Asilo para quê?

Edward_SnowdenArtigo em que meu amigo Marcos Degaut é coautor. Transcrevo aqui e concordo com a percepção dos articulistas. Temos muito pouco a ganhar e bastante a perder com a concessão de asilo a Edward Snowden.

Brasil e Estados Unidos são parceiros históricos. Claro que essas relações podem e devem se pautar em cooperação equilibrada e respeito mútuo. Trazer o traidor Snowden para nossas terras só vai arranhar mais o relacionamento com os estadunidenses. E trazê-lo para quê?

Ademais, sempre bom lembrar que, para concedermos asilo a esse rapaz, ele teria que entrar em território brasileiro para solicitá-lo, ou seja, teria que sair da Rússia e fazer escala em algum outro país antes de chegar em Pindorama. Aí seria detido. Asilo diplomático só é reconhecido na América Latina.

Ainda não conseguiram me convencer de que esse Edward Snowden não foi é recrutado, e muito bem recrutado, pelos russos. E os russos sabem magistralmente como fazê-lo, com todo o mérito pelo êxito na operação. Afinal, é assim que funciona o jogo. E, entre grandes potências, fundamental é saber jogar…

Folha, 22DEZ2013 – HUSSEIN ALI KALOUT E MARCOS DEGAUT
TENDÊNCIAS/DEBATES
O ASSUNTO É: O DESTINO DE SNOWDEN
 

Uma janela de oportunidades

O Brasil tem muito mais a perder do que a Rússia em sua relação com os Estados Unidos se conceder eventual asilo a Edward Snowden

O caso Edward Snowden ganha um novo capítulo internacional. A manifestação pública do ex-funcionário da inteligência americana vislumbrando lograr asilo político do governo brasileiro é ainda uma hipótese que apenas o próprio autor e seu círculo mais íntimo gostariam de transformar em realidade.

Importantes indagações pairam no ar sobre o impacto dessa hipotética medida: o que o Brasil ganharia com isso? Quais seriam as consequências? A resposta inicial de por que o Brasil deveria conceder-lhe o asilo parece óbvia: coletar dele informações sobre a espionagem norte-americana. Preliminarmente, o Brasil não ganharia muita coisa além de meter-se numa curiosidade perigosa e contraproducente. Continuar lendo

O espião que foi para o frio…

A matéria só contribui para minha convicção que o que houve, de fato, foi uma belíssima operação de recrutamento feita pelos russos (dentro da rica tradição dos serviços daquele país). Nesse sentido, ninguém me convence de que o senhor Snowden resolveu vazar toda essa quantidade de informações movido por razões nobres. Foi recrutado, cooptado para trabalhar para os russos. E não há nada de absurdo nisso. Faz parte do Jogo, assim como o fazem também as ações da inteligência estadunidense. É como operam grandes potências…

Em tempo: se me perguntarem o que penso de Snowden, digo que o considero um traidor de seu país e acho que ele deveria responder por isso. O problema é que agora ele está sob a proteção de Moscou… Faz parte do Jogo, do Grande Jogo. E é assim que funciona, desde sempre…

Edward Snowden já tem trabalho na Rússia

Edward Snowden já tem trabalho na Rússia

 Foto: Vesti.Ru
 

O ex-agente do NSA, Edward Snowden, que tem asilo temporário na Rússia, começa a trabalhar a 1 de novembro num dos maiores web sites do país.

O nome da empresa e o cargo que irá ocupar são mantidos em segredo por razões óbvias. Também não se sabe se Snowden irá trabalhar num escritório ou via Internet à distância. Segundo o advogado Anatoli Kucherena, que representa interesse de Snowden na Rússia, tal secretismo se deve a motivos de segurança. No entanto, o antigo colaborador do NSA não deve ter muitos problemas, inclusive linguístico:“Ele está estudando o idioma russo. Quanto ao trabalho, fará parte de uma equipe de engenheiros informáticos russos, responsáveis pela manutenção do web site. Trata-se especialistas na área do software, programas de apoio, aplicações, etc.” Continuar lendo

A que foi sem nunca ter ido…

dilma obamaReportagem que saiu em vários jornais e sites pelo mundo (feita pela AP), com um trecho em que comento o cancelamento da viagem da Presidente Dilma aos Estados Unidos. A meu ver, erro crasso de política externa… Logo escreverei um artigo sobre o assunto…

RIO DE JANEIRO (AP) — Brazilian President Dilma Rousseff on Tuesday postponed a state visit to the U.S. to protest an American spy program that has aggressively targeted the Latin American nation’s government and private citizens alike.

Rousseff was to be honored with a state dinner next month, an event meant to highlight strengthening ties between the Western Hemisphere’s two biggest nations.

Instead, revelations of the National Security Agency’s spy program and Rousseff’s dissatisfaction with the U.S. response to questions about the espionage made it impossible to continue with that trip for now, her office said in a statement.

“Given the proximity of the scheduled state visit to Washington and in the absence of a timely investigation … there aren’t conditions for this trip to be made,” the statement read. “The Brazilian government is confident that when the question is settled in an adequate manner, the state visit can quickly occur.”

The decision comes after a series of reports on Brazil’s Globo TV gave details about the NSA program’s efforts in Brazil.

American journalist Glenn Greenwald, who is based in Rio de Janeiro and broke the story of the NSA espionage program after obtaining leaked documents from Edward Snowden, has worked with Globo on its reports.

They have included revelations that Rousseff’s communications with aides were intercepted, that the NSA hacked the computer network of state-run oil company Petrobras, and that the NSA scooped up data on billions of emails and telephone calls flowing through Brazil, an important hub for trans-Atlantic fiber optic cables.

Rousseff has crafted a pragmatic foreign policy more in line with U.S. views than that of her predecessor and political mentor Luiz Inacio Lula da Silva,

She has distanced Brazil from sticky issues such as the Middle East peace process and the Iranian nuclear program, and has shown renewed interest in making a lucrative fighter jet purchase from Boeing rather than the company’s French or Swedish rivals.

However, Rousseff is facing a re-election fight next year that became more competitive after nationwide anti-government protests in June, with Rousseff drawing much of the demonstrators’ ire. She has since bounced back in the polls, but cannot afford to look weak in the face of a U.S. spy program that has angered Brazilians and added to longstanding suspicions about the American government here.

“The main objective (of Dilma’s decision) is political and involves her re-election next year,” said David Fleischer, a political scientist at the University of Brasilia. “By standing up to the U.S. cyber-espionage, it’ll help her popularity and increase her standing in the polls.”

Fleischer said he doesn’t think the longer-term relationship between Brazil and the U.S. is in serious danger because of the spying and Rousseff’s decision to delay her visit, but it will affect a series of decisions.

Perhaps the most pressing is a long-delayed decision by Brazil’s government on a $5 billion fighter jet purchase, a decision that will bolster military ties between Brazil and whichever nation’s plane is chosen.

Former Brazil leader Silva reportedly favored buying the 36 fighter jets from France’s Dassault company, but Rousseff had shown more favor for the Boeing’s F-18 Super Hornet. Brazil is also considering Sweden’s Saab AB for its Gripen NG jet.

Aides to Rousseff have told local media that it would now be hard to justify choosing the Boeing jets in the wake of espionage revelations.

However, Joanisval Brito Goncalves, a foreign affairs assistant to Brazil’s senate, said Rousseff is missing an opportunity by not making the trip to the U.S, even if only to ratchet up pressure on Obama.

“It’s been 20 years since we’ve had a head of state in the U.S. for a visit like this, it’s the time to strengthen dialogue, not to close doors,” Goncalves said. “This would’ve been a good opportunity to speak with Obama about (the spying).

He added that the Brazilian government “cannot bury its head in the sand” and avoid dialogue with the U.S., and that “it’s foolhardy not to recognize the importance of this trip.”

The White House portrayed the postponement as a joint decision reached by Obama and Rousseff and finalized Monday evening in a phone call.

White House spokesman Jay Carney said both Obama and Rousseff agree that no single issue should overshadow the important relationship between the U.S. and Brazil.

“They both look forward to that visit, which will celebrate our broad relationship,” Carney said. “We’re certainly acknowledging the concerns that these disclosures have generated in Brazil and other countries.”

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Bradley Brooks on Twitter: http://www.twitter.com/bradleybrooks

http://www.usnews.com/news/world/articles/2013/09/17/brazil-leader-postpones-trip-to-us-over-spying

A Inteligência e a Presidenta

Interessante essa matéria da Folha. Toda a crise relacionada à NSA e aos vazamentos de Snowden pode ser oportunidade para repensarmos o papel de nossos serviços de inteligência e a (des)importância que as autoridades e a sociedade brasileiras dão a seus serviços secretos. Precisamos desenvolver e valorizar nosso pessoal que opera no silêncio. Precisamos investir em contrainteligência e criar mecanismos de proteção contra intrusão externa. Não adianta ficar de cara feia culpando a ABIN ou SISBIN pela espionagem estrangeira… Se alguém falhou, foi o Brasil em não investir nesse campo… E aqueles que governamo País que assumam a responsabilidade por sua negligência. Logo comentarei mais a respeito…

dilma elito

Folha de São Paulo, 16/09/2013

Inteligência nacional desagrada a Dilma

Presidente diz a chefe da Agência Brasileira de Inteligência que relatório diário de duas páginas é ‘de anteontem’. Dilma comparou o órgão brasileiro com o americano: “É como um carrinho de brinquedo enfrentando um trator”

NATUZA NERYFERNANDA ODILLADE BRASÍLIA

Quando as primeiras denúncias de espionagem dos EUA contra Dilma Rousseff chegaram ao conhecimento do Palácio do Planalto, a presidente foi “para cima” do general José Elito, responsável pela segurança presidencial e pelo serviço de inteligência do governo brasileiro.

Dilma não hesitou e, há duas semanas, disse ao general na presença de auxiliares: “Esses relatórios são de anteontem, Elito!”. Continuar lendo

Os russos estão chegando!!!

Gosto das matérias da Voz da Rússia… É um sensacionalismo bem patrocinado! Esta que segue está ótima, tratando do temor de alguns norte-americanos da invasão sovie..digo, russa. O interessante é esse clima blasé de retorno à Guerra Fria… Enquanto isso, Putin continua jogando (em bem) com a alta política… Gosto de Putin. Putin é KGB.

US citizens trust rumour about Russian invasion more than gov’t

владивосток день ВМФ россия праздник

 

© Photo: Olga Ilchenko/«The Voice of Russia»

Rumours about some 50,000 Russian troops that had allegedly sneaked in the US spread fast across the Web creating panic.

“The Russians are coming! The Russians are coming!” wrote columnist Frank Mazzaglia on Wickedlocal.com.  Continuar lendo

Save Private Snowden…

A Voz da Rússia noticiou hoje a intenção da Câmara dos Deputados brasileira de ouvir Edward Snowden na Rússia. Aguardemos os próximos capítulos…

  16/09/2013

Brazilian MPs seek a meet with Snowden

Эдвард Сноуден Шереметьево Сноуден

 
Photo: RIA Novosti

Lawmakers in Brazil are seeking a meeting with fugitive ex-US intelligence consultant Edward Snowden, who leaked documents showing the United States allegedly cyber-spied on Brazil, officials said Monday.

Foreign relations and defense committee members will meet Tuesday with Russia’s Ambassador in Brasilia Sergey Akopov on how a congressional panel might be allowed to meet with Snowden, whom Russia has granted asylum. Continuar lendo

Senado dos EUA é fechado

Por motivo de segurança, fecharam o Senado dos EUA devido aos ataques da manhã de hoje. O mais surreal é que a Câmara continua em funcionamento…

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Exame.com 16/09/2013 16:54

Senado nos EUA é fechado por segurança; busca continua

O senador Harry Reid, líder da maioria democrata, já havia adiado para amanhã as votações originalmente previstas para a noite de hoje.

O Senado dos Estados Unidos fechou as portas na tarde de hoje por motivos de segurança relacionados ao ataque a uma base da Marinha em Washington. Continuar lendo

Moscou salva reputação de Obama

Estava para publicar essa notícia aqui desde quarta. Divirto-me com as manchetes da Voz da Rússia. Gostei muito desta que segue…

Reitero, Grande Potência é Grande Potência. E é muito interessante, para qualquer um que goste de relações internacionais, acompanhar como se dá esse jogo entre as Potências. Isso é alta política.

Pelo visto, os EUA perderam essa rodada. Gosto dos EUA. Mas também gosto de Putin. Putin é KGB.

Iniciativa de Moscou salva reputação de ObamaRússia, EUA, Síria

 © Colagem: Voz da Rússia

Depois da divulgação de provas irrefutáveis sobre a inocência de Assad relativamente ao ataque com armas químicas, Barack Obama foi obrigado a considerar a proposta da Rússia de as armas químicas sírias ficarem sob supervisão internacional. Obama declarou a sua intenção de aguardar os resultados da investigação da ONU e pediu ao Congresso para que este adie a sua votação. Mas ele mantém, contudo, a sua opinião que “um ataque contra a Síria é do interesse nacional dos EUA”. Isso foi afirmado por Obama no seu discurso aos americanos. Continuar lendo

Feliz Aniversário, Bashar!

Como já havia assinalado no post anterior, lembro que 11 de setembro é aniversário do líder sírio. A vida é feita de coincidências, diriam uns. Só espero, sinceramente, que os Estados Unidos não resolvam enviar um presente a Assad. Ninguém ganhará com isso e muitos perderão.

Assad aniversario

Exame.com – 11/09/2013 09:04

Assad celebra aniversário sem afastar perspectiva de ataque

O presidente sírio, Bashar al-Assad, completa 48 anos nesta quarta-feira sem ter conseguido afastar a perspectiva de ataques militares

Damasco – O presidente sírio, Bashar al-Assad, completa 48 anos nesta quarta-feira sem ter conseguido afastar a perspectiva de ataques militares, defendidos por Estados Unidos e França, que o acusam de ter utilizado armas químicas contra civis.

Um site pró-regime pediu aos moradores de Damasco que demonstrem apoio ao chefe Estado em um cortejo de veículos que partirá do bairro de Mazeh e prosseguirá até o centro da cidade. Continuar lendo

Rugidos do rato…

11 de setembro, entre outras coisas, é aniversário de Bashar Al-Assad.

Em meio à crise síria, uma manifestação do Extremo Oriente certamente fará Obama repensar suas ações na região… Depois dessa não há mais qualquer possibilidade de guerra… (Só que não…)

Kim Jong-un felicita Bashar Assad pelo seu 48º aniversário

A Voz da Rússia, 11/09/2013
 
Kim Jong-un felicita Bashar Assad pelo seu 48º aniversário

 

O povo da Coreia do Norte “continuará a apoiar e expressar solidariedade com o governo e o povo da Síria, que estão lutando, de modo justo, em defesa da soberania e da segurança do país”, diz-se em um telegrama de felicitações enviado hoje pelo presidente da Comissão de Defesa Nacional, Kim Jong-un, ao presidente sírio, Bashar al-Assad, por ocasião do seu aniversário.

O chefe de Estado sírio completa hoje 48 anos. O líder supremo da Coreia do Norte desejou-lhe “boa saúde e sucesso em seu importante trabalho”.

http://portuguese.ruvr.ru/news/2013_09_11/Kim-Jong-un-felicita-Bashar-Assad-pelo-seu-48-anivers-rio-1471/

Jogada de Mestre!

Apenas uma expressão para definir a última manobra russa na crise da Síria e diante da ameaça franco-estadunidense de atacar o país árabe: ‘”aula de Política Externa!”

Bem que podíamos aprender com Moscou como atua uma Grande Potência! Pazdravliayu, Tavarich Putin! Pazdravliayu, Tavarich Lavrov!

Russia Siria

RIA Novosti

Russia, Syria Back Call for International Control of Syrian Chemical Weapons

21:47 09/09/2013

Russia on Monday threw its backing behind a proposal that Syria’s chemical weapons be put under international control, leading Damascus to say it “welcomes the … initiative” if it would indeed help prevent a US strike on the war-torn country – a suggestion floated by Washington earlier in the day.

 MOSCOW, September 9 (RIA Novosti) – Russia on Monday threw its backing behind a proposal that Syria’s chemical weapons be put under international control, leading Damascus to say it “welcomes the … initiative” if it would indeed help prevent a US strike on the war-torn country – a suggestion floated by Washington earlier in the day.

Russian Foreign Minister Sergei Lavrov told reporters in Moscow that “if putting chemical weapons in that country [Syria] under international control would prevent strikes, we’re immediately beginning to work with Damascus,” and that a proposal had already been passed on to Syria’s Foreign Minister Walid Muallem. Lavrov and Muallem had met earlier on Monday, though it was not clear when or whether they discussed the proposal.

Muallem, in turn, said that Syria “welcomes the Russian initiative” and is “confident in the wisdom of the Russian leadership, which is trying to prevent American aggression against our people,” according to a Russian translation of the Arabic.

Earlier in the day, US Secretary of State John Kerry said Washington could refrain from attacking Syria if Damascus turns over “every single bit” of its chemical weapons to the international community within a week.

 However, a US State Department spokesperson later said Kerry was “making a rhetorical comment,” Reuters reported.

The text of the Russian proposal was not made public, but Lavrov said: “We are calling on the Syrian leadership not only to agree to the placement of chemical weapons storage sites under international control, but also to [their] eventual destruction, and to full accession to the Organization for the Prohibition of Chemical Weapons.”

The United States has accused the regime of Syrian President Bashar Assad of using chemical weapons against civilians.

Most recently, Syrian rebels said the Assad regime was behind an August 21 chemical attack in a Damascus suburb that killed between 355 and 1,700 people; the United States has backed that allegation and is contemplating a retaliatory attack on Syrian government targets.

Assad has said the use of chemical weapons was a provocation by the insurgents, a stance supported by Moscow.

Syria is one of five UN member states that have not signed the 1993 Chemical Weapons Convention outlawing chemical weapons. The other four are Angola, Egypt, North Korea and South Sudan. (Israel and Myanmar have signed but not ratified the convention.)

Forcas ocidentais ataque siria

Razões para a guerra…

Depois da brilhante jogada russa no tabuleiro global envolvendo a questão síria (os dirigentes de Moscou estão-se revelando grandes estrategistas!), o Presidente Obama parece continuar buscar motivos para derrubar o regime de Assad. Isso não é nada bom… Ainda tentando entender o ímpeto do Mandatário estadunidense para desencadear o conflito…

De toda maneira, seria no mínimo irônico um presidente dos Estados Unidos com nome muçulmano e ganhador do Nobel da Paz (lembram disso?) desencadear uma ofensiva militar contra um país árabe por volta do 11 de setembro… Pergunto-me o que George W. Bush estaria pensando disso tudo…

Continuo sem a convicção de que o ataque com armas químicas (se realmente aconteceu) se deu a mando de Assad…

Obama_discurso_Siria

RIA Novosti

Obama Argues for Force in Syria, Says Russian Plan Still in Play

07:28 11/09/2013

In a nationwide televised address Tuesday night, US President Barack Obama argued for a punitive military strike against Syria over its alleged use of chemical weapons, though he said he is working with Russia on a proposal to defuse the situation by securing Syria’s chemical weapons stockpiles.

 WASHINGTON, September 10 (RIA Novosti) – In a nationwide televised address Tuesday night, US President Barack Obama argued for a punitive military strike against Syria over its alleged use of chemical weapons, though he said he is working with Russia on a proposal to defuse the situation by securing Syria’s chemical weapons stockpiles.

“If we fail to act, the Assad regime will see no reason to stop using chemical weapons,” Obama said in his 15-minute speech from the ornate East Room of the White House. “As the ban against these weapons erodes, other tyrants will have no reason to think twice about acquiring poison gas and using them.” Continuar lendo

Não provoquem o Urso…

putin_medvedev_0229Apenas para corroborar o que disse sobre o papel de Moscou na crise síria. Se os EUA realmente decidirem por derrubar o regime de Assad, terão que contar, no mínimo, com a simpatia russa… Porém, ao dizer que pretende consultar o Congresso, Obama poderia estar demonstrando que não tivera grandes êxitos em um contato de bastidores com o Kremlin… Será que Washington ousaria desencadear uma ação militar contra Damasco à revelia de Moscou? Sempre bom lembrar quem governa a Rússia…

RIA Novosti

US Strike on Syria Inadmissible, Even if ‘Limited’ – Moscow

03:39 31/08/2013
A military strike on Syria not sanctioned by the UN Security Council would be inadmissible no matter how “limited” it is, the Russian Foreign Ministry said on Friday.

 MOSCOW, August 31 (RIA Novosti) – A military strike on Syria not sanctioned by the UN Security Council would be inadmissible no matter how “limited” it is, the Russian Foreign Ministry said on Friday.

US President Barack Obama said earlier in the day that a potential military strike on Syria would be a “limited” operation aimed at punishing the Syrian government for achemical weapons attack it allegedly carried out last week.

“Any unilateral military sanction bypassing the UN Security Council, no matter how “limited” it is, will be a direct violation of the international law, [it will] undermine the possibility to solve the conflict in Syria by political and diplomatic means, [and] bring about a new round of confrontation and casualties,” Russian Foreign Ministry Spokesman Alexander Lukashevich said in a statement late on Friday. Continuar lendo

Apocalipse Now… in Syria

assad_obamaMuita gente tem-me perguntado sobre a crise na Síria e a provável intervenção estadunidense no país do Oriente Médio. Desde que começou o Levante (como sempre chamei a tal da “Primavera Árabe”), há dois anos, tenho dito que a Síria é muito distinta dos demais Estados que passaram pelas revoltas populares, seja a Líbia de Kadafi, seja o Egito de Mubarack… Tanto por sua posição geográfica, quanto pelas características do regime e de seu líder, ou ainda pelos seus estreitos vínculos com grandes potências como Rússia e China e aliados como o Irã e o Hesbollah, o caso sírio é bem mais complexo do que muitos “experts” têm dito.

Assad_quadroNestes dois anos tenho assinalado que Bashar Hafez-al-Assad não é um simples ditadorzinho de país em desenvolvimento, e que dificilmente deixaria a Presidência da Síria pelas manifestações da oposição. Assad estaria mais para déspota esclarecido.  Seu pai assumiu o poder na Síria quanto ele tinha cinco anos de idade – natural que desde cedo já houvesse a possibilidade de ser preparado para uma sucessão. Estudou em Londres, conhece o Ocidente, e muito distante está de um líder beduíno que ocupa o palácio de dia e à noite vai para sua tenda, ou de um coronel que herda o poder de outros coronéis. É, verdadeiramente, uma liderança em seu país e conta com apoio de parte da população.

Ademais, contra Assad se rebelaram grupos distintos, inclusive alguns associados à Al-Qaeda. Ou seja, ele é, ao menos, a opção conhecida no governo do país. Difícil identificar quem poderia assumir o poder em seu lugar ou mesmo se os rebeldes não continuariam a luta fratricida, permanecendo a instabilidade.

assad putin Também desde cedo assinalo que qualquer investida militar contra a Síria teria que contar com a aquiescência de Moscou. O país é área de influência russa – vale lembra que a maior base naval russa em águas quentes é na Síria – e está muito próximo do território da antiga União Soviética para que Putin deixe de acompanhar muito de perto e com grande interesse os acontecimentos e muito menos uma ação militar ocidental. Tenho comentado, ainda, que Assad cairá quando perder o apoio de Moscou.

Falando ainda da Rússia, interessante tem sido a orientação do Kremlin na crise. Sempre manteve o apoio a Damasco, apoio esse que se evidenciou nas últimas declarações sobre os ataques com armas químicas e nas intervenções no Conselho de Segurança da ONU. Nesse ponto, conta com o apoio de Pequim que, no mínimo, não tem interesse em ver aumentada a influência ocidental na região.

Note-se, além disso, que a relação entre Washington e Moscou tem-se mostrado mais tensa nos últimos meses. Algumas vezes se falou sobre uma nova Guerra Fria (ao menos em certos discursos do Governo russo isso foi expressado). O caso Snowden contribuiu para o aumento da tensão, inclusive com o cancelamento de reuniões de cúpula entre Obama e Putin. Os russos aumentaram a presença na Síria e continuam fornecendo armas a Assad. O recado de Moscou, claro desde sempre, mas somente agora percebido por muitos “especialistas” é: “não brinquem no meu quintal sem me consultar”.

syria protest1Entretanto, apesar dos avisos, Obama parece particularmente interessado em uma ação militar contra a Síria e em tirar Assad do poder – ou isso, ou tem-se aí um grande blefe por parte de Washington! E o pior é que encontra resistência em casa, e também entre seus aliados tradicionais. David Cameron, por exemplo, já retrocedeu na ideia de tomar parte diretamente na intervenção na Síria. Até mesmo Israel não se mostra entusiasmado com os tambores de guerra – claro! além do primeiro alvo de contra-ataques, os israelenses já conhecem (e bem) o atual governo Sírio e seu líder, e temem quem poderia sucedê-lo (no Egito, como também já havia assinalado aqui neste site, a experiência não foi das mais felizes).

Bom, alguns diriam, a intervenção militar conta com o apoio de Hollande… Do social-democrata Hollande? Do líder forte e altivo Hollande? Alguém pode me dizer quantas guerras a França venceu nos últimos 150 anos?

Mas, e se os EUA, contrariando seus principais aliados, desafiando Moscou e Pequim, e provocando Teerã, resolverem atacar a Síria? Bom, um conflito tradicional, como na invasão do Iraque, acho improvável. O país sofrerá ataques aéreos e aumentar-se-á o apoio aos rebeldes, mas não acho que Obama arriscaria mandar soldados estadunidenses para este novo teatro de operações. Se, contra todas as expectativas, assim o fizer, pode correr o risco de encarar o que dois democratas que o antecederam tiveram que enfrentar quando decidiram por incursões militares na Ásia – a total surpresa e o desgaste com um conflito prolongado. Falo de Truman na Coréia e Lindon Johnson no Vietnã.

Uma característica da guerra – e qualquer polemólogo iniciante sabe disso – é que se conhece muito bem como ela começa, mas como terminará é sempre uma incógnita. No caso da Síria, se os russos mantiverem o apoio a Assad, o conflito pode se prorrogar… E, havendo a intervenção por terra, será que poderia ocorrer uma nova Coréia (com soldados iranianos e libaneses combatendo ao lado dos sírios) ou um novo Vietnã? Interrompo aqui minhas reflexões para pensar um pouco mais…

Diante de todo esse cenário, a única certeza é que uma intervenção militar estadunidense na Síria será a pior das possibilidades. Mas Obama deve saber disso. Truman e Lindon Johnson também deviam sabê-lo, não?

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Snowden, NSA e as eleições na Alemanha

Os vazamentos promovidos pelo senhor Edward Snowden continuam afetando governos, organizações e pessoas pelo mundo. No último mês, as notícias sobre o relacionamento entre a National Security Agency (NSA) e o serviço de inteligência externa alemão, o BND (Bundesnachrichtendienst), têm sido constantes nos jornais germânicos… O assunto ganha fôlego à medida que as eleições se aproximam. Há a efetiva possibilidade da oposição vencer em setembro nas urnas e um dos temas em debate é exatamente essa cooperação entre Berlin e Washington para invadir a privacidade dos cidadãos (!). Como se Frau Merkel não tivesse mais nada com que se preocupar…

Segue interessante matéria do Der Spiegel sobre o tema…

Image: Barack Obama, Angela Merkel

Der Spiegel – 08/19/2013 05:16 PM

Merkel and the NSA: A Scandal That Just Won’t Die

As the election approaches, Chancellor Angela Merkel is working hard to dissipate anger over controversial surveillance by German and US intelligence agencies. But every time Berlin assures voters that all is well, its claims are discredited.
 

Monday, August 5, was the day that the German government hoped would finally provide some relief in the ongoing surveillance scandal. That morning, a member of the Bundesnachrichtendienst (BND), Germany’s foreign intelligence agency, stationed at the embassy in Washington picked up four German officials at a local hotel. Driving in two dark sedans, they headed for Fort Meade in the state of Maryland, the headquarters of the National Security Agency (NSA), which gathers military intelligence for the US Department of Defense.

The four were part of a high-ranking delegation that had landed in the US capital a day earlier. It included: Gerhard Schindler, the BND chief; Hans-Georg Maassen, his counterpart from the Cologne-based Federal Office for the Protection of the Constitution (BfV), Germany’s domestic intelligence agency; Klaus-Dieter Fritsche, a state secretary at the German Interior Ministry; and Günter Heiss, intelligence coordinator for German Chancellor Angela Merkel. Continuar lendo

Big Brother e democracia

Pode o Estado acessar dados e comunicações pessoais do cidadão para protegê-lo? Direitos fundamentais podem ser mitigados sob o imperativo da segurança? Escrevi sobre isso hoje na Folha de São Paulo.

Para o artigo na Folha, clique aqui.

E, a seguir uma versão um pouco mais completa do artigo…

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BIG BROTHER E DEMOCRACIA

Joanisval Gonçalves

Quando, em 1949, George Orwell escreveu o romance “1984”, tratou de uma sociedade futurística, na qual o Estado controlava os cidadãos de maneira absoluta, vigiando-os no mais íntimo de sua privacidade, conhecendo suas ações mais particulares e determinando sua maneira de pensar. A obra de Orwell, que se tornou um clássico, retratava com maestria um Estado onipresente, controlador e repressor, representado pela figura do Big Brother, o Grande Irmão, que tudo via e tudo sabia. Entretanto, “1984” tratava de um regime totalitário. No século 21, porém, o Grande Irmão chegou às democracias.

Nas últimas semanas, com a revelação de que o governo dos Estados Unidos estaria reunindo dados a partir de interceptações telefônicas e acessos irregulares a mensagens e contas na internet de milhões de pessoas, o tema do Estado controlador do cidadão voltou à tona. Pode o Estado, sob o imperativo da segurança, violar a intimidade do indivíduo? E o direito de o cidadão ter suas informações pessoais e comunicações preservadas é absoluto? Essa é uma discussão complexa, sobretudo por vivermos uma época em que o mundo digital está cada vez mais presente e a segurança da sociedade se vê diante de ameaças como o terrorismo. Na era da informação e da insegurança, teremos que nos submeter ao Big Brother para nos proteger? Continuar lendo

Atentado em Boston

Acabou de acontecer um atentado em Boston. O terrorismo volta aos EUA. Detalhe: evento esportivo de repercussão internacional.

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Boston Marathon Blasts Kill 2, Police Say

NY Times, April 15, 2013,  By  and 

BOSTON — A series of explosions was reported near the finish line at the Boston Marathon on Monday, leaving two people dead and at least two dozen injured, according to the Boston Police Department. Continuar lendo

Os agressores não podem ser perdoados!!!

Mais uma bela peça da retórica norte-coreana! Confesso que estou me divertindo com isso! Façamos figa para que o democrático regime de Pyong Yang seja preservado! (Afinal, já perdi Kadafi, Chávez, Chico Cézar (Kim Jong-il, o pai de Bob Filho), e Berlusconi… o mundo está ficando sem graça…).

North Korea Rally

Aggressors Can Never Be Pardoned: Minju Joson

Pyongyang, April 5 (KCNA) — The decisive battle with the U.S. imperialists and their followers will be a patriotic sacred war of justice based on the truth that the DPRK cannot co-exist with the aggressors keen on bringing it down and daring hurt the supreme dignity, the whole of the life and soul of its army and people.

Minju Joson Friday says this in a bylined commentary.

The nearly 70 year-long moves of the U.S. to antagonize the DPRK are unheard-of ones in their persistency and cruelty, the news analyst says, and goes on:

The U.S. has persisted in its moves to ignite a war against the DPRK for over 60 years after suffering a bitter defeat in the June 25 Korean war started by it to stifle the DPRK in its cradle.

The U.S. is pushing forward in the practical phase the moves for unleashing a nuclear war against the DPRK, taking issue with it over its satellite launch for peaceful purposes and nuclear test for self-defence.

The south Korean puppet forces are daring hurt the national treasure of Songun Korea, a crystal of the profound reverence and pure loyalty of all its service personnel and people. Continuar lendo

“Não subestimem a capacidade da Coréia do Norte de aniquilar seus inimigos”

Comunicado publicado no site (oficial) de notícias da Coréia do Norte (que, por sinal, fica hospedado no Japão). Vale muito a pena ler! Interessante a retórica do texto. Sentindo-me na URSS stalinista…

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Hostile Forces Should Not Misjudge DPRK’s Will to Annihilate Enemies: DFRK Chairman

Pyongyang, April 3 (KCNA) — The chairman of the Central Committee of the Democratic Front for the Reunification of Korea (DFRK) released a statement on Wednesday.

The statement said: I fully support the resolute and patriotic important decision made by the dear respected Marshal Kim Jong Un to defend the dignity and sovereignty of the country and the decision adopted at the March, 2013 plenary meeting of the Central Committee of the Workers’ Party of Korea and will work hard to put them into practice.

The U.S. imperialists and the south Korean military warmongers’ madcap war exercises aimed to ignite a nuclear war against the DPRK has entered the practical step, after going beyond the danger line, the statement said, and went on: Continuar lendo

Razões para se preocupar

Excelente análise no jornal colombiano EL TIEMPO, feita pelo correspondente em Pequim, Ángel Villarino. Observo que ele também ressaltou o que eu já havia previsto como data para um eventual ataque de Pyong Yang: 15 de abril, aniversário do fundador da Coréia do Norte e ícone cultuado. De toda maneira, as possibilidades de conflito são bem reais.

Preocupou-me o fato de ontem os norte-coreanos terem transferido lançadores de mísseis para o leste do país. Os EUA e a Coréia do Sul também seguem com manobras. Qualquer incidente menor pode se constituir em estopim para um confronto bélico.

(Contribuição de meu amigo Marcus Reis.)

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Corea del Norte: cinco motivos para preocuparse y cinco para calmarse

Por:  | 3:42 p.m. | 04 de Abril del 2013
 
 Si existiera un registro al respecto, ya habría batido los récords en amenazas bélicas consecutivas.

El jueves volvió a dar una nueva vuelta de tuerca a su desafío y sugirió que su Ejército ha recibido luz verde para atacar Estados Unidos con armas atómicas.

La maquinaria propagandística del régimen habló de una “operación despiadada” que ha sido “definitivamente examinada y ratificada” y que podría ponerse en marcha “hoy o mañana”, ya que “el momento de la explosión se acerca rápido”.

Pocas horas después, el ministerio de Defensa de Corea del Sur aseguró haber detectado un misil que estaba siendo transportado por tren hasta la costa este de Norcorea. Tras examinar las imágenes recogidas por satélite, expertos como Mark Fitzpatrick (uno de los que más saben de armamento norcoreano) lo identificaron como un misil ‘Musudan’. Se trata de uno de los tipos de cohetes de más largo alcance de cuantos dispone el Ejército norcoreano. Basado en tecnología soviética, podría alcanzar los 2.400 kilómetros, suficiente para llegar hasta Japón (y a las bases estadounidenses de Okinawa) pero no hasta la isla de Guam, donde EE. UU. desplegó esta semana baterías de defensa por si acaso. Continuar lendo