Acabem com esses monstros!

islamic-stateMuita gente tem-me perguntado sobre o Estado Islâmico. Serei direto nos meus comentários: trata-se de um bando de facínoras, monstros desalmados que têm promovido violência e morte por onde passam. O que esses monstros (veja que não os chamo de animais) têm feito nas áreas que controlam põe no chinelo qualquer obra fictícia de terror. Ou, em termos modernos, nem os melhores roteiristas conseguiriam descrever o que esses pseudohumanos estão fazendo.

Em pleno século XXI, sob uma justificativa que em nada encontra amparo nos fundamentos do islamismo, o Estado Islâmico vem cometendo atrocidades contra civis, entre as quais execução de crianças, estupros, decapitações, tortura, crucificação. Violência assume outra dimensão com as práticas dessa organização. E milhares de pessoas acabam vítimas desses bandos armados que desejam estabelecer um “califado mundial”.

IslamicStatemassmurderÉ por isso que entendo que a única solução plausível ali é o uso maciço da força, com uma intervenção internacional armada nos moldes antigos.  Sim, falo de exércitos desembarcando ali com batalhões armados até os dentes, para combater esses monstros. Haveria muitas baixas, indubitavelmente. Bombardeios cirúrgicos não funcionam. Claro que as democracias ocidentais não vão chegar a esse ponto, que envolve sacrifício de seu pessoal de uniforme. Mas, sinceramente, há muito não tínhamos uma barbárie dessas proporções. Se o mundo permitir, vão continuar matando, estuprando, torturando… E, vinte anos depois, testemunharemos uma nova Ruanda.

Seguem uma reportagem sobre a nefasta organização e um vídeo mostrando um pouco do que é o Estado Islâmico – as imagens são fortes (legendas em alemão podem ser desativadas).

Inside Islamic State: crucifixions, severed heads, indoctrination

Lara Marlowe

Last Updated: Tuesday, August 19, 2014, 14:41

Until now, journalists who attempted to cover the Sunni Muslim fundamentalist enclave in northern Syria and Iraq known as the Islamic State were invariably taken hostage.

Medyan Dairieh, a London- based Palestinian war reporter, won the group’s trust through his past reporting on jihadists. Dairieh was embedded with IS officials for three weeks in Raqqa, Syria, the “capital” of the Islamic caliphate.

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Artigo no Intelligence & National Security

É com grande satisfação que informo que artigo nosso, intitulado The Spies Who Came from the Tropics: Intelligence Services and Democracy in Brazil, foi publica no periódico Intelligence & National Security, um dos mais conceituados da área. Ali faço uma análise da atividade de inteligência no Brasil. Para adquirir o artigo ou a Revista acesse: 

http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02684527.2014.915178#.VA70JvldWZo

Intelligence and National Security

Volume 29, Issue 4, 2014

Special Issue:   Democratisation of Intelligence

The Spies Who Came from the Tropics: Intelligence Services and Democracy in Brazil

The Spies Who Came from the Tropics: Intelligence Services and Democracy in Brazil

 DOI: 10.1080/02684527.2014.915178
Joanisval Brito Gonçalves*pages 581-599
 Published online: 10 Jul 2014
Abstract

Despite the emergence of Brazil as a global power, little is known about its security and intelligence services and the way they are seen by Brazilian society. This article analyzes the Brazilian perception of the role of its intelligence services and the relationship between the intelligence community (IC) and the decision makers. The historical background of intelligence in Brazil and a general overview of the Brazilian IC after the reestablishment of democracy are presented, as well as the general mechanisms of control and accountability of the secret services. Finally, there is consideration of some concerns on reforming the intelligence sector and its control and oversight apparatus.

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Atentado no Chile: vamos aqui esperar a vidraça ser quebrada?

O que aconteceu ontem no metrô de Santiago pode servir de alerta às autoridades brasileiras: o terrorismo é uma realidade, não tem a forma somente de jihadismo ou de muçulmanos de turbante atacando ocidentais (e outros muçulmanos, que é quem mais morre vítima do terrorismo) e pode acontecer em qualquer parte do planeta.

Alguns dados importantes sobre o Chile: o país se desenvolveu muito nas últimas três décadas, tem seguido com bastante êxito a via democrática e a Economia liberal e, mesmo com um governo de esquerda, os chilenos têm demonstrado grande habilidade em governar de forma conciliatória e sob uma perspectiva de Estado. Para quem não conhece Santiago, o atentado ocorreu em Las Condes, uma área relativamente nova e moderna da cidade, com muitos prédios de escritório, edifícios espelhados e empresas do setor financeiro. Outra coisa: no dia 11 de setembro próximo será o aniversário de 41 anos do golpe que derrubou Allende e o primeiro 11/09 do segundo mandato de Bachelet.

Como ensina o amigo e especialista em contraterrorismo Adriano Barbosa, Delegado de Polícia federal, um país pode ser base, alvo, ou palco de ações terroristas (às vezes os três). Há muito anos que tenho dito que o Brasil precisa se preparar mais para lidar com esse problema, tanto no que concerne ao terrorismo internacional quanto ao doméstico. Essa preparação envolve, por exemplo, investimento em inteligência, capacitação do pessoal da área de segurança, e promoção de maior integração e coordenação entre os órgãos de segurança e inteligência.

Enfim, precisa haver vontade política para tratar a questão da ameaça terrorista no Brasil. Afinal, é muito complicado esperar que a vidraça seja quebrada para fazer alguma coisa.

Minha solidariedade e apoio aos muitos amigos chilenos. Y viva Chile!

Bachelet encabeza Consejo Operativo de Seguridad tras ataque explosivo en el Metro

En la cita participan los ministros del Interior y Justicia, así como las máximas autoridades de las policías, del Ministerio Público y de la Corte Suprema. 

Emol.com, por María Cristina Romero, 09.09.2014
Bachelet encabeza Consejo Operativo de Seguridad tras ataque explosivo en el Metro

Bachelet encabeza Consejo Operativo de Seguridad tras ataque explosivo en el Metro.Foto: Álex Moreno, El Mercurio

SANTIAGO.- Desde las 08:30 horas de este martes, la Presidenta Michelle Bachelet encabeza un Consejo Operativo de Seguridad, en el Palacio de La Moneda, tras el atentado ocurrido la tarde de ayer en el Subcentro de la estación Escuela Militar, donde 14 personas resultaron con lesiones.

En la cita participan los ministros Rodrigo Peñailillo (Interior) y José Antonio Gómez (Justicia); los subsecretarios Mahmud Aleuy (Interior) y Antonio Frei (Prevención del Delito), el general director de Carabineros, Gustavo González; el director general de la PDI, Arturo Herrera, y el jefe de la Agencia Nacional de Inteligencia (ANI), Gustavo Villalobos.

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O Hino da Independência

Em 7 de setembro de 2011, ano inaugural de Frumentarius, publiquei o texto que segue sobre o Hino da Independência. Essa composição, bela peça de autoria de nosso primeiro Imperador, sempre enche de emoção os patriotas brasileiros, monarquistas ou republicanos. A bandeira imperial brasileira também foi idealizada por Pedro I, com o Brasão do Império pintado por Debret. Dois dos maiores símbolos nacionais remontam, portanto, aos tempos pré-republicanos. Interessante notar, ainda, que nosso hino nacional brasileiro também é o hino do Império do Brasil, que foi mantido (a letra foi inserida no período republicano).

Neste momento de crise de moralidade, não há como não deixar de pensar em uma época em que valores nacionais eram cultuados, e em que havia uma grande quantidade de homens públicos competentes, preparados e que se preocupavam com os interesses maiores da nação, homens como José Bonifácio e Joaquim Nabuco. O País precisa recuperar esses valores.

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Seguem um filme com o Hino da Independência e o texto que publicamos em 2011.

Hino da Independência

Pintura em que D. Pedro I realiza a execução da peça musical dedicada ao Hino da Independência.

Uma das mais belas peças dentre as melodias cívicas, o Hino da Independência deveria ser executado com mais freqüência no País, trazendo orgulho a todos os brasileiros. Afinal, quantos países têm o privilégio de ter um hino tão rico e belo composto pelo goverante?!? Para ouvi-lo, clique aqui

O 7 de setembro é data importante para lembrar que ainda temos muito que lutar pela nossa independência como nação sobera, libertando-nos dos grilhões pérfidos da corrupção, da desigualdade e do retrocesso!

Ah, como carecemos de brasileiros comprometidos com um bem maior, com o desenvolvimento do País e com a probidade no trato da coisa pública! Quantos estão dispostos a morrer pelo Brasil?

HINO DA INDEPENDÊNCIA

(Extraído de http://www.brasilescola.com/historiab/hinodaindependencia.htm)

Se a arte imita a vida, podemos notar que a história do Hino da Independência foi tão marcada de improviso como a ocasião em que o príncipe regente oficializou o fim dos vínculos que ligavam Brasil a Portugal. No começo do século XIX, o artista, político e livreiro Evaristo da Veiga escreveu os versos de um poema que intitulou como “Hino Constitucional Brasiliense”. Em pouco tempo, os versos ganharam destaque na corte e foram musicados pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830).

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192 anos da Independência: Pátria Amada, saqueada

independencia2Há 192 anos, um príncipe português (que amava esta terra como poucos) rompia os laços com a metrópole e proclamava o Brasil um país independente. Uma nova nação se erguia, com um povo valoroso que ansiava por ocupar seu papel de destaque no cenário internacional. Verde e amarelo eram nossas cores. O regime monárquico nos unia e garantia um Estado democrático, Nascia um país rico pela própria natureza, próspero por suas riquezas naturais e, sobretudo, por seu povo singular.

Passados quase duzentos anos do episódio do Ipiranga, pouco há a se comemorar no Brasil independente. Há como se dizer independente, se a nação é saqueada, pilhada, a corrupção impera, homens e mulheres inescrupulosos buscam qualquer oportunidade para roubar e se locupletar da coisa pública, como se de ninguém ela fosse? Denúncias de corrupção em altas esferas do poder nacional se espalham. Ao mesmo tempo, o cidadão se vê vítima também dos “bandidos pequenos”, que se proliferam e roubam, roubam, roubam, com a certeza da impunidade. Será que nos transformamos em uma pátria de ladrões?

Os brasileiros temos pouco a comemorar nestes 192 anos da independência. O País perde valores, ensina-se racismo e ódio nas escolas, parte significativa da população torna-se refém de assistencialismos, o mérito deixa de ser importante, substituído pela afirmação de incompetência  e pelo vínculo ideológico como as únicas formas de se vencer na vida. O que conta, o que se ensina, é o quanto se pode sugar do Estado. A livre iniciativa e o empreendedorismo são condenados e aquele que se faz por si mesmo não tem lugar diante da massa que só prospera por meio de benesses do Estado, pois aqui o melhor é ser “coitadinho”.

CORRUPção1Mensalões e petrolões  assolam o país. A classe política encontra-se completamente desacreditada. Mas ela é só um reflexo do povo que lhe transfere poder. Sim, porque os brasileiros são responsáveis por seus governantes. Gritos de mudança se perdem em meio a mentiras e manipulações. Bandeiras vermelhas e negras assumem o lugar do verde o do amarelo que fundaram a nação. E tudo segue, como se normal fosse. O que importa é o próximo capítulo da novela, ou o jogo da próxima quarta.

Há muito não se via um momento tão crítico na História do Brasil. Infelizmente, o Estado está aparelhado, corações e mentes submissos, mentira e manipulação imperam, e a população tão dependente das benesses públicas, que permanece passiva, bestializada diante do mar de lama que assola o País.

corrupcaoBrasilEm 192 anos de existência, o Brasil parece, realmente, sem rumo. Incompetência gerencial e corrupção, roubalheira generalizada e desavergonhada, assistencialismo, imposição de um discurso mentiroso, falta de valores cívicos, de respeito, de preocupação com o bem comum, tudo isso faz deste País dependente de um grupo com um projeto de perpetuação de poder, e da população completamente refém de si mesma. E o pior, não se percebe sinais de mudança.

Cerca de duzentos anos atrás, o Rei Dom João VI alertou seu filho Pedro de que se atentasse para os aventureiros que poderiam se apossar do Brasil. Dessa maneira, teria dado sua benção para que o amado filho tornasse esta terra independente. Após dois séculos, o Brasil está na mão de aventureiros e aproveitadores, sob o jugo não mais de portugueses, mas dos próprios brasileiros. Precisam proclamar novamente nossa independência e romper com os lações ideológicos e de servidão que fazem 200 milhões de homens e mulheres reféns de brasileiros inescrupulosos. Se não for proclamada uma nova independência do Brasil, a alternativa para esta nação será a morte.

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INASIS – Pós-Graduação em Inteligência – 8ª Turma

intelligence_1É com imensa satisfação que informo que já estão abertas as inscrições para a 8ª Turma do Curso de Especialização em Inteligência de Estado e Inteligência de Segurança Pública, uma das mais tradicionais e respeitadas pós-graduações na área. Até a 7ª Turma provida pela Fundação Escola do Ministério Público de Minas Gerais, a partir deste ano a especialização estará sob os auspícios da Associação Internacional para Estudos de Segurança e Inteligência (INASIS).

As aulas presenciais, como de costume, serão ministradas uma vez por mês, em finais de semana, às sextas-feiras e aos sábados, em Belo Horizonte/MG. Recomendo.

Para acessar o sítio da INASIS, clique aqui. Agradecemos a divulgação.

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8ª. Turma da Especialização em Inteligência de Estado e Inteligência de Segurança Pública

Associação Internacional para Estudos de Segurança e Inteligência / International Association for Security and Intelligence Studies (INASIS) é a responsável pela Especialização em Inteligência a partir da 8ª Turma.

As aulas serão ministradas uma vez por mês, em finais de semana, às sextas-feiras e aos sábados, em Belo Horizonte/MG.

A Especialização em Inteligência de Estado e Inteligência de Segurança tem tido, como alunos, delegados da Polícia Federal, agentes da Polícia Federal, membros dos Ministérios Públicos Federal, Estaduais e do Trabalho, oficiais de Polícias Militares, delegados de Polícias Civis, juízes federal e estadual, oficiais das Forças Armadas, auditores fiscais federais e estaduais, chefes de agências centrais de inteligência de segurança pública e fiscal, oficiais da Agência Brasileira de Inteligência, agentes de controle de Tribunais de Conta da União e Estaduais, agentes penitenciários, agentes de órgãos estatais de controle e transparênci­­a, dentre outros.

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Dia do Profissional de Inteligência e INASIS

foto-lamparina-04Na data de hoje se comemora o Dia do Profissional de Inteligência. A escolha do 6 de setembro repousa no fato de que, neste dia, em 1946, foi promulgado o Decreto-Lei nº 9.775, que instituiria o Conselho de Segurança Nacional e, em sua estrutura, um órgão de inteligência (ou informações, como se dizia na época), o qual daria origem ao primeiro serviço secreto formalmente estabelecido pelo Estado brasileiro, o Serviço Federal de Informações e Contra-Informações (SFICI).

Apesar de instituído por Eurico Gaspar Dutra, o SFICI só entrou efetivamente em funcionamento a partir de 1956, quando o Presidente Juscelino Kubitschek enviou brasileiros aos EUA para treinamento nos serviços secretos daquele país. Um aspecto interessante do SFICI é o serviço começou a funcionar no auge da democracia brasileira do pós-II Guerra Mundial, em um Governo considerado um dos mais democráticos de nossa história. Importante lembrar disso para assinalar que democracia e inteligência são plenamente compatíveis e nenhuma grande democracia pode prescindir de serviços secretos.

Apesar do pouco reconhecimento nos dias de hoje, o SFICI foi um marco da atividade de inteligência no Brasil, não só em virtude da formação de uma doutrina e de práticas adotadas até hoje, mas porque dali advieram grandes brasileiros que conduziriam o País nas décadas seguintes, como o próprio General Golbery do Couto e Silva e o Presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo. Geralmente, a importância desse órgão de vida curta é deixada a segundo plano exatamente porque ele foi sucedido pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), que se consolidaria como uma das melhores e mais importantes agências de inteligência do Hemisfério Ocidental.

golbery1Também nesta data solene, gostaria de informar a todos os amigos e profissionais da comunidade de inteligência que foi criada recentemente a Associação Internacional para Estudos de Segurança e Inteligência (INASIS), primeira organização deste nível com sede no Brasil. Apesar de sua criação recente, a INASIS já conta entre seus associados com profissionais de segurança e inteligência de todo o Brasil e dos vários segmentos de Governo e da iniciativa privada. Dispõe, ainda, de com representações em outros países como Argentina, Chile, Canadá, Portugal, Estados Unidos, Reino Unido e Espanha, conduzidas por figuras de destaque na área.

A INASIS congrega pesquisadores e profissionais da inteligência e segurança na mesma associação,  a fim de produzir resultados proveitosos para todos. É um espaço de atuação construtiva, crítica, pragmática e alternativa, integrando associados oriundos tanto de países desenvolvidos quanto de nações emergentes. Logo tratarei mais informações a respeito da INSAIS. Para acessar o site da organização e se filiar, clique aqui.

Passa da hora deste País dar o devido valor ao profissional de inteligência e à atividade por ele exercida. Passa da hora dos dirigentes desta nação entenderem que um tomador de decisão que não recorra à inteligência acabará vítima no inesperado.

A todos os profissionais de inteligência, homens e mulheres que operam no silêncio, meu fraternal abraço!

OTAN: agora tudo se resolve! (só que não)

nato_summit_2014_fightersAlguém na OTAN descobriu que a organização é uma aliança militar! Pois é, na cúpula realizada no País de Gales (com direito a show de aviõezinhos sobrevoando palanque e soltando fumaça colorida – quero ver fazer isso nos céus da Estônia, da Polônia ou próximo a Kaliningrado), os líderes decidiram pelo envio de uma “força de ação rápida” para garantir a defesa e a integridade territorial dos países-membros do Leste Europeu contra uma agressão externa (leia-se, da Rússia).

Há quem comemore essa atitude da Aliança Atlântica como um “ato de força que conterá o expansionismo de Moscou” e restabelecerá as boas relações no continente. Afinal, é a OTAN, né? Quem ousar se meter com ela terá uma resposta de 28 nações, com um potencial bélico significativo. Ok, só que não consigo acreditar nessa disposição de endurecer com a Rússia – será que Putin acredita? Será que os próprios líderes da OTAN acreditam?

A iniciativa aprovada hoje mais parece uma tentativa de se dissimular a incapacidade de ação. Entendi dois recados aí. O primeiro, para os países do Leste, particularmente os estados bálticos e a Polônia (sempre a Polônia), é uma mensagem para acalmar os nervos daquela gente (afinal, os líderes dali devem estar à base de Rivotril com o risco de “intervenção humanitária” russa): “Não se preocupem! Estamos juntos! Não vão atacar vocês porque sabem que estão sob nosso guarda-chuva! Acalmem-se!” – só que os poloneses já ouviram isso antes, há exatos 75 anos… e estonianos, letões e lituanos sabem o que são quatro décadas de ocupação russa.

Putin-em-desfile-militar-size-598O segundo recado foi para a Rússia: “A OTAN garantirá a defesa e integridade de seus países-membros! Temos garras (apesar de garras com unhas pintadas há algum tempo)! Não mexa conosco!” Só que o outro lado disso é que… a Ucrânia não é membro da OTAN. Portanto, para meio entendedor, fica claro que a Organização não vai dar passos mais largos do que esses contra o Urso. Seria temerário fazer alguma coisa mais incisiva…

Haveria um terceiro recado, este para a Ucrânia: “Vejam bem, a coisa não está boa para vocês. Damos apoio total a seu pleito… exceto apoio militar. Não esperem que encaremos a Rússia para defender russos (tá, ucranianos… mas vocês não são todos soviéticos?!?!?). E tratem logo de negociar a paz e aceitar os termos de Moscou. Tudo vai ficar bem!”.

nato_summit_2014Enfim, a incapacidade da OTAN para gerenciar essa crise me faz lembrar a habilidade da Liga das Nações nos momentos tensos dos anos 1930. E vai acabar com o mesmo destino: virar uma organização só para sustentar sua própria burocracia e com pouca ou nenhuma influência real no mundo. Não dá para desaparecer como o Pacto de Varsóvia. Será portanto, um morto-vivo errante pela política mundial…

É assim que vejo a crise da Ucrânia. Não há líderes ocidentais que tenham coragem de (juntos ou isoladamente) encarar Putin e conter suas pretensões… a não ser, claro, Frau Merkel. Aprendam com essa mulher. Ela é durona e uma boa interlocutora junto aos russos (que conhece bem). Gosto de Frau Merkel. Mas também gosto de Putin. Putin é KGB.

Otan aprova presença militar contínua no Leste Europeu

Deutsche Welle, 05/09/2014 – Link permanente http://dw.de/p/1D7mQ

Diante da atual ameaça representada pela Rússia, líderes acertam criação de nova força de reação rápida e manutenção de tropas nos países orientais da aliança.

Os líderes da Otan aprovaram nesta sexta-feira (05/09), durante cúpula no País de Gales, a criação de chamada força de reação rápida e a manutenção de uma presença contínua no Leste Europeu, onde alguns países-membros estão preocupados com os movimentos russos na Ucrânia. A nova “ponta de lança”, como também é chamada a força de reação rápida, deverá ser formada por milhares de soldados, prontos para entrar em ação em poucos dias.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que a nova unidade enviará uma mensagem clara para potenciais agressores, como a Rússia. “Se você pensar em atacar um aliado, estará de frente com toda a aliança”, declarou ele durante o encerrameno do encontro de dois dias.

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A mais legítima das nossas constituições

imageEntre as publicações da Semana da Pátria, gostaria de fazer referência hoje à melhor constituição que este país já teve e que neste ano completou 190 anos de sua promulgação: a gloriosa Constituição do Império do Brasil, de 1824. Peça jurídico-política fascinante, nossa primeira (e, em que pesem os arroubos republicanos, única e legítima) Constituição durou 67 anos, ao contrário das peças republicanas que parecem ter tempo de validade (cerca de 20 anos)…

Acredito que todos os que se interessam por Política e por História deveriam conhecer a Carta de 1824, obrigação esta também aos juristas. Constituição plástica, objetiva, liberal e democrática, permitiu ao País manter-se como uma democracia unida nos anos de maior tormenta, quando tivemos guerras intestinas e conflitos com os vizinhos.

Gosto da Carta de 1824. E trarei para esta página alguns trechos dela nos próximos dias. O primeiro deles refere-se a seu último artigo, o 179, que trata dos direitos e garantias individuais. Ora, vejo muita gente falando da Carta de 1988 como “constituição cidadã”, como se direitos civis tivessem sido por ela inventados. Não é bem assim. No texto constitucional de 1824 vemos o direito de ir e vir, a liberdade de opinião e de expressão, liberdade religiosa (em um país em que o Estado dispunha de religião oficial), inviolabilidade do lar, o direito ao contraditório e à ampla defesa…

De fato, nossa Constituição do Império já tratava de direitos individuais e de uma forma muito semelhante àquela de 1988. Note-se, porém, que foi produzida no início do século XIX, em um país considerado periférico, que há pouco deixara de ser colônia e em uma época em que os ideais revolucionários de 1789 eram rechaçados pelo retorno do Antigo Regime na Europa.

Conheça o art. 179, e tire suas próprias conclusões. Só peço que leia com atenção, despido de preconceitos, e até o final.

Viva o 7 de setembro! Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Constituição do Império do Brasil (1824)

Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Imperio, pela maneira seguinte.

        I. Nenhum Cidadão póde ser obrigado a fazer, ou deixar de fazer alguma cousa, senão em virtude da Lei.

        II. Nenhuma Lei será estabelecida sem utilidade publica.

        III. A sua disposição não terá effeito retroactivo.

        IV. Todos podem communicar os seus pensamentos, por palavras, escriptos, e publical-os pela Imprensa, sem dependencia de censura; com tanto que hajam de responder pelos abusos, que commetterem no exercicio deste Direito, nos casos, e pela fórma, que a Lei determinar.

        V. Ninguem póde ser perseguido por motivo de Religião, uma vez que respeite a do Estado, e não offenda a Moral Publica. Continuar lendo

Kiev em duas semanas

Putin (1)A Rússia sempre teve sua História marcada por líderes fortes. Desde Ivã, o Terrível, passando por Pedro I, Catarina, a Grande, Alexandre II, Josef Stálin, para governar o maior país do globo parece que um punho de ferro tem sido o mais conveniente… Os fracos não têm muito espaço naquelas terras – vide o que aconteceu com Nicolau II, homem bom, mas que vacilou em um momento de extrema importância e sacrificou sua dinastia.

Nas últimas três décadas, certamente o nome forte que marcará a História russa é o de Vladimir Putin, ou Vlad, o Terrível. Jogando com ousadia e firmeza uma partida com as grandes potências, Putin tenta recuperar o prestígio da Grande Rússia, aí incluídos  territórios e pessoas que o perdidos desde o colapso da União Soviética. O alvo agora é a Ucrânia… mas, como assinala a reportagem da Deutsche Welle, os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia) já colocam as barbas de molho (e devem colocar mesmo!).

“Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas!” – essa frase, que teria sido dita por Putin ao Presidente da Comissão Européia, Durão Barroso, é bastante elucidativa do que está disposto a fazer o novo czar. E também do que ele pode fazer. Não acho que vá passear pelas ruas da capital ucraniana nos próximos dias… mas, com uma ameaça como essa, pode conseguir mais um pedaço daquele país… Isso é o que se chama “botar um bode na sala”. Claro que tudo vai depender de como reagem os ocidentais.

Putin está jogando. Está testando a União Européia e os EUA. Conhece as fraquezas e vulnerabilidades de seus antagonistas e as suas próprias. Sabe que a Europa continua atemorizada e divida e, realmente, pouco disposta a fazer alguma coisa mais firme pelos ucranianos (que, repetirei sempre, e por mais cínico que isso pareça, estão e sempre estiveram na zona de influência russa). Por outro lado, há sempre a paúra de que a Rússia continue sua expansão rumo a oeste – é um medo atávico, irracional. Não acredito que Putin fosse além das tradicionais fronteiras… soviéticas.

Continuando a análise sobre os antagonistas de Moscou, do outro lado do Atlântico, um líder que parece perdido, e que se revela surpreendentemente fraco e titubeante ao lidar com questões de política externa. Há muito não se via um Presidente dos EUA demonstrando tanta inabilidade ao lidar com os russos (talvez porque seja ela da geração pós-Guerra Fria). Claro que, diante desse quadro, Putin não vacila… e tenta abocanhar o quanto mais puder. Três décadas depois, parece haver uma inversão de papéis no temperamento dos líderes estadunidense e russo. Nos anos oitenta, Reagan era firme e Gorbatchev vacilante (gosto muito de Gorbatchev, que fique claro… e de Reagan).

Interessante que não há como não pensar na Europa do final dos anos 1930, quando britânicos e franceses conduziram uma malfadada política de apaziguamento diante das pretensões de um certo chanceler alemão. Deu no que deu. E, por falar em alemães, a solução para essa crise parece repousar cada vez mais na habilidade política da única entre os líderes europeus que ainda se mantém firme: Frau Merkel. Ainda bem que Frau Merkel está lá. Como alemã oriental, a Chanceler conhece bem os russos e conhece Putin. Sabe como Putin joga e, de fato, resta como a esperança do Ocidente para, como diria Garrincha, “negociar com os russos”. Se isso não acontecer, o tempo continuará nublado e cada vez mais sujeito a chuvas e trovoadas.

Gosto de Frau Merkel. Gosto de Putin. Putin é KGB.

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Putin: “Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas

Líder russo teria feito ameaça ao presidente da Comissão Europeia durante telefonema momentos antes da cúpula da UE, segundo jornal italiano. Merkel adverte que não se pode confiar no Kremlin.

Philip Verminnen – Deutsche Welle, 01/09/2014 – Link permanente http://dw.de/p/1D52c

“Se eu quiser, ocupo Kiev em duas semanas.” Em meio ao agravamento da crise no leste ucraniano, a frase teria sido dita pelo presidente russo, Vladimir Putin, ao presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso, em conversa telefônica.

A informação é do jornal italiano La Repubblica. Barroso comunicou o ocorrido aos chefes de Estado e de governo presentes na cúpula da União Europeia, em Bruxelas, no último sábado (01/09). Continuar lendo

Tratamentos imperiais, reais e nobiliários

TITULOS_NOBREZAEstamos na Semana da Pátria, quando celebramos os 192 anos do Grito do Ipiranga, ocasião em que o Brasil rompeu os laços coloniais com Portugal e, graças a portugueses e brasileiros que amavam esta terra, a começar por Sua Majestade Imperial e Real, Dom Pedro I, tornou-se uma próspera e unida nação, abençoada por ser uma monarquia em meio à diversidade de repúblicas e republiquetas deste continente.

Buscarei publicar, nos próximos dias, assuntos referentes à monarquia, que tanto agradam a meus leitores (é interessante como publicações relacionadas a assuntos monárquicos estão entre as mais procuradas neste site, assinalam as estatísticas). Nessa linha, gostei do texto a seguir, retirado da revista eletrônica “Mundo da Nobreza“. Como se dirigir a imperadores, reis e nobres? Quais pronomes de tratamento utilizar? Espero que um dia possamos, novamente, usar alguns desses aqui em Pindorama, quando a república anacrônica e corrompida for substituída pelo novo e moderno Império do Brasil!

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Brasil.Império

TRATAMENTOS

Muitas vezes nos perguntamos: “Qual a correta maneira de se dirigir a um Príncipe, ou a um outro Nobre?”, para responder a esta, e outras perguntas, a Revista Eletrônica Mundo da NOBREZA publica as corretas formas de tratamento, pelo qual se deve dirigir a cada Membro da Realeza, Nobreza ou Aristocracia.

Os tratamentos estão organizados do mais elevado ao menos importante.

SUA SANTIDADE (S.S): É a mais elevada forma de tratamento, que é de uso exclusivo do Santo Padre o Papa, que como Soberano da Santa Igreja Católica, é também o Chefe de Estado do Principado da Cidade do Vaticano. Possui muitos outros títulos, como Sumo Pontífice, ou Pai dos Reis e dos Príncipes, etc.

SUA SACROSSANTA MAJESTADE IMPERIAL (S.S.M.I.): Título que era utilizado pelos Sacrossanto Imperadores Romano-Germânicos, até 1806. Atualmente não é mais utilizado.

SUA MAJESTADE IMPERIAL E REAL (S.M.I&R.): É a mais elevada forma de tratamento dada a um Monarca, sendo que é reservada aos Imperadores, que também possuam a dignidade de Reis.

SUA MAJESTADE IMPERIAL (S.M.I): É o tratamento dado aos Imperadores, para assim serem distinguidos dos demais Reis. Hoje é quase inexistente seu uso, mas foi o tratamento utilizado pelos Imperadores do Brasil, do México, e pelos Monarcas Britânicos, durante a existência de seu Império colonial. Continuar lendo

A crise da Ucrânia e o gás para a Europa

gas_ucraniaHá muito não se vive um momento tão tenso na Europa. Os líderes europeus parecem ter esquecido como lidar com a Rússia. E também esqueceram que, há cerca de setenta anos, havia 7 milhões de soldados soviéticos em território europeu.

Ok, muita coisa mudou. Porém, a Ucrânia continua zona de influência russa, goste-se disso ou não. E Moscou não vai aceitar resignado que Kiev migre para a esfera de Bruxelas (nem na União Europeia e muito menos na OTAN). Quando a corda apertar, a pergunta que se vai fazer é “quantas divisões tem Durão Barroso?”. Outra questão possível é: quanto de gás tem a Europa?

Sim, muita coisa mudou desde que as hordas bolcheviques marcharam sobre a Europa. A própria Europa mudou. Os anseios europeus mudaram. A Rússia, porém, não mudou muito. A Rússia será sempre a Rússia. E o inverno está chegando…

Segue artigo interessante da RIA NOVOSTI (percepção russa, portanto), sobre a crise relacionada à aproximação da Ucrânia com a União Européia.

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RIA Novosti

The EU and Russia Policy: Happily Forgotten Lies

21:47 02/09/2014

MOSCOW, September 2 (RIA Novosti) – Some of the world’s worst criminals claimed that they committed their crimes in a fit of forgetfulness or oblivion, without actually realizing they were doing something wrong. Khodorkovsky for example complained to the German magazine Der Spiegel that he “sometimes suffers from memory holes.”

But of all the powerful people in the world, the EU commissioners are probably the most forgetful. When scanning their statements on Ukraine, one gets an impression of dealing with individuals who forget not only their own words but even of locations where they happen to be or to have been. Here are some examples. Continuar lendo

Asfalto molhado, atenção redobrada em Brasília

Serviço de utilidade pública de Frumentarius. Hoje o céu desabou em Brasília, dando início à estação das chuvas na capital brasileira. E, como temos muitos amigos e leitores que chegaram há pouco a nossa amada cidade e não conhecem cenário diferente daquele da seca, gostaríamos de alertar para outra particularidade desta terra: com as primeiras chuvas, o asfalto de Brasília adquire uma composição semelhante a sabão (isso que você leu). Não trarei as explicações físico-químicas para o fenômeno. Mas o que desejo é alertar nossos motoristas (os brasilienses e os recém-chegados à cidade) para que redobrem a atenção ao dirigir por aqui com as chuvas.

Só quem é de Brasília sabe realmente como o asfalto com óleo de meses em reação com a água faz as nossas pistas perigosas. Dirija com atenção, mantenha distância do carro da frente. Nosso asfalto é realmente diferente, acredite!

Outra coisa: há sempre a possibilidade de que os bueiros fiquem entupidos e os alagamentos ocorram, principalmente nas nossas “tesourinhas”. O conselho, nesse caso, é: quando começar o pé d’água, pare o carro em um lugar seguro e espere – costuma passar rápido e depois só garoar. Nunca, em hipótese alguma, entre em uma tesourinha que começa a alagar – você pode ter uma péssima experiência. E, se a água chegar à janela do seu carro (não é brincadeira, isso pode acontecer), deixe o veículo e vá embora (nadando), pois é melhor perder o carro que a vida.

Para ilustrar o que é Brasília com chuva, segue o vídeo do herói Leônidas, o surfista do Planalto, um ícone de nossa terra!

O Brasil e a Grande Guerra

O Jornal do Senado publicou, na segunda, 01/09, especial sobre a participação do Brasil na I Guerra Mundial. Há uma pequena contribuição nossa para a reportagem.

Para acessar a edição, clique aqui (página 4).

Foi feito, ainda, um vídeo muito interessante sobre a atuação do Brasil no conflito e o papel do Senado no debate sobre a conveniência política do País se envolver na Guerra. Achei didático e recomendo.

As primeiras gotas da Grande Tormenta

hitler_stalin_same2014 é um ano de grandes efemérides nos campos político e militar: 150 anos do início da Guerra do Paraguai e da Primeira Convenção de Genebra, 60 anos da morte de Getúlio Vargas, 50 anos do movimento de 31 de março de 1964, 100 anos do começo da Grande Guerra, 70 anos do Dia D (6 de junho) e da Conferência de Bretton Woods, só para lembrar alguns…

Não obstante, o dia 1 de setembro jamais será esquecido, em razão de um evento que em 2014 completa 75 anos: o início da II Guerra Mundial. Naturalmente, essa data não poderia ser esquecida em Frumentarius.

As origens do maior conflito por que já passou a humanidade podem ser encontradas no fim da guerra anterior, a Grande Guerra de 1914 a 1918: o Tratado de Versalhes e a responsabilização da Alemanha, que levariam à revolta dos alemães contra o que lhes fora imposto pelos vencedores; a inabilidade das Potências europeias em garantir a segurança coletiva por meio da Liga das Nações; o apaziguamento de britânicos e franceses diante dos anseios expansionistas de Adolf Hitler que, por sua vez, conseguira reerguer o país e recuperar o moral da população e desejava, a todo custo, o espaço vital para construir o império de mil anos… Tudo isso culminaria nos acontecimentos de 1 de setembro de 1939.

De fato, em 1939, a Política Exterior do III Reich parecia que conduziria a Alemanha a uma guerra avassaladora e definitiva contra seu maior rival, a União Soviética. Era o que esperavam franceses e britânicos, que sob a égide do discurso apaziguador, aguardavam ansiosos o momento em que, com seus movimentos expansionistas rumo ao Leste, Adolf Hitler entraria diretamente em choque com o outro grande ditador de seu tempo, Josef Stálin. Então aconteceria o tão esperado confronto entre os dois gigantes totalitários, o III Reich e a União Soviética, que culminaria na destruição de um e no enfraquecimento do outro, ou no colapso de ambos, o que beneficiaria sobremaneira as Potências ocidentais.

soviet_nazi_pact_1Mas Londres e Paris não contavam com o improvável: em 23 de agosto daquele ano, era assinado o Pacto Molotov-Ribbentrop, a aliança entre a Alemanha nazista e a União Soviética comunista, a inconcebível aproximação entre os dois inimigos tradicionais, o aperto de mãos (simbólico) entre os tiranos Hitler e Stálin. Aquele Tratado permitiria a expansão alemã para o Leste, a invasão, ocupação e partilha da Polônia. Aquele acordo deixaria atônitos britânicos e franceses.

a74ccf7c57b9858192d4630c18f8531dE foi exatamente o que aconteceu: um semana depois, diante dos olhares perplexos do mundo, na madrugada de 1 de setembro, tropas alemãs cruzavam a fronteira da Polônia. Apesar da bravura e do empenho em conter o inimigo, os poloneses não resistiriam mais que seis semanas à máquina de guerra germânica, associada ao ataque maciço do Exército Vermelho, que cruzou a fronteira vindo do Leste alguns dias depois. Alemães e soviéticos se encontrariam em Brest-Litovskyi, exatamente onde fora celebrado o tratado de paz entre o Reich Alemão e o governo bolchequive, em março de 1918 (tratado que, verdadeiramente, era a humilhante capitulação da Rússia na I Guerra Mundial).

A partir daquele primeiro dia de setembro, os sinos seriam silenciados por longos seis anos nas igrejas da Europa. Dor, sofrimento, destruição e morte seriam infligidos a outros povos como nunca se vira. E o conflito iniciado em solo polonês se expandiria pelo continente e por todo o planeta, culminando na perda de algo como cem milhões de vidas humanas. O acontecimento de 75 anos passados seria o começo da maior e mais trágica tormenta da História…

Polen, Schlagbaum, deutsche Soldaten