Homenagem a Yuri Gagarin

Foi há exatos cinqüenta anos. Em meio à disputa entre as Superpotências pela hegemonia global, os soviéticos marcaram ponto importante na corrida espacial (que apenas engatinhava): lançaram o primeiro homem ao espaço!

O rosto que se tornou mundialmente conhecido foi o do jovem cosmonauta (como chamavam os russos) Yuri Gagarin, um pequeno grande homem (tinha apenas 1,57m de altura) que, aos 27 anos, entraria definitivamente para a história da humanidade ao orbitar por 108 minutos a terra dentro da cápsula Vostok 1. E aquele garoto simples e sorridente virou o primeiro ídolo pop da sisuda União Soviética. A propaganda da disputa bipolar se encarregou de transformá-lo em  herói e símbolo do êxito soviético!

Gagarin passou a rodar o mundo (se permitem o trocadilho), só que agora divulgando o grande feito do programa espacial soviético e de como o “Estado proletário” se mostrava também como potência tecnológica. Chegou mesmo a vir ao Brasil, onde foi recebido pelo Presidente Jânio Quadros, que o condecorou com a Ordem do Cruzeiro do Sul.

Mas a fama subiu-lhe à cabeça (poder-se-ia esperar algo diferente em um país em que a individualidade jamais poderia sobrepor-se ao espírito coletivo? – imagine como não ficou a cabeça daquele homem de hábitos simples!). Gagarin perdeu-se na bebida; acabou seu casamento. Tornou-se deputado e depois voltou à Cidade das Estrelas para se tornar piloto de caça.

Exatamente em um treino em um MiG-15 que o primeiro homem no espaço perdeu a vida, em um acidente até hoje mal explicado. Tinha apenas 34 anos. Morria o homem, nascia o mito.

Na celebração dessas cinco décadas desde o vôo de Gagarin, minha homenagem àqueles que participaram da corrida espacial, em especial dos que deram a vida tentando alcançar as estrelas, fossem cosmonautas ou astronautas.

Gagarin virou um símbolo. Ele próprio tornou-se um astro. E sua memória conduz à lembrança de um tempo romântico, em que o mundo estava divido pela disputa entre União Soviética e Estados Unidos por corações e mentes, e em que as relações internacionais eram mais simples e charmosas, e que “a Terra era azzul”. Bons tempos que não voltam mais…