Visões e versões

abaixo a ditaduraIria reproduzir aqui a entrevista de Daniel Aarão Reis, na Folha de São Paulo, sobre o período militar e a luta armada. A Folha, porém, bloqueia a opção. Coloco, portanto, o link.

Durante muito tempo desde a década de 1980, o que se produzia sobre o movimento de 31 de março de 1964 e o período militar era marcado por percepções parciais, muitas sem compromisso com a verdade e, inclusive no campo jornalístico e no acadêmico, por registros com um forte caráter ideológico daqueles que se diziam combatentes fervorosos do regime e defensores ferrenhos da democracia (ainda que fosse uma democracia socialista com o objetivo de chegar à ditadura do proletariado). Exceção nobre que deve ser lembrada é Jacob Gorender (ele próprio que acabou hostilizado pela esquerda que não aceitava sua análise coerente dos fatos).

A coisa parece estar mudando, ainda que muito lentamente. Começamos a encontrar publicações que buscam se despir das vestes ideológicas e tratar com seriedade do período. Afinal, como já disse em outros posts, deve-se considerar a percepção da época, o fato de que vivíamos em meio a uma Guerra Fria, na qual forças muito mais poderosas disputam influência junto aos latino-americanos e aos brasileiros em especial.

Houve acertos e erros de ambos os lados, portanto. A grande conclusão que se pode tirar daquilo tudo é que, não importa se de direita ou de esquerda, há sempre baixas nessas disputas de poder fora da via democrática. De toda maneira, a democracia deve ser a única opção aceitável.

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Lembrai-vos de 64!

2012_primeiro_de_abril_f_007Alguns de meus leitores certamente esperam minha manifestação na data de hoje, alusiva aos 50 anos do rompimento institucional de 31 de março 1964. Claro que não deixarei a data passar em branco! Afinal, foi um dos eventos mais importantes para a História do Brasil, independentemente de se aprovar ou não o que aconteceu a partir da ordem do General Olympio Mourão Filho de deslocar suas tropas de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro. O Brasil passaria por grandes mudanças econômicas, políticas e sociais.

Não farei aqui qualquer apologia ao rompimento institucional de 31 de março de 1964 (não, não chamo, não chamarei e de forma alguma usarei o termo “golpe” que se consolidou no linguajar atual, totalmente submisso às ideias daqueles que se opuseram ao regime militar; tampouco chamarei de “revolução”, pois não há fundamentos teóricos para caracterizar o evento como uma revolução… talvez uma contrarrevolução…). Entretanto, ao contrário da maioria absoluta dos que comentam a efeméride, quero trazer uma percepção mais honesta e imparcial dos eventos.

marcha da familia 1964O Brasil vivia a crise mais grave de sua história desde a morte de Vargas (24/08/1954). Estávamos no meio da Guerra Fria, e a disputa bipolar por corações e mentes tinha no maior país da América Latina um palco importante. Naqueles dias, a divisão ideológica entre esquerda e direita era concreta e colocava amigos e familiares em lados opostos. No dia 19 de março, a primeira Marcha da Família com Deus pela Liberdade reuniu meio milhão de pessoas em São Paulo. 500 mil pessoas clamando pela queda de Jango e expressando seu temor de que o Brasil se tornasse um país comunista. Do outro lado, greves, mobilizações de organizações de esquerda no campo e nas cidades (como o comício da Central do Brasil, que reuniu 150 mil pessoas, em 30 de março), levantes de sargentos e cabos afrontando a hierarquia e a disciplina, valores sagrados para as Forças Armadas… Tudo com apoio, ou ao menos com a aquiescência, do Presidente da República… E tudo contribuía para um ambiente instável, em que qualquer faísca poderia ensejar uma grande explosão…

andec02Portanto, em março de 1964, havia um sentimento generalizado entre a classe média brasileira (e, por consequência, entre segmentos das Forças Armadas e das classes política e empresarial, entendidos hoje como grupos conservadores) de que a coisa não ia bem aqui em Pindorama. Tínhamos um presidente da república estancieiro, homem de grandes posses, mas que pregava reformas sociais de forte viés esquerdista, socialista… Greves, manifestações de trabalhadores, ligas camponesas propondo reformas radicais no campo, insurgências nos escalões inferiores das Forças Armadas, confusão, desordem, palavras de ordem a favor e contra o governo… Jango mostrava-se muito simpático à alternativa das esquerdas, e isso gerava preocupação entre aqueles que acreditavam que o país poderia tornar-se uma nação comunista. E essa preocupação, naquele momento, tinha muito fundamento, fazia sentido.

Hoje, os comentaristas de ocasião sobre os eventos de 1964 vão dizer que era uma grande besteira essa ideia de que o Brasil poderia se tornar uma nação comunista. Não, não era bobagem. Relembro que estávamos em meio à Guerra Fria, com a influência da União Soviética e de seus satélites muito significativa por aqui, particularmente para o estabelecimento das condições elementares para uma revolução proletária, e dos Estados Unidos fomentando o temor nos segmentos mais conservadores. “Ah! Mas isso não poderia acontecer em um país com as dimensões do Brasil!”… Por que não? Aconteceu em 1917 no maior país do globo e, mais recente, em 1949, no mais populoso, ambos com características semelhantes às nossas! Para piorar, o comunismo acabara de se consolidar no continente, com a guinada da Cuba revolucionária para esfera de influência de Moscou. O próprio Brasil já sofrera tentativas, civis e militares, de sovietização. O Partido Comunista (e agremiações similares) tinha vez e voz junto a certos segmentos de nossa sociedade, segmentos relevantes. E, para piorar as coisas, o Supremo Mandatário mostrava-se demasiadamente simpático às ideias “revolucionárias”.

manchete-jb-64_0A crise institucional precipitou a queda de Jango, é certo. Mas ele caiu porque não conseguia mais se sustentar… Não teve apoio significativo para resistir, pelo visto, não quis permanecer no poder (ao contrário de Allende, em 1973, que lutou até o fim): rapidamente, tudo estava consumado. Jango caiu. E parte da população, dos políticos e dos formadores de opinião apoiou os militares, que não poderiam realizar uma ação como aquela sem a aquiescência civil…

O governo que se seguiu à queda de Jango promoveu reformas relevantes para o Brasil. A economia cresceu três vezes e meia em duas décadas. Saímos de vez da condição de país agrário para nos tornarmos uma nação industrializada e urbana. Grandes obras de infraestrutura foram executadas (cito, apenas a título de exemplo, Itaipu e a Ponte Rio-Niterói). Índices sociais melhoraram de forma significativa, como a redução de analfabetismo e da mortalidade infantil, em que pese o acirramento das desigualdades. Havia civismo. E havia segurança, com a criminalidade contida. Enfim, o Brasil realmente despontou como um gigante, e essa herança do período militar não pode ser esquecida.

20110310-140364Claro que houve abusos e arbitrariedades. Afinal, eram anos turbulentos. “Não se pode fazer um omelete sem quebrar os ovos”, diriam os mais cínicos. E aqui também alguns ovos foram quebrados, mas poucos, se comparados com os regimes autoritários de direita da América Latina da segunda metade do século XX, ou com os de esquerda, dos quais ainda há remanescentes (e que continuam quebrando ovos…). Poderia ter sido diferente? Sim, poderia. Poderia ter sido bem pior se a esquerda tivesse tomado o poder. Mas isso deixo para reflexão futura.

Ah, sim! E não havia democracia nos anos que se seguiram à queda de Jango… É verdade. Ainda bem que hoje vivemos em uma democracia plena, e não em uma ditadura de uns poucos que se dizem falar em nome do povo. Ainda bem que me sinto representado pelos governantes, que a corrupção foi banida de vez da estrutura do Estado, que vivemos em um Brasil onde o Legislativo e o Judiciário não são submissos ao Executivo. Ainda bem que todos têm voz nesta nossa atual democracia, que há liberdade de expressão, que a oposição existe, que ideias divergentes das do grupo que está no poder são toleradas. Ainda bem que temos liberdade econômica, com a livre iniciativa e os empreendedores tento total apoio público, sem conchavos de companheiros para dar ganho nas concorrências às empresas de companheiros. Ainda bem que, nesta atual democracia, o Estado não controla o cidadão… Ainda bem que em nossa atual democracia a carga tributária é mínima, e não vemos o dinheiro de nossos impostos escorrendo pelos ralos da corrupção, de programas assistencialistas, e do péssimo gerenciamento da máquina pública. Ainda bem que temos a democracia que nos permite ver com transparência como o dinheiro público é gerido pela Administração direta, indireta e pelas empresas públicas – e, por falar nisso, bacana ver como nossa democracia propiciou a uma empresa orgulho dos brasileiros, a Petrobrás (com acento no “á” mesmo, pois foi assim que aprendi a escrever durante o período militar) alcançar a 120ª posição entre as maiores do mundo (apesar de ter sido, há alguns poucos anos, a 12ª). Ainda bem que temos democracia hoje, com direito de ir e vir, sistemas de transporte eficientes, desenvolvimento urbano e, naturalmente, segurança pública! Sinto-me seguro em nossa democracia, pois é muito baixo o risco de um trabalhador que sai cedo para ganhar o dia não voltar para casa ao fim de sua jornada, por ser vítima de criminosos! Sinto-me seguro, já que não há aparato repressor do Estado, ninguém morre por violência em nossas prisões, e a justiça é garantida a todos, indistintamente! 

cm_1964_01Os eventos de 31 de março de 1964, transcorridos cinquenta anos, devem ser lembrados como a vitória de um grupo sobre outro na disputa pelo poder em um Brasil de crise. Não condenarei os militares e civis que aderiram à derrubada de Jango, como também não condenarei os militares e civis que resolveram combater o novo regime, pegar em armas, promover o terrorismo, muitos desejosos de ver o Brasil transformado em uma grande Cuba. Eles viveram seu momento, combateram seu combate, fizeram sacrifícios pelas ideias em que acreditavam. 

Transcorridos cinquenta anos daquele 31 de março em que o General Mourão mobilizou suas tropas, penso que já passa da hora de ficarmos remoendo o passado e olhar para o Brasil de hoje, e para a frente. Deixem os mortos descansarem! Vamos olhar para o momento em que vivemos e para a crise que nos alcança. Que 1964 só sirva para lembrar que aquilo é passado, aquele era outro Brasil, e que muita coisa mudou nesses últimos cinquenta anos. Lembremos de 1964, e pensemos que as conquistas alcançadas nas duas décadas que se seguiram, em termos de segurança e desenvolvimento, foram valiosas, e que aquele não foi só um período de violência, repressão e atraso.

Miremos, portanto, o futuro! Daqui a oito anos celebraremos o bicentenário de nossa independência. Onde e como estaremos em 2022, será uma decisão nossa, a ser tomada agora. Não deixemos que nos tirem o futuro por ficarmos olhando apenas para o passado.

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Lembrando o 31 de março…

bolsonaro_1964_1Neste domingo de Páscoa, que coincide com o aniversário do movimento de 31 de março de 1964 (sim, por mais que os críticos busquem afirmar a invenção de que teria ocorrido em 1º de abril, aconteceu em 31 de março mesmo!), convém saudar a todos que, de alguma maneira, contribuíram para impedir que o Brasil se tornasse uma ditadura comunista. E, para que se conheça um pouco do outro lado da história, recomendo o site A Verdade Sufocada e transcrevo o manifesto ali publicado:

31/03/2013 Manifesto da Academia Brasileira de Defesa, em comemoração da data nacional de 31 de Março de 1964.

ACADEMIA BRASILEIRA DE DEFESA  Pro Patria   Prof.ª Dr.ª Aileda de Mattos Oliveira -Alte.-Esq. Alfredo Karam -Cel. Aer. Antônio Celente Videira – Prof. Antoniolavo Brion -Jorn. Aristóteles Drummond  – Gen.-Ex. Carlos Alberto Pinto Silva – Prof. Dr. Denis Lerrer Rosenfield – Dr. Emílio A. Souza Aguiar Nina Ribeiro – Gen Div. Francisco Batista Torres de Melo – Prof. Dr. Francisco Martins de Souza – Cel. Ex. Gelio Augusto Barbosa Fregapani – Dr. Gustavo Miguez de Mello-  Dr. Herman Glanz – Maj.-Brig. Hugo de Oliveira Piva – Vice-Alte. Ibsen de Gusmão Câmara – Ten.-Brig. Ivan Moacyr da Frota – Prof. Dr. Ives Gandra da Silva Martins – Dep. Fed. Jair Messias Bolsonaro – Prof. Dr. João Ricardo Carneiro Moderno – Sen. José Bernardo Cabral – Dr. Luciano Saldanha Coelho – Cel.-Av.Luís Mauro Ferreira Gomes – Gen.-Ex. Luiz Cesário da Silveira Filho – Gen.-Ex. Luiz Gonzaga Schroeder Lessa – Econ. Marcos Coimbra – Emb. Marcos Henrique Camillo Côrtes – Prof.ª Dr.ª Maria Helena de Amorim Wesley -Prof.ª Dr.ª Mina Seinfeld de Caracushansky – Ten.-Brig. Octávio Júlio Moreira Lima ✝ – Vice-Alte. Othon Luiz Pereira da Silva  – Dr. Paulo Antônio Uebel – Gen.-Ex. Paulo Cesar de Castro – Ten.-Brig. Reginaldo dos Santos – Gen.-Ex. Rubens Bayma Denys – Desemb. Semy Glanz- Ten. R/2 Sérgio Pinto Monteiro-  Vice.-Alte. Sérgio Tasso Vasquez de Aquino – Maj.-   Brig.  Umberto de Campos Carvalho Netto –

31 DE MARÇO DE 1964     VAMOS COMEMORAR, SIM!  NÓS E O POVO BRASILEIRO!

Vamos comemorar, sempre, esta data    histórica para o Brasil, por todos os benefícios que ela nos proporcionou: •  A libertação de uma  ideologia política totalitária,sectária e pagã;   •  A fantástica média de 7,5% da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (a maior da História);    •  A redução da corrupção pública a níveis desprezíveis;  •  As grandes obras de infraestrutura:   o  As hidroelétricas de Itaipu e de Sobradinho;    o  A Siderúrgica Açominas e a Ferrovia do Aço;    o  A Ponte Presidente Costa e Silva  (Rio-Niterói);      os  Metrôs de São Paulo e do Rio de Janeiro;    modernização das Telecomunicações;  Os portos de Suape e de Paranaguá; a rodovia transazmazonica; a implantação estratégica dos  Pelotões de     Fronteira na Região Amazônica; a instalação e o desenvolvimento das Indústrias de Material Bélico e  Aeroespacial,  tais  como    ENGESA e EMBRAER; a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e do Banco Nacional da Habitação; a radical Reforma da Educação;     a implantação do Projeto Rondon; a unificação dos Institutos de Previdência,  e  tantas outras obras importantes.       Não é por outra razão  que  os brasileiros consideram as  suas Forças Armadas as instituições de maior credibilidade do País.

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