Mais sobre a FEB…

PracinhasAinda em memória dos nossos valorosos Pracinhas, reproduzo aqui matéria muito interessante de Hélio Guerreiro, intitulada “Lista detalhada dos mortos da FEB na Campanha da Itália“, e publicada em 15 de julho 2012, no blog de Henrique de Moura Paula Pinto (O RESGATE FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA). A propósito, recomendo esse blog, que traz significativas contribuições à História da participação brasileira na II Guerra Mundial.

Tenho enorme respeito pelos nossos Pracinhas. Quando penso no que passaram aqueles homens na Itália, há setenta anos, além da reverência a esses heróis, vem a indignação pelo total e absoluto desconhecimento que os brasileiros têm sobre sua história. Revolta o desprezo com que esses veteranos têm sido tratados por nossas autoridades civis. Não se vê homenagem, não se vê referência nem reverência, não se vê um pronunciamento da Chefe de Estado por ocasião de datas muito simbólicas como o 21 de fevereiro ou o 8 de maio (diga-se de passagem, com tanto feriado ridículo que se tem no Brasil, irrita-me que o 8 de maio não seja uma data celebrada como o dia da lembrança). O Brasil é essa vergonha.

Para a matéria, clique aqui. Para o blog sobre a FEB, clique aqui.

Pracinhas_hoje

domingo, 15 de julho de 2012

LISTA DETALHADA DOS MORTOS DA F.E.B NA CAMPANHA DA ITÁLIA

“Deus empresta-nos o corpo para que possamos aqui no plano terrestre nossos
espíritos continuem evoluindo, já que o corpo, ou seja, o uniforme, a farda
que nosso espírito usa, morre, mas o espírito JAMAIS. Quis a sabedoria Divina
que esses heróis voltassem à Sua companhia dessa forma, morrendo nesse
conflito.”( O autor )
O exposto acima só faz reforçar as palavras do ex-combatente, Capitão da Reserva
Alfredo Bertolo Klass em entrevista a RCP TV do Paraná, quanto à afirmação de
um historiador cujo nome preferimos omitir, que diz que o corpo do sargento Max
Wollf Filho jamais teria sido encontrado, mas como ele ganhou a estigma de herói
e realmente o foi, vendeu-se a ideia dos restos mortais dele estar no Monumento
dos Pracinhas no Rio de Janeiro: Diz o capitão: “ O corpo não vale nada. Deus nos
empresta para nós vivermos, então, o corpo do Max eu não sei, mas o espírito dele
está vivo! Tenham certeza!”
A palavra “baixa”, militarmente falando, não significa apenas as mortes; ela engloba
também feridos, doentes, acidentados, extraviados, presos por indisciplina e porque
não dizer, as deserções.. Durante o período em que esteve em ação na Itália, as
mortes, por exemplo, não foram só em ação; muitos dos nossos praças e alguns
oficiais morreram vítimas de acidentes, sejam de veículos, ou durante a instrução da
tropa, inclusive alguns depois do cessar fogo na Itália já que a FEB também foi tropa
de ocupação em território italiano. Continuar lendo

Mais sobre Monte Castelo

Dois vídeos interessantes sobre Monte Castelo. O primeiro, que toma por base o relato brilhante de Joel Silveira, descreve a campanha sob a perspectiva do repórter que para lá fora enviado. Reitero que Joel Silveira é um dos grandes ícones do jornalismo brasileiro – espero, sinceramente, que seja muito estudado em nossos cursos de jornalismo e seus textos lidos.

O segundo, de Augusto Branco, é uma descrição da campanha da Itália bastante ilustrativa sobretudo para quem tem o primeiro contato com o episódio. Nele, são utilizadas imagens de época e de filmes sobre a Guerra. Está muito bem feito.

Que nossos verdadeiros heróis sejam lembrados! 

Bravura, Heroísmo, Vitória

FEBFora dos meios militares e dos círculos de especialistas, a data de hoje é praticamente desconhecida. Junto à população em geral, ela é completamente ignorada. E, para a sociedade brasileira e seus formadores de opinião, não se vê o porquê dela ser comemorada. Afinal, os brasileiros cantam suas glórias dos campos de futebol, dos desfiles das escolas de samba (segundo alguns próprios componentes, natural e despudoradamente financiadas pela contravenção e até pelo crime), dos artistas que foram bem nos festivais. Heróis? Claro que temos: o jogador de futebol, o artista de TV, o cantor ou, pior, muito pior, o ladrão e o traficante… Esse é o triste retrato de um povo sem valores, sem nobreza, e sem vergonha… Esse é o triste retrato do que os brasileiros nos tornamos.

cm_montecastelo_09Mas não pretendo me estender para falar da degradação moral, política e social a que chegamos. Esta publicação de Frumentarius é para render as maiores homenagens e trazer efusivos aplausos a um grupo de brasileiros que podem, indiscutivelmente, ser chamados de heróis. Refiro-me, por certo, aos nossos Pracinhas, os combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB), que lutaram, em 1944 e 1945, nos campos de batalha da Itália, durante a II Guerra Mundial. Esses heróis, juntamente com os integrantes do 1º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira, e com os combatentes da Marinha do Brasil, devem ser sempre lembrados!

castelo3A data de hoje é muito simbólica para a Força Expedicionária Brasileira (FEB). Foi nossa primeira vitória na II Guerra Mundial. Ocorreu em Monte Castelo, posição estratégica que foi tomada pelos nossos heróis de farda – a duras penas, e com o sacrifício de vidas brasileiras, que fique registrado.

Nenhuma descrição que fizesse aqui poderia retratar adequadamente o que passaram nossos pracinhas no teatro de operações da Itália em geral, e na tomada de Monte Castelo, em particular. Frio, neve, medo, dor, bombas e metralha do inimigo… essas eram algumas das adversidades que encontraram nossos inexperientes combatentes, que atravessaram o Atlântico e enfrentaram, durante o inverno europeu, as temidas tropas alemãs, que contavam com bravos soldados, muitos veteranos de campanhas terríveis como a da Rússia.

img1340O objetivo, Monte Castelo, mostrava-se uma fortaleza inexpugnável onde se acantonavam as tropas alemãs. Era uma posição estratégica, que deveria ser tomada a qualquer custo, como parte da ofensiva para o rompimento da chamada Linha Gótica germânica. Estratégica e realmente muito difícil, pois há três meses (desde 24 de novembro de 1944), as tropas aliadas buscavam a vitória em Monte Castelo. Estadunidenses, britânicos, sul-africanos e poloneses já haviam falhado em quatro tentativas que culminaram em baixas significativas para aquela campanha.

De toda maneira, o Monte deveria ser tomado, e essa missão caberia aos combatentes da FEB, estas sob comando do General Mascarenhas de Morais. Em 20 de fevereiro de 1945 teria início a última ofensiva desencadeada pelo V Exército estadunidense, do qual fazia parte o contingente brasileiro. Combates ferrenhos se deram naquele dia, mas os alemães permaneciam impassíveis em sua posição.

foto_pag_sub1Mas foi a 21 de fevereiro, às 6h da manhã, que começou o assalto final. Três batalhões brasileiros foram ali empregados: o Batalhão Uzeda, seguindo pela direita, o Batalhão Franklin, subindo pelo centro, e o Batalhão de Montanha Sizeno, na reserva (nomes dos comandantes). A defesa alemã estava muito bem posicionada no alto da encosta do Monte. Dali, durante o dia inteiro, vieram tiros e bombas. Atiradores furtivos (snipers) se posicionavam estrategicamente e abatiam os brasileiros. Peças de artilharia caíam sobre os atacantes, que tinham que subir o morro. Fogo, terror e morte. 

2-ataque-a-Monte-Castelo-2Tudo levava a crer que mais um ataque seria rechaçado. Entretanto, eram brasileiros que estavam ali a combater, eram os pequenos e parrudos guerreiros dos trópicos, eram os cearenses, mineiros, gaúchos, paulistas, enfim, os tais brasileiros, que tinham que tomar o Monte.

Então, às 17h40, daquele 21 de fevereiro, após intensos combates, o 1º Regimento Franklin alcançava o cume do Monte Castelo. Monte Castelo fora, finalmente, tomado! A batalha acirrada custara a vida de cerca de 70 soldados alemães e de 417 soldados brasileiros.

Naquele dia, a Força Expedicionária Brasileira alcançou a glória. E homens se fizeram heróis. E o solo da Itália estará para sempre consagrado pelo sangue daqueles guerreiros que vieram de longe, do morro, do Engenho, das selvas, dos cafezais, da boa terra do côco, da choupana onde um é pouco, dois é bom, três é demais… Que D’us abençoe nossos pracinhas! E que esses verdadeiros heróis sejam sempre lembrados!

Segue o link para um artigo do grande Joel Silveira, o maior correspondente de guerra que tivemos, ícone do jornalismo brasileiro, e cobriu a campanha da FEB: http://www.pitoresco.com/historia/guerra/guerra04.htm .

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A Presidente, o traficante e o Embaixador

DilmaMuitos amigos têm-me perguntado o que penso sobre o evento desta semana, quando a senhora presidente da república se negou a receber as credenciais do Embaixador da Indonésia. Serei direto e objetivo: nunca vi um gesto tão infausto e moncoso de um Chefe de Estado brasileiro no âmbito de nossas relações exteriores. Graças a seu arroubo descortês, a senhora presidente jogou por terra um procedimento fundamental nas boas relações entre os povos e ofendeu severamente o Estado da Indonésia e seu povo.

O embaixador é o representante máximo de um Estado junto a outro com o qual mantenha relações. De fato, representa o próprio Estado encarnado na figura do diplomata. Para que seja enviado um embaixador a outro país como chefe de uma missão, é necessário que este e Estado, o Estado acreditado, conceda previamente o agrément aprovando o nome do diplomata. Ele então pode ir ao país, mas suas atividades oficiais só terão início após a entrega das credenciais. Enquanto isso não ocorrer o embaixador não pode realizar qualquer ato oficial – é como se o Estado que o enviou, chamado de acreditante, não tivesse seu representante máximo junto ao acreditado (o Estado que o recebe).

Pois bem, a cerimônia de entrega de credenciais é evento de grande relevância nas boas práticas diplomáticas e de gentileza mandatória nas relações internacionais. Por isso, o embaixador apresenta suas credenciais ao Chefe de Estado, autoridade máxima de uma nação. É assim em todo o mundo, desde que existem embaixadores e soberanos.

É sabido que a senhora presidente não é muito afeita ao cerimonial diplomático – como também não gosta de assuntos militares e despreza o setor de inteligência. No Planalto, são comuns as queixas de demora na recepção de embaixadores para a entrega de credenciais. Isso pode mesmo ser interpretado por alguns governos como descortesia das mais altas e declaração de que o Brasil não se importa com o outro país.

embaixador_indonesiaO que aconteceu na última semana foi mais grave. O Embaixador da Indonésia foi chamado ao Palácio do Planalto para, juntamente com outros colegas plenipotenciários, entregar as credenciais à Chefe de Estado. Lá chegando, e pouco antes de começar a cerimônia, foi chamado em um canto, informado de que a presidente não o receberia, e convidado a deixar o palácio presidencial. Mais grave que um gesto como esse só conheço o rompimento de relações e a declaração de guerra. Sou professor de Direito Internacional há mais de quinze anos e nunca vi nada parecido… É o Brasil se mostrando gentil e solícito ao mundo!

Não discutirei aqui as razões da senhora presidente para gesto tão descortês e ofensivo. Ainda sendo objetivo, todos sabem o quanto a senhora ficou irritada com negativa do pedido de clemência por parte do Governo da Indonésio no caso do traficante brasileiro que foi pego entrando no país com 13 (treze) quilos de cocaína, julgado e condenado, de acordo com as leis daquele Estado, à pena capital. Um traficante de drogas, ou dois, já que há outro pronto para ser executado, criaturas das mais execráveis, que vivem às custas da violência e da morte de pessoas, estão no centro do pior incidente diplomático dos últimos anos, e de uma polêmica que faz com que o governo brasileiro ofenda o maior país muçulmano.

traficante_indonesiaAqueles que me conhecem sabem qual a minha opinião sobre o caso do traficante. Não tenho a mínima pena de criminoso. Como ele mesmo admitiu, já fazia isso há tempos, nunca fez outra coisa na vida, e vivia feliz e satisfeito como mercador da morte. Entrou na Indonésia sabendo do risco, que aceitou. Foi pego, julgado e punido por sua conduta nefasta. Tudo de acordo com as leis do Estado soberano da Indonésia. Teve o que merecia.

Custo a acreditar que a presidente do Brasil realmente nutria tamanha simpatia por um criminoso a ponto de protagonizar semelhante crise diplomática. Parece-me muito mais que a irritação com o caso deveu-se ao fato de ter sido contrariada por um par seu, o Presidente da Indonésia – que, ao contrário de muitos governantes da América Latina, não admite deixar de cumprir as leis de seu país. Associado a essa insatisfação com a “impertinência” do outro Chefe de Estado, pode estar o fato de que a inciativa de gerar a polêmica desvia a atenção de parte da imprensa e da opinião pública de problemas muito mais graves pelos quais o Brasil está passando (e sangrando).

De toda maneira, a presidente não agiu com a altivez que se espera de alguém que ocupe o seu cargo. Deixou o Brasil em uma tremenda saia justa com um país que, apesar de não ter significativas relações econômicas bilaterais com o Brasil, é um protagonista regional e, acima de tudo um Estado soberano que merece respeito. Enfim, ofendeu, repito, um país inteiro e seu povo, a maior nação muçulmana da atualidade.

Em tempo: Jacarta, acertadamente, chamou seu embaixador de volta. Perdemos todos.

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Segue o link para matéria n’O Estado de São Paulo a respeito:
http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-nao-recebe-embaixador-da-indonesia,1637070

150 anos da Maldita Guerra

Guerra_ParaguaiNo último sábado, 27/12, foram lembrados os 150 anos do início do maior conflito já ocorrido na América do Sul: a guerra entre as forças que constituíram a Tríplice Aliança (formada por Argentina, Brasil e Uruguai) e as tropas do Paraguai, comandado pelo ditador Francisco Solano López. O confronto, que ceifou 300 mil vidas de ambos os lados, durou quase seis anos, e marcou profundamente a história do continente.

Muito pouco se conhece sobre a Guerra da Tríplice Aliança (ou Guerra do Paraguai). De fato, o que impera são percepções deturpadas, confusas, errôneas mesmo, sobre aqueles acontecimentos. Lembro que, certa feita, estava na sala de espera de um aeroporto aqui no Brasil e acabei escutando a conversa de algumas pessoas, entre as quais um que se dizia “professor de História”… o tema era “a Guerra do Paraguai”.

“Pois é!”, dizia o sujeito para os outros três a ele atentos (quatro, porque eu também comecei a prestar atenção), “o Paraguai foi atacado pelo Brasil e seus aliados, incitados pela Inglaterra… Afinal, os país era uma grande nação desenvolvida da América do Sul que ameaçava os interesses dos ingleses”… E a bobageira continuava: “Nós [brasileiros] acabamos com o Paraguai… quase todos os homens foram mortos na guerra… e o país nunca mais se recuperou daquela agressão!”

Batalha_Riachuelo_2Quando ia interromper o grupo para narrar os fatos como ocorreram, começaram a chamar para o vôo. Tive que deixá-los com essa visão errada do que aconteceu naqueles idos da década de 1860. Isso me incomoda profundamente, sobretudo porque a percepção equivocada do conflito foi uma construção ideológica reforçada por um pseudo-historiador brasileiro que, no auge de sua cretinice, colocou o Brasil como o grande vilão do confronto (para atingir o então governo do Brasil nos anos 1970 e ofender nossas Forças Armadas). Por ocasião desses 150 anos do início daquela “Maldita Guerra”, vamos a alguns esclarecimentos sobre o que realmente ocorreu.

Em primeiro lugar, o Paraguai estava muito longe de ser uma grande nação desenvolvida da América do Sul. De fato, era um país governado a mão-de-ferro por um ditador que se mostrou sanguinário e louco. Não há que se falar tampouco em uma grande potência industrializada. Tinha-se ali uma combinação pouco usual de uma economia escravista, sob forte influência estatal, com alguns esforços de modernização. E para essa “modernização”,  Solano López via na Bacia do Prata um “espaço vital” para o Paraguai, mesmo porque necessitava de livre navegação ali para realizar o comércio com o mundo. Enfim, López precisava aumentar a influência paraguaia na região. Só que as pretensões do ditador entrariam em conflito com os interesses da Argentina, do Uruguai… e do Império do Brasil.

Guerra_Paraguai2Em segundo lugar, deve ficar claro que a guerra não foi instigada pela Grã-Bretanha, “que via o Paraguai como ameaça”. Aspecto relevante sobre o assunto: quando se iniciou o conflito, a Grã-Bretanha estava de relações rompidas com o Brasil (em razão da Questão Christie) – não havia sequer canais institucionais para que o governo de Londres influísse sobre o Brasil. Além, disso, uma guerra seria bastante prejudicial aos interesses britânicos na região, uma vez que havia investimentos de súditos de Sua Majestade a Rainha Victoria em todos os países do Prata, tanto Aliados quanto o próprio Paraguai. Por último, o Império Britânico, no auge de seu poder, dominando 25% da superfície do globo, tinha mais com que se preocupar do que com os arroubos megalomaníacos de Solano López.

Batalho de Campo GrandeTerceira observação importante: o Brasil não estava preparado para a Guerra, nem tinha planos de agressão contra o Paraguai. Quem começou o conflito foi o Paraguai, que tinha interesse em parte do nosso território, queria aumentar sua influência sobre o Uruguai (o que significava entrar em choque com a Argentina) e agrediu diretamente o Brasil. Em 11 de novembro de 1854, López ordenou o apresamento do vapor brasileiro Marquês de Olinda, que subia o Rio Paraguai rumo ao Mato Grosso, levando o recém-nomeado Presidente da Província, que seria preso e morreria no cárcere paraguaio. Esse ato pérfido foi seguido da invasão do território brasileiro, em 27 de dezembro de 1864, com o ataque, por forças de López, do Forte de Coimbra, com forças trinta vezes superiores à guarnição imperial de 155 homens, que resistiram por três dias. Nosso território fora atacado e tropas paraguaias entravam em solo brasileiro.

O Império do Brasil, portanto, apenas respondeu à injusta agressão. Reproduzo o texto do maior conhecedor daquele conflito, o colega e professor da Universidade de Brasília, Francisco Doratioto:

“A Guerra do Paraguai foi fruto das contradições platinas, tendo como razão última a consolidação dos Estados nacionais na região. Essas contradições se cristalizaram em torno da Guerra Civil uruguaia, iniciada com o apoio do governo argentino aos sublevados, na qual o Brasil interveio e o Paraguai também. Contudo, isso não significa que o conflito fosse a única saída para o difícil quadro regional. A guerra era umas das opções possíveis, que acabou por se concretizar, uma vez que interessava a todos os Estados envolvidos. Seus governantes, tendo por bases informações parciais ou falsas do contexto platino e do inimigo em potencial, anteviram um conflito rápido, no qual seus objetivos seriam alcançados com o menor custo possível. Aqui não há ‘bandidos’ ou ‘mocinhos’, como quer o revisionismo infantil, mas sim interesses. A guerra era vista por diferentes ópticas: para Solano López era a oportunidade de colocar seu país como potência regional e ter acesso ao mar pelo porto de Montevidéu, graças a aliança com os blancos uruguaios e os federalistas argentinos, representados por Urquiza; para Bartolomeu Mitre era a forma de consolidar o Estado centralizado argentino, eliminando os apoios externos aos federalistas, proporcionando pelos blancos e por Solano López; para os blancos, o apoio militar paraguaio contra argentinos e brasileiros viabilizaria impedir que seus dois vizinhos continuassem a intervir no Uruguai; para o Império, a guerra contra o Paraguai não era esperada, nem desejada, mas, iniciada, pensou-se que a vitória brasileira seria rápida e poria fim ao litígio fronteiriço entre os dois países e às ameaças à livre navegação, e permitira depor Solano López. (…) Dos erros de análise dos homens de Estado envolvidos nesses acontecimentos, o que maior consequência teve foi o de Solano López, pois seu país viu-se arrasado materialmente no final da guerra. E, recorde-se, foi ele o agressor, ao iniciar a guerra contra o Brasil e, em seguida, com a Argentina.” (DORATIOTO, Francisco, Maldita Guerra, São Paulo: Companhia das Letras, 2002, pp. 95 e 96)

Mais algumas observações podem ser feitas sobre aquela guerra: ao longo de cinco anos, as tropas da Tríplice Aliança lutaram contra as hordas do ditador paraguaio (essas também muito valentes, mas sem grandes comandantes), com uma série de episódios de valentia de ambos os lados, que mereciam mais atenção de nossos estudantes e dos historiadores em geral. Destaco que grandes brasileiros fizeram história nos campos de batalha da Guerra do Paraguai: Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias (1803-1880), Joaquim Marques Lisboa (Marquês de Tamandaré), o Almirante Tamandaré (1807-1897), patronos do Exército Brasileiro e da Marinha do Brasil, respectivamente, e, ainda, Manuel Luís Osório, o Marquês de Herval (1808-1879), Francisco Manuel Barroso da Silva (Barão do Amazonas), o Almirante Barroso  (1804-1882), Antônio de Sampaio (1810-1866), Émile Louis Mallet, o Barão de Itapevi (1801-1886), apenas para citar alguns desses heróis. O próprio Imperador Dom Pedro II (1825-1891), Comandante-em-Chefe das Forças Armadas do Império do Brasil, foi até o front, com o objetivo de animar seus soldados. Note-se que Sua Majestade Imperial chegou ameaçar abdicar do Trono, caso a Assembléia Geral não autorizasse sua ida ao campo de batalha.

guerra_do_paraguaiApós anos de conflito, López foi finalmente derrotado. Seu país estava arrasado, mas sobretudo por sua insanidade na conduta da guerra e por sua crueldade para com seu próprio povo. Mesmo com a derrota paraguaia,  Dom Pedro II fez questão de manter a integridade territorial do país vizinho – ato de nobreza pouco lembrado e incomum na política das nações à época. Foi, repita-se, o maior conflito ao sul do Equador, após o qual o Império do Brasil conquistou a hegemonia na América do Sul. Profundas mudanças ocorreriam na economia, sociedade e política de todos os Estados envolvidos naquela guerra.

Esses são apenas alguns aspectos da guerra de 1864-1870. Quando em vez, trarei mais informações a respeito aqui em Frumentarius. Que a memória daqueles que lutaram e morreram naquele confronto não seja jamais esquecida!

Americo-avaí

Segue artigo do Correio do Estado (de Mato Grosso do Sul) sobre o ataque ao Forte de Coimbra.

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Evento sobre Inteligência no Maranhão

Estaremos com os amigos nas terras ludovicenses nos próximos dias. Começa nesta quinta, 20/11, o I Seminário de Segurança Institucional do Poder Judicário do Maranhão, a realizar-se entre 20 e 22/11, no Auditório Madalena Serejo, do Fórum Desembargador Sarney Costa, na belíssima capital maranhense. No evento, farei uma palestra sobre Controle da Atividade de Inteligência. Haverá alguns livros nossos para quem desejar adquiri-los.

O evento contará com conferencistas renomados e profundos conhecedores do tema, com destaque para o professor Raimundo Teixeira de Araújo e para Maurício Viegas Pinto (ambos dispensam apresentações).

Seguem maiores informações sobre o Seminário.

Seminario_Intel_MA_2014

TJMA discutirá segurança em seminário sobre a atividade de inteligência no Judiciário

 13 NOV 2014

As atividades desenvolvidas pelo serviço de Inteligência e o plano de segurança institucional do Poder Judiciário do Maranhão serão discutidos por magistrados, servidores e autoridades ligados à área durante o seminário promovido pela Diretoria de Segurança com o apoio da Escola Superior da Magistratura (ESMAM), de 20 a 22 de novembro, no Fórum Desembargador Sarney Costa (no auditório Madalena Serejo). As inscrições estão abertas até o dia 17, no sistema acadêmico Tutor, na plataforma “Sentinela“, disponível no site do Tribunal de Justiça.

“O objetivo é conscientizar acerca das atividades desenvolvidas pela Inteligência, com ênfase na busca da excelência dos procedimentos já estabelecidos e visando à proteção individual e patrimonial de todos os que compõem a instituição”, explica o diretor de Segurança Institucional do TJMA, major Alexandre Magno de Souza.

Inteligência Estratégica e Atividade Jurisdicional, O Papel da Atividade de Inteligência no Poder Judiciário, Inteligência Digital e Inteligência de Sinais, são alguns dos temas que compõem o  treinamento, constituído por parte teórica (palestras e debates) e prática – com visita ao Núcleo de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP-MA).

O seminário será ministrado por renomados profissionais e especialistas ligados à área, tais como: José Nilton Souza (delegado e gestor de Inteligência da Secretaria Adjunta de Inteligência e Assuntos Estratégicos do Maranhão), Maurício Viégas Pinto (supervisor substituto do Serviço de Inteligência do TJDFT e especialista em Inteligência Estratégica), Joanisval Gonçalves (consultor legislativo do Senado Federal, conferencista e autor de livros nas áreas de Inteligência, Segurança e Defesa, Relações Internacionais e Direito) entre outros.

Para mais informações, entrar em contato com a Esmam, pelo telefone (98) 3235-3231.

 Confira AQUI a programação completa do evento.

 Amanda Campos
Assessoria de Comunicação do TJMA
asscom@tjma.jus.br
(98) 3198 4370

http://www.tjma.jus.br/tj/visualiza/sessao/19/publicacao/407301

Dia da Bandeira (republicana)

bandeiras_imperio_republicaHoje, 19 de novembro, é o Dia da Bandeira. A data, que rememora o dia de 1889 quando os golpistas republicanos decidiram qual seria a bandeira definitiva que substituiria o belíssimo pavilhão imperial, serve para lembrar a todos os brasileiros o valor deste símbolo nacional. O único problema é que a maioria absoluta de nossa população não dá a mínima para a festividade de hoje e pouco conhecimento tem sobre a bandeira nacional. Isso é lamentável.

Ainda que prefira o pavilhão imperial, tenho profunda deferência e respeito por nossa bandeira, que considero de grande beleza. Nos últimos 125 anos, ela consolidou-se como o mais importante símbolo da pátria, e deve evocar sentimentos de amor filial e responsabilidade para com a nação. Enquanto estivermos sob o regime republicano, é ela que amarei, respeitarei e defenderei.

dragao_bandeiraTodo povo precisa de símbolos. Durante o Império, o Monarca era nosso símbolo maior, vivo e presente no imaginário da população. A bandeira nacional republicana busca preencher o vazio deixado pela imagem do soberano após a queda da monarquia. É por meio dela que nos fazemos conhecer pelo mundo, é em torno dela que nos unimos, e foi sob ela que muitos brasileiros deram a vida a serviço da pátria.

Minha homenagem hoje ao pavilhão nacional neste 19 de novembro!

Segue um vídeo gravado para a Agência Senado, no qual comento um pouco sobre o pavilhão verde-amarelo, e uma matéria relacionada.

03/11/2014 – Arquivo S

Bandeira nacional sofreu rejeição nos primórdios da República

Ao longo das primeiras décadas da República, vários projetos de lei tentaram desfigurar o modelo atual, feito em 1889. Principal crítica era aos dizeres “Ordem e progresso”, lema da Igreja Positivista


O quadro Pátria, pintado por Pedro Bruno em 1919, mostra mulheres costurando a bandeira do Brasil Foto: Reprodução/Paulo Rodrigues
Ricardo Westin

Quatro meses atrás, a bandeira verde e amarela se multiplicava pelo Brasil. Era plena Copa do Mundo e ela surgia nos muros, nos carros, nas roupas, nas janelas das casas. Poucas imagens conseguem ser tão fortes a ponto de mexer com a emoção dos brasileiros. Nem sempre foi assim. A bandeira, criada há 125 anos, levou décadas até cair de vez no gosto do país.

Em 19 de novembro de 1889, quatro dias após o golpe que enterrou a monarquia, o presidente Deodoro da Fonseca assinava um decreto com a descrição da sucessora da bandeira imperial. É por isso que o Dia da Bandeira se festeja em 19 de novembro. O modelo era praticamente idêntico ao atual. Em vez das 27 estrelas de hoje, havia 21 — o número dos estados de então mais a capital do país.

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Quando o Brasil foi Grande

cetro imperio Neste 15 de novembro, data que considero o dia da infâmia, gostaria de compartilhar com os amigos algumas de minhas razões de ser monarquista convicto. Esta a atualização de um texto que escrevi aqui em 2012.

Preliminarmente, convém registrar que não estou aqui a fazer proselitismo. Não quero convencer ninguém de que o regime monárquico é a melhor opção (apesar da profunda convicção de que é). Só o que desejo é expor minhas razões. Sou monarquista desde que me entendo por gente, e poderei dizer a meus netos que meu primeiro voto foi no parlamentarismo monárquico, por ocasião do plebiscito de 1993. Àquela época votei com convicção e segurança – vou o voto mais valioso e valorizado que já coloquei na urna.

Outra coisa: espero que este texto ajude ao menos a remover alguns preconceitos para com a alternativa monárquica. É irritante as pessoas acharem que somos monarquistas por excentricidade ou anacronismo. Incomoda a reação crítica a esse modelo quando é feita sem nenhum conhecimento do assunto, sob o único argumento (imbecil, desculpem a honestidade) de que “monarquia é coisa do passado” ou de que “o modelo republicano é mais democrático”. Para esses já respondo que a maior parte da população de países como o Reino Unido, o Japão, Suécia, Noruega, Holanda, Bélgica, Dinamarca (que, junto com Canadá, Austrália e Nova Zelândia constituem democracias modernas e desenvolvidas sob um regime monárquico) não pensa assim. Antes de criticarem a monarquia, as pessoas deveriam se informar mais…

Muito bem! Perguntam a razão de eu ser monarquista. Já disse, e repito, preliminarmente, que só vim a conhecer alguém da Casa Imperial do Brasil este ano de 2014, quando tive a feliz oportunidade de encontrar com Dom Bertrand de Orléans e Bragança. Príncipe Imperial do Brasil, com quem tive uma excelente conversa! Tampouco estou formalmente vinculado a qualquer organização monarquista (o que não significa que não o farei oportunamente). Sou monarquista, primeiro, porque creio que uma boa democracia se desenvolve em regimes parlamentaristas e, no Parlamentarismo, entendo que o melhor modelo é o monárquico, não o republicano. Repúblicas parlamentaristas são imperfeitas e o Presidente nunca consegue representar a totalidade da nação como o Chefe de Estado deve fazer (vide o recente caso alemão).

moeda imperioAdemais, parece-me que o único lugar onde o Presidencialismo realmente deu certo foi nos EUA, onde eles criaram o modelo, e no qual a instituição “presidência” é sagrada. Por aqui pela América Latina, o que se viu foram republiquetas instáveis, com caudilhos lutando pelo poder, golpes de Estado e instabilidade político-institucional marcada por aspirantes vorazes a ditador ou megalômanos que chegavam ao palácio presidencial sem estar realmente preparados para ocupar a posição de primeiro mandatário.

Outra razão pela qual sou monarquista é que acho que à época do Império tínhamos instituições mais sólidas e valores mais consistentes. A figura do monarca ajuda nisso – por mais que pessoalmente ele possa ser cheio de imperfeições (senão não seria humano), como figura pública é um símbolo nacional, com valores que devem ser seguidos, servindo de exemplo à população. O povo precisa de heróis, o povo precisa de referenciais, e um soberano é muito útil para compor positivamente esse imaginário. Ademais, aquela foi uma época em que o Brasil, com todos os seus problemas de desenvolvimento e atraso social, tinha uma Economia estável, um regime com liberdade de imprensa, grandes estadistas na vida pública, e era respeitado no concerto das nações, isso muito se devendo aos soberanos que aqui reinaram. Foi uma época, realmente, em que o Brasil era grande!

Antes que venham os comentários pacóvios: monarquias são menos suscetíveis à corrupção que repúblicas, a começar pelo próprio Chefe de Estado. Um monarca não precisa roubar do erário. Afinal, se o fizesse, estaria tirando do próprio bolso e não faria o menor sentido degradar um patrimônio que ele iria deixar para seus filhos. E se roubasse, qual seria o sentido? Onde, quando e como gastaria o butim? Presidentes, por outro lado, têm que fazer seu pé de meia, para quando deixarem o poder…

A monarquia, ao contrário do pensam alguns, é muito mais barata que uma República. Saibam que a Presidência de um país como o Brasil gasta muito mais que qualquer Casa Real. E, ainda que as despesas fossem mais altas para manter uma família real (melhor manter uma família permanentemente que várias famílias de presidentes por sucessivos anos), alguém já pensou no custo do presidencialismo em termos de gastos com campanhas eleitorais periódicas? Quanto dinheiro público não é gasto a cada quatro anos somente com as eleições presidenciais?

coroas (1)Não quero, repito, convencer ninguém para minha causa. Escrevi este texto porque quero compartilhar com meus leitores essa característica político-ideológica que para muitos me é tão marcante. Se você não gostar do que escrevi, paciência, não perca seu tempo tentando desconstruir meu discurso, vá cantar em outra freguesia. Escrevo para aqueles que, ao menos, tenham um mínimo de discernimento e sensatez para considerarem opiniões divergentes das suas, e que não sejam obtusos a ponto de simplesmente se fecharem a qualquer argumento que não tenham facilidade de compreender ou que pensem ser contrário a sua maneira de ver o mundo.

Monarquia é sinônimo de estabilidade. Refiro-me a monarquias constitucionais, que fique bem claro. É instituição moderna (ao contrário do que muitos pensam) e tem aspectos muito positivos.

Este quase quarentão (faço aniversário daqui a 23 dias) pode afirmar com toda convicção que prefere ser súdito do Império do Brasil a cidadão desta (ou de qualquer outra) república… Viva o Império do Brasil! Pela restauração! 

brasilimp1822-1889

Quando a vovozinha acertou o lobo

A vovozinha merece respeito! E tem gente que ainda é contra o direito legítimo do cidadão de bem de portar arma para se defender. Claro, que a posse e o uso de armas de fogo têm que ser fiscalizados e aqueles que as utilizarem indevidamente devem ser punidos com severidade. Agora, simplesmente proibir o cidadão deste mecanismo de defesa em um país onde o Estado é falho em garantir a segurança e os criminosos se proliferam em progressão geométrica, é condenar as pessoas de bem a viver à mercê da bandidagem. Quando possui uma arma (e sabe usá-la), o cidadão tem alguma chance de se defender; quando não possui (mesmo que soubesse usá-la), não tem chance alguma.

Idosa de 77 anos reage a assalto em padaria e mata jovem em São Lourenço do Sul

Caso ocorreu por volta das 21h30min no bairro Navegantes

Zero Hora – Atualizada em 31/08/2014 | 22h2431/08/2014 | 09h53
Idosa de 77 anos reage a assalto em padaria e mata jovem em São Lourenço do Sul Jornal O Lourenciano/Divulgação

Caso ocorreu na Rua Argôlo, no bairro Navegantes, em São Lourenço do SulFoto: Jornal O Lourenciano / Divulgação

Uma tentativa de assalto terminou com morte e chocou moradores de São Lourenço do Sul, no sul do Estado, na noite do último sábado. Ao ser ameaçada por um criminoso que pretendia levar o dinheiro do caixa de seu estabelecimento, uma idosa de 77 anos sacou uma arma e o matou.

O caso ocorreu por volta das 21h30min, no bairro Navegantes. O criminoso invadiu a Padaria da Vovó, anunciou o assalto e foi surpreendido pela reação da idosa, que sacou um revólver calibre .38.

De acordo com a delegada de Canguçu, Paula Garcia, que responde interinamente pela delegacia de São Lourenço do Sul, dois tiros foram disparados enquanto o jovem tentava se aproximar do caixa do estabelecimento. Uma bala atingiu o pescoço de Jonathan Silveira Ferreira, 24 anos, e outra raspou no braço. O rapaz, que também estava armado, morreu no local. A informação inicial era de que ele havia ingressado no local com um comparsa, mas a Polícia Civil não confirma.

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Imperativo de Mudança

fd9_aecio_765086_50bd0e1fec1e3-1420188Não sou filiado ao PSDB e nem a qualquer partido de oposição e, diferentemente do que possam achar os esquerdopatas que porventura agora estejam lendo este texto  (podem parar de ler, o que vem a seguir não os interessa e vocês não ficarão felizes com minhas conclusões), não recebo um centavo para escrever em Frumentarius. Este site é meu, por mim construído e aqui exponho minhas opiniões, de forma independente, simplesmente externando o que penso. E o faço recorrendo ao direito democrático de expressar minhas idéias (ainda vivemos em uma democracia, certo?). Se não gostar, não se irrite, não me queira mal, basta não as ler. Que fique o esclarecimento preliminar…

Agora vamos aos fatos. O resultado das eleições de 5 de outubro deixou claro que o Brasil quer mudança. Ao contrário do que disse a candidata Dilma Rousseff em seu discurso pós-primeiro turno, a maioria do eleitorado votou contra o PT. Exatamente! Uma vez que obteve 41,59% dos votos, fica evidente (se ainda me lembro de matemática) que 58,41% dos eleitores brasileiros não votaram na atual presidente. O sinal foi dado: a maioria não quer mais o PT no poder. E estamos diante de um imperativo de mudança.

fhc-e-aecio-neves-chapa-que-pode-ganhar-apoio-nacionalA candidatura de Aécio Neves ganha força como um sinal de que muitos brasileiros estão cansados de incompetência gerencial, de destrato da coisa pública, de mentiras, de apropriação do patrimônio do Estado, de corrupção institucionalizada. Nos últimos quatro anos, o governo Dilma mostrou-se incapaz de conduzir adequadamente os destinos do País. Resultado: crise econômica, retorno da inflação, crescimento insignificante do PIB (mas este ano estamos melhor que a Rússia!… que está em guerra!!!), reservas sendo torradas, aumento da violência, sovietização do Estado, tendências autoritárias, e a deplorável corrupção que sangra bilhões de nosso patrimônio… Ninguém aguenta mais!

Espero, sinceramente, que Aécio Neves seja o novo presidente do Brasil.  Acredito que ele e sua equipe terão melhores condições para conduzir o País nos tempos difíceis que se aproximam. Sim, porque 2015 e 2016 não serão fáceis… Ademais, alternância no poder é tremendamente salutar em uma democracia, 12 anos geram desgaste para qualquer administração, e o governo que aí está provou que não consegue administrar o caos e que levará o Brasil à bancarrota.

Fiquei satisfeito com a adesão do PPS, do PSC, do PV, do PSB e de outros partidos e grupos políticos e sociais à candidatura de Aécio. Afinal, são todos unidos pela mudança (taí um bom slogan! Quero meus créditos!)! Precisamos disso. E necessitaremos de um grande esforço nacional para transformar o Brasil, enfrentar a crise econômica, resolver as tensões sociais (as já existentes e as criadas pela política de ódio e de instigação ao confronto dos últimos anos, que deseja por brasileiros contra brasileiros em uma luta de classes anacrônica), e recolocar o País nos trilhos.

Voto, portanto, em Aécio Neves. Que a Providência Divina ilumine os corações e mentes da maioria dos brasileiros no próximo domingo para que decidam por um Brasil mais justo e honesto. Precisamos de mudanças. Isso é imperativo.

aecio

PSB aprova apoio a Aécio e abre caminho para adesão de Marina

RANIER BRAGON, DE BRASÍLIA – Folha de São Paulo, 08/10/2014 18h44

Após mais de três horas de reunião e com algumas divergências, a Executiva Nacional do PSB, o partido de Marina Silva, aprovou na tarde desta quarta-feira (8) o apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência.

Foram 21 votos a favor contra 7 que optavam pela neutralidade. O senador João Capiberibe (AP) foi o único a defender o apoio a Dilma Rousseff (PT).

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Eleições 2014

_IA_9727Meus caros amigos, leitores e eleitores,

Neste pleito de 5 de outubro, gostaria de lembrar que não sou mais candidato a deputado federal, tendo renunciado à candidatura no final de julho, pelas razões apresentadas à época. Agradeço novamente a todos os que apoiaram nossa campanha, acreditaram em nós, e que confiaram em nossas propostas. Tenham certeza de que apenas adiamos o projeto de contribuir diretamente para um DF e um Brasil com mais gente de bem na política.

Reitero que continuo acompanhando de perto a política do DF e do Brasil. Afinal, cidadania envolve atenção à maneira como será conduzida a política e a fiscalização e o controle de nossos representantes no Legislativo e do Executivo. Nesse sentido, gostaria de pedir a todos que acompanham Frumentarius que encarem o dia de amanhã como uma grande oportunidade para fazer do Brasil um país melhor.

Votemos com consciência para nossos deputados estaduais/distritais, deputados federais, senadores, governadores e, acima de tudo, presidente. Busquemos pessoas de bem (porque sim, há pessoas de bem), gente disposta a trabalhar pelo bem comum e não por interesses particulares. Tenhamos realmente representantes no Parlamento e no Executivo. O Brasil precisa de mais gente de bem na política.

Particularmente, acredito que precisamos de mudança e renovação. Estamos cansados dos que aí se encontram, da pilhagem do Estado, e da deterioração dos valores de nossa sociedade. A palavra chave é mudança. E é nessa linha que seguirei, e digitarei os números de meus candidatos amanhã.

Vamos adiante! Não deixemos que a voz das ruas de 2013 tenham sido em vão. Fiquemos atentos ao fato de que o Brasil precisará de gente competente e preparada para conduzir o País nos anos de crise que virão. A responsabilidade é de cada um de nós.

Que a Providência possa iluminar os corações e mentes dos 150 milhões de brasileiros que irão amanhã às urnas. E que possamos ter um Brasil mais democrático, livre, verde e amarelo, justo e perfeito! D’us abençoe o Brasil e seu povo!

Votarei pela mudança

brasil-olhoPara mim é muito desconfortável votar para presidente. Afinal, não acredito neste modelo presidencialista falacioso e ilusório. Entretanto, neste domingo votarei para presidente. Tenho que fazê-lo. E o farei com um profundo desejo de mudança e consciente de que se continuarmos com o (des)governo que aí está, o Brasil entrará em colapso.

Votarei contra a manutenção no poder do grupo que aí está. Doze anos são mais que suficientes.  Levaremos muito tempo para tentar sanar os danos causados por essa organização ao País: inflação sem controle, endividamento, grandes obras no exterior às custas da falta de investimento interno, dilapidação do patrimônio público, corrupção, enfraquecimento de empresas que eram motivo de orgulho para todos os brasileiros, aparelhamento do Estado, destruição da meritocracia, difusão de um discurso de ódio racial e de embate social… Isso só para lembrar alguns dos aspectos marcantes do período. Fatos, contra os quais não há argumentos. Por isso votarei pela mudança.

Houve ganhos sociais no período? Certamente. Importante a quantidade de brasileiros que saíram da miséria e as oportunidades criadas para os menos favorecidos. Entretanto, isso se deu às custas de uma dívida avassaladora, da Economia em frangalhos, da classe média desprestigiada e do setor produtivo enfraquecido. Não coaduno com essa idéia de sacrificar a classe média e aqueles que empreendem e produzem sob o argumento de que se está a socializar a riqueza. Por isso votarei pela mudança.

O legado do grupo que tem estado  por doze anos à frente do Brasil é mais nefasto ainda no campo das idéias e dos valores (ou da falta deles). Estou cansado deste discurso paternalista, assistencialista, fraudulento e autoritário. Estou cansado de um governo que tenta mudar a História, que transforma mentiras em verdades, e que quer impor como devo pensar e agir. Inadmissível a desonestidade intelectual e a falta de moral do discurso oficial. Por isso votarei pela mudança.

Esses últimos doze anos foram de intensa pilhagem dos cofres públicos, de mensalões, de petrolões, de maracutaias institucionalizadas das mais diversas. Estou cansado de um governo que acoberta criminosos comuns como se heróis fossem simplesmente porque pertencem ao partido. Inconcebível que haja quem ainda insista em defender os quadrilheiros que caíram como abutres na estrutura do Estado e começaram a dilapidá-la, pousando de arautos da ética. Por isso votarei pela mudança.

Com o enraizamento no poder do grupo que aí está, os ventos do autoritarismo têm chegado. São perseguições políticas, patrulhamento ideológico, invenção de mentiras contra opositores e, na modernidade, a terrível e famigerada “militância ativa virtual” (MAV) – milhares de pessoas pagas em esquemas que envolvem dinheiro público para, protegidas pelo anonimato do ambiente virtual, monitorar e atacar (com os métodos mais desprezíveis) quaisquer tentativas de crítica ao establishment. Nada muito diferente do que se fazia e se faz nos mais autoritários dos regimes… Estou cansado desse patrulhamento ideológico e desse discurso autoritário. Por isso votarei por mudança.

Se não tivermos mudança, o Brasil entrará em colapso. A situação tornou-se insustentável, simples assim. O próximo ano será um grande desafio para qualquer um que assumir a cadeira presidencial, e tenho convicção de que o grupo que aí está não terá capacidade de gerenciar a crise (para a qual ele muito contribuiu). Também não acredito em qualquer alternativa de cunho “socialista” para o Brasil. Acredito em trabalho, espírito empreendedor, e liberdade para produzir riqueza. Por isso votarei pela mudança.

Enfim, amanhã votarei pela mudança. Não quero e não vou desistir do Brasil. Minhas orações hoje serão para que a Providência ilumine os quase 150 milhões de brasileiros neste 5 de outubro. Que amanhã seja o primeiro dia de grandes transformações. E que o Brasil possa ter um governo que se preocupe com o interesse público e não com ideologias, com interesses partidários e muito menos com benefícios pessoais às custas da res publica. Quero meu Brasil de volta! Quero mudança! Quero que saia o vermelho e volte o verde e o amarelo!

Brasil acima de tudo! Viva o povo brasileiro! Por um País mais ético, livre, democrático, justo e perfeito!

Brazil Confederations Cup Protests

Porque apoiar o Estado Islâmico…

isis_childremDifícil assinalar organização mais execrável, nefasta e bárbara que o chamado “Estado Islâmico”, o grupo jihadista que tem causado terror e morte em uma área abrangente do Oriente Médio, aí incluídos parte da Síria e, sobretudo, do Iraque. Esses facínoras, sob um discurso fundamentalista de estabelecimento de um “grande califado”, têm imposto um regime severo de violência no território por eles ocupado, com atos que compreendem crucificação de mulheres e crianças, degola de prisioneiros,  estupros, tortura, enfim, formas impensáveis de impor dor e sofrimento. Difícil mesmo conceber tamanha barbaridade em pleno século XX.

O Estado Islâmico é considerado radical até mesmo pela Al Qaeda. E consegue reunir contra ele países como os Estados Unidos e o Irã. A Organização das Nações Unidas já se manifestou no sentido de que medidas severas (inclusive com o uso da força) devem ser tomadas para deter a escalada de violência produzida pelos jihadistas. A coalizão internacional estabelecida para intervir militarmente na região encontra apoio de praticamente todo o mundo. Praticamente…

FOTO2-334495-2014-09-24-14-44Em meio à indignação mundial contra o Estado Islâmico, uma voz clamou isolada na abertura dos trabalhos deste ano da Assembléia Geral da ONU em prol da “negociação” com os monstros: foi a presidente Dilma Rousseff, que sem fazer referência direta ao grupo, mas tratando das intervenções militares na região, assinalou que “o uso da força é incapaz de eliminar as causas profundas dos conflitos”. Difícil conceber o que este Governo deseja defendendo um entendimento com os terroristas. Gostaria de uma explicação do porquê dessa atitude parcimoniosa com assassinos cruéis. Talvez a presidente não tenha sido tão bem assessorada para se portar daquela maneira em seu discurso na Assembléia Geral. O que levaria Dilma Rousseff a se colocar contra a necessidade de intervenção militar para por fim à barbárie promovida por um exército terrorista? Falta de informação? Desatenção para com um tema tão importante? Será que há afinidade de pensamento? 

Nada justifica o posicionamento do Governo brasileiro a favor da negociação com terroristas. Inaceitável qualquer forma de entendimento com o Estado Islâmico, mesmo porque o ódio e o obscurantismo daqueles monstros impede qualquer hipótese de negociação. Para acabar com o regime de terror desses criminosos na Síria e no Iraque, a única alternativa efetiva é a intervenção militar. A comunidade internacional precisa recorrer ao uso firme e maciço da força para arrancá-los de suas tocas, por fim a suas atrocidades e limpar os territórios ocupados por essa praga. Mas, pelo visto, não é assim que entende a presidente do Brasil, para a vergonha e a tristeza de muitos brasileiros.

isis_crucifixion_0A conduta condescendente do Brasil foi objeto de críticas diversas de vários países. Ninguém vê com bons olhos a existência do Estado Islâmico. Mas nosso governo quer negociar com eles. Não interessa como esses terroristas mostram o quanto são sanguinários e que estão dispostos aos maiores absurdos pela causa que defendem. Não interessa se crianças morrem massacradas por esses cretinos. Não interessa se mulheres são violentadas e pessoas são crucificadas em nome da religião. Nosso governo parece achar que eles têm o direito de impor seu regime de terror a milhares de seres humanos. Nosso governo acha que vale a pena. Sim, porque há algumas pessoas em Brasília que acreditam que apoiar o Estado Islâmico e todas as suas barbaridades vale a pena…

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Artigo no Intelligence & National Security

É com grande satisfação que informo que artigo nosso, intitulado The Spies Who Came from the Tropics: Intelligence Services and Democracy in Brazil, foi publica no periódico Intelligence & National Security, um dos mais conceituados da área. Ali faço uma análise da atividade de inteligência no Brasil. Para adquirir o artigo ou a Revista acesse: 

http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/02684527.2014.915178#.VA70JvldWZo

Intelligence and National Security

Volume 29, Issue 4, 2014

Special Issue:   Democratisation of Intelligence

The Spies Who Came from the Tropics: Intelligence Services and Democracy in Brazil

The Spies Who Came from the Tropics: Intelligence Services and Democracy in Brazil

 DOI: 10.1080/02684527.2014.915178
Joanisval Brito Gonçalves*pages 581-599
 Published online: 10 Jul 2014
Abstract

Despite the emergence of Brazil as a global power, little is known about its security and intelligence services and the way they are seen by Brazilian society. This article analyzes the Brazilian perception of the role of its intelligence services and the relationship between the intelligence community (IC) and the decision makers. The historical background of intelligence in Brazil and a general overview of the Brazilian IC after the reestablishment of democracy are presented, as well as the general mechanisms of control and accountability of the secret services. Finally, there is consideration of some concerns on reforming the intelligence sector and its control and oversight apparatus.

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O Hino da Independência

Em 7 de setembro de 2011, ano inaugural de Frumentarius, publiquei o texto que segue sobre o Hino da Independência. Essa composição, bela peça de autoria de nosso primeiro Imperador, sempre enche de emoção os patriotas brasileiros, monarquistas ou republicanos. A bandeira imperial brasileira também foi idealizada por Pedro I, com o Brasão do Império pintado por Debret. Dois dos maiores símbolos nacionais remontam, portanto, aos tempos pré-republicanos. Interessante notar, ainda, que nosso hino nacional brasileiro também é o hino do Império do Brasil, que foi mantido (a letra foi inserida no período republicano).

Neste momento de crise de moralidade, não há como não deixar de pensar em uma época em que valores nacionais eram cultuados, e em que havia uma grande quantidade de homens públicos competentes, preparados e que se preocupavam com os interesses maiores da nação, homens como José Bonifácio e Joaquim Nabuco. O País precisa recuperar esses valores.

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Seguem um filme com o Hino da Independência e o texto que publicamos em 2011.

Hino da Independência

Pintura em que D. Pedro I realiza a execução da peça musical dedicada ao Hino da Independência.

Uma das mais belas peças dentre as melodias cívicas, o Hino da Independência deveria ser executado com mais freqüência no País, trazendo orgulho a todos os brasileiros. Afinal, quantos países têm o privilégio de ter um hino tão rico e belo composto pelo goverante?!? Para ouvi-lo, clique aqui

O 7 de setembro é data importante para lembrar que ainda temos muito que lutar pela nossa independência como nação sobera, libertando-nos dos grilhões pérfidos da corrupção, da desigualdade e do retrocesso!

Ah, como carecemos de brasileiros comprometidos com um bem maior, com o desenvolvimento do País e com a probidade no trato da coisa pública! Quantos estão dispostos a morrer pelo Brasil?

HINO DA INDEPENDÊNCIA

(Extraído de http://www.brasilescola.com/historiab/hinodaindependencia.htm)

Se a arte imita a vida, podemos notar que a história do Hino da Independência foi tão marcada de improviso como a ocasião em que o príncipe regente oficializou o fim dos vínculos que ligavam Brasil a Portugal. No começo do século XIX, o artista, político e livreiro Evaristo da Veiga escreveu os versos de um poema que intitulou como “Hino Constitucional Brasiliense”. Em pouco tempo, os versos ganharam destaque na corte e foram musicados pelo maestro Marcos Antônio da Fonseca Portugal (1760-1830).

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192 anos da Independência: Pátria Amada, saqueada

independencia2Há 192 anos, um príncipe português (que amava esta terra como poucos) rompia os laços com a metrópole e proclamava o Brasil um país independente. Uma nova nação se erguia, com um povo valoroso que ansiava por ocupar seu papel de destaque no cenário internacional. Verde e amarelo eram nossas cores. O regime monárquico nos unia e garantia um Estado democrático, Nascia um país rico pela própria natureza, próspero por suas riquezas naturais e, sobretudo, por seu povo singular.

Passados quase duzentos anos do episódio do Ipiranga, pouco há a se comemorar no Brasil independente. Há como se dizer independente, se a nação é saqueada, pilhada, a corrupção impera, homens e mulheres inescrupulosos buscam qualquer oportunidade para roubar e se locupletar da coisa pública, como se de ninguém ela fosse? Denúncias de corrupção em altas esferas do poder nacional se espalham. Ao mesmo tempo, o cidadão se vê vítima também dos “bandidos pequenos”, que se proliferam e roubam, roubam, roubam, com a certeza da impunidade. Será que nos transformamos em uma pátria de ladrões?

Os brasileiros temos pouco a comemorar nestes 192 anos da independência. O País perde valores, ensina-se racismo e ódio nas escolas, parte significativa da população torna-se refém de assistencialismos, o mérito deixa de ser importante, substituído pela afirmação de incompetência  e pelo vínculo ideológico como as únicas formas de se vencer na vida. O que conta, o que se ensina, é o quanto se pode sugar do Estado. A livre iniciativa e o empreendedorismo são condenados e aquele que se faz por si mesmo não tem lugar diante da massa que só prospera por meio de benesses do Estado, pois aqui o melhor é ser “coitadinho”.

CORRUPção1Mensalões e petrolões  assolam o país. A classe política encontra-se completamente desacreditada. Mas ela é só um reflexo do povo que lhe transfere poder. Sim, porque os brasileiros são responsáveis por seus governantes. Gritos de mudança se perdem em meio a mentiras e manipulações. Bandeiras vermelhas e negras assumem o lugar do verde o do amarelo que fundaram a nação. E tudo segue, como se normal fosse. O que importa é o próximo capítulo da novela, ou o jogo da próxima quarta.

Há muito não se via um momento tão crítico na História do Brasil. Infelizmente, o Estado está aparelhado, corações e mentes submissos, mentira e manipulação imperam, e a população tão dependente das benesses públicas, que permanece passiva, bestializada diante do mar de lama que assola o País.

corrupcaoBrasilEm 192 anos de existência, o Brasil parece, realmente, sem rumo. Incompetência gerencial e corrupção, roubalheira generalizada e desavergonhada, assistencialismo, imposição de um discurso mentiroso, falta de valores cívicos, de respeito, de preocupação com o bem comum, tudo isso faz deste País dependente de um grupo com um projeto de perpetuação de poder, e da população completamente refém de si mesma. E o pior, não se percebe sinais de mudança.

Cerca de duzentos anos atrás, o Rei Dom João VI alertou seu filho Pedro de que se atentasse para os aventureiros que poderiam se apossar do Brasil. Dessa maneira, teria dado sua benção para que o amado filho tornasse esta terra independente. Após dois séculos, o Brasil está na mão de aventureiros e aproveitadores, sob o jugo não mais de portugueses, mas dos próprios brasileiros. Precisam proclamar novamente nossa independência e romper com os lações ideológicos e de servidão que fazem 200 milhões de homens e mulheres reféns de brasileiros inescrupulosos. Se não for proclamada uma nova independência do Brasil, a alternativa para esta nação será a morte.

Independência_ou_Morte_

A mais legítima das nossas constituições

imageEntre as publicações da Semana da Pátria, gostaria de fazer referência hoje à melhor constituição que este país já teve e que neste ano completou 190 anos de sua promulgação: a gloriosa Constituição do Império do Brasil, de 1824. Peça jurídico-política fascinante, nossa primeira (e, em que pesem os arroubos republicanos, única e legítima) Constituição durou 67 anos, ao contrário das peças republicanas que parecem ter tempo de validade (cerca de 20 anos)…

Acredito que todos os que se interessam por Política e por História deveriam conhecer a Carta de 1824, obrigação esta também aos juristas. Constituição plástica, objetiva, liberal e democrática, permitiu ao País manter-se como uma democracia unida nos anos de maior tormenta, quando tivemos guerras intestinas e conflitos com os vizinhos.

Gosto da Carta de 1824. E trarei para esta página alguns trechos dela nos próximos dias. O primeiro deles refere-se a seu último artigo, o 179, que trata dos direitos e garantias individuais. Ora, vejo muita gente falando da Carta de 1988 como “constituição cidadã”, como se direitos civis tivessem sido por ela inventados. Não é bem assim. No texto constitucional de 1824 vemos o direito de ir e vir, a liberdade de opinião e de expressão, liberdade religiosa (em um país em que o Estado dispunha de religião oficial), inviolabilidade do lar, o direito ao contraditório e à ampla defesa…

De fato, nossa Constituição do Império já tratava de direitos individuais e de uma forma muito semelhante àquela de 1988. Note-se, porém, que foi produzida no início do século XIX, em um país considerado periférico, que há pouco deixara de ser colônia e em uma época em que os ideais revolucionários de 1789 eram rechaçados pelo retorno do Antigo Regime na Europa.

Conheça o art. 179, e tire suas próprias conclusões. Só peço que leia com atenção, despido de preconceitos, e até o final.

Viva o 7 de setembro! Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Constituição do Império do Brasil (1824)

Art. 179. A inviolabilidade dos Direitos Civis, e Politicos dos Cidadãos Brazileiros, que tem por base a liberdade, a segurança individual, e a propriedade, é garantida pela Constituição do Imperio, pela maneira seguinte.

        I. Nenhum Cidadão póde ser obrigado a fazer, ou deixar de fazer alguma cousa, senão em virtude da Lei.

        II. Nenhuma Lei será estabelecida sem utilidade publica.

        III. A sua disposição não terá effeito retroactivo.

        IV. Todos podem communicar os seus pensamentos, por palavras, escriptos, e publical-os pela Imprensa, sem dependencia de censura; com tanto que hajam de responder pelos abusos, que commetterem no exercicio deste Direito, nos casos, e pela fórma, que a Lei determinar.

        V. Ninguem póde ser perseguido por motivo de Religião, uma vez que respeite a do Estado, e não offenda a Moral Publica. Continuar lendo

Tratamentos imperiais, reais e nobiliários

TITULOS_NOBREZAEstamos na Semana da Pátria, quando celebramos os 192 anos do Grito do Ipiranga, ocasião em que o Brasil rompeu os laços coloniais com Portugal e, graças a portugueses e brasileiros que amavam esta terra, a começar por Sua Majestade Imperial e Real, Dom Pedro I, tornou-se uma próspera e unida nação, abençoada por ser uma monarquia em meio à diversidade de repúblicas e republiquetas deste continente.

Buscarei publicar, nos próximos dias, assuntos referentes à monarquia, que tanto agradam a meus leitores (é interessante como publicações relacionadas a assuntos monárquicos estão entre as mais procuradas neste site, assinalam as estatísticas). Nessa linha, gostei do texto a seguir, retirado da revista eletrônica “Mundo da Nobreza“. Como se dirigir a imperadores, reis e nobres? Quais pronomes de tratamento utilizar? Espero que um dia possamos, novamente, usar alguns desses aqui em Pindorama, quando a república anacrônica e corrompida for substituída pelo novo e moderno Império do Brasil!

Viva o Império do Brasil! Pela restauração!

Brasil.Império

TRATAMENTOS

Muitas vezes nos perguntamos: “Qual a correta maneira de se dirigir a um Príncipe, ou a um outro Nobre?”, para responder a esta, e outras perguntas, a Revista Eletrônica Mundo da NOBREZA publica as corretas formas de tratamento, pelo qual se deve dirigir a cada Membro da Realeza, Nobreza ou Aristocracia.

Os tratamentos estão organizados do mais elevado ao menos importante.

SUA SANTIDADE (S.S): É a mais elevada forma de tratamento, que é de uso exclusivo do Santo Padre o Papa, que como Soberano da Santa Igreja Católica, é também o Chefe de Estado do Principado da Cidade do Vaticano. Possui muitos outros títulos, como Sumo Pontífice, ou Pai dos Reis e dos Príncipes, etc.

SUA SACROSSANTA MAJESTADE IMPERIAL (S.S.M.I.): Título que era utilizado pelos Sacrossanto Imperadores Romano-Germânicos, até 1806. Atualmente não é mais utilizado.

SUA MAJESTADE IMPERIAL E REAL (S.M.I&R.): É a mais elevada forma de tratamento dada a um Monarca, sendo que é reservada aos Imperadores, que também possuam a dignidade de Reis.

SUA MAJESTADE IMPERIAL (S.M.I): É o tratamento dado aos Imperadores, para assim serem distinguidos dos demais Reis. Hoje é quase inexistente seu uso, mas foi o tratamento utilizado pelos Imperadores do Brasil, do México, e pelos Monarcas Britânicos, durante a existência de seu Império colonial. Continuar lendo

O Brasil e a Grande Guerra

O Jornal do Senado publicou, na segunda, 01/09, especial sobre a participação do Brasil na I Guerra Mundial. Há uma pequena contribuição nossa para a reportagem.

Para acessar a edição, clique aqui (página 4).

Foi feito, ainda, um vídeo muito interessante sobre a atuação do Brasil no conflito e o papel do Senado no debate sobre a conveniência política do País se envolver na Guerra. Achei didático e recomendo.

Mentira, Escola, Memória

20140822_182047Fui buscar minha filha na escola. Lá chegando, deparei-me com os trabalhos das crianças sobre o “governo militar” expostos em murais nas paredes externas da sala. O conjunto era um show de horrores, irritante… e confirmei o que temia: o ensino está completamente ideologizado, há uma “versão oficial” (e deturpada) da História, e o que é ensinado em sala de aula está impregnado de forte preconceito! Fiquei enraivecido, indignado com o que se prega hoje na escola!

20140822_182110As fotos falam por si. Deixarei que o leitor as veja e avalie. A versão do período ensinada a nossas crianças é de violência, repressão, censura e morte – e só isso! Ah, sim! Claro que só por parte do Estado. Do outro lado estavam jovens combatentes da liberdade (muitos dispostos a tudo, inclusive a matar inocentes, para transformar o Brasil em uma Albânia comunista)! Não havia qualquer referência a atendados terroristas, a guerrilha rural, a discursos inflamados que pregavam o comunismo como a solução e a luta como o caminho para se alcançar esse objetivo! Será que se perdeu a memória disso?

20140822_181949Certamente, houve abusos, violência e morte perpetrados por agentes do Estado nos 21 anos de regime militar no Brasil (hoje isso não existe mais, certo?!?). E não se pode deixar de contar esses fatos às futuras gerações. Mas o que realmente me incomodou é maneira absolutamente parcial como ensinam nossos filhos a respeito! Irrita-me a imagem que se constrói de uma época em que o Brasil alcançou novos patamares de desenvolvimento, que o País industrializou-se, que o civismo era ensinado em sala de aula, havia segurança e ordem! Mas não é o que se tem aprendido nos bancos escolares. E, nesse contexto, mentiras logo se tornam verdades absolutas!

Absurdo que não se ensine, por exemplo, que havia terrorismo no Brasil, que vivíamos em um clima de guerra suja (guerra pressupõe, no mínimo, duas partes em conflito), e que tanto os agentes do Estado que reprimia, quanto os opositores àquele regime (os que optaram pela resistência pacífica e os que recorreram à luta armada e ao terror) eram, em sua absoluta maioria, peças em um jogo de poder entre as Grandes Potências, os dois blocos e seus respectivos serviços de inteligência. Sim, porque para se entender o período é fundamental que se compreenda que vivíamos em clima de disputa bipolar e que imperava o embate ideológico!

20140822_182002Quero que se ensine a meus filhos sobre o período militar, certamente. Mas quero que esse ensino envolva a valorização da democracia e a defesa da alternativa democrática como a única aceitável. Não quero cartilhas tendenciosas, ideologicamente orientadas, que identificam nossos militares (de ontem, mas também de hoje) como monstros desalmados. Não quero esse maniqueísmo e essa parcialidade no ensino da História às gerações mais novas.

Tudo isso me faz refletir sobre como se está contando a História do Brasil nos dias de hoje. Livros que relatam a versão de apenas um dos lados não merecem meu respeito. São eles, porém, os adotados nas escolas. E, simplesmente, ensina-se que, de um lado, havia monstros desalmados (que usavam farda) e, do outro, pessoas comuns que eram perseguidas, torturadas e exterminadas. Só que não foi bem assim, não é?20140822_182057

Estou considerando como irei à direção da escola para tratar do tema. Afinal, gosto muito da instituição de ensino onde estuda minha filha, bem como do profissionalismo e seriedade da professora da pequena. Mas acho, sinceramente, que se deve registrar que estão impondo uma versão deturpada da História a nossas crianças. Será que caminhamos para trás?

Não escreverei mais nada. Estou muito abespinhado para isso. Repito, deixarei as imagens falarem por si. E mostrarem como nas escolas, a mentira impregna nossos filhos e arrasa com nossa memória. Esse é apenas um exemplo do que está acontecendo com o Brasil: uma lenta, gradual e quase imperceptível mudança nos corações e mentes das pessoas, sob orientação clara de um discurso ideológico e doutrinário. É isso mesmo! Gramsci explica.

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