Acabei a leitura de uma obra que gostaria de recomendar: Tu leur diras que tu es Hutue, de Pauline Kayitare. Trata-se do relato biográfico da autora, uma tutsi de 13 anos à ocasião do genocídio de Ruanda (1994).

Kayitare resolveu escrever sobre sua história 16 anos após aqueles acontecimentos. O livro é cheio de relatos fortes e marcantes, como o do massacre de 150 pessoas (homens, mulheres e crianças), do qual a autora só escapou por se dizer hutu – fora uma instrução dada pela mãe, já que a menina era ainda muito jovem para ter uma carteira de identidade e sem compleição f’ísica para parecer uma tutsi.

Filha de uma família de seis irmãos, Pauline e seu pai foram os únicos sobreviventes. Além da mãe e dos irmãos, perdeu duas centenas de parentes… Hoje vive na Bélgica com o marido (belga) e uma filha.

A história de Pauline Kayitare é mais um dos relatos marcantes sobre aqueles três meses de genocídio em Ruanda, nos quais 800.000 pessoas foram exterminadas a golpes de facão, simplesmente por pertencerem à etnia tutsi. O mundo nada fez para impedir a carnificina.

O genocídio de Ruanda é uma das maiores tragédias do século XX. As atrocidades ali cometidas são quase que inconcebíveis. Mas aconteceram, e infelizmente refletem a realidade de outras regiões daquele continente tão rico e tão miserável.

Ruanda vive hoje um processo de reconstrução e reconciliação. Tudo ainda é muito difícil, sobretudo quando vítimas são colocadas junto a seus algozes em grandes julgamentos públicos. Ainda há cerca de 200 mil presos acusados de terem participado dos massacres.

Aconselho a leitura da história de Pauline. Há um vídeo disponível na internet de uma entrevista com ela (em francês). Para acessar a entrevista, clique aqui. E, para o site pessoal de Pauline, clique aqui.

Realmente, a humanidade ainda muito terá que caminhar rumo a um futuro em que os homens possam se intitular “humanos”.

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