seu documento.

O Micex, o principal índice do mercado de ações da Rússia, subiu 2,5% na terça-feira, no segundo dia de alta após o anúncio feito por Putin.
“Com menos incerteza política, as autoridades poderão esperar que a fuga de capital diminua e que alguns investidores voltem a trazer dinheiro para o país nos próximos meses, a fim de se beneficiarem de ativos mais baratos”, disse em um relatório Charles Robertson, economista do Renaissance.

Kingsmill Bond, um estrategista de investimentos do Citigroup em Moscou, publicou o relatório de pesquisa “Return of the Master” (“O Retorno do Chefe”), no último fim de semana, sugerindo que os investidores “ficarão satisfeitos com o fato de a incerteza política terminar”, embora ele tenha observado que “existem poucas indicações de que Putin adotará as políticas de mudanças radicais que algumas pessoas esperam”. Ele disse que, no curto prazo, a crise da dívida da Europa e os preços do petróleo guiarão o mercado mais do que as políticas domésticas russas.

Nem todos economistas concordam com essa ideia de que quanto menos mudança, melhor. Laza Kekic, ex-especialista em União Soviética da Unidade de Inteligência do Economist, afirma que a decisão de Putin de disputar novamente a presidência é “uma medida retrógrada e uma farsa, sendo incompatível com o progresso econômico e político na Rússia” e que, após essa decisão, o país está seguindo a trajetória para transformar-se em uma “petrocleptocracia terceiromundista”.

Ensombrecendo um pouco o quadro de um governo autoritário capaz de impor a sua vontade econômica, Aleksei L. Kudrin, ministro das Finanças da Rússia que estava no cargo havia muito tempo, renunciou na última segunda-feira após o anúncio feito por Putin. Kudrin tornou-se o símbolo da responsabilidade fiscal da Rússia.

Mikhail D. Prokhorov, um bilionário que neste mês foi deposto do cargo de presidente de um partido de extrema direita, escreveu em um blog que outros indivíduos de ideologia econômica liberal poderão seguir o exemplo de Kudrin e renunciar.

“Eu creio que nós estamos prestes a presenciar mudanças muito importantes, e talvez de uma magnitude gigantesca, na consciência das elites, incluindo as elites do poder”, escreveu Prokhorov.

Outros analistas observam que a partir de agora companhias e investidores serão capazes de dispor de dados relativos a riscos políticos cujos contornos não deverão sofrer muita modificação, já que Putin deverá permanecer no poder até 2024.

“As empresas ocidentais funcionam maravilhosamente com ditadores”, diz Mikhail G. Delyagin, economista e diretor do Instituto de Problemas da Globalização. “Para essas companhias, isso não é uma questão de princípios”.

Tradução: UOL
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