Visões e versões

abaixo a ditaduraIria reproduzir aqui a entrevista de Daniel Aarão Reis, na Folha de São Paulo, sobre o período militar e a luta armada. A Folha, porém, bloqueia a opção. Coloco, portanto, o link.

Durante muito tempo desde a década de 1980, o que se produzia sobre o movimento de 31 de março de 1964 e o período militar era marcado por percepções parciais, muitas sem compromisso com a verdade e, inclusive no campo jornalístico e no acadêmico, por registros com um forte caráter ideológico daqueles que se diziam combatentes fervorosos do regime e defensores ferrenhos da democracia (ainda que fosse uma democracia socialista com o objetivo de chegar à ditadura do proletariado). Exceção nobre que deve ser lembrada é Jacob Gorender (ele próprio que acabou hostilizado pela esquerda que não aceitava sua análise coerente dos fatos).

A coisa parece estar mudando, ainda que muito lentamente. Começamos a encontrar publicações que buscam se despir das vestes ideológicas e tratar com seriedade do período. Afinal, como já disse em outros posts, deve-se considerar a percepção da época, o fato de que vivíamos em meio a uma Guerra Fria, na qual forças muito mais poderosas disputam influência junto aos latino-americanos e aos brasileiros em especial.

Houve acertos e erros de ambos os lados, portanto. A grande conclusão que se pode tirar daquilo tudo é que, não importa se de direita ou de esquerda, há sempre baixas nessas disputas de poder fora da via democrática. De toda maneira, a democracia deve ser a única opção aceitável.

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Sobre o Ebola e a dengue…

A primeira vez que ouvi sobre o Ebola foi há mais de vinte anos, quando uma epidemia na atual República Democrática do Congo ceifou muitos vidas, em pouco tempo, e o mundo vi imagens chocantes de pessoas sangrando pelos poros, o que parecia o prenúncio do Apocalipse. Aquilo realmente me assustou e, como sempre tive interesse em entender essas doenças e epidemias, resolvi pesquisar mais… Aí fiquei mais tranquilo. Fiquei tranquilo não porque o vírus não seja tremendamente perigoso (é, sem dúvida, um dos mais letais conhecidos), mas pela dificuldade deste chegar a terras brasileiras…

O Ebola tem suas origens no interior das florestas africanas. Em uma história que parece de ficção científica, o vírus permaneceu adormecido em algum hospedeiro que não era por ele afetado até que o homem o encontrou. A caixa de Pandora fora aberta. Mais de 90% das pessoas que tinham contato com a doença morriam, e rápido . Era a natureza dizendo que havia certas questões nas quais o homem não deveria meter a mão. Mas a necessidade de derrubar matas e explorar as riquezas da África selvagem falou mais alto. E o mal se propagou…

Por que não me preocupo tanto com o Ebola? Porque a possibilidade de uma epidemia global desta doença é baixa, e por uma razão bem simples: o hospedeiro humano morre muito rapidamente após o contato com o vírus. Assim, a primeira medida para contenção da doença é isolar as pessoas contaminadas.

Não é por isso que não devemos nos preocupar com o Ebola. É importante que a comunidade internacional esteja atenta à propagação da doença. Não se pode brincar com algo tão letal. Porém, no caso brasileiro, mais preocupantes são doenças epidêmicas que afetam diretamente nossa população e contaminam milhares por ano, das quais a dengue é a principal: a febre amarela, a tuberculose (que volta discreta, mas firmemente), a dengue. Sim, tenho muito mais medo da dengue. E a prevenção contra esses males é a melhor alternativa e exige empenho das autoridades públicas e de cada cidadão. Taí uma guerra justa e que tem que ser travada dia-a-dia, só podendo ser vencida se todos colaborarem.

O Brasil é um país tropical, abençoado por Deus. E tem doenças tropicais e doenças causadas por falhas no saneamento público e, em alguns casos, pela falta de cuidados de cada indivíduo. Este post só tinha por objetivo alertar para o problema.

Sobre a dengue, recomendo dois sites com informações que todo mundo deve conhecer: http://www.dengue.org.br/ e http://www.combateadengue.com.br/. Há outros.

Sobre o Ebola, para os mais curiosos, segue um artigo interesse da Deutsche Welle…

PS: Não postarei fotos de pessoas contaminadas pelo Ebola aqui porque são muito chocantes.

Ebola

Deutsche Welle – CIÊNCIA – 02/04/2014

Ebola é um dos vírus mais perigosos do mundo

Não há remédios para combater a doença, e na grande maioria dos casos ela é fatal. Transmissão acontece através do contato direto com pessoas ou animais infectados.

Em 90% dos casos, o vírus ebola é fatal. Não existem vacina ou remédio contra a doença por ele causada, conhecida como febre hemorrágica ebola e que atinge principalmente aldeias nas Áfricas Central e Ocidental, em países como Congo, Sudão, Costa do Marfim, Gabão, Uganda e agora na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa.

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Lembrai-vos de 64!

2012_primeiro_de_abril_f_007Alguns de meus leitores certamente esperam minha manifestação na data de hoje, alusiva aos 50 anos do rompimento institucional de 31 de março 1964. Claro que não deixarei a data passar em branco! Afinal, foi um dos eventos mais importantes para a História do Brasil, independentemente de se aprovar ou não o que aconteceu a partir da ordem do General Olympio Mourão Filho de deslocar suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro. O Brasil passaria por grandes mudanças econômicas, políticas e sociais.

Não farei aqui qualquer apologia ao rompimento institucional de 31 de março de 1964 (não, não chamo, não chamarei e de forma alguma usarei o termo “golpe” que se consolidou no linguajar atual, totalmente submisso às ideias daqueles que se opuseram ao regime militar; tampouco chamarei de “revolução”, pois não há fundamentos teóricos para caracterizar o evento como uma revolução… talvez uma contrarrevolução…). Entretanto, ao contrário da maioria absoluta dos que comentam a efeméride, quero trazer uma percepção mais honesta e imparcial dos eventos.

marcha da familia 1964O Brasil vivia a crise mais grave de sua história desde a morte de Vargas (24/08/1954). Estávamos no meio da Guerra Fria, e a disputa bipolar por corações e mentes tinha no maior país da América Latina um palco importante. Naqueles dias, a divisão ideológica entre esquerda e direita era concreta e colocava amigos e familiares em lados opostos. No dia 19 de março, a primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade reuniu meio milhão de pessoas em São Paulo. 500 mil pessoas clamando pela queda de Jango e expressando seu temor de que o Brasil se tornasse um país comunista. Do outro lado, greves, mobilizações de organizações de esquerda no campo e nas cidades (como o comício da Central do Brasil, que reuniu 150 mil pessoas, em 30 de março), levantes de sargentos e cabos afrontando a hierarquia e a disciplina, valores sagrados para as Forças Armadas… Tudo com apoio, ou ao menos com a aquiescência, do Presidente da República… E tudo contribuía para um ambiente instável, em que qualquer faísca poderia ensejar uma grande explosão…

andec02Portanto, em março de 1964, havia um sentimento generalizado entre a classe média brasileira (e, por consequência, entre segmentos das Forças Armadas e das classes política e empresarial, entendidos hoje como grupos conservadores) de que a coisa não ia bem aqui em Pindorama. Tínhamos um presidente da república estancieiro, homem de grandes posses, mas que pregava reformas sociais de forte viés esquerdista, socialista… Greves, manifestações de trabalhadores, ligas camponesas propondo reformas radicais no campo, insurgências nos escalões inferiores das Forças Armadas, confusão, desordem, palavras de ordem a favor e contra o governo… Jango mostrava-se muito simpático à alternativa das esquerdas, e isso gerava preocupação entre aqueles que acreditavam que o país poderia tornar-se uma nação comunista. E essa preocupação, naquele momento, tinha muito fundamento, fazia sentido.

Hoje, os comentaristas de ocasião sobre os eventos de 1964 vão dizer que era uma grande besteira essa ideia de que o Brasil poderia se tornar uma nação comunista. Não, não era bobagem. Relembro que estávamos em meio à Guerra Fria, com a influência da União Soviética e de seus satélites muito significativa por aqui, particularmente para o estabelecimento das condições elementares para uma revolução proletária, e dos Estados Unidos fomentando o temor nos segmentos mais conservadores. “Ah! Mas isso não poderia acontecer em um país com as dimensões do Brasil!”… Por que não? Aconteceu em 1917 no maior país do globo e, mais recente, em 1949, no mais populoso, ambos com características semelhantes às nossas! Para piorar, o comunismo acabara de se consolidar no continente, com a guinada da Cuba revolucionária para esfera de influência de Moscou. O próprio Brasil já sofrera tentativas, civis e militares, de sovietização. O Partido Comunista (e agremiações similares) tinha vez e voz junto a certos segmentos de nossa sociedade, segmentos relevantes. E, para piorar as coisas, o Supremo Mandatário mostrava-se demasiadamente simpático às ideias “revolucionárias”.

manchete-jb-64_0A crise institucional precipitou a queda de Jango, é certo. Mas ele caiu porque não conseguia mais se sustentar… Não teve apoio significativo para resistir, pelo visto, não quis permanecer no poder (ao contrário de Allende, em 1973, que lutou até o fim): rapidamente, tudo estava consumado. Jango caiu. E parte da população, dos políticos e dos formadores de opinião apoiou os militares, que não poderiam realizar uma ação como aquela sem a aquiescência civil…

O governo que se seguiu à queda de Jango promoveu reformas relevantes para o Brasil. A economia cresceu três vezes e meia em duas décadas. Saímos de vez da condição de país agrário para nos tornarmos uma nação industrializada e urbana. Grandes obras de infraestrutura foram executadas (cito, apenas a título de exemplo, Itaipu e a Ponte Rio-Niterói). Índices sociais melhoraram de forma significativa, como a redução de analfabetismo e da mortalidade infantil, em que pese o acirramento das desigualdades. Havia civismo. E havia segurança, com a criminalidade contida. Enfim, o Brasil realmente despontou como um gigante, e essa herança do período militar não pode ser esquecida.

20110310-140364Claro que houve abusos e arbitrariedades. Afinal, eram anos turbulentos. “Não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos”, diriam os mais cínicos. E aqui também alguns ovos foram quebrados, mas poucos, se comparados com os regimes autoritários de direita da América Latina da segunda metade do século XX, ou com os de esquerda, dos quais ainda há remanescentes (e que continuam quebrando ovos…). Poderia ter sido diferente? Sim, poderia. Poderia ter sido bem pior se a esquerda tivesse tomado o poder. Mas isso deixo para reflexão futura.

Ah, sim! E não havia democracia nos anos que se seguiram à queda de Jango… É verdade. Ainda bem que hoje vivemos em uma democracia plena, e não em uma ditadura de uns poucos que se dizem falar em nome do povo. Ainda bem que me sinto representado pelos governantes, que a corrupção foi banida de vez da estrutura do Estado, que vivemos em um Brasil onde o Legislativo e o Judiciário não são submissos ao Executivo. Ainda bem que todos têm voz nesta nossa atual democracia, que há liberdade de expressão, que a oposição existe, que ideias divergentes das do grupo que está no poder são toleradas. Ainda bem que temos liberdade econômica, com a livre iniciativa e os empreendedores tento total apoio público, sem conchavos de companheiros para dar ganho nas concorrências às empresas de companheiros. Ainda bem que, nesta atual democracia, o Estado não controla o cidadão… Ainda bem que em nossa atual democracia a carga tributária é mínima, e não vemos o dinheiro de nossos impostos escorrendo pelos ralos da corrupção, de programas assistencialistas, e do péssimo gerenciamento da máquina pública. Ainda bem que temos a democracia que nos permite ver com transparência como o dinheiro público é gerido pela Administração direta, indireta e pelas empresas públicas – e, por falar nisso, bacana ver como nossa democracia propiciou a uma empresa orgulho dos brasileiros, a Petrobrás (com acento no “á” mesmo, pois foi assim que aprendi a escrever durante o período militar) alcançar a 120ª posição entre as maiores do mundo (apesar de ter sido, há alguns poucos anos, a 12ª). Ainda bem que temos democracia hoje, com direito de ir e vir, sistemas de transporte eficientes, desenvolvimento urbano e, naturalmente, segurança pública! Sinto-me seguro em nossa democracia, pois é muito baixo o risco de um trabalhador que sai cedo para ganhar o dia não voltar para casa ao fim de sua jornada, por ser vítima de criminosos! Sinto-me seguro, já que não há aparato repressor do Estado, ninguém morre por violência em nossas prisões, e a justiça é garantida a todos, indistintamente! 

cm_1964_01Os eventos de 31 de março de 1964, transcorridos cinquenta anos, devem ser lembrados como a vitória de um grupo sobre outro na disputa pelo poder em um Brasil de crise. Não condenarei os militares e civis que aderiram à derrubada de Jango, como também não condenarei os militares e civis que resolveram combater o novo regime, pegar em armas, promover o terrorismo, muitos desejosos de ver o Brasil transformado em uma grande Cuba. Eles viveram seu momento, combateram seu combate, fizeram sacrifícios pelas ideias em que acreditavam. 

Transcorridos cinquenta anos daquele 31 de março em que o General Mourão mobilizou suas tropas, penso que já passa da hora de ficarmos remoendo o passado e olhar para o Brasil de hoje, e para a frente. Deixem os mortos descansarem! Vamos olhar para o momento em que vivemos e para a crise que nos alcança. Que 1964 só sirva para lembrar que aquilo é passado, aquele era outro Brasil, e que muita coisa mudou nesses últimos cinquenta anos. Lembremos de 1964, e pensemos que as conquistas alcançadas nas duas décadas que se seguiram, em termos de segurança e desenvolvimento, foram valiosas, e que aquele não foi só um período de violência, repressão e atraso.

Miremos, portanto, o futuro! Daqui a oito anos celebraremos o bicentenário de nossa independência. Onde e como estaremos em 2022, será uma decisão nossa, a ser tomada agora. Não deixemos que nos tirem o futuro por ficarmos olhando apenas para o passado.

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Nenhuma bandeira vermelha me representa!

bandeiras_imperio_republicaNão sei se sou apenas eu, mas fiquei muito irritado e incomodado com a imagem de estudantes hasteando uma bandeira vermelha após arriarem a bandeira brasileira na invasão à reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina. Confesso que me embrulha o estômago ver bandeiras vermelhas, com foice e martelo ou estrela, em manifestações, passeatas e protestos pelo Brasil.

Por que me ofendo tanto em ver esse gesto obsceno de substituição da bandeira brasileira por um pano vermelho? É pelo simbolismo da ação, simbolismo esse de que talvez a maioria dos idiotas que agiram daquela maneira nem tenha noção (os líderes do movimento sabiam o que estavam fazendo, mas o restante, como sempre, era massa de manobra, marionetes).

brasil06oPor que me ofendo tanto em ver esse gesto obsceno de substituição da bandeira brasileira por um pano vermelho? Porque a bandeira é um símbolo de um conjunto de idéias e, no caso do pavilhão nacional, de valores e princípios que servem de alicerce para nossa cidadania, nossa nacionalidade e nossa soberania. É a marca mais reconhecível de nosso povo, dos valores que nos unem, dos desafios que enfrentamos, dos anseios e sonhos que temos. Substituir a bandeira nacional por um pano vermelho é gesto, portanto, marcado por simbolismos.

Substituir a bandeira nacional por um pano vermelho é ofender nossa nacionalidade. Substituir a bandeira nacional por um pano vermelho é se levantar contra valores de cidadania e patriotismo. Substituir a bandeira nacional por um pano vermelho é deixar claro que um conjunto de idéias confusas (isso na melhor das hipóteses de que aquele pano sujo represente alguma coisa) são mais valiosas e valorosas que tudo aquilo que o pavilhão nacional representa.

Operation unified ResponseNenhuma bandeira vermelha me representa. E incomoda-me que estudantes, em nome de uma rebeldia infantil, de total alienação ou apenas como desculpa para fumarem maconha e posarem de revolucionários de verniz, saiam por aí hasteando bandeiras vermelhas em substituição ao pavilhão verde-amarelo. Os mentecaptos que fazem isso deveriam realmente estudar, conhecer a História, e aí saberiam quantos males foram causados sob a égide de bandeiras vermelhas… Sim, porque bandeiras vermelhas costumam estar associadas a sangue derramado, a idéias de ódio e rancor, a regimes totalitários e ao uso da violência e do terror, ainda que encobertos por um discurso de paz e solidariedade, para que homens oprimam outros homens.

dragao_bandeiraNenhuma bandeira vermelha me representa. A bandeira que me representa tem verde e tem amarelo. A bandeira que me representa se destaca como a de um País que tem todas as condições de ser grande, de um povo multiétnico e tolerante, de uma gente que batalha pela sobrevivência, que derrama seu suor na labuta desconhecida de muitos daqueles estudantes com seu discurso alienado. Diga-se de passagem, é o suor desses trabalhadores (e que talvez nunca tenham a oportunidade de chegar à universidade) que paga os impostos para custear as aulas (cabuladas) dos estudantes que protestam e a manutenção do patrimônio público que é por esses jovens rebeldes depredado. Rebeldia sem causa se cura com trabalho…

Nenhuma bandeira vermelha me representa, sobretudo quando a causa daqueles que a carregam é mesquinha, espúria e sem sentido. Estudante de universidade pública tem mais é que estudar, e não ficar fazendo manifestação para protestar contra tudo ou contra nada, ou ficar se drogando no campus. Repito, aquilo que sai de graça para ele é fruto dos impostos que toda a sociedade paga. O mínimo que deveria fazer é honrar esse sacrifício de milhões de brasileiros.

Nenhuma bandeira vermelha me representa. A bandeira que me representa tem verde e tem amarelo. E nosso pavilhão é lindo, com cores nacionais forjadas nas lutas à época da independência, de um Brasil que já foi um grande Império, uma nação altiva e promissora… são cores que há muito estão presentes no imaginário do brasileiro e simbolizam nossa nacionalidade.

bandeira esplanadaA bandeira que me representa tem verde e tem amarelo. É bandeira que esteve em momentos decisivos de nossa história (nas lutas pela unidade nacional, nos combates pela consolidação do território, na guerra contra o invasor paraguaio, na belíssima e heroica campanha de nossos pracinhas nas terras da Itália, na campanha pelas diretas)… É bandeira em nossos navios, nos produtos que exportamos, nos uniformes de nossos soldados e de nossos atletas, na camiseta da seleção canarinho, nas mãos do saudoso Ayrton Senna…

E-viva-o-povo-brasileiroA bandeira que me representa é aquela que simboliza uma nação que, conforme uma antiga canção militar, foi forjada “com fibra de herói, de gente brava”, mas também de um povo que preza pela paz e pela alegria de viver, cuja marca é a obstinação, tolerância, companheirismo, um povo que tem uma maneira singular de lidar com os desafios e as agruras da vida! Essas são as cores do meu país, essas são aos cores do Brasil, essas são as cores que simbolizam o povo brasileiro, essas são as cores que me representam.

Como é lindo nosso pavilhão! Como é lindo o losango amarelo no retângulo verde! Chamem-me de piegas, de tolo, de ingênuo, mas digo que nossa bandeira é linda, que me emociono quando a vejo, que sinto orgulho de ser brasileiro, apesar de todos os problemas com que temos que lidar como nação que quer ser grande.

Devemos ter mais apego por nossos símbolos nacionais. Devemos ter mais amor por tudo que representa nossa terra, nossas raízes, nossa história e nossa cultura singular. Devemos valorizar nosso verde e nosso amarelo e jamais permitir que um trapo vermelho nos represente…

Brazilian Formula One champion Ayrton Senna takes

VEJA

Universidades 27 de Março de 2014 Santa Catarina

UFSC: invasores da reitoria trocam bandeira nacional por pano vermelho

Direção admite que sabia de uso de drogas no campus. Delegado da PF diz que reitoria quer transformar instituição em ‘república da maconheiros’

Por Bianca Bibiano
Bandeira vermelha na UFSC
Estudantes que participam da ocupação na reitoria da UFSC substituíram a Bandeira Nacional por uma vermelha (RBS TV/Reprodução)

Os alunos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) que participam da ocupação da reitoria arriaram, nesta quinta-feira, a bandeira nacional que ficava no mastro principal da instituição e a substituíram por um pano vermelho com a inscrição “Reitoria Ocupada”. Contrário ao ato, um grupo de estudantes levou a bandeira brasileira para o Centro Tecnológico da instituição e a hasteou a meio-mastro em sinal de protesto. Pelo Facebook, o grupo afirmou também que fará uma passeata para “mostrar que nem todos os estudantes da UFSC concordam com essa ocupação da reitoria”.

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A crise da Crimeia sob uma perspectiva russa…

Alexander ChekalinExcelente artigo da Der Spiegel sobre a maneira como o Kremlin percebe a situação da Crimeia. Recomendo a leitura, sobretudo a meus alunos de Relações Internacionais. Muito interessante o fato de, como assinala o texto, a popularidade de Putin ter saltado de 67% à época dos jogos de Sochi para cerca de 80% hoje. Isso significa o apoio que o governante tem da população, que o vê como um líder forte e obstinado (exatamente do que os russos gostam…). Note-se, ainda, que até Gorbachev, prêmio Nobel da Paz, e último dirigente da União Soviética, fala em defesa de uma Crimeia na Federação da Rússia.

As perguntas centrais do artigo também merecem reflexão: a “reunificação”  da Crimeia é apenas mais um movimento contrário à redução da Rússia à condição de potência regional, em uma tentativa de recuperar a influência da época soviética, ou se trata do começo de uma série de “reconquistas” de um país que há séculos se vê como a potência hegemônica da Europa Oriental? Seria Putin um neoimperialista ou um líder que, colocado contra a parede pelas pressões domésticas e pelos desafios externos, mostra-se decidido em proteger os interesses de segurança nacional de seu país?

RUSSIA-UKRAINE-POLITICS-CRISIS-KREMLINOutra questão interessante se refere à percepção estratégica para a Defesa da Rússia diante da OTAN. O artigo assinala com propriedade que, nos tempos da União Soviética, a distância entre Moscou e as linhas da OTAN era de 1.800 km. Caso a Ucrânia ingresse da Aliança Atlântica (como desejam os EUA), essa distância se reduzirá a 500 km, e a Rússia perderia a “profundidade estratégica” tão relevante e que a protegeu das invasões de Napoleão e Hitler… Sete décadas após o fim da II Guerra Mundial, essa preocupação se mantém presente no imaginário daquele povo e na doutrina militar russa. Nesse sentido, continuo achando que o ingresso da Ucrânia na OTAN seria não só humilhante, mas inaceitável para Kremlin (e com razão, se considerarmos a perspectiva russa).

Destaco, por oportuno, a parte do artigo que se refere às possibilidades russas diante da crise e das restrições que lhe são feitas pelos ocidentais. No que concerne à Ucrânia, Putin tem o tempo e as populações russas naquele país a seu favor. Afinal, apesar das reticências do governo de Kiev, o país ainda é muito dependente de seu irmão-maior eslavo, e a minoria russa na Ucrânia é expressiva. Em termos de potências ocidentais, parecem que estas têm mais a perder do que a Rússia em uma queda de braço com Moscou. A economia européia depende mais da energia russa que os russos do comércio com a Europa. 

Finalmente, em se tratando de oportunidades, restrições ocidentais à Rússia podem fazer com que o maior país do mundo se volte para a Ásia, com novas parcerias com a China e a Índia (ambos que necessitarão, cada vez mais, de energia e matéria-prima que os russos têm de sobra). Nesse contexto, oportunidades podem surgir também para países mais afastados, como o Brasil. A falta de posicionamento do governo brasileiro nesta crise pode ser, em última instância, positiva para os interesses econômicos e geopolíticos do Brasil – desde que saiamos, alguma hora, da inércia.

Continuo acreditando que a anexação da Crimeia pela Rússia é fato consumado. Muito difícil reverter essa situação. O jogo, porém, não acabou. Ainda há muitas peças neste tabuleiro, e nenhum dos reis está nem de longe em xeque. Enquanto acompanhamos os movimentos, aproveito para lembrar que os russos são conhecidos por sua habilidade no xadrez…

People pass a mural showing a map of Crimea in Russian national colours on a street in Moscow

SPIEGEL ONLINE
03/25/2014 06:10 PM

‘Dear to Our Hearts’ – The Crimean Crisis from the Kremlin’s Perspective

By Matthias Schepp

The EU and US have come down hard on Russia for its annexation of the Crimean Peninsula. But from the perspective of the Kremlin, it is the West that has painted Putin into a corner. And the Russian president will do what it takes to free himself.

Last September, Vladimir Putin invited Russia experts from around the world to a conference, held halfway between Moscow and St. Petersburg. At the gathering, the Russian president delivered a passionate address. “We will never forget that Russia’s present-day statehood has its roots in Kiev. It was the cradle of the future, greater Russian nation,” Putin said. He added that Russians and Ukrainians have a “shared mentality, shared history and a shared culture. In this sense we are one people.”

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O Urso está lá… e tem fome.

Matéria interessante da Deutsche Welle sobre o temor das ex-repúblicas soviéticas das pretensões expansionistas russas… Não acredito que Putin fará outros movimentos expansionistas por agora… Isso não quer dizer que ele parou com suas idéias de aumentar a esfera de influência de Moscou. Lembrem-se, Putin é KGB.

De toda maneira, se eu tivesse a Rússia como vizinho também estaria preocupado (menos a China, claro, porque a China não precisa se preocupar…).

Ex-repúblicas soviéticas na mira de Moscou

Depois da Crimeia, outros vizinhos da Rússia podem ser vítimas do novo expansionismo de Putin. DW examina as situações dos diferentes países, do Báltico ao Cáucaso, passando pela União Europeia.

DW 22/03/2014

Após a anexação da península da Crimeia à Federação Russa, observadores se perguntam se o presidente Vladimir Putin teria na mira outros países na periferia da Rússia. A Deutsche Welle apresenta os eventuais candidatos na campanha expansionista do Kremlin.

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Risco de atentato: muito alto!

Nota

terrorismoTenho dito isso há anos. Espero, sinceramente, que, em termos de ações terroristas, nada ocorra durante os eventos dos próximos anos. Entretanto, qualquer um que tenha uma percepção mínima de segurança e conheça um pouco sobre terrorismo sabe que tem muitas razões para se preocupar (salvo algumas autoridades públicas, para as quais tudo segue bem, obrigado).

A matéria foi retirada da página do Sindicato dos Policiais Federais no Distrito Federal. Há quem diga que é exagero, matéria com interesse político, ou mesmo inverdade. Bom, isso não vou discutir. Ao menos serve de alerta (alerta que já tem sido dado nos últimos meses). Eu me preocuparia…

Terroristas têm 80% de chance de entrar no Brasil com falhas em aeroportos

Fonte: IG – 24/03/2014
 

Com a chegada da Copa do Mundo, aumenta a preocupação com a segurança nos aeroportos do país. Entretanto, para o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindpol-DF), Flavio Werneck, hoje o Brasil não tem uma segurança aeroportuária adequada para receber aproximadamente 600 mil turistas que são esperados durante o evento.

Nessa entrevista em vídeo ao iG, Werneck afirma que pelas condições de segurança dos aeroportos brasileiros existe “80% de chance de uma pessoa mal intencionada entrar no país (…) Entre elas, não podemos descartar a ação de terroristas”, afirma o presidente do sindicato. Continuar lendo

Lindo demais!

Bob Filho2Depois dizem que é implicância minha com o menino – ou com o regime autoritário por ele liderado!… A notícia, se não fosse trágica, seria cômica. Porém, é cruelmente verdadeira, e revela como funciona (?) o país em que venceram os ideais socialistas. E o pior é que, tão surreal quanto a determinação “do corte” a ser adotado pelos homens da Coréia do Norte (nos moldes estilosos de Bob Filho, o pequeno notável), era a regra dos 28 cortes [18 femininos e 10 (!) masculinos] pelos quais os norte-coreanos poderiam optar!!! Sim, há pessoas vivendo sob um regime assim no século XXI.

Quando vejo no Brasil discussões acaloradas, especialmente nos meios acadêmicos e junto à pseudintelectualidade artística e cultural (o que Constantino chama de “esquerda caviar”), e as defesas eufóricas da alternativa “de esquerda” pelas viúvas do socialismo/comunismo, sinceramente fico na dúvida se é ingenuidade, má-fé, ou idiotice pura. Penso na Coreia do Norte e lembro, automaticamente, do romance “1984”. E há quem ainda simpatize por ditaduras como aquela…

26/03/2014 13h21 – POR ÉPOCA NEGÓCIOS ONLINE

KIM JONG UN DETERMINA QUE TODOS UNIVERSITÁRIOS DA COREIA DO NORTE TENHAM O MESMO CORTE DE CABELO QUE ELE

NO ANO PASSADO, O GOVERNO JÁ HAVIA RESTRINGIDO OS CORTES DOS HOMENS EM APENAS ’10 OPÇÕES’

Até o início desse mês, os cidadãos da Coreia do Norte podiam cortar os seus cabelos de acordo com um dos 28 cortes (sendo 18 para as mulheres e 10 para homens) definidos e aprovados pelo governo. Se o fato já soa estranho, agora, o governo coreano limitou ainda mais as opções dos homens, especialmente os estudantes. Segundo a BBC, todos os universitários coreanos serão obrigados a cortar os cabelos no mesmo ‘estilo’ e corte do líder do país, Kim Jong-Un.

A rede de notícias informou que as autoridades do país instituíram a regra há duas semanas, mas só agora a notícia saiu da Coreia.  Além de restringir os cortes, os coreanos parecem não ter gostado nada da única opção que lhes restou. Segundo a BBC – citando um jornal coreano – um cidadão que vivia na capital do país, Pyongyang, e agora mora na China, afirmou que o corte de cabelo de Kim Jong-Un é impopular por aparentemente lembrar o “estilo dos contrabandistas chineses”. De acordo com a BBC, não há a confirmação de que a medida seria estendida a todos os homens da Coreia do Norte.  Continuar lendo

Concurso para Consultor da Câmara dos Deputados – aula e dicas

Meus caros,

Uma vez que alguns alunos têm perguntado se darei aulas com dicas para o Concurso de Consultor da Câmara dos Deputados, informo que pretendo reunir os interessados para uns encontros, nos quais tratarei de “temas quentes” para a prova. Pensei nos dias 27/03 (noite), 29/03 (tarde), 04/04 (noite) e 11/04 (noite). A ideia é tratar de aspectos pontuais e, dependendo do interesse, passar algumas orientações sobre a realização das provas subjetivas (por exemplo, como elaborar uma minuta de parecer). Ah, sim! Podemos pensar em um grupo para a área XVII e um para a área XVIII.

Para maiores informações e valores, os interessados, por favor, entrem em contato pelo e-mail: joanisval@gmail.com.

Abraço!

camara

Crimeia: agora a coisa está russa!

putin_acordo5-640x427Nesta sexta, um decreto de Vladimir Putin confirmou o ingresso da Crimeia na Federação da Rússia. As pessoas têm-me perguntando a respeito. Algumas reflexões, portanto:

1) Difícil dizer se Putin tem uma “grande estratégia” para a região, para o entorno soviét…, digo, russo, ou mesmo para uma política externa retrô, que reviva os tempos da Guerra Fria. Mas, o que posso dizer é que, indiscutivelmente, Putin e Levrov não são bobos ou ingênuos nesse jogo, e não agem movidos por emoções ou achismos. Sabem que estão em um jogo, um grande jogo, e calculam seus movimentos…

2) Com o referendo de 16 de março, do qual participaram 1,2 milhão de eleitores (de um total de 1,5 milhão aptos a votar), 96,8% dos votantes decidiram pela incorporação à Rússia. Apesar da presença de tropas russas disfarçadas de russas e das críticas ocidentais, parece pouco crível que o povo da Crimeia não quisesse essa opção. Afinal, 58% dos habitantes são russos, a região sempre pertenceu à Rússia e é área de interesse estratégico do Kremlin. Vejo aí uma iniciativa brilhante de Moscou, pois o valioso princípio da autodeterminação dos povos, tão caro dos ocidentais, imperou nas urnas. O que pode ser dito contra 96,8% de eleitores? Valeria a pena afrontar os russos por algo que a população da península decidiu?

manchetes-russia-ucrania-crimeia-g73) A Crimeia volta, portanto, à Rússia, onde sempre esteve e de onde nunca deveria ter sido tirada (o que ocorreu por uma decisão de Krushev, em 1954). E, em que pesem os protestos de Kiev, parece fato consumado. Afinal, já foi dada a ordem para as tropas ucranianas deixarem o território da Crimeia e os ocidentais, apesar dos protestos, não ousaram movimentos mais firmes.

4) Moscou ganha a Crimeia, mas perde a Ucrânia. Nesse sentido, Kiev deve migrar para a esfera de influência da União Européia. Resta saber se os russos vão deixar isso acontecer, pois pareceria uma derrota da política externa de Putin.

crimeia russia5) Diante da reação tísica do Governo Obama, e da resposta firme de Moscou, parece que essa jogada foi vencida pelo Kremlin. Daí para imaginar um abalo mais profundo nas relações entre russos e estadunidenses, creio que isso não ocorrerá… As forças agregadoras são maiores.

6) As tropas da OTAN já estão em alerta na Polônia e nos Países Bálticos. Tudo indica que os russos pararão na Crimeia (ao menos por enquanto). De toda maneira, se fosse da OTAN estaria com as barbas de molho…  E não me surpreenderia se Moscou começasse a reorganizar um novo Pacto de Varsóvia (o que faria tremer todo mundo a Oeste do Dnieper – menos os bielorrussos, que serão sempre aliados dos russos).

Continuamos atentos aos desdobramentos nas terras eslavas… Ainda não acabou…

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RIA Novosti

Putin Signs Final Crimea Reunification Decree

17:37 21/03/2014

Russian president Vladimir Putin signed a decree Friday on the ratification of the treaty providing for the reunification of the Crimean Peninsula with Russia.

MOSCOW, March 21 (RIA Novosti) – Russian President Vladimir Putin signed a decree Friday on the ratification of the treaty providing for the reunification of the Crimean Peninsula with Russia.

The treaty had been already ratified by both houses of the Russian parliament. Continuar lendo

O mundo perdido do Comunismo – O Paraíso Socialista

crimes comunismoInteressante a quantidade de jovens que vemos em redes sociais defendendo uma “alternativa socialista” (porque ninguém tem mais coragem de falar em comunismo nesses termos) e condenado a “sociedade capitalista exploradora” (condenam, apesar dos benefícios que usufruem dela, como a própria tecnologia de hardware e software por meio da qual protestam e rede social em que operam). Irritante como qualquer discurso contrário às idéias dessas pessoas é chamado de “fascista” (o termo voltou à moda no Brasil e em alguns lugares do mundo, como nos bons tempos da Guerra Fria e da Cortina de Ferro) ou de autoritário. Tudo isso tomando-se como ícones pensadores de esquerda e “heróis da luta dos trabalhadores” (como o famigerado Guevara, sobre o qual muito pouco verdadeiramente conhecem).

Impressiona-me, realmente, como as gerações atuais são iludidas com o discurso do “paraíso socialista”, ou de como as idéias que construíram regimes autoritários e genocidas são um ideal de “liberdade, democracia e fraternidade entre os povos” – não são. De fato, sob o signo da foice e do martelo foram perpetradas grandes atrocidades nos últimos cem anos. O socialismo trouxe dor e sofrimento a muita gente. Liberdade não houve, tampouco democracia.

anticomunismoEssas reflexões me vieram quando revia um documentário muito interessante da BBC (cujo título é o deste post) sobre a maneira como as pessoas viviam sob os regimes socialistas. Tenho estudado o tema, mesmo. Em visita a países do Leste Europeu, sempre busco a oportunidade de conversar com pessoas que viveram sob os regimes socialista que imperavam naquela parte do mundo até o fim da década de 1980. A maioria absoluta das pessoas com quem conversei tinha histórias e lembranças ruins daquela época e repudia o socialismo/comunismo.

Triste e inadmissível como pessoas permanecem iludidas por aqui, em Pindorama. Preocupante como muitas defendem essas idéias, inclusive na estrutura do Estado e no governo. Aterrorizante como tem gente que acha que aquilo era uma coisa boa e prega uma guinada cada vez mais à esquerda para o Brasil.

muro de berlimO sonho socialista/comunista mostrou-se um pesadelo. Não quero, de forma alguma, essa alternativa para o Brasil. Alguém precisa esclarecer as novas gerações de que não existe bem maior que a liberdade e regime mais valoroso que a democracia (apesar de todos os seus defeitos).

Recomendo o documentário “O mundo perdido do Comunismo – O Paraíso Socialista“. Para acessá-lo, clique aqui.

portao de brandenburgo queda do muroE, para quem quiser conhecer mais a respeito das atrocidades sob o signo da estrela vermelha, indico “O Livro Negro do Comunismo” (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999), editado por Stéphane Courtois, obra coletiva de professores e pesquisadores europeus, e lançado originalmente na França, em 1997. Trata-se de trabalho sério e científico, que faz um inventário da repressão política conduzida nos regimes socialistas/comunistas. A primeira referência que tive sobre esse livro foi do saudoso Roberto Campos. Logo comentarei um pouco mais aqui sobre a obra…

russiansoldiers

Amigos, amigos, negócios…

Reportagem da Spiegel sobre “indisposições” no seio da OTAN, algumas delas associadas à conduta dos EUA com relação a seus aliados… Recomendo a leitura, sobretudo a meus alunos de Relações Internacionais que ainda achem que o mundo é feito de flores..

Daqui a pouco Putin propõe uma aliança no estilo Pacto de Varsóvia para atrair os povos do Leste (claro que com todos sabendo quem manda e quem pode o quê)…

Belgium NATO Ukraine

SPIEGEL ONLINE
03/06/2014 04:48 PM

Whither NATO? Difficulties in the Trans-Atlantic Relationship

An Op-Ed by Secretary William Cohen and General James Jones

Revelations about NSA spying and an unequal sharing of military burdens has cast a recent shadow over the trans-Atlantic relationship. But NATO remains just as important as ever. It is time for all alliance members to recognize that fact.

During the course of more than three decades, in our public service and private capacities, we have regularly attended the Munich Security Conference, formerly known as Wehrkunde.

The Conference initially consisted of a small group of military experts from the United States, Canada and Western Europe who discussed issues involving the threat posed by the former Soviet Union. Today, the Conference includes representatives from the business, diplomatic and military communities from all of Europe, Russia and Asia who examine the new threats posed by terrorists, religious extremists, nuclear proliferation, cyber warfare and organized crime.

Although the US delegation to the Conference included 15 members of Congress and a joint appearance by Secretary of State John Kerry and Secretary of Defense Chuck Hagel we detected the “brooding omnipresence” of a discontent for the United States that contained a whiff of anti-Americanism.

This dark overhang is due in part to Edward Snowden’s revelations about NSA’s collection activities, but it is coupled with a perception that the United States is withdrawing its interest from vast areas of the globe, including Europe, a feeling partly fueled by the “Pivot Towards Asia” declaration announced in Washington. While nothing could be further from the truth, perceptions can become reality when not effectively rebuffed by evidence to the contrary. There also seems to be a little too much enthusiasm to link this perception with the increasingly popular notion of a general “American decline”, something we have heard about in every decade since 1945. Continuar lendo

Guerra cibernética na Ucrânia

cyberattackEnquanto no Brasil se comemora o resultado do desfile das escolas de samba do grupo especial (hein?), na Ucrânia a situação está cada vez mais russa… Segue artigo muito interessante, enviado por um caríssimo amigo lá do Timor Leste, que trata de ataques cibernéticos contra aquele país.

Lembro que a guerra neste novo século pode-se dar em diferentes cenários, com as armas mais distintas. E um campo absurdamente sensível é o cibernético. Daí a importância de estarmos preparados… Daí meu pleito por investimento maciço em segurança e defesa cibernética. Os danos de um ataque no mundo virtual podem ser tão ou mais nefastos que um ataque com mísseis ou com a infantaria contra um território. Ah sim, atentem na reportagem para o comentário sutil sobre a origem do ataque.

Em tempo, sempre convém lembrar que, por ocasião da guerra entre a Rússia e a Geórgia, em agosto de 2008, antes que a primeira bota russa estivesse em solo georgiano, os sistemas deste país já haviam colapsado sob ataque cibernético. Mas, por aqui, o que importa é quem venceu o desfile do grupo especial…

Finantial Times – March 7, 2014 7:25 pm

Cyber Snake plagues Ukraine networks

By Sam Jones, Defence and Security Editor
A magnifying glass is held in front of a computer screen©Reuters

An aggressive cyber weapon called Snake has infected dozens of Ukrainian computer networks including government systems in one of the most sophisticated attacks of recent years.

Also known as Ouroboros, after the serpent of Greek mythology that swallowed its own tail, experts say it is comparable in its complexity with Stuxnet, the malware that was found to have disrupted Iran’s uranium enrichment programme in 2010.

 The cyber weapon has been deployed most aggressively since the start of last year ahead of protests that climaxed two weeks ago with the overthrow of Viktor Yanukovich’s government. Continuar lendo

8 de março

8 de março é uma data por mim sempre lembrada. Afinal, é o Dia Internacional da Mulher, momento de saudar o resultado mais perfeito da criação divina. Mulheres, vocês estão presentes em nossa vida desde antes do nascimento e viver sem vocês não faz sentido. Parabéns pela data simbólica, porque o dia da mulher deve ser cada um dos 365 do ano!

A outra razão que torna o 8 de março inesquecível para mim, também tem a ver com uma mulher. Nesta data, há exatos 15 anos, deixava este plano (ou passava pela transição, como dizemos os rosacruzes) uma grande mulher, uma grande amiga, irmã, conselheira. Vitimada pela leucemia, essa irmã lutou com todas as suas forças até o fim.

De fato, luta, garra, fibra, obstinação sempre foram palavras associadas a essa querida amiga. Mulher inteligente e batalhadora, que sorria nos momentos de dor, e dava força a quem necessitava, mesmo quanto ela mesma é quem mais precisava, foi responsável por brindar o mundo com uma filha linda, uma criança muito especial, a quem criou sozinha. Incutiu a essa menina valores, e os onze anos em que conviveram neste plano foram tão marcantes que hoje essa menina se tornou uma grande mulher, e nela se podem ver os traços da mãe, física, mental, espiritualmente e, sobretudo, de caráter. Certamente, onde ela estiver (e está em um bom lugar, tenho certeza), tem a certeza de que cumpriu sua missão nesta vida, e com louvor: sua filha é hoje uma joia muito preciosa e que encanta todos a sua volta! Tenho muito orgulho dessa menina, dessa mulher, que considero minha irmã mais nova!

Um dia a história dessa amiga será contada. E será contada, como faziam os antigos, para que todos saibam que há pessoas boas, pessoas nobres, pessoas fortes e obstinadas, com histórias de vida incríveis, e que essas pessoas estão entre nós, convivendo conosco. E servirá de exemplo. Um dia essa história será contada, talvez até por mim. Hoje porém, meu dia será de lembrança e oração. Que a Sagrada Luz que nunca se extingue nos ilumine sempre!

rosas

Putin e seus inimigos

Outra boa matéria da Spiegel sobre a questão da Ucânia. O foco aqui é em Vladimir Putin e seus argumentos. Recomendo leitura.

Military personnel, believed to be a Russian serviceman, stands guard on military vehicle outside the territory of a Ukrainian military unit in the village of Perevalnoye outside Simferopol

SPIEGEL ONLINE
03/03/2014 01:01 PM

Ukraine Conflict – Putin Strengthens His True Enemies

A Commentary by   in Moscow

Although Russia has espoused moral justifications for its invasion of Crimea, President Vladimir Putin’s move is all about geopolitics. His short-sighted logic, however, could bring Ukrainian nationalists to power — and create a whole new set of problems.

Whenever Russia pursues its own interest against the will of the international community, a dictum by Czar Alexander III springs to mind. Russia, he said, has only two allies: its army and its navy. If you can believe the Kremlin’s propagandists, however, a new, unexpected ally has come to Moscow’s defense: the Western press. According to the website “Sputnik and Pogrom,” the Western media have “begun to support the Russian Federation’s course of action in the Crimean crisis.”

Continuar lendo

Frau Merkel e a Rússia

Matéria interessante sobre o papel de Frau Merkel na crise ucraniana. A Chanceler está à frente da principal potência européia, sabe ser prudente e firme e conhece bem os russos – melhor que qualquer outro líder ocidental. De toda maneira, está à frente da Alemanha, que há cem anos tem uma relação um pouco conturbada com a Rússia…

File photo shows German Chancellor Merkel and Russian President Putin listening to their national anthems before talks at Chancellery in Berlin

SPIEGEL ONLINE
03/04/2014 12:56 PM

Crimean Crisis – All Eyes on Merkel

By  and Gregor Peter Schmitz

As the conflict with Russia over Crimea intensifies, Germany is playing a central role in communications with Russian President Vladimir Putin. But the international community has doubts that Chancellor Angela Merkel can pull it off.

Germany had only recently announced the end of its era of restraint. German President Joachim Gauck, Defense Minister Ursula von der Leyen of the Christian Democrats and Foreign Minister Frank-Walter Steinmeier of the Social Democrats have all argued that it’s time for Germany to play a greater role in the world.

Steinmeier couldn’t have expected that he would need to follow-through on his push for an “aggressive foreign policy” so quickly. But the dramatic escalation in Crimea needs quick answers and it has become a focus of Chancellor Angela Merkel’s government in Berlin.

“Europe is, without a doubt, in its most serious crisis since the fall of the Berlin Wall,” Steinmeier said on Monday. “Twenty-five years after the end of the conflict between the blocs, there’s a new, real danger that Europe will split once again.” Continuar lendo

Mais deserções…

mísseis A Voz da Rússia anunciou nesta segunda que mais três grupos (que lá chamam de regimentos) de mísseis antiaéreos das Forças Armadas da Ucrânia  (os 50º, 55º e 147º regimentos de mísseis antiaéreos, localizados em Eupatória, Feodosia e Fiolente) passaram para o lado das autoridades da Crimeia – leia-se, Moscou. 

Segundo o porta-voz da República Autônoma, “no total, mais de 700 soldados e oficiais declararam a sua disponibilidade para defender a população da Crimeia. As unidades de defesa aérea, que passaram para o lado do governo, contam com mais de 20 complexos de mísseis antiaéreos Buk e mais de 30 sistemas de mísseis antiaéreos S-300PS”. Seriam já cerca de 5.500 soldados “ucranianos” a passar para o lado dos russos.

Assim, das 34 unidades militares ucranianas estacionadas na Crimeia, 23 já teriam manifestado lealdade a Moscou. Some-se aí a frota ucraniana (ou ex-frota ucraniana, ou ex-frota soviética do Mar Negro) de Sebastopol que optou por aderir à causa da secessão.

Diante desse quadro, alguém tem dúvida de que a Crimeia deixou de pertencer à Ucrânia? O problema é se o exemplo for seguido pela região leste do país, de maioria russa. Isso acontecendo, a probabilidade de secessão da Ucrânia é  alta. Com o Urso à espreita, as lideranças do governo provisório em Kiev têm muito com o que se preocupar…

Segue artigo da RIA Novosti sobre as deserções…

RIA Novosti

5,500 Ukrainian Soldiers Defect to Serve an Independent Crimea

18:22 04/03/2014

More than 5,500 soldiers have defected from Ukraine’s military to serve the autonomous republic of Crimea, the region’s newly appointed leader said.

 MOSCOW, March 4 (RIA Novosti) – More than 5,500 soldiers have defected from Ukraine’s military to serve the autonomous republic of Crimea, the region’s newly appointed leader said.

Sergei Aksyonov, named prime minister last week in a local parliamentary vote, said Tuesday that talks with unit commanders led to the defections of soldiers to join an independent Crimean military. Continuar lendo

Poder Aeroeapacial e Estudos Interdisciplinares de Segurança e Defesa

seminario defesa aeroespacial 2014Compartilho a notícia sobre o seminário V Seminário de Estudos: Poder Aeroeapacial e Estudos Interdisciplinares de Segurança e Defesa, promovido pela minha querida Universidade da Força Aérea (UNIFA), e que ocorrerá nos dias 26 e 27 de março, no Rio de Janeiro.

Recomendo particularmente a meus alunos de Relações Internacionais e Defesa.

Para acessar o site do evento, inscrições e maiores informações, clique aqui

Segue o texto de apresentação do evento.

“Em tempos remotos, as guerras reuniam grupos que se confrontavam na disputa por melhores espaços para produção agrícola, confisco de armas e expansão dos seus territórios. Terminados os conflitos, vencedores e vencidos conheciam os seus destinos e, com o decorrer dos séculos, trouxeram, a reboque, uma nova variável incorporada à necessidade estratégica de expansão, o poder. Esse novo pensamento modificou os objetivos políticos, impregnou as relações entre os Estados e inaugurou um novo olhar sobre os conflitos, desta feita sob os auspícios do entendimento Geopolítico e das Relações Internacionais. Continuar lendo

“A paz só pode ser preservada com a força”

China Marks 60 Years Of The Chinese NavyEm meio à crise da Ucrânia, os trabalhos do Congresso Nacional do Povo chinês foram retomados. Interessante a declaração de sua porta-voz sobre a segurança na Ásia e, em última instância, no mundo… De acordo com Fu Ying, secretária de imprensa do parlamento da China, o país deixa claro que suas Forças Armadas “estão prontas para darem uma enérgica resposta a quem atentar contra a paz na região”. 

Fu Ying, assinalou, ainda, que a China advoga a solução pacífica dos conflitos, e que seu exército só tem objetivos de defesa. Entretanto, Pequim reagirá efusivamente a qualquer “violação da paz”. Fica o recado para países que teriam litígios territoriais com o Dragão vermelho, particularmente para Japão e Coreia do Sul. 

Em tempos de potências mostrando as garras e os dentes, o Dragão aumenta seus gastos militares e deixa claro que pode também cuspir fogo… A frase da porta-voz, segundo a qual “a paz só pode ser preservada com a força” poderia servir de alerta para outros países que queiram ocupar um papel de destaque no cenário internacional, mas se esquecem de investir em defesa… E, naturalmente, fez-me lembrar das palavras de um grande estadista, este brasileiro, que viveu em Pindorama há cerca de cem anos, o Barão do Rio Branco. Segundo o pai de nossa diplomacia, “não se pode ser pacífico sem ser forte”.

Segue matéria sobre a declaração do Parlamento chinês, extraída do site oficial.

Peace can only be preserved with strength: NPC spokeswoman

English.news.cn | 2014-03-04 16:14:06 | Editor: Yang Yi

BEIJING, March 4 (Xinhua) — A spokesperson for China’s top legislature on Tuesday defended the country’s defense policies, saying that peace can only be preserved with strength.

Responding to a question concerning China’s growing military power, Fu Ying, spokesperson for the second session of the 12th National People’s Congress (NPC), said China as a major power is responsible for regional peace and security. Continuar lendo

2013 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

mafalda-with-friends-21814Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 52,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 19 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.